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La La Land – Cantando Estações

La La Land

De todas as artes, o cinema talvez tenha sido a que mais rápido olhou para trás, em vez de continuar procurando novos caminhos. Olhou, gostou e aprendeu que pode reinventar histórias, fórmulas e conceitos eternamente, viver de sua própria coleção de pastiches, assimilar, copiar, traduzir, reinterpretar. Na maioria das vezes, o motivo deste eterno retorno é meramente comercial. Em outras tantas, serve para alimentar a nostalgia, sentimento nobre cada vez mais crescente numa sociedade que parece sempre buscar no passado saídas, soluções ou um simples descanso de tempos tão difíceis. La La Land, o musical de Damien Chazelle, parece ser o melhor exemplo deste cinema-homenagem.

No ano em que Hollywood responde às críticas com filmes mais politizados, mais igualdade de gênero e mais espaço e emprego para um cinema étnico e atores de todas as etnias, Chazelle, o garoto-prodígio que colecionou prêmios com Whiplash, entrega uma fábula escapista que abusa da palheta de cores, que referencia o “sonho americano” e, mais ainda, que declara amor ao cinema de Hollywood. Basicamente, um filme reverencia o passado, que canta o passado. Em termos práticos, os números musicais de La La Land soariam ingênuos, alienados ou até excessivamente conformados para um momento em que o cinema precisaria encher o peito para discursar contra a onda conservadora que promete se instalar de vez nos Estados Unidos a partir de agora.

Mas ter a nostalgia como matéria-prima não significa abraçar a ingenuidade ou fazer um cinema conservador. La La Land parte de uma série de referências muito maior do que as mais óbvias e sabe coletá-las, reinterpretá-las e nunca meramente copiá-las. A homenagem de Chazelle não apenas remonta os musicais clássicos de Vincente Minnelli ou Stanley Donen, embora Cantando na Chuva apareça em várias citações. Existe muito da leveza e da delicadeza de Jacques Demy, seja na luz, nas cores vivas, nos arranjos simples e nas coreografias simpáticas demarcando a narrativa.

Pouco importa se Ryan Gosling não convence tanto assim como jazzista ou se Emma Stone parece crua demais para acreditarmos nela como grande estrela. Cabe tudo na fábula, dos sonhos românticos às pequenas alfinetadas no sistema e falta de identidade daquela massa de concorrentes a um posto abaixo dos holofotes. Holofotes muitíssimo bem posicionados, é bom observar. A sequência do observatório, que começa com uma citação explícita a Juventude Transviada termina com mais uma homenagem a Cantando na Chuva ou, se for para citar um filme menos “pé no chão”, que namora com a liberdade criativa de um Núpcias Reais.

Se escalar Ryan Gosling e Emma Stone, em sua terceira parceria, parece uma aposta pouco arriscada para uma comédia romântica, Chazelle ousa ao colocar seus heróis não-cantores para cantar, explorando suas vozes até o limite, bem pequeno no caso dele, um pouco maior no caso dela. O mais interessante é que a experiência não apenas funciona satisfatoriamente, mas vai além porque humaniza os personagens e valoriza as belas melodias de Justin Hurwitz, que poderiam morrer em gritos de ex-competidores do American Idol. Ao proteger seu impecável conjunto de canções, La La Land tanto preserva esse charme nostálgico dos musicais de outros tempos quanto chega bem pertinho do espectador.

O primeiro mandamento de Chazelle é sempre jogar limpo com quem está do outro lado da tela. E mesmo quando o clichê ameaça se instalar no único momento de virada da narrativa, Chazelle parece se recusar a seguir a fórmula de sempre e, em cinco minutos, resolve as arestas e abre caminho para um desfecho surpreendente. Uma sequência circular que, mesmo frustrando as regras mais rígidas dos filmes românticos, é de um amor imenso pelos personagens e pelo cinema.

La La Land – Cantando Estações EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[La La Land, Damien Chazelle, 2016]

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Oscar 2017: primeiro round de apostas

oscar 2017

Comecei tarde neste ano, mas aqui vão minhas primeiras apostas para as principais categorias do Oscar 2017. A base é a de sempre: os sites que acompanham a corrida pelo prêmio da Academia, as críticas dos filmes lançados e o retrospecto de indicados, não indicados e vencedores de anos anteriores. Apesar de um certo buzz em torno de La La Land, ainda não há um claro favorito ao prêmio principal. Além do filme de Damien Chazelle, Moonlight, Manchester à Beira-Mar e Fences parecem ter indicações garantidas neste ano e Silence, de Martin Scorsese, que ninguém viu ainda, também é uma aposta recorrente.

Entre as categorias de atuação, a de melhor atriz é a mais disputada, com Emma Stone, Natalie Portman e Annette Bening se revezando no favoritismo. Denzel Washington e Casey Affleck parecem as mais sólidas opções para melhor ator, enquanto a corrida de ator coadjuvante está bem embolada. Viola Davis, decretando para Hollywood que deve ser considerada coadjuvante, pode ter assegurado seu Oscar.

Será que a eleição de Donald Trump pode fazer a indústria, tradicionalmente mais liberal, se manifestar premiando filmes mais políticos e atores negros, como uma reação à postura xenóbofa, misógina e excludente do novo presidente? Há quem diga que sim, ainda mais depois de dois anos de #OscarSoWhite, numa época em que as mulheres conseguiram bons papéis e os filmes de cunho étnico chegaram em bom número.

A lista abaixo contempla os números de indicados nas principais categorias (as outras virão em breve) e traz minhas apostas pessoais (10 em melhor filme e 5 nas outras categorias) e mais uma relação de possibilidades e alternativas (em número igual ao total de indicados por categoria). Deixem seu comentários e suas apostas!

filme
minhas apostas

1 La La Land (Summit)
2 Manchester à Beira-Mar (Roadside)
3 Fences (Paramount)
4 Moonlight (A24)
5 Silence (Paramount)
6 Lion (Weinstein)
7 A Lei da Noite (Warner)
8 Jackie (Fox Searchlight)
9 Estrelas Além do Tempo (20th Century Fox)
10 Loving (Focus Features)

têm chances

11 Sully (Warner)
12 A Chegada (Paramount)
13 Até o Último Homem (Lionsgate)
14 Florence – Quem é Esta Mulher? (Paramount)
15 A Qualquer Custo (CBS)
16 Aliados (Paramount)
17 20th Century Women (A24)
18 Ouro e Cobiça (Weinstein)
19 Rules Don’t Apply (20th Century Fox)
20 Mogli – O Menino Lobo (Disney)

direção
minhas apostas

1 Damien Chazelle, La La Land
2 Denzel Washington, Fences
3 Barry Jenkins, Moonlight
4 Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
5 Martin Scorsese, Silence

têm chances

6 Garth Davis, Lion
7 Ben Affleck, A Lei da Noite
8 Pablo Larraín, Jackie
9 Clint Eastwood, Sully
10 Dennis Villeneuve, A Chegada

ator
minhas apostas

1 Denzel Washington, Fences
2 Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
3 Tom Hanks, Sully
4 Warren Beatty, Rules Don’t Apply
5 Joel Edgerton, Loving

têm chances

6 Ryan Gosling, La La Land
7 Andrew Garfield, Silence
8 Andrew Garfield, Até o Ultimo Homem
9 Matthew McCounaughey, Ouro e Cobiça
10 Ben Affleck, A Lei da Noite

atriz
minhas apostas

1 Emma Stone, La La Land
2 Natalie Portman, Jackie
3 Annette Bening, 20th Century Wome
4 Meryl Streep, Florence: Quem é Essa Mulher?
5 Ruth Negga, Loving

têm chances

6 Amy Adams, A Chegada
7 Jessica Chastain, Miss Sloane
8 Taraji P. Henson, Estrelas Além do Tempo
9 Isabelle Huppert, Elle
10 Marion Cotillard, Aliados

ator coadjuvante
minhas apostas

1 Jeff Bridges, A Qualquer Custo
2 Hugh Grant, Florence: Quem é Essa Mulher?
3 Mahershala Ali, Moonlight
4 Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
5 Liam Neeson, Silence

têm chances

6 Stephen McKinley Henderson, Fences
7 Dev Patel, Lion
8 Mykelti Williamson, Fences
9 Aaron Eckhardt, Sully
10 Michael Shannon, Animais Noturnos

atriz coadjuvante
minhas apostas

1 Viola Davis, Fences
2 Naomi Harris, Moonlight
3 Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar
4 Nicole Kidman, Lion
5 Greta Gerwig, 20th Century Women

têm chances

6 Janelle Monae, Estrelas Alem do Tempo
7 Octavia Spencer, Estrelas Alem do Tempo
8 Sienna Miller, A Lei da Noite
9 Felicity Jones, Sete Minutos Depois da Meia-Noite
10 Molly Shannon, Other People

roteiro original
minhas apostas

1 Moonlight, Barry Jenkins
2 Manchester à Beira-Mar, Kenneth Lonergan
3 La La Land, Damien Chazelle
4 20th Century Women, Mike Mills
5 A Qualquer Custo, Taylor Sheridan

têm chances

6 Loving, Jeff Nichols
7 Jackie, Noah Oppenheim
8 Florence – Quem É Esta Mulher?, Nicholas Martin
9 Miss Sloane, Jonathan Perera
10 Toni Erdmann, Maren Ade

roteiro adaptado
minhas apostas

1 Fences, August Wilson
2 Lion, Luke Davies
3 Silence, Jay Cocks
4 Estrelas Além do Tempo, Allison Schroeder
5 A Chegada, Eric Heisserer

têm chances

6 A Lei da Noite, Ben Affleck
7 Até o Último Homem, Andrew Knight, Robert Schenkkan
8 Sully, Todd Komarnicki
9 Indignação, James Schamus
10 Amor & Amizade, Whit Stillman

filme estrangeiro
minhas apostas

1 Toni Erdmann (Alemanha), Maren Ade
2 O Dia Mais Feliz na Vida Olli Mäki (Finlândia), Juho Kuosmanen
3 O Ídolo (Palestina), Hany Abu Assad
4 Neruda (Chile), Pablo Larraín
5 Julieta (Espanha), Pedro Almodóvar

têm chances

6 Sieranevada (Romênia), Cristi Puiu
7 Fogo no Mar (Itália) Gianfranco Rosi
8 O Apartamento (Irã), Asghar Farhadi
9 De Longe Te Observo (Venezuela), Lorenzo Vigas
10 Land of Mine (Dinamarca), Martin Zandvliet

filme de animação
minhas apostas

1 Procurando Dory (Pixar)
2 Zootopia (Disney)
3 Kubo e as Cordas Mágicas (Laika/Focus Features)
4 A Tartaruga Vermelha (Sony Classics)
5 My Life as a Zucchini (GKIDS)

têm chances

6 Moana (Disney)
7 Miss Hokusai (GKIDS)
8 Abril e o Mundo Extraordinário (GKIDS)
9 Pets: A Vida Secreta dos Bichos (Universal)
10 Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (Universal)

documentário
minhas apostas

1 O.J.: Made in America, Ezra Edelman
2 13th, Ava DuVernay
3 I Am Not Your Negro, Raoul Peck
4 Gleason, Clay Tweel
5 The Eagle Huntress, Otto Bell

têm chances

6 Life, Animated, Roger Ross Williams
7 Zero Days, Alex Gibney
8 The Ivory Game, Kief Davidson, Richard Ladkani
9 Tower, Keith Maitland
10 Weiner, Josh Kriegman & Elyse Steinberg

fotografia
minhas apostas

1 Silence, Rodrigo Prieto
2 La La Land, Linus Sandgren
3 A Chegada, Bradford Young
4 Jackie, Stéphane Fontaine
5 A Lei da Noite, Robert Richardson

têm chances

6 Ave, César!, Roger Deakins
7 Rules Don’t Apply, Caleb Deschanel
8 Animais Noturnos, Seamus McGarvey
9 Mogli, o Menino Lobo, Bill Pope
10 Café Society, Vittorio Storaro

montagem
minhas apostas

1 La La Land, Tom Cross
2 Silence, Thelma Schoonmaker
3 A Lei da Noite, William Goldenberg
4 Sully, Blu Murray
5 Fences, Hughes Winborne

têm chances

6 Até o Último Homem, John Gilbert
7 Lion, Alexandre de Francheschi
8 Moonlight, Joi McMillon, Nat Sanders
9 A Chegada, Joe Walker
10 Manchester à Beira-Mar, Jennifer Lame

desenho de produção
minhas apostas

1 La La Land, David Wasco; Sandy Reynolds-Wasco
2 Silence, Dante Ferretti; Francesca Lo Schiavo
3 A Lei da Noite, Jess Gonchor; Nancy Haigh
4 Animais Fantásticos e Onde Habitam, Stuart Craig, James Hambige; Anna Pinnock
5 A Criada, Ryu Seong-he

têm chances

6 Jackie, Jean Rabasse; Veronique Melery
7 A Chegada, Patrice Vermette; Paul Hotte
8 Rules Don’t Apply, Jeannine Oppewall; Nancy Haigh
9 Florence – Quem É Essa Mulher?, Alan MacDonald
10 Aliados, Gary Freeman; Raffaella Giovannetti

figurinos
minhas apostas

1 Silence, Sandy Powell
2 Jackie, Madeline Fontaine
3 A Lei da Noite, Jacqueline West
4 Animais Fantásticos e Onde Habitam, Colleen Atwood
5 La La Land, Mary Zophres

têm chances

6 Aliados, Joanna Johnston
7 Amor e Amizade, Eimer Ni Mhaoldomhnaigh
8 A Criada, Seong-hie Ryu
9 Florence – Quem É Essa Mulher?, Consolata Boyle
10 Rules Don’t Apply, Albert Wolsky

maquiagem
minhas apostas

1 Star Trek: Sem Fronteiras
2 Jackie
3 Até o Último Homem

têm chances

4 Silence
5 Animais Fantásticos e Onde Habitam
6 Florence – Quem É Esta Mulher?
7 Rogue One: Uma História Star Wars

trilha sonora
minhas apostas

1 O Bom Gigante Amigo, John Williams
2 Animais Fantásticos e Onde Habitam, James Newton Howard
3 Florence – Quem É Essa Mulher?, Alexandre Desplat
4 A Chegada, Jóhann Jóhannsson
5 La La Land, Justin Hurwitz

têm chances

6 Mogli, o Menino Lobo, John Debney
7 Jackie, Mica Levi
8 Silence, Kim Allen Kluge, Kathryn Kluge
9 Lion, Hauschka, Dustin O’Halloran
10 Rogue One: Uma História Star Wars, Michael Giacchino

canção
minhas apostas

1 “Audition (The Fools Who Dream)”, La La Land
2 “How Far I’ll Go”, Moana
3 “City of Stars”, La La Land
4 “I See a Victory”, Hidden Figures
5 “I’m Still Here”, Miss Sharon Jones!

têm chances

6 “Runnin’, Hidden Figures
7 “Can’t Stop the Feeling!”, Trolls
8 “We Know the Way”, Moana
9 “A Letter to the Free”, 13th
10 “Rules Don’t Apply”, Rules Don’t Apply

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Oscar 2017: os estrangeiros

A Academia anunciou a lista final de filmes que disputam uma vaga na corrida pelo Oscar de língua estrangeira e o recorde de número de inscritos foi batido mais uma vez. Oitenta e nove países selecionaram seus candidatos oficiais, mas apenas 85 aparecem na lista da Academia (quatro a mais do que no ano passado). Os motivos para os cortes ainda não foram revelados (nem sabemos se serão), mas geralmente eles passam pela real nacionalidade de um filme e pela quantidade de diálogos que ele tem na língua do país que o indicou. Saíram da disputa:

Afeganistão: Parting, Navid Mahmoudi
Armênia: Earthquake, Sarik Andreasyan
Camarões: Yahan Ameena Bikti Hai, Kumar Raj
Tunísia: As I Open My Eyes, Leyla Bouzid

A tendência natural dos países é privilegiar filmes que estrearam em grandes festivais, como a Itália, que elegeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, Fogo no Mar; a Venezuela, cuja escolha foi o vencedor de Veneza no ano passado, De Longe Te Observo; e ainda Alemanha, França, Espanha, Romênia e Canadá, que elegeram seus filmes em Cannes, só para citar alguns exemplos. Diretores reconhecidos estão na disputa deste ano: Paul Verhoeven, Danis Tanovic, Hany Abu-Assad, Andrzej Wajda, morto recentemente, e Andrei Konchalovsky, todos ou já premiados ou já indicados na categoria. O Brasil decidiu seguir uma estratégia diferente. Em vez do prestigiado Aquarius, celebrado em Cannes e que agora chega aos cinemas franceses elogiadíssimo pela Cahiers du Cinema, preferiu o obscuro Pequeno Segredo, de David Schurmann, sob o pretexto de ser “a cara do Oscar”.

Vejam os 85 filmes confirmados:

África do Sul: Call Me Thief, Daryne Joshua
Albânia: Chromium, Bujar Alimani
Alemanha: Toni Erdmann EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Maren Ade
Arábia Saudita: Barakah Meets Barakah, Mahmoud Sabbagh
Argélia: The Well, Lotfi Bouchouchi
Argentina: O Cidadão Ilustre, Mariano Cohn e Gastón Duprat
Austrália: Tanna EstrelinhaEstrelinha½, Martin Butler & Bentley Dean
Áustria: Stefan Zweig: Farewell to Europe, Maria Schrader
Bangladesh: The Unnamed, Tauquir Ahmed
Bélgica: The Ardennes, Robin Pront
Bolívia: Sealed Cargo, Julia Vargas-Weise
Bósnia Herzegovina: Morte em Sarajevo EstrelinhaEstrelinha, Danis Tanovic
Brasil: Pequeno Segredo Estrelinha½, David Schurmann
Bulgária: Losers, Ivaylo Hristov
Camboja: Before the Fall, Ian White
Canadá: É Apenas o Fim do Mundo, Xavier Dolan
Cazaquistão: Amanat, Satybaldy Narymbetov
Chile: Neruda, Pablo Larrain
China: Xuan Zang, Huo Jianqi
Colômbia: Alias Maria, José Luis Rugeles Gracia
Coreia do Sul: The Age of Shadows, Kim Jee-Woon
Costa Rica: Entonces Nosotros, Hernán Jiménez
Croácia: On the Other Side, de Zrinko Ogresta
Cuba: El Acompañante, Pavel Giroud
Dinamarca: Land of Mine, Martin Zandvliet
Egito: Clash, Mohamed Diab
Eslováquia: Eva Nová, Marko Škop
Eslovênia: Houston, We Have a Problem!, Žiga Virc
Equador: Sin Muertos no Hay Carnaval, Sebastián Cordero
Espanha: Julieta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Pedro Almodóvar
Estônia: Mother, Kadri Kõusaare
Filipinas: Ma’ Rosa EstrelinhaEstrelinha½, Brillante Mendoza
Finlândia: O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Juho Kuosmanen
França: Elle EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Verhoeven
Geórgia: House of Others, Russudan Glurjidze
Grécia: Chevalier, Athina Rachel Tsangari
Holanda: Tonio, Paula van der Oest
Hong Kong: Port of Call, Philip Yung
Hungria: Kills on Wheels, Atilla Till
Iêmen: I Am Nojoom, Age 10 and Divorced, Khadija Al-Salami
Índia: Visaranai, Vetrimaaran
Indonésia: Letters from Prague, Angga Dwimas Sasongko
Irã: O Apartamento EstrelinhaEstrelinha, Asghar Farhadi
Iraque: El Clásico, Halkawt Mustafa
Islândia: Pardais EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rúnar Rúnarsson
Israel: Sand Storm, Elite Zexer
Itália: Fogo no Mar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Gianfranco Rosi
Japão: Nagasaki: Memories of my Son, Yôji Yamada
Jordânia: 3000 Nights, Mai Masri
Kosovo: Home Sweet Home, Faton Bajraktari
Letônia: Dawn, Laila Pakalniņa
Líbano: Very Big Shot, Mir-Jean Bou Chaaya
Lituânia: Seneca’s Day, Kristijonas Vildziunas
Luxemburgo: Voices from Chernobyl, Pol Cruchten
Macedônia: The Liberation of Skopje, Rade Šerbedžija, Danilo Šerbedžija
Malásia: Beautiful Pain, Tunku Mona Riza
Marrocos: A Mile in My Shoes, Said Khallaf
México: Deserto, Jonás Cuarón
Montenegro: The Black Pin, Ivan Marinovic
Nepal: The Black Hen, Min Bahadur Bham
Noruega: The King’s Choice, Erik Poppe
Nova Zelândia: A Flickering Truth, Pietra Brettkelly
Palestina: O Ídolo, Hany Abu-Assad
Panamá: Salsipuedes, Ricardo Aguilar Navarro & Manuel Rodríguez
Paquistão: Mah e Mir, Anjum Shahzad
Peru: Videophilia (and Other Viral Syndromes), Juan Daniel Fernández
Polônia: Afterimage, Andrzej Wajda
Portugal: Cartas da Guerra, Ivo M. Ferreira
Quirguistão: A Father’s Will, Bakyt Mukul, Dastan Japar Uulu
Reino Unido: Sob as Sombras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Babak Anvari
República Dominicana: Flor de Azucar, Fernando Baez
República Tcheca: Lost in Munich, Petr Zelenka
Romênia: Sieranevada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Cristi Puiu
Rússia: Paradise, Andrei Konchalovsky
Sérvia: O Diário de um Maquinista EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Miloš Radović
Singapura: Apprentice, Boo Junfeng
Suécia: A Man Called Ove, Hannes Holm
Suíça: My Life as a Courgette, Claude Barras
Tailândia: Karma, Kanittha Kwanyu
Taiwan: Hang in There, Kids!, Laha Mebow
Turquia: Cold of Kalandar, Mustafa Kara
Ucrânia: Ukrainian Sheriffs, Roman Bondarchuk
Uruguai: Breadcrumbs, Manane Rodriguez
Venezuela: De Longe Te Observo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lorenzo Vigas
Vietnã: Yellow Flowers on the Green Grass, Victor Wu

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Oscar 2016: apostas finais

O Regresso

filme

Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Fox Searchlight)
A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Paramount)
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Warner)
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Fox)
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Warner)
O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha (A24)
O Regresso EstrelinhaEstrelinha½ (Fox)
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Open Road)

esnobados

Divertida Mente (Disney)
Carol (Weinstein)
Os Oito Odiados (Weinstein)
Straight Outta Compton (Universal)

Spotlight começou a temporada em primeiro, ganhando todos os prêmios da crítica. Jornalistas adoraram se ver como mocinhos num filme, coisa realmente rara. Além disso, o tema “importante” e a realização sem firulas reforçam o tom sério do filme. O Oscar já estava praticamente certo quando O Regresso ganhou o Globo de Ouro. Mas o prêmio dos críticos estrangeiros já está meio desgastado enquanto prévia do resultado da Academia e ninguém levava muito a sério a ideia de dar outro Oscar para um filme dirigido pelo mesmo cineasta que ganhou no ano passado. Então, começaram a sair os indicados para os prêmios dos sindicatos e A Grande Aposta estava em todos eles.

Do dia para noite, o filme de Adam McKay, o último a entrar no jogo, tinha virado favorito, condição que se confirmou com a escolha do Sindicato dos Produtores, que o elegeu o melhor do ano. Desde que o Oscar aumentou o número de indicados para melhor filme, os produtores não erram uma. Spotlight ganhou uma sobrevida ao ser escolhido na categoria de melhor elenco do SAG. Desde que aconteceu aquela hecatombe da vitória de Crash no Oscar, criou-se a lenda de que o vencedor do prêmio de elenco do Sindicato dos Atores ganha a estatueta principal da Academia. Não é bem assim, mas o povo tem memória curta. E aí, quando tínhamos dois protagonistas na temporada, O Regresso ganha o DGA. E depois o Bafta de filme e diretor. E o fantasma do Oscar consecutivo parece não assombrar mais ninguém.

É como se a temporada tivesse dado o aval para a Academia premiar Iñarritú e seu filme de novo. Será? A campanha está fortíssima, a votação começou na semana passada, exatamente no momento em que o filme está no auge, mas será que Hollywood não vai achar demais? Será que o quadro de votantes, que ainda não mudou apesar do anúncio da Academia de que vai diversificar seus membros, vai reeleger um diretor mexicano? Ou será que a presença de Leo DiCaprio, a maior barbada do ano, vai dar uma força para o filme? Ou ainda será que a Academia ligou o dane-se e vai comprar melhor campanha, ops, escolher o melhor filme de acordo com o que ela acha mesmo? É bom lembrar que o Globo de Ouro e o Bafta premiaram Boyhood no ano passado. Não tinham esse problema de repetir vencedores.

O fato é que se Spotlight ganhar, vão ter que dar substância a essa vitória. O filme certamente leva roteiro original, mas um melhor do ano se sustenta com só mais um Oscar? A Academia nunca achou isso muito bonito. Mas é difícil pensar numa vitória de Tom McCarthy, cujo trabalho é quase invisível. Teria Mark Ruffalo força para derrubar Stallone (ou Mark Rylance) e se eleger como coadjuvante para que o “filme do ano” tivesse pelo menos três prêmios, que parece ser o mínimo aceitável para um grande vencedor? Com Crash e Argo foi assim. Agora, se “A Grande Aposta” ganhar, o prêmio de filme vai estar escorado num de roteiro adaptado, onde ele é favorito, e possivelmente num de montagem, que é a alma do longa. Mas essa produção pequena, essa comédia um pouco mais séria, tem perfil de Oscar? E de melhor filme?

Os três favoritos têm prós e contras. E os contras de todos são tão fortes que terminou surgindo um boato nos últimos dias: os votos vão se dividir e O Quarto de Jack pode se beneficiar com isso já que tem ousadia e dramaturgia “na medida certa” (ideia geral, não que reflita a opinião do autor deste texto), uma atriz garantida na premiação e, caso se precise, um prêmio extra para o roteiro, derrubando o filme de McKay, já que é baseado num livro bem querido. Não é de todo estranho. Carruagens de Fogo e Conduzindo Miss Daisy já haviam surpreendido anos atrás, mas pode ser especulação demais. O Regresso tem tudo para ganhar o Oscar. Tem um tom épico, uma campanha competente, bastidores que convencem, um número de indicações recorde, o maior astro do mundo e o aval da temporada. Deve ganhar. Só não merece. Minha aposta final vai pra ele, com Spotlight na sequência e A Grande Aposta em terceiro. E, olha, vai ser emocionante.

direção

direção

Adam McKay, A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Alejandro Gonzalez Iñarritu, O Regresso EstrelinhaEstrelinha½
George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Lenny Abrahamson, O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha
Tom McCarthy, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobados

Ridley Scott, Perdido em Marte
Todd Haynes, Carol

Se começou a temporada como um coadjuvante na disputa de melhor diretor – principalmente porque já ganhou no ano passado com Birdman -, Alejandro G. Iñarritú chegou à reta final da disputa na condição de favorito. Deu sorte. Num ano em que seus rivais eram um diretor de filme de ação (George Miller, de Mad Max: Estrada da Fúria; um diretor de comédias que fez um filme mais ambicioso (Adam McKay, de A Grande Aposta) e um diretor indie cujo trabalho é tão discreto que mal aparece (Tom McCarthy, de Spotlight), seu “épico da sobrevivência”, como ele vende, realizado num trabalho hercúleo, como a campanha de marketing vende, chama muito a atenção. O mexicano ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e foi o primeiro cineasta a fazer dobradinha dois anos seguidos no prêmio do Sindicato dos Diretores, o poderoso DGA. Suficiente para que a Academia, que já deu prêmios consecutivos para John Ford e Joseph L. Mankiewicz nos anos 1940 e 1950, decidir que “no problem” dar esse segundo Oscar para Iñarritu. Ainda mais num ano em que a falta de diversidade dos indicados virou um escândalo de grandes proporções. Na falta de uma desculpa melhor, a Academia pode ficar com um “não temos negros, mas adoramos os chicanos”. E não vai deixar de ser verdade. Se Iñarritu ganhar, vai ser o terceiro Oscar seguido para um cineasta mexicano. George Miller é visto com uma alternativa, mas não vejo a Academia premiando o diretor de Mad Max (gostaria de estar errado). Também não vejo um prêmio para McKay ou McCarthy. Abrahmson, nem pensar. Vamos, infelizmente, com Iñarritu, com Miller como ameaça distante.

Ator

ator

Bryan Cranston, Trumbo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinha½
Leonardo DiCaprio, O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Matt Damon, Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michael Fassbender, Steve Jobs EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

esnobado

Johnny Depp, Aliança do Crime

Se a categoria de atriz está forte, com ótimas interpretações, a de ator só tem coisa mais ou menos. Leonardo DiCaprio devem ganhar, diz a temporada de prêmios de cinema deste ano. Além de vencer o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato dos Atores, o Critics’ Choice e o Bafta, o ator se apoia na campanha mais violenta que Hollywood viu nos últimos anos para alguém levar a estatueta, destacando como foi fazer “o filme mais difícil” da sua vida. Passar perrengue nunca foi sinônimo de boa performance e DiCaprio, que é sim um ótimo ator, já mereceu muito mais por filme em que foi indicado (O Lobo de Wall Street, Gilbert Grape) ou em que nem chegou a finalista (Romeu + Julieta, Prenda-me se For Capaz). Faz anos que querem dar esse prêmio para ele e esse sentimento de “justiça” parece onipresente. Num ano em que nenhum de seus oponentes se destaca, vai reinar absoluto. Não que seja merecido. Aposto em Leonardo DiCaprio, sem alternativas.

Atriz

atriz

Brie Larson, O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Cate Blanchett, Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Charlotte Rampling, 45 Anos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jennifer Lawrence, Joy EstrelinhaEstrelinha½
Saoirse Ronan, Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

esnobada

Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria

Brie Larson foi abraçada pela temporada como há muito tempo não se via. Ganhou tudo o que importa: Globo de Ouro, Critics Choice, Bafta e SAG. E ainda levou o Spirit, o Oscar dos indies. É meio impossível dar outro resultado. Cate Blanchett seria uma ótima rival, mas ganhou seu segundo Oscar há dois anos e Carol chegou fraco à lista de indicações. Charlotte Rampling sempre foi um azarão, mas perdeu toda e qualquer chance quando abriu a boca contra o boicote anunciado por Spike Lee e Jada Pinkett. Saoirse Ronan poderia ser uma surpresa, mas Brooklyn é discreto demais perto do exibicionismo de O Quarto de Jack. E J-Law, não, thanks. Aposto em Brie Larson, sem alternativas.

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Christian Bale, A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Mark Ruffalo, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Mark Rylance, Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Sylvester Stallone, Creed EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Tom Hardy, O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobados

Benicio Del Toro, Sicario
Idris Elba, Beasts of No Nation
Michael Keaton, Spotlight

Esta é uma categoria importante e pode se tornar algo decisiva na disputa principal. O favorito de todos é Sylvester Stallone, que tem belos momentos em Creed. Se ganhar, vai ser um daqueles momentos par entrar pra história e o Oscar adora fazer história. Neste ano, Sly não concorreu ao prêmio do Sindicado dos Atores, o SAG, nem ao Bafta, mas levou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice. Mesmo assim, com sua popularidade, continua na liderança. Mas é bom lembrar que a Academia tem um problema com gente popular demais. Eddie Murphy, por exemplo, tinha um SAG, prêmio do Sindicato dos Atores, e um Globo de Ouro. Perdeu o Oscar. Se Stallone não vencer, Mark Rylance, de Ponte de Espiões, que venceu o Bafta, leva vantagem, apesar de ser desconhecido. Mas tem uma possibilidade curiosa: Mark Ruffalo vem sendo apontado como uma ameaça maior para Sly com seu papel em Spotlight. Ainda não vejo este prêmio, mas se ele acontecer realmente indica que a Academia gostou muito do filme e, combinado com o favoritismo no roteiro original, pode dar a base necessária para a vitória do longa de Tom McCarthy na categoria principal. Aposto em Sylvester Stallone, com Mark Rylance em segundo.

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Kate Winslet, Steve Jobs EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rachel McAdams, Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rooney Mara, Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

esnobadas

Alicia Vikander, Ex Machina
Helen Mirren, Trumbo
Jane Fonda, Juventude

Alicia Vikander, de A Garota Dinamarquesa, e Kate Winslet, de Steve Jobs, polarizam a disputa entre as coadjuvantes femininas. A primeira ganhou o SAG e o Critics’ Choice. A segunda levou o Bafta e o Globo de Ouro. Vikander fez cinco filmes neste ano. Foi “a revelação” e nesta categoria o Oscar adora inovar (Goldie Hawn, Marisa Tomei, Anna Paquin foram surpresas em seus respectivos anos). Já Winslet, que já tem um Oscar, é uma atriz respeitada e não seria estranho vê-la novamente homenageada, mas Steve Jobs não foi muito “comprado” pela temporada e suas chances ficaram menos claras. Jennifer Jason Leigh e Rooney Mara tiveram seus momentos durante os últimos meses, mas chegaram à reta final desacreditadas. Se bem que esta é a categoria em que a Academia adora fazer uma surpresinha. Aposto em Alicia Vikander – no ano em que se clama por diversidade, premiar uma estrangeira pegaria bem. Kate Winslet vem na cola, mas à distância.

Straight Outta Compton

roteiro original

Divertida Mente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Josh Cooley, Pete Docter & Meg LeFauve
Ex Machina EstrelinhaEstrelinha½, Alex Garland
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Matt Charman, Ethan Coen & Joel Coen
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas McCarthy & Josh Singer
Straight Outta Compton EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrea Berloff, Jonathan Herman, S. Leigh Savidge, Alan Wenkus

esnobados

Os Oito Odiados, Quentin Tarantino
Sicario, Taylor Sheridan

Bem surpreendente a exclusão de Os Oito Odiados nesta categoria porque quem imaginaria que Ex Machina ou Straight Outta Compton teriam mais votos do que um texto de Tarantino? Os dois insiders não têm muita chance de vitória, mas devem – e muito – comemorar suas indicações. Ponte de Espiões é outro que parece estar aí para preencher a lista de cinco, embora tenha a assinatura dos irmãos Coen e seja um bom exemplo de finalista de roteiro de tempos atrás. O vencedor deve ser Spotlight porque tem o tema mais importante, é baseado numa história real e porque daria a base necessária para ganhar o Oscar de melhor filme. E, se existir uma ameaça, ela vem de Divertida Mente, elogiadíssimo, farta bilheteria. Mas animação vencer aqui custa mais caro.

A Grande Aposta

roteiro adaptado

Brooklyn EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Nick Hornby
Carol  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Phyllis Nagy
A Grande Aposta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Adam McKay & Charles Randolph
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Drew Goddard
O Quarto de Jack EstrelinhaEstrelinha½, Emma Donoghue

esnobados

O Regresso, Alejandro G. Innaritu, Mark L. Smith
Steve Jobs, Aaron Sorkin

Mesmo com o flop nas bilheterias, o que fez com que as apostas no filme caíssem, Steve Jobs era dado como certo aqui, mas o roteiro de Aaron Sorkin teve menos votos do que o de Drew Goddard para Perdido em Marte, que andava menos cotado, mas deve ter sido ajudado pelo conjunto, mas não é ameaça para a vitória. Com as campanhas um tanto discretas de Carol e Brooklyn, o prêmio deve ficar entre A Grande Aposta, que estreou por último e foi bastante elogiado, e O Quarto de Jack, que vem sendo muito comentado até para uma eventual vitória na categoria principal. Ambos estão indicados nas categorias de filme e direção, mas representam prêmios opostos. O primeiro celebraria um estilo intrincado, cheio de explicações econômicas, verborrágico, mas que pode ser comprado pela Academia como um negócio importante. O segundo é mais um drama psicológico, que também tem truques de estrutura, mas que segue um caminho mais melancólico – e é um livro mais famoso e bastante querido. Os investidores do Filmes do Chico vão de A Grande Aposta, mas se O Quarto de Jack ganhar aqui, essa ideia de que ele seria um azarão para melhor filme pode se reforçar.

Mad Max: Estrada da Fúria

fotografia

Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Edward Lachman
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, John Seale
Os Oito Odiados EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Robert Richardson
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Emmanuel Lubezki
Sicario EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins

esnobados

Perdido em Marte, Dariusz Wolski
Ponte de Espiões, Janusz Kaminski

O veterano Roger Deakins conseguiu sua décima terceira indicação. Será que desta vez ele finalmente vai ganhar um prêmio? Pelo terceiro consecutivo, seu maior adversário é Emmanuel Lubezki, que conseguiu duas vitórias consecutivas antes. Aí surgem as dúvidas: 1) a Academia daria três Oscars consecutivos para o mesmo homem? Será que eles prestam atenção em quem está ganhando nesta categoria? 2) Sicario teria força para vencer este prêmio? 3) Edward Lachman, de Carol, um dos trabalhos mais impressionantes do ano, não seria uma ótima opção para não premiar Lubezki de novo, nem dar um prêmio de consolação para o Deakins? 4) Mad Max ameaça? A única certeza é que Bobby Richardson é café-com-leite. Vou de O Regresso, cuja fotografia é o coração do filme, com Mad Max em segundo.

Spotlight

montagem

A Grande Aposta  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hank Corwin
Mad Max: Estrada da Fúria  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Margaret Sixel
O Regresso EstrelinhaEstrelinha½, Stephen Mirrione
Spotlight EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Tom McArdle
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Maryann Brandon e Mary Jo Markey

esnobados

Perdido em Marte, Pietro Scalia
Ponte de Espiões, Michael Kahn
Sicario, Joe Walker

Até um tempo atrás, esta categoria era uma espécie de primeira parada antes de chegar ao prêmio principal, mas tem cada vez mais seguido uma história independente. A princípio, A Grande Aposta é uma BOA aposta já que a montagem é a essência do filme e o longa levou o prêmio de melhor “montagem de comédia” (ridículo, hein?) do Sindicato dos Editores. Spotlight, mesmo que sem chamar muito a atenção nesse quesito, pode indicar uma volta à condição de “categoria de suporte” e receber o prêmio para reforçar uma eventual vitória em melhor filme. O problema é que o longa de Tom McCarthy sequer concorreu no sindicato. A mesma lógica que explicaria um prêmio para Spotlight valeria se O Regresso ganhasse. Não é impossível, mas não parece o mais provável. Mad Max, a princípio, seria o filme para bater A Grande Aposta, já que poderia facilmente papar todas as categorias técnicas. É bom lembrar que esta categoria já premiou Matrix e Gravidade. Na real, somente Star Wars parece não ter chances de ganhar. Fico com A Grande Aposta, seguido por Mad Max.

A Garota Dinamarquesa

direção de arte

A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eve Stewart & Michael Standish
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Colin Gibson & Lisa Thompson
Perdido em Marte  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Arthur Max; Celia Bobak, Zoltan Horvath
Ponte de Espiões  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo & Bernhard Henrich
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jack Fisk & Hamish Purdy

esnobados

Carol, Judy Becker
Cinderela, Dante Ferretti; Casey Banwel, Francesca Lo Schiavo
Star Wars: O Despertar da Força, Rick Carter, Darren Gilford; Lee Sandales

Sem Carol na disputa, um pecado mortal já que a direção de arte, junto com a fotografia, está no coração no filme e o trabalho é impecável, é bem capaz de Mad Max ganhar o prêmio aqui. Seria lógico que um filme tão celebrado ganhe numa categoria em que ele mostra algumas de suas principais características. O filme de George Miller ganhou o prêmio no Sindicato dos Diretores de Arte como melhor filme de fantasia. O Regresso foi eleito como filme de época e Perdido em Marte como filme contemporâneo. Pela tradição da categoria, as duas primeiras categorias contam mais porque “mostram mais” direção de arte. Como Mad Max tem muito mais cenários e parte do zero, vou com ele. O Regresso é o segundo, mas não sei se A Garota Dinamarquesa não tem mais chances.

Carol

figurinos

Carol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Sandy Powell
Cinderela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Sandy Powell
A Garota Dinamarquesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paco Delgado
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jenny Beavan
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jacqueline West

esnobados

Brooklyn, Odile Dicks-Mireaux
A Colina Escarlate, Kate Hawley
Trumbo, Daniel Orlandi

A grande Sandy Powell repete o feito de 1998 e teve dupla indicação. Naquele ano, ganhou o primeiro de seus três Oscars. Aqui, deveria ser a favorita de novo, mas no prêmio do Sindicato dos Figurinistas foi para Mad Max (em filme de fantasia) e A Garota Dinamarquesa (em filme de época), embananando a disputa. O primeiro é concorrente direto da extravagância de Powell em Cinderela e o outro do trabalho refinado a moça em Carol. Nesta categoria, a primeira costuma contar um pouco mais, vide os prêmios para Priscilla, a Rainha do Deserto, Anna Karenina e O Grande Gatsby. Jacqueline West poderia ser um azarão, mas não parece muito provável, a não ser que queiram crescer o número de prêmios para O Regresso. Minha aposta é Mad Max: Estrada da Fúria, com Cinderela em segundo, mas pode dar A Garota Dinamarquesa ou Carol.

O Homem de 100 Anos

maquiagem

O Homem de 100 Anos que Pulou a Janela e Desapareceu EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eva Kozma, Erzsebet Racz
Mad Max: Estrada da Furia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lesley Vanderwalt, Damian Martin, Elka Wardega
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Graham Johnston, Adrien Morot, Robert Pandini

esnobados

Aliança do Crime, Joel Harlow, Gloria Casny
Sr. Holmes, Dave Elsey

Uma das grandes notícias da lista de indicados deste ano é a esnobada geral em Aliança do Crime, longa sem qualidades que foi vendido como um novo grande filme de máfia. Melhor ainda é saber que um longa sueco o eliminou da categoria em que ele mais tinha chances de ser indicado. O Homem de 100 Anos que Pulou a Janela e Desapareceu soma mais um ponto às indicações “estrangeiras” desta categoria, que já prestigiou o francês Piaf, que saiu premiado, e o italiano Il Divo. Não tem muitas chances. O prêmio de deve ser de Mad Max, mas O Regresso é uma boa alternativa.

Os Oito Odiados

trilha sonora

Carol (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Carter Burwell
Os Oito Odiados (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Ennio Morricone
Ponte de Espiões (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas Newman
Sicario (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jóhann Jóhannsson
Star Wars: O Despertar da Força (ouça) EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, John Williams

esnobados

Divertida Mente (ouça), Michael Giacchino
A Garota Dinamarquesa (ouça), Alexandre Desplat

Não consigo pensar em outro resultado que não seja a vitória de Ennio Morricone, uma lenda de 87 anos que criou algumas da trilhas mais famosas do mundo, já foi indicado 5 vezes antes e nunca ganhou. Ainda mais: seria a chance de dar pelo menos um prêmio para Os Oito Odiados, que não parece ter muitas chances fora daqui (talvez em atriz coadjuvante). Apesar da linda trilha de Carter Burwell, Carol não parece ter chances, mas a ameaça ao italiano pode vir da 50ª indicação de outro mestre, John Wiliams. Star Wars fez quase dois bilhões de dólares em bilheteria, é bom lembrar. As trilhas de Sicario e Ponte de Espiões estão mais para coadjuvantes nessa disputa.

007 contra Spectre

canção

“Earned It” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letras de Abel Tesfaye, Ahmad Balshe, Jason Daheala Quenneville & Stephan Moccio, Cinquenta Tons de Cinza
“Manta Ray” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música de J. Ralph; letras de Antony Hegarty, Racing Extinction
“Simple Song #3” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letras de David Long, Juventude
“Til It Happens To You” (ouçaEstrelinhaEstrelinha½
música e letras de Diane Warren e Lady Gaga, The Hunting Ground
“Writing’s On the Wall” (ouçaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
música e letra de Jimmy Napes e Sam Smith, 007 contra Spectre

esnobada

“Love Me Like You Do” (ouça), Cinquenta Tons de Cinza
“See You Again” (ouça), Velozes e Furiosos 7

Como o Tiago Faria reclamou no podcast que eu, ele e o Michel Simões gravamos semanalmente (ouça aqui), todo mundo ficou meio passado com a exclusão do hit “See You Again”, de Velozes e Furiosos 7, que, além do apelo popular, tinha o apelo de ser uma homenagem ao Paul Walker. Mas esta categoria é cheia de surpresas. Em 2008, conseguiram esnobar Bruce Springsteen e Clint Eastwood de uma só vez. Sem a música de Whiz Kalifa, o prêmio deve ficar entre as canções de Sam Smith e Lady Gaga. As apostas estão todas para Gaga e Spectre não teve a força dos últimos 007. Por conta disso, vou com a maioria. Por sinal, as músicas feitas para documentários ganharam força. Foram duas indicada neste ano: a de Gaga e a de J Ralph. Com a indicação da popstar, o Oscar vai marcar o reencontro dela com Leo DiCaprio. Se eles fossem espertos, faturam em cima disso colocando os dois pra apresentar um prêmio juntos.

Ponte de Espiões

mixagem de som

Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Ben Osmo, Chris Jenkins, Gregg Rudloff
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Mac Ruth, Paul Massey, Mark Taylor
Ponte de Espiões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Drew Kunin, Andy Nelson, Gary Rydstrom
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Chris Duesterdiek, Frank A. Montaño, Jon Taylor, Randy Thom
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Stuart Wilson, Andy Nelson, Chris Scarabosio

esnobados

Sicario, John Reitz, Tom Ozanich, William Sarokin
Straight Outta Compton, Willie Burton, Jon Taylor, Frank A. Montano

As duas categorias de som têm listas bem parecidas, quatro indicados em comum, com Ponte de Espiões fazendo a diferentona aqui. Diferentona em termos já que a Academia sempre indica filmes “sérios”, que também concorrem ao prêmio principal aqui, como Forrest Gump ou O Paciente Inglês. Até Shakespeare Apaixonado esteve entre os finalistas no ano dele. Straight Outta Compton, um filme essencialmente “de som”, ficou de fora. A briga parecia se concentrar entre Mad Max e Star Wars, mas como eles abraçaram o filme de Iñarritu com força, O Regresso entrou forte na disputa. Ainda aposto no filme de George Miller, com Iñarritu seguindo a cavalo logo atrás (tomara que em direção a um precipício).

Perdido em Marte

edição de som

Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Scott Hecker, Mark Mangini, David White
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Oliver Tarney
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Hernandez, Randy Thom, Lon Bender
Sicario EstrelinhaEstrelinha½, Alan Robert Murray
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David Accord, Matthew Wood

esnobado

Os Oito Odiados, Wylie Stateman

Aqui, é Sicario que assume a quinta vaga, derrubando o filme de Quentin Tarantino, indicado pelo sindicato. Parece uma indicação justa, mas sem chances de ir além. Mais uma vez, a disputa parece concentrada entre os filmes de George Miller e JJ Abrams, com O Regresso, mais uma vez ameaçando, principalmente se a Academia resolver transformá-lo no filme do ano. Coração Valente ganhou o Oscar nesta categoria 20 anos atrás. E também foi o melhor filme daquele ano. Minha aposta também fica com Mad Max, com O Regresso em segundo lugar.

Star Wars

efeitos visuais

Ex Machina EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Ardington & Sara Bennett
Mad Max: Estrada da Fúria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver, Andy Williams
Perdido em Marte EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Richard Stammers, Chris Lawrence, Anders Langlands, Steven Warner
O Regresso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rich McBridge, Matt Shumway, Jason Smith, Cameron Waldbauer
Star Wars: O Despertar da Força EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan, Chris Corbould

esnobados

Homem-Formiga, Jake Morrison, Greg Steele, Russsell Earl, Dan Sudick
Jurassic World, Tim Alexander, Glen McIntosh, Tony Plett, Michael Meinardus
A Travessia, Kevin Baillie, Jim Gibbs, Viktor Muller, Sebastien Moreau

Somente três dos finalistas nesta categoria concorrem ao prêmio principal da Visual Effects Society, o sindicato da categoria: Mad Max, Perdido em Marte e Star Wars, o que deixaria os três na disputa pelo prêmio. Para o filme de George Miller, seria uma vitória lógica já que ele é o filme de ficção mais elogiado do ano, concorrendo nas duas categorias centrais, mas é bem possível que a comoção pela volta da franquia Skywalker leve este prêmio aqui, já que Star Wars e efeitos visuais são quase sinônimos. E este é o filme de maior bilheteria da história dos EUA. As menções a Ex Machina e O Regresso foram bem interessantes, já que eliminaram filmes mais “tradicionais” para esta categoria, mas as chances do longa de Iñarritu, com duas cenas de efeitos especiais são aparentemente menores. Se O Regresso ganhar aqui, fica meio evidente que ele vai ganhar tudo, inclusive melhor filme. Mas minha aposta fica com Mad Max, seguido por Star Wars.

O Menino e o Mundo

filme de animação

Anomalisa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Paramount), Charlie Kaufman, Duke Johnson & Rosa Tran
Divertida Mente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Disney/Pixar), Pete Docter & Jonas Rivera
As Memórias de Marnie EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(GKids), Hiromasa Yonebayashi & Yoshiaki Nishimura
O Menino e o Mundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (GKids), Alê Abreu
Shaun, o Carneiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Lionsgate), Mark Burton & Richard Starzak

esnobado

O Bom Dinossauro (Disney/Pixar), Peter Sohn

Terceiro ano em que a GKids, que distribui filmes de animação estrangeiros em Hollywood emplaca dois indicados nesta categoria. Os filmes, entre eles o belíssimo brasileiro O Menino e o Mundo não ameaçam ganhar, mas é bem legal perceber os movimentos desta categoria. Divertida Mente é o favorito absoluto. Fala-se de sua vitória desde que ele foi lançado. Chegou incólume à noite do Oscar (e mais forte com a indicação de roteiro) e é um prêmio mais do que merecido. O filme de Pete Docter merecia muito mais uma vaga na categoria principal do que vários dos indicados. Em determinado momento da temporada, falou-se muito de Anomalisa, mas o longa de Charlie Kaufman se viu refém de sua natureza “alternativa”. Divertida Mente na cabeça, sem “alternativas”.

O Filho de Saul

filme estrangeiro

O Abraço da Serpente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Colômbia), Ciro Guerra
Cinco Graças EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(França), Deniz Gamze Ergüven
O Filho de Saul EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Hungria), László Nemes
Guerra EstrelinhaEstrelinha½(Dinamarca), Tobias Lindholm
Theeb EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Jordânia), Naji Abu Nowar

esnobados

Labirinto de Mentiras (Alemanha), Giulio Ricciarelli
O Novíssimo Testamento (Bélgica), Jaco Von Dormael

Para uma pré-lista em que 7 dos 9 semifinalistas eram europeus, a lista de indicados surpreendeu um pouco. No entanto, confirmada sua candidatura, o húngaro O Filho de Saul parece reinar absoluto na categoria de filme em língua estrangeira. A princípio, somente Cinco Graças parece uma ameaça, mas bem distante. Já aconteceu muitas vezes de, na reta final, o favorito perder para o “filme pequeno e tocante”. Remember O Segredo dos Seus Olhos. Se premiar Cinco Graças, o Oscar vai validar uma fraude. O filme concorre pela França, mas foi dirigido por uma turca na Turquia, com elenco turco, falando turco e contando uma história de tradições e cultura turca. A esnobada no pasteurizado alemão Labirinto de Mentiras e no elogiado belga O Novíssimo Testamento abriu espaço para as primeira indicações da Jordânia e da Colômbia. Por sinal, nos últimos 7 anos, 6 filmes latinoamericanos concorreram ao Oscar. Minha aposta: O Filho de Saul, seguido por Cinco Graças.

Amy

documentário

Amy EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha(A24), Asif Kapadia & James Gay-Rees
Cartel Land (The Orchard), Matthew Heineman & Tom Yellin
O Peso do Silêncio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ (Drafthouse), Joshua Oppenheimer & Signe Byrge Sørensen
What Happened, Miss Simone? EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Netflix), Liz Garbus, Amy Hobby & Justin Wilkes
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Netflix), Evgeny Afineevsky & Den Tolmor

esnobados

Going Clear: Scientology and the Prison of Belief (Home Box Office), Alex Gibney
A Verdade Sobre Marlon Brando (Showtime), Stevan Riley
Where to Invade Next (Unnamed Quinn/Janego/League Label)

Amy Winehouse ganhou a companhia de Nina Simone na categoria de documentário. Se a gente pensar bem, as duas têm muito a ver, mas o filme de Nina, feito pelo Netflix, que só foi lembrado aqui, não faz sombra ao favoritismo de Amy, que é o frontrunner nesta categoria desde as primeiras apostas. Talvez porque a morte da cantora inglesa ainda esteja muito presente na memória das pessoas. Talvez por ter um formato de doc televisivo com imagens de paparazzi bem comum aos dias de hoje. Cartel Land e O Peso do Silêncio, segunda parte da odisseia de Joshua Oppenheimer pelo massacre da Indonésia, foram bastante comentados e como aqui os azarões surpreendem muitas vezes… quem sabe? Da lista de elegíveis, o maior pecado foi não terem selecionado o belo A Verdade Sobre Marlon Brando. Minha aposta é Amy, com Cartel Land em seguida.

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O Oscar dos Meus Sonhos: versão 2016

Todo ano eu brinco de votante da Academia. Fuço lá na lista de filmes elegíveis para o Oscar e faço minhas próprias escolhas, independentemente do marketing, do hype, seguindo apenas minhas preferências. Esta aqui é a lista do Oscar dos Meus Sonhos, versão 2016. Respeitei o mesmo número de indicados em cada categoria e segui as especificações da Acacemia para os quesitos que têm pré-finalistas: trilha sonora, canção, efeitos visuais, documentário, animação e filme estrangeiro. Em cada categoria, indico o meu vencedor, com duas setinhas ao lado do nome do indicado.

filme

Acima das Nuvens
Brooklyn
Carol
Corrente do Mal
Divertida Mente
La Jaula de Oro
>> Mad Max: Estrada da Fúria
Spotlight

direção

David Robert Mitchell, Corrente do Mal
>> George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Olivier Assayas, Acima das Nuvens
Pete Docter & Ronnie Del Carmen, Divertida Mente
Todd Haynes, Carol

ator

Abraham Attah, Beasts of No Nation
Jacob Tremlay, O Quarto de Jack
Jason Segel, O Fim da Turnê
>> Paul Dano, Love & Mercy
Tom Courtenay, 45 Anos

atriz

Cate Blanchett, Carol
>> Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria
Charlotte Rampling, 45 Anos
Juliette Binoche, Acima das Nuvens
Saoirse Ronan, Brooklyn

ator coadjuvante

Christian Bale, A Grande Aposta
>> Emory Cohen, Brooklyn
Mark Rylance, Ponte de Espiões
RJ Cyler, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer
Sylvester Stallone, Creed

atriz coadjuvante

>> Kristen Stewart, Acima das Nuvens
Kristen Wiig, The Diary of a Teenage Girl
Marion Cotillard, Macbeth
Oona Laurence, Nocaute
Phyllis Smith, Divertida Mente

roteiro original

Acima das Nuvens
Corrente do Mal
>> Divertida Mente
Spotlight
Tangerine

roteiro adaptado

Brooklyn
Carol
>> The Diary of a Teenage Girl
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

filme estrangeiro

A Assassina (Taiwan)
O Filho de Saul (Hungria)
Ixcanul (Guatemala)
As Mil e uma Noites: Volume 2 – O Desolado (Portugal)
>> Que Horas Ela Volta? (Brasil)

filme de animação

Anomalisa
>> Divertida Mente
As Memórias de Marnie
O Menino e o Mundo
Minions

fotografia

>> Carol
Corrente do Mal
Macbeth
No Coração do Mar
Os Oito Odiados

montagem

Corrente do Mal
Divertida Mente
A Grande Aposta
Kingsman
>> Mad Max: Estrada da Fúria

direção de arte

Carol
>> A Colina Escarlate
Corrente do Mal
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

figurinos

Carol
>> A Colina Escarlate
A Garota Dinamarquesa
Longe Deste Insensato Mundo
Macbeth

maquiagem

>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Sr. Holmes

trilha sonora

>> Carol
Divertida Mente
Longe Deste Insensato Mundo
Mad Max: Estrada da Fúria
Os Oito Odiados

canção

“Feel Like Summer”, Shaun, o Carneiro
“Hey Baby Doll”, Danny Collins
“I’ll See You in My Dreams”, I’ll See You in My Dreams
“Love Me Like You Do”, Cinquenta Tons de Cinza
>> “See You Again”, Velozes e Furiosos 7

edição de som

Corrente do Mal
Divertida Mente
>> Mad Max: Estrada da Fúria
O Menino e o Mundo
Star Wars: O Despertar da Força

mixagem de som

Love & Mercy
>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

efeitos visuais

>> Homem-Formiga
Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

documentário

Em Jackson Heights
Iris
Os Irmãos Lobo
>> O Peso do Silêncio
A Verdade Sobre Marlon Brando

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Todos os Oscars de melhor filme: do pior para o melhor

Oitenta e sete filmes já foram premiados com o Oscar de melhor filme. Alguns deles estão entre os maiores clássicos do cinema. A vitória de outros, é bem difícil de explicar. Nos últimos tempos, deflagrei uma minicampanha minha mesmo para ver os filmes que levaram o prêmio e que eu ainda não tinha assistido. Eram oito. Vi O Bom Pastor, que não é um dos melhores do Leo McCarey, mas me parece digno. Depois veio O Homem que Não Vendeu Sua Alma, belo filme teatral dirigido pelo Fred Zinneman e com uma atuação estupenda do Paul Scofield. Em seguida veio o drama-western Cimarron, dramalhão sobre a construção da América em que pouco se salva além da curiosidade. Na sequência vi o delicioso As Aventuras de Tom Jones, filme anarquista por excelência, ousadíssimo ao trazer um roteiro de comédia alucinada e uma edição cheia de truques para um longa de época; obra do ótimo Tony Richardson, com um elenco muito à vontade. Assisti ainda ao belo, ainda que formal, Patton: Rebelde ou Herói?, filme bem rigoroso do Franklin J. Schaffner, com roteiro do Coppola e um protagonista excelente chamado George C. Scott, que, por sinal, recusou o Oscar de melhor ator. Segui com a biografia acomodada A Vida de Emile Zola, que se salva pela ótima sequência de tribunal em que reencena o caso Dreyfus, e depois pelo pioneiro Asas, um filme de 1927 que impressiona até hoje por construção visual, tanto na fotografia quanto nos efeitos especiais maravilhosos. É difícil ver o filme e saber o que é efeito e o que não é. E Clara Bow é uma das maiores divas do cinema silencioso, embora o filme não a valorize tanto. Ziegfeld, o Criador de Estrelas, burocrática biografia – de três horas! – de um mito do teatro de revista, encerrou os trabalhos. Depois da maratona, resolvi fazer esta lista, com os 87 vencedores, do pior até o melhor, seguindo meu gosto pessoal.

Carruagens de Fogo

87 Crash – No Limite
[Crash, Paul Haggis, 2004 (ganhou por 2005)]
86 Uma Mente Brilhante
[A Beautiful Mind, Ron Howard, 2001]
85 Cimarron
[Cimarron, Wesley Ruggles, 1931 (ganhou pelo biênio 1930-1931]
84 Cavalgada
[Cavalcade, Frank Lloyd, 1933 (ganhou pelo biênio 1932-1933]
83 Quem Quer Ser um Milionário?
[Slumdog Millionaire, Danny Boyle, 2008]
82 Grande Hotel
[Grand Hotel, Edmund Goulding, 1932 (ganhou o Oscar pelo biênio 1931-1932)]
81 Carruagens de Fogo
[Chariots of Fire, Hugh Hudson, 1981]

O Último Imperador

80 A Volta ao Mundo em 80 Dias
[Around the World in Eighty Days, Michael Anderson, 1956]
79 O Discurso do Rei
[The King's Speech, Tom Hooper, 2010]
78 Gandhi
[Gandhi, Richard Attenborough, 1982]
77 Melodia da Broadway
[The Broadway Melody, Harry Beaumont, 1929]
76 A Vida de Émile Zola
[The Life of Emile Zola, William Dieterle, 1937]
75 Ziegfeld, o Criador de Estrelas
[The Great Ziegfeld, Robert Z. Leonard, 1936]
74 Entre Dois Amores
[Out of Africa, Sydney Pollack, 1985]
73 O Grande Motim
[Mutiny on the Bounty, Frank Lloyd, 1935]
72 O Último Imperador
[The Last Emperor, Bernardo Bertolucci, 1987]
71 Os Melhores Anos de Nossas Vidas
[The Best Years of Our Lives, William Wyler, 1946]

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

70 Conduzindo Miss Daisy
[Driving Miss Daisy, Bruce Beresford, 1989]
69 Rosa da Esperança
[Mrs. Miniver, William Wyler, 1942]
68 O Bom Pastor
[Going My Way, Leo McCarey, 1944]
67 O Paciente Inglês
[The English Patient, Anthony Minghella, 1996]
66 Rain Man
[Rain Man, Barry Levinson, 1988]
65 Argo
[Argo, Ben Affleck, 2012]
64 Shakespeare Apaixonado
[Shakespeare in Love, John Madden, 1998]
63 Birdman
[Birdman, Alejandro G. Iñarritu, 2014]
62 O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
[The Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson, 2003]
61 Gladiador
[Gladiator, Ridley Scott, 2000]

Forrest Gump

60 Dança com Lobos
[Dances with the Wolves, Kevin Costner, 1990]
59 Laços de Ternura
[Terms of Endearment, James L. Brooks, 1983]
58 O Maior Espetáculo da Terra
[The Greatest Show on Earth, Cecil B. De Mille, 1952]
57 Coração Valente
[Braveheart, Mel Gibson, 1995]
56 Kramer vs. Kramer
[Kramer vs. Kramer, Robert Benton, 1979]
55 Marty
[Marty, Delbert Mann, 1955]
54 Chicago
[Chicago, Rob Marshall, 2002]
53 12 Anos de Escravidão
[12 Years a Slave, Steve McQueen, 2013]
52 Platoon
[Platoon, Oliver Stone, 1986]
51 Forrest Gump
[Forrest Gump, Robert Zemeckis, 1994]

Rocky, um Lutador

50 Hamlet
[Hamlet, Laurence Olivier, 1948]
49 Oliver!
[Oliver!, Carol Reed, 1968]
48 Gigi
[Gigi, Vincente Minnelli, 1958]
47 Os Infiltrados
[The Departed, Martin Scorsese, 2006]
46 O Homem que Não Vendeu Sua Alma
[A Man for All Seasons, Fred Zinnemann, 1966]
45 A Noviça Rebelde
[The Sound of Music, Robert Wise, 1965]
44 O Artista
[The Artist, Michel Hazanavicius, 2011]
43 Gente como a Gente
[Ordinary People, Robert Redford, 1980]
42 Asas
[Wings, William A. Wellman, 1927 (ganhou pelo biênio 1927-1928)]
41 Rocky, um Lutador
[Rocky, John G. Avildsen, 1976]

Guerra ao Terror

40 Menina de Ouro
[Million Dollar Baby, Clint Eastwood, 2004]
39 Guerra ao Terror
[The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008 (ganhou pelo ano de 2009)]
38 A um Passo da Eternidade
[From Here to Eternity, Fred Zinneman, 1953]
37Beleza Americana
[American Beauty, Sam Mendes, 1999]
36 Rebecca, a Mulher Inesquecível
[Rebecca, Alfred Hitchcock, 1940]
35 Amadeus
[Amadeus, Milos Forman, 1984]
34 Golpe de Mestre
[The Sting, George Roy Hill, 1973]
33 As Aventuras de Tom Jones
[Tom Jones, Tony Richardson, 1963]
32 Patton – Rebelde ou Herói?
[Patton, Franklin J. Schaffner, 1970]
31 Amor, Sublime Amor
[West Side Story, Robert Wise & Jerome Robbins, 1961]

Onde os Fracos Não Têm Vez

30 No Calor da Noite
[In the Heat of the Night, Norman Jewison, 1967]
29 A Ponte do Rio Kwai
[The Bridge on the River Kwai, David Lean, 1957]
28 O Silêncio dos Inocentes
[The Silence of the Lambs, Jonathan Demme, 1991]
27 Titanic
[Titanic, James Cameron, 1997]
26 Ben-Hur
[Ben-Hur, William Wyler, 1959]
25 Farrapo Humano
[The Lost Weekend, Billy Wilder, 1945]
24 A Grande Ilusão
[All the King's Men, Robert Rossen, 1949]
23 A Luz é para Todos
[Gentlemen's Agreement, Elia Kazan, 1947]
22 Um Estranho no Ninho
[One Flew Over the Cuckoo's Nest, Milos Forman, 1975]
21 Onde os Fracos Não Têm Vez
[No Country for Old Men, Joel Coen & Ethan Coen, 2007]

Aconteceu Naquela Noite

20 Do Mundo Nada se Leva
[You Can't Take It with You, Frank Capra, 1938]
19 A Lista de Schindler
[Schindler's List, Steven Spielberg, 1993]
18 Sinfonia em Paris
[An American in Paris, Vincente Minnelli, 1951]
17 Operação França
[The French Connection, William Friedkin, 1971]
16 Sem Novidades no Front
[All Quient on the Western Front, Lewis Milestone, 1930 (ganhou pelo biênio 1929-1930]
15 …E o Vento Levou
[Gone with the Wind, Victor Fleming, 1939]
14 O Franco-Atirador
[The Deer Hunter, Michael Cimino, 1978]
13 Aconteceu Naquela Noite
[It Happened One Night, Frank Capra, 1934]
12 Como Era Verde o Meu Vale
[Como Era Verde o Meu Vale, John Ford, 1941]
11 Casablanca
[Casablanca, Michael Curtiz, 1942 (ganhou pelo ano de 1943]

O Poderos Chefão

10 A Malvada
[All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950]
9 Os Imperdoáveis
[Unforgiven, Clint Eastwood, 1992]
8 Se Meu Apartamento Falasse
[The Apartment, Billy Wilder, 1960]
7 Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
[Annie Hall, Woody Allen, 1977]
6 Minha Bela Dama
[My Fair Lady, George Cukor, 1964]
5 Lawrence da Arábia
[Lawrence of Arabia, Davis Lean, 1962]
4 Perdidos na Noite
[Midnight Cowboy, John Schlesinger, 1969]
3 O Poderoso Chefão – 2ª Parte
[The Godfather - Part II, Francis Ford Coppola, 1974]
2 Sindicato de Ladrões
[On the Waterfront, Elia Kazan, 1954]
1 O Poderoso Chefão
[The Godfather, Francis Ford Coppola, 1972]

O filme mais recente do meu Top 10 é Os Imperdoáveis, de 1992. Além dele, entre meus dez favoritos, só há filmes dos anos 50, 60 e 70. Nostalgia? Talvez, sim. Mas de filmes realmente bons sendo premiados. A verdade é que, embora tenha sido injusto muitas vezes ao longo de sua história, a qualidade dos vencedores do Oscar ficou bem questionável dos anos 80 pra cá. Faz tempo que um O Poderoso Chefão ou um Perdidos na Noite não ganha.

Aurora

A Academia jura que não, mas, no primeiro ano do Oscar, havia dois prêmios de melhor filme. Um deles foi o de melhor produção, categoria em que Asas foi o vencedor. E tinha uma outra categoria, que era a de “qualidade artística de produção”, prêmio ganho por Aurora, de F.W. Murnau, clássico do cinema e, por um acaso, meu filme favorito. Na prática, era um prêmio para o filme mais bem produzido e outro o melhor “filme de arte”. A Academia trata o troféu dado para Aurora como um prêmio especial na timeline do Oscar, mas, no meu coração, o filme de Murnau está no topo da lista de melhores vencedores do Oscar em todos os tempos.

verdadeiro número 1: Aurora
[Sunrise: A Song of Two Humans, F.W. Murnau, 1927]

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Oscar 2016: apostas finais para a lista de indicados

Depois de uma das temporadas de prêmios mais emocionantes dos últimos tempos, com um novo filme assumindo a liderança da corrida pelo Oscar a cada semana, a Academia vai anunciar nesta quinta-feira os indicados para a 88ª edição da premiação mais famosa do mundo. A essa altura, em qualquer outro ano, nós já teríamos um ou dois favoritos para a vitória. Neste ano, mal temos certeza dos filmes que vão conseguir uma indicação, o que anima bastante as coisas para quem acompanha as listas dos críticos e dos sindicatos. E essa indefinição acontece não apenas na principal, mas em várias categorias, inclusive boa parte das mais importantes. A lista abaixo reflete meu olhar para a temporada e minha tentativa de tentar antecipar o que está pensando a Academia.

Vou me reservar o direito de fazer uma revisão dessas apostas na madrugada de quarta para quinta, mas todas as mudanças serão citadas numa nota no topo desse post. Por enquanto, me arrisco com esses aqui. Não apostei nas categorias de curta, como sempre. Para vocês entenderem, os números significam os candidatos que têm mais chances na minha opinião naquela determinada categoria. São 5 apostas por quesito, com duas alternativas também na ordem. As exceções são as categorias de maquiagem, que só tem três indicados, e a de melhor filme, claro, que, pelas regras da Academia, pode indicar de cinco a dez longas. Aposto aqui em nove, número que também é uma aposta, citando outros cinco filmes nas alternativas. Deixem suas apostas nos comentários. Dá pra se divertir bastante até sair a lista final.

Straight Outta Compton

filme

minhas apostas

1 O Regresso (Fox)
2 Spotlight (Open Roads)
3 Mad Max: Estrada da Fúria (Warner)
4 Perdido em Marte (Fox)
5 A Grande Aposta (Paramount)
6 Ponte de Espiões (Warner)
7 Carol (Weinstein)
8 Straight Outta Compton (Universal)
9 Brooklyn (Fox Searchlight)

alternativas

1 Sicario (Lionsgate)
2 Divertida Mente (Disney)
3 O Quarto de Jack (A24)
4 Star Wars: O Despertar da Força (Disney)
5 Steve Jobs (Universal)

direção

minhas apostas

1 Alejandro Gonzalez Iñarritu, O Regresso
2 Ridley Scott, Perdido em Marte
3 George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
4 Tom McCarthy, Spotlight
5 Adam McKay, A Grande Aposta

alternativas

1 Todd Haynes, Carol
2 Steven Spielberg, Ponte de Espiões

ator

minhas apostas

1 Leonardo DiCaprio, O Regresso
2 Michael Fassbender, Steve Jobs
3 Bryan Cranston, Trumbo
4 Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa
5 Matt Damon, Perdido em Marte

alternativas

1 Johnny Depp, Aliança do Crime
2 Tom Courtenay, 45 Anos

atriz

minhas apostas

1 Cate Blanchett, Carol
2 Brie Larson, O Quarto de Jack
3 Saoirse Ronan, Brooklyn
4 Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa
5 Charlotte Rampling, 45 Anos

alternativas

1 Jennifer Lawrence, Joy
2 Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria

Spotlight

ator coadjuvante

minhas apostas

1 Mark Rylance, Ponte de Espiões
2 Sylvester Stallone, Creed
3 Christian Bale, A Grande Aposta
4 Idris Elba, Beasts of No Nation
5 Mark Ruffalo, Spotlight

alternativas

1 Benicio Del Toro, Sicario
2 Michael Keaton, Spotlight

atriz coadjuvante

minhas apostas

1 Rooney Mara, Carol
2 Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
3 Kate Winslet, Steve Jobs
4 Helen Mirren, Trumbo
5 Rachel McAdams, Spotlight

alternativas

1 Alicia Vikander, Ex Machina
2 Jane Fonda, Juventude

roteiro original

minhas apostas

1 Spotlight, Thomas McCarthy & Josh Singer
2 Divertida Mente, Josh Cooley, Pete Docter & Meg LeFauve
3 Os Oito Odiados, Quentin Tarantino
4 Straight Outta Compton, Andrea Berloff, Jonathan Herman, S. Leigh Savidge, Alan Wenkus
5 Ponte de Espiões, Matt Charman, Ethan Coen & Joel Coen

alternativas

1 Sicario, Taylor Sheridan
2 Ex Machina, Alex Garland

roteiro adaptado

minhas apostas

1 A Grande Aposta, Adam McKay & Charles Randolph
2 Carol, Phyllis Nagy
3 Steve Jobs, Aaron Sorkin
4 Brooklyn, Nick Hornby
5 O Quarto de Jack, Emma Donoghue

alternativas

1 Perdido em Marte, Drew Goddard
2 O Regresso, Alejandro G. Innaritu, Mark L. Smith

Mad Max: Estrada da Fúria

fotografia

minhas apostas

1 Mad Max: Estrada da Fúria, John Seale
2 Carol, Edward Lachman
3 O Regresso, Emmanuel Lubezki
4 Os Oito Odiados, Robert Richardson
5 Sicario, Roger Deakins

alternativas

1 Ponte de Espiões, Janusz Kaminski
2 Perdido em Marte, Dariusz Wolski

montagem

minhas apostas

1 Mad Max: Estrada da Fúria, Margaret Sixel
2 O Regresso, Stephen Mirrione
3 Perdido em Marte, Pietro Scalia
4 A Grande Aposta, Hank Corwin
5 Spotlight, Tom McArdle

alternativas

1 Sicario, Joe Walker
2 Ponte de Espiões, Michael Kahn

direção de arte

minhas apostas

1 Mad Max: Estrada da Fúria, Colin Gibson & Lisa Thompson
2 Ponte de Espiões, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo & Bernhard Henrich
3 Star Wars: O Despertar da Força, Rick Carter, Darren Gilford; Lee Sandales
4 Perdido em Marte, Arthur Max; Celia Bobak, Zoltan Horvath
5 Carol, Judy Becker

alternativas

1 A Garota Dinamarquesa, Eve Stewart & Michael Standish
2 Cinderela, Dante Ferretti; Casey Banwel, Francesca Lo Schiavo

figurinos

minhas apostas

1 Carol, Sandy Powell
2 A Garota Dinamarquesa, Paco Delgado
3 Cinderela, Sandy Powell
4 Mad Max: Estrada da Fúria, Jenny Beavan
5 A Colina Escarlate, Kate Hawley

alternativas

1 Brooklyn, Odile Dicks-Mireaux
2 Trumbo, Daniel Orlandi

maquiagem

minhas apostas

1 Mad Max: Estrada da Furia, Lesley Vanderwalt, Damian Martin, Elka Wardega
2 O Regresso, Graham Johnston, Adrien Morot, Robert Pandini
3 Sr. Holmes, Dave Elsey

alternativas

1 O Homem de 100 Anos que Pulou a Janela e Desapareceu, Eva Kozma, Erzsebet Racz
2 Aliança do Crime, Joel Harlow, Gloria Casny

Os Oito Odiados

trilha sonora

minhas apostas

1 Os Oito Odiados (ouça), Ennio Morricone
2 Star Wars: O Despertar da Força (ouça), John Williams
3 Carol (ouça), Carter Burwell
4 A Garota Dinamarquesa (ouça), Alexandre Desplat
5 Ponte de Espiões (ouça), Thomas Newman

alternativas

1 Sicario (ouça), Jóhann Jóhannsson
2 Divertida Mente (ouça), Michael Giacchino

canção

minhas apostas

1 “See You Again” (ouça), Velozes e Furiosos 7
2 “Til It Happens To You” (ouça), The Hunting Ground
3 “Writing’s On the Wall” (ouça), 007 contra Spectre
4 “Simple Song #3” (ouça), Juventude
5 “Love Me Like You Do” (ouça), Cinquenta Tons de Cinza

alternativas

1 “I’ll See You in My Dreams” (ouça), I’ll See You in My Dreams
2 “Feels Like Summer” (ouça), Shaun, o Carneiro

mixagem de som

minhas apostas

1 Star Wars: O Despertar da Força, Stuart Wilson, Andy Nelson, Chris Scarabosio
2 Mad Max: Estrada da Fúria, Ben Osmo, Chris Jenkins, Gregg Rudloff
3 O Regresso, Chris Duesterdiek, Frank A. Montaño, Jon Taylor, Randy Thom
4 Perdido em Marte, Mac Ruth, Paul Massey, Mark Taylor
5 Ponte de Espiões, Drew Kunin, Andy Nelson, Gary Rydstrom

alternativas

1 Straight Outta Compton, Willie Burton, Jon Taylor, Frank A. Montano
2 Sicario, John Reitz, Tom Ozanich, William Sarokin

edição de som

minhas apostas

1 Mad Max: Estrada da Fúria, Scott Hecker, Mark Mangini, David White
2 Star Wars: O Despertar da Força, David Accord, Matthew Wood
3 O Regresso, Martin Hernandez, Randy Thom, Lon Bender
4 Perdido em Marte, Oliver Tarney
5 Os Oito Odiados, Wylie Stateman

alternativas

1 Sicario, Alan Robert Murray
2 Evereste, Glenn Freemantle

Star Wars: O Despertar da Força

efeitos visuais

minhas apostas

1 Star Wars: O Despertar da Força, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan, Chris Corbould
2 Mad Max: Estrada da Fúria, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver, Andy Williams
3 Perdido em Marte, Richard Stammers, Chris Lawrence, Anders Langlands, Steven Warner
4 A Travessia, Kevin Baillie, Jim Gibbs, Viktor Muller, Sebastien Moreau
5 Jurassic World, Tim Alexander, Glen McIntosh, Tony Plett, Michael Meinardus

alternativas

1 O Regresso, Rich McBridge, Matt Shumway, Jason Smith, Cameron Waldbauer
2 Homem-Formiga, Jake Morrison, Greg Steele, Russsell Earl, Dan Sudick

filme de animação

minhas apostas

1 Divertida Mente (Disney/Pixar), Pete Docter & Jonas Rivera
2 Anomalisa (Paramount), Charlie Kaufman & Duke Johnson
3 Shaun, o Carneiro (Lionsgate), Mark Burton & Richard Starzak
4 Kahlil Gibran’s The Prophet (GKids), Roger Allers
5 O Bom Dinossauro (Disney/Pixar), Peter Sohn

alternativas

1 O Menino e o Mundo (GKids), Alê Abreu
2 Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o Filme (Fox), Steve Martino & Craig Schulz

filme estrangeiro

minhas apostas

1 O Filho de Saul (Hungria), László Nemes
2 Cinco Graças (França), Deniz Gamze Ergüven
3 Labirinto de Mentiras (Alemanha), Giulio Ricciarelli
4 O Novíssimo Testamento (Bélgica), Jaco Von Dormael
5 Theeb (Jordânia), Naji Abu Nowar

alternativas

1 Viva (Irlanda), Paddy Breathnach
2 O Abraço da Serpente (Colômbia), Ciro Guerra

Amy

documentário

minhas apostas

1 Amy (A24), Asif Kapadia
2 O Peso do Silêncio (Drafthouse), Joshua Oppenheimer
3 Cartel Land (The Orchard), Matthew Heineman
4 A Verdade Sobre Marlon Brando (Showtime), Stevan Riley
5 Where to Invade Next (Unnamed Quinn/Janego/League Label)

alternativas

1 Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Netflix), Evgeny Afineevsky & Den Tolmor
2 Going Clear: Scientology and the Prison of Belief (Home Box Office), Alex Gibney

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Oscar 2016: Globo de Ouro finge ser importante, mas prefere estrelas no palco

O filme que “deveria ser visto num templo” saiu como vencedor da festa do Globo de Ouro deste ano. O Regresso, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, que fez a declaração entre aspas da frase anterior, ganhou os prêmios de melhor filme e ator dramáticos (Leonardo DiCaprio), além de levar também na categoria de melhor diretor. Com essa escolha, o Globo de Ouro segue na contramão dos outros prêmios dos críticos, que preferiram Spotlight, Mad Max: Estrada da Fúria ou Carol, os três indicados aqui; os três completamente esnobados aqui. E se afasta mais da condição que sempre alimentou, a de prévia do Oscar.

É bom lembrar que o Globo de Ouro existe desde 1951 e que essas mais de seis décadas de história geram demandas. Então, em vez de refletir a temporada, os votantes do prêmio podem querem mais é corrigir injustiças e Iñarritu tinha perdido o prêmio no ano passado por Birdman (para Richard Linklater, de Boyhood). Além disso, seu filme, que concorrida na categoria de comédia ou musical, onde era favorito, cedeu lugar para O Grande Hotel Budapeste. Então, numa temporada de prêmios em que os frontrunners mudam a cada semana, num ano particularmente confuso, eles podem ter usado o fator “conjunto da obra” para escolher seu favorito. Mas essa não parece ser a única razão.

Vejamos: Leonardo DiCaprio, Brie Larson, Matt Damon, Jennifer Lawrence, Kate Winslet. O Globo de Ouro deste ano foi particularmente alto, loiro e bonito. Kate Winslet não é alta? Duvido que você já a tenha encontrado sem salto. Bem, não que os prêmios tenham sido esdrúxulos. DiCaprio e Larson eram os favoritos em suas categorias e Damon e Lawrence dividiam o protagonismo com outros concorrentes, mas estavam muito bem cotados. Mas o que parece contar bastante para o Globo de Ouro é ter estrelas no seu palco para vender seu programa de TV. A primeira prova disso é a manutenção das categorias de filme, ator e atriz divididas entre drama e comédia ou musical, o que cria aberrações como considerar Perdido em Marte uma comédia. Desta forma, eles dobram o número de indicados e enchem a festa de estrelas.

DiCaprio venceu Bryan Cranston, que agora se firma como ator de cinema, e Michael Fassbender, que perdeu gás porque Steve Jobs foi mal de bilheteria, embora o Globo de Ouro tenha preferido premiar o roteiro do filme de Danny Boyle, criticado por aí, em vez dos favoritos Spotlight e A Grande Aposta, que saíram de mãos abanando, e elegeram Kate Winslet, que ganha seu terceiro prêmio de cinema (fora mais um de TV) na festa da imprensa estrangeira. Desbancou as favoritas Jennifer Jason Leigh, Jane Fonda e Alicia Vikander. Só Helen Mirren estava tão desacreditada quanto ela. Por outro lado, Jennifer Lawrence derrubou a amiga Amy Schumer, uma verdadeira comediante, e as veteranas Maggie Smith e Lily Tomlin, que conseguiu ser esnobada duplamente nesta noite já que concorria como atriz de TV.

Matt Damon saiu na frente dos dois atores de A Grande Aposta (Christian Bale e Steve Carrell) e se firma como mais forte candidato à última vaga no Oscar de melhor ator (já que as de DiCaprio, Fassbender, Cranston e Eddie Redmayne parecem asseguradas). Curiosamente, era a maior estrela na disputa e estava no filme mais popular. Brie Larson atendia a outra demanda do Globo de Ouro: apostar em novatas. Bateu Saoirse Ronan, Cate Blanchett, Rooney Mara e novamente Vikander, que também foi duplamente esquecida. Em melhor canção, seguindo a tendência de premiar os mais famosos, nada de Brian Wilson ou Whiz Kalifa, a aposta foi Sam Smith com o tema meia-boca do novo 007. Se a gente lembrar que o U2 ganhou há dois anos por uma música anódina – e que Madonna e Cher também levaram as suas por canções que o Oscar esnobou – faz sentido.

Pelo menos tiveram a decência de premiar Ennio Morricone, que já tinha dois Globos (ao contrário do Oscar, que o indicou sem prêmio cinco vezes), pela trilha de Os Oito Odiados. Nas categorias à parte, ganharam os favoritos O Filho de Saul (filme estrangeiro) e Divertida Mente (animação). O que estes resultados fazem para a corrida ao Oscar? Muito pouco. DiCaprio reforçou seu favoritismo, mas com a ascensão de Matt Damon, pode ver seu prêmio, dado como certo por muita gente, ameaçado. Larson segue à frente das outras candidatas e tem a seu favor o retrospecto de 6 das 10 últimas vencedoras do Oscar de atriz terem repetido o Globo de Ouro de atriz dramática (outras três vieram de atriz em comédia e uma, ora vejam só, de atriz coadjuvante).

Kate Winslet ficou mais visível, mas a boa vontade com Steve Jobs pode não ser tanta assim. O SAG e o Bafta devem dar uma visão mais clara das coisas. Tomara que pelo menos para empurrar a candidatura de Sylvester Stallone sirva o Globo de Ouro. A vitória de Rocky Balboa como coadjuvante foi aplaudida de pé e Creed merece essa indicação. Como não foi lembrado pelo SAG e pelo Bafta, as coisas ficam mais difíceis, mas nosso lutador favorito já deu tanto a volta por cima que não dá pra descartar o homem. Já O Regresso ganha mais uns pontos, mas, nesta disputa bagunçada de melhor filme, o vencedor do ano anterior deve ser a última coisa em que a Academia vai apostar. Além do mais, ganhou o Globo de Ouro, mas não entrou no Top 10 do American Film Institute.

Carol foi o filme mais indicado Globo de Ouro (saiu sem nada), ao Bafta, mas não é um dos dez melhores do ano do Sindicato dos Produtores. Spotlight fez sucesso com os críticos, mas perdeu a indicação ao prêmio dos editores e não teve diretor indicado ao Bafta. Nos Globos, perdeu tudo. Mad Max: Estrada da Fúria está em todas as listas de melhores do ano, mas não conseguiu aparecer nas duas principais categorias do Bafta. Perdido em Marte ganhou o Globo de Ouro de comédia, mas nem foi indicado ao prêmio dos ingleses, compatriotas de Ridley Scott. O Quarto de Jack perdeu indicação ao PGA. Resta quem? A Grande Aposta? Ou a Academia vai arrumar alguma desculpa para escolher um grande vencedor. Se for, ainda é segredo. E o Globo de Ouro não ajudou a gente a descobrir.

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Oscar 2016: o dia em que os ingles trollaram os favoritos

A essa altura da temporada de prêmios, depois de ver seus principais concorrentes caírem, um a um, Spotlight, de Tom McCarthy, parecia o franco favorito ao Oscar de melhor filme. Carol, de Todd Haynes, andava desacreditado na bolsa de apostas e tinha perdido uma vaga no Top 10 do Sindicato dos Produtores, e Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller, embora tenha sido indicado por todo mundo e levado vários prêmios de direção, não parecia uma possibilidade concreta de premiação na festa da Academia por fugir completamente do estereótipo que costuma ser celebrado pela indústria. Talvez um azarão em direção, quem sabe?

Mas eis que chega o Bafta, o Oscar dos britânicos, cada vez menos interessado em premiar ingleses e mirando muito mais em se firmar como uma prévia da festa de Hollywood. E o Bafta veio para abalar. Spotlight está lá, indicado para melhor filme, mas McCarthy perdeu a vaga entre os diretores. Um baque numa corrida que muda de protagonismo a cada dia às vésperas da lista do Oscar sair. Mad Max, que parecia ser a segunda certeza desta lista, não entrou nem em filme, nem em direção. O desejado prêmio pro George Miller ficou mais distante e, se ele não entrar no Top 5 do Sindicato dos Diretores, que sai no dia 12, até a indicação fica ameaçada.

Mas e aí, quem se deu bem? Justamente Carol, que parecia cachorro morto, lidera as indicações ao Bafta, com 9 menções, inclusive filme e direção, dividindo essa liderança com Ponte de Espiões, de Steven Spielberg, que foi um coadjuvante de luxo até então, mas que tema cara do Oscar. Ou não? Com os três principais players da temporada entre altos e baixos, seria o filme de Spielberg uma “saída pela direita” para a Academia? Ou Perdido em Marte, de Ridley Scott, um blockbuster elogiadíssimo na América, seria uma opção? Bem, o Bafta não ajudou muito. Scott, inglês, entrou na categoria de direção, mas não conseguiu emplacar a indicação para melhor filme. Que puxa, hein?

Melhor sorte do que ele tiveram Adam McKay e Alejandro Gonzalez Iñarritu, que viram seus A Grande Aposta e O Regresso, respectivamente, indicados a filme e direção. A trajetória do primeiro é curiosa: o filme surgiu meio do nada, foi bastante elogiado e tem emplacado presença em quase todas as listas de melhores do ano. O senão é que, na condição de comédia, mesmo que comédia inteligente, o filme pode ser visto mais como um indicado do que como um possível vencedor. Por outro lado, o filme de Iñarritu, que ganhou os Oscars de filme e direção no ano passado por Birdman, começou a temporada como uma das grandes apostas, estreou dividindo a crítica e perdeu a vaga no Top 10 do American Film Institute, coisa que nenhum vencedor do Oscar faz, hein?

O Bafta, que nos últimos anos tem ajudado a definir quem está na frente na corrida pelo Oscar, desta vez bagunçou tudo. E não foi só na categoria principal. Entre as atrizes, os britânicos ratificaram as três certezas (Brie Larson, Cate Blanchett e Saoirse Ronan), defenderam Alicia Vikander em A Garota Dinamarquesa, mas preferiram esnobar Charlotte Rampling, que precisava desesperadamente ser lembrada aqui, depois de ter perdido a vaga no SAG e no Globo de Ouro, e trazer Maggie Smith, de A Senhora da Van, que não tinha recebido uma só menção significativa, para o centro da disputa. Na categoria das coadjuvantes, Julie Walters viu sua candidatura por Brooklyn reacender e novamente Vikander, desta vez por Ex Machina, ganhou mais um ponto que pode significar uma dupla indicação no Oscar. Rooney Mara, Kate Winslet e Jennifer Jason Leigh podem não ser exatamente favoritas, mas são certamente os nomes mais onipresentes.

Matt Damon foi a escolha dos britânicos para fechar a lista de atores, se juntando aos onipresentes DiCaprio, Fassbender, Cranston e Redmayne. Já a relação dos coadjuvantes ainda está confusa. Christian Bale ganhou mais força para estar ao lado de Mark Rylance e Idris Elba, os mais citados até então, mas o Globo de Ouro o indicou como protagonista de comédia. Benicio Del Toro e Mark Ruffalo, que sempre pareceram fortes, mas apareceram em poucas listas ganharam um apoio fundamental. Pior para Michael Shannon, de 99 Homes, que surgiu nas listas do SAG, do Globo de Ouro e do Critics Choice; Paul Dano, de Love & Mercy, presente nas duas últimas; e Sylvester Stallone, de Creed, que só foi lembrado pelos jornalistas estrangeiros em Hollywood.

Diante de tantas incertezas, falta o Sindicato dos Diretores se pronunciar. Quando a lista de indicados a melhor filme da Academia era composta apenas por cinco títulos, a relação do DGA era a prévia mais exata para chegar aos finalistas para o Oscar na categoria principal. Os acertos eram de pelo menos 4 em 5, quando não chegava a 100%. Curiosamente, ficavam menores comparados justamente à categoria de direção. Mas, num ano tão tumultuado, no dia 12, os cineastas vão ajudar a dizer quem realmente está na frente na disputa pelo Oscar. Pena que não vamos ter muito tempo para pensar direitinho no impacto dessa lista em relação à da Academia, que vai ser revelada dois dias depois.


indicados ao Bafta 2016

filme
A Grande Aposta
Ponte de Espiões
O Regresso
Carol
Spotlight: Segredos Revelados

direção
Adam McKay, A Grande Aposta
Steven Spielberg, Ponte de Espiões
Todd Haynes, Carol
Ridley Scott, Perdido em Marte
Alejandro G. Inarritu, O Regresso

atriz
Brie Larson, O Quarto de Jack
Saoirse Ronan, Brooklyn
Cate Blanchett, Carol
Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa
Maggie Smith, A Senhora da Van

ator
Leonardo DiCaprio, O Regresso
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa
Michael Fassbender, Steve Jobs
Matt Damon, Perdido em Marte
Bryan Cranston, Trumbo: Lista Negra

atriz coadjuvante
Kate Winslet, Steve Jobs
Alicia Vikander, Ex Machina: Instinto Artificial
Rooney Mara, Carol
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
Julie Walters, Brooklyn

ator coadjuvante
Benicio Del Toro, Sicario: Terra de Ninguém
Christian Bale, A Grande Aposta
Idris Elba, Beasts of No Nation
Mark Ruffalo, Spotlight: Segredos Revelados
Mark Rylance, Ponte de Espiões

roteiro original
Matthew Charman, Ethan Coen, Joel Coen, Ponte de Espiões
Alex Garland, Ex Machina: Instinto Artificial
Quentin Tarantino, Os Oito Odiados
Josh Cooley, Pete Docter, Meg LeFauve, Divertida Mente
Tom McCarthy, Josh Singer, Spotlight: Segredos Revelados

roteiro adaptado
Adam McKay, Charles Randolph, A Grande Aposta
Nick Hornby, Brooklyn
Phyllis Nagy, Carol
Emma Donoghue, O Quarto de Jack
Aaron Sorkin, Steve Jobs

fotografia
Janusz Kaminski, Ponte de Espiões
Ed Lachman, Carol
John Seale, Mad Max: Estrada da Fúria
Emmanuel Lubezki, O Regresso
Roger Deakins, Sicario: Terra de Ninguém

montagem
A Grande Aposta
Ponte de Espiões
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso

desenho de produção
Ponte de Espiões
Carol
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

figurinos
Brooklyn
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

maquiagem
Brooklyn
Carol
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

trilha sonora
Thomas Newman, Ponte de Espiões
Ennio Morricone, Os Oito Odiados
Ryuichi Sakamoto, Carsten Nicolai, O Regresso
Jóhann Jóhannsson, Sicario: Terra de Ninguém
John Williams, Star Wars: O Despertar da Força

som
Ponte de Espiões
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

efeitos visuais
Homem-Formiga
Ex Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

documentário
Amy
Cartel Land
Malala
A Verdade Sobre Marlon Brando
Sherpa

animação
Divertida Mente
Minions
Shaun: O Carneiro

filme britânico
45 Anos
Amy
Brooklyn
A Garota Dinamarquesa
Ex Machina: Instinto Artificial
The Lobster

estreia britânica
Alex Garland (diretor), Ex Machina: Instinto Artificial
Debbie Tucker Green (diretor/roteirista), Second Coming
Naji Abu Nowar (diretor/roteirista); Rupert Lloyd (produtor), Theeb
Sean McAllister (diretor/produtor), Elhum Shakerifar (produtor), A Syrian Love Story
Stephen Fingleton (diretor/roteirista), The Survivalist

curta de animação britânico
Edmond
Manoman
Prologue

curta britânico
Elephant
Mining Poems Or Odes
Operator
Over
Samuel-613

filme estrangeiro
A Assassina (Taiwan)
Força Maior (Suécia)
Theeb (Jordânia)
Timbuktu (Mauritânia)
Relatos Selvagens (Argentina)

estrela em ascensão
Bel Powley
Brie Larson
John Boyega
Taron Egerton
Dakota Johnson

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Filed under Análise, Oscar, Prêmios

Oscar 2016: reações ao SAG e ao Globo de Ouro

Que Horas Ela Volta?, embora bastante cotado, não conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, o que dificulta um pouco a estrada do longa para o Oscar, embora a lógica desta categoria no prêmio de Hollywood seja a mais maluca de todas. A exclusão do filme de Anna Muylaert é lamentável, mas dialoga com uma temporada cheia de altos e baixos, em que cada movimento muda quem está na dianteira nesta disputa. Com as listas de indicados ao Globo de Ouro e ao prêmio do Screen Actors Guild of America, o SAG, vejamos as percepções que tiramos pro Oscar:

1) Spotlight é o frontrunner para melhor filme, mesmo que não tenha a mesma vantagem que 12 Anos de Escravidão teve um par de anos atrás, por exemplo. Ao mesmo tempo, não tem um filme que pareça ser um grande obstáculo. Carol e Mad Max: Estrada da Fúria seriam esses títulos, mas ainda não houve um abraço geral neles. O segundo tem forte apoio dos críticos, mas só aparece no SAG em elenco de dublês, além de ser um filme de um gênero que academia costuma ignorar. O filme de Todd Haynes tem aparecido aqui e ali e o SAG indicou as duas atrizes, mas não o elenco.

2) Perdido em Marte não aconteceu, como se previa. A indicação de Ridley Scott como diretor se soma ao prêmio do cineasta na mesma categoria pelo National Board of Review, mas foi só isso. Deve arrumar uma vaguinha entre os dez filmes, talvez até entre em direção, mas acabou por aí. Brooklyn surgiu no começo do ano como um favorito, foi ao ostracismo, se recuperou com os primeiros prêmios de críticos, mas parece que só Saoirse Ronan tem chances de reais de indicação. O Quarto de Jack também parecia que iria mais longe, mas não deve entrar nem em direção.

3) A Grande Aposta foi o filme do terceiro ato em 2015. Elenco e ator coadjuvante no SAG, filme comédia e dois atores no Globo de Ouro. Mas onde vai parar Christian Bale? Em melhor ator, como quer o Globo de Ouro, uma corrida que já tem muitos players? Ou em ator coadjuvante, como o SAG prefere (e alguns críticos também), onde teria mais chances? Se os votos se dividirem vai ser complicado. O mesmo vale, em maior ou menor grau, para Rooney Mara, de Carol, e Alicia Vikander, de A Garota Dinamarquesa, ambas indicadas como atriz coadjuvante no SAG e atriz no Globo de Ouro (Vikander ainda concorre como coadjuvante por Ex Machina no Globo de Ouro, o que complica um pouco mais o negócio). As indefinições talvez já tenham decretado a morte das candidaturas de Michael Keaton e Mark Ruffalo, já que, de Spotlight, só Rachel Macadams concorre ao SAG. E ninguém concorre ao Globo de Ouro.

4) Trumbo foi o outro filme-surpresa do ano. Emplacou Bryan Cranston e Helen Mirren como ator e atriz coadjuvante no SAG e no Globo de Ouro. Tem tudo pra repetir no Oscar. E ainda teve uma indicação de elenco no prêmio dos atores, ou seja, prestígio (que Carol, por exemplo, não teve). Helen Mirren conseguiu ser finalista em atriz também, no SAG, num dos movimentos mais esquisitos do ano. O filme, um drama com ecos da Segunda Guerra, é bem fraquinho e ninguém havia cogitado nada para ela. Sarah Silverman também surpreendeu com um nod ao SAG de melhor atriz. Chances no Oscar pras duas? Bem poucas, mas tudo isso indica que Charlotte Rampling, de 45 Anos, uma virtual vencedora, está uns passos atrás na corrida.

5) Idris Elba está consolidado com sua performance em Beasts of No Nation: disputa Globo de Ouro e SAG. Parece que abraçaram o Netflix, o que era uma dúvida grande. Michael Shannon, de 99 Homes, é outro que emplacou nods nos dois prêmios. Essa dupla pode minar as chances de atores que tinham sido mais visados até então: Paul Dano, de Love & Mercy, Sylvester Stallone, de Creed, e Tom Hardy, de O Regresso, além de Keaton e Ruffalo. Isso só beneficia Mark Rylance, de Ponte de Espiões, que pode ser o come-quieto do ano.

Me parece que o negócio seria mais ou menos assim no Oscar:

filme

Spotlight, Tom McCarthy
Mad Max: Estrada da Fúria, George Miller
Carol, Todd Haynes
O Regresso, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Brooklyn, John Crowley
Perdido em Marte, Ridley Scott
O Quarto de Jack, Lenny Abrahamson
Ponte de Espiões, Steven Spielberg
Beasts of No Nation, Cary Fukunaga
A Grande Aposta, Adam McKay

direção

Tom McCarthy, Spotlight
George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Todd Haynes, Carol
Alejandro Gonzalez Iñarritu, O Regresso
Ridley Scott, Perdido em Marte

ator

Leonardo Di Caprio, O Regresso
Michael Fassbender, Steve Jobs
Bryan Cranston, Trumbo
Eddie Redmayne, A Garota Dinamarquesa
Matt Damon, Perdido em Marte

atriz

Cate Blanchett, Carol
Saoirse Ronan, Brooklyn
Brie Larson, O Quarto de Jack
Jennifer Lawrence, Joy
Charlotte Rampling, 45 Anos

ator coadjuvante

Mark Rylance, Ponte de Espiões
Idris Elba, Beasts of No Nation
Michael Shannon, 99 Homes
Christian Bale, A Grande Aposta
Paul Dano, Love & Mercy

atriz coadjuvante

Rooney Mara, Carol
Alicia Vikander, A Garota Dinamarquesa
Jennifer Jason Leigh, Os Oito Odiados
Helen Mirren, Trumbo
Kate Winslet, Steve Jobs

roteiro original

Spotlight, Thomas McCarthy & Josh Singer
Os Oito Odiados, Quentin Tarantino
Divertida Mente, Josh Cooley, Pete Docter & Meg LeFauve
Ponte de Espiões, Matt Charman, Ethan Coen & Joel Coen
Joy, Annie Mumolo, David O. Russell

roteiro adaptado

Carol, Phyllis Nagy
Brooklyn, Nick Hornby
O Quarto de Jack, Emma Donoghue
A Grande Aposta, Michael Lewis & Adam McKay
Steve Jobs, Aaron Sorkin

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