Monthly Archives: novembro 2016

Oscar 2017: primeiro round de apostas

oscar 2017

Comecei tarde neste ano, mas aqui vão minhas primeiras apostas para as principais categorias do Oscar 2017. A base é a de sempre: os sites que acompanham a corrida pelo prêmio da Academia, as críticas dos filmes lançados e o retrospecto de indicados, não indicados e vencedores de anos anteriores. Apesar de um certo buzz em torno de La La Land, ainda não há um claro favorito ao prêmio principal. Além do filme de Damien Chazelle, Moonlight, Manchester à Beira-Mar e Fences parecem ter indicações garantidas neste ano e Silence, de Martin Scorsese, que ninguém viu ainda, também é uma aposta recorrente.

Entre as categorias de atuação, a de melhor atriz é a mais disputada, com Emma Stone, Natalie Portman e Annette Bening se revezando no favoritismo. Denzel Washington e Casey Affleck parecem as mais sólidas opções para melhor ator, enquanto a corrida de ator coadjuvante está bem embolada. Viola Davis, decretando para Hollywood que deve ser considerada coadjuvante, pode ter assegurado seu Oscar.

Será que a eleição de Donald Trump pode fazer a indústria, tradicionalmente mais liberal, se manifestar premiando filmes mais políticos e atores negros, como uma reação à postura xenóbofa, misógina e excludente do novo presidente? Há quem diga que sim, ainda mais depois de dois anos de #OscarSoWhite, numa época em que as mulheres conseguiram bons papéis e os filmes de cunho étnico chegaram em bom número.

A lista abaixo contempla os números de indicados nas principais categorias (as outras virão em breve) e traz minhas apostas pessoais (10 em melhor filme e 5 nas outras categorias) e mais uma relação de possibilidades e alternativas (em número igual ao total de indicados por categoria). Deixem seu comentários e suas apostas!

filme
minhas apostas

1 La La Land (Summit)
2 Manchester à Beira-Mar (Roadside)
3 Fences (Paramount)
4 Moonlight (A24)
5 Silence (Paramount)
6 Lion (Weinstein)
7 A Lei da Noite (Warner)
8 Jackie (Fox Searchlight)
9 Estrelas Além do Tempo (20th Century Fox)
10 Loving (Focus Features)

têm chances

11 Sully (Warner)
12 A Chegada (Paramount)
13 Até o Último Homem (Lionsgate)
14 Florence – Quem é Esta Mulher? (Paramount)
15 A Qualquer Custo (CBS)
16 Aliados (Paramount)
17 20th Century Women (A24)
18 Ouro e Cobiça (Weinstein)
19 Rules Don’t Apply (20th Century Fox)
20 Mogli – O Menino Lobo (Disney)

direção
minhas apostas

1 Damien Chazelle, La La Land
2 Denzel Washington, Fences
3 Barry Jenkins, Moonlight
4 Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
5 Martin Scorsese, Silence

têm chances

6 Garth Davis, Lion
7 Ben Affleck, A Lei da Noite
8 Pablo Larraín, Jackie
9 Clint Eastwood, Sully
10 Dennis Villeneuve, A Chegada

ator
minhas apostas

1 Denzel Washington, Fences
2 Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
3 Tom Hanks, Sully
4 Warren Beatty, Rules Don’t Apply
5 Joel Edgerton, Loving

têm chances

6 Ryan Gosling, La La Land
7 Andrew Garfield, Silence
8 Andrew Garfield, Até o Ultimo Homem
9 Matthew McCounaughey, Ouro e Cobiça
10 Ben Affleck, A Lei da Noite

atriz
minhas apostas

1 Emma Stone, La La Land
2 Natalie Portman, Jackie
3 Annette Bening, 20th Century Wome
4 Meryl Streep, Florence: Quem é Essa Mulher?
5 Ruth Negga, Loving

têm chances

6 Amy Adams, A Chegada
7 Jessica Chastain, Miss Sloane
8 Taraji P. Henson, Estrelas Além do Tempo
9 Isabelle Huppert, Elle
10 Marion Cotillard, Aliados

ator coadjuvante
minhas apostas

1 Jeff Bridges, A Qualquer Custo
2 Hugh Grant, Florence: Quem é Essa Mulher?
3 Mahershala Ali, Moonlight
4 Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
5 Liam Neeson, Silence

têm chances

6 Stephen McKinley Henderson, Fences
7 Dev Patel, Lion
8 Mykelti Williamson, Fences
9 Aaron Eckhardt, Sully
10 Michael Shannon, Animais Noturnos

atriz coadjuvante
minhas apostas

1 Viola Davis, Fences
2 Naomi Harris, Moonlight
3 Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar
4 Nicole Kidman, Lion
5 Greta Gerwig, 20th Century Women

têm chances

6 Janelle Monae, Estrelas Alem do Tempo
7 Octavia Spencer, Estrelas Alem do Tempo
8 Sienna Miller, A Lei da Noite
9 Felicity Jones, Sete Minutos Depois da Meia-Noite
10 Molly Shannon, Other People

roteiro original
minhas apostas

1 Moonlight, Barry Jenkins
2 Manchester à Beira-Mar, Kenneth Lonergan
3 La La Land, Damien Chazelle
4 20th Century Women, Mike Mills
5 A Qualquer Custo, Taylor Sheridan

têm chances

6 Loving, Jeff Nichols
7 Jackie, Noah Oppenheim
8 Florence – Quem É Esta Mulher?, Nicholas Martin
9 Miss Sloane, Jonathan Perera
10 Toni Erdmann, Maren Ade

roteiro adaptado
minhas apostas

1 Fences, August Wilson
2 Lion, Luke Davies
3 Silence, Jay Cocks
4 Estrelas Além do Tempo, Allison Schroeder
5 A Chegada, Eric Heisserer

têm chances

6 A Lei da Noite, Ben Affleck
7 Até o Último Homem, Andrew Knight, Robert Schenkkan
8 Sully, Todd Komarnicki
9 Indignação, James Schamus
10 Amor & Amizade, Whit Stillman

filme estrangeiro
minhas apostas

1 Toni Erdmann (Alemanha), Maren Ade
2 O Dia Mais Feliz na Vida Olli Mäki (Finlândia), Juho Kuosmanen
3 O Ídolo (Palestina), Hany Abu Assad
4 Neruda (Chile), Pablo Larraín
5 Julieta (Espanha), Pedro Almodóvar

têm chances

6 Sieranevada (Romênia), Cristi Puiu
7 Fogo no Mar (Itália) Gianfranco Rosi
8 O Apartamento (Irã), Asghar Farhadi
9 De Longe Te Observo (Venezuela), Lorenzo Vigas
10 Land of Mine (Dinamarca), Martin Zandvliet

filme de animação
minhas apostas

1 Procurando Dory (Pixar)
2 Zootopia (Disney)
3 Kubo e as Cordas Mágicas (Laika/Focus Features)
4 A Tartaruga Vermelha (Sony Classics)
5 My Life as a Zucchini (GKIDS)

têm chances

6 Moana (Disney)
7 Miss Hokusai (GKIDS)
8 Abril e o Mundo Extraordinário (GKIDS)
9 Pets: A Vida Secreta dos Bichos (Universal)
10 Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (Universal)

documentário
minhas apostas

1 O.J.: Made in America, Ezra Edelman
2 13th, Ava DuVernay
3 I Am Not Your Negro, Raoul Peck
4 Gleason, Clay Tweel
5 The Eagle Huntress, Otto Bell

têm chances

6 Life, Animated, Roger Ross Williams
7 Zero Days, Alex Gibney
8 The Ivory Game, Kief Davidson, Richard Ladkani
9 Tower, Keith Maitland
10 Weiner, Josh Kriegman & Elyse Steinberg

fotografia
minhas apostas

1 Silence, Rodrigo Prieto
2 La La Land, Linus Sandgren
3 A Chegada, Bradford Young
4 Jackie, Stéphane Fontaine
5 A Lei da Noite, Robert Richardson

têm chances

6 Ave, César!, Roger Deakins
7 Rules Don’t Apply, Caleb Deschanel
8 Animais Noturnos, Seamus McGarvey
9 Mogli, o Menino Lobo, Bill Pope
10 Café Society, Vittorio Storaro

montagem
minhas apostas

1 La La Land, Tom Cross
2 Silence, Thelma Schoonmaker
3 A Lei da Noite, William Goldenberg
4 Sully, Blu Murray
5 Fences, Hughes Winborne

têm chances

6 Até o Último Homem, John Gilbert
7 Lion, Alexandre de Francheschi
8 Moonlight, Joi McMillon, Nat Sanders
9 A Chegada, Joe Walker
10 Manchester à Beira-Mar, Jennifer Lame

desenho de produção
minhas apostas

1 La La Land, David Wasco; Sandy Reynolds-Wasco
2 Silence, Dante Ferretti; Francesca Lo Schiavo
3 A Lei da Noite, Jess Gonchor; Nancy Haigh
4 Animais Fantásticos e Onde Habitam, Stuart Craig, James Hambige; Anna Pinnock
5 A Criada, Ryu Seong-he

têm chances

6 Jackie, Jean Rabasse; Veronique Melery
7 A Chegada, Patrice Vermette; Paul Hotte
8 Rules Don’t Apply, Jeannine Oppewall; Nancy Haigh
9 Florence – Quem É Essa Mulher?, Alan MacDonald
10 Aliados, Gary Freeman; Raffaella Giovannetti

figurinos
minhas apostas

1 Silence, Sandy Powell
2 Jackie, Madeline Fontaine
3 A Lei da Noite, Jacqueline West
4 Animais Fantásticos e Onde Habitam, Colleen Atwood
5 La La Land, Mary Zophres

têm chances

6 Aliados, Joanna Johnston
7 Amor e Amizade, Eimer Ni Mhaoldomhnaigh
8 A Criada, Seong-hie Ryu
9 Florence – Quem É Essa Mulher?, Consolata Boyle
10 Rules Don’t Apply, Albert Wolsky

maquiagem
minhas apostas

1 Star Trek: Sem Fronteiras
2 Jackie
3 Até o Último Homem

têm chances

4 Silence
5 Animais Fantásticos e Onde Habitam
6 Florence – Quem É Esta Mulher?
7 Rogue One: Uma História Star Wars

trilha sonora
minhas apostas

1 O Bom Gigante Amigo, John Williams
2 Animais Fantásticos e Onde Habitam, James Newton Howard
3 Florence – Quem É Essa Mulher?, Alexandre Desplat
4 A Chegada, Jóhann Jóhannsson
5 La La Land, Justin Hurwitz

têm chances

6 Mogli, o Menino Lobo, John Debney
7 Jackie, Mica Levi
8 Silence, Kim Allen Kluge, Kathryn Kluge
9 Lion, Hauschka, Dustin O’Halloran
10 Rogue One: Uma História Star Wars, Michael Giacchino

canção
minhas apostas

1 “Audition (The Fools Who Dream)”, La La Land
2 “How Far I’ll Go”, Moana
3 “City of Stars”, La La Land
4 “I See a Victory”, Hidden Figures
5 “I’m Still Here”, Miss Sharon Jones!

têm chances

6 “Runnin’, Hidden Figures
7 “Can’t Stop the Feeling!”, Trolls
8 “We Know the Way”, Moana
9 “A Letter to the Free”, 13th
10 “Rules Don’t Apply”, Rules Don’t Apply

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Snowden: Herói ou Traidor

Snowden

Snowden perde um pouco de seu poder aterrorizante se você assistiu, alguns dias antes, o documentário Zero Days, sobre como os EUA invadiram e desestabilizaram vários sistemas operacionais no Irã e podem e fazem o mesmo com você. Mas a história do homem que revelou o Big Brother da vida real patrocinado pela “América” ainda tem seu lado fascinante. A grande questão é que, na intenção de colocar Edward Snowden como herói solitário, posto com o qual certamente deve se identificar, Oliver Stone realiza uma biografia burocrática do “inimigo íntimo” número um da terra que elegeu Donald Trump.

Ainda que use uma montagem não-linear para dar mais dinâmica ao filme, Stone sempre esbarra em tentativas didáticas de mostrar os embates éticos do personagem. Joseph Gordon Levitt está correto como protagonista, a não ser pela incômoda ideia de emular o sotaque de Snowden, o que deixa cenas dramáticas quase engraçadas. Na ânsia de fazer um retrato fiel, Stone parece não estar muito disposto a experiências visuais, o que faz bastante diferença diante da história de um mestre dos computadores. A fotografia, geralmente acomodada, ajuda a passar esta impressão de frieza ao filme.

Há poucos momentos inspirados. O melhor deles é quando Snowden é confrontado por seu chefe numa sala de reuniões. Os dois falam por um telão, mas Stone gigantifica o personagem de Rhys Ifans, como se o embate homem contra sistema acontecesse diante de nossos olhos. A meia hora final funciona porque a tensão finalmente é adicionada ao filme e a reprodução das cenas do documentário Citizenfour ganham agilidade. O resto é clichê de um Oliver Stone sempre fadado a se repetir.

Snowden: Herói ou Traidor EstrelinhaEstrelinha½
[Snowden, Oliver Stone, 2016]

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Através da Sombra

Através da Sombra

Através da Sombra parecia um projeto perfeito para Walter Lima Jr. Um filme que poderia facilmente morar no intervalo entre o clássico de Menino de Engenho e o devaneio de A Lira do Delírio. Mas o cineasta de tantos êxitos parece não conseguir dar amarras a esta adaptação da mesma novela de Henry James que inspirou Os Inocentes, de Jack Clayton. Se o filme de 1961 nunca se entregava completamente ao espectador, criando um efeito complexo de suspensão da realidade, a versão tropical de A Outra Volta do Parafuso, transposta pelo próprio Lima Jr com diálogos de Adriana Falcão para o Brasil dos anos 1930, parece domesticada, explicadinha e incapaz de instaurar o clima de terror que o texto pede. O roteiro tenta acrescentar tanto um subtexto político quanto elementos de tensão sexual à história, mas eles ficam dispersos e nunca se desenvolvem propriamente.

É perceptível o esforço de Virginia Cavendish, que também produziu o filme, para colocar a protagonista num limbo entre o terror e a alucinação, mas sua histeria nunca realmente convence. A dupla de crianças com quem contracena não ajuda: podem ser bons atores de novela, mas não conseguem chegar a uma segunda camada, menos superficial, como pede a história. Curiosamente, apesar da equipe experiente, nem a fotografia nem a direção de arte funcionam plenamente em Através da Sombra. A câmera é bastante preguiçosa: nunca procura um ângulo sequer mais inventivo, raramente tenta acompanhar o delírio da personagem principal. Os figurinos são um dos pontos mais incômodos porque os atores parecem, praticamente em todas as cenas, vestirem fantasias, o que reforça a sensação de estarem apenas caminhando num cenário.

As cenas no trem, por exemplo, parecem querer projetar um certo distanciamento da realidade, mas soam somente artificiais – e com atores muito mal dirigidos. Falta rigor e uma mão mais forte em praticamente quase todos os aspectos do filme, o que deixa a história frouxa e o que sobra, sem rédea. É realmente uma pena porque o talento de Walter Lima Jr poderia ajudar a dar elegância e corpo ao cinema de gênero brasileiro que parece ganhar cada vez mais novos adeptos entre os cineastas recentes. O mestre ficou devendo desta vez.

Através da Sombra ★★
[Walter Lima Jr, 2015]

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Pequeno Segredo

Pequeno Segredo

A escolha de Pequeno Segredo para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro selou a sina do longa de David Schurmann: o drama familiar dirigido pelo velejador virou inimigo público número um da democracia por ter tirado a vaga de Aquarius do ringue hollywoodiano. Natural. O filme estrelado por Sonia Braga que se transformou em símbolo da luta contra o impeachment de Dilma Roussef seria, na visão de grande parte da população, o candidato natural ao pleito, enquanto o segundo trabalho de Schurmann sequer havia sido visto por alguém. Pequeno Segredo foi julgado, condenado e apedrejado com a mesma intolerância com que um homossexual ou uma mulher adúltera encontra em países regidos por fundamentalistas. Sequer foi visto, já era considerado execrável.

As coisas mudam a partir de agora, quando o filme finalmente chega aos cinemas. A avaliação, desta vez, é baseada em fatos reais, assim como a história do longa, que anuncia sua nobre origem já em seus créditos iniciais, com um lettering que cruza a tela seguido por uma marca d’água que repete a frase numa espécie de caligrafia clonada, como se Schurmann quisesse deixar claro, desde o começo, o lado humano da história. “Baseado em fatos reais” tem cada vez mais sido usado como referendo para qualquer tipo de obras, especialmente filmes, como se o fato de aquela história que está sendo contada fosse mais importante do que uma trama original. Em Pequeno Segredo, o carimbo ajuda a amaciar a inexperiência do diretor na ficção. Seu primeiro longa, Desaparecidos, que pode ser encontrado na íntegra no YouTube, não traz um exemplo muito eficiente de talento dramático.

Mas o novo filme parece um passo além. Pelo menos na maquiagem das inconsistências. Schurmann se cercou por colaboradores mais experientes, alguns até vencedores do Oscar; recrutou atores conhecidos, como Julia Lemmertz e Marcello Anthony, além de chamar Fionula Flanagan para uma participação especial; e parece realmente incumbido de contar uma história de maneira poética. A questão que seu senso de poesia, desde a marca d’água dos créditos, parece bastante questionável, seja visualmente quanto nos diálogos e no desenho dos personagens. O filme é cheio de imagens-clichê como a borboletinha virtual que dá suas caras aqui e ali, que só não incomodam mais do que a cena em que a personagem de Julia Lemmertz confronta a de Flanagan (que parece caçoar do espectador com sua vilã caricata), perguntando “o que é o amor?”.

O texto, coescrito por Marcos Bernstein, um dos autores de Central do Brasil, parece poesia ruim de aluno da quarta série. Sua incompetência falha quando a intenção é emocionar e só facilita o trabalho dos críticos, que não é tão simples, diante de uma história bonita de altruísmo e dedicação. O mais complexo na análise de um filme como Pequeno Segredo é que ele transborda boas intenções em cada cena. Schurmann dedica o filme a sua mãe e a sua irmã, o que é bastante coerente com o fato de que as duas são as protagonistas absolutas do longa. Num esforço de talvez tentar manter algum distanciamento da trama que está contando, uma história tão próxima dele, o diretor praticamente elimina a si mesmo e a seus irmãos como personagens do filme. Eles aparecem em algumas cenas, mas sem ser nominados, o que causa no mínimo um certo desconforto.

A fragilidade do filme revolta mais do que seu bom mocismo. Este parece ser um panfleto ideal para os tempos de hoje: seu visual envernizado serve para encobrir a falta de criatividade; sua armadura sentimental ajuda a esconder as inconsistências e a incapacidade de flexão dramática; e sua assinatura, “baseado em fatos reais”, é um escudo que protege tanto a falta de textura quanto o maniqueísmo de uma história que se pretende inspiradora. A comissão do Oscar estava certa mesmo: Pequeno Segredo é o representante natural para o Brasil neste momento obtuso em que vivemos.

Pequeno Segredo ★½
[David Schurmann, 2016]

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