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Sindicato de Ladrões

Marlon Brando, Karl Malden, Eva Marie Saint

Sindicato de Ladrões é uma experiência completamente diferente do que se fazia no cinema até então. O filme é a primeira grande celebração do naturalismo no cinemão norte-americano, com todos os atores interpretando “gente do povo” como “gente do povo”. Marlon Brando comete uma das maiores interpretações da História, a maior de sua carreira. Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger e Eva Marie Saint seguem de perto.

Mas o filme que vira uma denúncia sobre a ação criminosos dos sindicatos nos portos da América vai muito além do papel social. Kazan usa o filme como maneira de dar sua palavra sobre a delação, que move a trama central e pela qual ele foi crucificado por dedurar companheiros comunistas durante o macarthismo.

O poder simbólico da sequência que encerra o filme é brutal. Pode conquistar ou repelir o espectador. Mas até ela chegar, Kazan filma com tanta maestria, cria cenas tão imponentes, como o discurso do padre no cais, ou tão simples como o beijo que leva o casal ao chão, com tanta delicadeza que transforma este filme num dos maiores já feitos pelo cinema norte-americano.

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[On the Waterfront, Elia Kazan, 1954]

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12 Homens e uma Sentença

Henry Fonda

Adaptar teatro para o cinema é muito difícil. Um bom texto pode ficar perdido na tela caso o cineasta não saiba respeitar as diferenças das linguagens. Sidney Lumet sabia disso e acertou a mão em 12 Homens e uma Sentença, que dirigiu em 1957, fazendo com que a fotografia ajudasse a contar a história, apoiada num texto excelente e num elenco de grandes interpretações.

O filme tem basicamente um cenário: uma sala onde doze homens têm que decidir se um rapaz suspeito de matar o próprio pai deve ou não ser condenado à morte. Há duas testemunhas convencidas da culpa do acusado. Tudo indica este caminho, mas não há certezas. Isso motiva um dos jurados (interpretado por Henry Fonda) a questionar a si mesmo e a seus colegas sobre a responsabilidade que o grupo tem nas mãos.

É justamente nesse ponto que 12 Homens e uma Sentença revela porque é um grande filme. Aqui, não importa o veredito, mas as convicções. O inconsciente coletivo inspira a vingança. Vingança de um homem que matou seu próprio pai. Os demais jurados resistem aos argumentos com base nas circustâncias e em seus desejos de justiça. Mas como decretar a morte de quem quer que seja se não há certeza? O que está em questão não é a pena de morte, mas algo mais sério: as decisões de cada um e como elas podem ser irreversíveis.

O texto, adaptado pelo próprio autor da peça, Reginald Rose, analisa a perigosa ingenuidade do senso comum e da frágil arrogância em determinar verdades e mentiras. O elenco é perfeito em mostrar um painel das diversidades presentes nos elementos sociais (que não são necessariamente norte-americanos ou dos anos 50; são universais). Lee J. Cobb, como o antagonista de Fonda, detém o melhor papel e a melhor interpretação do filme. 12 Homens e uma Sentença foge do universo dos dramas de tribunal porque é muito mais que um filme sobre uma vida. É um filme sobre a vida.

12 Homens e uma Sentença  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Twelve Angry Men, Sidney Lumet, 1957]

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