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A Arte da Conquista

Freddie Highmore, Emma Roberts

Freddie Highmore cresceu, mas continua com a mesma expressão de bom menino dos filmes que o fizeram famoso. Ele foi um dos mais requisitados atores mirins da década passada. Contracenou com Johnny Depp em Em Busca da Terra do Nunca e A Fantástica Fábrica de Chocolate, deu voz ao protagonista de Arthur e os Minimoys e ainda estrelou O Som do Coração. De menino-prodígio, resolveu encarnar o jovem indie, numa tentativa de emplacar na idade adulta. Não que tenha dado muito certo.

Numa primeira impressão, A Arte da Conquista, direção do estreante Gavin Wiesen, é um resumão do que o cinema independente norte-americano tem feito nos últimos 100 anos. Losers solitários, incompreendidos, metidos em situações embaraçosas, ao som de melodias tristes. Difícil comprar Highmore como um protagonista adulto. Se quando era garoto ele convencia com seu perfil de adulto-mirim, agora crescido ele mais parece um moleque mentindo a idade para entrar na sessão de cinema.

E haja paciência para a melancolia de araque que o filme nos oferece. É como se o personagem principal fosse um suicida que tenta se matar de tanto ouvir Leonard Cohen ou cheirar flores raras guardadas em livros mofados. Se já era complicado acreditar na caricatura que o roteiro faz do pós-adolescente, mais difícil ainda é se convencer de sua “grande” descoberta interior. Não falta maturidade apenas ao protagonista. O texto parece não saber como manter sua débil proposta inicial. Os trejeitos independentes e personagens esquisitos saem de cena para dar lugar a uma novelinha de superação que nem ao menos conversa com a bobagem que se viu até ali.

Parece que acabaram as vagas no cinema independente. Pelo menos as boas.

A Arte da Conquista Estrelinha
[The Art of Getting By, Gavin Wiesen, 2001]

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007 – Quantum of Solace

007 - Quantum of Solace

O que Cassino Royale conseguiu construir para a série de James Bond é destruído em pedacinhos por este Quantum of Solace. O segundo longa estrelado por Daniel Craig na pele de 007 é uma mutação equivocada do filme anterior, deixando de lado a concepção mais inteligente e refinada da criação de Ian Fleming por um modelo truculento de fazer filmes que anda altamente em voga.

Se o outro longa era aberto por uma cena de ação de primeira linha, neste aqui quase todos os momentos de força bruta parecem querer reprisar as seqüências de perseguição em larga escala de Batman – O Cavaleiro das Trevas, pecando justamente no mesmo ponto: tudo parece inflado, maximizado, exagerado – e chato. A estréia de Craig no papel já indicava a mudança no tom do personagem, mas aqui esse movimento perdeu o caráter passional e se deformou numa novelinha que me parece inédita na carreira do herói.

Sem o contraponto amoroso do longa anterior, Bond é apenas um homem atrás de vingança como tanto outros. Sem espaço para o romance e com um lugar diminuto para o humor que sempre deu equilíbrio à série, Quantum of Solace se tranformou num daqueles filmes de macho pra macho que encontrou num diretor ruim (Marc Forster fez filmes horrorosos como Em Busca da Terra do Nunca e O Caçador de Pipas) o pior defensor que poderia ter.

007 – Quantum of Solace Estrelinha
[Quantum of Solace, Marc Foster, 2008]

 

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Em Busca da Terra do Nunca

Em Busca da Terra do Nunca é um filme com propósito. Quer ser encantador a todo custo. E, por isso, o diretor Marc Foster passa quase duas horas tentando ser Tim Burton e explorar os limites entre a fantasia e a realidade. Nesse sentido, a biografia de J. M. Barrie, o criador de Peter Pan, caso em que a obra é (bem) mais célebre que o autor, é um longa deveras perverso. Tenta forçar a barra e transformar Barrie num personagem mais apaixonante do que deve ter realmente sido, abusa da sua identificação com as criancinhas fofas e explora sua essência infantil.

Como Foster, que já foi bom diretor em A Última Ceia, não é Tim Burton, os devaneios do personagem parecem deslocados, fingidos, pouco críveis ou admiráveis. O filme deixa de ser fantasia e se torna farsa, onde a única coisa realmente acertada é a direção de arte do filme, que explora cenários e figurinos exagerados para os momentos de delírio. Em Busca da Terra do Nunca é rico visualmente, mas pobre de conteúdo.

Os maneirismos chatinhos de Johnny Depp são estimulados pela direção e a falta de rédea (e de eficiência para o tema) de Marc Foster prejudica o desenvolvimento do filme. O garotinho Freddie Highmore, saudado pelo mundo afora, não faz muito mais do que Vinícius de Oliveira fez em Central do Brasil. É bonitinho, decora suas falas direitinho, faz cara de triste e isso é o que encanta. Como a intenção é justamente essa identificação direta, o filme se torna tão fácil quanto os romances água-com-açúcar feitos para emocionar os mais sensíveis.

Em Busca da Terra do Nunca Estrelinha
[Finding Neverland, Marc Foster, 2004]

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