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Logan

Logan

As primeiras imagens de Logan poderiam estar em qualquer um daqueles filmes baratos em que postos de gasolina no meio do deserto estão entre os cenários preferidos. É a América profunda, aquela que esconde criaturas estranhas como as que povoam o primeiro longa de James Mangold, Paixão Muda, rodado há mais de vinte anos, e para a qual ele só volta bem acompanhado, seja por Johnny Cash, por personagens de um western antigo ou por Wolverine. Em suas primeiras cenas, a fotografia do filme, quase sem tratamento, busca ao mesmo tempo o tom rústico que Mangold impõe ao longa e o isolamento que o protagonista impõe a si mesmo e aos poucos que restam perto dele.

Um ponto de partida digno para um filme sobre os últimos passos de um homem como o personagem que ele carrega há quase duas décadas. Interpretando um herói finalmente vencido pelo tempo, com um décimo dos poderes e do vigor que o mantiveram vivo por muito mais do que qualquer um de seus pares, contaminado por sua própria condição, Wolverine vive recluso com um Professor Xavier nonagenário num mundo onde já não há mais mutantes, mas a perseguição continua. Mangold filma a decadência do personagem com um olhar duro e desesperançoso de uma balada country sobre um homem que está cansado do mundo e da solidão. Sobre seus ombros pesam as últimas responsabilidades, das quais ele não é capaz de abdicar. É o que ele enxerga como seu destino e sua punição.

O momento de introspecção do personagem foi a deixa perfeita para que Mangold se voltasse por completo para esse cenário que ele tanto examinou e para seu próprio arsenal de referências. Hugh Jackman ganhou certa liberdade para fazer sua despedida da série e chegou com a ideia de um filme que misturasse Os Imperdoáveis, O Lutador e Os Brutos Também Amam. Do primeiro, o diretor tirou um protagonista herdeiro dos personagens de Clint Eastwood, com um código moral rígido, mas moldado à base da violência; do segundo, um homem consciente de sua idade e de sua condição; do terceiro, citado literalmente, alguém que encontra um herdeiro, uma maneira de continuar.

É a entrada desta nova personagem em cena que transforma, aos poucos, o protagonista e o próprio filme. Mangold passa a permitir um maior cuidado com a estética das cenas à medida que Wolverine passa a se enxergar com uma nova missão. Hugh Jackman nunca esteve tão bem no papel e talvez em toda sua carreira como ator e sua interação com Patrick Stewart, que nunca foi tão intensa, e com a novata Dafne Keen, um achado, só ajudam reconhecer o talento do homem. Embora não esqueça o humor e a ironia, Mangold se concentra nas cenas dramáticas e em construir uma homenagem definitiva à mitologia do personagem, que embora seja canadense, é a reciclagem de muitos heróis americanos, de muitos Clint Eastwoods. Encontrar sua sensibilidade é para poucos e, em Logan, James Mangold só acertou no alvo.

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[Logan, James Mangold, 2017]

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Uma das melhores seqüências de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é estrelada por um Mercúrio um tanto desfigurado em relação à persona sisuda criada nos quadrinhos. A cena é, em todos os bons sentidos, exibicionista. Em sua estreia no universo dos pupilos de Charles Xavier nos cinemas, o personagem vivido por um abobalhado Evan Peters funciona, inclusive, como um alívio cômico para a trama, e, como o aproveitamento do velocista na história é leve, rápido e eficiente, Bryan Singer parece mandar um recado implícito para fãs radicais: mudar as coisas de lugar pode não ser tão ruim assim. O novo filme dos filhos do átomo nasceu como seus heróis, mutado, mutante, diferente de seu original.

Dias de um Futuro Esquecido, a história original das HQs, é uma das melhores aventuras dos X-Men e uma das mais bonitas tramas sobre viagens no tempo e futuros alternativos. Mas, como era de se esperar, dos quadrinhos, sobrou apenas o conceito do argumento, mudando protagonismos, contextos e se adaptando a – e tentando fazer convergir – uma cronologia mutante que já se estende por seis filmes. O novo longa, embora encontre seus fundamentos num dos momentos mais clássicos e inspirados do grupo, é primordialmente uma seqüência direta de X-Men: Primeira Classe, cujas estrelas são, mais uma vez, Charles Xavier, Magneto e Mística, em novas e belas interpretações de James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrence, com um espaço mais farto para o Fera e também para Wolverine.

É o herói das garras de adamantium que rouba de Kitty Pryde, ponta de luxo de Ellen Page, o protagonismo da viagem no tempo. Ele sai de um futuro distópico, que dizimou boa parte dos mutantes, onde os poucos X-Men que sobraram são perseguidos por sentinelas, para impedir um fato do passado que desencadearia o ódio aos portadores do gene x. Esse passado é o início da década de 70, pouco tempo depois dos fatos narrados em Primeira Classe. E o fato que precisa ser evitado não é mais o assassinato do senador Robert Kelly pela mutante Sina, mas a morte de Bolívar Trask, ponta de luxo de Peter Dinklage, pelas mãos de Mística.

O roteiro de Simon Kinberg, que trabalha sobre um argumento coescrito pelo diretor do filme anterior, Matthew Vaughn, faz o possível e o impossível para adequar as premissas dos quadrinhos ao universo instalado nos cinemas, possibilitando não apenas a continuidade da franquia, como seu diálogo com a trilogia original, da qual dois terços foram comandados por Singer. Este, por sinal, volta como diretor à série 11 anos depois de entregar X-Men 2, que ainda permanece como o melhor filme dos mutantes, igualmente mutado de uma trama específica dos quadrinhos, Deus Ama, O Homem Mata. Nem Singer, nem Kinberg deixaram de cobrir todos os buracos, mas X-Men: Dias de um Futuro Esquecido empolga mesmo assim.

Cientes de era preciso transformar ideias, os criadores resolveram não ter pudores em mudar alguns cânones e ainda acharam espaço para introduzir personagens clássicos dos quadrinhos no cinema. Blink, que aparece no grupo de mutantes do futuro, talvez seja a que melhor teve seus poderes retratados no filme, estrelando uma cena de ação empolgante, em contraste com seus poucos diálogos. O excesso de personagens continua sendo um problema porque há pouco espaço para todos, mas o golpe de Singer, de resgatar os mutantes dos filmes originais, captura o espectador num laço emocional em que a própria natureza do longa, de mostrar a ação em tempos paralelos, trata de justificar o pouco tempo em cena.

Halle Berry, Shawn Ashmore e, sobretudo, Ian McKellen e Patrick Stewart, retomam seus papéis no que é ao mesmo tempo uma maneira de resolver seus personagens e uma homenagem a esses intérpretes. E, por mais que este filme se volte para seu parente mais imediato, a vontade de dialogar com os primeiros longas atravessa toda a história. A viagem no tempo não está apenas no centro da trama de Dias de um Futuro Esquecido, mas em todas as entrelinhas, em todas as pontas de luxo, em todas as motivações. O melhor é que mesmo transfigurando a essência da HQ clássica, Singer encontrou equivalências e para oferecer novos horizontes para os mutantes no cinema numa história sólida.

No fim das contas, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tem tanto a função de passagem de cetro, como revela a cena em que James McAvoy e Patrick Stewart dividem a tela, como a de memorial, como nos afirma a primeira – e imensamente emocional – das duas cenas escondidas nos créditos. Se a ideia era reorganizar a cronologia dos heróis no cinema, o filme cumpre sua premissa com honestidade e sem vergonha. Sem vergonha de se utilizar de um recurso que as HQs usam há décadas. Sem vergonha de ter chamado atores da primeira trilogia por pouco tempo para lembrar ao leitor que ele está num lugar seguro. Sem vergonha de puxar pelo emocional.

Afinal, os X-Men têm todos aqueles poderes, estrelam histórias complexas, são metáforas para tantas coisas, mas a gente gosta deles mesmo porque eles são nossos amigos, né? Então, se umas lagrimazinhas chatas insistirem em se formar nos seus olhos quando uma certa cena lembrar da época em que você entrou para uma certa escola e mostrar que dá pra mudar tudo sem se preocupar se a ciência confirma isso, tenha certeza de que você não está só nessa. Acreditar na fantasia está no sangue de qualquer mutante que se preze.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[X-Men: Days of Future Past, Bryan Singer, 2014]

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Wolverine Imortal

Wolverine Imortal

A melhor notícia sobre Wolverine Imortal é que, diante da primeira aventura solo do x-man, esse novo longa não tinha como não ser melhor. Mas o filme vai além disso: James Mangold realmente consegue entregar um trabalho decente, que tenta reinventar o personagem enquanto lobo solitário, embora tenha tomado muitas liberdades em relação aos acontecimentos nas HQs. Os fãs de quadrinhos já devem estar vacinados para assimilar as transformações porque passam personagens e arcos de histórias nos cinemas e o novo longa do mutante canadense não poupa perfis, identidades e fatos da saga de Wolverine no Japão, em que o filme é baseado.

Mas quem deve mais sofrer com isso é o fã radical já que as novas amarrações do roteiro, assinado pelos ótimos Scott Frank e Christopher McQuarrie, são bastante sólidas e conseguem dar algum refresh no personagem, já desgastado em quatro filmes (cinco se contarmos com a ponta em X-Men: Primeira Classe). Mangold, que há alguns anos deu roupa nova a um western clássico em Os Indomáveis, também fez um trabalho correto aqui: se a história não é tão fiel às HQs, o espírito do personagem e a paleta de cores da série, mais sombria, se mantêm preservados, mesmo diante de uma vilã kitsch com Madame Hidra.

O filme, no entento, ainda é tímido no desenvolvimento do personagem. Ele aponta para o lado certo, mas fica na superfície boa parte do tempo. Mas ganha pontos por guardar espaço para cenas que homenageiam o cinema japonês, com ninjas, yakuzas e até robôs gigantes. Há várias sequências de luta, algumas deliciosas, onde os atores podem demonstrar como foram bem coreografados, com destaque para a Yukio, de Rila Fukushima, personagem completamente transfigurada pelo roteiro, o que diminuiu seu impacto, mas que encontrou uma reinterpretação interessante. A melhor cena de ação do longa, no entanto, é estrelada mesmo por Hugh Jackman no topo de um trem bala, cheia daquelas mentiras que todo mundo adora assistir.

Mangold não poupa Mariko Yoshida nem o Samurai de Prata em sua reinvenção da saga, mas ambas as mudanças oferecem novas perspectivas para os personagens e reforçam um olhar do diretor sobre o Japão. Wolverine Imortal não usa o país apenas como cenário, mas se aproveita da combinação única entre o novo e o antigo, o tecnológico e o tradicional, como ambiente para que os conflitos internos do personagem ganhem tradução. Funciona, mas sem mergulho. Com um pouco de boa vontade, dá até para perdoar o excesso de participações de Famke Janssen no filme. Jean Grey não é apenas um amor do qual Logan não consegue se livrar. Ela catalisa a mutação secundária pelo qual nosso herói precisa passar.

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[The Wolverine, James Mangold, 2013]

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X-Men: Primeira Classe

Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, January Jones, James McAvoy

A relação entre X-Men: Primeira Classe e o restante dos filmes sobre os mutantes da Marvel ainda é um mistério. Ao mesmo tempo em que parece criar uma nova linha temporal para a cronologia X nos cinemas, o filme faz referência aos outros longas, inclusive com duas participações especiais que podem indicar que a cronologia será a mesma. Independentemente de sua natureza, o filme é a melhor coisa que poderia ter acontecido à série depois de dois desastres.

O longa apresenta a origem do grupo de mutantes, tomando total liberdade em onde, como e com quem tudo começou nos quadrinhos. Mas todas as transformações, inclusive no perfil dos personagens, parecem bastante seguras e funcionais. O objetivo é nobre: revitalizar os X-Men no cinema, costurando sua história à própria história do mundo. Matthew Vaughn acertou no alvo mesmo com tantas máculas à database tão bem guardada na memória pelos fanboys.

Isso me remete ao 2000. Enquanto metade do planeta se desmanchava em elogios ao primeiro filme dos X-Men, eu só fazia reclamar. O longa de Bryan Singer era cinema de aventura bom, o texto estava acima da média e Hugh Jackman, Anna Paquin, Ian McKellen e Patrick Stewart defenderam muito bem seus personagens. Mas, putz, eu tinha esperado tanto tempo para ver as origens de meus heróis favoritos transformadas?

Pois bem, enquanto todo mundo amava X-Men, eu era um fã decepcionado.

As coisas mudaram radicalmente quando X-Men 2 estreou. Além de aumentar o leque de personagens, o filme, uma versão não-oficial da graphic novel Deus Ama, o Homem Mata, era impecável. O texto dava tratava de preconceito e aceitação com uma inteligência até então inédita num longa com super-heróis. O filme foi um dos meus favoritos me 2003. E, graças a ele, resolvi reconsiderar o que pensava sobre o primeiro.

Seria impossível estrear a série respeitando a cronologia. Eram quase 40 anos de HQs e, para ficar num só exemplo, como começar a história dos X-Men no cinema abrindo mão de Wolverine, um dos heróis mais populares de todos os tempos? Hoje, dois filmes ruins depois (O Confronto Final e Wolverine), X-Men: Primeira Classe vem refundar a franquia. Mudando tudo. Mas, desta vez, eu deixo.

Matthew Vaughn, que deveria ter dirigido o terceiro filme, mas desistiu por causa do pouco tempo que teria para entregá-lo, assumiu essa retomada da série e conseguiu entregar um longa que, mesmo com alguns tropeços, consegue revitalizar a história dos heróis com a consistência que faltou aos dois filmes anteriores. A reintrodução dos personagens fere a cronologia, mas funciona perfeitamente para a história. A costura com a Guerra Fria, muito bem resolvida, catapulta discussões.

O roteiro cria cenas belíssimas, como o primeiro encontro entre Charles Xavier e Mística, e acerta em cheio em toda a sequência da praia, que reafirma o dilema dos mutantes e serve de prólogo para uma nova série longeva, cheia de possibilidades. Há momentos tolos, como a conversa entre Mística e o Fera, antes da cena do soro, onde o texto didático carece do refinamento que vimos em X-Men 2, mas nada chega a comprometer a harmonia do filme.

O elenco é acertadíssimo. Michael Fassbender está excepcional como Magneto. Finalmente um grande papel para ele em Hollywood. James McAvoy está tão bom quanto como o Professor X, mas como faz o bonzinho vai sempre ficar à sombra. Jennifer Lawrence e Kevin Bacon também se destacam e a falta de expressão de January Jones, quem diria?, funciona perfeitamente para o papel de Emma Frost.

Agora resta esperar o próximo passo na história dos mutantes no cinema. Matthew Vaughn diz que aceitaria dirigir uma continuação. Eu, mesmo que este filme esteja longe de ser perfeito, voto nele.

X-Men: Primeira Classe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[X-Men: First Class, 2011, Matthew Vaughn]

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Thor

Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston

A verdade é que Thor é o filme mais arriscado dentro dessa aventura dos heróis da Marvel nos cinemas. A possibilidade do longa derrapar nas bilheterias poderia colocar em cheque a construção do universo que a editora vem trabalhando há anos para materializar. O filme do deus do trovão é o que mais trabalha com elementos mágicos, místicos, pouco palpáveis num no meio de uma série de personagens que sempre pareceram muito próximos do espectador.

Para trabalhar esses aspectos pouco realistas (deuses, imortalidade, coisa e tal), a Marvel tomou uma decisão acertada: foi ao teatro. Ao contratar Kenneth Branagh para comandar o filme, o estúdio deu à toda mitologia que existe em torno do herói um tratamento de palco. Thor continuou à parte de “gente” como o Homem de Ferro, Hulk ou até mesmo os X-Men, mas agora está menos inacessível. É como se Asgard estivesse num palco. Num plano diferente, mas mais próximo.

É meio impossível fugir do óbvio. Branagh destaca nos mitos nórdicos que a Marvel transpôs para os quadrinhos os elementos teatrais da trama. As intrigas familiares, os jogos de poder e as traições ganham um tratamento shakespereano que ajuda a tornar o tom do filme menos opulento. Desta maneira, a conversa entre filme de herói e material mitológico fica mais fácil. A direção de arte, que assustava desde o trailer, se revelou extremamente bem resolvida. Tem aqueles dourados foscos de shoppings dos anos 80 misturados na medida certa com elementos tecnológicos, como na ponte de Asgard, que mantêm a imponência sem perder o kitsch de uma monarquia de outrora.

Outra surpresa foi como Kenneth Branagh se revela um diretor de ação bastante eficiente. Ele consegue coordenar bem essa transição entre a palatabilidade necessária a um longa baseado num personagem de HQ à substância fundamental a um filme com essa ambientação. As cenas de ação são divertidas e acertam no tom do drama. Branagh, que há anos não dirigia nada memorável, deu uma renovada em sua carreira. E sua experiência de ator ajudou a retirar performances interessantes do elenco. Anthony Hopkins, como Odin, tem seu melhor papel em anos: consegue o espaço ideal para fazer funcionar seus cacoetes. E Chris Hemsworth, que à primeira vista parecia acéfalo, consegue reproduzir bem os princípios e a “doçura” de um viking.

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[Thor, Kenneth Branagh, 2011]

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Os filmes da marvel

Maio vem aí e com ele chega em breve às telas o longa-metragem do Homem de Ferro. O filme promete por três razões: é a primeira incursão solo da Marvel no cinema, escolheram um ótimo ator (Robert Downey Jr.) e Jon Favreau parece um diretor que conhece o tema. Que tal, então, lembrar dos filmes da nova fase da Marvel nos cinemas, de 98 até hoje? Do melhor ao pior.

1 X-Men 2 (2003), de Bryan Singer

É o caso mais bem resolvido de mutação secundária da Marvel nos cinemas. Personagens bem desenvolvidos, roteiro inteligente, cheio de nuances, e o aproveitamento de todo o conteúdo político das aventuras dos heróis mutantes. Bryan Singer acertou a mão em tudo. Chorei em algumas cenas.

2 Homem-Aranha 2 (2004), de Sam Raimi

Absolutamente fantástico. Tobey Maguire ainda melhor do que no primeiro episódio e interpretações belíssima de Kirsten Dunst e Rosemary Harris. O visual do vilão, Dr. Octopus, compensou o quesito mais fraco do primeiro filme. Melhor trabalho de Sam Raimi. A cena do Aranha desmascarado dentro do trem é uma das melhores da história.

3 X-Men (2000), de Bryan Singer

Bastante correto, embora as adaptações cronológicas tenham me incomodado um tanto. Hugh Jackman é uma surpresa estrondosa. Seu Wolverine é o maior êxito do filme, com Bryan Singer começando a tatear o universo mutante com respeito.

4 Homem-Aranha (2002), de Sam Raimi

Belo filme, mas a solução visual para o Duende Verde foi um erro. Tobey Maguire se revelou a encarnação de Peter Parker e Kirsten Dunst não fica muito atrás com sua Mary Jane. As cenas do herói cruzando a cidade em suas teias são tudo o que os fãs esperavam.

5 Blade II (2002), de Guillermo del Toro

Del Toro deu um novo fôlego para o personagem-vampiro, embora Wesney Snipes seja muito chato. O roteiro é bem amarrado e traz novos horizontes para o universo do anti-herói.

6 Hulk (2003), de Ang Lee

Sou um grande fã do Ang Lee, mas não acho que ele era o diretor certo aqui. Há um belo trabalho na montagem que homenageia as HQs e na direção de atores – principalmente Jennifer Connelly, – mas a entrada em cena do pai de Bruce Banner, papel destetável de Nick Nolte, fez o filme caminhar por uma trilha psicológica nada a ver. Eu adoro o monstro.

7 Homem-Aranha 3 (2007), de Sam Raimi

Vilões demais atrapalharam um pouco e o texto realmente caiu. Nossos eternos protagonistas já estavam meio cansados. Quem rouba a cena é Thomas Haden Church, que brilha na cena com a família.

8 X-Men: o Confronto Final (2006), de Brett Ratner

A mudança de comando foi fatal. Caiu a qualidade do texto, das leituras. A Saga da Fênix Negra, espinha dorsal do filme, reduzida a pó. Quem se salva é a Ellen Page, pré-Juno, como a adorável Kitty Pryde.

9 Blade (1998), de Steve Norrington

Não é grande coisa, mas é correto. E foi quem fomentou o terreno, então já ganha pontos…

10 Demolidor (2003), de Mark Steven Johnson

Dá pra notar que Johnson queria fazer um filme carinhoso, mas tudo é muito fraco, a começar pelo protagonista Ben Affleck. O que sobra é um rascunho do que este filme poderia ter sido.

11 Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007), de Tim Story

Melhor um pouco do que o primeiro porque a gente já havia se acostumado com as limitações. O Surfista é legal, mas não tanto quanto queriam. Que diretor é esse, pelamordedeus?

12 Quarteto Fantástico (2005), de Tim Story

Todo mundo falou que é legalzinho porque os personagens são simpáticos, mas é fraquíssimo. a única escalação certa foi a de Chris Evans, que faz bem o playboyzinho Johnny Storm. O resto do elenco deixa muito a desejar, assim como os efeitos e o texto bobo. Reed Richards virou um imbecil.

13 Blade Trinity (2004), de David Goyer

O visual é lamentável, de comercial de sabonete. Muita câmera lenta, muita imagem rapidinha. E uma trilha eletrônica que não é ruim. Ruim mesmo é o que o diretor escreveu para o personagem de Ryan Reynolds. Como o ator não ajuda…

14 Motoqueiro Fantasma (2007), de Mark Steven Johnson

Outra cagada de Johnson, que tem muito boa vontade, mas talento que é bom falta. Parece filme vagabundo feito para TV.

15 Elektra (2005), de Rob Bowman

Risível. Conseguiram sepultar uma personagem riquíssima num modelo ‘patricinha-de-colete-manda-ver’. Mais teen, impossível.

Não vi:

O Justiceiro (2004), de Jonathan Heinsleigh
Homem-Coisa (2005), de Brett Leonard

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Top 10: ranking Marvel no cinema

1 X-Men 2 estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha (2003), de Bryan Singer
2 Homem-Aranha 2 estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha (2004), de Sam Raimi
3 Homem-Aranha estrelinhaestrelinhaestrelinha (2002), de Sam Raimi
4 X-Men estrelinhaestrelinhaestrelinha (2000), de Bryan Singer
5 Homem-Aranha 3 estrelinhaestrelinha (2007), de Sam Raimi
6 Hulk estrelinhaestrelinha (2003), de Ang Lee
7 X-Men: o Confronto Final estrelinhaestrelinha (2006), de Brett Ratner
8 Blade II estrelinhaestrelinha (2002), de Guillermo Del Toro
9 Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado estrelinhaestrelinha (2007), de Tim Story
10 Demolidor estrelinhaestrelinha (2003), de Mark Steven Johnson

O primeiro é quase uma obra-prima. Um filme que consegue transportar para as telas o espírito mais fiel das HQs. O segundo tem a melhor cena da história da Marvel no cinema: os passageiros do trem vêem o Homem-Aranha, sem máscara. Estamos devidamente apresentados ao fascínio que o herói promove. Os dois primeiros filmes das duas franquias são bem legais, mas ainda tímidos. Os dois terceiros já são mais fracos, mas guardam seus acertos. Ambos, melhores do que qualquer um fora das trilogia do Aranha e dos mutantes.

11 Howard, o Superpato estrelinhaestrelinha (1986), de Willard Huyck
12 Blade estrelinhaestrelinha (2004), de Stephen Norrington
13 Quarteto Fantástico estrelinha (2005), de Tim Story
14 Motoqueiro Fantasma estrelinha (2007), de Mark Steven Johnson
15 Blade: Trinity bolinha (1998) , de David S. Goyer
16 O Justiceiro bolinha (1989), de Mark Goldblatt
17 Elektra bolinha (2005), de Rob Bowman
18 Capitão América bolinha (1990), de Albert Pyun

O resto da lista é praticamente vergonhoso. Sendo o filme da ninja assassina um desserviço impressionante e o do Capitão América uma das coisas mais vergonhosas da história da editora.

Não vi: O Justiceiro (2004), de Jonathan Hensleigh, e O Homem-Coisa (2005), de Brett Leonard.

Vem aí: para 2008, dois grandes lançamentos estão agendados: Homem de Ferro, de Jon Favreau, e O Incrível Hulk, de Louis Leterrier.

Para instigar os leitores de HQs, a Marvel já anunciou para a partir de 2009, os filmes do Thor, Homem-Formiga, Nick Fury, Capitão América e Vingadores. Dois destes estreariam em 2009 mesmo. Os outros, na seqüência.

Há projetos para dois filmes derivados da franquia X-Men: Magneto, que seria dirigo por David S. Goyer, e Wolverine. Também se fala em filmes para O Príncipe Submarino, Luke Cage, O Mestre do Kung Fu e Deathlok. O Justiceiro 2 também deve existir e o Surfista Prateado deve ganhar um longa solo.

Melhores escolhas de elenco:

1 Tobey Maguire, como Homem-Aranha (Peter perfeito)
2 Hugh Jackman, como Wolverine (Logan mais controlado)
3 Kirsten Dunst, como Mary Jane Watson (genial)
4 Rosemary Harris, como Tia May (maravilhosa)
5 Jennifer Connelly, como Betty Ross (encantadora)

outros notáveis: Patrick Stewart, como Charles Xavier, Thomas Haden Church, como Homem-Areia, Alan Cumming, como Noturno, Chris Evans, como Tocha Humana e Kelsey Grammer, como Fera.

Piores escolhas de elenco:

1 James Marsden, como Ciclope (virou um imbecil)
2 Jessica Alba, como Mulher Invisível (virou uma imbecil)
3 Ioan Gruffudd, como Sr. Fantástico (apático)
4 Jennifer Garner, como Elektra (estúpida)
5 Nick Nolte, como o pai de Bruce Banner (insuportável)

outros notáveis: Halle Berry, como Tempestade, e Ben Affleck, como Demolidor.

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X-Men: O Confronto Final

X-Men: O Confronto Final

Há uma grande diferença entre boas idéias e boas idéias realizadas. O terceiro – e ao que tudo indica, último – filme dos X-Men para o cinema é repleto de idéias, muitas boas, outras nem tanto, mas tem uma grande dificuldade em concretizá-las. Gostaria muito de evitar o papel de viúva de Bryan Singer, mas sua saída da série foi penosa para os filmes dos mutantes. Seria muito melhor, como o próprio Singer sugeriu, esperar o fim de seus compromissos com Superman, o Retorno.

A questão é simples: Singer é um bom diretor; Brett Ratner, seu sucessor, tem boas intenções. Há um abismo entre a qualidade da direção dos dois primeiros filmes em relação a este. Se Singer se preocupava em desenvolver bem as personagens de seu filme, em Ratner sobra a vontade de mostrar um pouquinho de todos. O resultado é exatamente esse: você vê um pouquinho de todas as personagens que interessam ao roteiro na tela. O problema é que parece que quase ninguém interessa de verdade ao roteiro. E Ratner traduz o roteiro à risca.

X-Men: O Confronto Final parece com tudo o que já sabíamos sobre ele. Primeiro, é um filme feito às pressas. Isto está claro em cada cena; todas parecem durar metade do tempo que deveriam durar. Os conflitos (não apenas os físicos) se resolvem muito rapidamente. Segundo, anunciado como último filme da série para o cinema, parece que os produtores quiseram colocar tudo o que podiam na trama para impulsionar os tais filmes-solo das personagens. Então, o problema: tem personagens demais, tem sub-tramas demais.

A Saga da Fênix Negra, a obra-prima de Chris Claremont e John Byrne, o melhor momento dos mutantes nas HQs, é apenas pincelada na história do filme. Não há espaço para desenvolver a Fênix no meio de tantas resoluções. Há algum acerto na apresentação da Jean Grey possuída, mas não há um aproveitamento satisfatório das inúmeras possibilidades da personagem. A mistura da história com o arco da “cura dos mutantes” diluiu quase tudo, inclusive a participação do Ciclope. A sensação mesmo é de não saber muito bem que caminho adotar e seguir pela solução mais fácil.

Os novatos, como o Fera e o Anjo, ambos com soluções visuais bem boas, têm aparições reduzidas. Kelsey Grammer merecia mais espaço. Suas cenas indicam que poderia vira a ser um dos melhores intérpretes da série caso pudesse desenvolver seu Hank McCoy. Outras personagens, como Calisto, Homem-Múltiplo e Fanático, e mais que eles, as doutoras Kavita Rao e Moira McTaggart, são jogadas na tela, com pouquíssima ou nenhuma função.

Tempestade ganhou mais espaço e Halle Berry, mais feliz, conseguiu dar um upgrade na sua performance. Continua irritante a dependência que os filmes têm de Wolverine, mas Hugh Jackman, mais uma vez, está acertado. Mas não deu para entender o que o diretor quis dizer com a legenda “num futuro bem próximo” numa cena em que nós não estávamos num futuro bem próximo, nem no futuro. A propósito, a aparição de um Sentinela foi preguiçosa e acovardada. Melhor seria deixar para um eventual quarto filme. Ah, é… não vai ter um destes, não é?

O que talvez seja o maior problema de X-Men: O Confronto Final é como ele deixa margens, pontas, perspectivas que precisariam justamente de mais um filme coletivo dos mutantes. Há inúmeras coisas que não teriam como ser acertadas em longas individuais, como o futuro da escola ou as mortes de três – sim, três – X-Men. Aliás, quem mereceria longas individuais? Como se apresentaria personagens como Emma Frost, por exemplo, tão ligada ao todo? O terceiro filme dos meus heróis preferidos é frustrante, mas numa coisa ele acerta em cheio: finalmente valorizar uma personagem excepcional, Kitty Pryde, então, eu perdôo e me envolvo… pelo menos um pouquinho.

P.S.: não esqueça disso! Depois de todos os créditos do filme, tem uma cena final em que é revelado o destino de uma das personagens que mais sofrem no filme, portanto, se segure na cadeira se o cara do cinema quiser colocar você pra fora!

X-Men: o Contronto Final EstrelinhaEstrelinha
[X-Men: The Last Stand, Brett Ratner, 2006]

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X-Men 2

X-Men 2

Bryan Singer tem uma carreira curta no cinema. Depois de um filme que ninguém viu fez um que todo mundo assistiu, Os Suspeitos. Ganhou pontos sua obra seguinte, O Aprendiz, e em 2000 recebeu a missão de levar para o cinema o maior grupo de super-heróis da história dos quadrinhos, os X-Men. Seu filme foi rapidamente alçado a melhor adaptação de um personagem de HQ para as telas. Elogiado pelos fãs e pela crítica. Mas ainda faltava alguma coisa. Faltava ideal.

Os X-Men surgiram na década de sessenta, junto com os grandes personagens de Stan Lee para a editora Marvel Comics: Homem-Aranha, Hulk, Quarteto Fantástico, entre muitos outros. O grupo de mutantes (pessoas especiais portadoras de um gene capaz de lhes garantir superpoderes desde crianças) lutava menos com seus inimigos e mais por sua aceitação entre os humanos comuns. Os X-Men se tornaram um marco nos quadrinhos. Eles eram a diferença. E a diferença sempre incomodou.

O universo dos mutantes foi absorvido imediatamente para o universo dos leitores, em sua maioria adolescentes, prontos para enfrentar o mundo que não os entende. Essa associação multiplicou várias vezes a fama e a mitificação dos heróis, que também aumentaram em quantidade. Mais de vinte deles participaram dos X-Men, além de outros tantos (com tantas histórias diferentes) que compunham equipes paralelas como o X-Force, os Novos Mutantes, o X-Factor e o Excalibur. Os X-Men se tornaram muito maiores do que Lee poderia imaginar.

Nas mãos da dupla Chris Claremont e John Byrne, os mutantes explodiram em sua popularidade, com histórias cada vez mais complexas e seus conflitos cada vez maiores. Transportar – ou melhor, recriar – personagens tão complexos como Wolverine, Magneto, Jean Grey e o Professor Xavier para as telas era arriscado e difícil. Mas no primeiro filme, Singer, que nunca tinha lido uma revista do grupo, soube apresentar os heróis, sobretudo pelo casting perfeito. Faltava falar de motivação.

É justamente ela, a motivação, que transforma X-Men 2, este sim, na melhor adaptação de personagens de quadrinhos para o cinema. A luta contra o preconceito para com os mutantes é a mola mestra do filme, que defende o ideal do professor e mostra na prática como os mutantes sofrem para ser aceitos. “Por que você não se disfarça o tempo todo?”, pergunta Noturno para a Mística. “Porque não deveríamos ter de fazer isso” é a resposta que ele consegue.

Metáforas à parte, o filme diz que todo mundo merece ser respeitado. Conseguir dizer isso em pleno cinema comercial norte-americano e com super-heróis que se teleportam, movem objetos, controlar o tempo ou soltam raios é muita coisa. É arte. Singer prova que a arte está em qualquer lugar. Basta ter talento pra chegar nela. O cineasta equilibra a tênue linha entre o idealista e o vilão em Magneto. Nenhum personagem é caricatural. Wolverine volta a excelência da interpretação do surpreendente Hugh Jackman e Alan Cumming recria o Noturno perfeito. Até Halle Berry, que tinha decepcionado no primeiro filme consegue fazer uma Tempestade digna (e finalmente com o cabelo no lugar).

Outro grande trunfo do filme é que o espírito dos X-Men corre ao lado da eficiência técnica. As cenas de combate ou de simples exibição de superpoderes são deliciosas. A transformação do Colossus, Kitty Pryde atravessando as paredes, as teletransportações do Noturno são feitas com perfeição. Nostalgia pura. É sonhar com o que ainda está por vir – e as ambições dos produtores incluem sagas alternativas, como o clássico Dias de um Futuro Esquecido, que se passa numa realidade alternativa. Assistir X-Men 2 no cinema é voltar aos tempos da adolescência e mergulhar num universo único onde as ideologias e caráteres ajudam a se formar. Testemunhar como tudo foi tão perfeitamente respeitado nesse filme é simplesmente delicioso e merece reverência. Surpreender-se com a possibilidade completamente real – vide a imagem final – do surgimento da Fênix no próximo filme é pertubador. Difícil conter os arrepios.

Que venha o Hulk.

X-Men 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[X2: X-Men United, Bryan Singer, 2003]

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