Monthly Archives: dezembro 2014

Top 10: os piores filmes de 2014

Se 2014 trouxe para nosso circuito um farto número de bons filmes, o outro lado da Força também não deu descanso. Obras pretensiosas ou realizadas sem recurso, atores mal escalados e dramalhões que deixaram escapar suas melhores possibilidades. Muita coisa poderia ter sido melhor no mundo do cinema neste ano e nomes como Johnny Depp, Ryan Reynolds e Juliette Binoche estão entre os culpados por isso.

Veja também minha lista com os 20 melhores filmes de 2014
Os favoritos dos leitores do Filmes do Chico em 2014
E os filmes mais superestimados de 2014

O Espetacular Homem-Aranha - A Ameaça de Electro

10 O Espetacular Homem-Aranha – A Ameaça de Electro
[The Amazing Spider-Man 2, Mark Webb, 2014]

Esse segundo capítulo do reboot do aracnídeo nos cinemas é tão sem graça que a Sony está considerando mudar tudo de novo ou fazer parceria com a Marvel. O vilão Electro não emplacou e o segundo vilão, Rhino, muito menos. Emma Stone foi o único grande acerto desta nova franquia.

Um Conto do Destino

9 Um Conto do Destino
[Winter's Tale, Akiva Goldsman, 2014]

Resgatar filmes românticos em aventuras fantásticas não é problema nenhum, mas a estreia do roteirista Akiva Goldsman como cineasta não funcionou muito bem. Colin Farrell não convence, Jessica Brown Findlay não diz a que veio e a a adaptação da novela de Mark Helprin não encontra um equilíbrio entre suas travessuras lúdicas e alguma substância.

Mil Vezes Boa Noite

8 Mil Vezes Boa Noite
[Tusen Ganger God Natt, Erik Poppe, 2013]

Se o norueguês Erik Poppe quis fazer um dramalhão, acertou em cheio. Juliette Binoche vive uma fotógrafa ativista que tem escolher entre o trabalho e a família, o que gera uma DR que dura o filme inteiro. Os dramas são os mesmos de sempre e o fato do filme ser falado em inglês indica que a ideia era não apenas fazer carreira internacional como – quem sabe? – mirar no Oscar.

Vermelho Brasil

7 Vermelho Brasil
[Rouge Brésil, Sylvain Archambault, 2012]

Os atores estão a serviço da exploração do exótico, do paraíso tropical, e para isso não se poupa, mas a direção de arte, caprichada, não sustenta o filme. A trama “mexicana” acompanha dois irmãos que se infiltram numa missão ao Brasil em busca do pai desaparecido. A solução, talvez pela truncagem da versão para cinema, talvez pela inabilidade do roteiro, fica até engraçada.

Jogo de Xadrez

6 Jogo de Xadrez
[Jogo de Xadrez, Luis Antonio Pereira, 2014]

Tudo o que deu certo em O Lobo Atrás da Porta, deu errado aqui: a tentativa de fazer cinema de gênero, de costurar uma trama de suspense, de manter os elementos do thriller, esbarra numa certa incompetência mesmo. A maquiagem exagerada de Priscilla Fantin confunde o espectador, que se prepara para um filme de terror. Não que não seja.

Transcendence

5 Transcendence – A Revolução
[Transcendence, Wally Pfister, 2014]

A estreia de Wally Pfister, fotógrafo dos filmes de Christopher Nolan, como cineasta deu errado. Além de ser difícil comprar a trama desta ficção-científica (mais uma com cientista louco), Johnny Depp está particularmente ruim no longa. Alguns efeitos especiais funcionam, mas agüentar um filme tão chato até o final é um belo sacrifício.

Frankenstein - Entre Anjos e Demônios

4 Frankenstein – Entre Anjos e Demônios
[I, Frankenstein, Stuart Beattie, 2014]

Stuart Beattie desgraçou o personagem dos quadrinhos com uma adaptação pobre e porca de Eu, Frankenstein. Se Aaron Eckhart, apesar de mal escalado, se esforça para encontrar uma linha para o protagonista, tudo ao seu redor é tão mambembe que fica impossível comprar a história, os atores, os cenários e, principalmente, os efeitos visuais.

A Menina que Roubava Livros

3 A Menina que Roubava Livros
[The Book Thief, Brian Percival, 2013]

Tem uma cena de morte neste filme que deixa a “despedida” de Marion Cotillard no terceiro Batman no chinelo. E essa cena reflete o que o longa de Brian Percival, saídos dos diálogos outrora ricos de Downtown Abbey, tem de pior: tudo existe em função do dramalhão. Faria um lindo programa triplo com O Caçador de Pipas e O Menino do Pijama Listrado.

Miss Violence

2 Miss Violence
[Miss Violence, Alexandros Avranas, 2013]

Um dos piores “gêneros” do cinema é esse que supostamente quer revelar os limites da maldade humana. Alexandros Avranas adiciona a carga da recente cinematografia grega à mistura, criando um espetáculo de tortura psicológica com revelações cada vez mais terríveis em sequência. Tudo meio gratuito, pelo prazer de chocar, pela necessidade de chamar atenção.

À Procura

1 À Procura
[The Captive, Atom Egoyan, 2014]

Um policial rocambolesco com um roteiro que persegue um tom poético, mas que só encontra o risível em várias situações, desde a relação estabelecida entre sequestrador e sequestrada até a maneira “macabra” que Egoyan impõe para denunciar um maquiavélico esquema de pedofilia. O grandalhão Kevin Durand tem uma personagem patética, tentando emular psicopatas débeis. É possivelmente o pior casting do ano. A trilha sonora ofensiva insiste em divulgar um suspense cansado e a discussão central parece ficar sempre num plano flutuante, sem nunca ter muito compromisso com algo mais palpável.

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Top 20: os melhores filmes de 2014 + indicados Frankies 2014

Uma América de sonhos e de pesadelos. Uma Taiwan de olhos marejados pela falta de perspectivas. Uma Venezuela que acha seu grito de socorro nos cabelos cacheados de um garotinho. Uma Polônia que desenterra o passado. Uma Romênia que desenterra o presente. O brasileiro teve a chance de viajar o mundo todo (e até para outros mundos) sem sair do cinema neste ano. E tantos lugares diferentes ajudaram a contar a história ou debater o presente e o que está por vir.

Entre os mais de 380 filmes que entraram em cartaz, quais os grandes títulos do ano? Cada um tem sua lista e aqui segue a minha. Nos meus 20 favoritos, quatro brasileiros e muitos que falam línguas diferentes. Por sinal, a etnia esteve no centro da discussão de um dos melhores filmes de 2014. Mas Planeta dos Macacos: O Confronto, que acirra a discussão que a série inicial inaugura e que dialoga inexplicavelmente bem com um ano de tensão étnica, se esconde sobre o manto dos blockbusters.

E ele não foi o único: Guardiões da Galáxia resgata com equilíbrio e texturas diferenciadas filmes rasos dos anos 70, enquanto Capitão América: O Soldado Invernal parece um elogio aos thrillers políticos desta mesma década. O cinema comercial só precisa ser acéfalo se quiser. Malévola, mesmo sem ser um grande filme, é ousadíssimo em reconstruir os contos de fadas.

James Gray também reconstruiu, a seu jeito, um conto de fadas. Marion Cotillard sonhou o sonho da América redentora e descobriu a vida real. Richard Linklater também desconstruiu expectativas ao fazer um filme que lembram mais por ter sido realizado ao longo de 12 anos do que por sua arriscada opção de evitar catarses, driblar lugares comuns e tentar chegar também à vida real. Steve McQueen cruzou o Atlântico para contar uma história de escravidão que, na falta de outro concorrente, virou a História da Escravidão.

Mas, no Brasil, Marcelo Lordello fez um filme-elipse em que uma menina rica descobre, ao sabor do acaso de das coincidências, outro tipo de escravidão. Tão ou mais forte quanto aquela das chicotadas, mas menos espetacular e, por isso mesmo, com muito menos repercussão. A distribuição ajudou a esconder os grandes filmes brasileiros do ano, mas quem soube caçar achou Alê Abreu fazendo um menino descobrir o mundo, Fernando Coimbra mostrando que é possível fazer cinema de gênero sem parecer televisão e Paulo Sacramento explodindo o que encontra pela frente, sobretudo o comodismo.

Spike Jonze soube olhar para a frente para tentar investigar como será o amor num futuro próximo. Rithy Panh continuou a olhar para trás tentando expurgar seu passado. Yôji Yamada redescobriu Ozu para descobrir qual o lugar dos mais velhos num mundo de mais novos. Dan Gilroy tentou entender o que move quem consome e quem fornece informação num mundo de pessoas vorazes. Jonathan Glazer trouxe a ficção-científica mais estranha dos últimos tempos, que investiga o homem enquanto o devora. O ano teve novos filmes de Abel Ferrara, do saudoso Alain Resnais, de Martin Scorsese, de Manoel de Oliveira, dos dos irmãos Coen. Enquanto muita gente reclama pela falta de cinema, eu celebro o excesso de estetas, contadores de histórias, de cientistas da tela grande.

Bem-vindos aos meus melhores filmes do ano. E, por favor, me deixem saber quais são os favoritos de vocês.

Capitão América - O Soldado Invernal

20 Capitão América – O Soldado Invernal
[Captain America: The Winter Soldier, Anthony & Russo, 2014]

Bem-Vindo a Nova York

19 Bem-Vindo a Nova York
[Welcome to New York, Abel Ferrara, 2014]

O Lobo Atrás da Porta

18 O Lobo Atrás da Porta
[O Lobo Atrás da Porta, Fernando Coimbra, 2013]

O Gebo e a Sombra
17 O Gebo e a Sombra
[Gebo et l'Ombre, Manoel de Oliveira, 2012]

Sob a Pele

16 Sob a Pele
[Under the Skin, Jonathan Glazer, 2013]

O Menino e o Mundo

15 O Menino e o Mundo
[O Menino e o Mundo, Alê Abreu, 2013]

O Grande Hotel Budapeste

14 O Grande Hotel Budapeste
[The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson, 2014]

Inside Llewyn Davis

13 Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum
[Inside Llewyn Davis, Joel & Ethan Coen, 2013]

O Abutre

12 O Abutre
[Nightcrawler, Dan Gilroy, 2014]

Guardiões da Galáxia

11 Guardiões da Galáxia
[Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014]

Uma Família em Tóquio

10 Uma Família em Tóquio
[Tôkyô Kazoku, Yôji Yamada, 2013]

Riocorrente

9 Riocorrente
[Riocorrente, Paulo Sacramento, 2013]

A Imagem que Falta

8 A Imagem que Falta
[L'Image Marquante, Rithy Panh, 2013]

Boyhood

7 Boyhood
[Boyhood, Richard Linklater, 2014]

Mais Um Ano

6 Mais um Ano
[Another Year, Mike Leigh, 2010]

Os cinco primeiros seguem em ordem alfabética porque eles são os indicados na categoria de filme do ano no meu prêmio anual de cinema, os Frankies. Então, vamos manter o suspense mais um pouquinho. Os indicados para os Frankies 2014 são:

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Filmes do Chico Awards 2014

Pelo terceiro ano consecutivo, o Filmes do Chico promove um prêmio em que os leitores puderam eleger seus favoritos. Durante pouco mais de um mês, através da página do blogue no Facebook, todo mundo pode votar nos melhores do ano no cinema simplesmente curtindo fotos. E parece que não teve pra ninguém quando Ela, de Spike Jonze, ou Boyhood, de Richard Linklater, estavam na disputa. E O Menino e o Mundo, com o apoio de super militância, papou o resto. Os resultados nas dez categorias são estes aqui:

Filme

filme

Ela, Spike Jonze [159 votos]
Boyhood, Richard Linklater [135 votos]
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson [107 votos]
O Lobo de Wall Street, Martin Scorsese [89 votos]
Garota Exemplar, David Fincher [82 votos]

Direção

direção

Richard Linklater, Boyhood [61 votos]
Spike Jonze, Ela [55 votos]
David Fincher, Garota Exemplar [52 votos]
Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street [39 votos]
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste [39 votos]

Ator

ator

Joaquin Phoenix, Ela [93 votos]
Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street [72 votos]
Bruce Dern, Nebraska [58 votos]
Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas [57 votos]
Ralph Fiennes, O Grande Hotel Budapeste [55 votos]

Atriz

atriz

Rosamund Pike, Garota Exemplar [75 votos]
Leandra Leal, O Lobo Atrás da Porta [71 votos]
Marion Cotillard, Era Uma Vez em Nova York [65 votos]
Scarlett Johansson, Sob a Pele [48 votos]
Amy Adams, Trapaça [45 votos]

Ator coadjuvante

ator coadjuvante

Ethan Hawke, Boyhood [58 votos]
Jared Leto, Clube de Compras Dallas [54 votos]
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão [50 votos]
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street [37 votos]
Jesuíta Barbosa, Praia do Futuro [27 votos]

Atriz coadjuvante

atriz coadjuvante

Patricia Arquette, Boyhood [61 votos]
Scarlett Johansson, Ela [60 votos]
June Squibb, Nebraska [58 votos]
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão [54 votos]
Uma Thurman, Ninfomaníaca – Parte 1 [42 votos]

Filme brasileiro

filme brasileiro

O Menino e o Mundo, Alê Abreu [219 votos]
Riocorrente, Paulo Sacramento [176 votos]
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro [86 votos]
O Lobo Atrás da Porta, Fernando Coimbra [67 votos]
Praia do Futuro, Karim Aïnouz [42 votos]

Roteiro

roteiro

Ela [39 votos]
O Congresso Futurista [33 votos]
Boyhood [19 votos]
O Grande Hotel Budapeste [16 votos]
O Abutre [14 votos]

Fotografia

fotografia

Ela [32 votos]
O Grande Hotel Budapeste [30 votos]
Inside Llewyn Davis [25 votos]
Era Uma Vez em Nova York [19 votos]
O Grande Mestre [17 votos]

Canção

canção

Aos Olhos de uma Criança, O Menino e o Mundo [69 votos]
Moon Song, Ela [38 votos]
Please Mr. Kennedy, Inside Llewyn Davis [21 votos]
Lost Stars, Mesmo Se Nada Der Certo [17 votos]
Let It Go, Frozen [15 votos]

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Top 5: os guilty pleasures de 2014

Drácula

5 Drácula – a História Nunca Contada
[Dracula Untold, Gary Shore, 2014]

A Universal anunciou que vai reiniciar todas suas franquias de monstros, trocando o horror pela aventura, o que parecia, a princípio, uma ideia assustadora. Mas esta releitura profana da história de Drácula, que tenta metamorfosear o mito num personagem histórico, acerta em traduzir alguns elementos da lenda para a “vida real”. É divertido, mesmo sem ser um grande filme.

Pompeia

4 Pompeia
[Pompeii, Paul W.S. Anderson, 2014]

Paul W. S. Anderson fez tanto lixo na vida que quando vemos este filme-catástrofe de época com todos os elementos no lugar (no melhor estilo dos épicos ligeiros dos anos 60) e com efeitos visuais bem legais também, é só ligar aquele botão e esquecer dos compromissos históricos e da falta de profundidade das personagens e do roteiro e aproveitar o corre-corre para salvar “sua vida”.

Malévola

3 Malévola
[Maleficent, Robert Stromberg, 2014]

As fábulas que se consagraram na animação geralmente parecem bobas quando ganham versões em carne-e-osso, mas a estreia de Robert Stromberg faz parte do plano da Disney de deixar seus contos de fada cada vez mais pé no chão. E Malévola desconstrói que é uma beleza, ridicularizando o príncipe, elegendo outro tipo de amor verdadeiro, borboleteando o final feliz.

Sem Escalas

2 Sem Escalas
[Non-Stop, Jaume Collet-Serra, 2014]

Lista de guilty pleasure sem um filminho com o Liam Neeson não tem graça e o maior herói de ação sessentão dos últimos anos caprichou num delicioso filme de avião, que por si só já é um gênero cheio de pérolas. Jaume Collet-Serra, especialista em guilty pleasures (A Casa de Cera, A Orfã e Desconhecido, com Neeson) garante a adrenalina.

Lucy

1 Lucy
[Lucy, Luc Besson, 2014]

Faz tanto tempo que Luc Besson não faz um filme minimamente (O Profissional, talvez?) interessante que Lucy, com suas aloprações pseudo-científicas preenche todas as lacunas. Scarlett Johansson mergulha de cabeça na brincadeira, com efeitos visuais deliciosos (como na cena no banheiro do avião) e um senso de humor inspirado. As primeiras cenas do longa, com uma viagem temporal aos princípios da vida humana na Terra, remetem de imediato aos momentos mais viajandões de A Árvore da Vida, com o espectador sabendo que, por mais que tentasse, Besson nunca chegaria à complexidade de um Terrence Malick. A impressão se desfaz quando a trama chega em terra firme e se estabelece como um guilty pleasure que mantém o pé no acelerador até seu último minuto.

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Top 5: os filmes mais superestimados de 2014

Os filmes que você vai ver na lista abaixo não são filmes ruins (embora alguns namorem com essa ideia), mas são obras celebradas de uma maneira ou de outra por algumas razões questionáveis. Uns ganharam prêmios. Outros fizeram sucesso de público. E ainda há alguns que foram darlings da crítica. Mas não me convenceram. Opinião, como a gente sabe, cada um tem a sua, e estes filmes aqui, na minha humilíssima opinião pecam ou por falta de profundidade ou falta de substância. Ou ainda pelo excesso de empostação ou até pela mania de grandeza. Aí vai minha lista anual de filmes mais superestimados do ano.

Trapaça

5 Trapaça [American Hustle, David O. Russell, 2013]

Um promete muito, mas não cumpre quase nada. Temos um bom elenco em interpretações que são boas, mas nunca oferecem realmente um diferencial. Temos uma trama cuja primeira referência – ou pelo menos a mais óbvia – é o cinema de Martin Scorsese dos anos 70 e 80, mas que, sob o pretexto da leveza, de ser uma “comédia”, não sabe muito bem como se aprofundar nos detalhes da história ou no desenho dos personagens. Temos uma direção que não sabe encontrar um tom certo, o que resulta num filme que é um pouco de tudo e não é muita coisa também.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

4 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho [Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro, 2014]

Eu Não Quero Voltar Sozinho ganha em comparação com seu descendente: é um filme melhor que, em 17 minutos, desenvolve os personagens de maneira singela e resolve a trama com delicadeza e soluções simples. A versão em longa-metragem traz os mesmo trio de protagonistas, Ghilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim, que interpreta a única amiga de Leo, Giovana, mas apresenta novos personagens e situações. Algumas cenas parecem espichadas do curta e outras, que mudam algumas das resoluções originais, deixam a desejar no desenvolvimento da trama.

12 Anos de Escravidão

3 12 Anos de Escravidão [12 Years a Slave, Steve McQueen, 2013]

Todos, inclusive o diretor, parecem ter se amedrontado diante do tema que resolveram trabalhar. Arriscar num assunto tão delicado poderia parecer uma afronta, então a diretriz principal foi apostar no feijão-com-arroz. Porque mesmo as comentadas cenas de violência do filme não assustam muito quem assistiu a qualquer folhetim televisivo brasileiro sobre a escravatura. Por sinal, nosso país abordou o tema com bem mais propriedade do que o cinema americano.

Mommy

2 Mommy [Mommy, Xavier Dolan, 2014]

Xavier Dolan dirige compulsivamente há seis anos. Já tem cinco longa-metragens, mas ainda não conseguiu amadurecer seu cinema. Talvez porque a maior marca deste cinema seja uma suposta jovialidade que justifica o comportamento impulsivo, quase descontrolado de seus personagens. Mesmo que Mommy represente um passo à frente em sua mise-en-scène, a obra do jovem diretor canadense ainda parece birra de adolescente irritado com os pais.

Interestelar

1 Interestelar [Interstellar, Christopher Nolan, 2014]

O grande problema deste filme é o grande problema do cinema de Nolan. Para o diretor, tudo precisa ser feito em larga escala, todo filme é construído num tom solene, quase megalomaníaco. Todos seus filmes, desde Batman Begins, parecem querer ser versões definitivas para o que se propõem. E como eles têm temas divertidos como heróis em quadrinhos, truques de mágica, o mundo dos sonhos e viagem espaciais, a brincadeira inevitavelmente se perde. Os atores parecem dirigidos para que todas cenas pareçam muito sofridas, dolorosas mesmo, como se o filme buscasse numa base espiritual outro suporte para suas invenções pseudo-científicas. McConaughey chora. Jessica Chastain chora. Anne Hathaway chora e protagoniza um dos momentos mais constrangedores dos diálogos do filme, quando Nolan quer dar um crédito científico para o “poder do amor”, como um meio confiável para tomar decisões no espaço sideral.

Veja também os filmes mais superestimados de 2013, 2012, 2011, 2010 e 2009.

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Mommy

Mommy

Xavier Dolan dirige compulsivamente há seis anos. Já tem cinco longa-metragens, mas ainda não conseguiu amadurecer seu cinema. Talvez porque a maior marca deste cinema seja uma suposta jovialidade que justifica o comportamento impulsivo, quase descontrolado de seus personagens. Mais do que isso, a juventude que ele acreditar florescer em seus filmes ou que, em outra via, parece ser de onde seus filmes nascem, é o álibi para que Dolan cometa um cinema de excessos, sob a égide de estar verdadeiramente furioso com o mundo. Mas, mesmo que Mommy represente um passo à frente em sua mise-en-scène, a obra do jovem diretor canadense ainda parece birra de adolescente irritado com os pais.

E este novo filme retoma esse rancor juvenil. Em sua proposta inicial, Mommy parece uma refilmagem mais elaborada do longa teen Eu Matei Minha Mãe, estreia do cineasta. Aliás, um remake com direito de resposta. Temos a relação filho x mãe mais uma vez no centro da trama, mas agora Dolan se permite humanizar a personagem feminina, que assume o protagonismo da história e, basicamente, é uma “mulher complicada que ama o filho sobre todas as coisas”. Humanizar, na versão do cineasta, significa apresentar a mãe como uma versão mais crua do filho. Resumindo: a personagem de Anne Dorval, cover canadense da Luciana Gimenez, atriz esforçada, leva a culpa pela herança de perturbações que imputou ao filho.

A homossexualidade, centro da polêmica do primeiro filme do diretor, não aparece aqui, mas é como se estivesse metamorfoseada no comportamento psicótico do adolescente. Dolan parece ainda não ter expurgado os conflitos que teve com a mãe e quer resolvê-los no cinema. A questão é que esta relação problemática não encontra embasamento psicológico nos filmes que ele faz como o cineasta pretende. Dolan “resolve” suas tramas com base em truques de roteiro ou soluções fáceis, que não convencem muito, mas provocam alguma identificação, o que explica a popularidade de seu cinema. A impulsividade das personagens, a liberdade com que elas agem, sua verborragia são vendidas como manifestações genuínas. A revolta de Dolan justifica tudo. Inclusive as tolices.

No Festival de Cannes, o diretor dividiu o prêmio do júri com Jean-Luc Godard. Este, sim, um homem verdadeiramente furioso com o mundo. Tão furioso que desconstruiu o cinema para provar sua raiva.

Mommy EstrelinhaEstrelinha
[Mommy, Xavier Dolan, 2014]

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Top 10: as melhores canções de cinema de 2014

O cinema fez o espectador cantar em 2014. Depois de alguns anos deixando as canções em segundo plano, vários filmes que chegaram às telas brasileiras traziam a música no papel principal. É ela que acompanha a narrativa de Boyhood, que movimenta os romances água-com-açúçar e os romances de vampiro, que ambientam o terror brasileiro Quando Eu Era Vivo, que constroem a história de Frozen, o grande musical da Disney desde O Rei Leão. A lista abaixo traz minhas dez canções favoritas que trilharam filmes que estrearam por estas bandas ao longo do ano. Todas são composições originais para os filmes. A ordem é alfabética.

“Do You Want to Build the Snowman?”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérpretes: Kristen Bell, Agatha Lee Monn & Katie Lopez
Filme: Frozen

“Hal”
Autor: Yasmine Hamdan
Intérprete: Yasmine Hamdan
Filme: Amantes Eternos

“In Summer”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérprete: Josh Gad
Filme: Frozen

“The Last Goodbye”
Autores: Billy Boyd, Philippa Boyens & Fran Walsh
Intérprete: Billy Boyd
Filme: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

“Let It Go”
Autores: Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez
Intérprete: Idina Menzel
Filme: Frozen

“Let Me In”
Autor: Grouplove
Intérprete: Grouplove
Filme: A Culpa é das Estrelas

“Mercy Is”
Autores: Patti Smith & Lenny Kaye
Intérprete: Patti Smith & The Kronos Quartet
Filme: Noé

“The Moon Song”
Autores: Karen O & Spike Jonze
Intérpretes: Karen O & Ezra Koenig
Filme: Ela

“Quando Eu Era Vivo”
Autor: Marco Dutra & Caetano Gotardo
Intérprete: Sandy
Filme: Quando Eu Era Vivo

“Split the Difference”
Autor: Ethan Hawke
Intérpretes: Ethan Hawke & Charlie Sexton
Filme: Boyhood

Como bônus, uma canção que não é original. A deliciosa “Please Mr. Kennedy” foi composta a partir de músicas anteriores. Dá pra ler sobre o processo de composição, em inglês, aqui.

“Please Mr. Kennedy”
Autores: Ed Rush, George Cromarty, T Bone Burnett, Justin Timberlake, Joel Coen & Ethan Coen
Intérpretes: Justin Timberlake, Oscar Isaac & Adam Driver
Filme: Inside Llewyn Davis

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Oscar 2015: como fica a corrida depois do Globo de Ouro?

Oscar 2015

As coisas começam a ficar mais claras na temporada de prêmios de cinema mais emocionante dos últimos anos. A essa altura, em outros anos, já haveria grandes favoritos em muitas categorias do Oscar, mas as listas de indicados do Screen Actors Guild of America e do Globo de Ouro chegaram para organizar a disputa. Ou quase isso. Com tantas possibilidades de candidatos em boa parte dos quesitos, o prêmio dos jornalistas estrangeiros, que não influenciava tanto em anos anteriores, voltou a ter um papel fundamental na corrida, ajudando a estreitar as possibilidades. De acordo com os finalistas ao Globo de Ouro, a disputa pelo Oscar de melhor filme deve se concentrar entre Boyhood, Selma, de Ava DuVernay, e O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, com Birdman correndo por fora.

Boyhood é o filme independente que conta a história de uma família. É de um diretor de filmes “alternativos”, mas que já está na estrada há mais de 20 anos. E que já foi indicado ao Oscar de roteiro algumas vezes. Ou seja, é um filme que pode agradar em várias frentes, que pode ultrapassar a classificação de indie, que tem chance de ser um consenso. Selma tem a seu lado o peso histórico, o protagonista (o personagem e não o ator, Martin Luther King), mas pode esbarrar no fato de que 12 Anos de Escravidão ganhou no ano passado e a Academia pode achar que isso já preenche a cota de filmes étnicos premiados por um tempo. Já O Jogo da Imitação, longa de época, situado na Segunda Guerra, produzido pelo Midas do cinema Harvey Weinstein, o cara que deu o Oscar a Shakespeare Apaixonado, pode ser visto com uma alternativa classuda para quem achar o filme de Richard Linklater B demais.

Birdman tem a assinatura de Alejandro Gonzalez Iñarritu, mas dificilmente um filme sobre um homem atormentado por um super-herói teria grandes chances de vencer. Ainda mais, pesando para a comédia. De todo jeito, o filme tem vaga praticamente garantida entre os indicados, junto com os três favoritos citados anteriormente. Com quatro longas assegurados na disputa, que outros fechariam a conta (de até dez indicados, com a maioria das pessoas apostando em nove)? A Teoria de Tudo, de James Marsh, dificilmente ficará de fora diante de sua repercussão. O Globo de Ouro reforça as chances de dois competidores que pareciam enfraquecido: Foxcatcher, de Bennett Miller, que teve três indicações nesta quinta, e Garota Exemplar, que mesmo sem aparecer entre os melhores filmes, foi lembrado em direção, atriz, roteiro e trilha, o que é um número bem considerável.

Foxcatcher e Garota Exemplar podem se beneficiar da quantidade de vagas disponíveis para o Oscar de melhor filme, mas vão ter que enfrentar alguns candidatos cheios de charme. Whiplash, de Damien Chazelle, merecia mais atenção, mas é teve só uma para ator coadjuvante. Ainda assim, é um filme que tem perfil para entrar na disputa. Na lista de comédias e musicais dos Globos, Caminhos da Floresta e O Grande Hotel Budapeste são os títulos mais fortes, depois de Birdman, claro. Quem parece que teve as chances resumidas foi Invencível, de Angelina Jolie. Bastou o filme estrear para sumir das apostas. Mas como temos nomes famosos envolvidos e uma lista com muitas vagas, o longa pode abocanhar uma delas. A Most Violent Year, de JC Chandor, foi ignorado pelo SAG e nos Globos só Jessica Chastain conseguiu espaço. Mas é uma alternativa.

Na categoria de diretor, Richard Linklater, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Ava DuVernay, indicados ao Globo de Ouro, são as maiores apostas. Morten Tyldum, que perdeu a indicação hoje, pode ter o nome reforçado pela lista do Directors Guild of America, que já está no forno. Resta saber quem paparia a vaga final, que muita gente destinava a Angelina Jolie (mas parece que não vai dar pra ela): os Globos ressucitaram David Fincher, que parece uma alternativa viável, e jogaram os holofotes sobre Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste, que seria lindo, mas menos provável. Damien Chazelle, por Whiplash, ainda precisa de um reforço (alguém pensou no DGA?), mas ameaça, e JC Chandor poderia ser outra possibilidade. Bennett Miller parecia descartado, mas os Globos deram nova esperança com a indicação de Foxcatcher a filme dramático. Pode ser que James Marsh, por A Teoria de Tudo, emplaque, mas falta força ao nome dele. E Mike Leigh é sempre uma figura a se considerar em se tratando de Oscar. Mas Sr. Turner precisaria de mais fôlego.

Esse fôlego poderia vir de uma indicação de Timothy Spall, mas a categoria de melhor ator está tão cheia de nomes fortes que está complicado que ele se transforme em finalista. Michael Keaton, de Birdman, Benedict Cumberbatch, por O Jogo da Imitação, Eddie Redmayne, em A Teoria de Tudo, e David Oyelowo, por Selma, parecem candidatos assegurados, mesmo com o último ignorado pelo SAG (culpa dos DVDs de serviço que chegaram com problemas para os votantes). A quinta vaga, embora haja uma porrada de pré-candidatos (Oscar Isaac, por A Most Violent Year; Bradley Cooper, em Sniper Americano; e Ralph Fiennes, O Grande Budapeste Hotel), deve sair do duelo entre Steve Carell, de Foxcatcher, e Jake Gyllenhaal, por O Abutre. O primeiro ressurgiu com força total nas listas do SAG e do Globo de Ouro. O segundo virou ameaça concreta nestas mesmas listas. Será que não dá pra aumentar o número de indicados, não?

Amanhã sai uma análise sobre as categorias de atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

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Oscar 2015: indicados ao Globo de Ouro

filme – drama

Boyhood, Richard Linklater
Foxcatcher, Bennett Miller
O Jogo da Imitação, Morten Tyldum
Selma, Ava DuVernay
A Teoria de Tudo, James Marsh

filme – comédia ou musical

Caminhos da Floresta, Rob Marshall
O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson
Homem-Pássaro, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Pride, Matthew Warchus
Um Santo Vizinho, Theodore Melfi

direção

Alejandro Gonzalez Iñarritu, Homem-Pássaro
Ava DuVernay, Selma
David Fincher, Garota Exemplar
Richard Linklater, Boyhood
Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste

ator – drama

Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
David Oyelowo, Selma
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Jake Gyllenhaal, O Abutre
Steve Carell, Foxcatcher

ator comédia ou musical

Bill Murray, Um Santo Vizinho
Christoph Waltz, Grande Olhos
Michael Keaton, Homem-Pássaro
Ralph Fiennes, O Grande Hotel Budapeste
Joaquin Phoenix, Vício Inerente

atriz – drama

Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Jennifer Aniston, Cake
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Reese Whiterspoon, Livre
Rosamund Pike, Garota Exemplar

atriz – comédia ou musical

Amy Adams, Grandes Olhos
Emily Blunt, Caminhos da Floresta
Helen Mirren, A 100 Passos de um Sonho
Julianne Moore, Mapa para as Estrelas
Quvenzhané Wallis, Annie

ator coadjuvante

Edward Norton, Homem-Pássaro
Ethan Hawke, Boyhood
J.K. Simmons, Whiplash
Mark Ruffalo, Foxcatcher
Robert Duvall, O Juiz

atriz coadjuvante

Emma Stone, Homem-Pássaro
Jessica Chastain, A Most Violent Year
Keira Knightley, O Jogo da Imitação
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Patricia Arquette, Boyhood

roteiro

Boyhood
Garota Exemplar
Homem-Pássaro
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

filme estrangeiro

Força Maior
Gett: The Trial of Viviane Amsalem
Ida
Leviatã
The Tangerine Dream

animação

Uma Aventura Lego
Os Boxtrolls
Como Treinar Seu Dragão 2
Festa no Céu
Operação Big Hero 6

trilha sonora

Garota Exemplar
Homem-Pássaro
Interestelar
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

canção

“Big Eyes”, Grandes Olhos
“Glory”, Selma
“Mercy Is”, Noé
“Opportunity”, Annie
“Yellow Flicker Beat”, Jogos Vorazes

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Oscar 2015: o impacto dos indicados do SAG

Uma das coisas mais divertidas da temporada de prêmios de cinema é que, quando você acha que as coisas já estão mais ou menos resolvidas, surge um fator novo que muda toda a engenharia das bolsas de apostas. A lista de indicados ao prêmio anual do Screen Actors Guild of America, o sindicato dos atores, trouxe algumas surpresas: Jake Gyllenhaal, que aparecia modestamente nos prêmios e apostas anteriores, conseguiu uma vaga entre os melhores atores por O Abutre. Jennifer Aniston, que poucos acreditavam que tivesse chances por sua interpretação em Cake, também foi lembrada entre as atrizes. E Naomi Watts, que não tinha uma aposta séria, achou espaço na lista das coadjuvantes por St. Vincent. O filme de Angelina Jolie, Invencível, foi solenemente ignorado.

elenco

Boyhood
O Grande Hotel Budapeste
Homem-Pássaro
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

ator

Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Homem-Pássaro)
Steve Carell (Foxcatcher)

atriz

Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Jennifer Aniston (Cake)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Reese Witherspoon (Livre)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)

ator coadjuvante

Edward Norton (Homem-Pássaro)
Ethan Hawke (Boyhood)
J.K. Simmons (Whiplash)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
Robert Duvall (O Juiz)

atriz coadjuvante

Emma Stone (Homem-Pássaro)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Naomi Watts (Um Santo Vizinho)
Patricia Arquette (Boyhood)

equipe de dublês

Corações de Ferro
Invencível
James Brown
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

E o impacto disso pro Oscar?

Analisando categoria por categoria, entre os atores, Michael Keaton, de Homem-Pássaro, Eddie Redmayne, de A Teoria de Tudo, e Benedict Cumberbatch, de O Jogo da Imitação, são as melhores apostas, praticamente presentes em todas as listas. Steve Carrell, que já foi favorito, mas andava bastante desacreditado, ganhou um super reforço em sua possível indicação por Foxcatcher. A quinta vaga no SAG foi para Jake Gyllenhaal, que pela primeira vez vira um contender de peso (o que pode ser confirmado com uma indicação ao Globo de Ouro nesta quinta). A maior ausência na lista foi a de David Oyelowo, por Selma, mas parece que os screeners (as cópias do filme) enviados para os votantes do SAG chegaram com problemas, o que pode explicar deixar um papel-isca de prêmios (Martin Luther King) fora da lista. As chances de Timothy Spall, por Sr. Turner, estão mais tímidas, mas um filme de Mike Leigh sempre pode surpreender no Oscar. Bradley Cooper, por Sniper Americano, e Oscar Isaac, em A Most Violent Year, precisavam ter o aval do sindicato para se tornar competidores mais sérios.

Jennifer Aniston é a grande surpresa entre as atrizes. Ela pode solucionar o vácuo que existe nesta categoria. Julianne Moore, de Still Alice, Reese Whiterspoon, por Livre, e Rosamund Pike, estrela de Garota Exemplar, são certezas absolutas (se é que isso existe), e Felicity Jones, de A Teoria de Tudo, segue bem perto deste grupo, mas a quinta vaga está em aberto. Brigam por ela Amy Adams (Grandes Olhos), Hilary Swank (The Homesman), Emily Blunt (Caminhos da Floresta), Gugu Mbatha-Raw (Belle) e Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas). Ninguém aparece com muita força na disputa. Com a indicação ao prêmio do SAG, Aniston sai bem na frente.

Entre os atores coadjuvantes, três grandes forças: o favorito J.K. Simmons, de Whiplash; seu maior rival, Edward Norton, em Homem-Pássaro; e o cada vez mais forte Ethan Hawke, por Boyhood. Robert Duvall, de O Juiz, também muito citado, fica mais forte, e Mark Ruffalo, por Foxcatcher, consolida suas chances. Existem várias outras possibilidades, mas nenhuma muito certa. Josh Brolin, de Vício Inerente, é uma boa aposta. Tom Wilkinson, por Selma, seria outra.

A lista de atrizes coadjuvantes, a grande ausência foi a de Jessica Chastain, por A Most Violent Year, filme completamente ignorado pelo SAG, mas Laura Dern, de Livre, também parecia ter chances aqui e precisava desta indicação para ficar mais competitiva para o Oscar. Patricia Arquette, que é a favorita por Boyhood, lidera o time de candidatas. Meryl Streep, fazendo uma bruxa e cantando em Caminhos da Floresta, parece irresistível. Keira Knightley, por O Jogo da Imitação, ficou mais forte, junto com Emma Stone, por Homem-Pássaro. A quinta indicação foi para Naomi Watts, por St. Vincent, mas será que esse filme chega ao Oscar? Se os screeners de Selma chegarem direitinho pro Oscar, Carmen Ejogo é uma ótima alternativa, mas Chastain ainda parece uma aposta mais viável.

No quesito de elenco, que funcionaria como um “melhor filme” pro SAG, Boyhood (que ainda parece o favorito porque fala várias línguas: indies, família, projeto único), Homem-Pássaro (que parece mais candidato do que competidor com chances) e O Jogo da Imitação (alternativa mais mainstream caso a Academia ache o filme de Richard Linklater independente demais) são os filmes mais fortes. O primeiro e o último tiveram três indicações no prêmio do SAG e o filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu, quatro. O Grande Budapeste Hotel conseguiu papar uma vaguinha e até pode aparecer entre os dez (ou nove, nunca se sabe) filmes do Oscar, mas as chances são menores. Já A Teoria de Tudo também entrou e também deve aparecer no listão da Academia. Selma não apareceu talvez por causa das cópias, mas Caminhos da Floresta não emplacou aqui e suas chances ficam menos claras entre os melhores filmes da festa do Oscar.

Lembrando que tudo pode (deve?) mudar amanhã, com os indicados ao Globo de Ouro. A corrida deste ano está emocionante.

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