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Lixo Extraordinário

A direção e a edição são primárias e refletem o caos que foi o troca-troca no comando. A britânica Lucy Walker começou, largou. João Jardim entrou e fez a melhor parte, as entrevistas. A montadora assumiu o projeto e concluiu o filme, que, para ganhar um toque internacional, aquele que garante indicação ao Oscar, recebeu de volta a diretora original. O resultado final está cheio de momentos vergonhosos.

Se os personagens não fossem tão bons, o filme seria medíocre. A figura de Vik Muniz emana arrogância e o longa é meio subserviente a isso. Só ganha substância quando conta as histórias dos personagens. O trabalho feito com os catadores é incrível, verdade. Mas as intervenções de Vik servem apenas como auto-celebração. ‎Munik é tratado como um grande benfeitor mesmo quando o próprio filme deixa claro que não há nobreza em suas intenções. O que é aquela sequência de visita à casa da infância?

Era realmente muito difícil pensar em colocar um interlocutor estrangeiro para justificar dois (ou três) brasileiros falando em inglês? Programa do Jô para abrir o filme e lançar a questão: “de onde veio tudo isso”? Primário. Plaquinha explicando quem é Vik Muniz? Primário. Por que tudo precisava parecer estar acontecendo naquele exato momento? As pessoas que participaram do projeto (não do filme) são tão interessantes que escondem o ego do artista e a fragilidade do longa.

Lixo Extraordinário Estrelinha½
[Waste Land, 2010, Lucy Walker. Co-direção: João Jardim e Karen Harley]

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