Snowden: Herói ou Traidor

Snowden

Snowden perde um pouco de seu poder aterrorizante se você assistiu, alguns dias antes, o documentário Zero Days, sobre como os EUA invadiram e desestabilizaram vários sistemas operacionais no Irã e podem e fazem o mesmo com você. Mas a história do homem que revelou o Big Brother da vida real patrocinado pela “América” ainda tem seu lado fascinante. A grande questão é que, na intenção de colocar Edward Snowden como herói solitário, posto com o qual certamente deve se identificar, Oliver Stone realiza uma biografia burocrática do “inimigo íntimo” número um da terra que elegeu Donald Trump.

Ainda que use uma montagem não-linear para dar mais dinâmica ao filme, Stone sempre esbarra em tentativas didáticas de mostrar os embates éticos do personagem. Joseph Gordon Levitt está correto como protagonista, a não ser pela incômoda ideia de emular o sotaque de Snowden, o que deixa cenas dramáticas quase engraçadas. Na ânsia de fazer um retrato fiel, Stone parece não estar muito disposto a experiências visuais, o que faz bastante diferença diante da história de um mestre dos computadores. A fotografia, geralmente acomodada, ajuda a passar esta impressão de frieza ao filme.

Há poucos momentos inspirados. O melhor deles é quando Snowden é confrontado por seu chefe numa sala de reuniões. Os dois falam por um telão, mas Stone gigantifica o personagem de Rhys Ifans, como se o embate homem contra sistema acontecesse diante de nossos olhos. A meia hora final funciona porque a tensão finalmente é adicionada ao filme e a reprodução das cenas do documentário Citizenfour ganham agilidade. O resto é clichê de um Oliver Stone sempre fadado a se repetir.

Snowden: Herói ou Traidor EstrelinhaEstrelinha½
[Snowden, Oliver Stone, 2016]

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