Category Archives: Listas

Cinco filmes disponíveis em streaming

Cinco filmes que rodaram festivais mundo afora, e passaram em circuito no Brasil, chegam agora em video on demand. Dois são destaques absolutos na lista de melhores filmes de 2016: o primeiro é Invasão Zumbi, blockbuster coreano com mortos-vivos soltos dentro de um trem bala e um dos filmes mais inteligentes e empolgantes do gênero nos últimos muitos anos; o segundo é o ótimo Sieranevada, belíssimo – e ácido – encontro de família dirigido pelo romeno Cristi Puiu, dono de um olhar clínico e impiedoso sobre as relações pessoais e sobre seu próprio país.

Estados Unidos do Amor, Min Bahadur Bham

Invasão Zumbi, Sang-Ho Yeon

Nas Estradas do Nepal, Tomasz Wasilewski

O Presidente, Mohsen Makhmalbaf

Sieranevada, Cristi Puiu

Os filmes estão disponíveis nas seguintes plataformas: NOW (R$11,90) / VIVO PLAY (R$ 9,90) / Google Play (Compra R$ 29,90 Aluguel R$9,90) / iTunes (Compra US$6.99 / Aluguel US$2.99).

Compartilhe!

Leave a Comment

Filed under Listas

Oscar 2017: os estrangeiros

A Academia anunciou a lista final de filmes que disputam uma vaga na corrida pelo Oscar de língua estrangeira e o recorde de número de inscritos foi batido mais uma vez. Oitenta e nove países selecionaram seus candidatos oficiais, mas apenas 85 aparecem na lista da Academia (quatro a mais do que no ano passado). Os motivos para os cortes ainda não foram revelados (nem sabemos se serão), mas geralmente eles passam pela real nacionalidade de um filme e pela quantidade de diálogos que ele tem na língua do país que o indicou. Saíram da disputa:

Afeganistão: Parting, Navid Mahmoudi
Armênia: Earthquake, Sarik Andreasyan
Camarões: Yahan Ameena Bikti Hai, Kumar Raj
Tunísia: As I Open My Eyes, Leyla Bouzid

A tendência natural dos países é privilegiar filmes que estrearam em grandes festivais, como a Itália, que elegeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, Fogo no Mar; a Venezuela, cuja escolha foi o vencedor de Veneza no ano passado, De Longe Te Observo; e ainda Alemanha, França, Espanha, Romênia e Canadá, que elegeram seus filmes em Cannes, só para citar alguns exemplos. Diretores reconhecidos estão na disputa deste ano: Paul Verhoeven, Danis Tanovic, Hany Abu-Assad, Andrzej Wajda, morto recentemente, e Andrei Konchalovsky, todos ou já premiados ou já indicados na categoria. O Brasil decidiu seguir uma estratégia diferente. Em vez do prestigiado Aquarius, celebrado em Cannes e que agora chega aos cinemas franceses elogiadíssimo pela Cahiers du Cinema, preferiu o obscuro Pequeno Segredo, de David Schurmann, sob o pretexto de ser “a cara do Oscar”.

Vejam os 85 filmes confirmados:

África do Sul: Call Me Thief, Daryne Joshua
Albânia: Chromium, Bujar Alimani
Alemanha: Toni Erdmann EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Maren Ade
Arábia Saudita: Barakah Meets Barakah, Mahmoud Sabbagh
Argélia: The Well, Lotfi Bouchouchi
Argentina: O Cidadão Ilustre, Mariano Cohn e Gastón Duprat
Austrália: Tanna EstrelinhaEstrelinha½, Martin Butler & Bentley Dean
Áustria: Stefan Zweig: Farewell to Europe, Maria Schrader
Bangladesh: The Unnamed, Tauquir Ahmed
Bélgica: The Ardennes, Robin Pront
Bolívia: Sealed Cargo, Julia Vargas-Weise
Bósnia Herzegovina: Morte em Sarajevo EstrelinhaEstrelinha, Danis Tanovic
Brasil: Pequeno Segredo Estrelinha½, David Schurmann
Bulgária: Losers, Ivaylo Hristov
Camboja: Before the Fall, Ian White
Canadá: É Apenas o Fim do Mundo, Xavier Dolan
Cazaquistão: Amanat, Satybaldy Narymbetov
Chile: Neruda, Pablo Larrain
China: Xuan Zang, Huo Jianqi
Colômbia: Alias Maria, José Luis Rugeles Gracia
Coreia do Sul: The Age of Shadows, Kim Jee-Woon
Costa Rica: Entonces Nosotros, Hernán Jiménez
Croácia: On the Other Side, de Zrinko Ogresta
Cuba: El Acompañante, Pavel Giroud
Dinamarca: Land of Mine, Martin Zandvliet
Egito: Clash, Mohamed Diab
Eslováquia: Eva Nová, Marko Škop
Eslovênia: Houston, We Have a Problem!, Žiga Virc
Equador: Sin Muertos no Hay Carnaval, Sebastián Cordero
Espanha: Julieta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Pedro Almodóvar
Estônia: Mother, Kadri Kõusaare
Filipinas: Ma’ Rosa EstrelinhaEstrelinha½, Brillante Mendoza
Finlândia: O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Juho Kuosmanen
França: Elle EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Verhoeven
Geórgia: House of Others, Russudan Glurjidze
Grécia: Chevalier, Athina Rachel Tsangari
Holanda: Tonio, Paula van der Oest
Hong Kong: Port of Call, Philip Yung
Hungria: Kills on Wheels, Atilla Till
Iêmen: I Am Nojoom, Age 10 and Divorced, Khadija Al-Salami
Índia: Visaranai, Vetrimaaran
Indonésia: Letters from Prague, Angga Dwimas Sasongko
Irã: O Apartamento EstrelinhaEstrelinha, Asghar Farhadi
Iraque: El Clásico, Halkawt Mustafa
Islândia: Pardais EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rúnar Rúnarsson
Israel: Sand Storm, Elite Zexer
Itália: Fogo no Mar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Gianfranco Rosi
Japão: Nagasaki: Memories of my Son, Yôji Yamada
Jordânia: 3000 Nights, Mai Masri
Kosovo: Home Sweet Home, Faton Bajraktari
Letônia: Dawn, Laila Pakalniņa
Líbano: Very Big Shot, Mir-Jean Bou Chaaya
Lituânia: Seneca’s Day, Kristijonas Vildziunas
Luxemburgo: Voices from Chernobyl, Pol Cruchten
Macedônia: The Liberation of Skopje, Rade Šerbedžija, Danilo Šerbedžija
Malásia: Beautiful Pain, Tunku Mona Riza
Marrocos: A Mile in My Shoes, Said Khallaf
México: Deserto, Jonás Cuarón
Montenegro: The Black Pin, Ivan Marinovic
Nepal: The Black Hen, Min Bahadur Bham
Noruega: The King’s Choice, Erik Poppe
Nova Zelândia: A Flickering Truth, Pietra Brettkelly
Palestina: O Ídolo, Hany Abu-Assad
Panamá: Salsipuedes, Ricardo Aguilar Navarro & Manuel Rodríguez
Paquistão: Mah e Mir, Anjum Shahzad
Peru: Videophilia (and Other Viral Syndromes), Juan Daniel Fernández
Polônia: Afterimage, Andrzej Wajda
Portugal: Cartas da Guerra, Ivo M. Ferreira
Quirguistão: A Father’s Will, Bakyt Mukul, Dastan Japar Uulu
Reino Unido: Sob as Sombras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Babak Anvari
República Dominicana: Flor de Azucar, Fernando Baez
República Tcheca: Lost in Munich, Petr Zelenka
Romênia: Sieranevada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Cristi Puiu
Rússia: Paradise, Andrei Konchalovsky
Sérvia: O Diário de um Maquinista EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Miloš Radović
Singapura: Apprentice, Boo Junfeng
Suécia: A Man Called Ove, Hannes Holm
Suíça: My Life as a Courgette, Claude Barras
Tailândia: Karma, Kanittha Kwanyu
Taiwan: Hang in There, Kids!, Laha Mebow
Turquia: Cold of Kalandar, Mustafa Kara
Ucrânia: Ukrainian Sheriffs, Roman Bondarchuk
Uruguai: Breadcrumbs, Manane Rodriguez
Venezuela: De Longe Te Observo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lorenzo Vigas
Vietnã: Yellow Flowers on the Green Grass, Victor Wu

6 Comments

Filed under Listas, Oscar, Prêmios

Top 110: os melhores filmes LGBT de todos os tempos

Enquanto Alexandre Frota vai ao Ministério da Educação junto com integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo financiado por PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade, para discutir ideologia de gênero, o cinema amplia as discussões sobre todas as formas de sexualidade. Tempos atrás, depois de uma extensa pesquisa que tomou meses, assistindo filmes, entendendo contextos, medindo relevâncias, relacionando expressão artística aos movimentos da sociedade, elaborei uma lista com os que eu considerava ser os 40 melhores filmes de temática gay de todos os tempos. A palavra gay estava lá muito mais para indicar sexualidades diferentes do padrão heteronormativo. Na verdade, e agora eu corrijo no título, a ideia era englobar os melhores filmes de temáticas LGBT.

Alguns anos se passaram e chegou a hora de revisitar e reeditar esta lista. Nos últimos anos, obras importantes como Carol e Tangerine, para ficar em apenas dois exemplos, chegaram aos cinemas, ganharam prêmios, geraram discussão. Nos últimos anos também, tive mais acesso a outras obras de referência e a filmografias de cineastas realmente engajados politicamente com a causa LGBT, como Rainer Werner Fassbinder, Rosa von Praunheim e Derek Jarman. Revisar esta lista era, mais do que instigante, necessário, embora eu ache que todas as listas refletem uma época, um recorte, o pensamento de quem a elaborou e não me arrependa nada da minha primeira relação.

Cada filme que aparece, tanto na relação original quanto nesta nova versão, está por um motivo, seja pioneirismo, engajamento, representatividade, apuro estético, experimento de linguagem. As razões são diversas. Todas, a meu ver, importantes. Na minha revisão, a lista ganhou uma edição metabolizada. O Top 40 agora tem a companhia de mais 14 títulos, são 54, e ainda acrescento uma relação extra, sem ordem de preferência com outros 56 filmes bastante significativos para as questões LGBT, que podem e devem servir de referência para quem se interessa pelo assunto.

Primeiro, a lista complementar:

Adeus Minha Concubina
[Ba Wang Bie Ji, Chen Kaige, 1993]
Amigas de Colégio
[Fucking Åmål, Lukas Moodysson, 1998]
O Amor Não Tem Sexo
[Prick Up Your Ears, Stephen Frears,1987]
O Banquete de Casamento
[Xi Yan, Ang Lee, 1993]
Born in Flames
[Born in Flames, Lizzie Borden, 1983]
Cabaret
[Cabaret, Bob Fosse, 1972]
Café com Leite (assista)
[Café com Leite, Daniel Ribeiro, 2007]
Canções de Amor
[Le Chansons d'Amour, Christopher Honoré, 2007]
Um Canto de Amor
[Un Chant d'Amour, Jean Genet, 1950]
Contracorrente
[Contracorriente, Javier Fuentes-León, 2009]
Coronel Redl
[Oberst Redl, István Szabó, 1985]
Delicada Relação
[Yossi & Jagger, Eytan Fox, 2002]
Deuses e Monstros
[Gods and Monsters, Bill Condon, 1998]
Doce Amianto
[Doce Amianto, Guto Parente & Uirá dos Reis, 2013]
E a Vida Continua
[And the Band Played On, Roger Spottiswoode, 1993]
Eduardo II
[Edward II, Derek Jarman, 1991]
Eu Não Quero Dormir Sozinho
[Hei Yan Quan, Tsai Ming-Liang, 2006]
Eu Não Quero Voltar Sozinho (assista)
[Eu Não Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro, 2010]
Filadélfia
[Philladelphia, Jonathan Demme, 1993]
Furyo, em Nome da Honra
[Merry Christmas Mr. Lawrence, Nagisa Ôshima, 1983]
A Gaiola das Loucas
[La Cage aux Folles, Édouard Molinaro, 1978]
Hairspray – Éramos Todos Jovens
[Hairspray, John Waters, 1988]
O Jovem Törless
[Der Junge Törless, Volker Schlöndorff, 1966]
Juventude Transviada
[Rebel Without a Cause, Nicholas Ray, 1955]
Madame Satã
[Madame Satã, Karim Aïnouz, 2002]
Maurice
[Maurice, James Ivory, 1987]
O Menino e o Vento
[O Menino e o Vento, Carlos Hugo Christensen, 1967]
Meninos Não Choram
[Boys Don't Cry, Kimberly Pierce, 1999]
Mikaël
[Mikaël, Carl Th. Dreyer, 1924]
Mistérios da Carne
[Mysterious Skin, Gregg Araki, 2007]
Morango e Chocolate
[Fresa y Chocolate, Tomás Gutiérrez Alea & Juan Carlos Tabío, 1993]
Onda Nova
[Onda Nova, José Antonio Garcia & Ícaro Martins, 1983]
Orlando, a Mulher Imortal
[Orlando, Sally Potter, 1992]
Otto; Or Up with Dead People
[Otto; Or Up with Dead People, Bruce LaBruce, 2008]
Pariah
[Pariah, Dee Rees, 1001]
Perdidos na Noite
[Midnight Cowboy, John Schlesinger, 1968]
Plata Quemada
[Plata Quemada, Marcelo Piñeyro, 2000]
Portrait of Jason
[Portrait of Jason, Shirley Clarke, 1967]
The Queen
[The Queen, Frank Simon, 1968]
Querelle
[Querelle, Rainer Werner Fassbinder, 1982]
A Rainha Diaba
[A Rainha Diaba, Antonio Carlos da Fontoura, 1974]
O Rio
[He Liu, Tsai Ming-liang, 1997]
The Rocky Horror Picture Show
[The Rocky Horror Picture Show, Jim Sharman, 1975]
São Paulo em Hi-Fi
[São Paulo em Hi-Fi, Lufe Steffen, 2013]
Sex in Chains
[Geschlecht in Fesseln, William Dieterle, 1928]
Shortbus
[Shortbus, John Cameron Mitchell, 2006]
Tabu
[Gohatto, Nagisa Ôshima, 1999]
Taxi para o Banheiro Masculino
[Taxi Zum Klo, Frank Ripploh, 1980]
O Tempo que Resta
[Le Temps qui Reste, François Ozon, 2005]
As Testemunhas
[Les Témoins, André Techiné, 2007]
Thelma & Louise
[Thelma & Louise, Ridley Scott, 1991]
Triângulo Feminino
[The Killing of Sister George, Robert Aldrich, 1968]
Tudo Sobre o Meu Pai
[Alt om Min Far, Even Benestad, 2002]
Velvet Goldmine
[Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1997]
Veneno
[Poison, Todd Haynes, 1991]
Vitor ou Vitória
[Victor/Victoria, Blake Edwards, 1982]

Um breve histórico do cinema LGBT

Somente nas duas últimas décadas, o largo espectro das orientações e condições sexuais conseguiu encontrar um variado e substancioso conjunto de representações no cinema. Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, drag queens, entre outros, podem ser encontrados, hoje, em larga escala, em filmes que ultrapassaram o gueto do cinema de classe e que assumem tanto as estruturas de gêneros clássicos, como dramas, comédias e filmes de suspense e de terror, como trazem a orientação sexual para um campo de normalidade que permite se ater a detalhes antes soterrados porque a questão maior já era a ousadia do tema em si.

Embora o cinema “gay” – e aqui gay engloba todas essas sexualidades diferente do padrão homem-mulher, tenha conseguido renegociar sua posição na produção de filmes, ao longo desses 120 anos de cinema, houve muitos projetos que foram pioneiros em explorar as questões ligadas ao comportamento e ao universo homossexual. Há críticos que insistem que um dos primeiros filmes, o curta-metragem The Dickson Experimental Sound Film, de William Dickson, um filme sonoro realizado mais de 30 anos antes do som chegar de fato ao cinema, teria personagens com um comportamento nitidamente homossexual. No filme, que você pode assistir abaixo, dois homens dançam ao som de um instrumento musical.

Há bastante controvérsia. Alguns estudiosos dizem que o registro da dança entre dois homens teria chocado plateias, enquanto outros afirmam que aquele comportamento seria comum entre homens na época. A época é, no caso, 1895, o ano da “invenção do cinema”. Forçação de barra ou não, outros exemplos de possíveis manifestações homossexuais no cinema podem ser conferidos – e geram polêmica – nos anos seguintes. Em 1907, Georges Méliès dirigiu O Eclipse: Ou a Corte do Sol à Lua, em que um astro-rei viril seduz uma lua efeminada. Alguns estudos dizem que sol e lua seriam do gênero masculino e que o momento do eclipe seria, de fato, uma relação homossexual. A primeira do cinema.

Nos anos seguintes, as comédias flertaram com os temas gays. Algie, The Miner, de Alice Guy-Blaché, mostra um homem efeminado que precisa se livrar do estigma de que “beija cowboys” para conseguir namorar a filha de um ricaço. Charles Chaplin usou roupas femininas em A Mulher e seduziu vários homens. E em A Florida Enchantment, de Sidney Drew, uma mulher engole uma semente mágica que a transforma em homem e seu noivo faz o mesmo e vira um homem “afetado”. Todos estes filmes são da primeira metade da década de 1910 e todos têm um quê de brincadeira. Mas pouco depois disso começaram na Europa as primeiras tentativas de se fazer filmes “sérios” sobre o assunto.

Na Suécia, Mauritz Stiller adaptou o romance Mikaël, de Herman Bang, sobre a relação entre um pintor aclamado e seu pupilo, abalada pela chegada de uma condessa que seduz o jovem, em The Wings, de 1916. O dinamarquês Carl Theodore Dreyer refilmou o livro em 1924 usando o título original, Mikaël. Pela primeira vez, se a história não engoliu algum pioneiro, temos personagens gays representados no cinema. Em 1919, numa Alemanha onde a Constituição considerava a prática homoafetiva como crime, Richard Oswald se une ao físico e sexólogo Magnus Hirschfeld para rodar Diferente dos Outros, que também conta a história de um artista, um músico, e um homem mais jovem. A chantagem contra os homossexuais, algo que era comum no país na época, é um dos temas centrais do filme.

Nas décadas seguintes, nos mais diversos cantos do planeta, censurados ou não, usando subtextos ou sendo mais explícitos, muitos diretores, alguns bastante conceituados, no auge de suas carreiras e heterossexuais, resolveram contar histórias de homoafetividade. De simples romances ao retrato de comportamento de guetos, de cidadãos “comuns” a estereótipos, muitos deles foram bastante felizes em dar sua contribuição para o gênero no cinema. Basta clicar no link abaixo para acessar minha lista com os melhores filmes com temática LGBT de todos os tempos.

Continue reading

28 Comments

Filed under Listas

O Oscar dos Meus Sonhos: versão 2016

Todo ano eu brinco de votante da Academia. Fuço lá na lista de filmes elegíveis para o Oscar e faço minhas próprias escolhas, independentemente do marketing, do hype, seguindo apenas minhas preferências. Esta aqui é a lista do Oscar dos Meus Sonhos, versão 2016. Respeitei o mesmo número de indicados em cada categoria e segui as especificações da Acacemia para os quesitos que têm pré-finalistas: trilha sonora, canção, efeitos visuais, documentário, animação e filme estrangeiro. Em cada categoria, indico o meu vencedor, com duas setinhas ao lado do nome do indicado.

filme

Acima das Nuvens
Brooklyn
Carol
Corrente do Mal
Divertida Mente
La Jaula de Oro
>> Mad Max: Estrada da Fúria
Spotlight

direção

David Robert Mitchell, Corrente do Mal
>> George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria
Olivier Assayas, Acima das Nuvens
Pete Docter & Ronnie Del Carmen, Divertida Mente
Todd Haynes, Carol

ator

Abraham Attah, Beasts of No Nation
Jacob Tremlay, O Quarto de Jack
Jason Segel, O Fim da Turnê
>> Paul Dano, Love & Mercy
Tom Courtenay, 45 Anos

atriz

Cate Blanchett, Carol
>> Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria
Charlotte Rampling, 45 Anos
Juliette Binoche, Acima das Nuvens
Saoirse Ronan, Brooklyn

ator coadjuvante

Christian Bale, A Grande Aposta
>> Emory Cohen, Brooklyn
Mark Rylance, Ponte de Espiões
RJ Cyler, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer
Sylvester Stallone, Creed

atriz coadjuvante

>> Kristen Stewart, Acima das Nuvens
Kristen Wiig, The Diary of a Teenage Girl
Marion Cotillard, Macbeth
Oona Laurence, Nocaute
Phyllis Smith, Divertida Mente

roteiro original

Acima das Nuvens
Corrente do Mal
>> Divertida Mente
Spotlight
Tangerine

roteiro adaptado

Brooklyn
Carol
>> The Diary of a Teenage Girl
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

filme estrangeiro

A Assassina (Taiwan)
O Filho de Saul (Hungria)
Ixcanul (Guatemala)
As Mil e uma Noites: Volume 2 – O Desolado (Portugal)
>> Que Horas Ela Volta? (Brasil)

filme de animação

Anomalisa
>> Divertida Mente
As Memórias de Marnie
O Menino e o Mundo
Minions

fotografia

>> Carol
Corrente do Mal
Macbeth
No Coração do Mar
Os Oito Odiados

montagem

Corrente do Mal
Divertida Mente
A Grande Aposta
Kingsman
>> Mad Max: Estrada da Fúria

direção de arte

Carol
>> A Colina Escarlate
Corrente do Mal
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

figurinos

Carol
>> A Colina Escarlate
A Garota Dinamarquesa
Longe Deste Insensato Mundo
Macbeth

maquiagem

>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Sr. Holmes

trilha sonora

>> Carol
Divertida Mente
Longe Deste Insensato Mundo
Mad Max: Estrada da Fúria
Os Oito Odiados

canção

“Feel Like Summer”, Shaun, o Carneiro
“Hey Baby Doll”, Danny Collins
“I’ll See You in My Dreams”, I’ll See You in My Dreams
“Love Me Like You Do”, Cinquenta Tons de Cinza
>> “See You Again”, Velozes e Furiosos 7

edição de som

Corrente do Mal
Divertida Mente
>> Mad Max: Estrada da Fúria
O Menino e o Mundo
Star Wars: O Despertar da Força

mixagem de som

Love & Mercy
>> Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

efeitos visuais

>> Homem-Formiga
Mad Max: Estrada da Fúria
No Coração do Mar
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

documentário

Em Jackson Heights
Iris
Os Irmãos Lobo
>> O Peso do Silêncio
A Verdade Sobre Marlon Brando

2 Comments

Filed under Listas, Oscar, Prêmios

Top 5: as melhores animações de todos os tempos, segundo Alê Abreu

Perguntei para o Alê Abreu quais eram os filmes de animação de que ele mais gostava e pedi para que escrevesse textinhos curtos sobre cada um deles para eu publicar aqui no blogue. Ele me respondeu no dia 15 de julho do ano passado e a lista permaneceu inédita até hoje. Imagino que hoje, poucas horas antes do Oscar, onde ele concorre ao prêmio de melhor longa de animação como o belo O Menino e o Mundo, não exista hora melhor para publicar o Top 5 do Alê. Ele, de cara, já avisa: “Não significa que sejam os melhores, nem estão em qualquer ordem de importância”. E lá vão eles:

Top 5 animações do Alê Abreu

Os Mestres do Tempo
[Les Maítres du Temps, René Laloux, 1982]

Não é o melhor filme do Laloux – eu diria que é Planeta Selvagem (ou Planeta Fantástico) - e também não é nenhum primor técnico, mas tem um “clima” incrível. Após um desastre, um menino perde-se num planeta perigoso. Descobri este filme quando estudava animação no Museu da Imagem e do Som, nos anos 8o, através de um livro sobre a arte do filme (que tem a participação do mestre Moebius). Mas naquela época não era tão fácil conseguir uma cópia. Então passei parte da minha adolescência imaginando diversas histórias para aqueles desenhos. Um dia, já com 17 anos de idade, finalmente pude assistir ao filme. Um marco na minha história da animação.

Meu Vizinho Totoro
[Tonari no Totoro, Hayao Miyazaki, 1988]

Talvez não seja o melhor dos filmes do mestre japonês (se me perguntassem, talvez eu dissesse A Viagem de Chihiro), mas é daqueles inesquecíveis. A história de descoberta das duas irmãs que acabaram de mudar-se para uma casa no campo, onde aguardam a mãe retornar do hospital, encanta adultos e crianças. Ouvi dizer que foi inspirada numa história verídica, de uma menina que desapareceu. Descobri um pequeno cinema de arte em Paris, onde apresentei O Menino e o Mundo“, que exibe Totoro todos os domingos, há vinte anos!

O Túmulo dos Vagalumes
[Hotaru no Haka, Isao Takahata, 1988]

Realizado pelo sócio do Miyazaki no estúdio japonês Ghibli, é mais um clássico da animação japonesa. A história dos dois irmãos que tentam sobreviver no Japão em meio a Segunda Guerra é muito emocionante. Não conheço uma alma viva que não tenha chorado exaustivamente na última sequência deste filme.

Ghost in the Shell
[Kôkaku Kidôtai, Mamoro Oshii, 1995]

Lançado no Brasil como O Fantasma do Futuro, é o terceiro Japonês da lista. Este é um policial futurista filosófico, sobre a tecnologia. Tem uma das cenas antológicas do cinema de animação, praticamente feitas só de cenários, com pouquíssima animação (a cidade). Este filme foi a inspiração principal para os Wachowski, em Matrix.

As Bicicletas de Belleville
[Les Triplettes de Belleville, Sylvain Chomet, 2003]

Acho um filme emblemático – por sua linguagem e ousadia. Lançado num momento em que a animação 3D conhecia seu ápice, as caricaturas 2D, a ausência de diálogos e o universo cativante deste filme nos lembra que a boa animação é aquela capaz de nos transportar para um universo crível e cheio de graça.

E o Alê Abreu ainda deu um chorinho: O Mágico [Sylvain Chomet, 2010], Wall-E [Andrew Stanton, 2008] (a primeira parte), Persépolis [Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi, 2007], Planeta Selvagem [René Laloux, 1973], Pink Floyd – The Wall [Alan Parker, 1982], A Viagem de Chihiro [Hayao Myiazaki, 2003], e até filmes recentes como Ernest e Célestine [Stéphane Aubier, Vincent Patar & Benjamin Renner, 2012] e A Canção do Oceano [Tomm Moore, 2014], poderiam entrar nesta lista.

1 Comment

Filed under Listas

Todos os Oscars de melhor filme: do pior para o melhor

Oitenta e sete filmes já foram premiados com o Oscar de melhor filme. Alguns deles estão entre os maiores clássicos do cinema. A vitória de outros, é bem difícil de explicar. Nos últimos tempos, deflagrei uma minicampanha minha mesmo para ver os filmes que levaram o prêmio e que eu ainda não tinha assistido. Eram oito. Vi O Bom Pastor, que não é um dos melhores do Leo McCarey, mas me parece digno. Depois veio O Homem que Não Vendeu Sua Alma, belo filme teatral dirigido pelo Fred Zinneman e com uma atuação estupenda do Paul Scofield. Em seguida veio o drama-western Cimarron, dramalhão sobre a construção da América em que pouco se salva além da curiosidade. Na sequência vi o delicioso As Aventuras de Tom Jones, filme anarquista por excelência, ousadíssimo ao trazer um roteiro de comédia alucinada e uma edição cheia de truques para um longa de época; obra do ótimo Tony Richardson, com um elenco muito à vontade. Assisti ainda ao belo, ainda que formal, Patton: Rebelde ou Herói?, filme bem rigoroso do Franklin J. Schaffner, com roteiro do Coppola e um protagonista excelente chamado George C. Scott, que, por sinal, recusou o Oscar de melhor ator. Segui com a biografia acomodada A Vida de Emile Zola, que se salva pela ótima sequência de tribunal em que reencena o caso Dreyfus, e depois pelo pioneiro Asas, um filme de 1927 que impressiona até hoje por construção visual, tanto na fotografia quanto nos efeitos especiais maravilhosos. É difícil ver o filme e saber o que é efeito e o que não é. E Clara Bow é uma das maiores divas do cinema silencioso, embora o filme não a valorize tanto. Ziegfeld, o Criador de Estrelas, burocrática biografia – de três horas! – de um mito do teatro de revista, encerrou os trabalhos. Depois da maratona, resolvi fazer esta lista, com os 87 vencedores, do pior até o melhor, seguindo meu gosto pessoal.

Carruagens de Fogo

87 Crash – No Limite
[Crash, Paul Haggis, 2004 (ganhou por 2005)]
86 Uma Mente Brilhante
[A Beautiful Mind, Ron Howard, 2001]
85 Cimarron
[Cimarron, Wesley Ruggles, 1931 (ganhou pelo biênio 1930-1931]
84 Cavalgada
[Cavalcade, Frank Lloyd, 1933 (ganhou pelo biênio 1932-1933]
83 Quem Quer Ser um Milionário?
[Slumdog Millionaire, Danny Boyle, 2008]
82 Grande Hotel
[Grand Hotel, Edmund Goulding, 1932 (ganhou o Oscar pelo biênio 1931-1932)]
81 Carruagens de Fogo
[Chariots of Fire, Hugh Hudson, 1981]

O Último Imperador

80 A Volta ao Mundo em 80 Dias
[Around the World in Eighty Days, Michael Anderson, 1956]
79 O Discurso do Rei
[The King's Speech, Tom Hooper, 2010]
78 Gandhi
[Gandhi, Richard Attenborough, 1982]
77 Melodia da Broadway
[The Broadway Melody, Harry Beaumont, 1929]
76 A Vida de Émile Zola
[The Life of Emile Zola, William Dieterle, 1937]
75 Ziegfeld, o Criador de Estrelas
[The Great Ziegfeld, Robert Z. Leonard, 1936]
74 Entre Dois Amores
[Out of Africa, Sydney Pollack, 1985]
73 O Grande Motim
[Mutiny on the Bounty, Frank Lloyd, 1935]
72 O Último Imperador
[The Last Emperor, Bernardo Bertolucci, 1987]
71 Os Melhores Anos de Nossas Vidas
[The Best Years of Our Lives, William Wyler, 1946]

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

70 Conduzindo Miss Daisy
[Driving Miss Daisy, Bruce Beresford, 1989]
69 Rosa da Esperança
[Mrs. Miniver, William Wyler, 1942]
68 O Bom Pastor
[Going My Way, Leo McCarey, 1944]
67 O Paciente Inglês
[The English Patient, Anthony Minghella, 1996]
66 Rain Man
[Rain Man, Barry Levinson, 1988]
65 Argo
[Argo, Ben Affleck, 2012]
64 Shakespeare Apaixonado
[Shakespeare in Love, John Madden, 1998]
63 Birdman
[Birdman, Alejandro G. Iñarritu, 2014]
62 O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
[The Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson, 2003]
61 Gladiador
[Gladiator, Ridley Scott, 2000]

Forrest Gump

60 Dança com Lobos
[Dances with the Wolves, Kevin Costner, 1990]
59 Laços de Ternura
[Terms of Endearment, James L. Brooks, 1983]
58 O Maior Espetáculo da Terra
[The Greatest Show on Earth, Cecil B. De Mille, 1952]
57 Coração Valente
[Braveheart, Mel Gibson, 1995]
56 Kramer vs. Kramer
[Kramer vs. Kramer, Robert Benton, 1979]
55 Marty
[Marty, Delbert Mann, 1955]
54 Chicago
[Chicago, Rob Marshall, 2002]
53 12 Anos de Escravidão
[12 Years a Slave, Steve McQueen, 2013]
52 Platoon
[Platoon, Oliver Stone, 1986]
51 Forrest Gump
[Forrest Gump, Robert Zemeckis, 1994]

Rocky, um Lutador

50 Hamlet
[Hamlet, Laurence Olivier, 1948]
49 Oliver!
[Oliver!, Carol Reed, 1968]
48 Gigi
[Gigi, Vincente Minnelli, 1958]
47 Os Infiltrados
[The Departed, Martin Scorsese, 2006]
46 O Homem que Não Vendeu Sua Alma
[A Man for All Seasons, Fred Zinnemann, 1966]
45 A Noviça Rebelde
[The Sound of Music, Robert Wise, 1965]
44 O Artista
[The Artist, Michel Hazanavicius, 2011]
43 Gente como a Gente
[Ordinary People, Robert Redford, 1980]
42 Asas
[Wings, William A. Wellman, 1927 (ganhou pelo biênio 1927-1928)]
41 Rocky, um Lutador
[Rocky, John G. Avildsen, 1976]

Guerra ao Terror

40 Menina de Ouro
[Million Dollar Baby, Clint Eastwood, 2004]
39 Guerra ao Terror
[The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008 (ganhou pelo ano de 2009)]
38 A um Passo da Eternidade
[From Here to Eternity, Fred Zinneman, 1953]
37Beleza Americana
[American Beauty, Sam Mendes, 1999]
36 Rebecca, a Mulher Inesquecível
[Rebecca, Alfred Hitchcock, 1940]
35 Amadeus
[Amadeus, Milos Forman, 1984]
34 Golpe de Mestre
[The Sting, George Roy Hill, 1973]
33 As Aventuras de Tom Jones
[Tom Jones, Tony Richardson, 1963]
32 Patton – Rebelde ou Herói?
[Patton, Franklin J. Schaffner, 1970]
31 Amor, Sublime Amor
[West Side Story, Robert Wise & Jerome Robbins, 1961]

Onde os Fracos Não Têm Vez

30 No Calor da Noite
[In the Heat of the Night, Norman Jewison, 1967]
29 A Ponte do Rio Kwai
[The Bridge on the River Kwai, David Lean, 1957]
28 O Silêncio dos Inocentes
[The Silence of the Lambs, Jonathan Demme, 1991]
27 Titanic
[Titanic, James Cameron, 1997]
26 Ben-Hur
[Ben-Hur, William Wyler, 1959]
25 Farrapo Humano
[The Lost Weekend, Billy Wilder, 1945]
24 A Grande Ilusão
[All the King's Men, Robert Rossen, 1949]
23 A Luz é para Todos
[Gentlemen's Agreement, Elia Kazan, 1947]
22 Um Estranho no Ninho
[One Flew Over the Cuckoo's Nest, Milos Forman, 1975]
21 Onde os Fracos Não Têm Vez
[No Country for Old Men, Joel Coen & Ethan Coen, 2007]

Aconteceu Naquela Noite

20 Do Mundo Nada se Leva
[You Can't Take It with You, Frank Capra, 1938]
19 A Lista de Schindler
[Schindler's List, Steven Spielberg, 1993]
18 Sinfonia em Paris
[An American in Paris, Vincente Minnelli, 1951]
17 Operação França
[The French Connection, William Friedkin, 1971]
16 Sem Novidades no Front
[All Quient on the Western Front, Lewis Milestone, 1930 (ganhou pelo biênio 1929-1930]
15 …E o Vento Levou
[Gone with the Wind, Victor Fleming, 1939]
14 O Franco-Atirador
[The Deer Hunter, Michael Cimino, 1978]
13 Aconteceu Naquela Noite
[It Happened One Night, Frank Capra, 1934]
12 Como Era Verde o Meu Vale
[Como Era Verde o Meu Vale, John Ford, 1941]
11 Casablanca
[Casablanca, Michael Curtiz, 1942 (ganhou pelo ano de 1943]

O Poderos Chefão

10 A Malvada
[All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950]
9 Os Imperdoáveis
[Unforgiven, Clint Eastwood, 1992]
8 Se Meu Apartamento Falasse
[The Apartment, Billy Wilder, 1960]
7 Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
[Annie Hall, Woody Allen, 1977]
6 Minha Bela Dama
[My Fair Lady, George Cukor, 1964]
5 Lawrence da Arábia
[Lawrence of Arabia, Davis Lean, 1962]
4 Perdidos na Noite
[Midnight Cowboy, John Schlesinger, 1969]
3 O Poderoso Chefão – 2ª Parte
[The Godfather - Part II, Francis Ford Coppola, 1974]
2 Sindicato de Ladrões
[On the Waterfront, Elia Kazan, 1954]
1 O Poderoso Chefão
[The Godfather, Francis Ford Coppola, 1972]

O filme mais recente do meu Top 10 é Os Imperdoáveis, de 1992. Além dele, entre meus dez favoritos, só há filmes dos anos 50, 60 e 70. Nostalgia? Talvez, sim. Mas de filmes realmente bons sendo premiados. A verdade é que, embora tenha sido injusto muitas vezes ao longo de sua história, a qualidade dos vencedores do Oscar ficou bem questionável dos anos 80 pra cá. Faz tempo que um O Poderoso Chefão ou um Perdidos na Noite não ganha.

Aurora

A Academia jura que não, mas, no primeiro ano do Oscar, havia dois prêmios de melhor filme. Um deles foi o de melhor produção, categoria em que Asas foi o vencedor. E tinha uma outra categoria, que era a de “qualidade artística de produção”, prêmio ganho por Aurora, de F.W. Murnau, clássico do cinema e, por um acaso, meu filme favorito. Na prática, era um prêmio para o filme mais bem produzido e outro o melhor “filme de arte”. A Academia trata o troféu dado para Aurora como um prêmio especial na timeline do Oscar, mas, no meu coração, o filme de Murnau está no topo da lista de melhores vencedores do Oscar em todos os tempos.

verdadeiro número 1: Aurora
[Sunrise: A Song of Two Humans, F.W. Murnau, 1927]

23 Comments

Filed under Listas, Oscar, Prêmios

Filmes do Chico Awards 2015

Tradição do Filmes do Chico, os leitores do blogue puderam eleger os melhores filmes 2015 numa votação que durou cerca de duas semanas na nossa fanpage no Facebook. E um certo anti-herói australiano, ressucitado 30 anos depois, dominou. Venceu em quatro das dez categorias, sempre bastante à frente de seus adversários. O filme brasileiro mais comentado do ano ganhou na categoria nacional, mas outro longa destas bandas surpreendeu levando o prêmio de melhor filme de estreia. Na sexta-feira saem os melhores segundo a votação feita com críticos, jornalistas e blogueiros de todo o país. Enquanto isso, vamos conferie os eleitos dos leitores do Filmes do Chico.


Veja também os resultados de 2014, 2013 e 2012

Mad Max

filme brasileiro

1 Que Horas Ela Volta?, Anna Muylaert (49 votos)
2 Casa Grande, Fellipe Barbosa (29)
3 A História da Eternidade, Camilo Cavalcante (20)
4 Cássia, Paulo Henrique Fontenelle (15)
5 Branco Sai, Preto Fica, Adirley Queirós (13)

filme de estreia

1 A História da Eternidade, Camilo Cavalcante (20)
2 Blind, Eskil Vogt (17)
2 O Presente, Joel Edgerton (17)
4 Chatô – O Rei do Brasil, Guilherme Fontes (15)
5 Garota Sombria Caminha pela Noite, Ana Lily Amirpour (14)

fotografia

1 Mad Max: Estrada da Fúria, John Seale (43)
2 Birdman, Emmanuel Luzbecki (21)
3 Expresso do Amanhã, Hong Kyung Pyo (19)
4 Corrente do Mal, Mike Gioulakis (16)
5 Divertida Mente, Patrick Lin (13)
5 Macbeth: Ambição e Guerra, Adam Arkapaw (13)

roteiro

1 Divertida Mente, Pete Docter, Meg LeFauve & Josh Cooley (40)
2 Que Horas Ela Volta?, Anna Muylaert (35)
3 Birdman, Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. & Armando Bo (34)
4 Mad Max: Estrada da Fúria, George Miller, Brendan McCarthy & Nico Lathouris (31)
4 Whiplash, Damien Chazelle (31)

atriz coadjuvante

1 Julianne Moore, Mapas para as Estrelas (39)
2 Camila Márdila, Que Horas Ela Volta? (37)
3 Karine Teles, Que Horas Ela Volta? (35)
3 Kristen Stewart, Acima da Nuvens (35)
5 Emma Stone, Birdman (31)
5 Tilda Swinton, Expresso do Amanhã (31)

ator coadjuvante

1 J.K. Simmons, Whiplash (51)
2 Edward Norton, Birdman (44)
2 Nicholas Hoult, Mad Max: Estrada da Fúria (44)
4 Mark Ruffalo, Foxcatcher (30)
5 Adam Driver, Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (27)

atriz

1 Charlize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria (62)
2 Regina Casé, Que Horas Ela Volta? (52)
3 Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite (45)
4 Julianne Moore, Para Sempre Alice (40)
5 Juliette Binoche, Acima da Nuvens (32)

ator

1 Michael Keaton, Birdman (39)
2 Miles Teller, Whiplash (37)
3 David Oyelowo, Selma (33)
4 Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo (22)
5 Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação (21)
5 Steve Carrell, Foxcatcher (21)

direção

1 George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria (45)
2 Damien Chazelle, Whiplash (29)
3 Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman (22)
3 Anna Muylaert, Que Horas Ela Volta? (22)
5 Pete Docter & Ronnie Del Carmen, Divertida Mente (18)

filme do ano

1 Mad Max: Estrada da Fúria, George Miller (116)
2 Que Horas Ela Volta?, Anna Muylaert (76)
3 Whiplash, Damien Chazelle (75)
4 Divertida Mente, Pete Docter & Ronnie Del Carmen (74)
5 Birdman, Alejandro Gonzalez Iñarritu (48)
6 Dois Dias, Uma Noite, Jean-Pierre & Luc Dardenne (43)
6 Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força, J.J. Abrams (43)
8 Acima das Nuvens, Olivier Assayas (40)
9 O Ano Mais Violento, J.C. Chandor (36)
9 Foxcatcher, Bennett Miller (36)

Leave a Comment

Filed under Listas, Prêmios

Top 10: os piores filmes de 2015

Noah Baumbach quase entrou na minha lista de piores filmes do ano com sua baboseira chamada Enquanto Somos Jovens, assim como Morten Tyldum e seu O Jogo da Imitação, mas teve coisa pior. E eu não estou falando de algumas das coisas mais óbvias como Busca Implacável 3, A Casa dos Mortos e a space opera mais calculadamente ruim dos últimos tempos, O Destino de Jupiter. Entre os meus piores, alguns filmes celebrados na última edição do Oscar, alguns indiezinhos manjados e algumas promessas de bilheteria que não se concretizaram. Todos me incomodaram muito mais do que os filmes ruins “clássicos” pela pretensão, pelos maneirismos ou pela falta de vergonha na cara mesmo. Deixem suas listas de piores nos comentários, mas com educação pra que elas sejam publicadas.

Quarteto Fantástico

10 Quarteto Fantástico
[Fantastic Four, Josh Trank, 2015]

Ou como estragar 50 anos de história e quatro das melhores personagens dos quadrinhos.

Eu Estava Justamente Pensando em Você

9 Eu Estava Pensando Justamente em Você
[Comet, Sam Esmail, 2014]

A segunda coisa hipster mais chata do universo de 2015.

Cala a Boca, Philip

8 Cala a Boca, Phillip
[Listen Up, Philip, Alex Ross Perry, 2014]

A coisa hipster mais chata do universo de 2015.

Love

7 Love
[Love, Gaspar Noé, 2015]

Honrando uma história de pretensões e desacertos.

Grace de Mônaco

6 Grace de Mônaco
[Grace of Monaco, Olivier Dahan, 2014]

Simplesmente inócuo.

Pixels

5 Pixels
[Pixels, Chris Columbus, 2015]

O filme que poderia ser o mais legal do mundo se não fosse o mais sem graça do ano.

Sob o Mesmo Céu

4 Sob o Mesmo Céu
[Aloha, Cameron Crowe, 2015]

Cameron Crowe perdeu o encanto, a graça, a melodia.

Caminhos da Floresta

3 Caminhos da Floresta
[Into the Woods, Rob Marshall, 2014]

Uma sessão de tortura até para quem gosta de musicais.

Invencível

2 Invencível
[Unbroken, Angelina Jolie, 2014]

Nem os Coen salvam este naufrágio no oceano da breguice.

A Teoria de Tudo

1 A Teoria de Tudo
[The Theory of Everything, James Marsh, 2014]

Todos os maneirismos, todos os maniqueísmos, toda a falta de cinema.

50 Comments

Filed under Listas

Ranking: o Universo Cinematográfico Marvel e seus 12 primeiros filmes

A estratégia da Marvel de se transformar num estúdio e assumir o comando das adaptações de suas principais personagens para o cinema deu certo. Sete anos e bilhões de dólares depois, chega ao fim da chamada segunda fase do universo cinematográfico da editora, que já rendeu 12 longas, estabeleceu uma franquia interessante e lucrativa e, mais do que qualquer coisa, realizou o sonho de milhões de leitores mundo afora: transportou com dignidade alguns dos maiores heróis dos quadrinhos para o cinema. A fórmula da Marvel é simples: respeitar, mesmo que nem sempre literalmente, as HQs, sem abrir mão da ironia e da ação. O saldo é bom, mas alguns filmes são bem mais interessantes do que os outros. E, na minha humilde opinião, a Marvel funciona melhor quando faz cinema de gênero, seja filme de assalto, de espionagem ou óperas espaciais A lista abaixo relaciona todos os longas do estúdio por ordem de preferência, tentando justificar a posição de cada um. Deixem suas listas nos comentários.

Thor: O Mundo Sombrio

12 Thor: O Mundo Sombrio
[Thor: The Dark World, Alan Taylor, 2013]

Mesmo sendo o mais fraco dos filmes da Marvel, a segunda aventura solo do Deus do Trovão traz uma cena excepcional em que Tom Hiddleston mostra seu talento dramático num diálogo entre Lóki e Thor. Os Gigantes de Gelo podem não ser adversários formidáveis, mas a batalha no mundo sombrio rende algumas sequências de ação empolgantes.

O Incrível Hulk

11 O Incrível Hulk
[The Incredible Hulk, Louis Leterrier, 2008]

Sai Eric Bana e entra Edward Norton, que é muito mais ator. A segunda aventura solo do Hulk não tem uma assinatura de peso, mas, além de pagar as contas, é um filme de ação até eficiente (cuja história começa no Brasil!) e apaga da existência aquela performance horrorosa do Nick Nolte como pai de Bruce Banner no longa de Ang Lee, que era melhor diretor, mas não entrou no clima.

Homem de Ferro 2

10 Homem de Ferro 2
[Iron Man 2, Jon Favreau, 2010]

O maior mérito do filme é introduzir a Viúva Negra no Universo Marvel e Scarlett Johansson mostra a que veio numa cena de tirar o fôlego, mas o filme é muito mais feliz no desenvolvimento da personalidade de Tony Stark do que na história em si. Tantos “homens de ferro” tiram o peso do original e o vilão do Mickey Rourke, que até está sóbrio, não é lá grande coisa.

Thor

9 Thor
[Thor, Kenneth Branagh, 2011]

O primeiro longa solo do Thor foi o filme mais arriscado da Marvel. Trazer o panteão de deuses nórdicos para a tela e erguer Asgard poderia dar incrivelmente errado, mas sob o comando do shakespeareano Kenneth Branagh o filme mostrou solidez. E Chris Hemsworth, a primeira grande aposta do estúdio, segura a onda. Está longe de ser um grande filme, mas cumpre seu papel com alguma classe.

Vingadores: Era de Ultron

8 Vingadores: Era de Ultron
[Avengers: Age of Ultron, Joss Whedon, 2015]

Se o primeiro longa do supergrupo realizou um sonho de infância, o segundo aponta para aquele que talvez seja o principal problema da Marvel daqui pra frente: o que fazer com tantas personagens? Para dar espaço para todas as estrelas e ainda criar uma história de alcance global, Joss Whedon terminou não desenvolvendo bem os novatos no time: Feiticeira Escarlate, Mercúrio e Visão, dono de um visual excepcional, ganharam intérpretes dignos, mas aparecem menos do que a gente gostaria.

Homem de Ferro 3

7 Homem de Ferro
[Iron Man Three, Shane Black, 2013]

A transformação da personagem do Mandarim, considerada heresia por muitos fãs, foi uma das ousadias mais bem-vindas da Marvel no cinema. Ben Kingsley tem o talento necessário para encarar o desafio e o filme, embora tenha aquela desnecessária aparição da “mulher de ferro”, mais uma vez ajuda a desenvolver a história do protagonista. Robert Downey Jr. tem uma cena especial com Ty Simpkins.

Continue reading

10 Comments

Filed under Listas

Dez incríveis curtas de animação que ganharam o Oscar para ver online

Desde 1932, o Oscar tem uma categoria para os curta-metragens de animação. Durante um bom tempo, os vencedores eram filmes destinados ao público infantil, financiados pelos grandes estúdios. A Disney, por exemplo, ganhou os oito primeiros prêmios, para depois alternar vitórias com a Metro e a Warner. Mas depois de algumas décadas, esta categoria começou a se tornar um reduto para filmes mais arriscados, que geralmente ganhavam certificado de qualidade em festivais de animação como o de Annecy, abrindo espaço para experimentações formais e estéticas, como nos lindíssimos O Homem que Plantava Árvores e O Velho e o Mar. Por sorte, muitos dos curtas que ganharam o Oscar estão disponíveis online. Aqui tem uma seleção com dez filmes excelentes. Eles não têm legendas, mas a maioria é só música e imagem. O único que realmente tem um texto – por sinal, com uma narração maravilhosa de Mel Brooks, é o primeiro, O Crítico. E vale muito testar o inglês para ver a ironia desta belezinha. A não-inclusão de filmes da Disney e da Pixar aqui é proposital, para fugir do mais óbvio.

O Crítico
[The Critic, Ernest Pintoff, 1963]

A Mosca
[A Légy, Ferenc Rófusz, 1980]

Tango
[Tango, Zbigniew Rybczyński, 1982]

O Homem Que Plantava Árvores
[L'homme qui Plantait des Arbres, Frédéric Back, 1987]

Balance
[Balance, Wolfgang & Christoph Lauenstein, 1989]

Mona Lisa Descendo uma Escada
[Mona Lisa Descending a Staircase, Joan C. Gratz, 1992]

O Velho e o Mar
[The Old Man and the Sea, Aleksandr Petrov, 1999]

Pai e Filha
[Father and Daughter, Michaël Dudok de Wit, 2000]

A Casa em Pequenos Cubos
[La Maison en Petits Cubes, Kunio Katō, 2008]

A Coisa Perdida
[The Lost Thing, Shaun Tan & Andrew Ruhemann, 2010]

Mais dicas e notícias sobre cinema na fanpage do Filmes do Chico no Facebook.

2 Comments

Filed under Listas, Vídeos