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Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

A primeira dica sobre este novo filme de Sidney Lumet merece atenção: não leia uma única linha de qualquer sinopse deste filme. Nada. Todas elas estragam boa parte da deliciosa impressão que esta estranhíssima obra-prima nos traz. O que você precisa sabaer sobre o filme, se realmente precisa, é que Lumet transporta o clássico gênero dos filmes sobre assaltos para o mais clássico ainda gênero dos filmes de família. É do encontro dos dois que surgem a estranheza e a genialidade. O texto se ergue numa base perigosa, que muitas vezes risca a fronteira do ridículo, com tantas semelhanças e coincidências e é impressionante como tudo dá absolutamente certo. Parece coisa de escritor veterano, mas este é o único crédito de roteiro de Kelly Masterson. Talvez seja de sua ousadia junto com a direção segura de Lumet que tenha saído o casamento perfeito, onde tudo funciona: a montagem com saltos anunciados pela trilha sonora – Carter Burwell em mais uma obra-prima – e a movimentação do elenco – ninguém brilhante, mas todos formando um conjunto sem par.

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[Before the Devil Knows You're Dead, Sidney Lumet, 2007]

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12 Homens e uma Sentença

Henry Fonda

Adaptar teatro para o cinema é muito difícil. Um bom texto pode ficar perdido na tela caso o cineasta não saiba respeitar as diferenças das linguagens. Sidney Lumet sabia disso e acertou a mão em 12 Homens e uma Sentença, que dirigiu em 1957, fazendo com que a fotografia ajudasse a contar a história, apoiada num texto excelente e num elenco de grandes interpretações.

O filme tem basicamente um cenário: uma sala onde doze homens têm que decidir se um rapaz suspeito de matar o próprio pai deve ou não ser condenado à morte. Há duas testemunhas convencidas da culpa do acusado. Tudo indica este caminho, mas não há certezas. Isso motiva um dos jurados (interpretado por Henry Fonda) a questionar a si mesmo e a seus colegas sobre a responsabilidade que o grupo tem nas mãos.

É justamente nesse ponto que 12 Homens e uma Sentença revela porque é um grande filme. Aqui, não importa o veredito, mas as convicções. O inconsciente coletivo inspira a vingança. Vingança de um homem que matou seu próprio pai. Os demais jurados resistem aos argumentos com base nas circustâncias e em seus desejos de justiça. Mas como decretar a morte de quem quer que seja se não há certeza? O que está em questão não é a pena de morte, mas algo mais sério: as decisões de cada um e como elas podem ser irreversíveis.

O texto, adaptado pelo próprio autor da peça, Reginald Rose, analisa a perigosa ingenuidade do senso comum e da frágil arrogância em determinar verdades e mentiras. O elenco é perfeito em mostrar um painel das diversidades presentes nos elementos sociais (que não são necessariamente norte-americanos ou dos anos 50; são universais). Lee J. Cobb, como o antagonista de Fonda, detém o melhor papel e a melhor interpretação do filme. 12 Homens e uma Sentença foge do universo dos dramas de tribunal porque é muito mais que um filme sobre uma vida. É um filme sobre a vida.

12 Homens e uma Sentença  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Twelve Angry Men, Sidney Lumet, 1957]

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