Monthly Archives: setembro 2015

A Hora e a Vez de Augusto Matraga

A Hora e a Vez de Augusto Matraga

Existem qualidades evidentes neste novo A Hora e a Vez de Augusto Matraga, mas seu maior defeito, digamos assim, é manter uma grande distância de sua obra mãe, coincebida por um dos maiores autores da literatura brasileira, Guimarães Rosa. À primeira vista, o filme – que entra em circuito quatro anos depois de estrear e ser premiado no Festival do Rio, devido a uma complicada disputa judicial com os herdeiros do autor – parece ter tudo no lugar (direção, roteiro, elenco, fotografia), mas oferece não muito mais do que uma versão “limpa “da obra que o originou, uma espécie de faroeste brasileiro mitológico e com forte consciência política e religiosa, cheio de figuras de linguagem.

Percebe-se o esforço de Vinícius Coimbra, até então um cineasta estreante em longas, com formação televisiva, para deixar tudo digno. O filme tem bastante chance de fazer uma boa carreira nos cinemas porque, de certa forma, “traduz” a complexidade de Guimarães Rosa para um público não iniciado. Os nomes conhecidos e o belo acabamento visual o transformam num programa decente e agradável, mas os planos estudados e o elenco bem marcado e ensaiado não são suficientes para que a personagem central faça a curva dramática necessária no momento em que seu conflito é entre sua recém alcançada fé e sua natureza.

Esta conversão, obrigatória para uma adaptação deste material, é muito bem executada na primeira versão do conto para o cinema, um dos grandes filmes brasileiros de todos os tempos, dirigido por Roberto Santos, em 1965. Santos, por sinal, imprime a seu longa uma identidade que, mesmo que não sendo uma cópia literal da proposta de Guimarães Rosa, é uma tradução bastante fiel de sua proposta, além de uma aula de montagem, algo que deixa a desejar neste novo filme. Um dos problemas do longa de Coimbra é a costura. As sequências parecem funcionar soltas, mas não levam umas às outras, fazendo o filme abrir mão de uma unidade e de construir a expectativa para as cenas mais cruciais, como o duelo final.

João Miguel, que substitui Leonardo Villar no papel-título, tem todo o talento necessário para comover o espectador nesta história de conversão e reconstrução, mas parece lutar sozinho no meio do sertão. Embora haja vários atores bons no elenco, somente com José Wilker, que vive Joãozinho Bem-Bem, com quem o protagonista divide boa parte de seus diálogos, é que surge uma alquimia realmente atrativa. É o último papel do ator no cinema, assim como também a despedida de Chico Anysio, muito à vontade como o major Consilva, mas pouco aproveitado. Os demais, ora parecem deslocados, caso da ex-mulher de Coimbra, Vanessa Gerbelli como Dionorá, ora pouco explorados, como Irandhir Santos, o Quim Recadeiro.

Mal comparando, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, está para Guimarães Rosa assim como Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, está para José Saramago. Existe muita dignidade e respeito envolvidos e uma vontade grande de acertar, mas diante dos monstros originais, os filmes parecem tímidos ensaios que deixam muito a desejar. A ousadia ficou pelo caminho.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga ★★½
[A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Vinícius Coimbra, 2011]

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Amy

Amy

Durante boa parte da exibição de Amy, fica a dúvida de se estamos diante de um trabalho riquíssimo em detalhes sobre um dos maiores nomes da música nos últimos anos ou se o filme é uma versão potencializada de uma cobertura de fofocas sobre uma celebridade polêmica.

Asif Kapadia, o mesmo diretor de Senna, realiza um poderoso inside job com esse documentário, coletando depoimentos de amigos, parentes e pessoas que trabalharam diretamente com a cantora. Todos com um grau de intimidade que nos aproxima da personagem. Todas as entrevistas, sem exceção (a não ser quando ela não foi feita diretamente para o filme) são com voice over, sobrepostas por imagens igualmente íntimas e pessoais.

Um trabalho de pesquisa e coleta tão impressionante quanto o material coletado em si (vídeos que mostram Amy Winehouse em casa, no hotel em que se internou para um rehab, entre amigos, entre parentes). Por outro lado, Kapadia abusa de uma postura invasiva, quase emulando o arsenal de vídeos e fotos de paparazzi, que tenta, na mesma medida, criticar. O diretor também reproduz comentários de jornalistas e apresentadores de TV, que terminam, para o bem e para o mal, emprestando para seu filme um juízo de valor sobre Amy Winehouse.

A conclusão é que Amy, que provavelmente é o trabalho mais rico de imagens exclusivas e depoimentos sobre a cantora que se poderia fazer, também captura a dimensão que sua estrela alcançou, um tamanho enorme para que a cantora e o filme pudessem escapar de uma mídia interessada em devassar sua vida. Por mais contraditório que criticar esse excesso possa parecer quando se reprisa esse padrão. “Amy” talvez não revele o ser humano, mas, com certeza, dá uma boa ideia sobre o tamanho do monstro.

Amy ★★★
[Amy, Asif Kapadia, 2015]

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Tristeza e Alegria

Tristeza e Alegria

A cena de abertura do filme de Nils Malmros é uma das mais impactantes dos últimos tempos. A frase a seguir não deixa de ser um spoiler, mas a revelação acontece de imediato para o espectador: um homem volta para casa e recebe a notícia devastadora de que a esposa matou a filhinha do casal, de nove meses. O diretor, Nils Malmros, um dos mais importantes nomes do cinema dinamarquês nas últimas décadas, embora tenha feito só três filmes em dez anos, faz um poderoso melodrama sobre a dor da perda. E o que mais impressiona é que a história do filme é uma versão de um dos acontecimentos mais dolorosos da vida do próprio cineasta.

Embora honre a tradição de excelência da dramaturgia escandinava, o filme é muito mais forte quando se concentra no que acontece no tempo presente, trabalhando basicamente com personagens devastadas. Personagens, porque Malmros decide não apontar o dedo para Signe. O diretor, provavelmente embebido por uma tristeza muito particular, estabelece um mundo de desilusão, de dor profunda, sem cores, que captura a essência do que sentem os protagonistas. É tocante e extremamente incômoda a maneira que o cineasta encontra para tentar entender e superar a tragédia: explicar o que levou a esposa a cometer um ato tão extremo.

O altruísmo e a benevolência para com a personagem (ou a esposa) muitas vezes parece mais uma tentativa de lidar melhor com a situação do que de absolvê-la. No entanto, os flashbacks, que Malmros julga necessários para deixar clara a relação entre Johannes e Signe e o estado de saúde mental dela, fragilizam a narrativa, justificando excessivamente os atos da mulher. Por mais que tente equilibrar as coisas, o desespero e a desesperança da sequência de abertura humanizam muito mais os caminhos do protagonista, o alter ego do diretor. Tristeza e Alegria é um filme em que o homem por trás das câmeras se expõe como poucas vezes o cinema viu.

Tristeza e Alegria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Sorg og Glæde, Nils Malmros, 2013]

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Oscar: todos os representantes brasileiros

Que Horas Ela Volta?

Aclamado pela crítica, elogiado pelo público, premiado nos festivais de Sundance e Berlim. Que Horas Ela Volta? era a escolha mais óbvia do Brasil para disputar um espaço na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2016. E foi exatamente o que aconteceu. O Ministério da Cultura anunciou que o longa de Anna Muylaert deixou pra trás outros sete títulos, entre eles A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante, e Casa Grande, de Fellipe Barbosa, e vai tentar uma das cinco vagas para quem fala uma língua diferente do inglês na festa da Academia.

Mas a boa notícia chama atenção para uma triste estatística: dos 43 longas brasileiros que foram selecionados para concorrer ao Oscar desde 1959, o filme estrelado por Regina Casé é apenas o segundo dirigido por uma mulher. Até hoje, A Hora da Estrela, de Suzana Amaral, era filho único nesta relação. Isso sem contar com Cidade de Deus, em que Kátia Lund assina a codireção. Um dado impressionante para um país com tantas mulheres cineastas de renome, como Ana Carolina, Lucia Murat, Tata Amaral, Laís Bodanzky, Sandra Werneck, Lina Chamie, Eliane Caffé, para citar só algumas.

A decisão do MinC cristaliza um momento de discussão sobre o machismo no cinema brasileiro. A própria Anna Muylaert vem levantando essa lebre em entrevista que dá dentro e fora do Brasil, denunciando o tratamento diferenciado que recebeu por ter invadido um “Clube do Bolinha”. A polêmica ganhou um capítulo importante e crucial quando a diretora foi impedida de falar num debate pós-exibição de seu filme no Recife. Os amigos dela, os também cineastas Cláudio Assis e Lírio Ferreira, que estariam embriagados, tumultuaram a sessão. E Anna, magnânima, resumiu: “a mulher tem dificuldade de subir no palco e o homem, de descer dele”.

Que Horas Ela Volta? tem a missão de mudar a história do Brasil no Oscar. O filme de Anna Muylaert vem sendo muito cotado nas bolsas de apostas de sites e blogues especializados e arrecadado elogios de críticos e jornalistas. E quem ache que Regina Casé tem chances bem tímidas de terminar entre as finalistas ao prêmio de melhor atriz. Depende de muita coisa, mas não é impossível. O filme já estreou nos Estados Unidos, o que o qualifica para as outras categorias do Oscar, e fez uma bilheteria até razoável.

O Pagador de Promessas, O Quatrilho, O Que é Isso, Companheiro? e Central do Brasil foram os únicos longas nacionais que conseguiram emplacar na lista do Oscar. Um aproveitamento de menos de 10% entre os filmes que o país já selecionou. Carlos Diegues é um campeão de seleções e não-indicações. Seis de seus filmes foram escolhidos pelo Brasil; nenhum conseguiu ser finalista.

Entre os selecionados nacionais, algumas surpresas, como Walter Hugo Khouri e Sérgio Ricardo. Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Luis Sergio Person também já representaram o cinema brasileiro na disputa. Veja a lista completa dos filmes que defenderam o Brasil:

1959 A Morte Comanda o Cangaço, Carlos Coimbra & Walter Guimarães Motta
1961 O Pagador de Promessas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Anselmo Duarte
1963 Deus e o Diabo na Terra do Sol EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Glauber Rocha
1964 São Paulo, Sociedade Anônima EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Luís Sérgio Person
1966 O Caso dos Irmãos Naves EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Luís Sérgio Person
1967 As Amorosas, Walter Hugo Khouri
1969 O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Glauber Rocha
1970 Pecado Mortal, Miguel Faria Jr.
1971 Pra Quem Fica, Tchau, Reginaldo Farias
1972 Como Era Gostoso o Meu Francês EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Nelson Pereira dos Santos
1973 A Faca e o Rio, George Sluizer
1974 A Noite do Espantalho EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Sérgio Ricardo
1975 O Amuleto de Ogum EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Nelson Pereira dos Santos
1976 Xica da Silva EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Carlos Diegues
1977 Tenda dos Milagres, Nelson Pereira dos Santos
1978 A Lira do Delírio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Walter Lima Jr.
1980 Bye Bye Brasil EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Carlos Diegues
1984 Memórias do Cárcere, Nelson Pereira dos Santos
1986 A Hora da Estrela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Suzana Amaral
1987 Um Trem para as Estrelas EstrelinhaEstrelinha, Carlos Diegues
1988 Romance de Empregada, Bruno Barreto
1989 Dias Melhores Virão EstrelinhaEstrelinha½, Carlos Diegues
1995 O Quatrilho Estrelinha½, Fábio Barreto
1996 Tieta do Agreste, Carlos Diegues
1997 O Que é Isso, Companheiro? EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Bruno Barreto
1998 Central do Brasil EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Walter Salles
1999 Orfeu Estrelinha, Carlos Diegues
2000 Eu, Tu, Eles EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrucha Waddington
2001 Abril Despedaçado EstrelinhaEstrelinha½, Walter Salles
2002 Cidade de Deus EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Fernando Meirelles
2003 Carandiru EstrelinhaEstrelinha, Hector Babenco
2004 Olga Estrelinha, Jayme Monjardim
2005 2 Filhos de Francisco EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Breno Silveira
2006 Cinema, Aspirinas e Urubus EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Marcelo Gomes
2007 O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Cao Hamburger
2008 Última Parada 174, Bruno Barreto
2009 Salve Geral EstrelinhaEstrelinha, Sérgio Rezende
2010 Lula, o Filho do Brasil EstrelinhaEstrelinha, Fábio Barreto
2011 Tropa de Elite 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, José Padilha
2012 O Palhaço EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Selton Mello
2013 O Som ao Redor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Kleber Mendonça Filho
2014 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Daniel Ribeiro
2015 Que Horas Ela Volta? EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Anna Muylaert

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Nocaute

Nocaute

Robert De Niro ganhou um Oscar interpretando um boxeador. Ronald Colman levou um Oscar vivendo um boxeador. Hillary Swank também conquistou um Oscar no papel de uma boxeadora. Não é de hoje que o boxe distribui prêmios no cinema. Will Smith e Sylvester Stallone não venceram, mas concorreram ao Oscar encarnando estrelas da pancadaria. O filme de Sly, por sinal, foi eleito o melhor do ano naquele distante 1977. Era Rocky, um Lutador. Muitos rounds depois, é a vez de Jake Gyllenhaal tentar a sorte nos ringues.

A ideia de Nocaute é beber na fonte dos grandes melodramas do esporte, histórias de volta por cima que funcionaram bem outras épocas, mas que talvez precisassem de mais profundidade dramática para fazer jus à tradição do gênero como conseguiu Clint Eastwood em Menina de Ouro, uma década atrás. Jake Gylenhaal se esforça. Sua personagem, a partir de um grande trauma, passa do anti-herói irresponsável para um homem comum silencioso. Sua performance delicada amplifica o poder do texto, valoriza cada momento do roteiro. O problema é justamente esse.

O roteiro de Kurt Sutter, da série Sons of Anarchy empaca nos lugares comuns de todo e qualquer filme de boxe, reprisando os mesmos conflitos, situações e personagens que nós já vimos dezenas de vezes: empresários inescrupulosos, treinadores que relutam em assumir os atletas problemáticos e choque de gerações. A direção de Antoine Fuqua, bem perto de genérica, não ajuda a mudar essa história, construindo uma identidade especial para o filme, que se arrasta ao longo de duas horas cansativas e pouco empolgantes.

Billy Hope, aliás, Jake Gyllenhaal praticamente tenta salvar o que resta, sozinho. Ou quase isso porque a ótima Oona Laurence brilha em quase todas as cenas em que aparece. O maior nocaute do filme acontece principalmente quando pai e filha se enfrentam no ringue da vida.

Nocaute EstrelinhaEstrelinha½
[Southpaw, Antoine Fuqua, 2015]

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Rua Secreta

Rua Secreta

Um dos maiores méritos de Vivian Qu é oferecer um cinema chinês bem diferente do que geralmente circula pelo mundo. Rua Secreta, seu filme de estreia como diretora, corre na direção oposta dos trabalhos ora históricos, ora fantásticos, e quase sempre “pitorescos” de Zhang Yimou e seu séquito de cineastas que, se não realizam um cinema literalmente oficial, apostam numa espécie de exotismo delicado para vender pequenas histórias de redenção. Por outro lado, Qu não tem as pretensões dos filmes de Jia Zhang-ke, o maior investigador dos mecanismos da China contemporânea e de suas conseqüências para quem vive no país.

O filme de Vivian Qu traz é mais urbano e a cineasta tenta costurar o crescimento desordenado do país e das cidades nos últimos anos com a história do protagonista, Li Qiuming, um rapaz que trabalha na confecção de um mapa digital de Nanjing, um dos grandes centros da China, com mais de 10 milhões de pessoas. Ele passa os dias catalogando ruas até se interessar por uma mulher que freqüenta uma rua sem saída, que não aparece nos mapas. Sua obsessão o transporta para um submundo desconhecido da maioria da população.

A premissa é mais interessante do que o resultado. Falta peso dramático na condução do filme para justificar sua metamorfose. A câmera e o ritmo documentais da primeira metade do longa não ajudam tanto a construir o suspense que a cineasta, que até então só havia trabalhado como produtora, quer oferecer. O cinema de gênero com um subtexto político parece ser o objetivo de Qu, mas a virada de roteiro acontece sem que o mistério tenha sido propriamente estabelecido, o que não tira os méritos da diretora. Ela parece saber onde colocar a câmera, constrói quadros rigorosos e existe uma força escondida em todo lugar, mas talvez falte um pouco de vigor.

A coragem do tema, que adentra pela corrupção diária da sociedade chinesa, mantém o interesse, mas a impressão é que esta diretora ainda não disse tudo o que pode.

Rua Secreta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Shuiyin Jie, Vivian Qu, 2013]

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