Monthly Archives: agosto 2016

Francofonia: Louvre Sob Ocupação

Francofonia

Aleksandr Sokurov aumentou o intervalo entre seus filmes de ficção. Se antes lançava novos trabalhos a cada um ou dois anos, nos últimos tempos passou a esperar pelo menos quatro para lançar o ótimo Fausto e agora Francofonia. No filme, produzido e estrelado pelo Museu do Louvre, o cineasta russo exercita tanto sua faceta documental, que sempre foi bastante forte em sua filmografia, e a ficção propriamente dita, mas num formato bem mais convencional do que estamos acostumados a receber. Nada dos ensaios poéticos sobre arte, vida e história que permeavam Arca Russa, nem os retratos de época barrocos que ele fez em Moloch e Taurus. Arca Russa, por sinal e pela lógica, deveria ser o filme-irmão deste novo projeto, mas Francofonia se afasta da obra-prima de Sokurov em absolutamente todos os prismas. Se o filme de 2002 dava vida à história a partir do local que a preserva, o museu Hermitage, agora outro museu, o mais famoso do mundo, o Louvre, não é apenas ponto de partida, mas quase um local de clausura para a história que tenta contar. O Hermitage era um “protagonista” muito mais generoso, que abria espaço para que seus coadjuvantes dividissem consigo mesmo as atenções no filme. O Louvre está mais para um ator com ego elástico, que tenta fazer do longa um veículo para si mesmo. Desta vez, Sokurov utiliza uma dramatização bem tradicional para falar sobre a aliança entre o diretor do museu, Jacques Jaujard, e o general nazista Conde Wolff-Metternich, que ajudou a preservar o Louvre durante a invasão alemã em Paris na Segunda Guerra. Por outro lado, a parte documental é bem quadrada, utilizando imagens de arquivo da maneira mais clássica possível para contar a história e não avança muito em dar uma dimensão mais poética ao assunto. Faltou arte a um filme que esta falando essencialmente de um dos redutos mais clássicos de arte.

Francofonia: Louvre Sob Ocupação EstrelinhaEstrelinha
[Francofonia, Aleksandr Sokurov, 2015]

Leave a Comment

Filed under Resenha

Os Cavaleiros Brancos

Os Cavaleiros Brancos

Afeito a dramas familiares pesados como Propriedade Privada, Lições Particulares e Perder a Razão, todos tratando de relações controversas dos protagonistas para com aqueles que estão por perto, o belga Joachim Lafosse, desta vez, resolve ampliar suas discussões éticas viajando para a África. Vincent Lindon interpreta o presidente de uma ONG chamada Move for Kids, que, sob a égide de salvar órfãos da guerra civil no Chade, resolve montar uma grande operação para fugir do país com cerca de 300 crianças que já foram prometidas a famílias francesas que estão na fila de adoção. Lafosse acompanha os personagens com uma câmera quase documental, o que viria a se tornar um problema porque oficializa as escolhas morais do grupo como se elas fossem escolhas morais do filme. Embora consiga transformar o foco de seu registro, revelando aos poucos as atitudes limítrofes dos personagens, em especial do protagonista, como se desse pistas de que discorda dele(s), Lafosse nunca assume uma postura verdadeiramente crítica em relação a toda a ação. Na maior parte do filme, parece defendê-la, por sinal. O desfecho talvez indique uma tomada de posição, mas combina mais com a série de finais impactantes que o cineasta adorar deixar estourarem nas mãos do espectador.

Os Cavaleiros Brancos EstrelinhaEstrelinha
[Les Chevaliers Blancs, Joachim Lafosse, 2015]

Leave a Comment

Filed under Resenha