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O Pântano

O Pântano

Lucrecia Martel é uma esteta do caos. Em O Pântano, uma piscina suja é o centro do encontro entre duas famílias. Os personagens vivem em estado de inércia, prostrados ao sol e na vida, numa metáfora bem direta do momento histórico da Argentina no começo dos anos 2000. Em sua alegoria, Lucrecia abraça o caminho menos fácil: evita a poesia que virou modelo para muitos diretores argentinos. Seu filme é duro, quase ríspido. Parece querer sufocar o espectador com um trabalho de ambientação seco, sem emoção, que ressalta no filme o texto excelente e um elenco totalmente inspirado por ele.

O grau de estilização visual, seja na fotografia, seja na direção de arte, não existe. A família que é dona da casa da tal piscina é a própria aberração. Um pai bêbado, uma mãe reclusa, um filho de rosto desfigurado, uma filha desnorteada. Em contraposição, a família amiga, teoricamente melhor estruturada, se mostra tão suscetível à tragédia quanto a primeira. A cineasta sublima a ação em favor do retrato da desordem, do recorte, de mostrar. O olhar de Lucrecia Martel para seu próprio país é rico e sem filtros, coisa rara no cinema de hoje.

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[La Ciénaga, Lucrecia Martel, 2001]

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Janela da Alma

A visão é o contato mais direto do ser humano com o mundo. É o que determina nuances, contornos e horizontes para suas impressões sobre a vida. O poder do olhar não tem limites. Ou tem. O limite pode ser a própria impossibilidade física. A discussão sobre esse tema já embalou belos momentos do cinema. E é a fotografia a porta de entrada para um filme. As cores, enquadramentos e movimentos de câmera são quem determina o ponto de vista do espectador em relação ao material filmado. Walter Carvalho é o mais importante diretor de fotografia do cinema nacional. Fez vários trabalhos com Walter Salles e também é o responsável pela plástica do belo Lavoura Arcaica (01), de Luiz Fernando Carvalho.

Walter Carvalho é um homem apaixonado pelo olhar. Essa paixão motivou o técnico a estrear como cineasta no documentário Janela da Alma, dirigido em parceria com João Jardim. Ele e seu companheiro entrevistam dezenove personalidades ligadas, de alguma forma, ao olhar. Janela da Alma é um filme de depoimentos, um filme de pessoas. Um estudo sobre como a visão determina o nosso contato com tudo que nos é externo.

A câmera-olho de Carvalho segue pelos depoimentos do músico alagoano Hermeto Paschoal, dos cineastas Wim Wenders e Agnès Varda, do neurologista Oliver Sachs (interpretado por Robin Williams em Tempo de Despertar) ou do fotógrafo franco-esloveno Evgen Bavcar, completamente cego. O escritor vencedor do prêmio Nobel, José Saramago, autor do maravilhoso Ensaio sobre a Cegueira é outro entrevistado ilustre. Mas o mais impressionante depoimento não vem de um cineasta famoso, de um escritor premiado ou de médico de projeção. Vem de um homem simples. Arnaldo Godoy é vereador em Minas Gerais. Ele nasceu com uma doença congênita e, desde cedo, teve que usar óculos com lentes pesadas. Aos 11 anos, mal enxergava. Aos 17, perdeu completamente a visão. Godoy, em poucas palavras, conquista o espectador com uma história de superação. É um homem comum que também é um herói. Uma criança que teve que enfrentar uma privação gigantesca, mas que nunca desistiu. Seu depoimento é o mais tocante, o mais simples e, por isso mesmo, o mais belo.

No conjunto, Janela da Alma guarda características muito formais de um documentário. É, de certa maneira, preso a regras. Nunca chega a ser inovador, nem pretende isso. É um documentário sobre o olhar, mas aposta no falar. É aí que existe a dicotomia. Num filme sobre a visão não se brinca com o que se vê. A forma é completamente esquecida em detrimento dos depoimentos dos personagens, que são muito bons – não há como e nem porque negar. São eles que definem o filme, que o deixam mais belo, mas apenas um pequeno passo além daquilo que vemos num programa de TV bem feito.

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[Janela da Alma, Walter Carvalho e João Jardim, 2001]

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A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro

A liberdade da mente de uma criança permite viagens inimagináveis para uma pessoa adulta. Criança é livre para vôos imaginários em terras desconhecidas com seres fantásticos. Livre de padrões e de limites que o adulto constrói para cercear sua vida ao que se entende como real. Criança não precisa do real. Criança não precisa de muros. Pode ver fadas e guerreiros montados em dragões alados. Pode sumir e aparecer em outros lugares. Pode brincar de ser outra pessoa. De ser herói.

Os filmes de animação, curtos ou longos, sempre ajudaram a criança a compor seu imaginário de mitologias. Na cultura ocidental, isso se traduz em histórias mágicas, mas que estão presas a fórmulas que terminam em lições e que deixam personagens estereotipados. A Viagem de Chihiro é um filme japonês. Seu realizador, Hayao Miyazaki, o maior nome da animação naquele país, um dos maiores do mundo. A história da menina Chihiro é construída com base em figuras mitológicas da cultura oriental, que, como as crianças, é livre de um exército de amarras.

Aqui, não há moral da história. Uma garota embarca num mundo encantado e encontra seres diferentes e uma nova organização social. Tudo mágico. Tudo flutua. Ela entra e procura o caminho para sair. Não é preciso seguir estradas de tijolos amarelos ou encontrar magos. Basta continuar a brincadeira. Uma brincadeira que muito adulto ocidental não deve entender. Porque não tem grandes descobertas, grandes objetivos. A não ser o de fazer a sua imaginação se expandir e o seu coração dilatar.

A Viagem de Chihiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Sen to Chihiro no Kamikakushi, Hayao Miyazaki, 2001]

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Marie-Jo e Seus Dois Amores

Marie-Jo é uma mulher que tem um amante. Mas no seu caso não existe traição na sua concepçãao mais rasteira. Marie-Jo ama seu marido, com quem vive há anos e tem uma filha que acaba de chegar à idade adulta. Marie-Jo ama igualmente seu amante, sem o qual não consegue viver. Amar dois homens divide o tempo e a alma de Marie-Jo. Ela se sente completa e feliz apenas no momento em que faz amor com um dos dois.

Robert Guédiguian, o cineasta e o escritor deste filme, parte de uma premissa difícil de fugir do clichê, mas consegue resultados surpreendentes. Marie-Jo e Seus Dois Amores é um filme sobre preconceitos e pré-conceitos. Sobre o quanto se consegue amar. E sobre como fazer para amar plenamente. Ariane Ascaride é uma atriz de grande talento. Encarnar uma personagem tão rica quanto Marie-Jo é tarefa para poucas. Mas a atriz é intensa o tempo inteiro. É cheia. Perto do fim, o filme parece caminhar para uma solução fácil, mas rapidamente se vê que o que se espera pode não vir à tona.

Marie-Jo e Seus Dois Amores EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Marie-Jo et ses 2 Amours, Robert Guédiguian, 2001]

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Baran

A cinematografia iraniana talvez tenha sido a mais uníssona da última década. O cinema, quem diria, virou moda no país de Khomeini. A temática é cara a quase todos os cineastas que se destacam, do consagrado Abbas Kiarostami, que ficou na coluna do meio com seu clássico Através das Oliveiras a Jafar Panahi, que triunfou com seu difícil e bonitinho O Balão Branco. O foco é o dia-a-dia, a vida das pessoas simples do Irã. Tudo amarrado por uma narrativa que se aproxima do neo-realismo italiano pela estética nua e que muitas vezes se aproxima da metalinguagem.

Apesar de boas surpresas, os cineastas iranianos pecam pelo marasmo criativo. Os filmes se parecem muito uns com os outros, quando não soam experimentalismo puro, estética do choque. Quem consegue fugir disso é Mohsen Makhmalbaf, que não passou seu talento para a filha Samira. Em O Silêncio, Um Instante de Inocência e, sobretudo, Gabbeh, Mohsen une poesia e forma, criando obras admiráveis, que terminaram não dando sucessão a outros bons filmes na obra do cineasta. O realizador que mais poderia ser tido com sucessor de Makhmalbaf é Majid Majidi.

Majidi é um cineasta iraniano clássico. Conta histórias pequenas, de gente simples, explora o dia-a-dia. Mas sabe fazer filmes delicados. Seu melhor filme se chama Filhos do Paraíso, a história do menino que tem seus sapatos roubados e passa a dividir um único par com a irmãzinha. Fez um filme doce, triste e sem excessos. Baran, seu último trabalho, segue a linha da história bonitinha. Conta a de um pedreiro que se apaixona por um novato que aparece na construção e que guarda um segredo. Passo a passo, Majidi apresenta seus personagens. Sem pressa, com paciência. Envolve o espectador com a pequena história, mostra as dificuldades de seus personagens. Mas nunca passa do bonitinho. A fórmula de Baran é a mesma.

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[Baran, Majid Majidi, 2001]

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Bully

Quando Larry Clark estreou como diretor com Kids, em 95, o mundo se chocou com o retrato de uma juventude perdida entre as drogas, o sexo e a falta de perspectivas. Leo Fitzpatrick, Justin Pierce sobretudo Chloë Sevigny criaram personagens que vão muito além dos estereótipos do inconseqüente, do maluquinho ou da menina pura. Os três jovens atores criaram pessoas. O roteiro do depois cineasta Harmony Korine desenha um painel de um universo adolescente caótico, com pouca possibilidade de salvação. Kids chamou atenção não apenas pelas cenas fortes, mas porque parecia extremamente próximo da realidade e próximo da nossa esquina.

Na Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado, foi exibido Ken Park, último longa de Clark, co-dirigido por Ed Lachman. Mais uma vez, o cineasta invade o universo da juventude e sua nulidade de intenções. O filme acompanha quatro jovens da periferia de uma grande cidade e suas relações com o sexo. Ken Park incomodou muita gente porque realmente tinha cenas feitas com a intenção de chocar. Masturbação explícita entre elas. E também incomodou outras pessoas que perceberam uma limitação temática na obra do diretor. Apesar de circular o umbigo de seu filme de estréia, Larry Clark conseguiu contar algumas histórias interessantes. E só.

Agora estréia em circuito o filme anterior de Clark, Bully, realizado em 2001, que assegura ao espectador inteligente a farsa em torno do cineasta. Larry Clark somente sustenta sua obra pela idéia de que nossos jovens estão perdidos. E ponto. E para justificar sua teoria, ele toma para si uma história real de juventude transviada, mas consegue nos entregar um filme primário. Em Bully, um garoto recém-saído da adolescência não consegue se impor frente ao melhor amigo de infância, um pervertido sexual violento que o espanca com freqüência.

Sob a égide de história real, Clark patetiza as ações. Os desenhos dos personagens são precários e irreais e ignoram a compreensão dos adolescentes como pessoas reais. São apenas simulacros, preenchidos com as propostas do diretor para o que seriam eles e porque fariam aquilo tudo. A ânsia em mostrar a falta de noção de realidade dos garotos desdramatiza a narrativa, que fica incoerente e inverossímil, apesar de ser uma história verdadeira.

O personagem mais bem construído, o de Nick Stahl (que se confirma como excelente ator), também sofre com o roteiro. Nick passa da fúria para a doçura em dois tempos num papel difícil de fazer e fácil de cair na caricatura. O maluquinho de Michael Pitt é uma atração, embora resvale na caricatura algumas vezes, mas o rapaz tem um timing perfeito. Os outros ou estão corretos e estejam levados pela corrente do roteiro (Brad Renfro) ou não conseguem esconder a falta de talento (Rachel Miner, com caras e bocas de dar pena). Se a intenção de Bully é traçar um perfil da juventude perdida sobretudo norte-americana, é um fracasso total. Não porque a juventude seja muito diferente daquela, mas porque os estereótipos criados por Clark pra vender seu filme reforçam a visão fechada e preconceituosa que a própria humanidade tem de suas crianças.

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[Bully , EUA, 2001]

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Cidade dos Sonhos

David Lynch gosta de fazer ele mesmo muitos dos móveis que vemos em seus filmes. É um construtor por natureza. Seus trabalhos se apóiam em estruturas complexas que muitas vezes não são compreendidas e, às vezes, nem devem ser. A magia da obra de Lynch é justamente o mistério que envolve seus filmes e o elaborado caminho que o cineasta percorre para nos oferecer seu mistério. Lynch deve ser fruído e não necessariamente entendido. Cidade dos Sonhos é um filme clássico de David Lynch. Sua construção já é digna de aplauso e, mesmo que o espectador não compreenda todos os detalhes do filme, é possível perceber os toques geniais de seu diretor em cada pequena cena.

O filme tem a estrutura de um sonho. As cenas, objetos e personagens se rearranjam de acordo com os motivos de quem sonha. Nada é muito lógico. Nada é muito certo. Difícil até falar da história do filme, a princípio sobre a chegada de uma jovem pretendente a atriz em Hollywood e seu encontro com uma mulher que perdeu a memória depois de um acidente de carro. Mas nada é o que parece na filmografia de Lynch. Veludo Azul, A Estrada Perdida ou a antológica série Twin Peaks são obras extremamente cultuadas, mas que dificilmente serão entendidas por completo, em seus mínimos detalhes e intenções, e que ainda assim são deliciosas e instigantes.

Na melhor cena de Cidade dos Sonhos, a personagem de Naomi Watts participa de uma audição. Precisa passar pelo teste duas vezes para mostrar seu talento e brinda o espectador com uma transformação tão complexa quanto discreta, que revela não apenas uma poderosa atriz como define a questão de identidade que está no cerne do filme.

A estrada que Lynch percorre neste filme é uma estrada guiada pela frustração de alguém que não consegue ser outro, ser seu ideal. E pelos efeitos que isso pode ter na mente desse alguém. Para falar sobre os caminhos tortuosos da mente humana, sua especialidade, Lynch ergue um castelo de cartas que podem cair a qualquer momento. Um castelo erguido sob a égide do desejo, sob a conformidade do sonho. Genial e perigoso. Cai o rei de espadas… cai o rei de ouros… cai o rei de paus, cai… não fica nada. E então você acorda.

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[Mulholland Dr., David Lynch, 2001]

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Simplesmente Martha

A paixão pela culinária inspirou grandes filmes, quase que sempre acompanhados de belos romances. A Festa de Babette (87), Como Água para Chocolate (91) e Comer Beber Viver (94) utilizaram a comida para contar as histórias de lugares, famílias e amores. Em Simplesmente Martha (01), uma chef de cozinha somente percebe o quanto está isolada e dependente desse mundo de sabores quando tem que tomar conta da sobrinha depois da morte da irmã. A aproximação entre as duas, permeada pela comida, é o mote para o filme alemão. A neve esfria as relações, mas a diretora Sandra Nettelbeck foge dos clichês ao usar a delicadeza para conduzir a ação. Simplesmente Martha aposta na simplicidade e na paciência para aproximar personagens glaciais. Isso que faz a diferença.

Simplesmente Martha
[Bella Martha, Sandra Nettelbeck, 2001]

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Quem Sabe?

Jeanne Balibar, Sérgio Castellitto

Numa época em que o cinema francês tenta ficar mais pop e ganhar mais espectadores (como em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Pacto dos Lobos, ambos de 2001), Quem Sabe? pode parecer antiquado. Mas quem conhece um pouco da obra de Jacques Rivette, um dos cinco pilares da Nouvelle Vague, diz que o filme está um passo à frente do seu cinema tradicional: comunica-se melhor com o espectador. Nunca havia visto um filme do diretor e Quem Sabe? me impressionou.

Para a pergunta do título, a resposta é: ninguém. Neste filme, Jacques Rivette coloca seis personagens com vidas cruzadas a questionar suas vidas e motivações. Jeanne Balibar interpreta a estrela francesa de uma trupe de teatro italiana (palmas para a globalização!). Sua volta a Paris, depois de três anos longe, desperta uma série de desencontros e descobertas para muita gente. Rever decisões, caminhos tomados ou sonhos suspensos abala os personagens, que tentam, das mais diversas maneiras, encaminhar suas vidas.

O elenco, encabeçado pela perfeição de Jeanne Balibar, encarna os personagens com a medida necessária, mergulhando nas confusões de cada um. O cineasta abre a colméia e remexe as abelhas como um sinal para o espectador. Para fazer pensar. Rivette reserva para si mesmo o papel de mostrar a situação, mas não interfere nos destinos dos personagens. A seqüência final, perfeita, mostra que olhar para trás revela, mas necessariamente não muda muita coisa.

Quem Sabe? 
[Va Savoir, Jacques Rivette, 2001]

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Um Assunto de Meninas

A ingenuidade de Um Assunto de Meninas é seu maior trunfo. E seu maior problema também. A diretora Léa Pool conduz seu filme com delicadeza, contando as histórias de três adolescentes com problemas familiares que vivem num colégio interno. Mas falta alguma coisa. Falta um pouco de densidade para falar de assuntos tão sérios e tão enormes na vida de quem ainda não entrou na vida adulta. O belo trio de protagonistas se esforça para dar dignidade a suas personagens, mas empaca nos limites de seus potenciais de interpretação. Mischa Barton surge como uma promessa, mas se excede em expressões para causar pena. Ainda assim tem mérito. O roteiro abraça grandes temas, cria boas situações, mas peca ao recorrer a alguns clichês. O personagem de Graham Greene, o amigo exótico, é totalmente dispensável. O filme promete, mas nunca decola: mostra a vida que urge dentro de cada adolescente, mas esbarra num roteiro, que mesmo sendo sincero e simpático, parece ter saído das mãos de alguém que ainda não deixou o colegial.

Um Assunto de Meninas EstrelinhaEstrelinha
[Lost and Delirious, Léa Pool, 2001]

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