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Dez incríveis curtas de animação que ganharam o Oscar para ver online

Desde 1932, o Oscar tem uma categoria para os curta-metragens de animação. Durante um bom tempo, os vencedores eram filmes destinados ao público infantil, financiados pelos grandes estúdios. A Disney, por exemplo, ganhou os oito primeiros prêmios, para depois alternar vitórias com a Metro e a Warner. Mas depois de algumas décadas, esta categoria começou a se tornar um reduto para filmes mais arriscados, que geralmente ganhavam certificado de qualidade em festivais de animação como o de Annecy, abrindo espaço para experimentações formais e estéticas, como nos lindíssimos O Homem que Plantava Árvores e O Velho e o Mar. Por sorte, muitos dos curtas que ganharam o Oscar estão disponíveis online. Aqui tem uma seleção com dez filmes excelentes. Eles não têm legendas, mas a maioria é só música e imagem. O único que realmente tem um texto – por sinal, com uma narração maravilhosa de Mel Brooks, é o primeiro, O Crítico. E vale muito testar o inglês para ver a ironia desta belezinha. A não-inclusão de filmes da Disney e da Pixar aqui é proposital, para fugir do mais óbvio.

O Crítico
[The Critic, Ernest Pintoff, 1963]

A Mosca
[A Légy, Ferenc Rófusz, 1980]

Tango
[Tango, Zbigniew Rybczyński, 1982]

O Homem Que Plantava Árvores
[L'homme qui Plantait des Arbres, Frédéric Back, 1987]

Balance
[Balance, Wolfgang & Christoph Lauenstein, 1989]

Mona Lisa Descendo uma Escada
[Mona Lisa Descending a Staircase, Joan C. Gratz, 1992]

O Velho e o Mar
[The Old Man and the Sea, Aleksandr Petrov, 1999]

Pai e Filha
[Father and Daughter, Michaël Dudok de Wit, 2000]

A Casa em Pequenos Cubos
[La Maison en Petits Cubes, Kunio Katō, 2008]

A Coisa Perdida
[The Lost Thing, Shaun Tan & Andrew Ruhemann, 2010]

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Todo Mundo Tem Problemas Sexuais

Nem tanto, nem tão pouco. Na época em que eu assisti, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, fiquei pensando se a polêmica causada pelo manifesto anti-nudez de Pedro Cardoso não teria sido um golpe para vender o filme, o primeiro em algum tempo em que Oliveira trabalhou com atores globais (Cláudia Abreu também integra o elenco). Mas como o longa foi para a gaveta e só agora, três anos depois, chega ao circuito comercial, o possível golpe não surtiu efeito.

Mas isso não afeta o filme. O texto, engraçado e bem interpretado, é fácil de se gostar e assume, inteligentemente, uma certa liberdade de expressão que choca a princípio, mas depois parece bastante integrada à proposta do projeto. A opção de Oliveira de ressaltar a origem teatral do filme é óbvia no conceito, mas a forma como foi executada, com apresentações em palco completando boa parte das cenas, é perfeita. E Pedro Cardoso, o polêmico, nunca esteve tão hilário. Pena que cópia digital – da época – fosse tão ruim. Quem sabe, nesse lançamento em circuito, as coisas não mudem, né?

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[Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, Domingos Oliveira, 2008]

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As Praias de Agnès

As Praias de Agnès

Filmes sobre a memória geralmente são tristes e nostálgicos e dependem exclusivamente do passado. Mas não se a diretora é Agnès Varda. Em seu As Praias de Agnès, César de melhor documentário, a francesa remonta sua vida, sua história no cinema e seu casamento com Jacques Demy numa auto-homenagem singela, original e extremamente bem-humorada. Mesmo num documentário, Varda prima pela invenção visual, presenteando o espectador com imagens preciosas seja no reflexo de um espelho ou num gato desenhado. O filme é, em sua maior parte, brilhante e de um frescor invejável para qualquer pessoa que tenha menos de 80 anos.

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[Las Plages de Agnès, Agnès Varda, 2008]

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Almas à Venda

Almas à Venda

Enquanto um filme de Quentin Tarantino espera quase três anos para entrar em circuito e um longa de Brian De Palma é completamente ignorado pelas distribuidoras, a diretora Sophie Barthes, estreante em longas-metragens, vê seu primeiro filme chegar aos cinemas brasileiros depois de ser exibido no Festival do Rio do ano passado. Nada contra, caso Almas à Venda não fosse um wannabe de um filme de Spike Jonze em parceria com Charlie Kaufman. Um rascunho ruim do universo maluco da dupla. Com todo o respeito, Barthes não está à altura da empreitada, que envolve elementos fantásticos demais para um diretor inexperiente domar. Então por que diabos ela quis fazer uma cópia tão descarada de Quero Ser John Malkovich? Esta comédia pretensamente insólita sobre tráfico de almas conseguiu juntar no elenco Paul Giamatti, que interpreta a si mesmo, Emily Watson e David Strathairn. Todos tentam dar certa dignidade a seus papéis, o que garantiu a estrela solitária para o filme, mas isso não salva o longa de ser uma experiência constrangedora para todos envolvidos.

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[Cold Souls, Sophie Barthes, 2008]

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Maradona by Kusturica

 

O sérvio Emir Kusturica talvez seja o diretor mais improvável para comandar um documentário sobre Diego Armando Maradona e exatamente por causa disso que seu filme seja tão particular. O cineasta enxerga Maradona como um personagem de seus filmes, com algo de folclórico, algo de mágico, e – embora force a barra em algumas comparações – o trata assim, como um personagem, evitando a comodidade conciliatória em que muitos documentários caem para com seu objeto.

Kusturica não que busca o conflito; seu filme é bastante pacífico, mas nunca está a serviço de seu homenageado. Há vários momentos deliciosos, como a sequência em que o jogador canta com as filhas no karaokê ou todas as aparições dos fiéis da Igreja Maradoniana. O diretor, cuja obra sempre teve uma conotação política, abre bastante espaço ainda para os “discursos” de Maradona sobre o futebol, a Argentina, os Estados Unidos e o mundo. É neles que dá pra perceber o quão o argentino é mais interessante do que o rei Pelé. Pelo menos fora do campo.

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[Maradona by Kusturica, Emir Kusturica, 2008]

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Guerra ao Terror

Guerra ao Terror

Não há heróis em Guerra ao Terror. Os três atores principais do filme interpretam homens comuns, ou homens militares comuns, num cenário hostil a eles. São absolutamente ordinários. Seu senso de dever é o mesmo que eu, você ou o padeiro da esquina temos. Os três acreditam e defendem sua missão e fazem o que podem para cumpri-la, mas não protagonizam espetáculos de altruísmo nem escondem suas fragilidades. O efeito da guerra sobre o homem está em foco neste filme.

Filmes de guerra, até algum tempo atrás, respiravam grandiosidade e padronizavam comportamentos. Esqueciam do individual, que ficava perdido nos imensos campos de batalha. Havia um objetivo maior. O particular era detalhe. As coisas mudaram, mas poucas vezes essa transformação de perfil foi tão radical quanto em Guerra ao Terror. Como invade os bastidores de um conflito ainda em curso, o filme sequer cogita o gran finale tão caro aos representantes do gênero. Não se trabalha com uma meta, mas com o meio do caminho, a experiência, e como os personagens lidam com ela.

É um trabalho raro já que filmes que tentaram fazer coisas parecidas, como Platoon, de Oliver Stone, celebram tanto a experiência que terminam reféns dela e de suas sequelas. Guerra ao Terror faz o inverso: não filosofa, interpreta ou analisa os efeitos da vivência dos soldados. Assume a forma de documento que invade o microverso dos protagonistas e se põe a registrar suas ações e suas angústias. Essas angústias, por sinal, surgem discretamente, como extensões naturais do registro. O tom é discreto o tempo inteiro, embora o filme nunca se furte de abordar qualquer assunto.

O que talvez seja o maior mérito de sua realização é justamente um fator externo ao que se vê na tela, o fato de ser uma mulher quem comanda esse retrato íntimo de um habitat tão notadamente masculino. Kathryn Bigelow, que já deu várias provas de talento em filmes menos ambiciosos, invade a clausura dos homens da guerra com imensa propriedade mesmo (e especialmente) quando os personagens, longe do campo de batalha, vivem momentos de lazer, numa típica celebração de virilidade. Bigelow dá a cena um quê de pausa intimista, de bálsamo merecido, como provavelmente apenas uma mulher faria, enxergando a sensibilidade e a importância daquele momento.

Cenas assim garantem a esse filme uma vaga entre os melhores do gênero facilmente. Bigelow, além de demonstrar sua competência técnica num trabalho com imagens impressionantes, é fiel a sua proposta de investigar o homem comum. Não é à toa que os atores mais conhecidos do público saem logo de cena. O que interessa é Guerra ao Terror não atende pelo nome ou pelo que eu, você e o padeiro da esquina entendemos como heróis.

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[The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008]

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Aquele Querido Mês de Agosto

Aquele Querido Mês de Agosto

Depois de um primeiro semestre cambaleante, o circuito começa a dar sinais de vida. Amantes estreia na semana que vem e Deixa Ela Entrar e À Prova de Morte têm datas para entrar em cartaz. Mas um filme que chega hoje aos cinemas dificilmente terá um oponente no quesito “filme mais original do ano”. Aquele Querido Mês de Agosto é um misto de documentário e ficção, que apresenta uma vila em Portugal – com seqüências que lembram um filme de Eduardo Coutinho, inclusive ao se revelar o processo por trás seja do documentário, seja do filme de ficção. A primeira parte, com ênfase na coleta de personagens, é genial, principalmente no equilíbrio entre o humor e o drama. A transição para o que deveria ser o filme em si, a historinha, mantém a graça, mas perde um pouco em ritmo – há um excesso no uso de músicas, embora algumas delas sejam deliciosas e o filme retrate uma banda. Mas a resolução recupera o frescor original e o filme fecha com um inteligente e bem humorado momento de “discussão de relação” entre a equipe de filmagem. Realmente, um filme único.

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[Aquele Querido Mês de Agosto, Miguel Gomes, 2008]

P.S.: Brüno, a cópia que Sacha Baron Cohen fez de Borat, também estreia hoje.

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Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar

Raríssimo exemplar de cinema que sabe inserir o fantástico nos modelos clássicos de gênero. Deixa Ela Entrar é a típica história do garoto perseguido na escola cuja vida ganha uma reviravolta com a chegada de uma menina à vizinhança. A diferença é quem é a mocinha e que segredos ela guarda. O desenrolar do filme segue uma estrutura igualmente clássica, com a aproximação dos dois, a revelação do drama e o confronto com os rivais, mas sempre inserindo a isso o elemento extra. Fazer isso na intensidade correta, mantendo a dramaturgia em alta, deixando cada cena deliciosa, sem recorrer a mecanismos fáceis como trilha e câmera frenéticas e, o mais importante, levando a sério o que poderia ser tratado como festa é o maior acerto do diretor Tomas Alfredson. A dupla de protagonistas garante um espetáculo à parte, com destaque para a menina Lina Leandersson.

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[Låt den Rätte Komma in, Tomas Alfredson, 2008]

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Pagando Bem, que Mal Tem?

Kevin Smith

Se não fosse por uma cena de que eu gosto muito, acho que eu desistiria de ver os filmes do Kevin Smith. A cena em questão é o momento em que Stacey leva Zack para o quarto e ele cruza a sala e o corredor olhando fixamente para Miri. Ali o clichê da câmera lenta funciona bastante porque Seth Rogen e Elizabeth Banks estão completamente entregues e porque “Hey”, dos Pixies, toca ao fundo. Mas essa sequência é um ponto isolado dentro do fraquíssimo conjunto de Pagando Bem, Que Mal Tem?, que tinha tudo para funcionar – afinal Rogen é o comediante do momento -, mas se perde numa falta de consistência e um humor frouxo impressionantes.

Smith parece querer se aproveitar da nova comédia americana, de que Rogen é um dos expoentes, mas sua capacidade de fazer piadas de que se possa rir parece ter se esgotado. O forte do diretor sempre foi sua coletânea de referências pop, mas quem aguenta mais outra citação de Guerra nas Estrelas? Fora isso, o filme recorre a muito dirty talk e escatologia para tentar manter o interesse. Como eu já passei dos 13 anos, tudo soou muito otário pra mim.

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[Zack and Miri Make a Porno, Kevin Smith, 2008]

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Amantes

Amantes

O mundo provavelmente será muito injusto com Amantes. E a culpa é justamente de seu protagonista. A entrevista de Joaquin Phoenix a David Letterman, em que o ator – em estado estranhíssimo, grotescamente barbado – afirma que deixará o cinema para se dedicar ao rap, é um dos maiores hits dos últimos meses, mas, verdade ou mentira, ofereceu uma visibilidade torta ao filme porque ganhou ares de piada e contornos de trapaça. E isso é tudo o que o cinema de James Gray não é. E essa é toda a atenção que Amantes não precisa.

Gray talvez seja o cineasta que mais me lembra John Cassavetes hoje em dia. É difícil dizer sobre o quê exatamente são seus filmes. Os nós da vida, talvez. Amantes não é diferente. Embora o título ofereça uma expectativa direta, Gray não tem intenção alguma de levá-la a cabo e trabalha com sua própria velocidade, num trabalho completamente particular de composição de cenas, quase todas anti-climáticas, como o primeiro encontro entre Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow. Mesmo assim, em nenhum momento, o filme não deixa de mostrar o cineasta romântico de Os Donos da Noite.

O romantismo de Gray está não no objeto, mas no caminho até ele. Quando filma seus personagens em Amantes, o cineasta mais nos confunde sobre suas intenções e comportamentos do que nos dá informações sobre eles, tanto na maneira de jogá-los no mundo – há momentos em que a câmera parece ter vida própria, ultrapassando o puro recorte – quanto na de registrar seus afetos. É dessa maneira que todos ganham uma humanização raríssima no cinema de hoje em dia. É difícil defini-los, muito menos julgá-los ou culpá-los, mas entendê-los, por outro lado, torna-se uma arte mais fácil.

Quando Leonard diz que ama Michelle, ele está provavelmente sendo tão sincero como quando beija Sandra pela primeira vez porque nada é tão simples assim nos filmes de Gray. Leonard, de certa forma, catalisa a complexidade de como o diretor enxerga o mundo. Embora nunca se afaste das vizinhanças, o personagem vaga pelo mundo após ser tirado do prumo e se dedica agora a buscar trilhos mais uma vez. Joaquin Phoenix, o mesmo culpado por toda a publicidade equivocada para o filme, é, no entanto, o maior suporte de Gray. Sem ele, Leonard provavelmente não seria tão complexo, tão bipolar no melhor sentido do termo. É a interpretação Phoenix que dá estofo a Leonard e que faz Amantes ser o filme gigante que é.

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[Two Lovers, James Gray, 2008]

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