Monthly Archives: abril 2013

Homem de Ferro 3

Homem de Ferro 3

Os recentes ataques na maratona de Boston mostram que, no mundo atual, há uma necessidade cada vez maior de se exibir vilões. A sociedade midiática em que vivemos exige a personalização do mal. Ele precisa ter rosto, voz, precisa se mostrar um para se mostrar atingível. Um dos maiores acertos da Marvel no cinema é como o estúdio conseguiu inserir seus personagens num contexto contemporâneo, credibilizando suas aventuras ao colocá-los frente a perigos reais, palpáveis, que normalmente passam pelas ideias do terrorismo. Por isso mesmo, toda a concepção por trás do personagem do Mandarim, o antagonista de Homem de Ferro 3, é excelente. Ele é o vilão do mundo pop, o mal reconhecível, uma estrela da mídia às avessas, um mito do horror.

O Mandarim não é apenas o melhor vilão dos filmes do Homem de Ferro, mas é o único entre esses personagens tratado com relevância. O roteiro do filme explora sua identidade em várias camadas, sem medo de arriscar, deixando Ben Kingsley à vontade para brincar com quiser com o personagem. Shane Black, que substitui Jon Favreau na direção, rouba espaço no roteiro mais uma vez centrado no magnetismo de Robert Downey Jr., novamente excelente, para criar um personagem tão rico quanto o herói. O Homem de Ferro, por sinal, perde definitivamente o protagonismo do filme para Tony Stark. Este é um filme sobre o homem por trás da máscara de ferro, pelo aspecto dramático das crises de ansiedade do personagem, quanto pelo aumento das cenas de humor, tão fortes quanto no primeiro trabalho de Shane Black como roteirista, Máquina Mortífera.

A comédia, que foi fundamental na composição do personagem no cinema, ganha um tratamento especial nas cenas em que Downey Jr. contracena com o pequeno Ty Simpkins, dono de um currículo que inclui trabalhos com Steven Spielberg, Sam Mendes e Todd Field. Os diálogos ferinos entre Stark e Harley, personagem do garoto, são deliciosos na velocidade e na intensidade. É a melhor dupla do ano até o momento. Apesar das cenas de ação de Homem de Ferro 3 serem realmente muito boas, com destaque para o ataque à mansão e o resgate do avião, este é um filme que se destaca mesmo pela qualidade de seu texto. Isso abre espaço para belas interpretações, como a de Gwyneth Paltrow, que ganha até a chance de brincar de super-heroína; Jon Favreau, que longe da direção investe num timing cômico perfeito para seu Happy; e Guy Pearce, que desenvolve bem seu personagem canastrão.

Mais do que ser um filme redondo, Homem de Ferro 3 é um belo pé direito para o início da chamada Fase 2 da Marvel nos cinemas. Black costura os eventos de Os Vingadores à trama, justificando tanto o caráter solo deste longa quanto a possibilidade de novas parcerias entre os heróis. O plano da editora, ou do estúdio, para seus personagens na tela grande é calculado com impressionante coesão, mas mirando nos valores individuais dos filmes e dos heróis, conversando com um público cada vez maior, mas sem fazer grandes concessões. Este foi o último longa de Robert Downey Jr. sob contrato. O que está por vir precisa ser renegociado e a Marvel tem como norma valorizar personagens e não intérpretes. Eis um dilema de verdade que heróis do mundo real precisarão resolver para impedir a vitória do mal.

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[Iron Man Three, Shane Black, 2013]

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Trailer: Thor – O Mundo Sombrio

O segundo solo filme do Deus do Trovão, Thor – O Mundo Sombrio, de Alan Taylor, tem previsão para estrear no Brasil no dia 8 de novembro. Voltam ao elenco Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Rene Russo e Stellan Skarsgard. Christopher Eccleston assume o papel de Malekith e Adewale Akinnuoye-Agbaje será Algrim. O filme faz parte da chamada Fase 2 dos heróis da Marvel no cinema, que começa nesta sexta, com o lançamento de Homem de Ferro 3.

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Trailer: Homem de Aço

Homem de Aço, Zack Snyder

 

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Procurando Sugar Man

Searching for Sugar Man

Quanto menos se souber sobre Procurando Sugar Man e Sixto Rodriguez, melhor. O documentário que ganhou o Oscar neste ano é construído com artifícios característicos de filmes ficcionais. Instrumentos narrativos que o diretor sueco Malik Bendjelloul sabe aproveitar com propriedade. Seu longa, sua estreia como cineasta, é um exercício de construção de personagem. Um filme que ganha a forma de uma deliciosa caçada pelo fascinante universo em torno de seu protagonista. Um filme que sabe distribuir em pequenas porções as informações sobre sua vida.

Tudo o que se precisa saber sobre Rodriguez, até para despertar o interesse pelo longa, é que o músico, no início dos anos 70, lançou dois discos repletos de melodias folk e letras de forte cunho político – no melhor estilo de Bob Dylan -, mas passou completamente despercebido por crítica e, principalmente, pelo público. O documentário remonta esta história, tentando resgatar um dos maiores talentos da música engajada da época, descobrindo que, no ocaso, o compositor teria protagonizado uma das mortes mais bizarras da história do rock’n’roll.

O filme cruza o Atlântico para mostrar que, ironia do destino, apesar do completo anonimato de Rodriguez nos Estados Unidos, o homem virou uma lenda em outro país, em outro continente, em outra realidade. A pequena obra do homem se transformou talvez na principal voz da resistência num lugar conhecido pela segregação entre brancos e negros. Um lugar – e uma realidade – que ele nunca conheceu. Aliás…

Ao recuperar a história de Rodriguez, Bendjelloul parece lançar um debate, ou pelo menos algumas anotações, sobre como o rock se ergue sobre lendas e mitos. A própria opção por adotar um esquema narrativo ficcional para o documentário conversa com o objeto. No rock’n’roll, a mística em torno de alguns personagens cumpre tanto o papel de verdade quanto os fatos literalmente reais na biografia dos grandes ídolos. No caso de Procurando Sugar Man, fica claro que esta prática não se restringe apenas aos “grandes”, nem aos ídolos. Ainda bem.

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[Searching for Sugar Man, Malik Bendjelloul, 2012]

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Trailer: Faroeste Caboclo

Faroeste Caboclo, de René Sampaio

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Mama

Mama

Se existem grandes contradições em Mama, longa de estreia do argentino Andrés Muschietti, a primeira delas está no fato de que o filme mora num conflito externo à história, uma disputa entre velho e novo. Desde a primeira cena, está claro que o longa, como quase tudo que tem o dedo de Guillermo del Toro, produtor aqui, é uma releitura/homenagem a longas de terror dos anos 70: uma história de fantasmas, com crianças no centro da trama, que namora sem o mínimo pudor com um cinema de baixo orçamento interessado em provocar sustos, reproduzindo inclusive algumas ingenuidades e fragilidades de roteiro dos filmes daquela época.

No entanto, Mama, uma versão anabolizada de um curta de apenas 3 minutos, surge numa época em que o cinema, refletindo a sociedade atual, vive a necessidade de exibir. Mostrar, revelar, apresentar, além do propósito funcional de resolver a trama de um filme, atende às expectativas de um público acostumado com a vida exposta em redes sociais ou em reality shows, com todas as informações a seu alcance depois de alguns segundos em frente ao computador. O espectador de hoje, ao invés do de quatro décadas atrás, não se fascina pela insinuação, não é seduzido mais pela sugestão. Ele precisa ver, não apenas para crer, para satisfazer sua carência visual.

Ao contrário dos filmes de terror que o inspiraram, que até por suas limitações escondiam seus vilões, o longa de Muschietti faz questão de expor sua personagem-título, entregando closes e detalhes de sua anatomia – e de suas transformações físicas – numa mistura de exibicionismo de efeitos visuais com a preocupação de não frustrar o público. O resultado tem algo de conflituoso porque faz o filme perder parte de um elemento essencial ao modelo que ele reproduz: o fascínio pelo desconhecido. Mas Mama, como poucos longas de terror feitos hoje em dia, é um filme de qualidade, com um roteiro sólido – mesmo com buracos e maneirismos aqui e ali – e que cumpre o papel de mexer com o espectador.

A escolha de Jessica Chastain como protagonista já coloca o filme em outro plano. Ela é uma das atrizes americanas mais importantes e respeitadas da cena atual e acerta na composição de uma personagem aparentemente caricata, mas que traduz a principal questão do filme: os limites da maternidade. Muschietti coloca duas mulheres para lutar num ringue de fotografia opaca e cenários pouco iluminados por filhas que não são suas, mas que ambas resolvem adotar. De certa maneira, heroína e vilã assumem a mesma postura de maneiras diferentes, o que gera a segunda grande contradição do filme, uma que desta vez opera a favor do conjunto.

A dicotomia proposta por Muschetti ganha corpo ao longo de Mama e resulta num final poderoso, que cumpre alguns rituais dos filmes clássicos, à medida que conversa com um espectador atual. A cena é tão forte que faz esquecer alguns momentos preguiçosos do roteiro, com soluções mal explicadas para conseguir mover a trama. Mas mesmo estes pequenos pecados dão ao filme um peso diferenciado e reforçam o caráter nostálgico que o diretor propõe. Condição que, por sinal, ganha na macabra trilha sonora de Fernando Velázquez, que coloca crianças e fantasmas cantando juntos, lado a lado, como o universo criado pelo diretor bem pede.

Mama EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Mama, Andrés Muschietti, 2013]

Pra quem se interessar, aqui está Mamá, o curta que inspirou o longa de Andrés Muschietti:

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Trailers: dois filmes de fantasmas

Os filmes de fantasma estão devendo, mas dois especialistas vem aí com novos trabalhos. Guillermo del Toro, de A Espinha do Diabo, produz Mama, de Andrés Muschietti, filme delicioso, que reprisa os longas de terror dos anos 70. Já James Wan, que assinou o ótimo Sobrenatural, vem aí com Invocação do Mal, com Patrick Wilson e Vera Farmiga.

Mama, Andrés Muschietti

Invocação do Mal, James Wan

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