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Pequeno Segredo

Pequeno Segredo

A escolha de Pequeno Segredo para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro selou a sina do longa de David Schurmann: o drama familiar dirigido pelo velejador virou inimigo público número um da democracia por ter tirado a vaga de Aquarius do ringue hollywoodiano. Natural. O filme estrelado por Sonia Braga que se transformou em símbolo da luta contra o impeachment de Dilma Roussef seria, na visão de grande parte da população, o candidato natural ao pleito, enquanto o segundo trabalho de Schurmann sequer havia sido visto por alguém. Pequeno Segredo foi julgado, condenado e apedrejado com a mesma intolerância com que um homossexual ou uma mulher adúltera encontra em países regidos por fundamentalistas. Sequer foi visto, já era considerado execrável.

As coisas mudam a partir de agora, quando o filme finalmente chega aos cinemas. A avaliação, desta vez, é baseada em fatos reais, assim como a história do longa, que anuncia sua nobre origem já em seus créditos iniciais, com um lettering que cruza a tela seguido por uma marca d’água que repete a frase numa espécie de caligrafia clonada, como se Schurmann quisesse deixar claro, desde o começo, o lado humano da história. “Baseado em fatos reais” tem cada vez mais sido usado como referendo para qualquer tipo de obras, especialmente filmes, como se o fato de aquela história que está sendo contada fosse mais importante do que uma trama original. Em Pequeno Segredo, o carimbo ajuda a amaciar a inexperiência do diretor na ficção. Seu primeiro longa, Desaparecidos, que pode ser encontrado na íntegra no YouTube, não traz um exemplo muito eficiente de talento dramático.

Mas o novo filme parece um passo além. Pelo menos na maquiagem das inconsistências. Schurmann se cercou por colaboradores mais experientes, alguns até vencedores do Oscar; recrutou atores conhecidos, como Julia Lemmertz e Marcello Anthony, além de chamar Fionula Flanagan para uma participação especial; e parece realmente incumbido de contar uma história de maneira poética. A questão que seu senso de poesia, desde a marca d’água dos créditos, parece bastante questionável, seja visualmente quanto nos diálogos e no desenho dos personagens. O filme é cheio de imagens-clichê como a borboletinha virtual que dá suas caras aqui e ali, que só não incomodam mais do que a cena em que a personagem de Julia Lemmertz confronta a de Flanagan (que parece caçoar do espectador com sua vilã caricata), perguntando “o que é o amor?”.

O texto, coescrito por Marcos Bernstein, um dos autores de Central do Brasil, parece poesia ruim de aluno da quarta série. Sua incompetência falha quando a intenção é emocionar e só facilita o trabalho dos críticos, que não é tão simples, diante de uma história bonita de altruísmo e dedicação. O mais complexo na análise de um filme como Pequeno Segredo é que ele transborda boas intenções em cada cena. Schurmann dedica o filme a sua mãe e a sua irmã, o que é bastante coerente com o fato de que as duas são as protagonistas absolutas do longa. Num esforço de talvez tentar manter algum distanciamento da trama que está contando, uma história tão próxima dele, o diretor praticamente elimina a si mesmo e a seus irmãos como personagens do filme. Eles aparecem em algumas cenas, mas sem ser nominados, o que causa no mínimo um certo desconforto.

A fragilidade do filme revolta mais do que seu bom mocismo. Este parece ser um panfleto ideal para os tempos de hoje: seu visual envernizado serve para encobrir a falta de criatividade; sua armadura sentimental ajuda a esconder as inconsistências e a incapacidade de flexão dramática; e sua assinatura, “baseado em fatos reais”, é um escudo que protege tanto a falta de textura quanto o maniqueísmo de uma história que se pretende inspiradora. A comissão do Oscar estava certa mesmo: Pequeno Segredo é o representante natural para o Brasil neste momento obtuso em que vivemos.

Pequeno Segredo ★½
[David Schurmann, 2016]

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Paulina

Paulina

Em tempos de discussão sobre cultura do estupro, assistir Paulina é essencial. Mesmo que seja para não gostar. O filme argentino, coproduzido pelo brasileiro Walter Salles, ganhou o prêmio da Semana da Crítica em Cannes muito por causa das polêmicas que alimenta em relação à violência sofrida por sua protagonista. Santiago Mitre, roteirista de três filmes de Pablo Trapero, sabe bem como levar os dilemas ao extremo, alimentando cada situação com uma postura discutível de sua protagonista, que ganhou uma ótima intérprete em Dolores Fonzi, que tinha o principal papel feminino de Truman, que fez sucesso no circuito de arte brasileiro. Um dos pontos delicados do longa é quando percebemos o quanto Mitre é afeito a truques: ele abre o filme com uma discussão ideológica entre pai juiz e filha, que quer largar uma carreira promissora para fazer trabalhos sociais numa região pobre, afastada dos grandes centros. Esse dilema parece que vai estar na espinha dorsal da trama, mas Mitre transfere as discussões para uma questão mais impactante, a da violência sexual. Aborda todos os aspectos e tenta frustrar as expectativas do espectador com comportamentos e reações de Paulina. O longa é um remake de La Patota, de 1960, mas o filme original tinha uma diferença fundamental em relação ao trabalho de Mitre: a Paulina de 50 anos atrás era bastante religiosa, bem diferente da intelectual encarnada por Dolores Fonzi, o que ajudava a entender as decisões da protagonista. Um jogo um tanto maniqueísta, mas ainda assim interessante.

Paulina EstrelinhaEstrelinha½
[La Patota, Santiago Mitre, 2015]

Discutimos Paulina no episódio 26 do Cinema na Varanda.

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Festival do Rio 2015: diário de viagem – post 8

Grandma

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[Grandma, Paul Weitz, 2015]

Paul Weitz tem uma trajetória interessante no cinema. Começou dirigindo uma comédia popular adolescente, passou por um pequeno drama, atualizou uma franquia de sucesso, iniciou outra fracassada e agora foi às raízes do cinema indie americano. Grandma é um filme bem clichê. Tem todos os lugares comuns dos dramas familiares sobre parentes que têm muitas diferenças a resolver. Tem todos os vícios dos filmes independentes americanos, quilos de trilha sonora melancólica, personagens fora da casinha e uma tentativa ingênua de querer quebrar todas as expectativas. O ponto forte do filme é, sem dúvida, sua protagonista. Lily Tomlin está muito à vontade como a vovó lésbica, intelectual e alternativa que é procurada pela neta que quer fazer um aborto. Tomlin almoça a personagem com farofa, está deliciosa e cheia de vitalidade em todas as cenas e dribla a mesmice do roteiro com muita propriedade.

Já Sinto Saudades

Já Sinto Saudades EstrelinhaEstrelinha½
[Miss You Already, Catherine Hardwicke, 2015]

Filme de doença alto astral virou uma espécie de gênero do cinema nos últimos tempos. De A Culpa é das Estrelas até Eu, Você e a Garota que Vai Morrer, muitos títulos se aventuram por esta missão. Já Sinto Saudade se encaixa perfeitamente nessa vertente: é um longa solar sobre uma mulher solar que descobre estar com câncer. E também é um filme sobre uma amizade de mais de décadas. Catherine Hardwicke passa por todas as etapas do processo da doença – descoberta, tratamento, despedida – com eficiência e sensibilidade, mas o filme nunca se mostra especial ou orginal. Escalar Toni Collette e Drew Barrymore é jogo baixo porque elas são provavelmente as atrizes mais legais do mundo e ninguém quer vê-las sofrer.

Ruth & Alex

Ruth & Alex EstrelinhaEstrelinha
[5 Flights Up, Richard Loncraine, 2014]

Ruth & Alex parece um daqueles filmes para pagar as contas ou garantir a cota para produções estreladas/destinadas à terceira idade. Diane Keaton e Morgan Freeman mereciam bem mais do que um drama genérico sobre o valor que damos a nossa própria história e sobre a força do indivíduo diante do sistema. Ainda que seja simpático, o filme de Richard Loncraine – saudades de Ricardo III – entra num esquema de alternar humor e melodrama extremamente comum para este “gênero” de filme. Os flashbacks são completamente dispensáveis e só criam uma barriga desnecessária para algo que já estava bem engessado.

Short Skin

Short Skin EstrelinhaEstrelinha½
[Short Skin, Duccio Chiarini, 2014]

Short Skin revela uma vontade enorme de fazer um típico filme indie americano em plena Itália. Do protagonista magrelo e tímido ao uso meio exagerado de uma trilha melancólica com canções de bandas independentes, o longa de Duccio Chiarini incorpora os trejeitos do gênero ao cotidiano de uma típica família italiana. O roteiro trata uma operação de fimose como uma esquisitice médica e segue empurrando o protagonista por situações simples que se tornam mais complexas apenas por causa dele, outra máxima do filme indie (a irmã espertíssima é mais uma). O filme é simpático, mas nunca se arrisca, numa mostra alguma assinatura e acredita demais na fofura de tudo aquilo.

Transtorno

Transtorno EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Maryland, Alice Winocour, 2015]

O segundo longa da diretora Alice Winecour consegue traduzir bem o trauma de um ex-soldado que volta da guerra, mas acha que ela continua a sua volta. A história não é das mais originais, mas Winecour consegue retratar os problemas psicológicos do protagonista num filme claustróbico e angustiante. Principalmente porque não existe um inimigo à vista ou um motivo evidente. Matthias Schoenaerts defende bem a personagem que se transforma no segurança pessoal da esposa de um homem rico. A mansão onde acontecem a maior parte das cenas ajuda a dar a estabelecer o clima de terror e os delírios do protagonista ganham proporções ainda maiores nesse ambiente desolado. Embora não seja especialmente um grande filme, Transtorno dá conta do recado tanto na construção da ambiência quanto na tarefa de funcionar enquanto thriller.

Truman

Truman EstrelinhaEstrelinha½
[Truman, Cesc Gay, 2015]

Assim como o filme de Hardwicke, Truman, do catalão Cesc Gay, tenta olhar para seu protagonista doente sem comiseração. Um dos trunfos do filme é apontar o foco para o momento de descoberta da gravidade do problema em vez de mostrar o processo gradativo de sofrimento da personagem. Truman também é um “filme de Ricardo Darín”, quase um subgênero cinematográfico que passeia pelo agridoce com muito humor e algumas delicadezas para agradar um público mais velho que geralmente associa esse tipo de filme a uma obra de arte. Embora mantenha a sobriedade e o equilíbrio durante um bom tempo, Gay comete alguns deslizes melosos aqui e ali, como na cena em que o protagonista chama os amigos para fazer uma “grande revelação”. O resultado fica fragilizado, mas ainda é honesto. A química entre Darín e Javier Cámara funciona muito bem.

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Branco Sai, Preto Fica

Branco Sai, Preto Fica

Uma ficção-científica caseira em forma de manifesto contra o status quo. O novo filme de Adirley Queirós, Branco Sai, Preto Fica, resgata o espírito revolucionário dos filmes de Rogério Sganzerla e André Luiz Oliveira, reprisando, inclusive, sua criatividade para explorar os recursos escassos que os financiavam. Queirós volta a buscar os limites entre documentário e ficção como em seu primeiro longa, A Cidade é uma Só?, utilizando atores com deficiências físicas para interpretar personagens que lidam com as consequências da violência policial. O diretor se inspira em casos reais, vividos por conhecidos dele, vítimas da brutalidade.

A denúncia social está ali, como subtexto que quase o tempo todo volta à superfície, mas o formato de brincadeira, com um terceiro protagonista, Dilmar Durães, na pele de viajante do futuro que investiga o que aconteceu com os dois primeiros, areja a postura política do longa. A criatividade das tramas criadas por Adirley Queirós colocam o diretor numa posição de vanguarda no atual cinema brasileiro. Nenhum cineasta dos dias de hoje assume tantos riscos e se predispõe a tocar em temas tão fortes de uma maneira tão pouco convencional. O filme tem um problema de ritmo que atrapalha um pouco o fluxo da história, mas que cabe em seu formato de panfleto libertário. Queirós reitera sua condição de cineasta imprevisível – e por isso mesmo muito interessante.

Branco Sai, Preto Fica EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Branco Sai, Preto Fica, Adirley Queirós, 2014]

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Estreias nos cinemas brasileiros: 1987

007 – Marcado para a Morte
Agonia
Alguém Muito Especial
Allan Quatermain em A Cidade do Ouro Perdido
Amor Bruxo
Anjos da Noite
Anjos do Arrabalde
Arizona Nunca Mais
Armados e Perigosos
Assassinato nos Estados Unidos
Assim é a Vida
Ataque, O
Aventureiros do Fogo, Os
Baixo Gávea
Bela Adormecida, A
Berlin Affair
Besame Mucho
Betty Blue – 37,2º de Manhã
Braddock 2 – O Início da Missão
Branca de Neve e os Sete Anões
Brasa Adormecida
Brincando com Fogo
Bruxas de Eastwick, As
Calafrio
Caminhos Violentos
Camorra
Cangaceiro Trapalhão, O
Casa do Espanto 2, A
Casa do Espanto, A
Chico Rei
Chuva de Chumbo
Click! A Máquina do Amor
Clube Paraíso
Comando de Ataque
Comboio do Terror, O
Companhia dos Lobos, A
Confissões de um Adolescente
Conta Comigo
Contos Assombrosos
Cor do Dinheiro, A
Cor do Seu Destino, A
Coração Satânico
Coronel Redl
Crack: Conexão da Morte
Criador
Crimes do Coração
Crocodilo Dundee
Curtindo a Vida Adoidado
Dança dos Bonecos, A
Dançando com um Estranho
De Volta às Aulas
Declínio do Império Americano, O
Desejo de Matar 3
Destemido Senhor da Guerra, O
Detrás das Grades
Diabo no Corpo
Difícil Arte de Amar, A
Divórcio Complicado, Um
Dois Policiais em Apuros
Duas Vidas de Mattia Pascal, As
Ele, o Boto
Encontro às Escuras
Era do Rádio, A
Eu
Execução Sumária
Exterminador do Século 23, O
Exterminador Implacável, O
Falcão – O Campeão dos Campeões
Fantasmas Trapalhões, Os
Fievel – Um Conto Americano
Filhos do Silêncio, Os
Filme Demência
Fonte da Saudade
Fulaninha
Garota de Trieste, A
Garoto que Podia Voar, O
Guerra do Brasil
Henrique 4
Highlander, o Guerreiro Imortal
História de O – Parte 2, A
Hora da Zona Morta, A
Hora das Criaturas, A
Hóspede do Barulho, Um
Ilusionista, O
Instinto Devasso
Intocáveis, Os
Invasores de Marte
Janela para o Amor, Uma
Janela Suspeita, Uma
Jornada nas Estrelas 4 – A Volta para a Terra
Jubiabá
Keruak – O Exterminador de Aço
La Bamba
Ladrona, A
Leila Diniz
Limite da Traição, O
Loucademia de Polícia 4
Lua de Mel Assombrada
Maldição de Samantha, A
Malone
Mandroid, o Exterminador
Manequim
Manhã Seguinte, A
Maquina Mortífera
Massacre da Serra Elétrica 2, O
Memórias de um Espião
Meu Marido de Batom
Minha Doce Motorista
Missão Ninja, A
Missão, A
Mistério da Viúva Negra, O
Momentos Decisivos
Mona Lisa
Morrer Mil Vezes
Mosca, A
Mulher do Chefe, A
Nada em Comum
Ninja – Programado para Matar
Noite
Noite Alucinante, Uma
Noite das Brincadeiras Mortais, A
Noite de Desamor
Noite dos Arrepios
Nome da Rosa, O
Onze para o Inferno
Otello
País dos Tenentes, O
Pânico em Kilimanjaro
Peggy Sue – Seu Passado a Espera
Pelotão de Guerra
Pequena Loja de Horrores, A
Perigosamente Juntos
Pesadelo 2 – A Vingança de Freddy
Piratas
Platoon
Por Favor, Matem Minha Mulher
Por Volta da Meia-Noite
Predador, O
Projeto Secreto – Macacos
Quadrilha da Mão, A
Que Sorte Danada
Quicksilver – O Prazer de Ganhar
Rapto do Menino Dourado, O
Re-Animator – A Volta dos Mortos-Vivos
Regresso para Bountiful, O
Resgate Infernal
RoboCop – O Policial do Futuro
Rockmania
Romance de Murphy, O
Salve-me Quem Puder
Sede de Amar
Segredo do Meu Sucesso, O
Selvagem da Motocicleta, O
Sem Perdão
Sem Tempo para Morrer
Sexo Frágil
Sexta-Feira 13 – Parte 6 – O Túmulo do Horror
Show de Horrores
Sobre Ontem à Noite
Somente Entre Amigas
Super-Homem 4: Em Busca da Paz
Terror no Espaço
Tira da Pesada 2, Um
Tomara Que Seja Mulher
Tornado – A Missão Continua
Totalmente Selvagem
Transformers – O Filme
Trapalhões no Auto da Compadecida, A
Trem para as Estrelas, Um
Tremenda Confusão, Uma
Três Amigos
Três Solteirões e um Bebê
Troll, o Mundo do Espanto
Tubarão 87 – A Vingança
Turma da Mônica e o Bicho Papão, A
Últimos Durões, Os
Ursinhos Carinhosos 2
Urubus e Papagaios
Veludo Azul
Vera
Verão Vermelho
Violetas São Azuis, As
Visão do Terror, A
Vitória dos Mais Fracos, A
Vozes do Além
Warbus – Ônibus de Guerra

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Oscar 2016: primeiras apostas e especulações

Oscar 2016

Enquanto você está aí, em frente ao computador, Hollywood ferve. A batalha pelo Oscar 2016 começou no dia seguinte à vitória de Birdman no Fuji Theatre. De um lado, os estúdios começam a eleger seus favoritos, empurrando suas estreias para o fim do ano, para que os filmes sejam mais facilmente lembrados por críticos e pela Academia. Do outro, blogues, sites e jornalistas especializados dão seus tiros no escuro, usando perfis, assinaturas e star powers para determinar quem tem chances na disputa do ano que vem mesmo sem ter visto os filmes. Muitos ainda nem ficaram prontos. A movimentação, ao longo dos próximos meses, termina provocando um buzz que, em maior ou menor grau, influencia a corrida.

Neste ano, grandes jogadores voltam ao embate. Steven Spielberg se reúne com Tom Hanks no drama de guerra Bridge of Spies, enquanto David O. Russell reprisa a parceria com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper em Joy. Todd Haynes dirige Cate Blanchett em Carol e Leonardo DiCaprio estreia sob a batuta de Alejandro Gonzalez Iñarritu em The Revenant. O indie do ano promete ser Brooklyn, com Saoirse Ronan, mas Quentin Tarantino entrega seu novo filme, The Hateful Eight. Gus Van Sant visita a floresta dos suicidas com Matthew McConaughey em The Sea of Trees e Michael Fassbender vive Steve Jobs no filme de mesmo título, assinado por Danny Boyle. Só pra começar.

Com tanta gente de peso envolvida, vale a pena lançar as primeiras apostas sobre o Oscar do ano que vem. Tudo no escuro. Mais uma divertida tentativa de antecipar os passos da Academia. No decorrer do ano, uns vão subir, outros sumir, novos jogadores aparecerão e alguns filmes serão adiados pro ano que vem. Minhas primeiras apostas são estas aqui.

filme

minhas apostas

Bridge of Spies, Steven Spielberg
Brooklyn, John Crowley
Carol, Todd Haynes
The Hateful Eight, Quentin Tarantino
Joy, David O. Russell
Our Brand is Crisis, David Gordon Green
The Revenant, Alejandro Gonzalez Iñarritu
The Sea of Trees, Gus Van Sant
A Travessia, Robert Zemeckis

no páreo: Beasts of No Nation, Cary Fukunaga; The Danish Girl, Tom Hooper; Demolition, Jean-Marc Vallee; O Coração do Mar, Ron Howard; Suffragette, Sarah Gavron.

direção

minhas apostas

Alejandro González Iñárritu, The Revenant
Gus Van Sant, The Sea of Trees
John Crowley, Brooklyn
Steven Spielberg, Bridge of Spies
Todd Haynes, Carol

no páreo: Cary Fukunaga, Beasts of No Nation; David Gordon Green, Our Brand is Crisis; David O. Russell, Joy; Quentin Tarantino, The Hateful Eight; Tom Hooper, The Danish Girl.

ator

minhas apostas

Bryan Cranston, Trumbo
Eddie Redmayne, The Danish Girl
Jake Gyllenhaal, Demolition
Leonardo DiCaprio, The Revenant
Michael Fassbender, Steve Jobs

no páreo: Ian McKellen, Mr. Holmes; Joaquin Phoenix, Irrational Man; Matthew McConaughey, The Sea of Trees; Tom Courtenay, 45 Years; Tom Hanks, Bridge of Spies.

atriz

minhas apostas

Cate Blanchett, Carol
Charlotte Rampling, 45 Years
Jennifer Lawrence, Joy
Lily Tomlin, Grandma
Saoirse Ronan, Brooklyn

no páreo: Carey Mulligan, Suffragette; Marion Cotillard, Macbeth; Meryl Streep, Ricky and the Flash; Naomi Watts, Demolition; Sandra Bullock, Our Brand Is In Crisis.

ator coadjuvante

minhas apostas

Cillian Murphy, O Coração do Mar
Idris Elba, Beasts Of No Nation
Ken Watanabe, The Sea of Trees
Mark Rylance, Bridge of Spies
Tom Hardy, The Revenant

no páreo: Chris Cooper, Demolition; Emory Cohen, Brooklyn; Forest Whitaker, Southpaw; Jesse Eisenberg, The End of the Tour; Samuel L. Jackson, The Hateful Eight.

atriz coadjuvante

minhas apostas

Amy Ryan, Bridge of Spies
Diane Ladd, Joy
Helena Bonham Carter, Suffragette
Julie Walters, Brooklyn
Rooney Mara, Carol

no páreo: Helen Mirren, Trumbo; Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight; Melissa Leo, Snowden; Meryl Streep, Sufragette; Naomi Watts, The Sea of Trees.

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Força Maior

Força Maior

O instinto de sobrevivência tirou Tomas da mesa naquele almoço na estação de esqui. Uma reação instantânea ao medo da morte que custou a ele a confiança de sua família. Afinal, o que nos move?, questiona o cineasta Ruben Östlund. O protagonista de Força Maior precisa arcar com as consequências de ter agido por impulso num momento de perigo. O filme coloca Tomas no meio de um dilema que ele tenta evitar a qualquer modo. Ele acha o que aconteceu tão inconcebível que nega sua atitude de autopreservação não apenas para os outros, mas para si mesmo. A força maior do filme de Östlund não é a natureza, mas a natureza humana. E o diretor nos enche de perguntas e reflexões. Retirados todos os construtos da sociedade, o que sobra na nossa essência? Como lidar com o animal que guardamos dentro de nós?

É tão devastador perceber o quão primitiva é nossa alma que a Tomas sobra apenas a possibilidade de ficcionalizar a vida. Suas tentativas de colocar panos quentes no problema parecem ações desesperadas de homem que olhou para dentro de si mesmo e viu algo que não gostaria de ver. O debate moral é a base do trabalho de Östlund e o sueco se revela um ótimo manipulador de ânimos. Ao espectador é dado a incômoda tarefa de escolher um lado. Da mesma maneira que o ato de “covardia” gera repulsa, o medo do protagonista de perder tudo aquilo que construiu pede compaixão. O cineasta constrói o trauma da personagem nos moldes do melodrama familiar gélido como manda a tradição escandinava, mas talvez apresente tantos “finais” antes da solução que encontra para a trama que o desfecho, que parece servir para empatar as coisas para o marido, diminui um pouco o impacto da discussão. Mas o estrago na relação com a esposa, com os filhos e com ele mesmo já está feito.

Força Maior EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Force Majeure, Ruben Östlund, 2014]

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Top Ten: The Trapalhões’ best movies

Texto publicado em português originalmente no dia 6 de agosto de 2013.

‘I am from Northeast. And if there’s something that someone from that region does all the time is changing from right to not so right.’ The quote from Severino do Quixadá, Renato Aragão’s role, when he talks to the Witch Fairy, played by Bruna Lombardi in O Cangaceiro Trapalhão, released 31 years ago, is a good example how the Brazilian comedy blockbuster had, in higher or lower degree, an acute view on the Brazilian’s economic status. Coincidently, it’s in the Northeast the best movies of Didi, Dedé, Mussum and Zacarias take place. Among outlaws and street entertainers, vagabonds and gold hunters, the Trapalhões helped to form Brazilian generations, either in crowded movies or in front of the TV screen. From now on, I list my troupe’s favorite movies which cannot be separated from my childhood as much as the whole country’s childhood.

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas

10 The Trapalhões in the Planets’ War
[Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, Adriano Stuart, 1978]

One of the most Brazilian all time’s shamelessness movies, The trapalhões in the Planets’ war is a Star Wars copy-cat, that sucks in the characters’ visual such as Darth Vader, Luke Skywalker and Chewbacca to a prince’s tale stared by Pedro Aguinaga – at that time, he was elected the most handsome man in Brazil – who lands on Earth to get help to face enemies in his native planet. It was one of the five movies directed by Adriano Stuart. The visual effects and the art direction are quite bad, which gave the movie an trash-cult aura, that went far beyond Brazilian borders as the Brazilian Star Wars. Maybe because of the low budget, the movie has several scenes without a single dialogue. Long scenes where people stage fights, dance or whatever. The electronic sound track in the Giorgio Moroder style helps to move the story forward, creating a few hypnotic moments that make believe the movie is more interesting than it is really. In the same mood, TV hostess Christina Rocha makes an entrée, without any purpose or any line.

O Trapalhão no Planalto dos Macacos

9 The Trapalhão in the Ape’s Plateau
[O Trapalhão no Planalto dos Macacos, J.B. Tanko, 1976]

A more careful production on one side; on the other hand, less ambitious. It turns out to be another American blockbuster’s sarcastic copy-cat. (By the way, it copies two blockbusters at the same time since the opening scene is a – delicious – joke on Steven Spielberg’s Jaws). Here, at least, there is some concern to put Brazilian reality in the spotlight. Renato Aragão e Dedé Santana’s characters are mistaken by thieves and, along with the cop who chases them, stared by Mussum, in his Trapalhões’s debut, enter in a balloon that travels to a planet conquered by apes. The low budget costumes and make-up give the movie a craft stroke that works just fine so the Trapalhões present their gags, which gave the movie some international fame as a cult and trash piece of art.

O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão

8 The Trapalhão in the King Solomon’s Mines
[O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, J.B. Tanko, 1977]

The biggest Trapalhões’ blockbuster had not yet the presence of the ‘mineiro’ Zacarias, but had a lot to say on how the group would work together. The plot unfolds as the three protagonists apply stings, make-shift quarrels to make money with the bets. In a single package, the Trapalhões reflected the ‘jeitinho brasileiro’(the Brazilian lifestyle), as they philosophize about the economic hardship which would force the population to struggle to make the ends meet. In fact, this would become a group’s trade mark. What comes next is one more screenplay the group made of a legendary character or story, a little more simple, but with delicious moments, such as the scenes the trio meets the witch played by Vera Setta, who became a nightmare for an entire Brazilian generation.

O Cinderelo Trapalhão

7 The Cinderella Trapalhão
[O Cinderelo Trapalhão, Adriano Stuart, 1979]

The final scene is a classic of the afternoon sessions: every ‘trapalhão’ gets a portion of land as a reward for having saved a farm to a cowboy, but Cinderelo, Renato’s character, gets the smallest share. When he digs in his small yard, to bury the shit from his goat Gumercindo, he finds oil, the black gold . Everyone cheers and the movie ends with the frozen image of the Trapalhões, jumping with joy. It is the end, The Trapalhões poke the Brazilian feudal society, which crackdowns on the working class by force. There are a lot of funny scenes, especially when Renato Aragão plays an Arabic prince and Dedé pretends to be an Mexican. Dino Santana, Dedé’s brother, plays along with him an acrobatic and magnificent fight.

Os Trapalhões na Serra Pelada

6 The Trapalhões in Serra Pelada
[Os Trapalhões na Serra Pelada, J.B.Tanko, 1982]

The first Trapalhões movie I watched in a movie theather and, possibly, my first expericence before the big screen, is an irregular movie, which begins very well, exploring an essencial subject at the time in Brazil, the gold mining, showing the quartet had a close interest in Brazilian history. The movie balances between one of the best movie’s sound tracks with an interesting portrait of the human anthill, but the script varies to a more common adventure which, despite showcases the gold mining’s power, targets long fights sometimes played by the army, which gives an official tone to the movie, and ranks the trio way below the rest. The music stands out above the group. Procurei Teresa,(I looked for Teresa) sung by Didi and Dedé and , and “Perdi Minha Nega num Forró″,(I lost my girl in the ball room) wonderful performance of Zacarias (both in the sequence with the participation of the brilliant instrumentist Sivuca and a feminine chorus) are genious.

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Globo de Ouro 2013: indicados

Novas previsões para o Oscar 2014, já sob o impacto dos indicados ao SAG e ao Globo de Ouro.

O Globo de Ouro anunciou hoje seus indicados e 12 Anos de Escravidão, que não tinha começado bem a temporada de prêmio, mas se recuperou ontem com a lista do Screen Actors Guild of America, se firma como o favorito para o Oscar 2014. O longa de Steve McQueen recebeu indicações para as categorias de filme dramático, direção, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro e trilha. Seu maior rival é Trapaça, de David O. Russell, que já tinha surpreendido com o prêmio dos críticos de Nova York, e recebeu menções em filme de comédia, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e roteiro. Capitão Phillips teve suas forças renovadas com indicações importantes, mas Walt nos Bastidores de Mary Poppins fracassou quase que totalmente, só sobrando espaço para Emma Thompson. Mas o grande perdedor do dia foi O Mordomo da Casa Branca, que não teve uma menção sequer, nem a esperada indicação para Oprah Winfrey, algo meio impensável diante da tendência da Associação dos Jornalistas Estrangeiros de celebrar estrelas, vide as indicações de Leo Di Caprio e Bradley Cooper. Surpreenderam as nominações de Greta Gerwig, por Frances Ha, e Julie Delpy, por Antes da Meia-Noite.

Quem ganha:

> Capitão Phillips, que andava meio desacreditado
Philomena, lembrado em três categorias
Rush, com uma surpreendente indicação a melhor filme
Idris Elba, Mandela: Long Walk to Freedom, que ganhou visibilidade inédita
Robert Redford, All Is Lost, esnobado pelo SAG
Barkhad Abi, Capitão Phillips, que agora se torna quase um lock entre os coadjuvantes
Julia Roberts, Álbum de Família, que também vira uma quase certeza
Sally Hawkins, Blue Jasmine, que ganha um impulso com essa menção

Quem fica na mesma:

12 Anos de Escravidão, que continua favorito
Trapaça, que permanece como ameaça
Ela, que se reafirma como azarão
Jared Leto, Dallas Buyers Club, firme como um dos favoritos

Quem perde:

O Mordomo da Casa Branca, zero indicações
Oprah Winfrey, O Mordomo da Casa Branca, que perde a condição de favorita
Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street, que não achou vaga entre os diretores
Tom Hanks, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, duplamente ignorado por SAG e GG
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street, que só ganharia forças para se lançar aqui
Octavia Spencer, Fruitvale Station, que parece ter sumido do mapa

Globo de Ouro

Novas previsões para o Oscar 2014, já sob o impacto dos indicados ao SAG e ao Globo de Ouro.

indicados ao Globo de Ouro 2013

filme dramático

12 Anos de Escravidão, Steve McQueen
Capitão Phillips, Paul Greengrass
Gravidade, Alfonso Cuarón
Philomena, Stephen Frears
Rush, Ron Howard

filme comédia ou musical

Ela, Spike Jonze
Inside Llewyn Davis, Joel & Ethan Coen
O Lobo de Wall Street, Martin Scorsese
Nebraska, Alexander Payne
Trapaça, David O. Russell

direção

Alexander Payne, Nebraska
Alfonso Cuarón, Gravidade
David O. Russell, Trapaça
Paul Greengrass, Capitão Phillips
Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão

ator dramático

Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão
Idris Elba, Mandela: Long Walk to Freedom
Matthew McConaughey, Dallas Buyers Club
Robert Redford, All Is Lost
Tom Hanks, Capitão Phillips

atriz dramática

Cate Blanchett, Blue Jasmine
Emma Thompson, Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Judi Dench, Philomena
Kate Winslet, Labour Day
Sandra Bullock, Gravidade

ator comédia ou musical

Christian Bale, Trapaça
Bruce Dern, Nebraska
Joaquin Phoenix, Ela
Leonardo DiCaprio, O Lobo de Wall Street
Oscar Isaac, Inside Llewyn Davis

atriz comédia ou musical

Amy Adams, Trapaça
Greta Gerwig, Frances Ha
Julia Louis-Dreyfus, À Procura do Amor
Julie Deply, Antes da Meia-Noite
Meryl Streep, Álbum de Família

ator coadjuvante

Barkhad Abdi, Capitão Phillips
Bradley Cooper, Trapaça
Daniel Brühl, Rush
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão
Jared Leto, Dallas Buyers Club

atriz coadjuvante

Jennifer Lawrence, Trapaça
Julia Roberts, Álbum de Família
June Squibb, Nebraska
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão
Sally Hawkins, Blue Jasmine

roteiro

12 Anos de Escravidão, John Ridley
Ela, Spike Jonze
Nebraska, Bob Nelson
Philomena, Jeff Pope & Steven Coogan
Trapaça, David O. Russell & Eric Warren Singer

Azul é a Cor Mais Quente

filmes estrangeiro

Azul É a Cor Mais Quente, Abdellatif Kechiche
A Caça, Thomas Vintenberg
A Grande Beleza, Paolo Sorrentino
O Passado, Ashgar Farhadi
The Wind Rises, Hayao Miyazaki

animação

Os Croods, Kirk De Micco & Chris Sanders
Frozen – Uma Aventura Congelante, Chris Buck & Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2, Pierre Coffin & Chris Renaud

trilha sonora

12 Anos de Escravidão, Hans Zimmer
All Is Lost, Alexander Ebert
Gravidade, Steven Price
Mandela: Long Walk to Freedom, Alex Heffes
A Menina Que Roubava Livros, John Williams

canção

“Atlas”, Jogos Vorazes: Em Chamas
“Let It Go”, Frozen
“Ordinary Love”, Mandela: Long Walk to Freedom
“Please Mr. Kennedy”, Inside Llewyn Davis
“Sweeter Then Fiction”, One Chance

Novas previsões para o Oscar 2014, já sob o impacto dos indicados ao SAG e ao Globo de Ouro.

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Guia de sobrevivência na Mostra de Cinema de São Paulo

Nos 15 anos em que eu acompanho a Mostra de Cinema de São Paulo, aprendi algumas lições. Na correria de um festival como este, com quase 400 filmes no catálogo, cinemas espalhados pela cidade e intervalos apertados entre as sessões, é impossível sair ileso. O cansaço e a própria natureza do evento nos faz perder alguns filmes, desistir de sessões e privilegiar o que nem sempre é prioridade. Por isso, listo aqui algumas dicas para você otimizar sua programação.

Child's Pose

1 Evite filmes programados para estrear.

A dica é direcionada para quem gostar de ver filmes que dificilmente vão ganhar espaço no circuito comercial brasileiro. Cinematografias pouco tradicionais, filmes com longa duração, filmes raros que estão sendo exibidos em cópias restauradas. Investindo neles você aumenta seu leque de filmes vistos e não corre o risco de gastar um precioso ingresso da Mostra com um filme que vai estrear duas semanas depois. Porém, é preciso ter em mente que a previsão de estreia nem sempre se concretiza, o que nos leva à segunda dica.

2 Se você quer muito ver um filme, não deixe passar essa oportunidade.

O circuito comercial é uma bagunça. Mesmo que o filme tenha sido comprado por uma distribuidora, isso nem sempre significa que ele vai ser exibido num cinema perto de você. Então, se você está ansioso por esse ou aquele filme, corra para garantir seu ingresso porque você não vai se perdoar se a estreia dele for adiada ou cancelada. Um exemplo é À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, exibido no festival de 2007. O filme estava comprado, com data de estreia marcada, mas terminou só chegando ao circuito três anos depois.

3 Evite filmes brasileiros à noite.

Nossa safra de filmes brasileiros vai muito bem, obrigado, mas se você não fizer parte da equipe de um deles, fuja das sessões noturnas desses longas. Principalmente se for a primeira exibição na Mostra. Geralmente, os horários “nobres” são utilizados para fazer a premiére dos filmes na cidade. Ou seja, o diretor é chamado para falar sobre o trabalho, sempre chama a equipe para a frente da tela, apresenta um a um, o que é ótimo para valorizar o cinema brasileiro, mas é péssimo para quem tem sessão marcada duas horas depois. Prefira sessões mais cedo. O mesmo vale para filmes estrangeiros com diretores presentes no evento.

4 Reserve seu ingresso o quanto antes.

Chegar em cima da hora da sessão para tentar um ingresso é suicídio em época de Mostra. Os cinéfilos são um pessoal maluco, que garante sua entrada dias antes do filme ser exibido. Melhor comprar pela internet ou, caso você tenha um dos pacotes, retirar o ingresso assim que ele for liberado. Se deixar para comprar no dia, chegue cedo, de preferência quando a bilheteria abrir. E vá decidido. Ficar escolhendo os filmes no caixa gera fila, enfurece quem está esperando e pode fazer você chegar atrasado à sessão.

5 Reserve tempo entre um filme e outro. E escolha cinemas próximos.

Lembre-se sempre: as sessões da Mostra não são iguais às sessões do circuito comercial. Elas atrasam. Os filmes chegam em cima da hora, o cara que faz a legenda some, os arquivos travam. Pode acontecer uma infinidade de problemas que atrapalham a projeção, então, melhor se garantir reservando um espaço maior entre um filme e outro. Pelo menos meia hora. E o mais importante: escolha cinemas próximos um do outro. Melhor abrir mão desse ou daquele filme e passar um período maior (ou o dia inteiro) num cinema para não correr o risco de perder alguma sessão.

Inside Llewyn Davis

6 Escolha poltronas perto das saídas.

Os tempos são de correria e não dá para bobear se você tem um filme marcado para logo depois da sessão que você vai assistir agora. Portanto, reserve sua poltrona perto das saídas para que você possa correr se precisar. Cadeiras “acessíveis” evitam que você fique preso numa fila pós-sessão, atrás de gente que está na sua frente, mas muito menos apressada que você. Depois de algumas sessões, você não vai querer outra coisa.

7 Lista de espera funciona.

Não se desespere se você não conseguir o ingresso para a sessão que tanto queria. Chegue cedo e peça para por seu nome na lista de espera. Muita gente que retira os ingressos não consegue chegar a tempo da sessão e o pessoal do cinema geralmente libera a entrada de mais uma dez, quinze pessoas. Portanto, quanto antes você colocar seu nome da lista, mais chances de você assistir seu filme, mesmo que perca os primeiros minutos da sessão.

8 Leve água e lanche na mochila.

No corre-corre da Mostra, é dificil arranjar tempo para comer. Melhor garantir seu lanche, levando as guloseimas na mochila. A solução, além de mais prática, também é bem mais barata porque, convenhamos, os preços dos lanches nas salas de cinema estão cada vez mais abusivos. Levando o lanchinho de casa, você economiza, não passa fome e não perde seu precioso tempo para fazer xixi, conversar com os amigos e se locomover entre uma sessão e outra.

9 Tenha sempre um plano B.

Importantíssimo. Em qualquer festival que se preze, a programação muda constantemente pelos mais variados motivos. Resultado: o filme que você tinha agendado pode não passar mais ou você pode não chegar a tempo de uma sessão porque a anterior atrasou. Quando isso acontece, quem tem uma segunda opção geralmente se sai melhor. Se você sabe o que está passando em horários intermediários e salas vizinhas, evita consultar a programação pela enésima vez, não perde tempo e se encaminha para seu plano B, que pode até surpreender.

10 Troque ideias nas filas.

Os guias ajudam, mas não fazem todo o trabalho. Eles apostam em filmes que fizeram sucesso em festivais, que têm chances de concorrer ao Oscar ou em diretores famosos, mas ignoram filmes que não tem pedigree. Muitos favoritos dos festivais surgem no boca-a-boca. Principalmente na Mostra, que premia longas de diretores iniciantes. O filme que o pessoal da fila está indicando pode ser o vencedor do evento neste ano.

Espero que as dicas ajudem. Boa Mostra pra você!

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