Monthly Archives: janeiro 2014

Quando Eu Era Vivo

Quando Eu Era Vivo

Difícil dizer quem foi o mais ousado em Quando Eu Era Vivo: o diretor Marco Dutra, que convidou a cantora Sandy Leah para o principal papel feminino do longa, ou a popstar brasileira, que acabou de completar 31 anos e topou fazer um filme independente de terror no Brasil. Dutra arriscou sua boa reputação como curta-metragista e pelo longa de estreia, lançado três anos atrás, (Trabalhar Cansa), ao apostar num talento que, apesar da sua experiência na TV e no cinema, Sandy nunca explorou com seriedade. Por outro lado, para alguém que conhece o estrelato desde os oito anos de idade, trabalhar com um realizador independente e aceitar um papel que nem é o de protagonista parece uma decisão bastante corajosa.

A reunião dos dois deu certo. Quando Eu Era Vivo revela um completo amadurecimento de Marco Dutra como diretor. Embora seu filme anterior seja, digamos, mais original, este novo trabalho mostra que o cineasta está mais habilidoso tanto para dirigir atores quanto para dar unidade ao filme. Não existem aqueles tempos estranhos nas interpretações do elenco ao mesmo tempo em que o roteiro, escrito por ele em parceria com Gabriela de Amaral Almeida, tem um fluxo bem mais sofisticado do que antes, amarrando cada ponta, oferecendo algo saboroso à cada cena, mas sem recorrer ao artifício do susto gratuito.

A história é a do homem que se separa da esposa e volta a morar com o pai. Esse retorno ao apartamento onde ele passou toda a infância faz ressurgir demônios escondidos e uma presença da qual ele não sabe como se livrar. Dutra consegue instalar um clima de terror claustrofóbico, ora psicológico, ora simplesmente macabro, que dialoga com um cinema de terror mais clássico, embora mantenha um tom autoral do diretor. A ambientação é excepcional. O antigo apartamento no centro de São Paulo, mobiliado como há trinta ou quarenta anos, serve não apenas para abrigar personagens num duelo eterno com o passado, como ajuda a retratar o que restou de uma classe média que caiu em decadência e que tenta se modernizar pelo lado errado, vestindo os ecos de um tempo perdido.

Antonio Fagundes, que não fazia cinema havia 9 anos, surge excelente como o porta-voz desta geração. O ator da novela da nove deixa de lado seus garanhões da terceira idade e assume o papel de um galã suburbano aposentado que encontra no filho um empecilho para seu novo olhar para o mundo. A caracterização do ator é perfeita, das roupas aos cabelos tingidos e sem corte. E Fagundes não economiza nos detalhes e delicadezas de sua interpretação. Sua simples presença dá uma credibilidade absurda ao filme. Marat Descartes, o real protagonista, ensaia alguma caricatura, mas consegue conduz a trama bem decentemente.

As presenças de um ator de TV e de uma estrela da música devem despertar o interesse de um espectador que normalmente não iria ao cinema para ver um filme de terror, sobretudo um brasileiro. Por isso, Quando Eu Era Vivo tem um importante papel no cinema de gênero feito no país, dando novo fôlego a uma produção geralmente à margem da cinematografia nacional. O filme trata o tema com seriedade, não oferece soluções óbvias, é estetica e tecnicamente bem realizado e aponta para novos caminhos, quase que deixados de lado pelos cineastas do país.

Enquanto os olhares naturalmente se voltam para Sandy, duas outras coadjuvantes brilham. Gilda Nomacce impressiona por conseguir equilibrar a nuances de sua personagem nas poucas, mas excepcionais aparições como Miranda, que divide as funções de manicure e sensitiva, e cuja função é dar outra perspectiva ao filme. Já Tuna Dwek rouba as duas cenas em que aparece: a primeira pela entrega física; a segunda por um olhar de raiva angustiante. E para quem estava desconfiado da performance de Sandy, ela está muito bem dirigida, comprou a proposta do filme e surpreende em quase todas as sequências que estrela, inclusive naquelas em que canta. O diretor, por sinal, foi muito feliz ao integrar a persona musical de Sandy ao filme.

Quando Eu Era Vivo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Quando Eu Era Vivo, Marco Dutra, 2014]

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O Lobo de Wall Street

O Lobo de Wall Street

O debate que se formou em torno de O Lobo de Wall Street parece não ir diretamente ao principal senão do filme. Pouco interessa se Martin Scorsese compra o discurso de Jordan Belfort e vende seu protagonista como um anti-herói americano, defendendo o comportamento amoral do homem vivido por Leonardo Di Caprio. O cineasta já fez isso muitas vezes, sobretudo em alguns de clássicos filmes de máfia, e esse desconto que o diretor dá aos personagens nunca foi um problema de verdade. A amoralidade tanto em suas obras mais antigas quanto neste novo longa parece simplesmente ser um reflexo natural da maneira como os protagonistas lidam com o mundo. E geralmente é um caminho mais frutífero. Procurar entender e traduzir um homem como Belfort parece bem saudável para um cineasta de 72 anos.

A questão maior em torno de O Lobo de Wall Street não estaria, então, no fim, nas intenções, mas no meio, na forma encontrada por Scorsese para retratar esse universo tão particular que é o do mercado financeiro americano. Para dar conta desse mundo fechado, de ritmo alucinante, o cineasta fez um filme de excessos. Excessos visuais, excessos verbais, excessos morais. Estes últimos, os únicos que parecem ter incomodado os espectadores de uma maneira geral, mas os menos relevantes. A lábia verborrágica do protagonista – um Di Caprio, inspirado, completamente disposto a alcançar a velocidade do filme – contamina todo o resto e, não poucas vezes, Scorsese, na busca por retratar a histeria, faz um filme que beira o histriônico. É uma saída bem entendível para uma obra com essa temática, mas não seria uma solução mais fácil?

Em sua primeira chance de invadir essa área, Scorsese escolheu exatamente a representação mais comum, mais tradicional, dos profissionais do mercado financeiro. E essa representação passa diretamente por manter o filme um, dois, três, muitos tons acima. Não existe uma cena sequer no longa em que algo extremamente excitante ou alucinante – aliás, alucinógena – esteja acontecendo, como se aqueles personagens só pudessem existir e operar num estado constante de delírio, de perda de sentidos. Existe até uma lógica nessa orientação que permite tratar os personagens com uma certa permissividade, sem defendê-los ou condená-los. Mas o preço a pagar é transformar o filme numa montanha-russa que à primeira vista pode parecer desgovernada, mas que segue um roteiro bem definido.

Nem se trata de dizer que o diretor recorreu a lugares comuns ou ofereceu um retrato unilateral daqueles personagens, mas, na tentativa de decifrar esse universo, Scorsese arriscou suas fichas num estado de espírito desregrado, quase abusivo, que exige parceria de quem está do outro lado da tela. Durante três horas, o espectador precisa galopar junto para alcançar O Lobo de Wall Street, como fizeram Di Caprio, Jonah Hill, a beldade (e boa atriz) Margot Robbie e a montadora Thelma Schoonmaker, em sua enésima colaboração com o diretor. Estamos todos diante de uma ópera-rock amoral em que Martin Scorsese revela estar mais veloz e mais furioso do que nunca. Uma corrida em que só tem espaço quem estiver disposto a pisar fundo no acelerador, sem medo das conseqüências.

O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese, 2013]

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A Fita Azul

Electrick Children

A primeira imagem do filme engana o espectador. Os vestidos compridos e suspensórios indicam que estamos frente a um filme de época, passado nos confins da América, mas a impressão desaparece depois de algumas pistas. Um gravador utilizado para registrar confissões e uma fita cassete azul que guarda a música que move os passos da protagonista mostra que o tempo é o hoje e que aquela realidade é quase uma farsa.

Electrick Children é um dos filmes mais peculiares que surgiram nos últimos tempos no cinema americano. O longa de estreia de Rebecca Thomas trabalha com dois universos completamente díspares: o mundo fechado das comunidades religiosas do interior dos EUA e a legião de jovens alternativos que circulam nas grandes cidades do país, regados a drogas e rock’n’roll.

Essas duas culturas, cheias de signos e padrões específicos de comportamento, são colocadas em confronto quando uma adolescente de 15 anos, pertencente à família que se veste como se estivesse no Velho Oeste, aparece grávida. Rachel acredita que o bebê que carrega na barriga é fruto da canção que ouviu (escute aqui) e resolve partir em busca do dono da voz que a teria inseminado.

O “choque cultural” entre a personagem e o mundo que ela descobre incomoda. A ingenuidade da protagonista diante de várias situações parece artificial, artimanha para tornar Rachel mais “pura” e impulsionar seu estranhamento diante do novo mundo. Mas o fake, que aparece em muitas dobras da trama, inclusive na que leva a personagem de encontro a sua origem, mais do que truque, é modelo de linguagem para a diretora.

Ao contrário de muitos exemplares do cinema independente americano que apostam numa ultrarrealidade, Rebecca Thomas parece situar a história de seu filme num campo de delírio. O único plano onde seria possível entender os devaneios religiosos que aprisionam famílias em pleno século 21 e em que o entendimento de mundo de uma geração em busca de significados parece finalmente materializado.

A Fita Azul EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Electrick Children, Rebecca Thomas, 2012]

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O Gebo e a Sombra

O Gebo e a Sombra

João já partiu há oito anos, sem muitas explicações e sem deixar rastros aparentes. Sua mãe, Doroteia, e sua esposa, Sofia, se alimentam da esperança de um reencontro. Enquanto seu pai, personagem-título de O Gebo e a Sombra, carrega o peso do mundo, guardando para si um grande segredo. O que move o protagonista do novo filme de Manoel de Oliveira, é o amor, um sentimento de proteção e o cuidado para com as pessoas que importam para ele.

Gebo é um homem de grandes responsabilidades. Mesmo perto do fim da vida, ainda trabalha como contabilista e sustenta o que restou de sua família. Como se não bastasse, vive cercado entre a realidade dura de uma vida miserável e a fantasia que mal sabe inventar para a mulher. A clausura a que o personagem se vê condenado se materializa nos cenários escuros e na câmera rígida de Oliveira, que comanda imensos diálogos quase que sem cortes, como se decretasse que é impossível escapar dali.

O Gebo e a Sombra foi um dos principais destaques da 36ª Mostra de Cinema de São Paulo, festival que sempre abrigou os filmes lançados pelo veterano cineasta português, mas até agora não existe previsão de uma estreia em circuito comercial. Baseado numa peça de Raul Brandão, escrita em 1923, o longa que estreou no Festival de Veneza se passa na Paris do fim do século 19, e é uma espécie de reflexão sobre pobreza e honestidade.

Manoel de Oliveira filma em francês, o que permite que seu trio habitual de atores, o sobrinho Ricardo Trêpa, Luís Miguel Cintra e Leonor Silveira se juntem a três grandes nomes do cinema europeu, o inglês Michael Lonsdale, radicado na França há anos, a italiana Claudia Cardinale e a grande Jeanne Moreau, que só aparece numa sequência, mas rouba o filme com sua Clotildinha, a vizinha que aparece para papear na casa da família de Gebo.

Esta cena, em que família e amigos se reúnem à mesa é uma síntese do filme. É nela em que, de uma maneira extremamente simples, os atores mostram a visão de Oliveira sobre o mundo, os deveres, as culpas, os pequenos prazeres. É quando o cineasta de 103 anos, que já prepara um próximo longa baseado em contos de Machado de Assis, mostra que não está cansado de entender o homem, suas razões e suas ambições. Gebo é sua declaração de amor ao homem.

O Gebo e a Sombra EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Gebo et l'Ombre, Manoel de Oliveira, 2012]

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Oscar 2014: os indicados refletem uma nova Academia?

Chris Hemsworth apresentou hoje o anúncio dos indicados ao Oscar para ver seu Rush completamente ignorado. Nem o colega de elenco, Daniel Brühl, nem as esperadas menções nas categorias de som se confirmaram. Mas o filme de Ron Howard não foi o único grande esnobado pela Academia: O Mordomo da Casa Branca, Tom Hanks, Robert Redford, Emma Thompson e Oprah Winfrey também foram esquecidos pelo prêmio de Hollywood. Estaria a Academia finalmente sentindo o reflexo da renovação de seus quadros nos últimos anos? Talvez a entrada de novos membros – membros mais jovens e ligados a um cinema mais independente – possa explicar que filmes como Clube de Compras Dallas e Ela, que, em outros tempos, poucas chances teriam, sejam donos de 6 e 5 indicações, respectivamente, ambos finalistas na categoria de melhor filme. Talvez explique também excluir veteranos em prol de atores do momento, menos cotados, com Christian Bale, Amy Adams e Bradley Cooper.

Por sinal, que feitiço foi esse que o David O. Russell fez? Pelo segundo ano consecutivo, emplaca quatro atores entre os finalistas. Os quatro indicados ou premiados anteriormente por filmes assinados por ele. Mas nenhum deles parece ter chances de vitória devido aos rivais poderosos. Por Trapaça, Adams destronou Emma Thompson, quebrando a ideia de que o conjunto de cinco atrizes indicadas seria de oscarizadas. Meryl Streep, mãe da Academia, permaneceu intacta. Bale ajudou a empurrar Tom Hanks para fora da lista final, junto com Leonardo Di Caprio, que passou a perna em Robert Redford. Dois atores no auge de suas carreiras, deixando dois veteranos para trás.

 

O Lobo de Wall Street, o filme mais polêmico do ator, recebeu mais atenção do que se esperava, com indicações para Martin Scorsese, mantido para a tristeza de Paul Greengrass, e Jonah Hill, aposta de poucos que se confirmou, derrubando Brühl, James Gandolfini e Will Forte. Capitão Phillips, que nunca foi um dos protagonistas da temporada, mas parecia estável na condição de candidato, se prejudicou com esse amor. A “nova” Academia adorou Clube de Compras Dallas, que parecia um filme de atores no início da temporada e que agora tem chances reais de ganhar em três quesitos: ator, ator coadjuvante e maquiagem. Essa mesma “nova” Academia detestou – ou pelo menos ignorou O Mordomo da Casa Branca, o típico Oscar bait, que falhou em tudo, inclusive na esperada indicação de Oprah Winfrey. Merecido. Ô filme ruim!

Mas alguns velhos costumes permanecem: um deles, o de indicar por associação esteve bem forte nesse ano. Um exemplo é Sally Hawkins, de Blue Jasmine - que garantiu sua vaga, que tinha o aval do Globo de Ouro e do BAFTA, mas continuava nebulosa – no rastro do favoritismo de Cate Blanchett. Casos parecidos aconteceram com Trapaça, Nebraska e O Lobo de Wall Street, mas em escala menor. Álbum de Família não empolgou muito, mas Julia Roberts conseguiu sua menção, fazendo companhia a Meryl Streep. Inside Llewyn Davis quebrou uma sequência de filmes dos Coens reconhecidos nas principais categorias: só entrou em fotografia e mixagem de som. Sarah Polley não viu seu documentário Stories We Tell finalista, mas, no Twitter, comemorou a indicação de O Ato de Matar.

Philomena é finalista a melhor filme, garantindo a cota inglesa. E nunca duvide de Alexandre Desplat nas trilhas sonoras. A animação francesa Ernest & Celestine conseguiu seu espaço, às custas de uma esnobada na Pixar. Universidade Monstros não repetiu a indicação do filme original. Entre os estrangeiros, a grande surpresa, e excelente notícia, é a inclusão de A Imagem que Falta, documentário do Rithy Panh, entre os finalistas. Um grande filme, todo feito com maquetes, sobre a infância no Camboja ocupado. Tomara que estes dois entrem no circuito brasileiro – e, mais ainda, que sejam vistos pelo maior número possível de pessoas.

FILME

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Greengrass
Ela, Spike Jonze
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Jean-Marc Vallée
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Scorsese
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Alexander Payne
Philomena, Stephen Frears
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell

DIREÇÃO

Alexander Payne, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Alfonso Cuarón, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
David O. Russell, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ATOR

Bruce Dern, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Matthew McCounaghey, Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Christian Bale, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ATRIZ

Cate Blanchett, Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Amy Adams, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Judi Dench, Philomena
Meryl Streep, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Sandra Bullock, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi, Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jared Leto, Clube de Compras Dallas  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Bradley Cooper, Trapaça EstrelinhaEstrelinha½

ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Lawrence, Trapaça  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Julia Roberts, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
June Squibb, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Sally Hawkins, Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Woody Allen
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Craig Borten & Melissa Wallack
Ela, Spike Jonze
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Bob Nelson
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell & Eric Singer

ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, John Ridley & Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Billy Ray
Antes da Meia-Noite EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Richard Linklater, Ethan Hawke & Julie Delpy
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Terence Winter
Philomena, Jeff Pope & Steve Coogan

FILME DE ANIMAÇÃO

Os Croods EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Chris Sanders & Kirk De Micco
Frozen EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Chris Buck, Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pierre Coffin & Chris Renaud
Ernest & Celestine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Stéphanie Aubier, Vincent Patar & Benjamin Renner
Vidas ao Vento EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hayao Miyazaki

FILME ESTRANGEIRO

Alabama Monroe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Felix Van Groeningen (Bélgica)
A Caça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Thomas Vintenberg (Dinamarca)
A Grande Beleza EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Paolo Sorrentino (Itália)
A Imagem que Falta  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rithy Panh (Camboja)
Omar EstrelinhaEstrelinha½, Hany Abu-Assad (Palestina)

DOCUMENTÁRIO

A Um Passo do Estrelato, Morgan Neville
O Ato de Matar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joshua Oppenheimer
Cutie and the Boxer, Zachary Heinzerling
The Square, Jehane Noujaim
Guerras Sujas, Rick Rowley

FOTOGRAFIA

O Grande Mestre EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Philippe Le Sourd
Os Suspeitos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Emmanuel Lubezki
Inside Llewyn Davis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Bruno Delbonnel
Nebraska  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Phedon Papamichael

MONTAGEM

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joe Walker
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Rouse
Gravidade  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón & Marc Sanger
Clube de Compras Dallas  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Pensa & Jean-Marc Vallée
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Daniel P. Hanley & Mike Hill

DESENHO DE PRODUÇÃO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Adam Stochausen & Alice Baker
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Catherine Martin & Beverly Dunn
Ela, K.K. Barrett & Gene Serdena
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andy Nicholson & Rosie Goodwin
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Judy Becker & Heather Loeffler

FIGURINOS

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Patricia Norris
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Catherine Martin
O Grande Mestre EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, William Chang
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Wilkinson
The Invisible Woman, Michael O’Connor

MAQUIAGEM E CABELOS

Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha
O Cavaleiro Solitário

TRILHA SONORA

Philomena, Alexandre Desplat
Ela, William Butler & Owen Pallett
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steven Price
A Menina que Roubava Livros, John Williams
Walt nos Bastidores de Mary Poppins EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas Newman

CANÇÃO

“Happy” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Meu Malvado Favorito 2
“Let it Go”  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Frozen
“The Moon Song”, Ela
“Ordinary Love”, Mandela
“Alone Yet Not Alone”, Alone Yet Not Alone

MIXAGEM DE SOM

O Hobbit: A Desolação de Smaug EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Inside Llewyn Davis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ 

EDIÇÃO DE SOM

Até o Fim  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ 
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Hobbit: A Desolação de Smaug EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói

EFEITOS VISUAIS

Além da Escuridão: Star Trek EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Hobbit: A Desolação of Smaug  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Homem de Ferro 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Cavaleiro Solitário

CURTA

That Wasn’t Me
Just Before Losing Everything
Helium
Do I Have to Take Care of Everything?
The Voorman Problem

CURTA DE ANIMAÇÃO

Feral
É Hora de Viajar
Mr Hublot
Possessions
Room on the Broom

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

CaveDigger
Facing Fear
Karama Has No Walls
The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

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Oscar 2014: apostas finais

Oscar 2014

FILME

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Paul Greengrass
Ela, Spike Jonze
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Jean-Marc Vallée
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Scorsese
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Alexander Payne
Philomena, Stephen Frears
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell

Desde que a Academia mudou as regras (de 10 para um número entre 5 e 10 indicados), apenas 9 filmes conseguiram a média necessária para entrar na categoria de melhor filme. Um universo de 13 longas têm alguma chance de indicação e eles parecem estar divididos em três grupos. O primeiro é o dos favoritos (12 Anos de Escravidão, Trapaça e Gravidade), que, hoje, são os únicos que parecem ter chance de vencer nesse quesito e, por isso mesmo, são considerados “locks”, certezas entre os indicados. O segundo grupo traz filmes que não parecem ter grandes possibilidades de vitória, mas que aparecem em praticamente todas as listas de melhores do ano, o que faz deles candidatos muito sólidos. São eles: Capitão Phillips, Nebraska e Ela.

O terceiro grupo é o dos incertos, filmes que entraram em algumas listas, mas perderam outras, ou que geraram polêmica, dividiram opiniões e não podem ser chamados de certezas entre os finalistas ao Oscar. Desse grupo, de sete filmes, os mais fortes, hoje em dia seriam O Lobo de Wall Street, que, além de ser um sucesso de bilheteria e ter a assinatura de Martin Scorsese, o que garante uma população de votos, ganha força porque foi indicado ao prêmio dos diretores e dos produtores, Globo de Ouro e Critics Choice, além de estar no top 10 do American Film Institute. É difícil imaginar que um filme do Scorsese não entre numa lista de 9 ou 10 indicados.

Clube de Compras Dallas foi um filme que surgiu na corrida com as próprias pernas. Começou apenas com aposta nas categorias de ator e ator coadjuvante, mas ganhou uma surpreendente indicação no quesito de melhor elenco no prêmio do sindicato dos atores e é finalista ao prêmio dos produtores, o que deu força a sua candidatura. Philomena, por sua vez, é o filme inglês do ano, o que já garante uma cota importante de votos, conta uma história edificante e real, é dirigido por Stephen Frears e estrelado por Judi Dench. É um Oscar bait completo. Pode muito bem roubar a vaga que seria de Walt nos Bastidores de Mary Poppins, único candidato da Disney, mas que parece não ter empolgado muita gente.

Um filme que passou a corrida inteira como filme de atriz (e roteiro) e cresceu na reta final depois de uma indicação do PGA foi Blue Jasmine, que tem a seu favor o fato de ser um filme de Woody Allen, realeza de Hollywood. O Mordomo da Casa Branca foi moldado para o Oscar, mas, ruim que dói, só empolgou o sindicato dos atores, que garantiu três indicações para o filme. De resto, nem Oprah Winfrey, que começou como favorita foi indicada ao Globo de Ouro. Pode acontecer, mas é muito provável que fique na trave. Inside Llewyn Davis já esteve melhor na corrida: entrou na lista do AFI, mas começou a perder todos os grandes prêmios (PGA, DGA, Bafta). Virou coadjuvante na disputa.

DIREÇÃO

Alexander Payne, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Alfonso Cuarón, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
David O. Russell, Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Paul Greengrass, Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

A essa altura do campeonato, Alfonso Cuarón, Steve McQueen e David O. Russell são os frontrunners da corrida pelo Oscar de direção, com Paul Greengrass logo atrás, mesmo sem chance alguma de vitória. Greengrass se manteve estável durante toda a temporada, terminando com indicações para o Globo de Ouro, o BAFTA e o DGA. Além do que, Capitão Phillips é o tipo de filme em que o esforço técnico é visível (como Gravidade), o que mantém suas chances intocáveis. A disputa é pela quinta vaga que tem três candidatos possíveis: Martin Scorsese seria a opção natural, já que foi indicado ao DGA por O Lobo de Wall Street, e Spike Jonze, de Ela, pode representar um voto jovem, talvez o mesmo que deu a indicação a Benh Zeitlin no ano passado. Mas Alexander Payne parece uma opção mais segura para a Academia. Nebraska é melancólico e independente na medida certa, enquanto Scorsese tem gerado polêmicas e Jonze pode ser visto com indie demais. E Payne tem a seu favor o fato de já ter tido duas indicações para o Oscar de diretor.

ATOR

Bruce Dern, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Matthew McCounaghey, Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Tom Hanks, Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

Esta é uma categoria em que muita coisa pode acontecer. De certo mesmo, as indicações de Matthew McConaughey e Chiwetel Ejiofor, os frontrunners desde que a corrida começou. O Oscar deve ficar com um dos dois, caso a Academia não resolva impulsionar a boa interpretação de Bruce Dern num prêmio pelo conjunto da obra, que acontece, mas não parece ser o caso. No entanto, Dern também parece seguro entre os indicados, assim como Tom Hanks, que, assim como o filme que estrelou, nunca é uma real ameaça,m mas nunca deixa de ser citado. A quinta vaga é que parece ser o problema. Robert Redford, de Até o Fim, seria a opção natural (lenda viva do cinema, nunca ganhou um Oscar como ator, num filme que é apenas ele, um tour de force de um oitentão).

Mas a interpretação dele não empolgou todo mundo, nem o sindicato dos atores, que preferiu Forest Whitaker, já oscarizado, de O Mordomo da Casa Branca, que não parece uma alternativa forte já que só foi lembrado pelo SAG. Christian Bale, outro oscarizado, poderia ser uma boa saída já que Trapaça tem chances de ser multiplamente indicado nas categorias de elenco, mas o fato é que ele mal apareceu nas listas afora. Sobra um ator que a Academia adora ignorar e que está num dos filmes mais polêmicos do ano, mas Leonardo Di Caprio pode ter os votos suficientes para conseguir a vaga final.

ATRIZ

Cate Blanchett, Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Emma Thompson, Walt nos Bastidores de Mary Poppins EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Judi Dench, Philomena
Meryl Streep, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Sandra Bullock, Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

A grande questão é: eles conseguiriam excluir a Meryl Streep em prol da Amy Adams, por Trapaça? Eu acho que não. Streep é uma das Top 5 desde cedo (esta categoria se blindou muito rapidamente com 5 oscarizadas) e Adams só apareceu com alguma força bem no final da corrida. A veterana tem como ponta contra o fato de seu filme não ter muitas chances fora desta categoria ao contrário do longa de Adams, mas desde quando isso foi problema para ela, que tem um séquito fiel de súditos? Esse impasse nos leva ao seguinte pensamento: será que Emma Thompson está tão segura assim? Nossa inglesa favorita pode ser mais frágil do que Streep, mas neste quesito aqui, vou ficar com as cinco de sempre. Cate Blanchett, Sandra Bullock e Judi Dench seguem inabaláveis.

ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi, Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Daniel Brühl, Rush – No Limite da Emoção EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jared Leto, Clube de Compras Dallas  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Will Forte, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

Essa insistência minha em defender o Will Forte deve me levar à ruína na bolsa de apostas, mas a voz interior, que pode estar falando bobagem, insiste que ele seria uma daquelas indicações que a Academia nos entrega de vez em quando: sempre possível, mas nunca ratificado por nenhum precursor. O fato é que Forte é a alma de Nebraska, o personagem que move o filme, e a Academia adorar fechar pacotes e mandar pro Oscar (tipo Ethan Hawke, que pegou carona em Denzel Washington em Dia de Treinamento; James Coburn, que pongou na indicação de Nick Nolte por Temporada de Caça – e ganhou; Maggie Gyllenhaal, que se beneficiou do favoritismo de Jeff Bridges em Coração Louco), só para citar alguns que estavam meio fora do radar e entraram. Forte pode ocupar a quinta vaga, já que Leto, Fassbender e Abdi são locks, Brühl é quase isso e ninguém se acerta muito sobre quem entra depois deles. Bradley Cooper, de Trapaça, é uma possibilidade forte, e podem sobrar votos para o finado James Gandolfini, por À Procura do Amor, que entrou no SAG, mas não parece ser o caso. Então, vou dar uma chance ao Will Forte.

ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Lawrence, Trapaça  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Julia Roberts, Álbum de Família EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
June Squibb, Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Oprah Winfrey, O Mordomo da Casa Branca Estrelinha½

Ainda realmente estou incerto quanto a quem cairia caso a Sally Hawkins conseguisse uma vaga por Blue Jasmine, se beneficiando da indicação e do favoritismo de Cate Blanchett em atriz. Ela concorreu ao Globo de Ouro e disputa o Bafta, o que dá certa relevância. Mas como acho difícil que Oprah Winfrey perca sua vaga, mesmo achando que O Mordomo da Casa Branca vai ser ignorado de uma maneira geral, e que Julia Roberts, séria e velha em Álbum de Famíia, deve comover bastante gente, vou deixar Hawkins de fora. Margo Martindale, também de Álbum de Família, e Octavia Spencer, em Fruitvale Station, são outra duas possibilidade para fechar a lista. Lupita Nyong’o, Jennifer Lawrence e June Squibb são as garotas papo firme do ano, com Squibb, 84, parecendo uma opção irresistível contra a juventude e o anonimato da primeira e a juventude e o Oscar recente da segunda, para uma eventual vitória.

ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Woody Allen
Clube de Compras Dallas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Craig Borten & Melissa Wallack
Ela, Spike Jonze
Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Bob Nelson
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell & Eric Singer

ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, John Ridley & Steve McQueen
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Billy Ray
Antes da Meia-Noite EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Richard Linklater, Ethan Hawke & Julie Delpy
O Lobo de Wall Street EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Terence Winter
Philomena, Jeff Pope & Steve Coogan

FILME DE ANIMAÇÃO

Os Croods EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Chris Sanders & Kirk De Micco
Frozen EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Chris Buck, Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pierre Coffin & Chris Renaud
Universidade Monstros EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Dan Scanion
The Wind Rises EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hayao Miyazaki

FILME ESTRANGEIRO

Alabama Monroe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Felix Van Groeningen (Bélgica)
A Caça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Thomas Vintenberg (Dinamarca)
A Grande Beleza EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Paolo Sorrentino (Itália)
The Notebook, Janos Szasz (Hungria)
Omar EstrelinhaEstrelinha½, Hany Abu-Assad (Palestina)

DOCUMENTÁRIO

20 Feet from Stardom, Morgan Neville
O Ato de Matar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joshua Oppenheimer
Blackfish, Gabriela Cowperthwaite
The Square, Jehane Noujaim
Stories We Tell, Sarah Polley

FOTOGRAFIA

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Sean Bobbitt
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Barry Ackroyd
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Emmanuel Lubezki
Inside Llewyn Davis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Bruno Delbonnel
Nebraska  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Phedon Papamichael

MONTAGEM

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joe Walker
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Rouse
Gravidade  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alfonso Cuarón & Marc Sanger
O Lobo de Wall Street  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thelma Schoonmaker
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Daniel P. Hanley & Mike Hill

DESENHO DE PRODUÇÃO

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Adam Stochausen & Alice Baker
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Catherine Martin & Beverly Dunn
O Hobbit: A Desolação of Smaug, Dan Hennah & Ra Vincent
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andy Nicholson & Rosie Goodwin
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Judy Becker & Heather Loeffler

FIGURINOS

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Patricia Norris
O Grande Gatsby EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Catherine Martin
Jogos Vorazes: Em Chamas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Trish Summerville
Trapaça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Wilkinson
Walt nos Bastidores de Mary Poppins EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Daniel Orlandi

MAQUIAGEM E CABELOS

Clube de Compras Dallas
O Grande Gatsby
Trapaça

TRILHA SONORA

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Hans Zimmer
Até o Fim EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Alexander Ebert
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Steven Price
A Menina que Roubava Livros, John Williams
Walt nos Bastidores de Mary Poppins EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thomas Newman

CANÇÃO

“Happy” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, Meu Malvado Favorito 2
“Let it Go”  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Frozen
“The Moon Song”, Ela
“Ordinary Love”, Mandela
“Young and Beautiful” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, O Grande Gatsby

MIXAGEM DE SOM

12 Anos de Escravidão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rush – No Limite da Emoção EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

EDIÇÃO DE SOM

Até o Fim  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ 
Capitão Phillips EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Homem de Ferro 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Grande Herói

EFEITOS VISUAIS

Círculo de Fogo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Hobbit: A Desolação of Smaug  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
Homem de Ferro 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Oblivion EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½

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Globo de Ouro 2014: a coerência como coadjuvante

Trapaça

12 Anos de Escravidão é o melhor filme do ano, mas não tem o melhor diretor, o melhor roteiro, o melhor ator, os melhores coadjuvantes, nem a melhor trilha. Esse é o decreto da edição deste ano do Globo de Ouro. Todo mundo imaginava que haveria uma divisão de prêmios na festa dos melhores do cinema segundo a imprensa estrangeira em Hollywood. O que ninguém imaginava é que o escolhido na principal categoria, filme dramático, fosse esnobado em todas as outras. Chiwetel Ejiofor e Lupita Nyong’o, que eram considerados favoritos, perderam para seus principais concorrentes. Mas o filme de Steve McQueen não está “só″ nessa. O melhor diretor, Alfonso Cuarón, também não viu seu Gravidade ser lembrado em nenhum outro quesito.

O grande vencedor da noite terminou sendo Trapaça, que venceu entra as comédias e conseguiu eleger suas duas atrizes, Amy Adams, entre as protagonistas, e Jennifer Lawrencena, na categoria dedicada às coadjuvantes. Adams ganhou em sua quinta indicação, derrotando Meryl Streep, sua principal oponente, e têm mais chances de entrar na lista de finalistas ao Oscar, numa das categorias com candidatas mais fortes. Lawrence conseguiu sua segunda vitória em dois anos consecutivos (ela ganhou como atriz por O Lado Bom da Vida), deve disputar também o Oscar, mas dificilmente deve ganhar.

Clube de Compras Dallas também levou dois prêmios de interpretação. Matthew McConaughey e Jared Leto, em ator dramático e ator coadjuvante respectivamente, comprovaram seus favoritismos. Leto era um dos nomes mais certos da festa, já que ganhou praticamente todos os prêmios do críticos. McConaughey tinha Chiwetel Ejiofor como principal rival, mas, além de ter sido muito elogiado e premiado, teve a seu favor o fato de ser um astro, coisa que o Globe de Ouro adora. Os dois reforçam a condição de favoritos ao Oscar. Uma das estrelas máximas de Hollywood, Leonardo Di Caprio venceu como ator em comédia pela “comédia” O Lobo de Wall Street, derrubando o veterano Bruce Dern, indicado pela “comédia” Nebraska.

Já Cate Blanchett venceu como atriz dramática em Blue Jasmine. Confirmando o favoritismo, merecendo. Woody Allen não apareceu, mas ganhou o prêmio Cecil B. De Mille pelo conjunto da obra. Emma Stone apresentou. Emma Stone? Só porque está no novo filme dele? Diane Keaton agradeceu/homenageou, o que melhorou as coisas. Só não entendi porque convidaram várias atrizes dos filmes do homem e não as colocaram no palco. Uma das maiores surpresas da noite foi a premiação de Spike Jonze pelo roteiro de Ela. Numa categoria forte (e única, ao contrário do Oscar), ignorar os dois filmes favoritos, vencedores nas categorias de drama e comédia, em prol de uma longa indie melancólico foi bem ousado.

As categorias musicais do Globo de Ouro geralmente seguem um caminho diferente do Oscar, tanto nas indicações quanto nos prêmios. É bem provável que Até o Fim, que ganhou o prêmio de trilha sonora, nem seja indicado. A imprensa estrangeira apostou bem longe dos favoritos, que seriam Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Ainda acho que Gravidade ganha o Oscar. Seguindo a lógica de premiar estrelas, o U2 ganhou na categoria de melhor canção por “Ordinary Love”, de Mandela. O filme, talvez impulsionado pela morte de Nelson Mandela, teve três indicações para o Globo de Ouro. No Oscar, “Let it Go”, de Frozen, ainda é a frontrunner.

O belo longa da Disney ganhou como melhor animação, como todo mundo previa – e deve repetir a vitória no Oscar. A Grande Beleza levou na categoria de filme estrangeiro provando que os velhinhos do Reserva Cultural não estão sozinhos – OK, eu acho o filme bem interessante. Paolo Sorrentino derrubou Azul é a Cor Mais Quente, que estava ganhando quase todos os prêmios dos críticos, e A Caça, único filme que pode fazer dobradinha com o italiano entre os indicados ao Oscar, que vão ser anunciados na quinta. No geral, a lista de premiados teve nomes muito bons. Só faltou um pouco de coerência.

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Globo de Ouro 2014: apostas

O anúncio dos vencedores do Globo de Ouro nesta noite não deve por fim à disputa acirrada pelo favoritismo no Oscar. Os membros da academia já mandaram suas cédulas de votação na terça-feira. Os indicados já estão definidos, só ainda não foram anunciados. E o universo de votantes é bem diferente. No Oscar e nos sindicatos, vota a indústria. No Globo de Ouro e nos outros prêmios de críticos, vota a imprensa. Um influencia o outro, mas ninguém determina o que um grupo vai eleger. E, seguindo a tendência de várias associações de críticos, é bem possível que haja uma pulverização de prêmios nos eleitos na imprensa estrangeira em Hollywood. 12 Anos de Escravidão, Gravidade e Trapaça, os três frontrunners desde que a corrida começou efetivamente serão homenageados de uma maneira ou de outra. As estrelinhas são minha cotação pessoal para cada indicado.

12 Anos de Escravidão

filme dramático

12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha, Steve McQueen
Capitão Phillips estrelinhaestrelinhaestrelinha, Paul Greengrass
Gravidade estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha, Alfonso Cuarón
Philomena, Stephen Frears
Rush estrelinhaestrelinhaestrelinha, Ron Howard

Quem vence: 12 Anos de Escravidão, Steve McQueen

Sem precisar se decidir já que Trapaça concorre em outra categoria, e utilizando a lógica do espelho, o Globo de Ouro deve seguir o fluxo das premiações e eleger o drama da escravatura de Steve McQueen, o filme mais “importante” do ano, na opinião de muita gente. Seu único rival real é Gravidade, que pode se beneficiar da tendência “glamour” que o Globo de Ouro exala ano sim, ano não. É uma possibilidade menor, mas existe. Capitão Phillips e Philomena correm por fora – e Rush está umas cinco voltas atrás.

filme comédia ou musical

Ela, Spike Jonze
Inside Llewyn Davis estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Joel & Ethan Coen
O Lobo de Wall Street estrelinhaestrelinhaestrelinha, Martin Scorsese
Nebraska estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Alexander Payne
Trapaça, David O. Russell

Quem vence: Trapaça, David O. Russell

Esta divisão do Globo de Ouro entre dramas e comédia nunca teve muito sentido, além do que levar mais gente famosa para sua premiação. Este ano, o negócio está grotesco: Nebraska, Ela Inside Llewyn Davis, e O Lobo de Wall Street têm pouco – ou nada – de comédia mas foram indicados aqui. Os dois primeiros estão numa espécie de Série B dos indicados ao Oscar. Dificilmente vão ganhar aqui, mas podem ser beneficiados de um efeito surpresa. Os outros dois, estão numa série C – devem entrar, mas podem nem chegar à lista do Oscar, o que dizer daqui? Com isso, Trapaça, único filme da Séria A, não tem concorrentes.

Gravidade

direção

Alexander Payne, Nebraska estrelinhaestrelinhaestrelinha½
Alfonso Cuarón, Gravidade estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha
David O. Russell, Trapaça
Paul Greengrass, Capitão Phillips estrelinhaestrelinhaestrelinha
Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha

Quem vence: Alfonso Cuarón, Gravidade

A combinação 12 Anos de Escravidão em filme e Gravidade em direção foi adotada por muitas associações de críticos. E faz todo o sentido aqui. Gravidade fez muito sucesso de crítica, tem dois dos atores mais queridos da indústria, foi um campeão de bilheteria e utiliza a tecnologia de uma maneira completamente nova para um blockbuster. Essa combinação parece imbatível. Como o McQueen assinou o frontrunner do ano, é quem segue no rastro aqui. David O. Russell tambem tem possibilidades, mas menores. Paul Greengrass e Alexander Payne só completam a lista.

ator dramático

Chiwetel Ejiofor, 12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha
Idris Elba, Mandela
Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas
Robert Redford, Até o Fim estrelinhaestrelinha½
Tom Hanks, Capitão Phillips estrelinhaestrelinhaestrelinha

Quem vence: Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas

Essa promete ser uma disputa boa. Matthew McConaughey e Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão, são os únicos que têm chances reais de vitória, revezando o favoriritismo na corrida ao Oscar, alternando vitórias nos principais prêmios. Como o Globo de Ouro tem uma queda por estrelas, nada mais justo do que uma vitória de McConaughey, um ator redescoberto, mas Ejiofor segue perto e tem a visibilidade do filme “do ano”. Robert Redford seria uma terceira opção, mas seu papel, bom, não é tão tocante assim. Tom Hanks é sempre uma possibilidade, mas parece eclipsado. Idris Elba é figurante nesta disputa.

Blue Jasmine

atriz dramática

Cate Blanchett, Blue Jasmine estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha
Emma Thompson, Walt nos Bastidores de Mary Poppins estrelinhaestrelinhaestrelinha
Judi Dench, Philomena
Kate Winslet, Refém da Paixão
Sandra Bullock, Gravidade estrelinhaestrelinhaestrelinha½ 

Quem vence: Cate Blanchett, Blue Jasmine

O favoritismo é de Cate Blanchett, numa combinação irresistível com Woody Allen. Só perde se houver uma debandada de votos para a popularíssima Sandra Bullock e seu Gravidade. Pode acontecer, mas é difícil. Judi Dench seria uma rival forte se Philomena tivesse feito mais barulho. Emma Thompson, correta em Walt nos Bastidores de Mary Poppins, não tem chances, e Kate Winslet, em Labour Day, que não emplacou em nada, não deve nem ser considerada.

ator comédia ou musical

Christian Bale, Trapaça
Bruce Dern, Nebraska estrelinhaestrelinhaestrelinha½
Joaquin Phoenix, Ela
Leonardo DiCaprio, O Lobo de Wall Street estrelinhaestrelinhaestrelinha½
Oscar Isaac, Inside Llewyn Davis estrelinhaestrelinhaestrelinha½

Quem vence: Leonardo Di Caprio, O Lobo de Wall Street

Bruce Dern, que parece ter vaga garantida no Oscar, deveria ser o frontrunner, mas como aqui o universo não apenas diminui, mas muda, o pensamento também pode mudar. Isso faz com que Leo Di Caprio, que o Globo de Ouro tanto ama, mesmo em filmes polêmicos como esse, e Christian Bale, outro astro senior e num dos filmes favoritos, possam crescer e diminuir as chances do veterano. Joaquin Phoenix é uma azarão, mas deve ter o azar de não ganhar. Oscar Isaac não tem muitas chances.

Frances Ha

atriz comédia ou musical

Amy Adams, Trapaça
Greta Gerwig, Frances Ha estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha
Julia Louis-Dreyfus, À Procura do Amor
Julie Deply, Antes da Meia-Noite estrelinhaestrelinhaestrelinha
Meryl Streep, Álbum de Família estrelinhaestrelinhaestrelinha½

Quem vence: Meryl Streep, Álbum de Família

Meryl Streep é a única das concorrentes que está no Top 5 das atrizes com chances de entrar na lista do Oscar, então, é a favorita. Sua única rival é Amy Adams, por Trapaça, a sexta candidata nesta lista. Pode acontecer, até porque Amy já recebeu várias indicações e numa ganhou o Globo de Ouro, mas Meryl tem seus fãs fixos e seu papel é o mais marcante num filme essencialmente de elenco. Greta Gerwig (infelizmente porque está maravilhosa em sua performance), Julie Delpy e Julia-Louise Dreyfus são figurantes nesta briga.

ator coadjuvante

Barkhad Abdi, Capitão Phillips estrelinhaestrelinhaestrelinha½
Bradley Cooper, Trapaça
Daniel Brühl, Rush estrelinhaestrelinhaestrelinha
Michael Fassbender, 12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha½
Jared Leto, Clube de Compras Dallas

Quem vence: Jared Leto, Clube de Compras Dallas

Jared Leto o ator que mais ganhou prêmios neste ano. Chega como favorito, ainda mais se o Globo de Ouro preferir o Ejiofor ao McConaughey em ator. Os votantes mais tradicionais podem preferir o Michael Fassbender, que perdeu há dois anos com Shame e o rival natural nesta temporada, que cresce com a força de 12 Anos de Escravidão. Daniel Brühl e Barkhad Abdi são da segunda divisão e Bradley Cooper da terceira.

atriz coadjuvante

Jennifer Lawrence, Trapaça
Julia Roberts, Álbum de Família estrelinhaestrelinhaestrelinha½
June Squibb, Nebraska estrelinhaestrelinhaestrelinha
Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha
Sally Hawkins, Blue Jasmine estrelinhaestrelinhaestrelinha

Quem vence: Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão

Esta é a categoria em que mais surpresas podem acontecer. Lupita Nyong’o tem um leve favoritismo porque ganhou uma porrada de prêmios dos críticos e está no “filme do ano”, mas o Globo de Ouro gosta de estrelas subindo ao palco e os votantes podem achar que Nyong’o ainda precisa construir uma carreira. Surgem duas possibilidades: eleger Julia Roberts em Álbum de Família, estrela, atriz madura, muito bem no papel, ou abraçar mais uma vez a rainha do momento, Jennifer Lawrence, que ganhou no ano passado, pode se beneficiar de uma possível grande leva de prêmio de Trapaça e foi a dona das bilheterias em 2013. June Squibb e Sally Hawkins não devem ter muita sorte.

Trapaça

roteiro

12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha, John Ridley
Ela, Spike Jonze
Nebraska estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Bob Nelson
Philomena, Jeff Pope & Steven Coogan
Trapaça, David O. Russell & Eric Warren Singer

Quem vence: 12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão e Trapaça estão na mesma situação: ambos têm chances, ganharam prêmios anteriores, são os filmes mais reconhecidos do ano que estão concorrendo na categoria. O longa de Steve McQueen sai na frente porque este prêmio reforça o de melhor filme dramático, que o longa deve receber. Trapaça ganhou bons prêmios de roteiro, então, por si só, já recebe atenção, e um reconhecimento nesta categoria pode surgir de uma onda pró-O’Russell, que, caso aconteça, pode dar muitos prêmios para o filme. Philomena é o azarão. Ela e Nebraska não têm chances.

trilha sonora

12 Anos de Escravidão estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Hans Zimmer
Até o Fim estrelinhaestrelinhaestrelinha, Alexander Ebert
Gravidade estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Steven Price
Mandela, Alex Heffes
A Menina Que Roubava Livros, John Williams

Quem vence: Gravidade

Esta categoria sempre é meio maluca no Globo de Ouro. Até o Fim e Mandela provavelmente não terão chance de chegar ao Oscar, mas, além de aparecem entre os indicados aqui, podem surpreender. Mas é difícil. Gravidade e 12 Anos de Escravidão são os líderes da disputa, com A Menina que Roubava Livros, do onipresente John Williams, tentando se aproveitar de uma brecha. Acho que Gravidade está bem à frente porque é essencial para um filme que, em boa parte do tempo, é a epopeia de uma mulher só.

canção

canção

“Atlas”, Jogos Vorazes: Em Chamas estrelinhaestrelinhaestrelinha
“Let It Go”, Frozen estrelinhaestrelinhaestrelinha
“Ordinary Love”, Mandela estrelinhaestrelinha½
“Please Mr. Kennedy”, Inside Llewyn Davis estrelinhaestrelinhaestrelinha½
“Sweeter Then Fiction”, One Chance

Quem vence: “Let it Go”, Frozen

Pode dar U2, pode dar Coldplay, mas acho que vai dar a música que está ganhando todos os prêmios por aí: “Let it Go”, que nem é a melhor de Frozen, mas que vai direto num modelo de canção que o Oscar e o Globo de Ouro premiou por anos. O próprio filme tem um pouco dessa volta a uma estrutura simples, com muitos números musicais. “Please Mr. Kennedy” pode ter uns votos, mas deve ter desanimado muita gente porque não pode concorrer ao Oscar. E essa música de “One Chance” só preenche a quinta vaga.

animação

Os Croods estrelinhaestrelinhaestrelinha, Kirk De Micco & Chris Sanders
Frozen – Uma Aventura Congelante estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Chris Buck & Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2 estrelinhaestrelinhaestrelinha, Pierre Coffin & Chris Renaud

Quem vence: Frozen, Chris Buck & Jennifer Lee

Sem a possibilidade de dividir votos com o filme do Hayao Miazaki, que não é elegível aqui, Frozen deve dominar. A não ser haja uma virada pró-Meu Malvado Favorito 2, que fez rios de dinheiro. Os Croods é simpático, mas não deve passar da indicação.

filmes estrangeiro

Azul É a Cor Mais Quente estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Abdellatif Kechiche
A Caça estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Thomas Vintenberg
A Grande Beleza estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Paolo Sorrentino
O Passado, Ashgar Farhadi
Vidas ao Vento estrelinhaestrelinhaestrelinha½, Hayao Miyazaki

Quem vence: A Grande Beleza, Paolo Sorrentino

Azul é a Cor Mais Quente pode surpreender, mas terá que concencer a ala mais conservadora do grupo, enquanto que A Grande Beleza tem trânsito em todos os setores, embora alguns poucos odeiem o filme. A Caça pode ser uma terceira via, mas o Globo de Ouro geralmente se concentra nos favoritos como possibilidade de vitória. O Passado e Vidas ao Vento são café com leite.

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A História do Oscar: um empate na categoria de melhor atriz

Ingrid Bergman não entendeu muito bem quando foi anunciar a melhor atriz de 1968. Havia duas vencedoras. Mantendo a tradição, Kathatine Hepburn, uma das premiadas por O Leão no Inverno, não estava presente na cerimônia. Coube a Barbara Streisand, que também venceu, por Funny Girl – A Garota Genial, brilhar sozinha.

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Ninfomaníaca: Volume I

Ninfomaníaca - Volume I

Para um filme que se propõe a devassar a vida de uma mulher viciada em sexo, Ninfomaníaca não chega muito bem às vias de fato. Pelo menos este primeiro volume da nova obra de Lars Von Trier, que, reza a lenda, teve que ver seu filme, que deveria ter 5h30 de duração, ser esquartejado em dois e ainda ter cerca de 90 minutos limados por produtores e distribuidores. Reza a lenda porque, conhecendo as estratégias que o dinamarquês tem adotado para vender seu cinema nos últimos quinze anos, fica difícil acreditar que ele não só ajudou a conceber a divisão do filme em dois como pode ter participado da decisão sobne o que cada volume deveria mostrar. Especulação, claro, mas justa diante de um cineasta que, entre outros talentos, tem um especial: a autopromoção.

Mas, dinâmicas à parte, esta primeira metade de Ninfomaníaca não atende a um dos principais objetivos da equipe de marketing de Von Trier: não existe choque, polêmica. Nada, ou quase nada, chama a atenção. Charlotte Gainsbourg, em sua terceira colaboração com o diretor – nenhuma atriz aguentou seu processo por tanto tempo, o que certamente diz alguma coisa sobre a intérprete – interpreta uma mulher que se autodenomina Joe. Encontrada desmaiada e com marcas de agressão por um homem que a leva para casa, ela que se autodiagnostica como ninfomaníaca resolve contar sua trajetória sexual, das descobertas da adolescência às experiências na vida adulta com os mais variados homens, nas mais variadas interpretações de como o sexo deve ser praticado.

Com uma proposta a princípio libertária, Ninfomaníaca segue por um caminho radicalmente diferente, o do moralismo. O apartamento do personagem interpretado por Stellan Skarsgård se transforma numa espécie de confessionário, um púlpito onde uma mulher acusada por graves crimes dá sua versão para a história e aguarda uma decisão sobre sua conduta. Entra em cena uma sucessão de flashbacks – aguardamos o momento em que o cinema produza uma outra maneira de dialogar com o passado – que, na proposta do Von Trier nos leva ao reino supremo do erotismo, mas que perto das cenas de sexo de filmes como Azul é a Cor Mais Quente ou Um Estranho no Lago (citados pela Carol Almeida num ótimo texto), ou, indo mais perto, como Tatuagem, parecem versões filmadas das tramas dos romances eróticos femininos vendidos em banca de revista ou variações mais bem fotografadas de filmes da Sexta Sexy.

Sério, Ninfomaníaca, ao menos o volume um, não dá nenhum tesão. Nem carnalmente, nem cinematograficamente. Pelo contrário, o clima claustrofóbico que talvez pareça excitante aos olhos do diretor apenas reforça a ideia de que ele tem algum problema muito grande com sexo. Existe um grande peso sobre a proposta, sobre a ideia do sexo em si, com se tudo o que envolvesse o tema, os desejos da protagonista, fizesse parte de um plano macabro ou de uma conspiração maquiavélica. O sexo é mau, parece bradar Von Trier, como se o cineasta se saciasse em denunciar o sexo e não em se aprofundar sobre as motivações da personagem. Por isso, a figura de Seligman, vivido por Skarsgård, que se aproxima tanto de um padre confessor quanto a de um juiz, carregue tanta opressão em sua fala supostamente mansa.

Selig seria então o alter ego do diretor? A maneira que o dinamarquês encontrou para fazer seus julgamentos ao mesmo tempo em que exercita seu, com a liberdade da palavra já que ele nada vê, mas ouve, voyeurismo? Não existe problema alguns em expor seus pudores, mas camuflá-los e fingir convertê-los num suposto comportamento liberal apenas porque está se tratando de sexo, sob a égide de se estar realizando um estudo sobre a vida sexual de uma mulher, é – isso, sim – libertinagem e vulgarização. Nada do que Von Trier não já tenha feito, de uma maneira ou de outra, com outros temas, em outros filmes. A diferença é que, salvo algumas exceções, aqueles eram filmes melhores, mais fortes mesmo em seus truques, que não tinham medo de provocar orgasmos mesmo por meios questionáveis, enquanto Ninfomaníaca, pela metade, é um papai-mamãe com coito interrompido.

Ninfomaníaca: Volume I EstrelinhaEstrelinha
[Nymphomaniac, Lars Von Trier, 2013]

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