Monthly Archives: setembro 2013

Festival do Rio 2013: O Mordomo da Casa Branca

O Mordomo da Casa Branca

Lee Daniels adora praticar abusos. Preciosa é um exercício apelativo, em que a protagonista é colocada sob todas as provas possíveis. Obsessão mira no ridículo e no grosseiro para se vender como genuíno. Diante de um retrospecto como este, seria de se esperar que O Mordomo da Casa Branca, seu trabalho mais recente, fosse minimamente provocativo, mesmo que pelas razões equivocadas. Pelo contrário. É um dos filmes mais apáticos do ano.

A história do mordomo que serviu a sete presidentes americanos segue as regras das cinebiografias de tom grandioso, que louvam seus protagonistas. A grande questão aqui é que nunca se apresenta um verdadeiro motivo para que o homenageado aqui seja celebrado. Por sinal, homenageado é a palavra certa para descrever como Daniels trata o personagem. Sua moral, sua polidez, sua discrição, seus méritos éticos e até sua neutralidade são celebrados como exemplo máximo de vida. A trajetória de Cecil Gaines é, para o cineasta que outrora procurou o choque, um modelo a seguir.

Daniels filma de maneira preguiçosa. Parece recusar qualquer possibilidade de criação. As cenas são meras molduras para que Forest Whitaker revele sua suposta bela interpretação para “um americano de verdade”. O ator, que já demonstrou seu talento inúmeras vezes, está morto em cena, nunca arrisca, passa praticamente despercebido. Mas não pelo diretor. A montagem maniqueísta do filme induz o espectador a acreditar que a subserviência de Gaines foi um ato político que teve reflexos importantes para a história americana. Da morte do pai aos papos com Ronald Reagan, o longa vende o personagens como um revolucionário silencioso. Tão silencioso que o espectador nunca percebe sua revolução.

A apatia se espalha por todo o lado. O elenco cheio de nomes famosos mais parece um desfile da Ilha de Caras. Nenhum dos atores de primeira linha como Vanessa Redgrave, Jane Fonda e Alan Rickman (um inglês interpretando Ronald Reagan) mostra qualquer diferencial em suas interpretações. Quem mais sofre são os que precisam usar maquiagem. John Cusack está especialmente ridículo como Richard Nixon. Robin Williams e Liev Schreiber não dizem a que vieram. A personagem de Oprah Winfrey é uma das mais fracas, inexplicavelmente chatíssima, embora a direção, o roteiro e atriz, tentem fazer com que ela valha um Oscar.

No fim das contas, O Mordomo da Casa Branca parece um filme-propaganda, um crowd pleaser que não incomoda ninguém, exceto quem pede um pouco mais de inteligência. A bilheteria de mais de U$ 100 milhões no Estados Unidos se explica porque os americanos adoram ver seus presidentes no cinema (e aqui há vários deles) e pelo fato do filme se apresentar como “cinema negro”. Com pontas de seus “brothers” Mariah Carey e Lenny Kravitz, Lee Daniels pisou na bola mais uma vez. Não que alguém esperasse algo diferente. Só menos burocrático.

O Mordomo da Casa Branca Estrelinha
[Lee Daniels' The Butler, Lee Daniels, 2013]

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Festival do Rio 2013: 5 filmes polêmicos

Filmes com temas polêmicos ou imagens chocantes não faltam no line up do Festival do Rio. Além do ótimo O Ato de Matar, documentário sobre o massacre na Indonésia, o evento traz filmes como cenas de tortura, sexo explícito, adolescentes usando drogas, atores pornôs e estrelas em momentos de escatologia. Veja cinco exemplos:

The Canyons

The Canyons Estrelinha½
[The Canyons, Paul Schrader, 2013]

Paul Schrader tenta convencer o espectador de que a história que ele está contando é importante. Para os papeis principais, ele escala uma atriz decadente, que, entre uma temporada e outra na prisão, tenta reerguer o que sobrou de sua carreira, e um ator pornô. Mas a simples presença de Lindsay Lohan, de cujo comportamento o próprio cineasta afirmou ter se tornado “refém”, não garante a substância que o filme pretende ter. A escolha de uma protagonista decadente não significa que o cineasta desvendou a decadência dos bastidores do mundo do cinema em Hollywood.

Um Estranho no Lago

Um Estranho no Lago EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[L'Inconnu du Lac, Alain Guiraudie, 2013]

Este filme já apareceu antes por aqui. A cada dia que passa, Um Estranho no Lago cresce na memória. A cena final do filme é espetacular, radicalizando a discussão que Alain Guiraudie faz sobre até onde vai o desejo (e talvez o amor). O diretor propõe uma operação curiosa: passa boa parte do filme sendo explícito, há nus frontais e de sexo oral, em cenas que dissecam um ambiente de pegação gay, e repetitivo, causando a banalização das imagens e, desta forma, invadindo os desejos do protagonista. Guiraudie filma o fluxo dos personagens sem romantismo, mas parece apaixonado pelo movimento circular daqueles homens em busca de saciedade. Econômico, o longa é todo rodado em cenário único, às margens de um lago, utilizado como ponto de pegação por homossexuais de todas as idades. que serve para estudar o comportamento gay. As cenas noturnas são as mais bem filmadas, com o mínimo de luz insinuando os personagens.

Heli

Heli EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Heli, Amat Escalante, 2013]

Se renega os excessos dramáticos em favor de um cinema mais “direto”, Amat Escalante, em Heli, comete outros excessos. As cenas de tortura são filmadas com brutalidade, muita brutalidade, e com imagens explícitas de espancamento e até queimadura de órgãos genitais. A intenção pode ser chocar, denunciar a violência da situação específica e da situação social, mas o impacto desses excessos causam, como sempre, a impressão de que o cineasta quis fazer de seu filme, um filme importante, sincero, sem firulas, que vai direto ao ponto.

Obsessão

Obsessão Estrelinha
[The Paperboy, Lee Daniels, 2012]

O conceito da personagem de Nicole Kidman é interessante: uma mulher que não consegue represar sua sexualidade, o que termina agravando seu estado mental, já bem frágil. A insistência de Lee Daniels em invadir o terreno do ridículo é ousada, mas o diretor fraco não consegue dar conta do projeto e o ridículo, em vez de tentativa de linguagem, vira ruim mesmo. Kidman é bastante prejudicada por isso. Pega um papel medíocre e devolve com uma interpretação meia-boca. A cena em que ela urina no personagem de Zac Efron, que não está ruim, além de não ter o mínimo impacto, é completamente gratuita. Onde foi parar aquela grande atriz?

Spring Breakers

Spring Breakers: Garotas Perigosas Estrelinha½
[Spring Breakers, Harmony Korine, 2013]

Se fosse só um filme alienado e amoral que retratasse o comportamento alienado e amoral do jovem americano, Spring Breakers seria muito mais interessante, mas esse negócio de querer fazer poesia com câmera lenta e “reflexão” sobre a perdição da juventude não leva Harmony Korine muito longe de um Kids, que ele mesmo escreveu, com garotas de biquini e machine guns. O diretor acompanha suas quatro protagonistas na versão americana para a Semana do Saco Cheio, a “pausa da primavera” do título, em que os estudantes ganham folga antes de voltar ao batente. Nesse intervalo em que vale tudo, as moças vão parar na Flórida, onde se envolvem com álcool, drogas, sexo e um assalto, um cardápio perfeito para Korine divagar sobre o futuro de uma geração.

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Festival do Rio 2013: 5 documentários

O Festival do Rio geralmente apresenta uma fartura de documentários de temas variados. A edição 2013 está especial para quem gosta do gênero, com filmes que retratam desde o movimento punk até a drag queen Divine. O Filmes do Chico seleciona aqui cinco longas cujas temáticas e cujos realizadores já os deixam entre os imperdíveis do festival.

O Ato de Matar

O Ato de Matar, Joshua Oppenheimer

O filme de terror mais assustador do ano é O Ato de Matar, uma obra que prova que o verdadeiro mal está muito mais perto do que se imagina. O terror desta coprodução entre Noruegua e Dinamarca não vem de fantasmas, criaturas mitológicas ou eventos sobrenaturais. Seus parentes mais próximos são os filmes de psicopatas e os longas de tortura que foram redescobertos na década passada. Mas ao contrário destas obras de ficção, o que assusta neste filme é o quanto ele é real. Em lato sensu e stricto sensu.

O Conhecido Desconhecido

O Conhecido Desconhecido: a Era Donald Rumsfeld, Errol Morris

Documentarista de mão cheia, sempre interessado em personagens da política americana, Errol Morris escolhe o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, como objeto. Mais do que contar a vida deste homem, ele tenta traduzi-lo. A entrevista tenta explicar sua visão de mundo e como esse ex-congressista foi um dos principais idealizadores da Guerra do Iraque e da paranoia americana contra o terror.

Em Berkeley

Em Berkeley, Frederick Wiseman

Aos 83 anos, Frederick Wiseman se revela um maratonista. É preciso disposição para encarar os 244 minutos de Em Berkeley, novo trabalho de um dos maiores documentaristas do mundo. Ao contrário da tendência natural do cinema de não-ficção dos dias de hoje, que pressupõe intervenções do diretor em relação ao objeto, Wiseman passeia com sua câmera pelo campus da universidade americana que batiza o filme para mostrar o detalhes de seu dia-a-dia, revelar seus personagens e compreender os desafios de comandar uma instituição como essa.

O Espírito de 45

O Espírito de 45, Ken Loach

Conhecido por suas ficções que retratam fatos históricos, como Ventos da Liberdade, ou que decifram o britânico comum, caso de Meu Nome é Joe, Ken Loach dirige um documentário sobre um ano-chave para o mundo atual, 1945, o ano em que acabou a Segunda Guerra Mundial. O cineasta político usa uma vasta pesquisa de imagens para capturar o clima de reconstrução da época, que ajudou a estabelecer preceitos que a Grã-Bretanha mantém até hoje.

A Imagem que Falta

A Imagem que Falta, Rithy Panh

Possivelmente um dos filmes mais interessantes do Festival do Rio. O cambojano Rithy Pahn, sobrevivente do massacre que o Khmer Vermelho praticou em seu país e dizimou sua família, tema principal de seus filmes, passou anos em buscas de imagens que retratassem sua dor e a de seu povo. Como o material não é dos mais fartos, Pahn resolveu criar novas imagens – as imagens que faltavam – e produziu um documentário com técnicas barrocas de animação, recriando a barbárie da história de seu país.

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Festival do Rio 2013: Spring Breakers – Garotas Perigosas

Spring Breakers

Se fosse só um filme alienado e amoral que retratasse o comportamento alienado e amoral do jovem americano, Spring Breakers seria muito mais interessante, mas esse negócio de querer fazer poesia com câmera lenta e “reflexão” sobre a perdição da juventude não leva Harmony Korine muito longe de um Kids, que ele mesmo escreveu, com garotas de biquini e machine guns. O diretor acompanha suas quatro protagonistas na versão americana para a Semana do Saco Cheio, a “pausa da primavera” do título, em que os estudantes ganham folga antes de voltar ao batente. Nesse intervalo em que vale tudo, as moças vão parar na Flórida, onde se envolvem com álcool, drogas, sexo e um assalto, um cardápio perfeito para Korine divagar sobre o futuro de uma geração.

Como se não bastasse, para provocar mais impacto, o cineasta escalou as ex-garotas Disney Selena Gomez e Vanessa Hudgens para dois dos papéis principais, mas se Selena interpreta a mocinha pura que se vê corrompida, Vanessa incorpora bem o espírito de anarquia pretendido pelo diretor. Ashley Benson e Rachel Korine, esposa de Harmony Korine, completam o quarteto, que contracena com um James Franco completamente chapado, como um traficante local. Numa da cenas mais divertidas do longa, Franco e as mocinhas cantam, ao redor de um piano, uma música de Britney Spears.

O mais interessante no filme é como o cineasta apresenta as personagens numa espécie de video game da vida real, como se elas se movessem dentro de um jogo, onde atravessar todas as fases acontece muito rápido. Essa regra, a da velocidade, que parece retratada com certa fidelidade nos primeiros minutos do filme, logo vira um padrão, que tanto serve para mostrar o crescente envolvimento das meninas com coisas ilegais, imorais ou que engordam quanto para retirar os personagens de cena. A saída de Faith, vivida por Selena Gomez, do filme acontece tão rapidamente que o roteiro não consegue justificar sua debandada. O vigor das cenas iniciais volta perto do final, com o ataque libertário colorido das meninas, em que o mundo vira, literalmente, de cabeça para baixo.

Mesmo com suas estripulias visuais e com a maneira moderninha com que apresenta suas “denúncias”, Harmony Korine transforma Spring Breakers, assim como fez com Kids, numa grande lição de moral para a juventude americana, como se bradasse “não cheire cocaína, não faça sexo com estranhos, olha o que pode acontecer com você”. A presença das garotas da Disney potencializa essa leitura a um ponto em que não seria tão surpreendente descobrir que o filme faz parte de uma campanha do governo americano para despertar os jovens do país para “a questão das drogas”. Na linguagem moderninha, rapidinha e aparentemente amoralzinha deste jovem.

Spring Breakers – Garotas Perigosas Estrelinha½
[Spring Breakers, Harmony Korine, 2012]

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Festival do Rio 2013: The Canyons

The Canyons

Durante os 99 minutos de The Canyons, Paul Schrader tenta convencer o espectador de que a história que ele está contando é importante. Desde o primeiro momento, antes mesmo da produção começar, o diretor parece querer vender seu filme como especial. Para os papeis principais, ele escala uma atriz decadente, que, entre uma temporada e outra na prisão, tenta reerguer o que sobrou de sua carreira, e um ator pornô. Mas a simples presença de Lindsay Lohan, de cujo comportamento o próprio cineasta afirmou ter se tornado “refém”, não garante a substância que o filme pretende ter. A escolha de uma protagonista decadente não significa que o cineasta desvendou a decadência dos bastidores do mundo do cinema em Hollywood.

Na tela, a impressão é de que Lohan está sob controle, o que não quer dizer que a atriz ofereça muita coisa. Schrader diz que as filmagens foram infernais e que a estrela frequentemente chegava bêbada para gravar suas cenas, mas que conseguiu extrair dela o que pretendia, o que indica que ele não pretendia muita coisa. James Deen, famoso no mercado pornô, para se ter uma ideia, é melhor ator do que ela, embora também não faça mais do que o básico. Os dois estão no centro de uma trama com ecos noir, cheia de cenas de sexo sem apelo, que recicla ideias velhas e muitas vezes é tão refinada quanto as sessões eróticas que a Band reservava para o fim da noite.

Paul Schrader tem um currículo invejável. Assinou os roteiros de Taxi Driver e Touro Indomável, dirigiu Vivendo na Corda Bamba e Hardcore. Em seus trabalhos como cineasta, sempre namorou com o submundo, flertou com o kitsch, mas aqui parece radicalizar. Revezando suspense e erotismo, sem nunca se aprofundar em nenhum deles, The Canyons não passa a impressão de “investigação em estado bruto”, como talvez seja seu projeto, mas filme mal acabado sobre um tema que não se afasta do mais do mesmo.

Talvez influenciado pela presença de James Deen, o roteirista Bret Easton Ellis, que fez o fraco Psicopata Americano, incorpora, numa atmosfera B oitentista, cacoetes do cinema pornô, que Schrader valoriza na realização, embora continue com talento para compor visualmente as cenas. Nem diretor, nem escritor dão atenção para a composição dos personagens, construídos com a profundidade de uma sinopse, deixando Lindsay Lohan e Deen à vontade para ser superficiais.

The Canyons Estrelinha½
[The Canyons, Paul Schrader, 2013]

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Festival do Rio 2013: cobertura

Este post vai concentrar todos os textos – e também as cotações – para os filmes que integram a programação da edição 2013 do Festival do Rio que já vistos e avaliados por mim.

HeliO Ato de Matar

O ABC da Morte EstrelinhaEstrelinha
[The ABCs of Death, vários, 2012]

Apenas Deus Perdoa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Only God Forgives, Nicolas Winding Refn, 2013]

O Ato de Matar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Act of Killing, Joshua Oppenheimer, 2012]

Aya EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Aya de Yopougon, Marguerite Abouet, Clément Oubrerie, 2013]

Bastardos EstrelinhaEstrelinha½
[Les Salauds, Claire Denis, 2013]

Behind the Candelabra EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Behind the Candelabra, Steven Soderbergh, 2013]

The Canyons Estrelinha½
[The Canyons, Paul Schrader, 2013]

Um Dia Desses EstrelinhaEstrelinha
[Any Day Now, Travis Fine, 2012]

Um Episódio na Vida de um Catador de Ferro-Velho EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Epizoda u Zivotu Beraca Zeljeza, Danis Tanovic, 2013]

Um Estranho no Lago EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[L'Inconnu du Lac, Alain Guiraudie, 2013]

Eu Sou Divine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[I Am Divine, Jeffrey Schwarz, 2013]

A Garota de Lugar Nenhum EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[La Fille de Nulle Part, Jean-Claude Brisseau, 2012]

Gravidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Gravity, Alfonso Cuarón, 2013]

Hawaii EstrelinhaEstrelinha
[Hawaii, Marco Berger, 2013]

Heli EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Heli, Amat Escalante, 2013]

A Imagem que Falta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Rithy Panh, 2013]

Inocentes EstrelinhaEstrelinha
[Innocents, Chen-Hsi Wong, 2012]

Jovem e Bela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Jeune et Jolie, François Ozon, 2013]

Manuscritos Não Queimam EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Dast-Neveshtehaa Nemisoosand, Mohammad Rasoulof, 2013]

Michael Kohlhaas EstrelinhaEstrelinha½
[Michael Kohlhaas, 2013]

O Mordomo da Casa Branca Estrelinha
[Lee Daniels' The Butler, Lee Daniels, 2013]

Nebraska EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Nebraska, Alexander Payne, 2013]

Night Moves EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Night Moves, Kelly Reihardt, 2013]

Uma Noite de Crime EstrelinhaEstrelinha
[The Purge, James DeMonaco, 2013]

Nós Somos os Melhores! EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Vi Är Bäst!, Lukas Moodysson, 2013]

Obsessão Estrelinha
[The Paperboy, Lee Daniels, 2012]

Outrage: Beyond EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Autoreiji: Biyondo, Takeshi Kitano, 2012]

Quando a Noite Cai em Bucareste ou Metabolismo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Când se Lasa Seara Peste Bucuresti sau Metabolism, Corneliu Porumboiu, 2013]

Sonar EstrelinhaEstrelinha
[Echolot, Athanasios Karanikolas, 2013]

Spring Breakers: Garotas Perigosas Estrelinha½
[Spring Breakers, Harmony Korine, 2013]

Tatuagem  EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Tatuagem, Hilton Lacerda, 2013]

Terra Prometida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Promised Land, Gus Van Sant, 2012]

Walesa, o Homem da Esperança EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Walesa, Andrzej Wajda, 2013]

The Zero Theorem Estrelinha½
[The Zero Theorem, Terry Gilliam, 2013]

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Festival do Rio 2013: 5 filmes que podem concorrer ao Oscar

Durante o Festival do Rio, o Filmes do Chico vai produzir uma série de Top 5s com destaques do evento. O primeiro reúne filmes que têm chance de aparecer entre os indicados ao Oscar. Todos com exibições durante o festival.

Gravidade

Gravidade, Alfonso Cuarón

É um dos favoritos para a temporada de prêmios. O impacto do longa quando estreou no Festival de Veneza foi enorme. Sandra Bullock está cotadíssima para ganhar uma nova indicação ao Oscar, quatro anos depois da premiação por Um Sonho Possível, e o filme pode aparecer em várias categorias, desde as principais, como filme e direção, o que é notável para uma ficção-científica, até as técnicas (fotografia, montagem, efeitos visuais, além dos quesitos de som).

O Mordomo da Casa Branca

O Mordomo da Casa Branca, Lee Daniels

Já fez mais de U$ 100 milhões nas bilheterias americanas, o que aumentou sua força na bolsa de apostas. Lee Daniels já fez bastante sucesso com Preciosa e, pelo jeito, deve repetir parte da façanha com a história do mordomo que atravessou os mandatos de sete presidentes americanos. O elencão tem, entre outros, Forest Whitaker, Robin Williams, Vanessa Redgrave, Jane Fonda e Oprah Winfrey, que é uma das favoritas ao Oscar de atriz coadjuvante.

Nebraska

Nebraska, Alexander Payne

Alexander Payne geralmente desperta atenção da Academia. Foi indicado ao Oscar por Sideways e Os Descendentes. Este filme parecia ter mais chances nas categorias de atuação (Bruce Dern é um veterano que nunca ganhou um Oscar e June Squibb parece preencher os quesitos que geralmente interessam a Academia, elogiada, experiente e desconhecida). Mas nos últimos tempos, vários experts no Oscar apontam o filme como virtual candidato na categoria principal, com possibilidades em direção e roteiro.

Diana

Diana, Olivier Hirschbiegel

Com Grace of Monaco adiado pro ano que vem, as chances de indicação de Naomi Watts aumentaram. Ela é a única princesa na parada, mas a batalha nesta categoria está especialmente difícil. Além da já citada Sandra Bullock, Meryl Streep, Emma Thompson, Judi Dench e Cate Blanchett, todas já oscarizadas e respeitadas, são empecilhos para Watts. Os prêmios anteriores ao Oscar, como o Globo de Ouro e os de associações de críticos, vão definir as chances do filme.

 

Fruitvale Station

Fruitvale Station, Ryan Coogler

Tem boas chances de ser o indie do ano, como foi Indomável Sonhadora no ano passado. Fez bastante barulho em sua estreia em Sundance, tem um elenco majoritariamente negro, o que faz o filme atacar em outra frente, com destaque para Michael B. Jordan, bem elogiado, e a vencedora do Oscar, Octavia Spencer, que pode repetir a indicação entre as coadjuvantes. O roteiro do filme também tem chances razoáveis de emplacar.

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Festival do Rio 2013: Behind the Candelabra

Behind the Candelabra

A vitória no Emmy – ou as vitórias, já que o filme ganhou em 11 categorias – devolvem a Behind the Candelabra um pouco do brilho perdido pelo longa, recusado pelos principais estúdios de Hollywood. E brilho é a matéria-prima não apenas do filme, mas do próprio personagem que ele retrata. Steven Soderbergh não poupou lantejoulas e paetês na história – ou num recorte dela – da vida do pianista Liberace, produzida pela HBO, que, curiosamente, devolveu para a televisão um personagem que a própria TV ajudou a criar.

Depois de conquistar plateias, misturando música erudita e popular, usando roupas espalhafatosa e cheias de brilho, Wladziu Valentino Liberace ficou famoso apresentando um programa semanal em rede nacional, nos Estados Unidos. Nascia ali um astro pop, que Soderbergh retrata já no final de sua carreira. O diretor não poupa seu homenageado, retratado como grande colecionador de móveis, mansões e garotos jovens e fortes. É uma cinebiografia tradicional, situada num universo gay pré-AIDS da virada dos anos 70 para os 80.

Para o papel principal, o cineasta recrutou Michael Douglas, que, corajoso, talvez esteja na melhor performance de sua vida. Prestes a completar 70 anos, o ator empresta para o personagem um misto de afetação e delicadeza, que o humaniza sem julgar seu comportamento compulsivo. Douglas está cheio de trejeitos e mudou até a voz – e parece à vontade o tempo inteiro, seja nas apresentações do pianista trajando fantasias de escolas de samba, seja nas cenas íntimas com Matt Damon, que interpreta seu amante Scott Thorson.

O filme se baseia no livro escrito por Thorson, Behind the Candelabra: My Life With Liberace, o que explica seu formato convencional. Damon está bem dedicado ao papel, mas quem rouba mesmo à cena é Rob Lowe, como o cirurgião plástico chapado e bronezado de Liberace, uma espécie de versão anterior do Dr. Ray. A verdade é que, por trás de sua direção de arte competentíssima, principalmente na caracterização dos personagens, e por sua trama tão ousada que nenhum estúdio quis bancar o filme, Soderbergh fez um filme comportado, comportado até demais para um cineasta geralmente tão plasticamente ousado. O diretor parece ter se contentado em retratar os excessos, visuais ou não, de Liberace que resolveu, ele mesmo, não arriscar. O resultado é que Behind the Candelabra é um filme  bom, mas poderia ser melhor.

Behind the Candelabra EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Behind the Candelabra, Steven Soderbergh, 2013]

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Preenchendo o Vazio

Preenchendo o Vazio

O tema parece desgastado, mas o filme de estreia da diretora Rama Buhrstein dá fôlego novo para os rituais e tradições de judeus ortodoxos que o cinema de Israel desvenda há tantos anos. Em menos de noventa minutos, a cineasta conta a história de uma família e faz uma reflexão sobre o peso da herança religiosa no país dos tempos atuais. O conflito de Preenchendo o Vazio é simples: diante da morte da filha mais velha, que havia acabado de dar à luz, sua família quer forçar Shira, a irmã mais nova, a assumir seu lugar no casamento e na educação do neto.

Buhrstein evita o ranço: nunca julga seus personagens, procura entedê-los. Shira, vivida pela ótima Hadas Yaron, tem nas mãos a responsabilidade por manter seus parentes unidos. Com a morte da esposa, seu cunhado resolve se casar com outra mulher e se mudar para a Bélgica. A diretora mostra que esta possibilidade, mais do que pese a distância, significa o esfacelamento da família e o fracasso de um projeto para os pais de Shira. O assunto vai parar na mesa de jantar e até em reuniões com rabinos. Em diálogos fortes e longos momentos de silêncio, Buhrstein consegue dar o peso do que é jogado nas mãos da personagem.

Ao mesmo em que é sério, o filme nunca é sisudo. E tem um trabalho espetacular de fotografia que valoriza os cenários, praticamente todos internos, com agilidade de câmera e com uma luz bonita. Este tratamento não alivia as escolhas de Shira, pelo contrário, mas evita que o maniqueísmo corrompa o roteiro do filme. Mesmo que sofra com algum didatismo e que transporte para sua estrutura a rigidez do universo que retrata, Preenchendo o Vazio surpreende com seu frescor.

Preenchendo o Vazio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Lemale et Ha'halal, Rama Buhrstein, 2012]

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Top 10: Pedro Almodóvar

Sessenta e quatro anos de idade, trinta e nove anos de carreira. Pedro Almodóvar, que me perdoe Luis Buñuel, é o diretor espanhol mais conhecido da história do cinema. Sabe, como ninguém, costurar o melodrama e humor ácido. É a voz do cinema latino. Revelou Antonio Banderas, Carmen Maura, Marisa Paredes, consolidou Javier Bardem e Penélope Cruz. Em seus anos de estrada, cometeu alguns tropeços, com Má Educação, mas entregou um punhado de pérolas e algumas obras-primas. Hoje, dia do aniversário do cineasta, o Filmes do Chico elenca seus dez melhores filmes.

Labirinto de Paixões

10 Labirinto de Paixões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Laberinto de Pasiones, 1982]

Segundo filme do diretor, Labirinto de Paixões não tem pudores. Sem o peso de ser um grande mestre do cinema, Almodóvar se permitia completamente. Conta uma história absolutamente nonsense com um sarcasmo delicioso. Um filme livre de qualquer amarra com um elenco comandado pela maravilhosa Cecilia Roth, como uma ninfomaníaca que contracena com os personagens mais absurdos. O filme é da época em que o diretor não tinha vergonha de nada, nem de ser escatológico.

Matador

9 Matador EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Matador, 1986]

Matador é um filme à parte na obra de Almodóvar. Talvez seja o longa mais masculino do diretor; talvez seja seu trabalho mais obscuro. O cineasta subverte o filme de serial killer com um protagonista que é um ex-aprendiz de toureiro e assume os crimes de seu mentor como se a transferência de personalidade curasse seu fracasso profissional. Almodóvar associa as mortes dos touros, as conquistas do assassinos e os assassinatos em si de forma ousada, tendo a religião como um fio condutor que nem sempre esteja em primeiro plano.

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos

8 Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, 1988]

A revisão revelou algumas fragilidades – talvez se o melodrama fosse tão rasgado quanto a comédia o filme funcionasse ainda melhor -, mas o primeiro grande sucesso internacional de Almodóvar continua sendo uma experiência deliciosa. Carmen Maura lidera um elenco feminino impecável, com destaque para Julieta Serrano, completamente despirocada como a esposa traída, e Rossy De Palma, que acentua o pacote “exótico” do filme. As piadas estão no lugar certo e o kitsch de sempre ganha um toque estilizado. Impossível não embarcar naquele táxi de oncinha.

Ata-me!

7 Ata-me EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Atame!, 1990]

Ata-me! talvez seja a maior história de amor da carreira de Pedro Almodóvar. E uma história de amor segundo este cineasta precisa de um casal de protagonistas como uma atriz pornô e um sequestrador obcecado. O amor romântico de Almodóvar tem por base instintos selvagens, desejos exacerbados, histrionismo, violência, lascívia e sexo, muito sexo. Victoria Abril e Antonio Banderas parecem tomados, possuídos e cheios de tesão. Um filme de amor físico que só Almodóvar poderia fazer.

Maus Hábitos

6 Maus Hábitos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Entre Tinieblas, 1984]

A maior blasfêmia de Pedro Almodóvar e um de seus filmes mais deliciosos. Nunca o diretor foi tão amoral e tão sem pudores e limites. Embora tenha tido que dar o papel de protagonista para a fraca Cristina S. Pascual em troca do dinheiro para fazer o longa, Maus Hábitos, mesmo sem a maturação dos filmes mais recentes, transbordava uma anarquia legítima. Estamos num convento em que as freiras, cada uma a seu modo, vivem suas perversões. Almodóvar escracha com a Igreja Católica na base do deboche. Mais libertário, impossível.

A Pele que Habito

5 A Pele que Habito EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[La Piel que Habito, 2011]

O filme começa remetendo ao cinema de horror europeu dos anos 60. A boa notícia mesmo é que Almodóvar perdeu o medo do ridículo e prova isso logo nos primeiros minutos do filme, com o personagem do Tigre, que recupera o escracho que o diretor tinha perdido há tempos. A maneira como o roteiro constrói o personagem central é um trabalho de um refinamento impressionante, embora, numa visão mais rasa, por sua própria natureza, possa parecer exatamente o contrário. Há tempos que o cinema não acompanhava as transformações de um personagem tão intima e despudoradamente.

A Lei do Desejo

4 A Lei do Desejo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[La Ley del Deseo, 1987]

A Lei do Desejo coroa a primeira fase do cinema de Almodóvar. É, entre seus filmes mais antigos, o mais complexo e conceitual, e aquele que abertamente assume a temática homossexual. O cineasta invade este universo em dois personagens, dois irmãos, ambos gays. Eusebio Poncela é o diretor de filmes e peças engajado com o movimento, que se envolve com um homem mais jovem, e Carmen Maura, numa escolha ousada, é a travesti vítima de abuso do pai. Cenas de sexo ousadas, humor afiado e uma história de crime seguem lado a lado, como se o cineasta assumisse os riscos das escolhas de seus personagens.

Fale com Ela

3 Fale com Ela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha 
[Hable con Ella, 2002]

Fale com Ela é provavelmente o filme mais bem dirigido de Pedro Almodóvar. Uma obra que refina as conquistas de seus dois longas anteriores, mas que mantém preservado o lado provocador do cineasta. É um filme sobre amor, mas é um filme doentio sobre amor, da mesma maneira que Ata-me! também é um filme doentio sobre amor. O personagem de Javier Cámara, excelente, é extremamente incômodo por guardar em si dois lados tão radicalmente opostos. É apaixonante e repulsivo. Nunca Almodóvar tinha feito um protagonista tão paradoxal, razão pela qual talvez seus outros grandes filmes pareçam maiores.

Tudo Sobre Minha Mãe

2 Tudo Sobre Minha Mãe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Todo Sobre Mi Madre, 1999]

O filme mais universal do cineasta sobre o sentimento mais universal de todos, a maternidade. E também sobre tantas outras coisas. Tudo Sobre Minha Mãe, como coração de mãe, abraça tudo: referências cinematográficas, teatrais, travestismo e a dor do luto. Cecilia Roth, em estado de graça, parte numa jornada em busca do pai de seu filho morto. Comanda um elenco feminino em que cada grande atriz (Paredes, Cruz, San Juan, Sardá) empresta uma perspectiva para a homenagem do cineasta às mulheres, seu maior objeto de estudo, sua paixão desde as mais priscas eras, a casa e a mãe de seu cinema.

Carne Trêmula

1 Carne Trêmula EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Carne Tremula, 1997]

Das fase mais celebrada de Pedro Almodóvar, Carne Trêmula é o filme menos lembrado. Talvez por ter elementos de outros gêneros além do melodrama, por parecer menos puro ou menos “concentrado”, mas a adaptação que o espanhol faz do livro de Ruth Rendell parece ser um resumo de toda sua obra. Ali estão os exageros e a liberdade de seu cinema inicial e ali a estilização e o amadurecimento de suas obras mais elogiadas, que têm um carinho especial com os personagens. Aqui, Angela Molina é uma homenagem às mulheres de Almodóvar. Aqui, Javier Bardem é o macho que nunca encontrou espaço em seus filmes. Há uma pequena cena, belíssima, em que Francesa Neri passa por Bardem e, impactada, com a imagem daquele homem se vira em câmera lenta para observá-lo. Um momento mínimo, quase imperceptível, mas que anuncia uma cineasta diferente, que mesmo diante de uma protagonista irresponsável, acredita em algo maior.

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