Monthly Archives: dezembro 2012

Top 20: os melhores filmes fora de circuito de 2012

Se mais 300 filmes estrearam em circuito comercial no Brasil ao longo deste 2012, outros tantos não tiveram essa sorte. Muitos chegaram aos festivais de cinema que infestam o país – para o bem e para o mal. Outros não encontraram espaço na programação e forçam lançados diretamente em home video. Como o lugar correto para se assistir a um filme continua sendo o cinema, eis aqui os 20 filmes que eu vi em 2012 que merecem (ou mereceriam) uma chance em circuito. Alguns deles devem estrear em 2013.

Tabu

1 Tabu, Miguel Gomes
2 O Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho
3 A Era Atômica, Héléna Klotz
4 Killer Joe, William Friedkin
5 Margaret, Kenneth Lonergan
6 Uma Vida Simples, Ann Hui
7 O Abrigo, Jeff Nichols
8 Indomável Sonhadora, Benh Zeitlin
9 O Segredo da Cabana, Drew Goddard
10 Boa Sorte, Meu Amor, Daniel Aragão
11 Los Marziano, Ana Kátz
12 A Mulher na Fossa, Marlon Rivera
13 Michael Jackson – Bad 25, Spike Lee
14 Na Neblina, Sergei Loznitsa
15 A Caça, Thomas Vintenberg
16 A Parte dos Anjos, Ken Loach
17 Martha Marcy May Marlene, Sean Durkin
18 Preenchendo o Vazio, Rama Buhrstein
19 Crianças Elétricas, Rebecca Thomas
20 O Que Se Move, Caetano Gotardo

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Top 5: os filmes mais superestimados de 2012

Antes que me joguem pedras, esta lista não é de filmes ruins, mas de decepções. Decepções para mim. Filmes em que eu apostava bastante e que ficaram aquém do esperado. Todos são, de uma maneira ou de outra, amados por muita gente. Entendo, só não concordo tanto assim.

J. Edgar

5 J. Edgar
J. Edgar
Clint Eastwood, 2011

Clint Eastwood tem grandes filmes e longas meia boca. A biografia de J. Edgar Hoover entra nesta segunda lista. O maior desacerto é defender e exaltar um personagem tão complexo, fazendo uma reflexão superficial sobre quem ele foi. E o trabalho de maquiagem desabona qualquer conquista.

Weekend

4 Weekend
Weekend
Andrew Haigh, 2011

Este filme se propõe a ser um filme gay diferente, tentando fugir de estereótipos e lugares comuns. Mas só consegue isso até certo ponto. Embora dê voltas, o filme esbarra nas mesmas concepções e clichês sobre o amor gay, reproduzindo o discurso que parece querer evitar.

Argo

3 Argo
Argo
Ben Affleck, 2011

A aclamação deste filme é algo que eu não entendo. Sim, é um filme bom, tem uma história excelente, atores competentes, mas o modelo é exatamente igual ao que se faz há 40 anos. Ben Affleck não oferece um diferencial sequer. A sequência do avião é animada, mas não deixa o longa mais do que eficiente.

Intocáveis

2 Intocáveis
Intouchables
Eric Toledano & Olivier Nakache, 2011

É realmente louvável que um filme com uma história como esta não recorra à pieguice nem ganhe ares de exemplo de superação. Os diretores conseguiram achar um tom light bem consensual. Mas daí a achar que este é um grande filme, vai longe. É um trabalho bem corretinho.

Moonrise Kingdom

1 Moonrise Kingdom
Moonrise Kingdom
Wes Anderson, 2012

Hipsters e indies, undergrounders e geeks, nerds e puros de coração, este é pra vocês. Eu amo Três é Demais, amo Tenenmbaums, gosto demais de Zissou, mas acho que Moonrise Kingdom não chega a lugar nenhum. De repente, todas as características dos longas de Wes Anderson – e ele é bem fiel a elas – aparecem sob um spotlight gigante. Tudo é levado ao extremo, desde o comportamento blasé dos personagens às cores da fotografia e direção de arte. O que eu sempre gostei nos filmes do diretor começou a me incomodar. Acho que esse abraço ao fake tem sua proposta, mas eu não consegui comprar a ideia. Quem sabe numa revisão?

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Top 10: os piores filmes de 2012

Minha lista de piores do ano sempre passa por filmes pretensiosos, que apostam alto, têm grandes produções ou miram no Oscar. Filmes que se querem importantes, sem ser. Por isso, aqui você não vai encontrar aquele filme terror vagabundo, aquele longa de ação série B, ou a estreia de um popstar como ator. Aqui, o negócio é ruindade com pretensão.

O Lorax

10 O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida
The Lorax
Chris Renaud, Kyle Balda, 2012

Em tempos de Pixar, é inadmissível que uma animação, mesmo que mire num público infantil, seja tão ingênua e simplista. Este filme não apenas subestima as crianças com uma história boba como não oferece uma nuance sequer para o espectador mais velho.

Filha do Mal

9 Filha do Mal
The Devil Inside
William Brent Bell, 2012

Genérico de tudo. Found footage usada para fazer cinema ruim.

Espelho, Espelho Meu

8 Espelho, Espelho Meu
Mirror, Mirror
Tarsem Singh, 2012

Os filmes de Tarsem Singh, apesar de apostarem sempre num excesso visual, geralmente têm um conceito interessante. Nesta comédia, nada funciona além dos figurinos da finada Eiko Ishioka. Melhor ficar com a versão de ação com Kristen Stewart.

W.E.

7 W.E.
W.E.
Madonna, 2011

Se Madonna tivesse feito um filme linear sobre Wallis Simpson, certamente teria tido mais sucesso. Andrea Riseborough é a melhor coisa do filme. Boa atriz, ela é quem sustenta os resquícios de interesse por W.E. até o final. Ou quase. Porque chegar ao final deste filme é uma tarefa bem árdua.

Tão Forte e Tão Perto

6 Tão Forte e Tão Perto
Extremely Loud & Incredibly Close
Stepehn Daldry, 2011

A certa altura, o garoto vivido por Thomas Horn pergunta para um homem que ele não conhece: “você me perdoa?”. O pedido se referia ao que algo que o protagonista havia feito para uma terceira pessoa. Bem difícil comprar tamanho espírito elevado, que busca expiação num estranho.

Histeria

5 Histeria
Hysteria
Tanya Wexler, 2011

O registro é válido, mas um assunto delicado como esse merecia um tratamento, no mínimo, mais sofisticado. A diretora está mais interessada em fazer um filme popular e conduz o longa como se estivesse fazendo piada numa mesa de bar, julgando a postura tanto dos médicos quanto das pacientes.

A Arte da Conquista

4 A Arte da Conquista
The Art of Getting By
Gavin Wiesen, 2011

Wannabe hipster. Mas não consegue.

Histórias Cruzadas

3 Histórias Cruzadas
The Help
Tate Tylor, 2011

Tem todos os elementos pra conquistar o público: procura justiça, faz chorar, é edificante. Mas não sai do superficial. Tate Taylor, em seu segundo longa, não acrescenta nada à discussão, reduzindo seus personagens a estereótipos lineares. Tudo é preto no branco. Falta cor num filme tão colorido.

Cavalo de Guerra

2 Cavalo de Guerra
War Horse
Steven Spielberg, 2011

Sob o pretexto de evocar um cinema hollywoodiano clássico, Spielberg fez seu filme mais brega, mais datado, quase insuportável de tanto xarope. Melodrama é bom, mas precisa ser bom. A fotografia “eoventolevouniana” é sufocante.

Precisamos Falar Sobre o Kevin

1 Precisamos Falar sobre o Kevin
We Need to Talk About kevin
Lynn Ramsey, 2011

Nem Tilda Swinton salva este filme do fracasso completo. A diretora usa todos os subterfúgios que pode para dar à luz este conto moralista sobre culpa, herança e destino. A obsessão com o vermelho chega a ser grosseira.

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Top 5 2012: os guilty pleasures

Eles não têm grandes roteiros, a direção não é exatamente autoral e, em sua maioria, são protagonizados ou por astros decadentes ou por atores em começo de carreira. Mas entre os muitos filmes assumidamente ruins que chegam todos os anos aos cinemas, alguns não apenas se salvam lindamente como proporcionam uma diversão inesperada. São os guilty pleasures. Estes são meus cinco favoritos de 2012:

Os Mercenários 2

1 Os Mercenários 2
The Expendables 2
Simon West, 2012

O segundo capítulo da franquia de ação retrô iniciada dois anos atrás por Sylvester Stallone vai além em todos os sentidos. A entrada de Simon West na direção deixa o filme muito melhor acabado, mais bem dirigido mesmo. Se Os Mercenários basicamente era um filme de ação oitentista feito 25 anos depois, este novo longa parte de um roteiro que tem plena consciência de que é datado e usa essa consciência como proposta. Ao mesmo tempo em que impõe um clima nostálgico e que se autoelogia como clássico, nunca perde a oportunidade de tirar sarro de si mesmo com algumas sacadas de texto geniais. O novo filme repara o pecado do original e coloca Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis no meio da ação. Jean-Claude Van Damme, como um vilão que se chama Vilão – também ganha espaço para executar suas acrobacias com destreza e não há palavras para descrever o tratamento de deus que o filme dá para Chuck Norris. Coisa de macho, macho das antigas.

John Carter

2 John Carter
John Carter
Andrew Stanton, 2012

Como criar um blockbuster de ficção-científica a partir de um livro escrito 100 anos atrás? Andrew Stanton, diretor de Wall-E, em sua estreia em filmes live action, soube equilibrar o respeito à ousadia hoje ingênua dos livros de Edward Rice Burroughs com um acabamento não apenas visual, mas narrativo mesmo. O longa é super elaborado em seus conceitos de ciência, mas guarda diálogos de romance que parecem propositadamente datados. John Carter costura durante suas duas horas esta homenagem a Burroughs à necessidade de fazer um filme palatável para a geração atual.

Branca de Neve e o Caçador

3 Branca de Neve e o Caçador
Snow White and the Huntsman
Rupert Sanders, 2012

De longe, ste é o melhor dos filmes que se prestam a dar credibilidade a contos de fadas. O “realismo” da trama acerta na mistura com a fantasia e, embora Kristen Stewart fique na mesmice de sempre, Charlize Theron – esqueça dela em Prometheus – faz uma das melhores e mais complexas vilãs do ano. Sua personagem é tratada com carinho. Sua história, detalhada sem firulas e os efeitos visuais que a cercam são de encher os olhos.

Battleship

4 Battleship – A Batalha dos Mares
Battleship
Peter Berg, 2012

Antes mesmo de ser lançado, este filme já aparecia nas listas de piores do ano, do cinema, da história. Tudo bobagem. A estreia da popstar Rihanna no cinema – papel pequeno e que importa muito pouco – é um filme divertido, escapista e precisa ser visto como o que realmente é: diversão descerebrada. A cena da “batalha naval” é maravilhosa. Delírio puro.

A Hora da Escuridão

5 A Hora da Escuridão
The Darkest Hour
Chris Gorak, 2012

Filmes de terror/ficção-científica B, o cinema produz todos anos aos montes, mas este que reúne jovens de férias, alienígenas luminosos e uma excursão meio torta por Moscou é divertido pra caramba. A fórmula é simples e batida, mas o filme funciona muito bem pra quem quiser brincar de perseguição.

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Melhores de 2012: votação dos leitores

O Filmes do Chico perguntou aos leitores do blogue, através da fanpage no Facebook, quais foram os melhores de 2012 no cinema. Durante cerca de um mês, vocês puderam votar nos filmes, diretores, atores, atrizes e coadjuvantes curtindo as fotos em álbuns com uma lista de pré-indicados. Valeram apenas filmes lançados em circuito no Brasil. O resultado é este aqui:

Carey Mulligan, Ryan Gosling

filme

1 Drive, Nicolas Winding Refn (73 votos)
2 A Separação, Ashgar Farhadi (52)
3 A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese (51)
4 Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, David Fincher (47)
5 Holy Motors, Leos Carax (41)
6 O Artista, Michel Hazanavicius (40)
7 Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Christopher Nolan (39)
7 Shame, Steve McQueen (39)
9 Intocáveis, Eric Toledano & Olivier Nakache (35)
10 Os Vingadores, Joss Whedon (30)

Drive

direção

1 Nicolas Winding Refn, Drive (42 votos)
2 Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret (34)
3 Ashgar Farhadi, A Separação (30)
4 David Fincher, Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (25)
5 Steve McQueen, Shame (22)

Shame

ator

1 Michael Fassbender, Shame (62 votos)
2 Ryan Gosling, Drive (42)
3 Jean Dujardin, O Artista (33)
4 Denis Lavant, Holy Motors (32)
5 Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais (28)

Precisamos Falar Sobre o Kevin

atriz

1 Tilda Swinton, Precisamos Falar Sobre o Kevin (47 votos)
2 Camila Pitanga, Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (36)
2 Rooney Mara, Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (36)
4 Leila Hatami, A Separação (30)
5 Meryl Streep, A Dama de Ferro (25)

007 - Operação Skyfall

ator coadjuvante

1 Javier Bardem, 007 – Operação Skyfall (34 votos)
2 Michael Fassbender, Prometheus (28)
3 Albert Brooks, Drive (27)
4 Viggo Mortensen, Um Método Perigoso (21)
5 Christoph Waltz, Deus da Carnificina (20)

Shame

atriz coadjuvante

1 Carey Mulligan, Shame (48 votos)
2 Sareh Bayat, A Separação (37)
3 Kate Winslet, Deus da Carnificina (26)
4 Jessica Chastain, Histórias Cruzadas (25)
5 Shailene Woodley, Os Descendentes (23)

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No

No

O chileno Pablo Larraín resolveu correr riscos com No, terceiro longa da trilogia composta também por Post Mortem e Tony Manero. O filme, que retrata os bastidores do plebiscito em que o povo do Chile teve o direito de legitimar ou não o governo do ditador Augusto Pinochet, assumiu uma linguagem visual ousada para uma época em que as imagens em alta definição, mais do que objetivo, são regra na produção audiovisual.

A história do longa, estrelado por Gael García Bernal, se passa em 1988, quando por causa de uma pressão internacional o governo militar chileno se viu obrigado a ter o reconhecimento da população do país. Para tanto, determinou a realização do referendo e dividiu espaço na TV com os partidos de oposição. Mas se a situação política é o cenário para o filme, o foco está nos bastidores da criação das campanhas televisivas em que cada lado tenta ganhar o voto dos eleitores.

Com um farto arquivo em peças publicitárias da época, Larraín resolveu emprestar ao filme o mesmo acabamento visual do material histórico, filmando com câmeras de TV como as que eram utilizadas no fim dos anos 80. O resultado pode parecer incômodo para o espectador, que não dificilmente poderá confundir a falta de qualidade das imagens com uma possível falta de qualidade da própria cópia do filme que assiste.

Mas o preço pago pela falta foco e definição e pelo excesso de granulação em muitas cenas, se mostra pequeno perto da absoluta simbiose entre a dramatização dos eventos e as imagens de arquivo. Esse equilíbrio se reflete no filme como um todo, já que Larraín evita o ranço comum a filmes políticos-históricos, centrando fogo na construção das campanhas publicitárias, que se revelam tão sangrentas quanto os conflitos armados.

É uma das interpretações mais inspiradas de Gael García, que faz o papel de um dos chefes da campanha pelo “não” e evita tanto o clichê de compor um personagem idealista como os maneirismos comuns aos retratos que o cinema costuma fazer dos publicitários. O contraponto entre seu personagem e Alfredo Castro, seu chefe numa agência de propaganda e seu rival na campanha política, é uma das idiossincrasias mais interessantes do filme.

Castro já tinha trabalhado com Larraín nos dois filmes anteriores da trilogia dedicada à ditadura de Pinochet. Neste capítulo final, aplaudido em Cannes e candidato oficial do Chile ao Oscar de filme estrangeiro, o cineasta realiza seu trabalho mais apurado e ambicioso, de uma fluidez impressionante para um filme do gênero, do qual nem a imperfeição plástica intencional pode tirar a beleza.

No EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[No, Pablo Larraín, 2012]

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Três ficções-científicas para 2013

After Earth, M. Night Shyamalan

Oblivion, Joseph Kosinski

Pacific Rim, Guillermo del Toro

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Entre o Amor e a Paixão

Michelle Williams, Seth Rogen, Luke Kirby

Sarah Polley parece acreditar que o amor tem seus dias contados, mas não transforma sua certeza num panfleto em favor da liberdade sexual, muito menos a trata com o peso da culpa, como mostra Entre o Amor e a Paixão. O filme é o registro sincero daqueles que podem ser os últimos dias de um casamento feliz. Dias em que a protagonista parece se conscientizar da mutabilidade dos sentimentos. Dona de uma carreira de quase 30 anos como atriz, a canadense que cresceu em frente às câmera de cinema curiosamente resolveu não interpretar a personagem principal. Michelle Williams foi a escolhida para assumir a protagonista, uma dona de casa que mantém um relacionamento estável com um escritor de livros de culinária e se pega apaixonada pelo vizinho da frente.

O ponto de partida engana. Na melhor tradição de Alejandro Agresti (de A Casa do Lago) e Isabel Coixet (com quem trabalhou em Minha Vida Sem Mim), Polley subverte as regras de histórias como esta (não aponta mocinhos ou vilões; evita estopins e reviravoltas) e reescreve o melodrama clássico com um frescor que parece simples, mas que poucos diretores alcançam dentro do cinema norte-americano. A escalação do comediante Seth Rogen, ótimo, para o papel do marido, é a prova da rebeldia da diretora. O ator traz todo seu repertório de piadas para o personagem, tornando-o irresistível para o público, que entra em conflito já que num filme com essa temática o que se espera é que haja alguém por quem torcer. A decisão equilibra os papéis e humaniza os personagens principais, o que permite com que a cineasta disserte sobre o tema com naturalidade, como consequência do caso a que todos estão sujeitos.

Polley já tinha feito algo parecido com seu longa anterior, Longe Dela, filme que dirigiu e escreveu, e que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de roteiro adaptado. Um trabalho em que ela demonstrou ser capaz de dominar a história de um amor na velhice sem recorrer aos mecanismo simplistas que envolvem filmes com personagens doentes. A melancolia quase sóbria do filme se repete em Entre o Amor e a Paixão. Quase porque o ato final do filme parece ir de encontro a todo o resto. Durante quase todo o longa, a protagonista é movida pela certeza de que sua vida mudou de capítulo, por mais doloroso que possa parecer deixar parte de sua história para trás. Um comportamento que o filme endossa e parece defender, se isentando da busca por culpados. Mas, em determinado momento, Sarah Polley parece aderir à simplificação que evita ao longo do filme, comandando um julgamento silencioso da personagem. Afinal, qual é o problema em fazer um filme romântico?

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Os melhores do ano: votação do leitor

O Filmes do Chico, pela primeira vez, terá a participação do leitor na eleição dos melhores do ano no cinema. E o voto de vocês é importante pra mim. Para participar, basta curtir as fotos dos filmes, diretores, atores e atrizes que vocês mais gostaram na fanpage do blogue no Facebook. Podem votar em quantos vocês quiserem em cada categoria:

Filme do ano  +  Direção  +  Ator  +  Atriz  +  Ator coadjuvante  +  Atriz Coadjuvante

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