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Os EUA contra John Lennon

John Lennon Yoko Ono

O material recolhido pelos diretores-roteiristas de Os EUA contra John Lennon é muito bom, sejam as imagens e entrevistas de arquivo, sejam os depoimentos-análises de gente que viveu o momento ou de personalidades dispostas a avaliar tudo aquilo. O fato é que fazer um filme sobre a perseguição do governo dos Estados Unidos contra o ex-beatle já é um fato, por si só, interessante e meritoso. No entanto, e não sei como poderia ser diferente, me pareceu faltar contraste. A presença de Yoko Ono, com uma boina a la cantorinhas novas da MTV que eu não sei o nome, dá um tom oficial meio incômodo ao filme. E se temos jornalistas que acompanharam o processo, ativistas que tiveram ligação com o casal e até ex-membros do governo Nixon, coletar depoimentos como o de Gore Vidal – por sinal, muito bom – não seria buscar legitimidade para o que deveria ser legítimo sozinho? Em todo caso, o registro histórico é surpreendente.

Os EUA contra John Lennon EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The U.S. Against John Lennon, David Leaf e John Scheinfeld, 2006]

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Shortbus

Shortbus

Faz poucos dias desde que eu vi pela primeira vez a ópera rock gay Hedwig – Rock, Amor e Traição, filme de estréia de John Cameron Mitchell. Confesso que fiquei impressionado com a consistência do longa, que se escora no universo do cinema gay e, que, como tantos outros, poderia facilmente ter caído na armadilha de ser um filme sectário, panfletário ou, simplesmente, raso. Mitchell sabe dar o tom exato a seu protagonista, interpretado por ele mesmo, tornando-o complexo e encantador. Ao mesmo tempo, seu filme reproduz a fórmula de filme de rock, com humor e sarcasmo, sem falar na trilha sonora excepcional (com destaque para o novo clássico “Wig in a Box”).

Faz poucos dias que estreou em circuito Shortbus, o segundo longa de Mitchell. Ele não é o mais o protagonista, o filme não é um musical, mas a temática ainda é a mesma: o universo gay. Mas o cinema de Mitchell, embora possamos dizer que seja um cinema político, com público específico, não tem um alcance limitado. Muito pelo contrário. O discurso do personagem do ex-prefeito de Nova York tem um dos mais belas textos deste ano, partindo do específico para o universal. E é quando é universal (mesmo que seja num clube gay – ou uma versão revista e ampliada disso) que o filme de John Cameron Mitchell funciona plenamente.

A música, cortesia do Yo La Tengo, talvez seja a melhor do ano. Com uma beleza rara na cena indie norte-americana, o longa tem um equilíbrio impressionante entre as piadas sem qualquer pudor e a melancolia em que você pode acreditar, material difícil de encontrar por aí. Só peca em algumas soluções conciliadoras, único ponto em que se rende aos clichês do cinema gay. Com Shortbus, Mitchell prova que mesmo partindo de um microverso pode-se abrir a janela para todo o resto.

Shortbus EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Shortbus, John Cameron Mitchell, 2006]

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Southland Tales

 

Donnie Darko, o filme de estréia de Richard Kelly, nunca conseguiu me convencer completamente. Se por um lado aquele quê retrô casava com minha queda para a nostalgia, as intervenções mágicas no filme me pareceram algo excessivas. Mesmo assim, eu ainda guardava certa simpatia pelo filme, que além de revelar Jake Gyllenhaal, deu a Patrick Swayze uma de suas melhores aparições no cinema. Agora, depois de assistir ao novo trabalho de Kelly, deu vontade de voltar a sua estréia e descobrir se eu fui bonzinho demais.

Southland Tales vai ser lançado diretamente em DVD no Brasil. Uma prática cada vez mais comum que está atingindo filmes com assinaturas interessantes como os últimos de Neil Jordan e George A. Romero e que reprisa o destino que o primeiro longa de Richard Kelly teve abaixo do Equador. A questão é que o formato realmente parece ser o mais adequado para o filme. Porque Southland Tales é realmente um filme para poucos. Bem poucos. Quase ninguém.

O futuro pré-apocalíptico que serve de cenário para o filme parece o de uma brincadeira sem graça – e este tom é o que domina Southland Tales. É bastante perceptível a tentativa de se fazer um filme mais radical do que Donnie Darko em sua, digamos, revolução. O clima nostálgico foi trocado por uma embalagem de piada interna onde parece que só os atores conseguiram se divertir. A idéia parece mesmo não levar nada muito a sério, o que vai de encontro com a suposta crítica ao belicismo que o filme talvez pretenda carregar.

Esse desencontro de timings deixou o filme bastante confuso – e francamente patético na maior parte do tempo. A remontagem depois da fraca recepção em Cannes não deve ter ajudado muito. A tentativa de sarcasmo fica no esboço. Parece alguém sem muito conteúdo se esforçando para soar inteligente. Sorte de Miranda Richardson e Justin Timberlake, que quase não tiveram que contracenar com ninguém. Por sinal, é de Justin o que se pode chamar de melhor cena do filme: uma cover do Killers com dançarinas. Mas fica por aí, o que é uma pena. Southland Tales parece um filme em que ninguém acreditou, começando por seu diretor.

Southland Tales Estrelinha
[Southland Tales, Richard Kelly, 2006]

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Em Paris

Louis Garrel, Romain Duris, Guy Marchand, Alice Butaud

O último fim de semana do ano trouxe aos cinemas um dos melhores filmes de 2007. Em Paris, terceiro longa-metragem do francês Christophe Honoré, é uma declaração de amor. Ou várias. Não se deixe enganar pelos primeiros minutos do filme, que mostram o fim de um relacionamento. A abertura incômoda é apenas a justificativa para o que vem a seguir: uma linda homenagem à Nouvelle Vague de François Truffaut, na forma da história de dois irmãos.

Paul (o ótimo Romain Duris) acabou de sair de um casamento. Romântico, não sabe lidar com a perda e a saudade e termina voltando para a casa do pai (um Guy Marchand adorável), o chefe de família tão amoroso quanto desajeitado em demonstrar seu amor. Lá, Paul passa a dividir o teto com seu irmão Jonathan (o inspirado Louis Garrel), a melhor tradução para a expressão ‘alma livre’: estudante relaxado, filho desleixado, amante insaciável.

A tristeza de Paul contrasta com a alegria de Jonathan. No entanto, do meio de sua aparente superficialidade, este último resolve fazer de tudo para resgatar o irmão de seu incômodo sentimental. É aí que o diretor estabelece o amor incondicional entre os dois, o que move todo o filme. Mas não há nada de convencional nesta história. Jonathan resolve convidar Paul a sair pelas ruas de Paris, mas vai sozinho. Apesar disso, o diretor sabe mostrar, nesta distância, a forte relação entre os irmãos.

Christophe Honoré fez um filme extremamente delicado, mas completamente masculino, modalidades difíceis de se conciliar. Em Paris é sobre as relações do homem (ou dos homens) entre si e com as curvas da vida. Sobre as formas de se demonstrar carinho em família. Sobre parceria e cumplicidade. Ao longo de toda sua duração, as mulheres, sem que isso nunca seja depreciativo, são meras coadjuvantes. O que importa ao filme são os personagens masculinos.

Para inspirar sua jornada pela família, Honoré bebeu claramente da fonte das deliciosas comédias de François Truffaut, como Beijos Proibidos. O Jonathan de Louis Garrel, por sinal, parece uma homenagem a Antoine Doinel, personagem que protagoniza este longa e mais outros quatro do mestre francês. A cena em que os dois irmãos lêem um livro da época em que eram crianças está entre as cenas mais bonitas do ano. Nem o inusitado dueto musical ao telefone consegue ser melhor.

Em Paris é o encontro mais perfeito entre a leveza da forma e a profundidade da palavra.

Em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Dans Paris, Christophe Honoré, 2006]

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Lady Chatterley

Lady Chatterley

O que talvez seja mais chocante no filme de Pascale Ferran é como a diretora conseguiu trabalhar numa sincronia perfeita entre o clássico e o moderno. Por mais que o terreno seja as entranhas do romantismo erótico de D. H. Lawrence, que escandalizaram tantos em 1928 que muitos lugares só foram conhecer a obra mais de trinta anos depois, o sentimento maior sobre o filme é o do não-pertencimento, o que, vez por outra, me evocava Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin.

As reflexões são sobre o mundo, o amor e a fidelidade, mas a solidão – e como a personagem central tenta contorná-la – me parece interessar muito mais à diretora. Esse egoísmo assumido da protagonista é quase um clamor por um algo sólido que já deixou sua vida há muito e que, me permitam, assume a forma mais imediata de um pênis antes que vire um algo maior e menos definível. A busca, instintiva, não do animal, mas do humano, se traduz numa câmera que se lança aos caminhos do bosque ou aos caminhos da vida, como em Gus Van Sant, sem ser Gus Van Sant.

A história de Lady Chatterley não poderia mais ser somente escândalo porque era fadado ao prazo de validade, mas Ferran, em sua sabedoria de mulher, a transforma numa ode ao bruto enquanto puro, à busca pelo primário. Renova-a. Se o filme é um dos mais sensuais que o cinema das últimas décadas já viu, essa sensualidade é apenas um viés diante do desconforto do par. Ela, uma Jessica Lange dos meados dos 80. Ele, um Marlon Brando do fim dos 60. Juntos, eles nos ajudam a apalpar o mundo.

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[Lady Chatterley, Pascale Ferran, 2006]

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Encontros ao Acaso

Ashley Judd

É engraçado imaginar que Joey Lauren Adams, a maluquinha protagonista do filme mais redondo de Kevin Smith, Procura-se Amy, seja a autora deste filme tão maduro. Maduro porque Encontros ao Acaso termina por refletir sobre a dificuldade de se comunicar travestido de drama interiorano tipicamente norte-americano. Ashley Judd, que segue em grande fase, entrega mais uma bela interpretação sobre a mulher que bebe para conseguir um parceiro para uma noite de sexo, mas que não sabe encarar o dia seguinte e tem que enfrentar o fato de que alguém se interessou de verdade por ela.

E, então, como agir se você simplesmente não sabe o caminho, a maneira? Se você acha que pode se machucar, se a possibilidade de um namoro em vez de confortar faz você se sentir rumo a uma jaula num lugar desconhecido. Como aprender a crescer quando você já é adulto, quando jogar um peça de roupa íntima no lixo faz todo o incômodo desaparecer e tudo voltar a ficar arrumado e confortável? O que fazer quando o problema é seu e o mundo te pede mais?

Encontros ao Acaso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Come Early Morning, Joey Lauren Adams, 2006]

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Em Busca da Vida

Jia Zhang-ke

A imagem mais importante do século passado tinha um homem e quatro tanques de guerra. Para ser mais exato, um anônimo bloqueando a passagem de quatro tanques de guerra. Era 1989, na China. Num lugar conhecido como Praça da Paz Celestial. Trabalhadores, estudantes e intelectuais comandaram um movimento em nome da democracia. Um momento isolado na história do país. Um caso de revolta que tomou forma e que, na era da informação, ganhou os jornais, as revistas, a tevê.

Mesmo assim, os revoltados perderam. O rapaz que enfrentou os tanques foi retirado de lá para não ser esmagado. Como a China costuma fazer com quem atravessa seus propósitos. Em Busca da Vida, filme de Jia Zhankg-ke, é sobre pessoas esmagadas. Pessoas cujas histórias ficaram à margem dos objetivos do país de aumentar suas riquezas e de se tornar uma grande potência. Objetivos tão autoritários que custam sua própria geografia. Como uma pretensa celebridade em busca da fama, a China transforma seu corpo.

Mas as incisões numa nação do porte desta afetam milhares e milhões. “Procura um emprego ou uma pessoa?”, perguntam ao protagonista no começo do filme. Ele procura os dois. Um emprego para sobreviver num país em que é preciso se adaptar às novas realidades e mudar a todo momento. Uma mulher e uma filha para tentar reconstruir uma vida ou uma família que se perdeu no passado, que não sobreviveu às transformações impostas em seu seio.

E, no meio da busca, Zhang-ke pede permissão e nos apresenta outra personagem. Outra em busca. Outra que traduz a solidão da distância; outra que quer a transformação. De outro modo, com outro propósito. “Não fique brava comigo. Pra mim também é difícil”, ela ouve. E o pior que deve ser mesmo. Escolher se afastar, decidir ignorar, driblar a saudade, a nostalgia. E ser surpreendido pelo que o tempo faz. No meio destas duas buscas, pistas falsas, coincidências quase perversas, desencontros. No fim das contas, as as pessoas ficam com as ruínas de suas vidas. Com os ecos das transformações.

Mudanças que inundam as vidas de quem mora por lá. Que trazem celulares e Chow Yun-Fat e que transformam donas de casas, senhoras, ‘mulheres de verdade’, em putas. Quem se importa? O que é um na terra de um bilhão? Num país que se encarrega de restringir, conter, segregar, diminuir, se arrepender é pecado e desfazer o que se fez pode não ter volta. Diante de tanto absurdo numa nação que maltrata por tradição, o quão absurdo é ver um disco voador ou testemunhar um prédio levantar vôo?

Voltar para casa não tem mais sentido porque não há mais propriamente uma casa. Os tanques chegaram antes. Não é irônico que as paisagens permaneçam intactas em notas de dinheiro?

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[Still Life, 2006, Jia Zhang-ke]

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As Tentações do Irmão Sebastião

Agora ficou difícil. Depois de Baixio das Bestas e Carreiras, mais um filme nacional entra na disputa pelo título de pior filme do ano. As Tentações do Irmão Sebastião é a prova de que toda obra, absolutamente toda obra, pode ser viabilizada nesse país onde tanta gente reclama de falta de dinherio. Radical, ele é. Ousado, também. Mas o adjetivo mais adequado para o longa – do mesmo José Araújo do belo O Sertão das Memórias, 1996 – é ruim mesmo. A idéia é ser uma versão da vida do santo, mas, além de ser uma mistura de gêneros, de sexo e religião, de cristianismo e candomblé, tão mal resolvida quanto mal interpretada, encenada, escrita, é de um mau gosto estupendo em se tratando de suas imagens toscas e da direção de arte pulguenta. O objetivo parece ser chocar, provocar, mas a repulsa não é pela forma e, sim, pela qualidade do conteúdo.

As Tentações do Irmão Sebastião Estrelinha
[As Tentações do Irmão SebastiãoJosé Araújo, 2006]

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O Despertar de uma Paixão

É muito fácil ‘ler’ este filme como um draminha simplório, antigo, quadradão. É muito burro também. O Despertar de uma Paixão nunca é simplório. É um filme simples, mas cheio de pequenas complexidades no estabelecimento da reconstrução de uma amor. A credibilidade surge do frescor, da vitalidade do texto, mesmo num filme feito à moda antiga, que poderia não saber se livrar dos clichês, que poderia ser apenas a bela fotografia e a excelente música de Alexandre Desplat. Mas é mais. Ser formal, clássico, não é pecado nem demérito. Ainda mais quando se tem Naomi Watts e Edward Norton para dar paixão a seus personagens.

O Despertar de uma Paixão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Painted Veil, John Curran, 2006]

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O Balconista 2

Fila para a sessão de O Balconista 2, pouco antes da 20h. Como cheguei em cima do horário da sessão, tive que garantir minha junk food para não desmaiar dentro do cinema. Lanche na mão, foi então que ouvi o seguinte diálogo:

- Você já viu o novo desenho do Quarteto?, perguntava uma cópia fiel o Hurley, de Lost, para seus amigos Jay e Silent Bob – ou quase isso.
- Não, resposta de ambos.
- Passa no canal tal… (momento de reflexão) Putz, cara, bem que poderia ter Fanta Uva, né?, indagou Hurley.
- Nunca vi Fanta Uva em máquina, respondeu Jay (talvez tenha sido Silent Bon, eu estava de costas).
- Eu já vi – revelou o terceiro – mas não sei onde… nem quando…

Nerdice, comida trash, o clima estava perfeito para me divertir com o novo filme de Kevin Smith, mas não foi bem isso o que aconteceu. Em 1994, quando o longa original estreou, o cenário era propício ao gosto do cineasta: época de louvação ao pop, às citações ao cinema, às referências à música, época de Quentin Tarantino e Pulp Fiction.

Nerd e cool eram palavras bem próximas naquele tempo. Era divertido perceber as brincadeiras, ver coisas de que eu gostava citadas de forma ‘inteligente’, descontraída. E a idéia dos personagens Jay e Silent Bob eram uma piada muito boa. Dava até para rir quando os diálogos eram apenas grosseiros, racistas ou escatológicos. Kevin Smith era a promessa de um cinema simples, leve e espertinho.

Mas aí o tempo passou…

Citações ao mundo pop viraram obrigatórias no cinema jovem. De tão obrigatórias, ficaram batidas e, exceto em raríssimos casos, chatas. A metalinguagem – nerds falando de nerds – saiu de moda. Surgiram o freks e o geeks, bem mais densos e interessantes (quer dizer…). Kevin Smith, que também passeou pelos quadrinhos do Homem-Aranha, Demolidor e do Arqueiro Verde, continuou fazendo filmes. Em 1997, atingiu seu ápice criativo no cinema, com um filme mais maduro, Procura-se Amy. Depois, voltou para seu habitat.

O Balconista estrelinhaestrelinhaestrelinha (1994)
Barrados no Shopping estrelinhaestrelinhaestrelinha (1995)
Procura-se Amy estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha (1997)
Dogma estrelinha (1999)
O Império do Besteirol Contra-Ataca Bolinha (2001)
Menina dos Olhos (não vi – fiz mal?, 2004)

A sensação, vendo O Balconista 2, hoje, é que: se ele tivesse sido feito há treze anos, seria um bom filme (mas já tinha o primeiro, né?). Se ele tivesse diálogos menos escatológicos ou maneirasse na quantidade de sexo verbal, ele seria menos adolescente, menos igual a tudo o que ele já fez (talvez eu esteja velho ou seja moralista, mas aquele papo de masturbação, de eat pussy, de anus-mouth, de boquete, de zoofilia me pareceu um pouco excessivo).

E se Jay e Silent Bob não tivessem aparecido tanto ao longo desse tempo todo, seria mais legal reconhecê-los no filme. E se houvesse textos melhores para as pontas de Ben Affleck e Jason Lee, eu teria rido mais. E se todos os atores fossem tão bons quanto o excelente novato Trevor Fehrman, o nerd superior, o filme cresceria bastante.

Para não dizer que não gostei de nada, há um ótimo diálogo sobre O Senhor dos Anéis x Star Wars (exemplo da exaltação à nerdice que deu certo), uma Rosario Dawson adorável e um clima de nostalgia até bonito principalmente no plano final. Pena que é só.

O Balconista 2 EstrelinhaEstrelinha
[Clerks II, Kevin Smith, 2006]

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