Tag Archives: Top 10

Top 10: os melhores filmes do primeiro semestre

Metade do ano já foi pro saco e chegou a hora de listar meus filmes favoritos entre os que entraram em circuito. Muita coisa boa chegou aos cinemas brasileiros e o segundo semestre promete ainda mais, incuindo dois ótimos e quilométricos filmes do filipino Lav Diaz. Obedeci apenas meu gosto pessoal, então, podem discordar à vontade, mas sempre com educação, certo?

Foxcatcher

10 Foxcatcher
[Foxcatcher, Bennett Miller, 2104]

De um lado é possível reconhecer um esforço gigantesco do diretor em tornar tudo muito importante. Do outro, esse esforço parece realmente ter capturado um sentimento de estranhamento, como se fosse o filme realmente se realizasse como o prelúdio de uma tragédia. Foxcatcher talvez seja incômodo por seu diretor ter encontrado a maneira mais fiel de apresentar homens verdadeiramente tristes, buscando uma maneira de materializar o vazio de suas vidas, revelando para a América o que os americanos têm de mais frágil.

A Gangue

9 A Gangue
[Plemya, Miroslav Slaboshpitsky, 2014]

Se ficarmos no clichê, A Gangue é uma monumental “experiência sensorial”. Afinal, qual foi a última vez que fizeram um filme de 132 minutos completamente “falado” em linguagem de sinais? A proposta parece assustadora, mas é exatamente disso que se trata o projeto: derrubar pré-conceitos. Nas primeiras imagens, o letreiro informa que o filme não trará legenda alguma para traduzir os gestos que os personagens do longa, principalmente garotos e garotas que moram numa espécie de internato para surdo-mudos, fazem para se comunicar. Ao espectador comum, é oferecida a experiência de ver o filme em condições semelhantes às que um deficiente auditivo assiste a um longa “normal”. Mas o que poderia se transformar num experimento típico de festival de cinema se revela um filme poderoso sobre jovens que raramente encontram “voz” numa Ucrânia dominada, nos mais variados níveis, pela corrupção.

Divertidamente

8 Divertidamente
[Inside Out, Pete Docter & Ronaldo Del Carmen, 2015]

A ideia central de Divertidamente, mapear o funcionamento da mente de uma pessoa, personificando as principais emoções que comandam o cérebro, poderia ser executada no modo engraçadinho e, ainda assim, seria um sucesso. No entanto, a Pixar tinha ambições bem maiores e, depois de patinar por cinco anos em filmes “menores”, voltou a tratar o material com seriedade. O resultado é uma exame detalhado e sensível das transformações de um ser humano. Ao mesmo tempo que mantém o humor afiado, exigência para qualquer animação que pretenda conquistar seu público, o roteiro lida com situações delicadas com tanto equilíbrio e inteligência, inclusive quando precisa ser cruel, que vira uma tradução muito sincera dos sentimentos de uma criança.

Um Ano Mais Violento

7 Um Ano Mais Violento
[A Most Violent Year, JC Chandor, 2014]

Deveria ser um filme de máfia, mas a ação é quase um sujeito oculto neste novo filme de JC Chandor, novamente às voltas, com a luta do homem contra o status quo. Oscar Isaac emula Al Pacino assim como a direção de fotografia remete às cores de um épico de Coppola, mas o diretor se mostra mais interessado em dissecar a situação pelo avesso. Chandor não vê muita escapatória para os problemas em que o protagonista está mergulhado. Parece obcecado, isso sim, em entender como um homem comum reage e enfrenta o sistema. Sua visão, talvez um pouco fria, surge também na personagem principal, que discursa contra algo que tem certeza que não pode vencer. Esse drible nas expectativas torna Um Ano Mais Violento menos efetivo e muito mais interessante do que sugeriria qualquer sinopse.

Acima das Nuvens

6 Acima das Nuvens
[Clouds of Sils Maria, Olivier Assayas, 2014]

Se Binoche faz a atriz europeia e veterana que vive à margem dos holofotes e Chloë Grace Moretz encarna a nova mini-diva hollywoodiana, Kristen Stewart tem, na verdade, uma metapersonagem, que catalisa as discussões sobre exposição sem ser uma caricatura da atriz fora das telas. O casting de Stewart é excelente e faz com que ela própria questione sua persona pública e exerça uma espécie de direito de resposta à maneira como a mídia a trata, uma escolha corajosa da atriz em aceitar alguns diálogos que se referem diretamente a sua vida pessoal.

Dois Dias, Uma Noite

5 Dois Dias, Uma Noite
[Deux Jours, Une Nuit, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne, 2014]

Embora guarde todos os elementos de seus filmes mais célebres, como a câmera orgânica, as interpretações naturalistas e o tempo contínuo, este longa talvez indique uma virada dos irmãos Dardenne em direção a um público mais amplo. É a primeira vez que eles recorrem a um intérprete que não nasceu na Bélgica como protagonista de um filme. Marion Cotillard mudou seu acento e se revelou uma escolha acertada para viver a mulher que, para recuperar seu emprego, tenta convencer seus colegas a votarem contra um bônus que só será concedido se ela for demitida. Os Dardenne continuam sua sina de analistas da Europa contemporânea, desta vez discutindo bem especificamente a crise financeira do continente e o impacto na vida do cidadão comum. Os interesses individuais são confrontados com os interesses do mercado numa luta desigual pela sobrevivência.

Selma

4 Selma
[Selma, Ava DuVernay, 2014]

O filme não é sobre uma luta étnica ou religiosa (ou também é). Nem procura revelar o Messias escondido em Martin Luther King (ou também revela). Selma é, sim, um filme edificante e inspirador porque a cineasta consegue traduzir e reverberar a jornada do protagonista pelo que ele acredita. O espectador é conquistado pela identificação. DuVernay cria uma obra sobre a humanidade em cada um de nós. Dignifica o trabalho Martin Luther King sem necessariamente vendê-lo como herói, mas entende sua batalha como ser humano. E David Oyelowo merece os maiores créditos. Recria um homem imenso da maneira mais discreta, simples e bonita possível.

O Pequeno Quinquin

3 O Pequeno Quinquin
[P'tit Quinquin, Bruno Dumont, 2014]

O Pequeno Quinquin incomoda muito mais do que qualquer coisa. É difícil não se abalar com algumas das opções de Bruno Dumont para esta minissérie para a TV francesa, convertida num filme de 200 minutos. Ao contrário do que se poderia imaginar pela imagem de filme infantil, o cinema e os debates do Bruno Dumont aparecem nesta nova obra e mais firmes do que nunca. Todas as questões religiosas, todas as dúvidas espirituais, todos os conflitos, sobretudo o medo do Mal, crescem à medida que descobrimos que Quinquin não é o protagonista do filme. Dumont utiliza a personagem para se aproximar de elementos que o assombram, como se a maldade inocente das crianças aliviasse essa proximidade.

Mad Max: Estrada da Fúria
2 Mad Max: Estrada da Fúria
[Mad Max: Fury Road, George Miller, 2015]

George Miller teve trinta anos para reimaginar Mad Max e o fututo. E o cineasta australiano foi buscar as raízes de seu guerreiro do fim do mundo, trituradas pela máquina hollywoodiana quando a franquia migrou para os Estados Unidos no, então, último filme da série. O desafio do diretor, do alto de seus 70 anos de idade, foi enorme: resgatar a essência da personagem, remodelar o pós-apocalipse aos olhos e exigências atuais e, mais do que tudo, descobrir o tom certo para o cinema de ação dos dias de hoje. É impressionante como o diretor, já na primeira aparição do protagonista, joga o espectador numa sequência ininterrupta de cenas de ação e só o devolve para a vida real depois que o filme acaba.

Leviatã

1 Leviatã
[Leviathan, Andrei Zvyagintsev, 2014]

A gigantesca carcaça do Leviatã ainda assombra um vilarejo russo onde tudo parece estar fadado ao fracasso. O monstro marinho, descrito no Antigo Testamento, é a alegoria escolhida pelo cineasta Andrei Zvyagintsev para escancarar seu pessimismo em relação a seu país, um estado de descrença que persegue e se transforma em principal temática de seu cinema. Para o diretor, a corrupção se instalou na coração da Rússia e se espalhou como metástase pela política, pela justiça, pela igreja e pela moral. Um exército cruel e onipresente que cerca e atropela os elementos dissonantes. O novo filme do cineasta é como uma profecia bíblica que não guarda muita salvação para seus protagonistas.

No fim das contas, três longas brasileiros foram considerados, mas terminaram saindo da relação final: Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho; Casa Grande, de Fellipe Barbosa, e A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante. Entre os estrangeiros que também chegaram perto, estão Whiplash, de Damien Chazelle; O Amor é Estranho, de Ira Sachs; e Kingsman: Serviço Secreto, de Matthew Vaughn. A lista completa dos filmes vistos no circuito em 2015 está aqui, na ordem de preferência.

Compartilhe!

14 Comments

Filed under Listas

Top 10: os piores filmes de 2013

Filmes ruins podem ser divertidos, mas filmes pretensiosos podem ser bem ruins. Os dez títulos abaixo têm uma coisa em comum: querem ser mais do que realmente são. E é essa pretensão que os colocou entre os piores filmes lançados nos cinemas brasileiros em 2013. Entre uma refilmagem que se aproveita do prestígio do original, um longa que se aproveita de portadores de síndrome de down, um épico musical que mais é uma epopeia cafona, um diretor que conseguiu emplacar dois filmes ruins no mesmo ano, quem ganha a medalha de ouro no ano é um longa que se pretende uma lupa sobre o americano médio, que se vende como uma investigação da violência que carregamos dentro de nós, um filme que parece orgânico, mas que se fundamenta sobre o truque barato das reviravoltas e que só sobrevive por uma quantidade tão imensa de lugares comuns, conceitos usados e estereótipos disfarçados que o pacote não poderia ser pior.

Duro de Matar 5

10 Duro de Matar 5, John Moore

Os Miseráveis

9 Os Miseráveis, Tom Hooper

Cinzas e Sangue

8 Cinzas e Sangue, Fanny Ardant

Caça aos Gângsters

7 Caça aos Gângsters, Ruben Fleischer

O Mordomo da Casa Branca

6 O Mordomo da Casa Branca, Lee Daniels

Carrie, a Estranha

5 Carrie, a Estranha, Kimberly Pierce

Obsessão

4 Obsessão, Lee Daniels

Colegas

3 Colegas, Marcelo Galvão

Pietá

2 Pietá, kim ki-duk

Os Suspeitos

1 Os Suspeitos, Dennis Vileneuve

172 Comments

Filed under Listas

100 cineastas elegem seus 10 filmes favoritos de todos os tempos

A cada dez anos, a revista inglesa Sight & Sound renova sua enquete sobre os melhores filmes de todos os tempos, iniciada em 1962. São produzidas duas listas: uma é resultado da votação de críticos; a outra sai das relações de centenas de cineastas. A última enquete foi publicada no ano passado e contou com os votos de 358 diretores das mais variadas origens, idades e históricos. Pesquei do site da revista as listas pessoais de 100 deles (traduzi todos os títulos para as versões brasileiras), de grandes nomes do cinema norte-americano, como Woody Allen e Quentin Tarantino, a autores asiáticos como Tsai Ming-Liang e Hirokazu Kore-eda. Alguns brasileiros que foram consultados também estão aqui, como Walter Salles e Tata Amaral.

Nas listas, algumas curiosidades: Francis Ford Coppola escolheu dois filmes de Martin Scorsese entre seus dez favoritos, mas o colega não lembrou de nenhum filme dele. Bruce LaBruce, famoso por seus filmes com cenas de sexo explícito, citou filmes de Pasolini e Godard. Terry Jones, do Monty Python, elegeu Toy Story 3 e o diretor de Superbad, Greg Mottola, defendeu 2001. Matthew Vaughn, de X-Men: Primeira Classe, foi de Rocky III, enquanto Michael Mann abraçou Avatar e Biutiful. O argentino Lisandro Alonso votou no tailandês Apichatpong Weerasethakul que votou no húngaro Béla Tarr. Veja as listas dos diretores no original, em inglês, aqui.

Os dez filmes favoritos dos cineastas foram estes:

1 Era uma Vez em Tóquio
[Tokyo Story, Yasujiro Ozu, 1953]

2 2001 – Uma Odisseia no Espaço
[2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick, 1968]

2 Cidadão Kane 
[Citizen Kane, OrsonWelles, 1941]

4 8 ½
[8 ½, Federico Fellini, 1963]

5 Taxi Driver
[Taxi Driver, Martin Scorsese, 1976]

6 Apocalypse Now 
[Francis Ford Coppola, 1979]

7 O Poderoso Chefão
[Francis Ford Coppola, 1972]

7 Um Corpo que Cai 
[Vertigo, AlfredHitchcock, 1958]

9 O Espelho
[Zerkalo, Andrey Tarkovsky, 1974]

10 Ladrões de Bicicletas
[Ladri di Biciclette, Vittorio De Sica, 1948]

Abaixo as listas individuais de 100 cineastas:

Armadilha do Destino

Abel Ferrara
de Maria

Armadilha do Destino [Roman Polanski, 1966]
Os Demônios [Ken Russell, 1971]
Gaviões e Passarinhos [Pier Paolo Pasolini, 1966]
Prisão [Ingmar Bergman, 1949]
Lolita [Stanley Kubrick, 1962]
Os Esquecidos [Luis Buñuel, 1950]
Ran [Akira Kurosawa, 1985]
A Marca da Maldade [Orson Welles, 1958]
Uma Mulher sob Influência [John Cassavetes, 1974]
Zero de Conduta [Jean Vigo, 1933]

Agnieszka Holland
de Filhos da Guerra

Barry Lyndon [Stanley Kubrick, 1975]
Diamonds of the Night [Jan Nemec, 1964]
Fanny & Alexander [Ingmar Bergman, 1982]
Caché [Michael Haneke, 2005]
Marketa Lazarová[Frantisek Vlácil, 1967]
O Espelho [Andrei Tarkovsky, 1974]
Odd Man Out [Carol Reed, 1947]
A Rainha Margot [Patrice Chereau, 1994]
Sangue Negro [Paul Thomas Anderson, 2007]
Trono Manchado de Sangue [Akira Kurosawa, 1957]

Aki Kaurismäki
de O Homem Sem Passado

A Idade do Ouro [Luis Buñuel, 1930]
O Atalante [Jean Vigo, 1934]
Ladrões de Bicicletas [Vittorio de Sica, 1948]
Boudu Salvo das Águas [Jean Renoir, 1932]
Em Busca do Ouro [Charles Chaplin, 1925]
Meu Tio [Jacques Tati, 1958]
Nanook, o Esquimó [Robert J. Flaherty, 1922]
Aurora [F.W. Murnau, 1927]
Era uma Vez em Tóquio [Yasujiro Ozu, 1953]
Z [Costa-Gavras, 1969]

Alejandro Agresti
de Valentín

Se Meu Apartmento Falasse [Billy Wilder, 1960]
O Segredo das Joias [John Huston, 1950]
Os Melhores Anos de Nossas Vidas [William Wyler, 1946]
Cidadão Kane [Orson Welles, 1941]
O Pecado de Cluny Brown [Ernst Lubitsch, 1946]
Hannah e Suas Irmãs [Woody Allen, 1986]
Ainda Há Fogo Sobre as Cinzas [Jack Lemmon, 1971]
Trágico Amanhecer [Marcel Carné, 1939]
Rio Vermelho [Howard Hawks, 1947]
Almas em Chamas [Henry King, 1949]

Amos Gitai
de Kadosh

O Dinheiro [Robert Bresson, 1983]
Alemanha Ano Zero [Roberto Rossellini, 1948]
O Desprezo [Jean-Luc Godard, 1963]
Os Desajustados [John Huston, 1961]
A Sala de Música [Satyajit Ray, 1958]
O Fundo do Coração [Francis Ford Coppola, 1982]
Depois do Vendaval [John Ford, 1952]
Saló ou os 120 Dias de Sodoma [Pier Paolo Pasolini, 1975]
Paixões que Alucinam [Samuel Fuller, 1963]
O Garoto Selvagem [François Truffaut, 1969]

Continue reading

105 Comments

Filed under Listas, Top 10

Top 10: Roman Polanski

Roman Polanski chega aos 80 anos de idade com uma obra tão rica e complexa quanto sua vida pessoal. Nascido na França, em 1933, viu a família voltar para a Polônia de origem quando ainda tinha três anos, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. No meio do conflito, conseguiu fugir do Gueto de Cracóvia, para onde eram mandadas as famílias judias, enquanto sua mãe morria numa câmara de gás em Auschwitz. Com o fim da guerra, voltou para a Polônia, estudou cinema e, em 1962, depois de realizar alguns curtas-metragens, dirigiu A Faca na Água, seu primeiro longa, que representou o país na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro, e lançou os temas e os métodos de seu cinema.

Nos anos seguintes, dirigiu clássicos do cinema como Repulsa ao Sexo e O Bebê de Rosemary, trabalhou com atrizes como Catherine Deneuve, Isabelle Adjani e Mia Farrow, e escreveu seu nome na história. Mas também se viu envolvido numa série de polêmicas. Em 1969, sua então mulher, Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada pelos discípulos do psicopata Charles Mason, junto com quatro amigos do casal. Polanski se mudou para a Europa, de onde só voltou para dirigir um filme hollywoodiano, um de seus mais famosos, Chinatown, com Jack Nicholson e Faye Dunaway.

O longa concorreu a dez Oscars, mas o prêmio só viria quase 30 anos depois, por O Pianista, seu filme mais convencional, que retrata a trajetória de um judeu durante a Segunda Guerra. A premiação foi surpreendente porque o cineasta, desde 1978, estava proibido de pisar em solo americano por ter supostamente estuprado uma menor de idade. Apesar de ter assumido que teve relações com a adolescente, de 13 anos à epoca, Polanski garantiu que o sexo foi consensual. Como fugiu do país antes da acusação, Polanski não havia sido preso pelo crime, mas em 2009, durante um festival de cinema na Suíça, o cineasta foi detido e passou cerca de um ano em prisão domiciliar.

Dono de um Oscar, uma Palma de Ouro em Cannes e um Urso de Ouro em Berlim, Polanksi continua a produzir. Nos últimos quatro anos, dirigiu três longas: O Escritor Fantasma, Deus da Carnificina e o ainda inédito no Brasil, Venus in Fur, estrelado por sua mulher desde 1989, a atriz Emmanuelle Seigner. O próximo projeto do diretor é D, thriller em que visitará o famoso Caso Dreyfus, escândalo político francês em que um oficial de artilharia foi condenado à prisão perpétua por acusações de alta traição, que depois se provaram falsas. Para homenagear os 80 anos de um dos cineastas mais controversos da história, o Filmes do Chico organizou um Top 10, com os melhores filmes de Roman Polanski. Deixe sua lista nos comentários ou vote aqui na enquete.

Tess

10 Tess – Uma Lição de Vida  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Tess, 1979]

Ao lado de O Pianista, este é o filme mais formal de Roman Polanski. O diretor realizou o longa porque ganhou da mulher, Sharon Tate, uma cópia do livro de Thomas Hardy, que disse que aquilo daria um grande filme. O mais curioso é observar como o cineasta tenta colocar seus temas – principalmente o desejo sexual e a sensação de clausura – dentro de um projeto de estrutura tão clássica. A fotografia de Ghislain Cloquet e Geoffrey Unsworth transforma cada imagem numa pintura, onde a beleza de Nastassja Kinski ganha uma moldura assombrosamente linda. Embora pareça bastante diferente do resto de sua obra, Tess guarda uma semelhança com boa parte dos filmes do diretor: a personagem é condenada pelo cenário opressor que está em sua volta. Aqui, este cenário não é físico, mas uma espécie de materialização da época e do contexto social em que ela vive.

A Dança dos Vampiros

9 A Dança dos Vampiros EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Fearless Vampire Killers or: Pardon Me, But Your Teeth Are in My Neck, 1967]

Este filme tem a melhor performance de Roman Polanski como ator numa de suas obras. Esta comédia despudorada radicaliza o que o diretor já havia feito em Armadilha do Destino. A ideia aqui é subverter o gênero do terror na base do pastiche, reunindo e reciclando diversos clichês sobre vampiros. Se Sharon Tate impõe sexualidade a todas as cenas em que aparece, Polanski e Jack MacGowran estão deliciosamente ridículos e protagonizam gags que combinam bem a natureza cômica do filme com o macabro do ambiente, como na cena em que o personagem de Polanksi dispara para tentar fugir de um vampiro para encontrá-lo no minuto seguinte. O cineasta ri daquele universo na mesma medida em que respeita suas regras e sua mitologia, com algumas liberdades, como mostra a cena final.

Armadilha do Destino

8 Armadilha do Destino EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Cul-de-Sac, 1966]

Tudo é tão insólito nesta primeira incursão de Roman Polanski pelo terreno da comédia que não dá para cobrar lógica de fatos e dos personagens. O diretor parece imbuído do espírito livre que tomava o cinema europeu na época e não explica muita coisa, deixando ainda mais nonsense o encontro entre dois gângsters em fuga e um casal que mora num palácio à beira-mar. Theresa, personagem de Françoise Dorléac – irmã de Catherine Deneuve, que morreu um ano depois do filme – é quem mais incorpora o esse estado de inquietude que Polanski impõe à trama, à montagem e à trilha sonora. Embora tudo pareça estar a um passo de desmoronar, Polanski filma tudo com tanto rigor e inteligência que o castelo se transforma num microverso caótico onde os personagens não se prendem a regras, mas estão estranhamente confinados uns aos outros.

O Escritor Fantasma

7 O Escritor Fantasma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Ghost Writer, 2010]

É o filme que recupera Polanski para suas temáticas e métodos depois de projetos mais clássicos como O Pianista e Oliver Twist. Ewan McGregor interpreta um ghostwriter encarregado de escrever a biografia do ex-primeiro-ministro britânico vivido por um excelente Pierce Brosnan. O protagonista é lançado num ambiente silencioso de conspirações e se percebe, como tantos outros personagens do diretor, refém de uma situação da qual não consegue escapar. A trilha do ótimo Alexandre Desplat cria um estado de perigo iminente, reforçado pelas cores escuras do filme. Numa das cenas mais incríveis deste começo de década, papéis voam pelo ar, traduzindo o pessimismo de Polanski para com o mundo, mas enchendo os olhos de quem ama e sentia falta de seu cinema.

A Faca na Água

6 A Faca na Água  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Nóz w Wodzie, 1962]

O primeiro longa-metragem de Polanski é uma poderosa história sobre o quanto a chegada de um estranho pode dizer sobre o que existe entre um homem e uma mulher e sobre o comportamento humano. O encontro de Andrzek e Krystyna com o jovem sem nome que pede carona – que é quase atropelado por eles na estrada – se transforma num campo fértil para uma batalha de classes e um conflito de gerações. O texto – tão impiedoso quanto as imagens claustrofóbicas de Polanski (e olhe que estamos num barco) – é uma versão mais complexa do diretor para uma disputa primal de machos por uma fêmea e um tenso embate verbal por território (seja um barco, seja uma história de vida). No fim das contas, estamos diante de um duelo pela sobrevivência, onde o mais velho teme a finitude e o mais outro persegue a vida alheia.

Continue reading

16 Comments

Filed under Listas, Top 10

Top 10: os filmes do Wado

Wado

Oswaldo Schlickmann nasceu em Florianópolis, mas cresceu em Maceió, onde mora até hoje e de onde colocou seu nome no cenário musical independente. O que pouca gente sabe é que Wado, que dividiu opiniões ao falar sobre a atual música brasileira numa entrevista recente ao Scream & Yell, é cinéfilo de carteirinha e tem uma atração especial por diretores desafiadores, como o dinamarquês Lars Von Trier. Num bate-papo rápido, o músico listou seus dez filmes favoritos e ainda falou sobre cada um deles.

10 Os Sapatos de Aristeu
[Os Sapatos de Aristeu, René Guerra, 2008]

Adoro esse curta do Renné Guerra. A temática que vem se entranhado na obra do diretor, o PB simples e belo. Grande representante da nova safra de Alagoas. Mais que isso: ele já vem se firmando pelo mundo.

9 O Pântano
[La Ciénaga, Lucrecia Martel, 2001]

É um grande exemplo de como o cinema argentino anda melhor que o nosso. A abordagem, o universo particular, a poesia dos takes.

8 Terra Estrangeira
[Terra Estrangeira, Walter Salles & Daniela Thomas, 1995]

Foi o filme que despertou meu interesse pelo cinema nacional. Bons atores – Fernanda Torres principalmente – e a música de Gal Costa (que, dizem, Fernandinha não parava de cantar no set) deixaram este filme ótimo.

7 Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos
[Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, Pedro Almodóvar, 1988]

Que coisa divertida, que domínio! Essa primeira fase é massa, bruta. Gosto dos desdobramentos e do cineasta maduro tanto quanto.

6 Deixa Ela Entrar
[Låt den Rätte Komma In, Tomas Alfredson, 2008]

O melhor filme de vampiros de todos os tempos para o meu humilde gosto.

5 Dogville
[Dogville, Lars Von Trier, 2003]

Lembro do prazer de ver esse filme no cinema. Poder acompanhar um diretor que considero gênio – ainda mais contemporâneo nosso -, assistir os lançamentos sem grande delay é uma benção. Considero Lars Von Trier o maior artista vivo, mesmo com todos os Toms e Dorivais da música inclusos.

4 A Comilança
[La Grande Bouffe, Marco Ferreri, 1973]

É um dos filmes mais divertidos que já assisti. A pegada italiana. O tragicômico tema de comer até morrer. Atores soberbos, gosto destes universos de seres humanos de arestas, gente fora do padrão.

3 Nelson Cavaquinho
[Nelson Cavaquinho, Leon Hirzman, 1969]

O documentário sobre Nelson Cavaquinho, restaurado pela Petrobras, e dirigido por Leon Hirszman, é uma das coisas que mais assisto na internet. Um Brasil sem cinto de segurança, de álcool pras crianças, bastante politicamente incorreto.

2 Minha Vida de Cachorro
[Mitt Liv som Hund, Lasse Hallström, 1985]

Esse filme me toca muito de forma inconsciente. A história do menino Ingmar contada pelo sueco Lasse Hallstrom é sublime. É como gosto de abordar a arte hoje em dia, gosto de coisas menos racionais.

1 As Cinco Obstruções
[De Fem Benspænd, Lars Von Trier & Jørgen Leth, 2003]

Esse é meu filme predileto. Lars Von Trier propõe um exercício em cima de um curta de 1967, The Perfect Human, de um de seus diretores prediletos, Jørgen Leth. É lindo o processo de cinco possíveis reconstruções de uma obra. Muito elucidativo para que trabalha com criação, uma abordagem linda sobre método. Os dois assinam esse primor.

Filmes do Chico também no Facebook, Twitter e Instagram (@filmesdochico).

3 Comments

Filed under Listas, Top 10

Top 10: os melhores filmes brasileiros

Dez de dez. A ideia é publicar uma série de tops com os dez melhores dos dez anos de Filmes do Chico. Para começar, a prata da casa. Quais foram os melhores filmes brasileiros da última década? A década que viu surgir um novo tipo de documentário. A década em que os cineastas brasileiros se voltaram para o interior com um olhar totalmente novo. A década em que o cinema feito no Nordeste cresceu, apareceu, e se tornou o melhor do Brasil. Meus favoritos são estes aqui:

O Prisioneiro da Grade de Ferro

10 O Prisioneiro da Grade de Ferro
[O Prisioneiro da Grade de Ferro, Paulo Sacramento, 2004]

Se Nada Mais Der Certo

9 Se Nada Mais Der Certo
[Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmonte, 2008]

Girimunho

8 Girimunho
[Girimunho, Helvécio Marins Jr. & Clarissa Campolina, 2011]

O Palhaço

7 O Palhaço
[O Palhaço, Selton Mello, 2011]

Cinema, Aspirina & Urubus

6 Cinema, Aspirina & Urubus
[Cinema, Aspirina & Urubus, Marcelo Gomes, 2005]

Santiago

5 Santiago
[Santiago, João Moreira Salles, 2007]

Cão Sem Dono

4 Cão Sem Dono
[Cão Sem Dono, Beto Brant & Renato Ciasca, 2007]

Jogo de Cena

3 Jogo de Cena
[Jogo de Cena, Eduardo Coutinho, 2007]

O Céu de Suely

2 O Céu de Suely
[O Céu de Suely, Karim Aïnouz, 2006]

O Som ao Redor

1 O Som ao Redor
[O Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho, 2012]

37 Comments

Filed under Listas, Top 10

Top 10: piores filmes de 2011

Minha lista anual de piores filmes segue a lógica de sempre: eleger os longas que mais mancham o nome do cinema. Tem filme que é tão ruim que nem me abala para assisti-lo. Portanto, quem espera ver coisas como Cilada.com ou Piratas do Caribe vai se frustrar. Aqui só tem filme importante. Pro bem e pro mal.

Emily Browning

10 Sucker Punch – Mundo Surreal
Sucker Punch, Zack Snyder

A infantilização do cinema de ação. Os efeitos visuais mais chatos do ano. E aquela câmera lenta reinante.

Seth Rogen

9 Besouro Verde
The Green Hornet, Michel Gondry

O filme mais apático do ano, embora todos os envolvidos pensem exatamente o contrário. Seth Rogen, meu filho, cadê você?

Angelina Jolie, Johnny Depp

8 O Turista
The Tourist, Florian Henckel von Donnersmarck

O cara faz A Vida dos Outros e depois lança isso aqui? Falta química, falta timing, falta filme.

Cher

7 Burlesque
Burlesque, Steve Antin

Celebrar o kitsch é uma coisa. Celebrar a falta de talento é outra. E como pode um musical em que todas as canções são horrorosas?

Mel Gibson

6 Um Novo Despertar
The Beaver, Jodie Foster

Tudo é levado muito, muito sério, mas a história é sobre um homem e seu castor imagináro. Como superar isso?

Bruna Lombardi

5 Onde Mora a Felicidade?
Onde Mora a Felicidade?, Carlos Albert Riccelli

Pode um filme ser absolutamente ruim em todos os aspectos? Pode se você acha que dá emular Almodóvar.

Anne Hathaway, Jim Sturges

4 Um Dia
One Day, Lone Scherfig

O filme percorre 20 anos e não chega a lugar nenhum. O fardo é chegar ao final sem bocejar.

Nicolas Cage, Nicole Kidman

3 Reféns
Trepass, Joel Schumacher

Quando você acha que não poderia ser pior do que já está, Joel Schumacher prova que é. E Nicolas Cage, sempre ele, adora pagar mico.

Vik Muniz

2 Lixo Extraordinário
Waste Land, Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim

Um exercício de onanismo e auto-celebração. Vik Muniz pode ter uma bela obra, mas ela fica menor quando a gente vê o quanto ele se acha fodão.

Lubna Azabal

1 Incêndios
Incendies, Dennis Villeneuve

Depois de fazer um belo filme, Denis Villeneuve entrega esta lástima aqui. Um longa que se faz interessante ao longo de sua duração, mas cujo “segredo” final é um dos capítulos mais lamentáveis da crashidiotização do cinema atual, que se baseia nas coincidências pra dar lição de moral.

6 Comments

Filed under Listas

Top 10 – piores filmes de 2010

O cinema brasileiro derrubou qualquer porcaria estrangeira em 2010. Não teve blockbuster hollywoodiano do Michael Bay que tirasse o Brasil do pódium. Será que eu exagerei? A Saga Crepúsculo: Eclipse lutou, mas ficou de fora por ser muito melhor do que o acintoso do capítulo anterior. Mas, enfim, como de praxe neste ano muita coisa ruim chegou aso cinemas brasileiros. Aqui são apenas as que mais me incomodaram.

Saoirse Ronan

Ultrapassando os limites do kistch.

10 Um Olhar do Paraíso
The Lovely Bones, Peter Jackson, 2009

Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal

Melodrama ora inócuo, ora imbecil. Sempre insuportável.

9 Entre Irmãos
Brothers, Jim Sheridan, 2009

MIke Myers Eddie Murphy Mike Mitchell

Despedida ou ‘já vai tarde’?

8 Shrek para Sempre
Shrek Forever After, Mike Mitchell, 2010

Sophie Barthes

I want to be Charlie Kaufman, pleaaaaaas.

7 Almas à Venda
Cold Souls, Sophie Barthes, 2009

Michael Patrick King

De supérfluo a nulo.

6 Sex & The City 2
Sex & The City 2, Michael Patrick King, 2010

Rob Marshall

Desserviço a Fellini e aos musicais.

5 Nine
Nine, Rob Marshall, 2009

John Lee Hancock

A celebração do raso.

4 Um Sonho Possível
The Blind Side, John Lee Hancock, 2009

Wagner de Assis Chico Xavier

Cartilha de ficção-científica para iniciantes.

3 Nosso Lar
Nosso Lar, Wagner de Assis, 2010

Thiago Lacerda

Metástase de Tropa de Elite.

2 Segurança Nacional
Segurança Nacional, Roberto Carminati, 2010

Daniela Thomas, Felipe Hirsch

Filme de arte. Né, mamãe?

1 Insolação
Insolação, Daniela Thomas e Felipe Hirsch, 2010

Menções honrosas: O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant, Criação, de Jon Amiel, Percy Jackson e o Ladrão de Raios, de Chris Columbus, Um Quarto em Roma, de Julio Medem, Skyline – A Invasão, de Colin e Greg Strause.

20 Comments

Filed under Listas

Top 10 – os filmes mais superestimados de 2010

Mahamat-Saleh Haroun

A etnia prevalece.

10 Um Homem que Grita
Un Homme qui Crie, Mahamat-Saleh Haroun, 2010

Ana Luiza Mendonca

Fofo como um ursinho e raso com um pires.

9 Antes que o Mundo Acabe
Antes que o Mundo Acabe, Ana Luiza Azevedo, 2009

Ally Sheedy, Pee-Wee Herrmann, Todd Solondz, Shirley Henderson

A eterna reprise.

8 A Vida Durante a Guerra
Life During Wartime, Todd Solondz, 2010

George Clooney, Ewan McGregor

Ironia sem segunda página.

7 Os Homens que Encaravam Cabras
The Men Who Stare at Goats, Grant Heslov, 2009

Lone Scherfig

Historinha anódina.

6 Educação
An Education, Lone Scherfig, 2009

Tom Ford

Obsessão estética.

5 Direito de Amar
A Single Man, Tom Ford, 2009

Lee Daniels

Filme de tortura disfarçado.

4 Preciosa
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, Lee Daniels, 2009

Jason Reitman

Conto moral sem graça.

3 Amor Sem Escalas
Up in the Air, Jason Reitman, 2009

Xavier Dolan

Histeria adolescente.

2 Eu Matei a Minha Mãe
J’ai Tué Ma Mère, Xavier Dolan, 2009

Joseph Gordon-Levitt

Um filme divertido; nada de obra-prima.

1 A Origem
Inception, Christopher Nolan, 2010

18 Comments

Filed under Listas

Top 10: Festival do Rio 2010

Apichatpong Weerasethakul

1 Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, Apichatpong Weerasethakul

Xavier Beauvois

2 De Homens e de Deuses, Xavier Beauvois

Radu Muntean

3 Terça Depois do Natal, Radu Muntean

Ninón del Castillo, Juan Carlos Valdivia

4 Zona Sul, Juan Carlos Valdivia

Elle Fanning, Sofia Coppola

5 Um Lugar Qualquer, Sofia Coppola

Paolo Virzi

6 A Primeira Coisa Bela, Paolo Virzi

Michael Cera Edgar Wright

7 Scott Pilgrim Contra o Mundo, Edgar Wright

Mathieu Amalric

8 Turnê, Mathieu Amalric

Danny Trejo Robert Rodriguez

9 Machete, Robert Rodriguez e Ethan Maniquis

Chang-dong Lee

10 Poesia, Chang-dong Lee

outros destaques: Ao Mar, Contos da Era Dourada, Cópia Fiel, A Empregada, O Homem do Lado, Minhas Mães e Meu Pai, Monstros e Patagônia.

ator:
Mimi Branescu, Terça Depois do Natal

atriz:
María Onetto, Quebra-Cabeças

ator coadjuvante:
Kieran Culkin, Scott Pilgrim Contra o Mundo

atriz coadjuvante:
Stefania Sandrelli, A Primeira Coisa Bela

roteiro:
Apichatpong Weerasethakul, Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Etienne Comar e Xavier Beauvois, De Deuses e de Homens

fotografia: Christophe Beaucarne, Turnê

trilha sonora: Nigel Godrich e Beck, Scott Pilgrim Contra o Mundo

3 Comments

Filed under Listas