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Oscar 2015: why so serious?

Birdman

Deveria ter sido o Oscar mais emocionante em muito tempo, com disputas acirradas em boa parte das categorias: filme, diretor, ator, roteiros pra ficar somente nas principais, mas a festa deste ano foi bem maçante. Neil Patrick Harris começou muito bem no número de abertura, mas ficou pequeno e sem graça ao longo da noite, com poucos momentos inspirados, com exceção da corrida de Birdman, da leitura de suas previsões e da piada com John Travolta. Mas, mais do que o apresentador, havia um clima excessivamente sério no ar. Todo mundo parecia tentar encorpar seus momentos, seja nas lágrimas que rolaram soltas durante a apresentação de “Glory” (todo mundo chorando, mas cadê a diretora e o ator entre os indicados?), seja nos discursos de Eddie Redmayne, Julianne Moore, levando para fora do cinema os méritos por suas vitórias, ou Patricia Arquette, Graham Cooper e Johh Legend, tentando amplificar o efeito delas.

O prêmio da Academia, como qualquer outra coisa, reflete o tempo e o mundo em que vivemos, mas coincidentemente também é um prêmio de melhores do ano. Arbitrário e maneirista como qualquer prêmio de melhores do ano, inclusive os de festivais como Cannes e Berlim, que geralmente são apontados como reservas morais perto do Oscar. Então, esse maniqueísmo para tentar causar comoção – que me parece inerente e até automático ao Oscar, como se os premiados se sentissem obrigados a se explicar por ganhar – é completamente indevido. Talvez mais autêntico seja Alejandro Gonzalez Iñarritu, que fala em “arte verdadeira” quando Birdman leva o prêmio por seu roteiro original. A arrogância do cineasta pelo menos mostra que ele acredita e quer vender seu peixe, seu filme, seu “talento”.

Birdman não é ruim, mas seu discurso é. Mas isso realmente importa? Por quanto tempo dura um Oscar de melhor filme? Um ano? Alguns meses? O longa do Homem Pássaro foi eleito pela Academia como o melhor do ano, mas será que ele será o filme que entra para a História? E, por outro lado, será que um filme precisa entrar para a História? Se um dos indicados deste ano tem esse poder, certamente será Boyhood porque, diante de muitas biografias e pequenas histórias, ele e talvez O Grande Hotel Budapeste são os mais únicos. O filme de Richard Linklater, que merecia muito mais ter levado os dois prêmios principais do que o de Iñarritu, ficou marcado apenas por seus 12 anos de serviços, como se não fosse um retrato delicado do americano médio, do sonho americano em sua versão realidade.

A escolha de Birdman reprisa de certa forma a de Crash, oito anos atrás. Enquanto um supostamente desnuda Hollywood e suas figuras de cera, o outro tira a máscara de Los Angeles, a cidade do cada um por si. Premiar o filme de Inãrritu parece um voto político, de protesto, quando na verdade não se observou bem todas as nuances do filme. Mais estranho ainda é que este filme ganhe na categoria principal, em direção, roteiro original e fotografia, mas não consiga vender seu protagonista, Michael Keaton, que literalmente personifica o personagem criado pelo mexicano. Mas é preciso lembrar que a Academia geralmente considera os comebacks como café-com-leite, como fez com Mickey Rourke em O Lutador. Uma indicação já é vista como prêmio suficiente. Keaton perdeu para a caricatura bem feita de Redmayne num filme medíocre. Birdman, pelo menos, é um filme mais ousado.

Entre as atrizes, levou Julianne Moore, por Para Sempre Alice, que merecia ter ganho por Boogie Nights, Fim de Caso, Longe do Paraíso e As Horas. E por Magnolia, A Salvo, Tio Vânia em Nova York e A Fortuna de Cookie, pelos quais ela nem foi indicada. É a prática de premiar o conjunto da obra somado a uma isca que o Oscar adora, os filmes de doença. Mas é a Julianne e o conjunto estava fraco, exceto Marion Cotillard e Rosamund Pike. Patricia Arquette foi um prêmio merecido numa categoria fraca, atriz coadjuvante, onde só Emma Stone merecia alguma atenção. E olha que muita gente ficou de fora. J.K. Simmons, por sua vez, estava numa categoria disputada (ator coadjuvante), mas seu histórico de vitórias como ator coadjuvante o deixou numa liderança isolada.

No fim das contas, se Birdman ganhou quatro prêmios, O Grande Hotel Budapeste também levou quatro, inclusive trilha sonora, e as coisas ficam mais equilibradas. Wes Anderson fez um filme leve, doce, autorreferente e referente a um cinema que ficou na memória. Como Boyhood, deve entrar mais fácil para a História. Whiplash, triplamente premiado, é um caso mais à parte, mas merece toda a atenção. Ida venceu entre os estrangeiros porque a trilogia europeu, preto-e-branco, Segunda Guerra conta mais do que as profundezas da Rússia em Leviatã ou as pontualidades de Timbuktu, Tangerines e Relatos Selvagens.

Operação Big Hero ganhou de Como Treinar Seu Dragão 2 no que era uma das únicas quase-surpresas da noite. E Uma Aventura LEGO, que o Oscar nem indicou, rendeu o número musical mais divertido entre as indicadas a melhor canção. “Everything is Awesome” deixou o desafinado Adam Levine no chinelo – e olha que ele tinha uma música bem melhor -, mas não emocionou tanto quanto “Glory”, da qual a gente já falou. No entanto, foi justamente Lady Gaga, o patinho feio do ano, quem brilhou no palco, cantando “The Sound of Music”, e passando a bola para a incrível Julie Andrews, 80 anos neste ano. Idina Menzel voltou ao Oscar para garantir a piada com John Travolta, prêmio de pior maquiagem da festa (a melhor foi a do Capitão América, que estava com um lápis forte nos olhos). Valeu a piada. Foi a segunda melhor da noite. Só perdeu para a vitória de O Jogo da Imitação em roteiro adaptado. Ah, não era piada, o rapaz até disse que tentou se matar e que agora estava ali, ganhando um Oscar. Quis inspirar.

Por outro lado, o plano de Edward Snowden deu certo e Citizenfour foi o premiado na categoria de documentário. O timing faz do filme melhor do que ele é. Sniper Americano faturou mais de U$ 300 milhões, mas terminou com um prêmio solitário para edição de som, o que mostra que seu tema polêmico não conquistou Hollywood em cheio. Interestelar ganhou em efeitos visuais, só para empatar com 2001, em que ele mira antes de acertar no poder do amor. Idiossincrasias à parte, esse Oscar da disputa acirrada se revelou um dos mais óbvios dos últimos doze anos. Doze? Não, este aí é outro filme. Um muito melhor. Este, sim, bateu asas e voou sem precisar de ajuda.

Filme: Birdman
Direção: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Ator: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Atriz: Julianne Moore, Para Sempre Alice
Ator coadjuvante: J.K. Simmons, Whiplash
Atriz coadjuvante: Patricia Arquette, Boyhood
Roteiro original: Birdman
Roteiro adaptado: O Jogo da Imitação
Filme estrangeiro: Ida
Filme de animação: Operação Big Hero
Fotografia: Birdman
Montagem: Whiplash
Direção de arte: O Grande Hotel Budapeste
Figurinos: O Grande Hotel Budapeste
Maquiagem: O Grande Hotel Budapeste
Trilha sonora: O Grande Hotel Budapeste
Canção: “Glory”, Selma
Mixagem de som: Whiplash
Edição de som: Sniper Americano
Efeitos visuais: Interestelar
Documentário: CITIZENFOUR
Documentário curta: Crisis Hotline: Veterans Press 1
Curta de ação: The Phone Call
Curta de animação: O Banquete

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Oscar 2015: minhas apostas e preferências

É muito mais divertido imaginar quem serão os indicados ao Oscar do que prever os vencedores da festa da Academia. Primeiro, porque muitos dos melhores filmes do ano jamais teriam condição de virar candidatos com chances de vitória, então, é muito mais interessante perceber como esses outsiders entram nessa disputa dos “grandes” e como a temporada de prêmios influencia em quem será finalista. Apostar nos ganhadores é mais fácil, muitas vezes óbvio e as opções que restam são tão menos instigantes que  brincadeira perde parte da graça. No entanto, é preciso ir até o final, então, preparei este post com minhas últimas apostas para o Oscar (só pulei os curtas). Decifrando:

num mundo provável: o filme que eu acho que tem mais chances de ganhar.
num mundo possível: o filme que pode tirar o prêmio do favorito.
num mundo perfeito: o filme indicado em que eu votaria.
em outra dimensão: o filme que merecia ganhar, mas não foi indicado.

Filme

filme

Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
Sniper Americano, Clint Eastwood
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

num mundo provável: Birdman
num mundo possível: Boyhood
num mundo perfeito: Boyhood
em outra dimensão: Era Uma Vez em Nova York

direção

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Bennett Miller, Foxcatcher
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

num mundo provável: Richard Linklater, Boyhood
num mundo possível: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
num mundo perfeito: Richard Linklater, Boyhood
em outra dimensão: James Gray, Era Uma Vez em Nova York

Ator

ator

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Bradley Cooper, Sniper Americano (*)
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Steve Carell, Foxcatcher

num mundo provável: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
num mundo possível: Michael Keaton, Birdman
num mundo perfeito: Michael Keaton, Birdman
em outra dimensão: Timothy Spall, Sr. Turner

Atriz

atriz

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

num mundo provável: Julianne Moore, Para Sempre Alice
num mundo possível: Reese Witherspoon, Livre
num mundo perfeito: Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
em outra dimensão: Marion Cotillard, Era Uma Vez em Nova York

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

num mundo provável: J.K. Simmons, Whiplash
num mundo possível: Edward Norton, Birdman
num mundo perfeito: Ethan Hawke, Boyhood
em outra dimensão: Robert Pattinson, The Rover – A Caçada

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

num mundo provável: Patricia Arquette, Boyhood
num mundo possível: Emma Stone, Birdman
num mundo perfeito: Patricia Arquette, Boyhood
em outra dimensão: Rene Russo, O Abutre

Foxcatcher

roteiro original

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Birdman
num mundo perfeito: Foxcatcher
em outra dimensão: Leviatã

Whiplash

roteiro adaptado

O Jogo da Imitação, Graham Moore
Sniper Americano, Jason Dean Hall
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson
Whiplash, Damien Chazelle

num mundo provável: Whiplash
num mundo possível: O Jogo da Imitação
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Planeta dos Macacos: O Confronto

filme de animação

Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams
Song of the Sea, Tomm Moore

num mundo provável: Como Treinar Seu Dragão 2
num mundo possível: Operação Big Hero
num mundo perfeito: O Conto da Princesa Kaguya
em outra dimensão: Uma Aventura LEGO

Leviatã

filme estrangeiro

Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Relatos Selvagens (Argentina)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

num mundo provável: Ida (Polônia)
num mundo possível: Relatos Selvagens (Argentina)
num mundo perfeito: Leviatã (Rússia)
em outra dimensão: E Agora? Lembra-me (Portugal)

Ida

fotografia

Birdman, Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste, Robert D. Yeoman
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
Invencível, Roger Deakins
Sr. Turner, Dick Pope

num mundo provável: Birdman
num mundo possível: Ida
num mundo perfeito: Sr. Turner
em outra dimensão: Sob a Pele

Boyhood

montagem

Boyhood, Sandra Adair
O Grande Hotel Budapeste, Barney Pilling
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Sniper Americano, Joel Cox, Gary Roach
Whiplash
, Tom Cross

num mundo provável: Boyhood
num mundo possível: O Grande Hotel Budapeste
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Garota Exemplar

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Sr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Caminhos da Floresta
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Guardiões da Galáxia

Malévola

figurinos

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Sr. Turner, Jacqueline Durran
Vício Inerente, Mark Bridges

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Sr. Turner
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Era Uma Vez em Nova York

Guardiões da Galáxia

maquiagem

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

num mundo provável: O Grande Hotel Budapeste
num mundo possível: Foxcatcher
num mundo perfeito: Guardiões da Galáxia

em outra dimensão: Malévola

Interestelar

trilha sonora

O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
Interestelar, Hans Zimmer
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
Sr. Turner, Gary Yearshon
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

num mundo provável: A Teoria de Tudo
num mundo possível: O Grande Hotel Budapeste
num mundo perfeito: O Grande Hotel Budapeste
em outra dimensão: Sob a Pele

Uma Aventura Lego

canção

“Everything is Awesome” (Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island), Uma Aventura LEGO
“Glory” (John Legend & Common), Selma
“Grateful” (Diane Warren), Além das Luzes
“I’m Not Gonna Miss You” (Glen Campbell), Glen Campbell: I’ll Be Me
“Lost Stars” (Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood), Mesmo Se Nada Der Certo

num mundo provável: “Glory”, Selma
num mundo possível: “I’m Not Gonna Miss You”, Glen Campbell: I’ll Be Me
num mundo perfeito: “Lost Stars”, Mesmo Se Nada Der Certo em outra dimensão: “Let Me In”, A Culpa é das Estrelas

Birdman

mixagem de som

Birdman, Jon Taylor, Frank A. Montaño & Thomas Varga
Interestelar, Gary A. Rizzo, Gregg Landaker & Mark Weingarten
Invencível, Jon Taylor, Frank A. Montaño & David Lee
Sniper Americano, John Reitz, Gregg Rudloff & Walt Martin
Whiplash, Craig Mann, Ben Wilkins & Thomas Curley

num mundo provável: Whiplash
num mundo possível: Sniper Americano
num mundo perfeito: Whiplash
em outra dimensão: Garota Exemplar

Interestelar

edição de som

Birdman, Martín Hernández & Aaron Glascock
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Brent Burge & Jason Canovas
Interestelar, Richard King
Invencível, Becky Sullivan & Andrew DeCristofaro
Sniper Americano, Alan Robert Murray & Bub Asman

num mundo provável: Sniper Americano
num mundo possível: Birdman
num mundo perfeito: Sniper Americano
em outra dimensão: Sob a Pele

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

efeitos visuais

Capitão América: O Soldado Invernal, Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill & Dan Sudick
Guardiões da Galáxia, Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner & Paul Corbould
Interestelar, Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter & Scott Fisher
Planeta dos Macacos: O Confronto, Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett & Erik Winquist
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie & Cameron Waldbauer

num mundo provável: Interestelar
num mundo possível: Planeta dos Macacos: O Confronto
num mundo perfeito: Planeta dos Macacos: O Confronto
em outra dimensão: Godzilla

Life Itself

documentário

CITIZENFOUR, Laura Poitras
A Fotografia Oculta de Vivian Maier, John Maloof & Charlie Siskel
Last Days in Vietnam, Rory Kennedy
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Virunga, Orlando von Einsiedel

num mundo provável: CITIZENFOUR
num mundo possível: Virunga
num mundo perfeito: CITIZENFOUR
em outra dimensão: Elena

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A esquizofrenia do Oscar

Oscar

Existe uma certa esquizofrenia na maneira como a maioria das pessoas lida com o Oscar. É extremamente comum ouvir críticas ao prêmio por sua arbitrariedade, caretice ou suas escolhas erradas. Mas talvez seja ainda mais costumeiro escutar alguém dizer que “o filme A é muito bom, mas não para ganhar o Oscar”. Ou seja, muitas vezes as mesmas pessoas que criticam o prêmio da Academia acreditam, lá no fundo, que ele é mesmo o reconhecimento máximo do cinema. Vejamos bem, o Oscar é um prêmio norte-americano, criado nos anos 1920 para dar um certo status a uma arte que era considerada mera diversão. Ajudou a dar estofo para o cinema, mas nunca deixou de ser uma láurea da indústria. E da indústria norte-americana.

Faz-se muitas listas com as injustiças do Oscar como se o prêmio fosse resultado dos méritos dos candidatos e não o ápice de um imenso processo – cada vez mais de conhecimento público – que envolve muitos outros elementos (festas para lançar os filmes, anúncios, envio de DVDs para quem vota na Academia, sessões especiais, prêmios de críticos e da indústria). É muito ingênuo falar do “absurdo” do filme x perder pro filme y quando na corrida daquele ano, no contexto daquele ano, o filme x não tinha a menor chance de ganhar. Cada edição do Oscar reflete os doze meses anteriores à festa e, muitas vezes, esses doze meses negam o ano anterior.

O Oscar não evolui ou involui em suas escolhas como muita gente quer determinar. Ele acerta ou erra (e isso é bem subjetivo) a cada ano. Anna Paquin ganhou seu primeiro Oscar aos 11 anos, enquanto Peter O’Toole e Richard Burton foram indicados várias vezes ao longo de suas longas carreiras e nunca levaram um prêmio. Nada disso foi planejado. Talvez a Academia apenas tenha achado que esses dois grandes atores nunca foram os melhores em cada ano em que estiveram na disputa. Do mesmo jeito que Meryl Streep foi indicada 19 vezes não apenas porque ela é uma ótima atriz, mas porque a própria lenda que se criou em torno de sua história no Oscar deixa mais fácil para os integrantes da Academia, gente que ao contrário dos críticos não é paga para ver filmes, sempre a considerarem já que ela sempre está ali, dando sopa.

Os prêmios dos críticos que vêm antes do Oscar são muito importantes porque esses, sim, recebem para ver filmes e dizer que qualidades ou não vêem neles. E ajudam a nortear quem está ou não valendo naquele ano. Só que ao longo dos anos, essas premiações criam suas próprias histórias e as “injustiças” de nunca terem premiado esse ou aquele ator no Oscar nem sempre se repetem nos outros prêmios, que têm outras dinâmicas. E aí, as influências mudam. E a Academia decide por si. Quando alguém ganha um Oscar pelo “conjunto da obra”, como deve acontecer com a Julianne Moore neste ano, sem demérito porque é uma boa interpretação, talvez conte mais o fato dela, uma atriz respeitadíssima, ter sido indicada quatro vezes antes e nunca ter ganho do que sua performance em si. Curioso que Julianne deve ganhar e todo mundo provavelmente vai achar merecido, inclusive eu, pelas razões erradas: ela é uma grande atriz e merece ter um Oscar, independentemente do papel, do filme.

Então, é meio maluco que ao mesmo tempo em que se critique o Oscar pelo conformismo, tradicionalismo, intervenção dos estúdios, campanhas de marketing acima da qualidade dos concorrentes, cite-se essas justiças e injustiças como se o Oscar tivesse acertado ou falhado nesses momentos. Afinal, o Oscar é normalmente justo e erra às vezes, justificando listas de injustiças? Ou o Oscar é um prêmio conceitualmente equivocado que de vez em quando premia quem realmente merece? Falta uma coerência aí. Eu realmente espero que Boyhood ganhe o Oscar porque eu gosto muito do filme e ficaria feliz em vê-lo premiado. Mas entendo se Birdman vencer porque conversa mais com anseios da indústria de cinema. Só não vou sair falando da grande injustiça que a Academia cometeu porque as coisas não são tão simples assim.

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O Oscar dos meus sonhos: versão 2015

Todo ano eu faço a lista do Oscar dos Meus Sonhos, que consiste em, a partir dos filmes elegíveis (inclusive na lista de estrangeiros e animações) e espelhando o número de indicados em cada categoria, apontar quais deveriam concorrer e ganhar o Oscar do período. Minha lista para a temporada 2014/2015 dá a Era Uma Vez em Nova York, de James Gray, o destaque que, na minha opinião, ele deveria ter recebido dos críticos e da indústria – e mistura blockbusters e projetos mais independentes. Algumas categorias foram bem difíceis de fechar. Em ator, por exemplo, acho que David Oyelowo, de Selma, e Channing Tatum, de Foxcatcher, mereciam tanta atenção quanto os cinco que terminei indicando. Estas são minhas opções (as estrelas entre parênteses indicam em quem eu votaria para ganhar):

filme

Boyhood, Richard Linklater
Era Uma Vez em Nova York, James Gray (Estrelinha)
Um Estranho no Lago, Alain Guiraudie
Foxcatcher, Bennett Miller
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
Leviatã, Andrei Zvyagintsev
Planeta dos Macacos: O Confronto, Matt Reeves
Whiplash, Damien Chazelle

direção

Alain Guiraudie, Um Estranho no Lago
Andrei Zvyagintsev, Leviatã
James Gray, Era Uma Vez em Nova York (Estrelinha)
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

ator

Jake Gyllenhaal, O Abutre
Joaquin Phoenix, Era Uma Vez em Nova York
Michael Keaton, Birdman
Steve Carrel, Foxcatcher
Timothy Spall, Sr. Turner (Estrelinha)

atriz

Julianne Moore, Para Sempre Alice
Marion Cotillard, Era Uma Vez em Nova York (Estrelinha)
Rosamund Pike, Garota Exemplar
Scarlett Johansson, Sob a Pele
Tilda Swinton, Amantes Eternos

(o ideal mesmo seria Marion Cotillard indicada também por Dois Dias, Uma Noite, mas como o Oscar limita a uma o número de indicações do mesmo ator na mesma categoria, fico com minha favorita)

ator coadjuvante

Ethan Hawke, Boyhood 
J.K. Simmons, Whiplash (Estrelinha)
Robert Pattinson, The Rover – A Caçada
Roman Madyanov, Leviatã
Sergey Pokhodaev, Leviatã

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman
Marisa Tomei, O Amor é Estranho
Naomi Watts, Birdman
Patricia Arquette, Boyhood (Estrelinha)
Rene Russo, O Abutre

roteiro original

Boyhood
Era Uma Vez em Nova York
O Grande Hotel Budapeste
Leviatã (Estrelinha)
Selma

roteiro adaptado

Garota Exemplar
Guardiões da Galáxia
Planeta dos Macacos: O Confronto (Estrelinha)
Sob a Pele
Whiplash

filme estrangeiro

Dois Dias, Uma Noite (Bélgica)
E Agora? Lembra-me (Portugal)
Leviatã (Rússia) (Estrelinha)
Matar um Homem (Chile)
Norte, o Fim da História (Filipinas)

filme de animação

Uma Aventura LEGO
Os Boxtrolls
Como Treinar Seu Dragão 2 (Estrelinha)
O Conto da Princesa Kaguya
Operação Big Hero

fotografia

Era Uma Vez em Nova York
Ida
Leviatã
Sob a Pele (Estrelinha)
Sr. Turner

montagem

O Abutre
Dois Dias, Uma Noite
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
Whiplash (Estrelinha)

direção de arte

Era Uma Vez em Nova York
O Grande Hotel Budapeste (Estrelinha)
Guardiões da Galáxia
Selma
Sr. Turner

figurinos

Era Uma Vez em Nova York
Êxodo: Deuses e Reis
O Grande Hotel Budapeste (Estrelinha)
Malévola
Sr. Turner

maquiagem

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia (Estrelinha)

trilha sonora

Birdman
O Conto da Princesa Kaguya
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
Sob a Pele (Estrelinha)

canção

“Glory”, Selma
“Hal”, Amantes Eternos
“Let Me In”, A Culpa é das Estrelas (Estrelinha)
“Lost Stars”, Mesmo Se Nada Der Certo
“Mercy Is”, Noé

edição de som

Capitão América: O Soldado Invernal
Guardiões da Galáxia
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Sniper Americano
Sob a Pele (Estrelinha)

mixagem de som

Capitão América: O Soldado Invernal
De Volta ao Jogo
Garota Exemplar
Sniper Americano
Whiplash (Estrelinha)

efeitos visuais

Godzilla
Guardiões da Galáxia
Lucy
Planeta dos Macacos: O Confronto (Estrelinha)
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

 

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Selma

Selma

Uma personagem conhecida, uma obra célebre. A combinação perfeita para um filme acomodado, que elege a trajetória de vida e seus highlights em detrimento de entender quem é a pessoa por trás da figura histórica. Encontrar a sensibilidade certa para dirigir um biografia é um dos maiores desafios para qualquer cineasta. Porque a própria indústria do cinema criou um modelo muito fechado para este gênero, que serve para trabalhar catarses, induzir às lágrimas, manipular os sentimentos do espectador para que ele se identifique com o tom edificante e inspirador deste tipo de filme.

Ava DuVernay transforma as regras deste jogo em Selma. A diretora encontra uma maneira delicadíssima de evitar a burocracia que geralmente ronda os filmes que recriam histórias reais, mirando no humanismo. A cada cena, desvenda o homem, revela suas fragilidades, aponta seus defeitos, dúvidas e carências. E faz isso de maneira inusitada, como na cena em que a esposa questiona o marido sobre sua fidelidade ou no telefonema para uma cantora gospel no meio da noite. A noite, por sinal, parece mostrar o outro lado do protagonista, quando ele deixa de ser personagem.

O filme não é sobre uma luta étnica ou religiosa (ou também é). Nem procura revelar o Messias escondido em Martin Luther King (ou também revela). Selma é, sim, um filme edificante e inspirador porque a cineasta consegue traduzir e reverberar a jornada do protagonista pelo que ele acredita. O espectador é conquistado pela identificação. DuVernay cria uma obra sobre a humanidade em cada um de nós. Dignifica o trabalho Martin Luther King sem necessariamente vendê-lo como herói, mas entende sua batalha como ser humano. E David Oyelowo merece os maiores créditos. Recria um homem imenso da maneira mais discreta, simples e bonita possível.

Selma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Selma, Ava DuVernay, 2014]

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Dois Dias, Uma Noite

Dois Dias, Uma Noite

A crise econômica da Europa tem rendido alguns filmes bem interessantes, mas o novo trabalho dos irmãos Dardenne é um dos melhores. E também o melhor longa da dupla em mais de uma década. Embora guarde todos os elementos de seus filmes mais célebres, como a câmera orgânica, as interpretações naturalistas e o tempo contínuo, Dois Dias, Uma Noite talvez indique uma virada de Jean-Pierre e Luc Dardenne em direção a um público mais amplo. Salvo engano, é a primeira vez que eles recorrem a um intérprete que não nasceu na Bélgica como protagonista de um filme. Marion Cotillard mudou seu sotaque e se revelou uma escolha acertada para viver a mulher que, para recuperar seu emprego, tenta convencer seus colegas a votarem contra um bônus que só será concedido se ela for demitida.

No espaço de pouco mais de um dia, ela persegue, casa a casa, seu objetivo. Cada encontro joga sua personagem, Sandra, num contexto diferente, muitas vezes doloroso, promovendo uma versatilidade emocional rara no cinema da dupla, que além de arejar a narrativa do longa, testa os limites da personagem, sempre à beira de um ataque de nervos, e da atriz, aqui num de suas melhores interpretações. Os Dardenne continuam sua sina de analistas da Europa contemporânea, cotidiana, desprovida de beleza, incômoda, desta vez discutindo bem especificamente a crise financeira do continente e o impacto na vida do cidadão comum. Os interesses individuais são confrontados com os interesses do mercado numa luta desigual pela sobrevivência.

Dois Dias, Uma Noite EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Deux Jours, Une Nuit, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne, 2014]

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Oscar 2015: Birdman vence o PGA e as apostas para o SAG

Birdman

O Producers Guild of America, o prestigiado sindicato dos produtores, jogou um balde de água fria na candidatura de Boyhood à categoria principal do Oscar, quando escolheu, na noite passada, Birdman como o melhor filme do ano. O prêmio do PGA serve como prévia para o da Academia e pode refletir um pensamento que parecia adormecido em Hollywood, o de que o filme de Richard Linklater é muito bom, mas não para ganhar o Oscar. O grande dilema deste ano é se os membros da Academia vão endossar a jornada indie de 12 anos de Boyhood ou se, como fizeram nos anos em que Fargo e A Rede Social eram os darlings do críticos, irão buscar seu escolhido em outra freguesia. O filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu é apenas uma opção.

Linklater é um diretor independente, seus projetos são pessoais, mas ele já foi indicado duas vezes ao Oscar, o que o coloca no radar da Academia. Ou seja, na visão dos integrantes da Academia, ele não é apenas um cineasta indie, mas um indie que já tem entrada no “primeiro time”. E a temporada de prêmios fez muito bem a Boyhood, que ganhou o Globo de Ouro, o Critics Choice, e o prêmio principal de associações de críticos importantes, como as de Nova York, Los Angeles, Boston e Chicago. Linklater e seu filme pareciam embasados, credenciados, abalizados pela temporada para entrar nesse mundinho do Oscar. E quando as indicações saíram, o filme parecia bem forte: seis menções (filme, direção, roteiro, montagem e os dois coadjuvantes). Não foi o mais indicado, mas entrou em todas as categorias que podia.

Mas a temporada de prêmios, que cada vez mais é uma força viva, adora parir alternativas mais convencionais para aqueles votantes que geralmente não se convencem com esses filmes moderninhos. Harvey Weinstein adora preencher essas lacunas. Foi ele que colocou O Paciente Inglês para bater os irmãos Coen e que bancou O Discurso do Rei, que nocauteou David Fincher e a história do Facebook. O homem provou ser poderoso mesmo quando tirou o segundo Oscar de melhor filme de Steven Spielberg (O Resgate do Soldado Ryan) para entregá-lo a uma produção discreta, Shakespeare Apaixonado. Este ano, ele parecia oferecer a opção mais forte para quem rejeitasse Boyhood, mas O Jogo da Imitação, embora seja inglês, tenha astros em ascensão e se passe na Segunda Guerra, ainda não disse a que veio. O PGA pode ter dado a terceira via.

Boyhood

Birdman, que empatou com O Grande Hotel Budapeste, como o filme com maior número de indicações neste ano (dez), teve grande apoio da crítica, ganhou vários prêmios, mas ninguém apostava muito nele para ganhar o Oscar. Essa credencial do PGA pode fazer o filme bater as asas até o palco do Fuji Theater, mas ainda há dois capítulos importantes a cumprir: o prêmio do Screen Actors Guild e o do Directors Guild of America, o mais influente de todos. Há quem diga que o prêmio de elenco no SAG possa indica o favorito ao Oscar, mas isso é bastante questionável porque esta categoria costuma eleger filmes com um número grande de atores e muitos deles perderam o Oscar (Trapaça], Histórias Cruzadas, Bastardos Inglórios, Pequena Miss Sunshine, Sideways, só pra ficar nos últimos dez anos).

Birdman provavelmente leva hoje o prêmio de melhor ator para Michael Keaton, cuja única real ameaça parece ser a queda as pessoas têm pelos papeis de deficientes, o que pode resultar na escolha de Eddie Redmayne vivendo Stephen Hawking em A Teoria de Tudo. Mas é pouco provável. Boyhood, pro sua vez, deve ter a melhor atriz coadjuvante do ano, Patricia Arquette. Se outra ganhar (Emma Stone ou keira Knightley), vai ser azarão. Julianne Moore leva fácil o prêmio de melhor atriz pro Para Sempre Alice. Rosamund Pike seria a alternativa, mas Garota Exemplar está fraco na corrida. E Whiplash deve ficar com o de coadjuvante para J.K. Simmons. Se Edward Norton ou Ethan Hawke ganharem, difícil, teremos surpresas (e uma disputa mais acirrada entre Birdman e Boyhood).

O filme de Iñarritu é uma escolha mais óbvia para ganhar um prêmio de elenco do que Boyhood. Tem Michael Keaton, Naomi Watts, Edward Norton, Emma Stone, Zach Galifianakis, Amy Ryan, Andrea Risenborough contra Ethan Hawke e Patricia Arquete junto de uma meninada. Se ganhar hoje o SAG, fica mais forte para o Oscar, mas nem tudo está perdido. Birdman sequer foi indicado para o prêmio de montagem, o que é bem estranho já que a montagem é fundamental para um projeto que combina vários planos-sequências, e para um filme que quer ganhar o Oscar principal. Dos últimos dez premiados nesta categoria, cinco levaram também melhor filme. Os outros cinco vencedores foram, pelo menos, todos indicados. Mas o efeito Argo vem para desfazer todas as regras. Como cobrar que um filme ganhe montagem se em 2012, Ben Affleck venceu a categoria principal e sequer foi indicado para direção.

O DGA, que só vai anunciar seu eleito no dia 7 de fevereiro, vai ser importante nesta disputa. Os último dez vencedores do prêmio Directors Guild of America levaram o troféu de melhor filme da Academia. Faz treze anos que os resultados são idênticos. Para se ter uma ideia, PGA antecipou o Oscar de melhor filme sete das últimas dez vezes – isso com a trapaça do anoa passado, em que 12 Anos de Escravidão e Gravidade empataram. E lembrando que os vencedores do PGA em documentário (Life, Itself) e animação (Uma Aventura LEGO) neste anos sequer foram indicados para o Oscar. Ou seja (parte 1), quem ganhar no sindicato dos diretores vai estar mais perto de resolver essa treta. Ou seja (parte 2), a corrida deste ano vai ser bem emocionante. Enquanto isso, Boyhood, Birdman e O Jogo da Imitação correm soltas.

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Foxcatcher

Foxcatcher

Foxcatcher deveria ter sido lançado em 2013, mas não ficou pronto em tempo hábil. Bennett Miller pode ter demorado a encontrar o tom que gostaria de impor ao filme, a versão de uma história real sobre um evento trágico que, como o título brasileiro ressalta, abalou os Estados Unidos no final dos anos 80. E foi exatamente no presságio da tragédia que o cineasta, que assina apenas seu terceiro longa ficcional, encontrou sua inspiração. O filme parece anunciar o destino trágico das personagens na fotografia que muitas vezes os aprisiona nos cenários imenos, na trilha sonora que impõe melancolia à história e até no desempenho discreto do trio principal. Esse tom solene marca, move e causa estranheza a Foxcatcher.

Miller remonta a história de quando o milionário americano John du Pont – um homem riquíssimo, mas que nunca conseguiu se fazer útil em sua própria família -, resolve convocar os irmãos Mark e David Schultz, medalhistas olímpicos, que já não estavam em suas fases mais prósperas, para montar uma equipe de luta livre e disputar os jogos de Seul. O diretor acerta ao materializar o vazio nas vidas dos personagens principais. Steve Carell está especialmente assustador, além de transfigurado pela maquiagem, no papel do milionário de fala mansa e olhar doentio e, embora ronde a caricatura, geralmente escapa ileso e ofereça uma melancolia dolorida. A personagem carrega o peso de uma certa herança aristocrática tipicamente americana.

Ele é o adulto que nasceu em berço de ouro, mas que, provavelmente por causa de sua sexualidade dúbia, nunca foi levado a sério. É o homem que, se não consegue ser herói, escolheu comandar heróis da vida real – atletas, lutadores, medalhistas olímpicos -, para tentar virar o protagonista que sempre almejou. É o homem que busca aprovação, que se coloca no papel de mestre mesmo que não tenha bagagem para ser um exímio professor e que talvez amenize seus instintos secretos no contato físico que tem com seus “pupilos”. Carell consegue traduzir toda essa complexidade numa interpretação difícil, que encontra no atleta arredio vivido por Channing Tatum, um ator que cresce a cada papel, um oposto complementar perfeito para deixar fluir suas peculiaridades.

Mark Schultz, o verdadeiro, reclamou de seu retrato no filme e das liberdades históricas de Miller (os irmãos nunca teriam estado ao mesmo tempo na fazenda que abriga a equipe montada por Du Pont), mas a personagem criada por Tatum foge dos esteréotipos, apresentando um homem que não cabe em si mesmo. Um herói que não se conforma em ter perdido seu posto. Mark Ruffalo, com seu jeito tímido de falar, completa o elenco, dando corpo a um bom coadjuvante.

De um lado é possível reconhecer um esforço gigantesco do diretor em tornar tudo muito importante. Do outro, esse esforço parece realmente ter capturado um sentimento de estranhamento, como se fosse o filme realmente se realizasse como o prelúdio de uma tragédia. Foxcatcher talvez seja incômodo por seu diretor ter encontrado a maneira mais fiel de apresentar homens verdadeiramente tristes, buscando uma maneira de materializar o vazio de suas vidas, revelando para a América o que os americanos têm de mais frágil.

Foxcatcher EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Foxcatcher, Bennett Miller, 2104]

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Livre

Livre

Depois de um trabalho tão simples e bem resolvido como Clube de Compras Dallas, o novo filme de Jean-Marc Vallée, Livre, que ainda tem a assinatura de Nick Hornby no roteiro, parece um pouco decepcionante. Anódino talvez a palavra mais correta. Seguindo a linha das “viagens transformadoras” pelo interior dos Estados Unidos, o longa traz a história real de Cheryl Strayed, uma mulher que sai para uma trilha de milhares de quilômetros em busca da cura “para as feridas de uma vida de sofrimento”. Um dos grandes problemas do filme é exatamente que nem Vallée, Hornby ou Reese Witherspoon conseguem dar a dimensão das tragédias na vida da protagonista. A sensação é que ela sofre por ter tido uma história comum a muita gente ou mais fácil do que tantas outras por aí. Seu desespero nunca consegue ser propriamente justificado e a solução encontrada para remontar sua vida, um uso excessivo de flashbacks didáticos e de “fantasminhas” (que deveriam garantir a espiritualidade da jornada) incomoda. Mesmo os medianos Na Natureza Selvagem, que pelo menos tem uma filosofia, e o problemático 127 Horas, que pelo menos tem um protagonista mais inspirado, exploram melhor essa relação de encontro com a natureza como uma experiência verdadeiramente significativa. A viagem de Cheryl parece mais um passeio de uma mulher da cidade em busca do exótico. Identificar-se com ela não é muito fácil. E Reese Witherspoon, que ficou mais bonita depois de madura, não impressiona em nenhuma cena e ainda assim foi indicada para o Oscar. Mais grave é o caso de Laura Dern, que nem tem a chance de estrelar uma cena inteira de maneira direta por causa do papel inconsistente e também disputa a estatueta.

Livre EstrelinhaEstrelinha
[Wild, Jean-Marc Vallée, 2014]

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Oscar 2015: indicados comentados

Bennett Miller consegue ser indicado na categoria de direção, que tem apenas cinco vagas, mas seu longa, Foxcatcher, não entra na lista de melhor filme, que poderia chegar até dez finalistas. Birdman, um dos campeões de indicação no ano, nove, não aparece na categoria de montagem, um quesito geralmente associado à categoria principal. Dois Dias, Uma Noite, é eliminado até do shortlist de filme estrangeiro, mas sua protagonista, Marion Cotillard, consegue vaga entre as atrizes. Mesmo falando em francês. Todo ano o Oscar traz uma série de idiossincrasias que refletem o longo e tumultuado processo que culmina com a lista de indicados.

Boyhood, de Richard Linklater, teve apenas seis indicações, mas continua confortável na posição de favorito ao prêmio principal. Entrou em todas as categorias em que era cotado (filme, direção, coadjuvantes, roteiro e montagem). Seu principal rival, O Jogo da Imitação, do norueguês Morten Tyldum, teve mais indicaçoes, mas mais parece uma opção que a temporada encontrou (para o caso de evitar um filme tão independente como Boyhood) do que um adversário com chances reais. Richard Linklater tem a seu favor uma carreira de prestígio, um nome que gera simpatia, respeito e experiência e, sobretudo, um projeto único na história.

Essas qualificações devem acalmar aquele membro da ala mais antiga da Academia que gosta de narrativas mais tradicionais. Aquele que provavelmente indicou um filme medíocre como A Teoria de Tudo para melhor filme do ano e que pode ter estranhado e resistia a votar em Boyhood. Linklater, apesar dos méritos de seu longa, pode ganhar um Oscar pelo conjunto da obra. Por outro lado, Tyldum fez um filme de narrativa clássica, que se passa na Segunda Guerra, com astros ingleses e o sotaque britânico sempre é uma opção de voto mais conservador, como foi O Discurso de Rei, que bateu A Rede Social em 2010.

O Oscar confirma o abraço que a temporada deu em O Grande Budapeste Hotel, nove indicações, mas o filme só parece ter chances mesmo nas categorias de direção de arte, trilha e talvez roteiro. Por outro lado, resistiu a celebrar O Abutre, que coloca Los Angeles, a cidade da Academia, no centro do mundo do consumo desenfreado da informação.

Filme

filme

Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Boyhood, Richard Linklater
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
Sniper Americano, Clint Eastwood
A Teoria de Tudo, James Marsh
Whiplash, Damien Chazelle

Pela primeira vez desde as mudanças nas regras que deixam essa categoria com um número mínimo de 5 e um máximo de 10 indicados, esta é a primeira vez em que oito filmes (e não nove) são finalistas. Todos eles estavam bem cotados e não era muito difícil prever suas indicações. Mas o número menor de indicados frustrou a expectativa de muitos candidatos, entre eles Foxcatcher, que teve uma inexplicável indicação para direção mesmo falhando aqui; O Abutre, que terminou com uma indicação solitária em roteiro original; Garota Exemplar, um dos grandes esnobados do dia, também com uma menção apenas; Um Ano Mais Violento, completamente esquecido; Caminhos da Floresta, finalista em categorias técnicas; e Invencível, frustrante tentativa de Angelina Jolie ganhar o Oscar (ainda bem que ninguém caiu nesta). Nunca entenderei porque Era Uma Vez em Nova York sequer foi lembrado pelos precursores. A disputa se concentra em Boyhood e O Jogo da Imitação.

direção

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Bennett Miller, Foxcatcher
Morten Tyldum, O Jogo da Imitação
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

Bennett Miller parece um peixe fora d’água. Se a ideia era colocar um diretor de um filme da Sony aqui, seria mais lógico dar a vaga para o Damien Chazelle, de Whiplash, indicado a melhor filme. Na lista do Directors Guild of America, o lugar de Miller foi tomado por Clint Eastwood (ou vice-versa). Por sinal, dar seis indicações para Sniper Americano e desconsiderar seu diretor foi meio estranho. Richard Linklater parte como favorito. Seu maior rival é Iñarritu, que parece ter mais chances aqui do que na categoria principal. Tyldum só ameaça se seu filme crescer muito este mês. Harvey Weinstein tem muito trabalho pela frente. E finalmente eles reconhecem o Wes Anderson!

Ator

ator

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Bradley Cooper, Sniper Americano (*)
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Steve Carell, Foxcatcher

A Academia realmente adora o Bradley Cooper para dar três indicações consecutivas para um ator esforçado, mas não mais do que isso. Mostra a força do tema do filme do Clint. Carell, que era um dos favoritos no começo da corrida, entrou quase como um azarão, mas parece que o Oscar gostou mesmo do Foxcactcher. Os dois não têm muitas chances. Benedict Cumberbatch tem um pouco mais, mas a personagem de Eddie Redmayne faz exatamente a linha que o Oscar tanto adora: figura real e deficiência física. No entanto, Michael Keaton está fortíssimo. É o comeback do ano e eles gostam muito disso. E, ao contrário de Mickey Rourke alguns anos atrás, Keaton não tem um Sean Penn para atrapalhar sua festa. A ausência mais sentida é a de Jake Gyllenhaal por O Abutre e David Oyelowo parece ter se prejudicado pela falta de repercussão de Selma nos prêmios anteriores. Timothy Spall e Ralph Fiennes, por Sr. Turner e O Grande Hotel Budapeste também seriam ótimos azarões.

Atriz

atriz

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite
Reese Witherspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

Uma categoria que parecia completamente decidida, mas trouxe uma das maiores surpresas deste ano: Marion Cotillard toma a vaga que seria de Jennifer Aniston por Cake. E faz isso com Dois Dias, Uma Noite, o candidato eliminado da Bélgica ao Oscar, falando em francês, quando tinha uma belíssima interpretação em inglês em Era Uma Vez em Nova York. Mas como ela está excelente nos dois, tanto faz. No entanto, é Julianne Moore quem já está com as duas mãos no Oscar. Além de fazer uma personagem real, que convive com o Alzheimer, papel isca para Oscars, a Academia sente que tem uma enorme dívida com ela, que já foi indicada quatro vezes. Rosamund Pike é uma indicação merecida, mas Felicity Jones e Reese Witherspoon estão bem qualquer coisa em seus respectivos filmes. Hilary Swank, Emily Blunt e Amy Adams poderiam, mas não empolgaram tanto.

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

Nenhuma surpresa aqui, mas a indicação de Robert Duvall é bastante preguiçosa porque é o tipo de papel que o Oscar elege há anos, então, fugir um pouquinho do padrão seria altamente recomendável, ainda mais quando O Juiz é um filme tão medíocre. O problema é que nenhum outro candidato a essa vaga teve apoio suficiente da temporada de prêmios. Nem Christoph Waltz, nem Josh Brolin, nem Miyavi, nem os coadjuvantes de Selma, que sumiram. J.K. Simmons parece imbatível desde sempre e dificilmente as coisas irão mudar aqui. Norton é a única ameaça real, mas Birdman deve ganhar seus prêmios em outras pradarias.

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Emma Stone, Birdman
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

Eu tinha um palpite de que Laura Dern concorreria ao Oscar desde que vi Livre na Mostra. Não que ela mereça. É o tipo de papel que me incomoda muito e do filme eu não gostei nada, mas uma atriz experiente, que há tempos não se destacava, me parecia uma chance boa pro Oscar. Mas como a temporada não deu muita importância a ela, essa ideia foi se esvaindo e eu estava apostando em Jessica Chastain, mas Um Ano Mais Violento foi uma promessa de premiações não cumprida e quando Rene Russo surgiu em O Abutre, transferi meus sentimentos em relação a Laura Dern para ela, que está ótima, por sinal. Mas a Academia preferiu minha primeira aposta. De resto, Emma Stone está excelente (embora a Naomi Watts também esteja), Keira Knightley e Meryl Streep eram indicações óbvias, mas o prêmio deve ficar com a Patricia Arquette.

Foxcatcher

roteiro original

O Abutre, Dan Gilroy
Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris & Armando Bo
Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, E. Max Frye & Dan Futterman
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson & Hugo Guinness

Foxcatcher mostrou força com a indicação aqui. Era a única vaga incerta porque O Abutre, Birdman, Boyhood e O Grande Hotel Budapeste estavam praticamente garantidos. Um Ano Mais Violento e Sr. Turner eram boas apostas para uma indicação, mas ficaram bem enfraquecidos no decorrer da temporada. Para a vitória, sinceramente, o páreo é duro. Pelo número de indicações, pelo Globo de Ouro e pelo prestígio nesta categoria, Wes Anderson é um nome a se considerar, mas a briga feia mesmo será entre Boyhood, o favorito para melhor filme, e Birdman, o mais indicado e o que tem um roteiro mais “original” e com mais “texto”, caso a Academia ache que o filme de Linklater seja mais de diretor do que que de roteiro.

Whiplash

roteiro adaptado

O Jogo da Imitação, Graham Moore
Sniper Americano, Jason Dean Hall
A Teoria de Tudo, Anthony McCarten
Vício Inerente, Paul Thomas Anderson
Whiplash, Damien Chazelle

Paul Thomas Anderson tem prestígio mesmo. Eliminou Garota Exemplar de uma das categorias em que o filme mais tinha chance de indicação. Whiplash, que apenas a Academia considera um roteiro adaptado, conseguiu fazer a transição de categoria, o que mostra que o filme tem muita gente a seu favor. E a menção a Sniper Americano é mais uma prova de como é estranha a ausência de Clint Eastwood entre os diretores. A Teoria de Tudo era uma indicação certa (embora seja um trabalho convencional, chato e nada inventivo), mas não ameaça o favoritismo de O Jogo da Imitação, que, neste sentido, tem mais backup do que seus adversários originais no quesito de melhor filme. Não adiantou a Angelina Jolie chamar quatro roteiristas, entre eles os Coen (imagina o quanto eles não ganharam!) para escrever Invencível.

filme de animação

Os Boxtrolls, Graham Annable & Anthony Stacchi
Como Treinar Seu Dragão 2, Dean DeBlois
O Conto da Princesa Kaguya, Isao Takahata
Operação Big Hero, Don Hall & Chris Williams
Song of the Sea, Tomm Moore

Inexplicável a ausência de Uma Aventura LEGO, que era um dos favoritos para a vitória, mesmo que eu não goste tanto assim do filme. Mas se a vaga dele foi para O Conto da Princesa Kaguya, eu nem me importo muito com a esnobada. Além do longa de Isao Takahata, a GKids, distribuidora indie de filmes de animação, conseguiu um segundo finalista, Song of the Sea. Sem LEGO, a disputa deve ficar entre Como Treinar Seu Dragão 2, que ganhou o Globo de Ouro e teve 10 indicações ao Annie, e Operação Big Hero, que parecia que teria mais apoio da temporada e disputa 7 Annies.

Leviatã

filme estrangeiro

Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Relatos Selvagens (Argentina)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

A maior surpresa aqui foi Tangerines, primeira indicação da Estônia ao Oscar, trabalho pequeno e bonito. Supresa até certo ponto: muita gente apostava nele porque este tipo de filme, com a guerra como pano de fundo, faz sucesso junto à Academia. Mas se a gente pensar bem, a mesma coisa poderia ser dita sobre A Ilha dos Milharais, que ficou de fora, ou Timbuktu, que entrou. Ida, que ganhou o European Film Awards e outros trocentos prêmios, é o favorito e faz uma linha que a Academia se interessa em premiar. Fica ainda mais forte com a merecida indicação em fotografia, mas o melhor candidato da lista, Leviatã, vencedor do Globo de Ouro, e Relatos Selvagens, um filme extremamente popular, podem surpreender.

Ida

fotografia

Birdman, Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste, Robert D. Yeoman
Ida, Ryszard Lenczewksi & Lukasz Zal
Invencível, Roger Deakins
Sr. Turner, Dick Pope

Incrível a indicação de Ida e interessante a de O Grande Hotel Budapeste, embora houvesse trabalhos mais merecedores. Lubezki é o favorito e fez um trabalho exemplar, mas ganhou no ano passado e se a Academia se tocar disso pode procurar uma alternativa e Roger Deakins mataria dois coelhos com uma só cajadada: finalmente premiaria um veterano que já foi finalista várias vezes, mas nunca venceu, e daria um prêmio de cala-a-boca para a Angelina Jolie. A melhor fotografia do ano é, no entanto, a de Sr. Turner. E graças aos céus que os filtros de A Teoria de Tudo foram pra pqp.

Boyhood

montagem

Boyhood, Sandra Adair
O Grande Hotel Budapeste, Barney Pilling
O Jogo da Imitação, William Goldenberg
Sniper Americano, Joel Cox, Gary Roach
Whiplash
, Tom Cross

Não dá pra entender a ausência de Birdman, um ótimo trabalho, aqui. Será que eles acharam que o filme todo era um grande plano-sequência? Dificílimo um longa ganhar a categoria principal sem indicação em montagem. Boyhood não tem muito a cara deste prêmio, mas como é o favorito a melhor filme, pode ganhar aqui também. O Jogo da Imitação é uma ameaça séria, caso queiram dar estofo para poder justificar outros Oscars pro longa. Whiplash seria um vencedor mais merecido já que o trabalho de Tom Cross é quase o de um maestro. Uma vitória de O Grande Hotel Budapeste seria estranha, mas como está tudo meio em aberto…

O Grande Hotel Budapeste

desenho de produção

Caminhos da Floresta, Dennis Gassner & Anna Pinnock
O Grande Hotel Budapeste, Adam Stockhausen
Interestelar, Nathan Crowley, Gary Fettis & Paul Healy
O Jogo da Imitação, Maria Djurkovic
Sr. Turner, Suzie Davies & Charlotte Watts

Sem novidades. A lógica é dar O Grande Hotel Budapeste porque esta é a área em que o filme de Wes Anderson é mais forte. Merece. Sr. Turner seria um belo prêmio também, mas não vai ser. Era a única chance real de indicação para O Expresso do Amanhã. Não rolou.

Malévola

figurinos

Caminhos da Floresta, Colleen Atwood
O Grande Hotel Budapeste, Milena Canonero
Malévola, Anna B. Sheppard
Sr. Turner, Jacqueline Durran
Vício Inerente, Mark Bridges

Nem Selma, nem Grandes Olhos, nem Êxodo. Dos indicados, seria mais lógico premiar a Milena Canonero por O Grande Hotel Budapeste pelas mesmas razões da categoria acima. Mas pode dar Malévola, Caminhos da Floresta ou Sr. Turner. Já Vício Inerente, o azarão entre os indicados, se passa numa época que a Academia não tem o costume de premiar.

Guardiões da Galáxia

maquiagem

Foxcatcher
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

Entre a transformação de Steve Carell e os aliens da Marvel, acho que o Oscar vai com a segunda opção, embora esta categoria tenha um histórico de escolhas caretas. Mas Guardiões da Galáxia foi o hit do ano e celebrá-lo aqui poderia ser uma ótima oportunidade de reconhecer o filme em sua seara.

Interestelar

trilha sonora

O Grande Hotel Budapeste, Alexandre Desplat
Interestelar, Hans Zimmer
O Jogo da Imitação, Alexandre Desplat
Sr. Turner, Gary Yearshon
A Teoria de Tudo, Jóhann Jóhannsson

Alexandre Desplat teve oito indicações num período de nove anos. É a opção mais imediata, mas por qual filme? A música é um elemento fundamental em O Grande Hotel Budapeste, mas O Jogo da Imitação pode ser um trabalho mais “importante” na visão da Academia. A Teoria de Tudo ganhou o Globo de Ouro e um prêmio nesta categoria faria do Oscar faria bastante sentido também. A bela trilha de Sr. Turner foi um azarão aqui, roubando uma vaga que poderia ser de trabalhos mais experimentais como Sob a Pele e Garota Exemplar, mas não tem chances. Interestelar também parece fora de questão.

Uma Aventura Lego

canção

“Everything is Awesome” (Shawn Patterson, Joshua Bartholomew, Lisa Harriton, The Lonely Island), Uma Aventura LEGO
“Glory” (John Legend & Common), Selma
“Grateful” (Diane Warren), Além das Luzes
“I’m Not Gonna Miss You” (Glen Campbell), Glen Campbell: I’ll Be Me
“Lost Stars” (Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood), Mesmo Se Nada Der Certo

Uma Aventura LEGO esnobado em animação e indicado aqui. Essa Academia, hein? Neste ano, deixaram de indicar as músicas de Lorde, Coldplay e Lana Del Rey, perdoável, mas como esquecer “Mercy Is”, da Patti Smith? Heresia. “Glory”, com John Legend e Common, parece ser a única chance de prêmio para Selma, que realmente sofreu com o problema dos screeners atrasados. Mandaram todos os que fizeram para a Academia, mas, sem passar pelos precursores, o filme enfraqueceu. Sua principal rival é “Lost Stars”, que ainda tem o Adam Levine no vocal, e seria um prêmio para o vocalista do lendário New Radicals.

Birdman

mixagem de som

Birdman, Jon Taylor, Frank A. Montaño & Thomas Varga
Interestelar, Gary A. Rizzo, Gregg Landaker & Mark Weingarten
Invencível, Jon Taylor, Frank A. Montaño & David Lee
Sniper Americano, John Reitz, Gregg Rudloff & Walt Martin
Whiplash, Craig Mann, Ben Wilkins & Thomas Curley

Lista interessante que não diz muita coisa sobre o que pensa a Academia nesta categoria. Birdman teria mais chances se fosse o favorito a melhor filme, mas nem o tipo de vencedor nesse quesito ele faz. Invencível, por ser um filme de guerra, faria bem mais o estilo, mas está com a moral muito baixa para vencer sem ter um motivo a mais (como em fotografia). Muita gente reclamou da mixagem de som de Interestelar, mas como ele concorre ao prêmio do guild e aqui, é sempre uma possibilidade. Sniper Americano pode ser uma maneira de premiar o filme de Clint Eastwood, mas isso faria mais sentido na edição de som. E Whiplash é sobre música, o que, na falta de um franco favorito, pode significar muita coisa.

Interestelar

edição de som

Birdman, Martín Hernández & Aaron Glascock
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Brent Burge & Jason Canovas
Interestelar, Richard King
Invencível, Becky Sullivan & Andrew DeCristofaro
Sniper Americano, Alan Robert Murray & Bub Asman

Aqui, Sniper Americano tem chances mais sólidas já que os efeitos sonoros são essenciais ao filme. Mas ele só está um pouco à frente dos outros concorrentes. À exceção de O Hobbit, esta categoria pode ter resultados variados. Faltou Godzilla!

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

efeitos visuais

Capitão América: O Soldado Invernal, Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill & Dan Sudick
Guardiões da Galáxia, Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner & Paul Corbould
Interestelar, Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter & Scott Fisher
Planeta dos Macacos: O Confronto, Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett & Erik Winquist
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie & Cameron Waldbauer

A indicação de Capitão América: O Soldado Invernal foi uma bela surpresa. Três filmes com personagens da Marvel concorrem nesta categoria. Guardiões da Galáxia, pelo hype, é o favorito entre eles, mas vai ter que bater Planeta dos Macacos: O Confronto, que tem efeitos mais perceptíveis. A disputa vai ser boa. Interestelar e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido devem ser coadjuvantes aqui. Faltou Godzilla!

Life Itself

documentário

CITIZENFOUR, Laura Poitras
A Fotografia Oculta de Vivian Maier, John Maloof & Charlie Siskel
Last Days in Vietnam, Rory Kennedy
O Sal da Terra, Juliano Ribeiro Salgado & Wim Wenders
Virunga, Orlando von Einsiedel

Life Itself, que chegou a ser considerado o favorito nesta categoria, não foi nem indicado. Os críticos gostam mais do Roger Ebert do que os membros da Academia. O caminho está livre para CITIZENFOUR, mas é bom lembrar que acontece muita surpresa aqui. Então, Virunga, A Fotografia Oculta de Vivian Maier e O Sal da Terra não devem ser totalmente ignorados.

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