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Eu Não Quero Voltar Sozinho

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[Eu Não Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro, 2010]

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Dez incríveis curtas de animação que ganharam o Oscar para ver online

Desde 1932, o Oscar tem uma categoria para os curta-metragens de animação. Durante um bom tempo, os vencedores eram filmes destinados ao público infantil, financiados pelos grandes estúdios. A Disney, por exemplo, ganhou os oito primeiros prêmios, para depois alternar vitórias com a Metro e a Warner. Mas depois de algumas décadas, esta categoria começou a se tornar um reduto para filmes mais arriscados, que geralmente ganhavam certificado de qualidade em festivais de animação como o de Annecy, abrindo espaço para experimentações formais e estéticas, como nos lindíssimos O Homem que Plantava Árvores e O Velho e o Mar. Por sorte, muitos dos curtas que ganharam o Oscar estão disponíveis online. Aqui tem uma seleção com dez filmes excelentes. Eles não têm legendas, mas a maioria é só música e imagem. O único que realmente tem um texto – por sinal, com uma narração maravilhosa de Mel Brooks, é o primeiro, O Crítico. E vale muito testar o inglês para ver a ironia desta belezinha. A não-inclusão de filmes da Disney e da Pixar aqui é proposital, para fugir do mais óbvio.

O Crítico
[The Critic, Ernest Pintoff, 1963]

A Mosca
[A Légy, Ferenc Rófusz, 1980]

Tango
[Tango, Zbigniew Rybczyński, 1982]

O Homem Que Plantava Árvores
[L'homme qui Plantait des Arbres, Frédéric Back, 1987]

Balance
[Balance, Wolfgang & Christoph Lauenstein, 1989]

Mona Lisa Descendo uma Escada
[Mona Lisa Descending a Staircase, Joan C. Gratz, 1992]

O Velho e o Mar
[The Old Man and the Sea, Aleksandr Petrov, 1999]

Pai e Filha
[Father and Daughter, Michaël Dudok de Wit, 2000]

A Casa em Pequenos Cubos
[La Maison en Petits Cubes, Kunio Katō, 2008]

A Coisa Perdida
[The Lost Thing, Shaun Tan & Andrew Ruhemann, 2010]

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Mais um Ano

Mais um Ano

Nem um prêmio em Cannes, nem uma indicação ao Oscar de roteiro original. Nada foi suficiente para que o elogiadíssimo Mais um Ano, filme que Mike Leigh lançou em 2010, conseguisse a sorte de ganhar espaço no circuito comercial brasileiro. Somente quatro anos depois, o longa conseguiu interromper esse boicote, que se estendeu até aos festivais de cinema brasileiros (o Festival do Rio só exibiu o filme em 2012). Uma injustiça com o belo trabalho, de um diretor cujos últimos seis títulos tiveram lançamento no Brasil.

Mais um Ano é uma obra peculiar na filmografia de Mike Leigh. Criador de personagens sempre envoltos numa melancolia que geralmente dá o tom dos filmes, aqui o diretor aposta em um casal solar de protagonistas, que dilui o peso das angústias trazidas pelos coadjuvantes. Esse contraste empresta ao longa a leveza de um romance que deu certo e que dura anos, décadas. É um filme romântico por natureza, onde Leigh exibe mais uma vez sua habilidade no comando do melodrama.

Emboras os elogios tenham caído principalmente no colo da boa Leslie Manville, que interpreta uma mulher com sérios problemas de auto-estima, são os desempenhos de Jim Broadbent e Ruth Sheen, ambos inspiradíssimos, que chamam atenção. Seus personagens oferecem ao espectador uma esperança que diferencia o longa de obras como Segredos e Mentiras e Agora ou Nunca, filmes belíssimos, mas cujo pessimismo é quase determinista. Tom e Gerri, versões light da protagonista de Simplesmente Feliz, estão cercados por gente problemática e vidas caóticas, mas nada parece abalar o casal, cujo principal objetivo parece ser mediar conflitos e oferecer um ombro amigo.

O título do filme os resume bem: um ano a mais em seu casamento sólido, um ano a mais em sua “missão” de ouvir os problemas e administrar as crises alheias. Mas também reflete a própria obra de Leigh, um homem dono de um texto direto e vigoroso, um diretor que, filme após filme, reassume um compromisso com um cinema simples, cheio de personagens complexos e incrivelmente reais.

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[Another Year, Mike Leigh, 2010]

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O Estranho Caso de Angélica

O Estranho Caso de Angélica

Enquanto O Gebo e a Sombra, último filme de Manoel de Oliveira, não chega aos cinemas brasileiros, o longa anterior do cineasta mais velho do mundo finalmente desembarca em circuito comercial. E esta obra, cheia de efeitos especiais, compõe um ponto à parte na filmografia do diretor, parecendo conversar com a própria natureza fascinante e assustadora do cinema. O centenário diretor parece se prostrar diante da figura da personagem-título como alguém que não é capaz de resistir ao fascínio de uma imagem.

Oliveira cria uma história de amor que transcende a morte em O Estranho Caso de Angélica, um respiro em seus filmes mais densos, uma brincadeira conduzida com suavidade, apesar do diretor sempre fazer questão de dar corpo ao sentimento de seu protagonista. Angélica é uma jovem recém-falecida que o personagem, um fotógrafo, precisa registrar. Mas a imagem daquela bela mulher sem vida e seu sorriso indecifrável como o da Mona Lisa se tornam uma obsessão para ele e passam a persegui-lo em fantasmagóricas aparições que nosso cineasta centenário filme lindamente.

O roteiro abraça o fantástico e as imagens incorporam a ideia sem pudores em algumas das cenas mais lúdicas entre os trabalhos recentes do cineasta. O filme, embora contraponha a fantasia fantasma com a realidade cruel da vila onde a história se passa, também é farto de bom humor, mesmo quando Manoel faz suas citações de praxe, elegendo temas curiosos para uma mesa de almoço. A iluminação precária reforça o poder daqueles planos, evoca cinemas antigos e afirma a vocação do diretor para compor quadros que abusam da estática. Angélica, seu fantasma, seu sorriso, representariam tanto a força sedutora da imagem, do cinema, quanto um ponto de fuga para outras imagens, para outros cinemas.

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[O Estranho Caso de Angélica, Manoel de Oliveira, 2010]

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O Filme de Oki

Yu-mi Jeong, Seon-gyun Lee, Moon Sung-keun

Não existe um limite muito visível entre o filme e o filme dentro do filme neste longa de Hong Sang-soo. Os quatro curtas, ou o que quer o diretor quer que entendamos como tal, que compõem a estrutura de O Filme de Oki conversam entre si, mas também existem de forma independente. Os mesmos atores interpretam os mesmos personagens em situações – e sob pontos de vistas – diferentes. O universo, assim como O Dia em que Ela Chegar, é o das pessoas que fazem cinema, o que empresta ao longa com um clima improvisado, de filme caseiro.

É como se o cinema impregnasse tudo o que realmente importa para o diretor. É como se Sang-soo desejasse que seu dia fosse só cinema. A narrativa “como na vida” acontece em retalhos, oferecidos em cada capítulo, e constrói os personagens em camadas que não obedecem a uma lógica específica. No terceiro curta, um deles, o professor, é interrogado sobre a vida, o mundo e o amor e suas respostas refletem a mesma desilusão do cineasta.

O quarto e último ato do filme, batizado com o título do longa, amarra a história e a proposta. Nele, Oki, a estudante de cinema, nos apresenta as diferenças entre os dois homens com que está romanticamente envolvida. Nele, Sang-soo, o diretor de cinema, contrapõe as cenas em que Oki repete um mesmo trajeto com cada um de seus interesses amorosos. O momento em que as duas histórias se encontram é o momento em que a personagem percebe que a decisão, que parece estar tomada,  não depende apenas dela.

O Filme de Oki EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Ok-hui-ui Yeonghwa, Hong Sang-Soo, 2010]

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Hisss

Mallika Sherawat, Irrfan Khan

O trauma gerado pelas críticas negativas a seu filme de estreia, Encaixotando Helena, que nem era tão ruim assim, fizeram Jennifer Lynch esperar 15 anos para se arriscar novamente na direção de um longa-metragem. Sob Controle, exibido na Mostra de Cinema de São Paulo em 2008, mostrava uma cineasta interessada na mesma América profunda com personagens esquisitos, explorada ao extremo por seu pai, o diretor David Lynch.

Mas o terreno que em Jennifer pisa tem muito mais do espírito dos filmes B do que dos simbolismos e do universo onírico que poderiam vir com a herança paterna. Hisss, seu filme seguinte, radicaliza esse direcionamento na carreira da cineasta. Rodado na Índia, com financiamento local, o longa é baseado no mito de uma deusa-cobra que assume a forma humana.

Lynch, que também assina o roteiro, se rende ao objeto e não se preocupa com o excesso, seja nas interpretações caricatas de seus atores, seja nas imagens ousadas de transformação da protagonista, cuja ideia muitas vezes a tecnologia disponível ao filme não consegue alcançar.

É verdade que há de se considerar o fato de que Jennifer perdeu o controle criativo do filme durante o processo de montagem. A diretora queria contar uma (bizarra) história de amor. Os produtores  miravam num filme de terror mais, digamos, clássico.

O resultado é divertido e contrastante: a história popularesca e os atores bem fracos, à exceção de Irrfan Khan, convivem com uma fotografia cuidadosa e alguns efeitos bem razoáveis.  O trash parece, mas não chega a ser involuntário porque Jennifer Lynch tem o maior respeito pelo “gênero”. E porque empresta intenção a todo o filme. A cena de sexo entre a deusa-cobra e seu amado evidencia que, aqui, o amor é levado a sério. Não que isso signifique muito.

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[Hisss, Jennifer Lynch, 2010]

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Até a Eternidade

François Cluzet, Marion Cotillard, Gilles Lelouch, Benoît Magimel, Jean Dujardin, Valerie Bonneton, Pascale Arbillot, Laurent Lafitte

Filmes sobre reuniões de amigos já carregam em si um diferencial em relação aos outros: a temática invariavelmente terá um forte conteúdo emocional. Cabe ao roteiro estabelecer os laços entre os personagens, mas cabe ao espectador decidir se envolver ou não com os dramas paralelos que constroem a trama. Até a Eternidade segue bem a fórmula do ‘filme de amigos’, partindo de um evento traumático para desenhar as relações entre os protagonistas.

A cena de abertura é promissora: um enorme plano-seqüência que apresenta o coadjuvante mais central do filme. É o desfecho desta cena, a única que mostra a tentativa de se se criar algo minimamente novo, que justifica a trama. Durante 154 minutos, o diretor e roterista Guillaume Canet se propõe a colocar em xeque as certezas de cada um dos personagens, assim como as convicções do espectador sobre eles.

O cineasta montou um elenco repleto de estrelas – entre elas sua mulher, Marion Cotillard – e entregou para cada um de seus atores um estereótipo: o homem de negócios durão, a esposa controladora, a solteirona que não consegue engatar uma relação séria, o casado namorador, o bobão, o homem sensível, a mulher submissa. O que vem a seguir é uma sucessão de situações que explora as características de cada um, estabelecendo suas histórias pessoais.

É do atrito entre essas histórias que nasce o motor do filme. A questão é que não existe nada realmente empolgante nesses atritos, que são variações em tom pastel dos conflitos que vemos neste gênero há algumas décadas. E se o roteiro não sai da superficialidade, não mergulha nos dramas, quase todos os atores trabalham no modo funcional, servindo ao que se pede de seu personagem, sem criar nada. O elenco, assim como as pessoas que eles interpretam, parece estar de férias, brincando entre amigos.

A performance de François Cluzet, mas parecido com Dustin Hoffman do que nunca, traz a neurose do personagem para um nível de caricatura, enquanto Benoît Magimel parece estar sempre treinando para atuar como um homem apaixonado e nunca entra em cena de verdade. Do elenco, além de Marion Cotillard, bastante correta, quem mais acerta na composição é a ótima Valérie Bonneton, que transforma o que poderia facilmente se transformar numa personagem clichê no ser humano mais real do filme.

Mesmo com tantas simplificações, o filme fez uma bilheteria volumosa na França, o que explicita que cada espectador compra uma história de um jeito diferente. Mas, para um filme que se propõe administrar conflitos, pouca coisa realmente se movimenta. A virada que conduz à seqüência final, na mesa da praia, é de um maniqueísmo evidente, feita para fazer o espectador chorar com suas ‘verdades doloridas’.  Não fosse o presente que o personagem de Joël Dupuch entrega para o de Jean Dujardin, Até a Eternidade morreria na praia onde os amigos foram passar as férias.

Até a Eternidade EstrelinhaEstrelinha½
[Le Petit Mouchoirs, Guillaume Canet, 2010]

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Curta: Dente Siso

O norte-americano Don Hertzfeldt é um dos diretores de animação mais saudados dos últimos anos. Já concorreu ao Oscar e ganhou vários em festivais internacionais. Seus trabalhos, de traços simples, têm roteiros elaborados, ora românticos, ora cruéis. Dente Siso, seu filme de 2010, faz parte desta segunda linhagem e foi exibido na edição deste ano do Anima Mundi. Assista ao filme abaixo. As legendas são em inglês.

Dente Siso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Wisdom Teeth, Don Hertzfeldt, 2010]

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Mistérios de Lisboa

Raoul Ruiz

O espectador sai tão leve das quatro horas e meia de Mistérios de Lisboa que só é possível concluir que Raoul Ruiz é o melhor diretor do mundo para adaptar livros clássicos, como fez com Marcel Proust em O Tempo Redescoberto,que o cineasta transformou em filme em 1999.

O que Ruiz faz com a obra de Camilo Castelo Branco – uma novela simples no texto e complexa na forma (já que é fartíssima de personagens e tem uma narrativa que se parte a cada vez que se quer apresentar um deles) – é, correndo o risco do adjetivos taxativos, sublime. Originalmente concebida como uma mini-série para a TV em seis capítulos, a adaptação rodou o mundo em festivais e ganhou uma surpreendente inclusão no circuito comercial brasileiro numa inicativa louvável do CineSesc.

O chileno radicado na Europa tem um domínio de cena assustador. Comanda o filme como um maestro, dando um movimento trágico-musical a todas as cenas, que ganham frescor e agilidade raríssimas em adaptações literárias de época. Ruiz confronta o clássico do material com o moderno do cinema digital,    explorando cores barrocas, evitando closes, dando mais imponência ao texto.

O diretor administra a profusão de personagens a seu favor, dando espaço privilegiado a todos, mas seu maior acerto é na composição da narrativa, que transita por épocas diferentes em flashbacks introduzidos com tanta suavidade que mal se percebe a transição de tempo. A energia do filme, que reinventa o clássico, só poderia vir de um diretor que, aos 69 anos, é dono de uma jovialidade que poucos cineastas parecem ter.

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[Mistérios de Lisboa, Raoul Ruiz, 2010]

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Minha Felicidade

Sergei Loznitsa

Um ano e meio depois de ser exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, Minha Felicidade finalmente chega ao circuito comercial. Uma estreia tardia, mas que já coloca o filme entre os melhores lançados neste ano. Quando o longa completou seus primeiros trinta minutos, eu imaginei que estava vendo uma pequena obra-prima, mas confesso que as reviravoltas que o diretor Sergei Loznitsa promove me confundiram tanto que essa impressão mudou bastante.

Mas foi por pouco tempo. O cineasta de primeira viagem nasceu na Bielo-Rússia, mas filma como os romenos que o mundo passou a celebrar nos últimos anos. A descida aos infernos do caminhoneiro Georgy é acompanhada pela mesma câmera naturalista dos colegas do Leste Europeu. Câmera que investiga os detalhes do cotidiano, que aqui são os encontros do protagonista com uma variada fauna de habitantes de uma região rural russa.

Embora transforme seu filme, a certa altura, num enigma, o diretor usa-o para investigar pequenas crueldades humanas e cria alguns momentos de beleza angustiante. A cena do encontro com a jovem prostituta, interpretada pela impressionante Olga Shuvalova, é antológica. A seqüência final, que define a trajetória do protagonista como uma prisão-labirinto, é, desde já, uma das porradas do ano.

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[Schastye Moe, Sergei Loznitsa, 2010]

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