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Oscar 2015: why so serious?

Birdman

Deveria ter sido o Oscar mais emocionante em muito tempo, com disputas acirradas em boa parte das categorias: filme, diretor, ator, roteiros pra ficar somente nas principais, mas a festa deste ano foi bem maçante. Neil Patrick Harris começou muito bem no número de abertura, mas ficou pequeno e sem graça ao longo da noite, com poucos momentos inspirados, com exceção da corrida de Birdman, da leitura de suas previsões e da piada com John Travolta. Mas, mais do que o apresentador, havia um clima excessivamente sério no ar. Todo mundo parecia tentar encorpar seus momentos, seja nas lágrimas que rolaram soltas durante a apresentação de “Glory” (todo mundo chorando, mas cadê a diretora e o ator entre os indicados?), seja nos discursos de Eddie Redmayne, Julianne Moore, levando para fora do cinema os méritos por suas vitórias, ou Patricia Arquette, Graham Cooper e Johh Legend, tentando amplificar o efeito delas.

O prêmio da Academia, como qualquer outra coisa, reflete o tempo e o mundo em que vivemos, mas coincidentemente também é um prêmio de melhores do ano. Arbitrário e maneirista como qualquer prêmio de melhores do ano, inclusive os de festivais como Cannes e Berlim, que geralmente são apontados como reservas morais perto do Oscar. Então, esse maniqueísmo para tentar causar comoção – que me parece inerente e até automático ao Oscar, como se os premiados se sentissem obrigados a se explicar por ganhar – é completamente indevido. Talvez mais autêntico seja Alejandro Gonzalez Iñarritu, que fala em “arte verdadeira” quando Birdman leva o prêmio por seu roteiro original. A arrogância do cineasta pelo menos mostra que ele acredita e quer vender seu peixe, seu filme, seu “talento”.

Birdman não é ruim, mas seu discurso é. Mas isso realmente importa? Por quanto tempo dura um Oscar de melhor filme? Um ano? Alguns meses? O longa do Homem Pássaro foi eleito pela Academia como o melhor do ano, mas será que ele será o filme que entra para a História? E, por outro lado, será que um filme precisa entrar para a História? Se um dos indicados deste ano tem esse poder, certamente será Boyhood porque, diante de muitas biografias e pequenas histórias, ele e talvez O Grande Hotel Budapeste são os mais únicos. O filme de Richard Linklater, que merecia muito mais ter levado os dois prêmios principais do que o de Iñarritu, ficou marcado apenas por seus 12 anos de serviços, como se não fosse um retrato delicado do americano médio, do sonho americano em sua versão realidade.

A escolha de Birdman reprisa de certa forma a de Crash, oito anos atrás. Enquanto um supostamente desnuda Hollywood e suas figuras de cera, o outro tira a máscara de Los Angeles, a cidade do cada um por si. Premiar o filme de Inãrritu parece um voto político, de protesto, quando na verdade não se observou bem todas as nuances do filme. Mais estranho ainda é que este filme ganhe na categoria principal, em direção, roteiro original e fotografia, mas não consiga vender seu protagonista, Michael Keaton, que literalmente personifica o personagem criado pelo mexicano. Mas é preciso lembrar que a Academia geralmente considera os comebacks como café-com-leite, como fez com Mickey Rourke em O Lutador. Uma indicação já é vista como prêmio suficiente. Keaton perdeu para a caricatura bem feita de Redmayne num filme medíocre. Birdman, pelo menos, é um filme mais ousado.

Entre as atrizes, levou Julianne Moore, por Para Sempre Alice, que merecia ter ganho por Boogie Nights, Fim de Caso, Longe do Paraíso e As Horas. E por Magnolia, A Salvo, Tio Vânia em Nova York e A Fortuna de Cookie, pelos quais ela nem foi indicada. É a prática de premiar o conjunto da obra somado a uma isca que o Oscar adora, os filmes de doença. Mas é a Julianne e o conjunto estava fraco, exceto Marion Cotillard e Rosamund Pike. Patricia Arquette foi um prêmio merecido numa categoria fraca, atriz coadjuvante, onde só Emma Stone merecia alguma atenção. E olha que muita gente ficou de fora. J.K. Simmons, por sua vez, estava numa categoria disputada (ator coadjuvante), mas seu histórico de vitórias como ator coadjuvante o deixou numa liderança isolada.

No fim das contas, se Birdman ganhou quatro prêmios, O Grande Hotel Budapeste também levou quatro, inclusive trilha sonora, e as coisas ficam mais equilibradas. Wes Anderson fez um filme leve, doce, autorreferente e referente a um cinema que ficou na memória. Como Boyhood, deve entrar mais fácil para a História. Whiplash, triplamente premiado, é um caso mais à parte, mas merece toda a atenção. Ida venceu entre os estrangeiros porque a trilogia europeu, preto-e-branco, Segunda Guerra conta mais do que as profundezas da Rússia em Leviatã ou as pontualidades de Timbuktu, Tangerines e Relatos Selvagens.

Operação Big Hero ganhou de Como Treinar Seu Dragão 2 no que era uma das únicas quase-surpresas da noite. E Uma Aventura LEGO, que o Oscar nem indicou, rendeu o número musical mais divertido entre as indicadas a melhor canção. “Everything is Awesome” deixou o desafinado Adam Levine no chinelo – e olha que ele tinha uma música bem melhor -, mas não emocionou tanto quanto “Glory”, da qual a gente já falou. No entanto, foi justamente Lady Gaga, o patinho feio do ano, quem brilhou no palco, cantando “The Sound of Music”, e passando a bola para a incrível Julie Andrews, 80 anos neste ano. Idina Menzel voltou ao Oscar para garantir a piada com John Travolta, prêmio de pior maquiagem da festa (a melhor foi a do Capitão América, que estava com um lápis forte nos olhos). Valeu a piada. Foi a segunda melhor da noite. Só perdeu para a vitória de O Jogo da Imitação em roteiro adaptado. Ah, não era piada, o rapaz até disse que tentou se matar e que agora estava ali, ganhando um Oscar. Quis inspirar.

Por outro lado, o plano de Edward Snowden deu certo e Citizenfour foi o premiado na categoria de documentário. O timing faz do filme melhor do que ele é. Sniper Americano faturou mais de U$ 300 milhões, mas terminou com um prêmio solitário para edição de som, o que mostra que seu tema polêmico não conquistou Hollywood em cheio. Interestelar ganhou em efeitos visuais, só para empatar com 2001, em que ele mira antes de acertar no poder do amor. Idiossincrasias à parte, esse Oscar da disputa acirrada se revelou um dos mais óbvios dos últimos doze anos. Doze? Não, este aí é outro filme. Um muito melhor. Este, sim, bateu asas e voou sem precisar de ajuda.

Filme: Birdman
Direção: Alejandro Gonzalez Iñarritu, Birdman
Ator: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Atriz: Julianne Moore, Para Sempre Alice
Ator coadjuvante: J.K. Simmons, Whiplash
Atriz coadjuvante: Patricia Arquette, Boyhood
Roteiro original: Birdman
Roteiro adaptado: O Jogo da Imitação
Filme estrangeiro: Ida
Filme de animação: Operação Big Hero
Fotografia: Birdman
Montagem: Whiplash
Direção de arte: O Grande Hotel Budapeste
Figurinos: O Grande Hotel Budapeste
Maquiagem: O Grande Hotel Budapeste
Trilha sonora: O Grande Hotel Budapeste
Canção: “Glory”, Selma
Mixagem de som: Whiplash
Edição de som: Sniper Americano
Efeitos visuais: Interestelar
Documentário: CITIZENFOUR
Documentário curta: Crisis Hotline: Veterans Press 1
Curta de ação: The Phone Call
Curta de animação: O Banquete

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Oscar 2015: Birdman vence o PGA e as apostas para o SAG

Birdman

O Producers Guild of America, o prestigiado sindicato dos produtores, jogou um balde de água fria na candidatura de Boyhood à categoria principal do Oscar, quando escolheu, na noite passada, Birdman como o melhor filme do ano. O prêmio do PGA serve como prévia para o da Academia e pode refletir um pensamento que parecia adormecido em Hollywood, o de que o filme de Richard Linklater é muito bom, mas não para ganhar o Oscar. O grande dilema deste ano é se os membros da Academia vão endossar a jornada indie de 12 anos de Boyhood ou se, como fizeram nos anos em que Fargo e A Rede Social eram os darlings do críticos, irão buscar seu escolhido em outra freguesia. O filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu é apenas uma opção.

Linklater é um diretor independente, seus projetos são pessoais, mas ele já foi indicado duas vezes ao Oscar, o que o coloca no radar da Academia. Ou seja, na visão dos integrantes da Academia, ele não é apenas um cineasta indie, mas um indie que já tem entrada no “primeiro time”. E a temporada de prêmios fez muito bem a Boyhood, que ganhou o Globo de Ouro, o Critics Choice, e o prêmio principal de associações de críticos importantes, como as de Nova York, Los Angeles, Boston e Chicago. Linklater e seu filme pareciam embasados, credenciados, abalizados pela temporada para entrar nesse mundinho do Oscar. E quando as indicações saíram, o filme parecia bem forte: seis menções (filme, direção, roteiro, montagem e os dois coadjuvantes). Não foi o mais indicado, mas entrou em todas as categorias que podia.

Mas a temporada de prêmios, que cada vez mais é uma força viva, adora parir alternativas mais convencionais para aqueles votantes que geralmente não se convencem com esses filmes moderninhos. Harvey Weinstein adora preencher essas lacunas. Foi ele que colocou O Paciente Inglês para bater os irmãos Coen e que bancou O Discurso do Rei, que nocauteou David Fincher e a história do Facebook. O homem provou ser poderoso mesmo quando tirou o segundo Oscar de melhor filme de Steven Spielberg (O Resgate do Soldado Ryan) para entregá-lo a uma produção discreta, Shakespeare Apaixonado. Este ano, ele parecia oferecer a opção mais forte para quem rejeitasse Boyhood, mas O Jogo da Imitação, embora seja inglês, tenha astros em ascensão e se passe na Segunda Guerra, ainda não disse a que veio. O PGA pode ter dado a terceira via.

Boyhood

Birdman, que empatou com O Grande Hotel Budapeste, como o filme com maior número de indicações neste ano (dez), teve grande apoio da crítica, ganhou vários prêmios, mas ninguém apostava muito nele para ganhar o Oscar. Essa credencial do PGA pode fazer o filme bater as asas até o palco do Fuji Theater, mas ainda há dois capítulos importantes a cumprir: o prêmio do Screen Actors Guild e o do Directors Guild of America, o mais influente de todos. Há quem diga que o prêmio de elenco no SAG possa indica o favorito ao Oscar, mas isso é bastante questionável porque esta categoria costuma eleger filmes com um número grande de atores e muitos deles perderam o Oscar (Trapaça], Histórias Cruzadas, Bastardos Inglórios, Pequena Miss Sunshine, Sideways, só pra ficar nos últimos dez anos).

Birdman provavelmente leva hoje o prêmio de melhor ator para Michael Keaton, cuja única real ameaça parece ser a queda as pessoas têm pelos papeis de deficientes, o que pode resultar na escolha de Eddie Redmayne vivendo Stephen Hawking em A Teoria de Tudo. Mas é pouco provável. Boyhood, pro sua vez, deve ter a melhor atriz coadjuvante do ano, Patricia Arquette. Se outra ganhar (Emma Stone ou keira Knightley), vai ser azarão. Julianne Moore leva fácil o prêmio de melhor atriz pro Para Sempre Alice. Rosamund Pike seria a alternativa, mas Garota Exemplar está fraco na corrida. E Whiplash deve ficar com o de coadjuvante para J.K. Simmons. Se Edward Norton ou Ethan Hawke ganharem, difícil, teremos surpresas (e uma disputa mais acirrada entre Birdman e Boyhood).

O filme de Iñarritu é uma escolha mais óbvia para ganhar um prêmio de elenco do que Boyhood. Tem Michael Keaton, Naomi Watts, Edward Norton, Emma Stone, Zach Galifianakis, Amy Ryan, Andrea Risenborough contra Ethan Hawke e Patricia Arquete junto de uma meninada. Se ganhar hoje o SAG, fica mais forte para o Oscar, mas nem tudo está perdido. Birdman sequer foi indicado para o prêmio de montagem, o que é bem estranho já que a montagem é fundamental para um projeto que combina vários planos-sequências, e para um filme que quer ganhar o Oscar principal. Dos últimos dez premiados nesta categoria, cinco levaram também melhor filme. Os outros cinco vencedores foram, pelo menos, todos indicados. Mas o efeito Argo vem para desfazer todas as regras. Como cobrar que um filme ganhe montagem se em 2012, Ben Affleck venceu a categoria principal e sequer foi indicado para direção.

O DGA, que só vai anunciar seu eleito no dia 7 de fevereiro, vai ser importante nesta disputa. Os último dez vencedores do prêmio Directors Guild of America levaram o troféu de melhor filme da Academia. Faz treze anos que os resultados são idênticos. Para se ter uma ideia, PGA antecipou o Oscar de melhor filme sete das últimas dez vezes – isso com a trapaça do anoa passado, em que 12 Anos de Escravidão e Gravidade empataram. E lembrando que os vencedores do PGA em documentário (Life, Itself) e animação (Uma Aventura LEGO) neste anos sequer foram indicados para o Oscar. Ou seja (parte 1), quem ganhar no sindicato dos diretores vai estar mais perto de resolver essa treta. Ou seja (parte 2), a corrida deste ano vai ser bem emocionante. Enquanto isso, Boyhood, Birdman e O Jogo da Imitação correm soltas.

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Oscar 2015: como fica a corrida depois do Globo de Ouro?

Oscar 2015

As coisas começam a ficar mais claras na temporada de prêmios de cinema mais emocionante dos últimos anos. A essa altura, em outros anos, já haveria grandes favoritos em muitas categorias do Oscar, mas as listas de indicados do Screen Actors Guild of America e do Globo de Ouro chegaram para organizar a disputa. Ou quase isso. Com tantas possibilidades de candidatos em boa parte dos quesitos, o prêmio dos jornalistas estrangeiros, que não influenciava tanto em anos anteriores, voltou a ter um papel fundamental na corrida, ajudando a estreitar as possibilidades. De acordo com os finalistas ao Globo de Ouro, a disputa pelo Oscar de melhor filme deve se concentrar entre Boyhood, Selma, de Ava DuVernay, e O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, com Birdman correndo por fora.

Boyhood é o filme independente que conta a história de uma família. É de um diretor de filmes “alternativos”, mas que já está na estrada há mais de 20 anos. E que já foi indicado ao Oscar de roteiro algumas vezes. Ou seja, é um filme que pode agradar em várias frentes, que pode ultrapassar a classificação de indie, que tem chance de ser um consenso. Selma tem a seu lado o peso histórico, o protagonista (o personagem e não o ator, Martin Luther King), mas pode esbarrar no fato de que 12 Anos de Escravidão ganhou no ano passado e a Academia pode achar que isso já preenche a cota de filmes étnicos premiados por um tempo. Já O Jogo da Imitação, longa de época, situado na Segunda Guerra, produzido pelo Midas do cinema Harvey Weinstein, o cara que deu o Oscar a Shakespeare Apaixonado, pode ser visto com uma alternativa classuda para quem achar o filme de Richard Linklater B demais.

Birdman tem a assinatura de Alejandro Gonzalez Iñarritu, mas dificilmente um filme sobre um homem atormentado por um super-herói teria grandes chances de vencer. Ainda mais, pesando para a comédia. De todo jeito, o filme tem vaga praticamente garantida entre os indicados, junto com os três favoritos citados anteriormente. Com quatro longas assegurados na disputa, que outros fechariam a conta (de até dez indicados, com a maioria das pessoas apostando em nove)? A Teoria de Tudo, de James Marsh, dificilmente ficará de fora diante de sua repercussão. O Globo de Ouro reforça as chances de dois competidores que pareciam enfraquecido: Foxcatcher, de Bennett Miller, que teve três indicações nesta quinta, e Garota Exemplar, que mesmo sem aparecer entre os melhores filmes, foi lembrado em direção, atriz, roteiro e trilha, o que é um número bem considerável.

Foxcatcher e Garota Exemplar podem se beneficiar da quantidade de vagas disponíveis para o Oscar de melhor filme, mas vão ter que enfrentar alguns candidatos cheios de charme. Whiplash, de Damien Chazelle, merecia mais atenção, mas é teve só uma para ator coadjuvante. Ainda assim, é um filme que tem perfil para entrar na disputa. Na lista de comédias e musicais dos Globos, Caminhos da Floresta e O Grande Hotel Budapeste são os títulos mais fortes, depois de Birdman, claro. Quem parece que teve as chances resumidas foi Invencível, de Angelina Jolie. Bastou o filme estrear para sumir das apostas. Mas como temos nomes famosos envolvidos e uma lista com muitas vagas, o longa pode abocanhar uma delas. A Most Violent Year, de JC Chandor, foi ignorado pelo SAG e nos Globos só Jessica Chastain conseguiu espaço. Mas é uma alternativa.

Na categoria de diretor, Richard Linklater, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Ava DuVernay, indicados ao Globo de Ouro, são as maiores apostas. Morten Tyldum, que perdeu a indicação hoje, pode ter o nome reforçado pela lista do Directors Guild of America, que já está no forno. Resta saber quem paparia a vaga final, que muita gente destinava a Angelina Jolie (mas parece que não vai dar pra ela): os Globos ressucitaram David Fincher, que parece uma alternativa viável, e jogaram os holofotes sobre Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste, que seria lindo, mas menos provável. Damien Chazelle, por Whiplash, ainda precisa de um reforço (alguém pensou no DGA?), mas ameaça, e JC Chandor poderia ser outra possibilidade. Bennett Miller parecia descartado, mas os Globos deram nova esperança com a indicação de Foxcatcher a filme dramático. Pode ser que James Marsh, por A Teoria de Tudo, emplaque, mas falta força ao nome dele. E Mike Leigh é sempre uma figura a se considerar em se tratando de Oscar. Mas Sr. Turner precisaria de mais fôlego.

Esse fôlego poderia vir de uma indicação de Timothy Spall, mas a categoria de melhor ator está tão cheia de nomes fortes que está complicado que ele se transforme em finalista. Michael Keaton, de Birdman, Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação, Eddie Redmayne, em A Teoria de Tudo, e David Oyelowo, por Selma, parecem candidatos assegurados, mesmo com o último ignorado pelo SAG (culpa dos DVDs de serviço que chegaram com problemas para os votantes). A quinta vaga, embora haja uma porrada de pré-candidatos (Oscar Isaac, por A Most Violent Year; Bradley Cooper, em Sniper Americano; e Ralph Fiennes, O Grande Budapeste Hotel), deve sair do duelo entre Steve Carell, de Foxcatcher, e Jake Gyllenhaal, por O Abutre. O primeiro ressurgiu com força total nas listas do SAG e do Globo de Ouro. O segundo virou ameaça concreta nestas mesmas listas. Será que não dá pra aumentar o número de indicados, não?

Amanhã sai uma análise sobre as categorias de atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

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Lauren Bacall, o último clássico de Holywood

Lauren Bacall

Em 1997, Lauren Bacall era a favorita para ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante. O filme era a comédia O Espelho Tem Duas Faces, dirigido e estrelado por Barbra Streisand. Bacall fazia a mãe da protagonista e utilizava um senso de humor refinado para dar molho ao longa. Mas Hollywood tinha comprado a proposta de O Paciente Inglês e pareceu irresistível entregar o prêmio para outra candidata nobre, a francesa Juliette Binoche, que ficou chocada quando foi anunciada como vencedora e, utilizando uma sinceridade e uma delicadeza genuínas, deixou bem claro que achou que a veterana atriz dos filmes noir, viúva de Humphrey Bogart, lenda viva do cinema americano ganharia a estatueta. “E eu acho que ela merece”, disse Binoche.

Foi a única vez em que o Oscar lembrou da atriz, que somente 13 anos depois mereceria um prêmio pelo conjunto da obra. Justamente numa época em que estas homenagens pela carreira eram feitas em festas menores, ganhando apenas uma menção na cerimônia principal. Lauren Bacall não pode agradecer ao vivo. Apareceu na plateia, acenando. Um descaso e tanto para uma intérprete que nunca foi uma atriz excelente, mas estrelou filmes de Howard Hawks, John Huston, Sidney Lumet e Robert Altman, e foi coestrela de Gary Cooper, Gregory Peck, Henry Fonda e Tony Curtis, entre muitos outros.

Seu primeiro filme, Uma Aventura na Martinica, lhe rendeu fama e um marido. Bogart não resistiu aos encantos da loira e os dois foram casados por mais de doze anos, até a morte do ator, em 1957. Mas não foi só o astro de Casablanca que se deixou seduzir pela atriz. O charme de Bacall lhe garantiu o status de musa do filme noir, com destaque para À Beira do Abismo e Paixões em Fúria. Fez comédias deliciosas, como Teu Nome é Mulher e Como Agarrar um Milionário e, já madura, protagonizou O Fã – Obsessão Cega, suspense rodado nos anos 80, que brinca com sua própria capacidade de sedução.

Não havia mais lugar para Lauren Bacall nesse mundo sem glamour. Sua morte leva a atriz para o lugar ao qual ela pertence, um mundo onde a fantasia da clássica Hollywood vai viver pra sempre.

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Oscar 2014: a ditadura da história real

Oscar 2014

Somos reféns da ditadura da vida real. No cinema, como em vários aspectos da vida, estamos condenados a acreditar que alguns filmes sejam marcos históricos simplesmente porque estão ligados a personagens que existiram de verdade, sobretudo quando a matéria-prima destes filmes é a denúncia. O maior problema dessa clausura que a “história real” nos impõe – como se o cinema precisasse ter um compromisso com o documento de uma época, como se um filme que têm personagens reais fosse mais importante do que navega pelas águas da ficção – termina sendo a celebração de obras funcionais.

12 Anos de Escravidão é exatamente isso: um filme funcional, que vem preencher uma lacuna que o cinema americano deixou aberta por mais de um século. Simplesmente não existem filmes realmente relevantes sobre a escravatura. Precisou um inglês cruzar o Atlântico para contar a história de um homem negro livre que foi raptado para ser transformado em escravo. Embora pareça ser um trabalho honesto, o filme de Steve McQueen é um novelão melodramático, esquemático e convencional, de uma dramaturgia televisiva que trabalha com clímaxes e se apoia no fato de que conta uma perversa “história real”.

Sua vitória como melhor filme do ano era prevista, assim como os prêmios pelo roteiro adaptado e pela interpretação de Lupita Nyong’o, correta, mas que se apóia totalmente num modelo de “heroína da vida real” que não traz muita novidade. Foram os três únicos prêmios do filme, de um total de nove indicações, o que indica que, ao contrário de anos anteriores, a Academia já não julga mais necessário criar um pacote de estatuetas para justificar a escolha na categoria principal.

A questão que fica é: o que realmente tocou o americano em relação a 12 Anos de Escravidão? Ele realmente viu um grande filme ali ou ficou abalado com a barbárie que seu povo cometeu e sofreu simplesmente pelo fato que aquilo, ao contrário das novelas brasileiras, nunca havia sido mostrado pelo cinema de Hollywood? Mais parece que o ineditismo da temática, somado ao tratamento de filme de superação e aliado a técnicos e elenco de respeito ajudaram a forjar uma grande obra onde se tem apenas um filme que cumpre sua função.

Gravidade, como previsto, foi o grande vencedor da noite, pelo menos no número de prêmios. Ganhou sete Oscars nos quesitos em que era favorito incontestável (direção, fotografia, efeitos visuais, mixagem e edição de som) e nas categorias em que era favorito moderado (montagem e trilha sonora). Mas, nas cabeças dos membros da Academia, o pacote de prêmios não era suficiente para garantir ao longa de Alfonso Cuarón o título de melhor filme do ano.

O Oscar divide um filme em pedaços para premiar todo mundo (ou quase todo mundo) que faz parte dele. Para estes prêmios que valorizam os talentos individuais, contam os desempenhos de cada um, mas quando o assunto é o Oscar de melhor filme, a Academia procura um algo mais. E Gravidade, na opinião dos votantes, tem muitos talentos específicos, mas deixa a desejar no conjunto, talvez por ser uma ficção-científica, gênero tradicionalmente subvalorizado no quesito filme sério.

Mesmo que Gravidade seja um filme bem sério.

O Oscar já tentou muitas vezes, mas nunca foi tão previsível como na noite deste domingo. Na festa de entrega da 86ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ganharam os favoritos. Praticamente todos. Em todas as categorias. Se de um lado a cerimônia foi bem melhor do que a tragédia do ano passado, começando pela apresentação bem humorada e interativa de Ellen De Generes, de outro, faltou alguma surpresa para dar uma chacoalhada na plateia do Dolby Theater em Los Angeles.

A selfie que reuniu Meryl Streep, Angelina Jolie, Brad Pitt, Julia Roberts, Bradley Cooper e mais outros astros e estrelas de Hollywood foi o ponto alto de uma noite em que a Academia tentou oferecer pão e circo para se aproximar do público. Pão e pizza na verdade. A imagem de Harrison Ford pegando seu pedaço de pizza na plateia já é antológica. Os números musicais, geralmente um ponto bastante discutível da premiação, funcionaram muito bem, principalmente no quesito direção de TV. Com muitos mais cortes de câmeras, estas posicionadas em lugares mais “íntimos”, deram outra dinâmica às apresentações. Pharell Williams desceu do palco e colocou muita estrela pra dançar.

Se “Happy” não ganhou como melhor canção, a balada-chiclete “Let It Go”, a essência do que representa Frozen na tentativa de retomar uma tradição da Disney, levou o prêmio como se esperava, e o filme também abocanhou a estatueta de animação. O Grande Gatsby ficou com os prêmios de desenho de produção e figurinos, como diziam as apostas, terminando com as chances, que já eram poucas de Trapaça levar algum prêmio. O longa de David O. Russell, um placebo dos filmes de Martin Scorsese, perdeu em dez das dez categorias em que concorria. Entra para a história junto com um longa do mestre que “homenageia”, Gangues de Nova York.

O golpe fatal em Trapaça veio no quesito de roteiro original, com a merecidíssima vitória de Ela, único filme que realmente trouxe algo novo nesta temporada de prêmio. Clube de Compras Dallas foi o longa mais bem sucedido da noite. Produção pequena, ganhou dois Oscars importantes (ator e ator coadjuvante) e ainda se viu como um inesperado favorito em maquiagem, que também levou. Aposta de muita gente, A Um Passo do Estrelato foi eleito como melhor documentário, contra o mais famoso e mais celebrado O Ato de Matar, provocador título sobre o genocídio na Indonésia.

Como mandava o livro de receitas, Cate Blanchett recebeu o Oscar de melhor atriz por Blue Jasmine, passando incólume pelo escândalo envolvendo seu diretor Woody Allen. De uma maneira geral, todos os prêmios de atuação tiveram seu grau de justiça. Blanchett, Matthew McConaughey e Jared Leto eram os melhores na disputa e Lupita Nyong’o não tinha uma concorrente muito à frente, embora seria delicioso ver June Squibb ou Sally Hawkins ganhar. Pela primeira vez em muitos anos, não houve sequer uma surpresa no Oscar.

Talvez a maior delas tenha sido chamar Pink para cantar “Over the Rainbow” em mais uma celebração de aniversário de O Mágico de Oz. Cantou bem, mas pra quê? Anos atrás, Diana Ross já tinha feito melhor. A história de homenagear os heróis do cinema foi muito mal executada. Rendeu dois clipes, que é o que a Academia acha que é a melhor maneira para render suas homenagens, e parou por aí. O Oscar precisa mesmo ter tema? O tema não deveria ser o ano no cinema? Enfim, a festa bem que poderia mudar de mãos – para tentar chegar ainda mais perto do povo – mas se Ellen se desdobrava para fazer um show popular, por outro lado, a Academia recorria a uma lógica bem manjada para escolher o melhor filme da noite. Maldita ditadura da história real!

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Oscar 2014: Trapaça pode virar um dos maiores perdedores da história?

Trapaça

Trapaça é, junto com Gravidade, o filme com o maior número de indicações ao Oscar. São dez, que incluem tanto as principais (filme, direção e roteiro), as de elenco (quatro) e as técnicas (montagem, desenho de produção e figurinos). Com um currículo como este, o filme de David O. Russell se iguala em número de indicações a clássicos como Lawrence da Arábia e O Poderoso Chefão. É para tanto? O que longa de David O. Russell realmente representa na corrida deste ano: é um favorito, seria um azarão ou uma tentativa da temporada de prêmios de construir um placebo para tumultuar a disputa?

A verdade é que Trapaça parece ser uma ameaça em quase todas as categorias, mas não é favorito em nenhuma e pode terminar a noite de domingo como um dos maiores perdedores da história do Oscar. Assim como o filme anterior de O. Russell, Trapaça foi revelado ao mundo pouco antes da temporada de prêmio começar, causou rebuliço por ser um filme de época, ter vários nomes famosos no cast e parecer uma boa aposta em vários quesitos do Oscar, mas, pouco antes dos prêmios dos críticos começarem a ser revelados, o filme já estava meio em baixa nas apostas, saindo dos prognósticos de alguns sites dedicados ao assunto, o que mudou quando a prestigiada New York Film Critics Association abriu a temporada, chamando-o de melhor filme do ano.

Vieram outras indicações e o trabalho de O. Russell estava espalhado por todo lugar, mas o Screen Actors Guild deu um baque nas pretensões, ao ignorar Christian Bale e Amy Adams entre os melhores protagonistas. Quando os prêmios começaram a sair quase nada sobrou para o filme, a não ser que ele fosse relegado à categoria de comédia, onde levou dois Globos de Ouro, além do que foi para as mãos de Jennifer Lawrence, que sempre se apresentou como uma das preferidas para ganhar o prêmio de atriz coadjuvante. Quando o quesito misturava misturava dramas e comédias, os jornalistas estrangeiros em Hollywood escolhiam outro filme, caso de Ela, que venceu em roteiro, categoria em que Trapaça era favorito.

As dez indicações ao Oscar reativaram o burburinho sobre as chances do filme ganhar em várias categorias. Bale, Adams, Lawrence e Bradley Cooper conseguiram ser finalistas, fazendo com que O. Russell conseguisse indicar quatro de seus atores em dois anos consecutivos, mas Trapaça falhou bem onde seria um franco favorito, a categoria de maquiagem (agora “maquiagem e cabelos”). Mas a verdade é que, mesmo indicado em dez categorias, existe uma possibilidade forte de que ele saia da festa de domingo com as mãos abanando. Vamos analisar as chances do filme em todas suas indicações, começando com aquela onde mais se aposta nele: melhor atriz coadjuvante.

Uma vitória de JLaw, que na teoria seria um dos prêmios mais fáceis para o filme, poderia ser um miniescândalo. Na história do Oscar, só cinco intérpretes ganharam por dois anos consecutivos – Luise Rainer, Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Jason Robards e Tom Hanks – e, na maioria dos casos, ou eles eram lenda vivas, ou estavam em situações muito específicas, como quando Hanks apareceu com um irresistível Forrest Gump um ano depois de ganhar um Oscar político. O fato é que Jennifer Lawrence, aos 23 anos, não parece ter esse cacife todo para convencer a Academia a premiá-la de novo um ano depois. E os votantes têm opções: a estreante Lupita N’Yongo, que aumentaria o leque de prêmios de 12 Anos de Escravidão, seria a primeira. Ou os votantes podem usar a categoria – e não seria a primeira vez – para eleger uma veterana até então desconhecida (June Squibb, de Nebraska) ou uma coadjuvante de prestígio (Sally Hawkins, Blue Jasmine).

Quando Amy Adams apareceu na lista de atrizes, derrubando Emma Thompson, que todo mundo dava como concorrente certa por Walt nos Bastidores de Mary Poppins, logo começou a se falar que ela poderia derrubar o favoritismo de Cate Blanchett. Mas quais as chances de uma atriz que não foi sequer indicada ao prêmio do Screen Actors Guild, o sindicato dos atores, vencer o Oscar. Sindicato e Academia divergem muitas vezes, mas desde que foi criado o prêmio todas as vencedoras da categoria no Oscar foram pelo menos indicadas ao SAG. No mais, Blanchett foi elogiadíssima, ganhou todos os prêmios que pode, e não sofreu o mínimo abalo com as acusações que seu diretor, Woody Allen, recebeu de que teria abusado da filha, o que poderia manchar suas chances. Blanchett continua favorita e Adams está mais para um azarão, diferente de Christian Bale e Bradley Cooper, que têm chances zero de ganhar como ator e ator coadjuvante, respectivamente.

Na categoria de direção de arte, um dos trunfos do filme, Trapaça teria que passar por O Grande Gatsby, Gravidade e Ela, três vencedores dos prêmios do sindicato, além de 12 Anos de Escravidão, principal candidato a melhor filme. Bem difícil. No quesito de figurinos, em que tem mais chances, teria que derrubar o favoritismo de Gatsby e a possibilidade da Academia usar a categoria para aumentar o número de prêmios de 12 Anos. Em outros anos, o prêmio de montagem poderia ser uma aposta, ainda mais quando o longa ganhou um prêmio do sindicato, mas Trapaça só ganhou no sindicato porque foi eleito entre as comédias. É muito mais provável que Capitão Phillips, premiado pelos montadores como melhor edição de drama, divida as atenções com Gravidade, um filme onde a montagem é bem mais visível.

As maiores chances de Trapaça estariam então na categoria de melhor roteiro original, mas depois que Ela ganhou tanto o Globo de Ouro quanto o prêmio do sindicato dos roteiristas, é difícil imaginar que o Oscar vá por outro caminho, a não ser que resolva consagrar o filme. O Bafta preferiu o longa de O. Russell, nunca se sabe. Mesmo assim, a disputa não influencia na categoria de direção, onde o embate promete ficar restrito a Alfonso Cuarón, que ganhou tudo, e Steve McQueen, diretor do filme que tem todas as chances de ganhar a categoria principal. Por sinal, é em melhor filme que Trapaça pode ser chamado de azarão. Pode ser uma opção à briga entre 12 Anos de Escravidão e Gravidade, pode ser um filme mais americano para a disputa, pode ser uma aposta num filme com muitas indicações.

Para ganhar em melhor filme, Trapaça precisaria de uma conjunção de fatores. Se premiar o filme em atriz coadjuvante, a Academia mostra que gosta mesmo dele. Se escolhê-lo também em figurinos, reforça bem essa ideia, e, caso o eleja em montagem, transforma Trapaça num favorito. Um favorito isolado se o filme também ganhasse em roteiro original. Mas a maré não parece muito disposta a levar o filme de O. Russell para o palco não. Em todas as categorias em que ele teria mais possibilidades de vitória, há um empecilho bastante razoável para a vitória do filme. Trapaça corre um sério risco de voltar da festa com dez indicações e dez derrotas, empatando com Gangues de Nova York e Bravura Indômita, perdendo apenas para Momento de Decisão e A Cor Púrpura.

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Oscar 2014: a Academia está preparada para premiar Gravidade?

Gravidade

A maior surpresa que o Oscar pode nos dar neste domingo é premiar Gravidade como o melhor filme do ano. Embora o longa de Alfonso Cuarón seja um dos favoritos da noite – e sua vitória na categoria de melhor direção esteja praticamente certa – ganhar o principal prêmio deste ano revelaria que a Academia passa por um profundo processo de transformação. Não que Gravidade seja uma obra-prima, nem que seja um filme de arte “para poucos” e que ao elegê-lo o Oscar estaria se voltando para um tipo de filme mais elaborado e refinado. Gravidade está além destes conceitos porque ao mesmo tempo em que Cuarón nos entregou um reflexão sobre a vida, nos ofereceu também um espetáculo cinematográfico no sentido de grande show mesmo. Aí está a questão.

Em outros tempos, mas Gravidade teria mais chances de ganhar o Oscar caso os membros da Academia enxergassem o filme mais como uma obra ousada e séria do que como esse espetáculo do entretenimento. Isso poderia varrer para baixo do tapete um grande empecilho para a maior parte dos votantes do Oscar, a ideia de que filmes de gênero, sobretudo os que trabalham diretamente com a fantasia, como os de terror e os de ficção-científica, são filmes sem muito valor artístico e, assim, menos aptos a ser considerados para prêmios “sérios” como o da Academia, principalmente nas categorias principais. Indicar filmes com esse perfil não tem problema (eram cinco, agora até dez vagas para melhor filme), a questão justamente é premiá-los.

Na maioria das vezes em que o Oscar chegou perto de fazê-lo, voltou atrás. Veja o caso de Avatar, que há alguns anos se viu de favorito a relegado a prêmios técnicos. Mas, verdade seja dita, a Academia parece que ter se modernizado. Aqui e ali. Avatar inaugurou uma linhagem de filmes “virtuais”, cheios de efeitos visuais, que vem ganhando os Oscars de fotografia. A Invenção de Hugo Cabret e As Aventuras de Pi também venceram o prêmio, colocando a Academia numa espécie de vanguarda em relação a American Society of Cinematographers, o sindicato dos diretores de fotografia, que, apenas neste ano, se rendeu aos filmes com CGI, premiando Gravidade, que é o favorito para o Oscar no quesito, o que abriria espaço para voos mais altos.

O problema é que tanto Hugo quanto Pi eram filmes que têm o que a Academia acredita que dá mais estirpe para suas candidaturas: são baseados em livros, têm tom de fábula e são assinados por dois cineastas que o Oscar já premiou, Martin Scorsese e Ang Lee. E nem assim ganharam o prêmio principal. Gravidade, que é um roteiro original, e um cineasta que o Oscar só indicou como roteirista, teria mais chances? A questão é que nunca houve um precedente real para analisar as chances de Gravidade. Qual foi a última grande ficção-científica séria, premiada, sucesso de bilheteria e que pode ser chamada de marco no gênero? Mais ainda: que scifi ultrapassou as barreiras de gênero e também as do Oscar?

Portanto, uma vitória na noite de domingo coroaria uma momento da Academia: que deu muitos exemplos de que quer olhar pro futuro neste ano, eliminando quase que totalmente filmes como Walt nos Bastidores de Hollywood da lista de indicados, que deixou de indicar Robert Redford e Tom Hanks para apostar em Christian Bale e Jonah Hill, que pode não ter medo de premiar uma ficção-científica conceitual como melhor filme. Embora o histórico não favoreça Gravidade frente ao favorito 12 Anos de Escravidão (O Discurso do Rei x A Rede Social, por exemplo, mostra que quando o filme é mais convencional, a Academia geralmente opta por ele), o ineditismo desta condição (uma scifi realista, elogiada e frontunner) pode fazer lançar o filme de Cuarón para o alto e avante.

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Eduardo Coutinho, o cineasta do humano

Eduardo Coutinho

A tragédia que se abateu hoje sobre o cineasta Eduardo Coutinho foi uma das notícias mais chocantes que o cinema brasileiro recebeu nos últimos muitos anos. Primeiro porque, confirmada a versão de que o diretor, um dos maiores da história do país, sem medo de cair no exagero, teria sido morto pelo próprio filho, já carrega desastre suficiente. Segundo porque Coutinho reencontrou sua melhor fase de produção nas últimas duas décadas, entregando filmes cada vez mais inspiradores, mesmo chegando aos 81 anos. Terceiro porque esta tragédia familiar dialoga com tantas tragédias familiares registradas pelo diretor ao longo de seus filmes. A tragédia dos personagens de Cabra Marcado para Morrer, dos moradores do Edifício Master ou do morro de Babilônia 2000, sem falar nas tragédias das mulheres, verdadeiras ou não, da obra-prima do cineasta, Jogo de Cena.

Difícil falar sobre Coutinho sem se emocionar com seu olhar para o homem. Sua maneira de intervir na entrevista, de interagir com o entrevistado que sempre se sentia em frente a um velho amigo, era seu maior diferencial. O cineasta se aproxima de cada pessoa com um olhar crítico, mas apaixonado. Ele tinha talento para humanizar aqueles que outros cineastas tratariam como vilões, como o síndico do Edifício Master, aquele que começava “com Piaget, depois usava Pinochet”. Começou no cinema, no início dos anos 60, chegou a dirigir longas de ficção, mas teve que interromper um de seus maiores filmes, Cabra Marcado para Morrer, que retomou apenas 20 anos mais tarde, uma década depois de escrever seu nome na história do telejornalismo brasileiro no Globo Repórter. No programa, (re)descobriu seu talento para o documentário. E voltou a se dedicar só ao cinema.

Seu registro do humano alcançou seu ápice em 2007, quando lançou Jogo de Cena. No filme, Coutinho subverte a própria lógica de seu cinema, de deixar os personagens registrarem sua história em seus depoimentos, para lançar um ensaio sobre a representação. Coutinho estabeleceu um paralelo impressionante entre as mulheres de verdade e as atrizes de verdade. Quando Andréa Beltrão não segura as lágrimas ao ‘interpretar’ uma mulher que não chora, é praticamente impossível não se comover. Mas, além da comparação, há a investigação. As atrizes são entrevistadas em seguida sobre o processo de ‘tradução’ das personagens. E quando você acha que não poderia haver mais, Coutinho nos aplica um golpe final: a mais triste das histórias se transforma em interpretação e uma personagem real surge para provar que as aparências enganam mesmo. Gostaríamos nós de que a tragédia de hoje não passasse de um ficção, que os protagonistas mudassem, que a vida real fosse tão demasiadamente humana quanto nos filmes de Eduardo Coutinho.

Veja também:

- Quando Eu Era Vivo, com Sandy Leah
- Top 100 filmes favoritos

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Oscar 2014: os indicados refletem uma nova Academia?

Chris Hemsworth apresentou hoje o anúncio dos indicados ao Oscar para ver seu Rush completamente ignorado. Nem o colega de elenco, Daniel Brühl, nem as esperadas menções nas categorias de som se confirmaram. Mas o filme de Ron Howard não foi o único grande esnobado pela Academia: O Mordomo da Casa Branca, Tom Hanks, Robert Redford, Emma Thompson e Oprah Winfrey também foram esquecidos pelo prêmio de Hollywood. Estaria a Academia finalmente sentindo o reflexo da renovação de seus quadros nos últimos anos? Talvez a entrada de novos membros – membros mais jovens e ligados a um cinema mais independente – possa explicar que filmes como Clube de Compras Dallas e Ela, que, em outros tempos, poucas chances teriam, sejam donos de 6 e 5 indicações, respectivamente, ambos finalistas na categoria de melhor filme. Talvez explique também excluir veteranos em prol de atores do momento, menos cotados, com Christian Bale, Amy Adams e Bradley Cooper.

Por sinal, que feitiço foi esse que o David O. Russell fez? Pelo segundo ano consecutivo, emplaca quatro atores entre os finalistas. Os quatro indicados ou premiados anteriormente por filmes assinados por ele. Mas nenhum deles parece ter chances de vitória devido aos rivais poderosos. Por Trapaça, Adams destronou Emma Thompson, quebrando a ideia de que o conjunto de cinco atrizes indicadas seria de oscarizadas. Meryl Streep, mãe da Academia, permaneceu intacta. Bale ajudou a empurrar Tom Hanks para fora da lista final, junto com Leonardo Di Caprio, que passou a perna em Robert Redford. Dois atores no auge de suas carreiras, deixando dois veteranos para trás.

 

O Lobo de Wall Street, o filme mais polêmico do ator, recebeu mais atenção do que se esperava, com indicações para Martin Scorsese, mantido para a tristeza de Paul Greengrass, e Jonah Hill, aposta de poucos que se confirmou, derrubando Brühl, James Gandolfini e Will Forte. Capitão Phillips, que nunca foi um dos protagonistas da temporada, mas parecia estável na condição de candidato, se prejudicou com esse amor. A “nova” Academia adorou Clube de Compras Dallas, que parecia um filme de atores no início da temporada e que agora tem chances reais de ganhar em três quesitos: ator, ator coadjuvante e maquiagem. Essa mesma “nova” Academia detestou – ou pelo menos ignorou O Mordomo da Casa Branca, o típico Oscar bait, que falhou em tudo, inclusive na esperada indicação de Oprah Winfrey. Merecido. Ô filme ruim!

Mas alguns velhos costumes permanecem: um deles, o de indicar por associação esteve bem forte nesse ano. Um exemplo é Sally Hawkins, de Blue Jasmine - que garantiu sua vaga, que tinha o aval do Globo de Ouro e do BAFTA, mas continuava nebulosa – no rastro do favoritismo de Cate Blanchett. Casos parecidos aconteceram com Trapaça, Nebraska e O Lobo de Wall Street, mas em escala menor. Álbum de Família não empolgou muito, mas Julia Roberts conseguiu sua menção, fazendo companhia a Meryl Streep. Inside Llewyn Davis quebrou uma sequência de filmes dos Coens reconhecidos nas principais categorias: só entrou em fotografia e mixagem de som. Sarah Polley não viu seu documentário Stories We Tell finalista, mas, no Twitter, comemorou a indicação de O Ato de Matar.

Philomena é finalista a melhor filme, garantindo a cota inglesa. E nunca duvide de Alexandre Desplat nas trilhas sonoras. A animação francesa Ernest & Celestine conseguiu seu espaço, às custas de uma esnobada na Pixar. Universidade Monstros não repetiu a indicação do filme original. Entre os estrangeiros, a grande surpresa, e excelente notícia, é a inclusão de A Imagem que Falta, documentário do Rithy Panh, entre os finalistas. Um grande filme, todo feito com maquetes, sobre a infância no Camboja ocupado. Tomara que estes dois entrem no circuito brasileiro – e, mais ainda, que sejam vistos pelo maior número possível de pessoas.

FILME

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Greengrass
Ela, Spike Jonze
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Jean-Marc Vallée
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Scorsese
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Alexander Payne
Philomena, Stephen Frears
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell

DIREÇÃO

Alexander Payne, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Alfonso Cuarón, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
David O. Russell, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ATOR

Bruce Dern, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Matthew McCounaghey, Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Christian Bale, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ATRIZ

Cate Blanchett, Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Amy Adams, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Judi Dench, Philomena
Meryl Streep, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Sandra Bullock, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi, Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jared Leto, Clube de Compras Dallas  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Bradley Cooper, Trapaça EstrelinhaEstrelinha½

ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Lawrence, Trapaça  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Julia Roberts, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
June Squibb, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Sally Hawkins, Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Woody Allen
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Craig Borten & Melissa Wallack
Ela, Spike Jonze
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Bob Nelson
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell & Eric Singer

ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, John Ridley & Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Billy Ray
Antes da Meia-Noite EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Richard Linklater, Ethan Hawke & Julie Delpy
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Terence Winter
Philomena, Jeff Pope & Steve Coogan

FILME DE ANIMAÇÃO

Os Croods EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Chris Sanders & Kirk De Micco
Frozen EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Chris Buck, Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pierre Coffin & Chris Renaud
Ernest & Celestine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Stéphanie Aubier, Vincent Patar & Benjamin Renner
Vidas ao Vento EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hayao Miyazaki

FILME ESTRANGEIRO

Alabama Monroe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Felix Van Groeningen (Bélgica)
A Caça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Thomas Vintenberg (Dinamarca)
A Grande Beleza EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Paolo Sorrentino (Itália)
A Imagem que Falta  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rithy Panh (Camboja)
Omar EstrelinhaEstrelinha½, Hany Abu-Assad (Palestina)

DOCUMENTÁRIO

A Um Passo do Estrelato, Morgan Neville
O Ato de Matar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joshua Oppenheimer
Cutie and the Boxer, Zachary Heinzerling
The Square, Jehane Noujaim
Guerras Sujas, Rick Rowley

FOTOGRAFIA

O Grande Mestre EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Philippe Le Sourd
Os Suspeitos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Emmanuel Lubezki
Inside Llewyn Davis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Bruno Delbonnel
Nebraska  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Phedon Papamichael

MONTAGEM

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joe Walker
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Rouse
Gravidade  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón & Marc Sanger
Clube de Compras Dallas  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Pensa & Jean-Marc Vallée
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Daniel P. Hanley & Mike Hill

DESENHO DE PRODUÇÃO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Adam Stochausen & Alice Baker
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Catherine Martin & Beverly Dunn
Ela, K.K. Barrett & Gene Serdena
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andy Nicholson & Rosie Goodwin
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Judy Becker & Heather Loeffler

FIGURINOS

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Patricia Norris
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Catherine Martin
O Grande Mestre EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, William Chang
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Wilkinson
The Invisible Woman, Michael O’Connor

MAQUIAGEM E CABELOS

Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha
O Cavaleiro Solitário

TRILHA SONORA

Philomena, Alexandre Desplat
Ela, William Butler & Owen Pallett
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steven Price
A Menina que Roubava Livros, John Williams
Walt nos Bastidores de Mary Poppins EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas Newman

CANÇÃO

“Happy” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Meu Malvado Favorito 2
“Let it Go”  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Frozen
“The Moon Song”, Ela
“Ordinary Love”, Mandela
“Alone Yet Not Alone”, Alone Yet Not Alone

MIXAGEM DE SOM

O Hobbit: A Desolação de Smaug EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Inside Llewyn Davis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ 

EDIÇÃO DE SOM

Até o Fim  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ 
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Hobbit: A Desolação de Smaug EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói

EFEITOS VISUAIS

Além da Escuridão: Star Trek EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Hobbit: A Desolação of Smaug  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Homem de Ferro 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Cavaleiro Solitário

CURTA

That Wasn’t Me
Just Before Losing Everything
Helium
Do I Have to Take Care of Everything?
The Voorman Problem

CURTA DE ANIMAÇÃO

Feral
É Hora de Viajar
Mr Hublot
Possessions
Room on the Broom

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

CaveDigger
Facing Fear
Karama Has No Walls
The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

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Globo de Ouro 2014: a coerência como coadjuvante

Trapaça

12 Anos de Escravidão é o melhor filme do ano, mas não tem o melhor diretor, o melhor roteiro, o melhor ator, os melhores coadjuvantes, nem a melhor trilha. Esse é o decreto da edição deste ano do Globo de Ouro. Todo mundo imaginava que haveria uma divisão de prêmios na festa dos melhores do cinema segundo a imprensa estrangeira em Hollywood. O que ninguém imaginava é que o escolhido na principal categoria, filme dramático, fosse esnobado em todas as outras. Chiwetel Ejiofor e Lupita Nyong’o, que eram considerados favoritos, perderam para seus principais concorrentes. Mas o filme de Steve McQueen não está “só″ nessa. O melhor diretor, Alfonso Cuarón, também não viu seu Gravidade ser lembrado em nenhum outro quesito.

O grande vencedor da noite terminou sendo Trapaça, que venceu entra as comédias e conseguiu eleger suas duas atrizes, Amy Adams, entre as protagonistas, e Jennifer Lawrencena, na categoria dedicada às coadjuvantes. Adams ganhou em sua quinta indicação, derrotando Meryl Streep, sua principal oponente, e têm mais chances de entrar na lista de finalistas ao Oscar, numa das categorias com candidatas mais fortes. Lawrence conseguiu sua segunda vitória em dois anos consecutivos (ela ganhou como atriz por O Lado Bom da Vida), deve disputar também o Oscar, mas dificilmente deve ganhar.

Clube de Compras Dallas também levou dois prêmios de interpretação. Matthew McConaughey e Jared Leto, em ator dramático e ator coadjuvante respectivamente, comprovaram seus favoritismos. Leto era um dos nomes mais certos da festa, já que ganhou praticamente todos os prêmios do críticos. McConaughey tinha Chiwetel Ejiofor como principal rival, mas, além de ter sido muito elogiado e premiado, teve a seu favor o fato de ser um astro, coisa que o Globe de Ouro adora. Os dois reforçam a condição de favoritos ao Oscar. Uma das estrelas máximas de Hollywood, Leonardo Di Caprio venceu como ator em comédia pela “comédia” O Lobo de Wall Street, derrubando o veterano Bruce Dern, indicado pela “comédia” Nebraska.

Já Cate Blanchett venceu como atriz dramática em Blue Jasmine. Confirmando o favoritismo, merecendo. Woody Allen não apareceu, mas ganhou o prêmio Cecil B. De Mille pelo conjunto da obra. Emma Stone apresentou. Emma Stone? Só porque está no novo filme dele? Diane Keaton agradeceu/homenageou, o que melhorou as coisas. Só não entendi porque convidaram várias atrizes dos filmes do homem e não as colocaram no palco. Uma das maiores surpresas da noite foi a premiação de Spike Jonze pelo roteiro de Ela. Numa categoria forte (e única, ao contrário do Oscar), ignorar os dois filmes favoritos, vencedores nas categorias de drama e comédia, em prol de uma longa indie melancólico foi bem ousado.

As categorias musicais do Globo de Ouro geralmente seguem um caminho diferente do Oscar, tanto nas indicações quanto nos prêmios. É bem provável que Até o Fim, que ganhou o prêmio de trilha sonora, nem seja indicado. A imprensa estrangeira apostou bem longe dos favoritos, que seriam Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Ainda acho que Gravidade ganha o Oscar. Seguindo a lógica de premiar estrelas, o U2 ganhou na categoria de melhor canção por “Ordinary Love”, de Mandela. O filme, talvez impulsionado pela morte de Nelson Mandela, teve três indicações para o Globo de Ouro. No Oscar, “Let it Go”, de Frozen, ainda é a frontrunner.

O belo longa da Disney ganhou como melhor animação, como todo mundo previa – e deve repetir a vitória no Oscar. A Grande Beleza levou na categoria de filme estrangeiro provando que os velhinhos do Reserva Cultural não estão sozinhos – OK, eu acho o filme bem interessante. Paolo Sorrentino derrubou Azul é a Cor Mais Quente, que estava ganhando quase todos os prêmios dos críticos, e A Caça, único filme que pode fazer dobradinha com o italiano entre os indicados ao Oscar, que vão ser anunciados na quinta. No geral, a lista de premiados teve nomes muito bons. Só faltou um pouco de coerência.

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