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Mostra SP 2010: Top 20 do Chico

Apichatpong Weerasethakul
 

Xavier Beauvois
 

Raoul Ruiz

1 Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, Apichatpong Weerasethakul
2 Homens e Deuses, Xavier Beauvois
3 Mistérios de Lisboa, Raúl Ruiz
4 Um Lugar Qualquer, Sofia Coppola
5 Politécnica, Dennis Villeneuve
6 Minha Felicidade, Sergei Loznitsa
7 Beyond, Pernilla August
8 A Rede Social, David Fincher
9 Símbolo, Hitoshi Matsumoto
10 A Primeira Coisa Linda, Paolo Virzi

11 Cópia Fiel, Abbas Kiarostami
12 Machete, Robert Rodriguez
13 Memórias de Xangai, Jia Zhang-Ke
14 Turnê, Mathieu Amalric
15 Caterpillar, Koji Wakamatsu
16 O Estranho Caso de Angélica, Manoel de Oliveira
17 Como Eu Terminei Este Verão, Alexei Popogrebsky
18 Luz nas Trevas, Helena Ignez e Ícaro Martins
19 Poesia, Chang-dong Lee
20 As Quatro Voltas, Michelangelo Frammartino

menção especial:
Os Amores de um Zumbi, Arnold Antonin

diretores

1 Apichatpong Weerasethakul, Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
2 Raúl Ruiz, Mistérios de Lisboa
3 Xavier Beauvois, Homens e Deuses
4 Dennis Villeneuve, Politécnica
5 Sofia Coppola, Um Lugar Qualquer

roteiros

1 Mistérios de Lisboa
2 Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
3 A Rede Social
4 Politécnica
5 Um Lugar Qualquer

atores

1 Jesse Eisenberg, A Rede Social
2 André Guerreiro Lopes, Luz nas Trevas
3 Grigori Dogrygin, Como Eu Terminei Esse Verão
4 Danny Trejo, Machete
5 Hitoshi Matsumoto, Símbolo

atrizes

1 Juliette Binoche, Cópia Fiel
2 Jeong-hee Yoon, Poesia
3 Helen Mirren, A Última Estação
4 Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
5 Julianne Moore, Minhas Mães e Meu Pai

atores coadjuvantes

1 Michael Lonsdale, Homens e Deuses
2 Adriano Luz, Mistérios de Lisboa
3 Jeff Fahey, Machete
4 Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
5 Andrew Garfield, A Rede Social

atrizes coadjuvantes

1 Stefania Sandrelli, A Primeira Coisa Linda
2 Cássia Kiss, Bróder
3 Kristin Scott-Thomas, O Garoto de Liverpool
4 Clotilde Hesme, Mistérios de Lisboa
5 Anne-Marie Duff, O Garoto de Liverpool

fotografias

1 Turnê
2 Na Floresta
3 Politécnica
4 Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
5 Do Amor e de Outros Demônios

montagens

1 Politécnica
2 Dias Violentos
3 Luz nas Trevas
4 Machete
5 A Rede Social

trilhas

1 A Rede Social
2 A Última Estação
3 O Mágico
4 Machete
5 Símbolo

cenas

1 A mesa de jantar, Homens e Deuses
2 A mesa de jantar, Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
3 A piscina, Um Lugar Qualquer
4 Machete não manda mensagens, Machete
5 O posto policial, segunda vez, Minha Felicidade

Todos os filmes vistos na Mostra SP 2010

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Mostra SP 2010: Top 10 cinéfilos

Convoquei 17 amigos para escolherem comigo os melhores filmes da Mostra de Cinema de São Paulo, edição 2010. Pedi uma lista com dez filmes, em ordem, para cada votante. Foram atribuídos 10 pontos para o primeiro de cada relação, 9 para o segundo e assim por diante. O número de pontos foi o primeiro critério, seguido no número de votos e dos primeiros lugares. No final, o resultado foi decidido por um só pontinho.

10 Turnê
Mathieu Amaric
30 pontos, 4 votos, 1 pole

9 Abel
Diego Luna
34 pontos, 6 votos, sem poles

8 Machete
Robert Rodriguez
37 pontos, 5 votos, sem poles

7 As Quatro Voltas
Michelangelo Frammartino
37 pontos, 5 votos, duas poles

6 Homens e Deuses
Xavier Beauvois
37 pontos, 6 votos, sem poles

5 O Estranho Caso de Angélica
Manoel de Oliveira
38 pontos, 5 votos, 1 pole

4 Mistérios de Lisboa
Raúl Ruiz
50 pontos, 7 votos, 1 pole

3 Um Lugar Qualquer
Sofia Coppola
64 pontos, 7 votos, sem poles

2 Cópia Fiel
Abbas Kiarostami
91 pontos, 12 votos, 3 poles

1 Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Apichatpong Weerasethakul
92 pontos, 11 votos, 3 poles

Votaram >> Alê Marucci, Camila Vieira, Carlos Massari, Celso Lazarin, Diego Maia, Dolores Orosco, Filipe Furtado, Guga Valente, Helio Flores, Marcia Schmidt, Michel Simões, Mitchel Diniz, Paula Ferraz, Sonia Barros, Stela Pagan, Tatiana Vasconcellos e Tiago Superoito, além de mim.

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Mostra SP 2010: post 11

Dennis Villeneuve

Politécnica EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Polytecnique, Dennis Villeneuve, 2009

Apesar da semelhança temática, este filme não tem nada a ver com Elefante, de Gus Van Sant. Mesmo assim é uma porrada, filmada com uma delicadeza absurda. Dennis Villeneuve aposta num tom que fica entre o diário e o documental para recriar o massacre de estudantes do sexo femininino na Escola Politécnica de Montreal. E mesmo tendo um filme sob as bençãos das famílias das vítimas, o que parece bastante perigoso, acerta em praticamente tudo: no preto-e-branco, na narração que dá vez e voz ao assassino ao invés de simplesmente condená-lo, na estrutura que acompanha os personagens pós-evento antes de que o evento em si seja mostrado por completo e, sobretudo na melancolia sem excessos que parece o olhar perplexo do diretor para um mundo que ainda o decepciona.

Martin Scorsese, Kent Jones, Elia Kazan, Marlon Brando

Uma Carta para Elia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Letter to Elia, Martin Scoresese e Kent Jones, 2010

O maior trunfo e a maior fragilidade de Uma Carta para Elia vêm do fato do filme ser tão reverente a seu homenageado. Martin Scorsese, mesmo com a coassinatura de Kent Jones, faz cinema em primeira pessoa: este documentário é nada mais do que declaração de amor, uma ode ao cineasta Elia Kazan, um diretor gigante e uma personalidade polêmica. Scorsese parece querer corrigir o fato de que Kazan seja tão lembrado por suas delações ao macarthismo quanto por seus filmes. Para isso, aproxima seu texto do peito e convida o espectador a enxergar os filmes de Kazan pelos olhos de um jovem apaixonado que reconhece na tela o mundo a sua volta. Scorsese não esconde sua devoção ao passear pela vida e pela obra de seu retratado. Estudioso do cinema, enche o doc com informações e análises sobre cada um dos filmes do diretor. O resultado é um filme do coração, com todos os prós e contras que isso possa gerar.

Sam Taylor-Wood

O Garoto de Liverpool EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Nowhere Boy, Sam Taylor-Wood, 2009

Os Beatles provocam tanta devoção que um filme sobre a adolescência de John Lennon só poderia assumir o formato absolutamente convencional que a diretora Sam Taylor-Wood atribuiu a O Garoto de Liverpool. Mas, se não ousa sob nenhum aspecto, a cineasta acerta – e bastante – na execução da novelinha que resolveu contar. O filme trabalha os clichês da história com muita habilidade e conseguiu uma delicadeza comovente ao apresentar a relação conflituosa entre Lennon e sua mãe Julia. Anne-Marie Duff e Kristin Scott-Thomas entregam interpretações belíssimas.

Thomas Vintenberg

Submarino EstrelinhaEstrelinha
Submarino, Thomas Vintenberg, 2010

A verdade é que, desde Festa de Família, seu primeiro, mais impetuoso e mais completo filme, Thomas Vintenberg nunca mais apresentou um trabalho com um conjunto tão forte. Submarino é uma experiência dramática bem mais refinada do que seus últimos filmes, mas o diretor ainda se perde em excessos estilísticos, como no flashback de abertura, e desvios que enfraquecem a trama principal, como a história do coadjuvante psicótico, ruim, clichê. Quando elege o que é importante, geralmente se dá melhor.

James Franco

Howl EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Howl, Rob Epstein e Jeffrey Friedman, 2010

Eu duvidei de Howl nos primeiros vinte minutos de projeção. A primeira impressão é de um filme afetado, que experimenta formatos sem qualquer preocupação com a unidade ou o conteúdo. Mas, aos poucos, a experiência de Rob Epstein e Jeffrey Friedman como documentaristas parece encontrar uma linha narrativa múltipla que, se não é brilhante, funciona com uma graça estranha, uma reverência ao segundo plano, uma melodia tímida que captura o espírito mind free, confuso e adolescente de Allen Ginsberg, de seu poema Uivo e da época em que ele viveu numa mistura ora anárquica, ora banal de documentário, ficção e animação.

Michael Hoffman, Helen Mirren

A Última Estação EstrelinhaEstrelinha
The Last Station, Michael Hoffman, 2009

Helen Mirren está na minha lista de maiores atrizes da atualidade e aqui ela dá vários motivos para eu não mudar de ideia, embora o crescendo de A Última Estação, que começa com frescor, achate sua interpretação. O filme, aos poucos, passa de um registro curioso sobre os últimos meses de vida de Lev Tolstoy para um novelão que não faz jus ao autor. Christopher Plummer, que sempre foi um ator limitado, aqui tem um dos highlights de sua carreira. Mas James McAvoy é quem mais impressiona com seu sensível anti-protagonista que tem pelo menos duas cenas lindas: o encontro emocionado com o escritor e a primeira vez com uma mulher. Embora termine banalizado, o filme de Michael Hoffmann tem seus momentos. Ah, a trilha é linda, linda, mas é usada em excesso.

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Mostra SP 2010: post 10

David Fincher

A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
The Social Network, David Fincher, 2010

Se existe ousadia em A Rede Social, ela mora no fato de que seu diretor amadureceu. David Fincher não usa nenhum dos artifícios narrativos que fizeram sua fama nos anos 90. Justamente onde eles mais cabiam, num filme sobre internet. Esse novo trabalho é incrivelmente sóbrio para sua temática. Fotografia funcional, montagem comportada; apenas a trilha sonora, assinada por Trent Reznor do Nine Inch Nails, que inclui elementos metálicos, soa diferente. E muito boa, por sinal. O que realmente chama a atenção no longa sobre a história do Facebook é como Fincher fez um filme simples, com a fluidez pop de sempre, mas sem recalques formais. O cineasta parece estar a serviço do roteiro, que executa com graça, equilibrando humor e melancolia como nunca fez. Jesse Eisenberg ofereceu ao projeto sua performance mais furiosa, compondo um personagem nerd vibrante ao mesmo tempo em que abre espaço para um pós-adolescente influenciável e inseguro. Andrew Garfield está tão bom quanto, mas seu personagem perde quando ele some da história. Os dois parecem estar se divertindo muito sob o comando de Fincher, que fez aqui seu melhor filme desde Zodíaco.

Feo Adalag

Quando Partimos EstrelinhaEstrelinha
Die Fremde, Feo Aladag, 2010

Filmes étnicos podem ser extremamente maçantes. Por isso, a única característica que realmente diferencia Quando Partimos de muitos de seus pares é que o filme tem uma encenação esforçada com bons atores dando mais substância a personagens caricatos. Mas isto realmente não faz do longa de Feo Aladag um grande filme. Nem um bom filme. A trama é idêntica a muitas. Neste ano mesmo, o Festival do Rio apresentou Ayla, que conta a história de uma mulher turca que resolve abandonar o marido, fugindo com o filho e tendo que enfrentar as tradições que colocam a própria família contra ela. A mesma trama antiga deste filme. Mas se o longa de Feo Aladag acerta na encenação, peca na tentativa de dar ainda mais peso e significância à história, criando cenas que parecem ter sido feitas para vender o filme como “porrada real”. O problema é que todo mundo já cansou de ver filme assim. E, cá entre nós, aquele final fatalista a la Crash, é de partir o coração com um exemplo de mau gosto.

Jia Zhang-Ke

Memórias de Xangai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Hai shang chuan qi, Jia Zhang-Ke, 2010

O melhor documentário de Jia Zhang-Ke é encantador. O diretor se propôs a contar a história de Xangai através de depoimentos de pessoas que nasceram e moraram na cidade. Mas Jia evita o didatismo e faz um filme anacrônico, que viaja em ziguezague pelo tempo, com se lançasse uma pincelada em um lugar branco da tela a cada entrevista. Evitando criar o histórico oficial, o cineasta compõe um mosaico diferenciado, pontuado apenas pelo cinema, com clássicos chineses ajudando a ilustrar esse painel.

Sylvain Chomet

O Mágico EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
L’Illusioniste, Sylvain Chomet, 2010

O maior defeito de Sylvain Chomet para mim talvez seja sua maior qualidade para a maior parte das pessoas: o diretor dedica muito de seu trabalho a criar obras nostálgicas que parecem excessivamente calculadas. O Mágico, assim como As Bicicletas de Belleville, parece convocar o espectador a apreciar sua tristeza nobre e esquisita como forma de expressão genuína. É como se o filme gritasse: “olha como eu sou lindo”. Tá, é bonito mesmo, tanto no traço quanto em sua melancolia. Mas provavelmente Jacques Tati, que escreveu o roteiro anos atrás e não conseguiu realizá-lo, teria feito melhor. Tati sempre foi triste, melancólico, nostálgico, mas seus filmes sempre foram espontaneamente graciosos.

Louis Garrel

Aprendiz de Alfaiate EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Petit Tailleur, Louis Garrel, 2010

Nesse média-metragem, o ator Louis Garrel mistura todas suas referências de cinema francês, incluindo Truffaut, Honoré e até seu pai, para criar uma historinha pequena que ele conta com fluidez, mas sem muito brilho e de forma simpática e econômica.

Mahamat-Saleh Haroun

Um Homem que Grita EstrelinhaEstrelinha
Un Homme qui Crie, Mahamat-Saleh Haroun, 2010

OK. A grande revelação de Um Homem que Grita é que ele só foi premiado em Cannes porque é do Chade, não é isso? A história ex-atleta que toma conta da piscina de uma embaixada, é substituído e perde o sentido da vida é um conto moral com subtexto humanista, mas literalmente mergulhado em lugares comuns, resoluções óbvias e uma realização convencional. É simpático, é bem verdade, mas poderia tratar os personagens com mais complexidade.

Kyu-Hwan Jeon

Animal Town EstrelinhaEstrelinha
Animal Town, Kyu-hwan Jeon, 2009

Animal Town funciona muito mais enquanto seus protagonistas não se encontram, que é justamente a grande razão para o filme ter sido feito. Mas essa amarração final das duas histórias, apesar de parecer uma boa ideia, também tem ares de golpe de roteirista. Até a sequência final, Kyu-hwan Jeon filma dois homens solitários, que não conseguem mais se encaixar em suas vidas. E faz isso com destreza.

Ivan Engler, Ralph Etter

Cargo EstrelinhaEstrelinha
Cargo, Ivan Engler e Ralph Etter, 2009

Uma ficção-científica suíça. Curiosidade imediatada. Mas Cargo é um tanto decepcionante, embora haja competência na concepção visual. O filme recicla um monte de lugares comuns sobre “tem alguém escondido na nave”, misturando as grandes scifis pop, como Alien e Matrix, com uma trama convencional de suspense. Pelo menos quase diverte até o final estragar as coisas.

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Enquete frases da Mostra SP 2010

Escolham entre as frases abaixo a melhor da Mostra de Cinema de São Paulo, edição de 2010:

Bróder, “Não é bróder que fala, mano, é mano”.

Filme Socialisme, “Eu atacaria até o sol se ele me atacasse”.

Machete, “Machete não manda mensagem”.

Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, “O céu é superestimado. Não tem nada lá”.

Vocês Todos São Capitães, “Senhoras e senhores, ninguém liga pra vocês”.

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Mostra SP 2010: post 9

Abdellatif Kechiche
Vênus Negra EstrelinhaEstrelinha
Vénus Noire, Abdellatif Kechiche, 2010

Eu sempre fico questionando um filme que, sob o pretexto de denunciar uma barbaridade, a reproduz no melhor estilo de sadismo. Abdellatif Kechiche é um cineasta respeitado, ganhou prêmios importantes e fez filmes elogiados. Teoricamente, não precisaria deste artifício, mas Vênus Negra, apesar de ser um filme de qualidades, opera no limite do excesso. Kechiche introduz a história que, ao final sabemos ser real, da africana levada para a Europa como monstro de circo na base do desconforto com cenas que retratam a humilhação pela qual a protagonista passou e, ao longo do filme, promove uma das “descidas ao inferno” mais cruéis dos últimos tempos. O diretor investiga a maldade humana assumindo para si a perversidade dos “vilões”, adotando a estética do choque como modelo narrativo. Embora seja muito bem encenado e produzido, este é mais um filme que ganha pela espetacularização do sofrimento, justamente o que ele parece querer denunciar.

Shinboru
Símbolo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Shinboru, Hitoshi Matsumoto, 2009

Nada que a Mostra 2010 exibiu neste ano lembra de longe este Símbolo. O filme de Hitoshi Matsumoto, que também é o protagonista, abusa da liberdade narrativa, visual e de roteiro, criando uma comédia deliciosa, lúdica, mágica e perturbada que evoca Jerry Lewis, mas tem a melancolia de um Jacques Tati. O cineasta carrega na simbologia, nunca oferece metáforas imediatadas e transforma seu longa num manifesto que pede atenção para o mundo de hoje. Belíssimo.

Danis Tanovic
Cirkus Columbia EstrelinhaEstrelinha
Cirkus Columbia, Danis Tanovic, 2010

O esfacelamento da Iugoslávia ganhou mais um rebento. Desta vez em forma de pequena comédia dramática sobre a volta de um pai pródigo para casa. Danis Tanovic nunca ousa: faz um filme simpático, vendável, mas toca em assuntos sérios como família, primeiro amor e deveres para manter o respeito. Miki Manojlovic reprisa tipos que viveu em filmes como Underground, sem a grandiosidade, mas com um toque mágico na cena final, uma epifania. O mais curioso foi ver Danielle Rousseau, de Lost, fora da ilha, como a mãe da protagonista, falando em bósnio. Indicação da Bósnia ao Oscar 2011.

Jacek Borcuch
Tudo Que Eu Amo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Wszystko, co Kocham, Jacek Borcuch, 2010

Tudo Que Eu Amo é todo pequeno. O cenário é a Polônia do começo dos anos 80, com o crescimento do Partido Solidariedade de Lech Walesa e das tentativas das autoridades socialistas de minar sua força. Apesar do tom melancólico, o filme exala uma leveza impressionante, promovida pelo protagonista, um adolescente que comanda uma banda de rock. O diretor Jacek Borcuch explora essa juventude como força política, deixando as ações dos personagens como reações imediatadas de quem está começando a descobrir o que não gosta no mundo.

Olivier Laxe
Vocês São Todos Capitães EstrelinhaEstrelinha
Todos Vós Sodes Capitáns, Oliver Laxe, 2010

O filme de Olivier Laxe demonstra toda a falta de maturidade do cineasta, para o bem e para o mal. Ao mesmo tempo em que mostra que está disposto a criar, mudando de perspectiva a cada minuto, trabalhando no limite entre realidade e ficção, Laxe esbanja pretensão: enche o filme de maneirismos cult no formato e na narrativa, explora os personagens reais a seu bel prazer, cria cenas de puro onanismo como a em que sua mãe o visita e parece se auto-sabotar o tempo inteiro. É interessante, mas irrita.

Le Thanh Son
Impacto EstrelinhaEstrelinha
Bay Rong, Le Thanh Son, 2010

O Vietnã dá sua versão para o cinema de ação asiático numa comédia que homenageia e satiriza o gênero. A protagonista reúne todos os clichês das heroínas de ação: é dura, forte e prendada nas artes marciais, guarda um segredo e tem seu trauma contado aos poucos. O filme é simples, mas passa rápido, mas diverte do começo ao fim.

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Mostra SP 2010: post 7

Raoul Ruiz

Mistérios de Lisboa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Mistérios de Lisboa, Raoul Ruiz, 2010

Eu saí tão leve das quatro horas e meia de Mistérios de Lisboa que só posso concluir que Raoul Ruiz é o melhor diretor do mundo para adaptar livros clássicos, como foi com Proust em O Tempo Redescoberto. O que Ruiz faz com a obra de Camilo Castelo Branco – uma novela simples no texto e complexa na forma (já que é fartíssima de personagens e tem uma narrativa que se parte a cada vez que se quer apresentar um deles) – é sublime. O chileno radicado na Europa tem um domínio de cena assustador. Comanda o filme como um maestro, dando um movimento trágico-musical a todas as cenas, que ganham frescor e agilidade raríssimas em adaptações literárias de época. Ruiz administra a profusão de personagens a seu favor, dando espaço privilegiado a todos, mas seu maior acerto é na composição da narrativa, que transita por épocas diferentes em flashbacks introduzidos com tanta suavidade que mal se percebe a transição de tempo. A energia do filme, que reinventa o clássico, só poderia vir de um diretor que, aos 69 anos, é dono de uma jovialidade que poucos cineastas parecem ter.

My Joy

Minha Felicidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Schastye Moe, Sergei Loznitsa, 2010

Quando Minha Felicidade completou seus primeiros trinta minutos eu imaginei que estava vendo o melhor filme da Mostra, comparável talvez apenas a Tio Boonmee e Homens e Deuses, mas confesso que as reviravoltas que o diretor Sergei Loznitsa promove me confundiram tanto que o filme ficou um pouco menor para mim. Mas foi muito pouco. O cineasta de primeira viagem nasceu na Bielo-Rússia, mas filma como os romenos. A descida aos infernos do caminhoneiro Georgy é acompanhada pela mesma câmera naturalista dos colegas do Leste Europeu. Câmera que investiga os detalhes do cotidiano, que aqui são os encontros do protagonista com uma variada fauna de habitantes de uma região rural russa. Embora transforme seu filme num enigma a certa altura e torne o conjunto misterioso, o diretor usa seu filme para investigar pequenas crueldades humanas e compõe alguns momentos brilhantes. A sequência final, desde já, é uma das porradas do ano.

Helena Ignez, Djin Sganzerla

Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, Helena Ignez e Ícaro Martins, 2010

Eu provavelmente nem devo ter muitos motivos para isso, mas a verdade é que eu gostei demais de Luz das Trevas. A simples ideia de uma continuação de O Bandido da Luz Vermelha parece picareta e oportunista – e talvez até seja mesmo – mas o filme que Helena Ignez apresenta é tão carinhoso com seus discurso, formato e personagens que parece um genuíno exemplar desse gênero de cinema. O roteiro atribuído a Rogério Sganzerla, marido de Helena e diretor do filme original, é ingênuo e debochado na mesma medida, dono de um frescor de outrora, se é que isso existe, e uma vitalidade que faz falta no cinema brasileiro. As dezenas de participações afetivas incomodam um pouco e a interpretação e o personagem de Ney Matogrosso não fazem falta, mas a anarquia sacana de André Guerreiro Lopes já vale o ingresso.

Takeshi Kitano

O Ultraje EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Autoreiji, Takeshi Kitano, 2010

Mais uma vítima da projeções digitais da Mostra. O filme de Takeshi Kitano ganhou uma cópia escura, sem contraste ou definição. Apesar da qualidade do material que foi oferecido ao público, O Ultraje é um retorno irônico do cineasta aos bastidores da Yakuza, de que seu cinema estava afastado havia dez anos. O humor do diretor, que estava eclipsado pelos frágeis exemplares de sua trilogia sobre profissões, ressucita em grande forma, num deboche da máfia encharcado de sangue. Kitano já anunciou uma continuação para o ano que vem.

Yoji Yamada

História de Kyoto EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Kyoto Uzumasa Monogatari, Yoji Yamada e Tsutomu Abe, 2010

História de Kyoto parte de uma proposta interessante: visitar a antiga capital do cinema japonês e lá contar uma história de amor. Os diretores Yoji Yamada e Tsutomu Abe intercalam sua ficção com referências a estúdios e filmes e depoimentos reais de moradores da cidade. Embora esse projeto mesclado de dramaturgia com documentário tenha ficado pelo meio do caminho – já que o romance cresce e toma conta lá pelo meio do filme -, os cineastas costuram a trama com tanta delicadeza que a brincadeira inicial nem faz falta. Este filme-homenagem é pequeno e gracioso.

Kawasaki's Rose

A Rosa de Kawasaki Estrelinha
Kawasakiho Ruze, Jan Hrebejk, 2010

O diretor Jan Hrebejk assumiu um dos papéis principais do filme que a República Tcheca escolheu para disputar uma vaga no Oscar. Um filme que nasceu com vontade de ser importante. A Rosa de Kawasaki é, num primeiro plano, um melodrama familiar sobre crises matrimoniais. Tem até uma cena boa, quando amante, marido e esposa resolvem conversar. Depois vira um filme sobre o segredo de um homem e aí toca em assuntos que o diretor acha realmente significativos como ditadura, delação e direitos humanos. É aí que a história começa a ser tratada como espetáculo de denúncia, que nem é tão giga assim, e que tudo vai por água abaixo. E a rosa e o Kawasaki do título são os figurante dos figurantes.

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Mostra SP 2010: post 6

Koji Wakamatsu
Caterpillar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Kyatapirâ, Koji Wakamatsu, 2010]

Todo filme de Koji Wakamatsu é um evento político. Caterpillar não é diferente: parte de uma premissa particular – a volta de um soldado japonês para casa – para se transformar num manifesto antiguerra. O cineasta, como de praxe, apela para a imagem extrema para começar a lançar seus comentários: o protagonista retorna para casa sem os braços e as pernas e com o rosto deformado. O horror da esposa diante da situação se transforma em conformismo. Mas Wakamatsu já deixa claro na sequência de créditos sua perplexidade diante das contradições do conflito: a imagem que abre o filme mostra o protagonista, aquele que seria a “vítima” da história, estuprando uma chinesa. À medida em que desenvolve a trama, que assume contornos caóticos no clímax do filme, o diretor lança na tela dados sobre as mortes durante a Segunda Guerra. Caterpillar, da maneira mais improvável possível, é um manifesto apaixonado pela vida.

Davey Frankel, Rasselas Lakew
O Atleta EstrelinhaEstrelinha
[Atletu, Davey Frankel e Rasselas Lakew, 2010]

Para um país com tradição zero na produção de filmes, O Atleta é um mérito e tanto, mesmo sendo uma coprodução. Um filme bem produzido, bem acabado, correto do começo ao fim. Dá inclusive para fazer um paralelo entre o filme e a história de seu homenageado, o corredor Abebe Bikila, primeiro medalhista africano da História, um dos maiores herois de seu país. Mas, no fim das contas, o longa não foge ao protocolo dos filmes talhados para concorrer ao Oscar: história edificante de superação, baseada em fatos reais, visual polido. Tudo em O Atleta está em seu lugar. Nada empolga muito.

Angelos Frantzis
Na Floresta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Mesa Sto Dasos, Angelos Frantzis, 2010]

Na Floresta é mais interessante do que sugere. O filme do grego Angelos Frantzis acompanha três jovens, isolados no meio do mato, numa espécie de aventura existencialista em que o diretor decide abolir quase que completamente os diálogos, distorce as imagens e ainda abafa o som ambiente em boa parte das cenas. Muitas vezes, o que se vê na tela são borrões que insinuam os movimentos dos personagens. Esta experimentação funciona para o espectador que consegue se liberta da narrativa tradicional. É exatamente por isso que o filme cai quando assume uma historinha. e é nessa segunda fase que o diretor apela para imagens mais apelativas: uma punheta em close e um boquete subaquático.

Gilles Marchand
O Outro Mundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[L'Autre Monde, Gilles Marchand, 2010]

O Outro Mundo é diversão ligeira e inteligente. O filme de Gilles Marchand consegue uma fusão bem interessante entre um cinema live action de suspense e a realidade virtual dos games, coisa que Vc Tá Aí? não sabe fazer. O fato de ser um filme francês garante um charme blasé, com velocidade e tom diferenciados. Grégoire Leprince-Ringuet, longe de Christophe Honoré, está bem seguro como o protagonista obcecado por uma mulher misteriosa.

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Mostra SP 2010: post 5

Banksy
Exit Through the Gift Shop EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Exit Through the Gift Shop, Banksy, 2010]

Este é um daqueles projetos que extrapolam o cinema e se tornam eventos, como A Bruxa de Blair. Banksy é um artista plástico de rua que ficou conhecido pelo talento inegável e pelo mistério em torno de sua figura. Ninguém vê seu rosto, ele não dá entrevistas. Neste suposto documentário, Banksy assume a função de cineasta para apresentar outro artista, que começou como seu “roadie” e que teria se tornado “maior” do que ele. Ao que tudo indica, a criatura é fake, assim como o documentário, o que só instiga o interesse. O filme, que pode ser apenas um veículo para promovê-lo, tem o mérito de ir além do registro: brincadeira ou golpe de marketing, o filme é uma diversão inteligente, que ironiza o mercado da arte à mesma medida que exalta os artistas de rua. Mas está longe da obra-prima que se pinta.

Robin Hess
Minha Perestroika EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[My Perestroika, Robin Hessman, 2010]

O filme de Robin Hessman fala da história da Rússia dos últimos 30, 40 anos a partir dos depoimentos de três personagens que viveram os anos finais do regime soviético e a ascenção de Gorbachev ao poder. O maior acerto da diretora é, em vez de usar as histórias para montar um painel de época, mostrar os impactos particulares do modelo soviético na vida de cada um dos personagens, fazendo jus ao título. O formato, embora seja bastante formal, evita uma tendência atual do cinema documental de querer dar pareceres finais sobre grandes questões. Hessman só interessa pelos indivíduos e por sua visão sobre o que viveram, o que deixa seu filme bem mais próximo de quem o assiste.

Fernando Pessoa
O Filme do Desassossego Estrelinha
[Filme do Desassossego, João Botelho, 2010]

Adaptar poesia para o cinema nunca é fácil, ainda mais quando o autor em questão é Fernando Pessoa. O diretor João Botelho foi radical: fez um filme a partir do texto do Livro do Desassossego, criando um fiapo de história para justificar a declamação dos poemas. O resultado tem mais baixos que altos. Os momentos mais interessantes são aqueles em que Botelho se livra da narrativa e parte para a invenção, criando cenas soltas, quase sketches ou instalações, muitas delas musicais. Mesmo assim, a encenação do diretor é precária e vem embalada num visual kitsch que inclui muito laquê e maquiagem pesada e está mais para a lamentável cinebio de Amália Rodrigues do que para o cinema de João Pedro Rodrigues.

João Miguel
Ex Isto EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Ex Isto, Cao Guimarães, 2010]

Em seus 20 minutos finais, Ex Isto fica girando em volta do próprio umbigo, fazendo referências ao cinema brasileiro de invenção dos anos 60 e 70, mas o filme é bem mais do que isso. Cao Guimarães parte de uma proposta interessante: a vinda fictícia de Rene Descartes ao Brasil junto com Maurício de Nassau. Utilizando o texto de Paulo Leminski como base, o diretor lança João Miguel numa viagem de confronto com o desconhecido. Há cenas impressionantes como a filmada durante a pororoca e a visita do ator, travestido de Nassau, à rodoviária, ao som de Lady Gaga.

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Mostra SP 2010: post 4

Jeferson De, Caio Blat, Silvio Guindane, Jonathan Haagensen
Bróder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Bróder, Jeferson De, 2010]

Bróder é um filme de altos e baixos, mas quando acerta ele é brilhante. O diretor Jeferson De conta uma história de amizade na favela sem trejeitos e maneirismos. Acerta em cheio em praticamente todas as cenas em que os amigos estão juntos. Tanto nos diálogos quanto no desenvolvimento. O cineasta, que estreia na direção, faz um trabalho excelente com o elenco. Caio Blat prova que pode ser uma grande ator quando tem um papel bem escrito e é bem dirigido. Silvio Guindane e, para minha surpresa, Jonathan Haagensen também estão ótimos. Jeferson De constrói o cenário da vida na favela da maneira mais trivial possível, deixando a criminalidade em segundo plano. A trama policial, por sinal, é totalmente desinteressante, o ponto fraco do longa, mas ela não tira os méritos de um filme simples e direto sobre amigos que se reencontram e escolhas decididas há muito tempo. E viva Cássia Kiss, que se livra do fantasma de suas últimas aparições caricatas e devora suas cenas.

Hilda Hidalgo
Do Amor e de Outros Demônios EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Del Amor y de Otros Demonios, Hilda Hidalgo, 2010]

A quantidade de estrelinhas talvez seja exagerada, mas a verdade é que a estreia de Hilda Hidalgo é bem mais do que se poderia esperar. A diretora adapta Gabriel García Marquez, autor visitado sem muito sucesso por Ruy Guerra, Arturo Ripstein e Mike Newell (esse com resultados desastrosos). E Hilda, uma estreante na função e que vem de um país sem tradição no cinema, acerta em praticamente tudo. O filme assume a novela tradicional como modelo de linguagem, mas com um frescor bastante bem-vindo. A cineasta é bastante sensível tanto na composição da história de amor quanto na escolha das imagens que buscam plasticidade – e a encontram -, mas sem afetação. Delicado e simples, Do Amor e de Outros Demônios é uma adaptação classuda, que ainda encontra espaço suficiente para os comentários políticos de García Marquez.

Fabiano de Souza
A Última Estrada da Praia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[A Última Estrada da Praia, Fabiano de Souza, 2010]

Curioso exemplar da cinematografia gaúcha. Começa como uma espécie de road movie entre amigos construído a partir de uma sucessão de pequenas epifanias. Os personagens vão ganhando complexidade ao longo do filme, que em seus dois terços iniciais empresta humor a todas as cenas. O diretor Fabiano de Souza cumpre as regras e comanda uma reviravolta. Mudança arriscada e completa: a comédia e a leveza dão lugar a um drama existencialista em que conceitos como identidade e sentido aparecem na discussão. Apesar da virada ter substância, o filme não recupera o fôlego de antes.

Hammada
Hammada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Hammada, Anna Maria Bofarull, 2010]

O mais curioso desse documentário é registrar o cotidiano dos moradores do Saara Ocidental, uma região dominada pela Espanha no norte da África que ninguém lembra que existe. A diretora Anna Maria Bofarull dispensa narrações e usa o dia-a-dia dos personagens, em ações muitas vezes encenadas para a filmagem, como fio condutor. O filme é bem acabado e cumpre seu papel, mas não vai além disso.

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