Monthly Archives: julho 2012

Até a Eternidade

François Cluzet, Marion Cotillard, Gilles Lelouch, Benoît Magimel, Jean Dujardin, Valerie Bonneton, Pascale Arbillot, Laurent Lafitte

Filmes sobre reuniões de amigos já carregam em si um diferencial em relação aos outros: a temática invariavelmente terá um forte conteúdo emocional. Cabe ao roteiro estabelecer os laços entre os personagens, mas cabe ao espectador decidir se envolver ou não com os dramas paralelos que constroem a trama. Até a Eternidade segue bem a fórmula do ‘filme de amigos’, partindo de um evento traumático para desenhar as relações entre os protagonistas.

A cena de abertura é promissora: um enorme plano-seqüência que apresenta o coadjuvante mais central do filme. É o desfecho desta cena, a única que mostra a tentativa de se se criar algo minimamente novo, que justifica a trama. Durante 154 minutos, o diretor e roterista Guillaume Canet se propõe a colocar em xeque as certezas de cada um dos personagens, assim como as convicções do espectador sobre eles.

O cineasta montou um elenco repleto de estrelas – entre elas sua mulher, Marion Cotillard – e entregou para cada um de seus atores um estereótipo: o homem de negócios durão, a esposa controladora, a solteirona que não consegue engatar uma relação séria, o casado namorador, o bobão, o homem sensível, a mulher submissa. O que vem a seguir é uma sucessão de situações que explora as características de cada um, estabelecendo suas histórias pessoais.

É do atrito entre essas histórias que nasce o motor do filme. A questão é que não existe nada realmente empolgante nesses atritos, que são variações em tom pastel dos conflitos que vemos neste gênero há algumas décadas. E se o roteiro não sai da superficialidade, não mergulha nos dramas, quase todos os atores trabalham no modo funcional, servindo ao que se pede de seu personagem, sem criar nada. O elenco, assim como as pessoas que eles interpretam, parece estar de férias, brincando entre amigos.

A performance de François Cluzet, mas parecido com Dustin Hoffman do que nunca, traz a neurose do personagem para um nível de caricatura, enquanto Benoît Magimel parece estar sempre treinando para atuar como um homem apaixonado e nunca entra em cena de verdade. Do elenco, além de Marion Cotillard, bastante correta, quem mais acerta na composição é a ótima Valérie Bonneton, que transforma o que poderia facilmente se transformar numa personagem clichê no ser humano mais real do filme.

Mesmo com tantas simplificações, o filme fez uma bilheteria volumosa na França, o que explicita que cada espectador compra uma história de um jeito diferente. Mas, para um filme que se propõe administrar conflitos, pouca coisa realmente se movimenta. A virada que conduz à seqüência final, na mesa da praia, é de um maniqueísmo evidente, feita para fazer o espectador chorar com suas ‘verdades doloridas’.  Não fosse o presente que o personagem de Joël Dupuch entrega para o de Jean Dujardin, Até a Eternidade morreria na praia onde os amigos foram passar as férias.

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[Le Petit Mouchoirs, Guillaume Canet, 2010]

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Curta: Dente Siso

O norte-americano Don Hertzfeldt é um dos diretores de animação mais saudados dos últimos anos. Já concorreu ao Oscar e ganhou vários em festivais internacionais. Seus trabalhos, de traços simples, têm roteiros elaborados, ora românticos, ora cruéis. Dente Siso, seu filme de 2010, faz parte desta segunda linhagem e foi exibido na edição deste ano do Anima Mundi. Assista ao filme abaixo. As legendas são em inglês.

Dente Siso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Wisdom Teeth, Don Hertzfeldt, 2010]

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Anima Mundi 2012: Top 10

O Anima Mundi deste ano não me apresentou nenhuma obra-prima, a não ser na sessão com os filmes que ganharam o Oscar, mas deu pra ver vários belos trabalhos. Consegui assistir menos curtas do que eu eu queria, culpa também do apertado cronograma de 5 dias de festival em São Paulo, metade do que aconteceu no Rio.  Nas 6 sessões de filmes novos que eu vi, foram cerca 50 curtas. Fazer o Top 10 não foi muito fácil, mas aí vai.

10 Zombirama EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Zombirama, Ariel López V, Nano Benayón, Argentina, 2012]

Curta de animação argentino de zumbis. Para honrar a tradição política do gênero, a epidemia começa no dia 24 de março de 1976, data em que começou a ditadura no país. Como pode dar errado?

9 Agora Você Já Sabe Mesmo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Nu ken je het toch al, Bastiaan Schravendeel, Holanda, 2012]

Belo exercício sobre a imaginação infantil. Uma garota conta uma história que ela mesma escreveu e seus personagens se materializam e participam da ação.

8 Casa Grande
[Suur Maja, Kristjan Holm, Estônia, 2012]

Os traços simples que misturam técnicas de desenho em papel transformam cenas do cotidiano de um prédio numa história policial, com uma trilha percussiva que marca toda ação.

7 Gordura EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Fat, Yohann Auroux Bernard, Gary Fouchy, Sébastien de Oliveira Bispo, França, 2012]

A liberdade de não precisar explicar. Os animais de uma fazenda ficam gordos e flutuam de uma hora pra outra. O fazendeiro tem que se adaptar à nova situação. O humor nasce do bizarro.

6 Pythagasaurus EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Pythagasaurus, Peter Peake, Grã-Bretanha, 2012]

O vulcão vai explodir, hora de recorrer à ajuda do dinossauro matemático. O desenho infantil dos personagens funciona bem com as intervenções visuais.

5 Zing EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Zing, Kyra Buschor, Cynthia Collins, Alemanha, 2012]

Colocar fim a vida é o trabalho do Sr. Grimm, que mora numa casa que funciona como uma máquina de matar. Até que surge uma pequena heroína em busca de seu bichano. Releitura de mitos.

4 Rosette EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Rosette, Romain Borrel, Gaël Falzowski, Benjamin Rabaste, Vincent Tonelli, França, 2012]

Este curta-alucinação mostra como podemos nos tornar reféns de nossas próprias visões do futuro. A transformação gradual num filme de terror é deliciosa.

3 Itsihitanantsu EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Itsihitanantsu, Natalia Ryss, Rússia, 2012]

O trabalho de animação mais original deste ano, que mistura pintura e recortes, para contar uma história macabra sobre se render a velhas lendas. Embora dure mais do que deveria, tem momentos assustadores.

2 Dente Siso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Wisdom Teeth, Don Hertzfeldt, EUA, 2012]

Don Hertzfeldt continua acertando em cheio. O traço é o mais básico de todos, mas é com essa  simplicidade que ele investiga a crueldade do homem. Um filme cruel.

1 Cadáver EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Cadaver, Jonah D. Ansell, EUA, 2012]

O homem morreu, mas não teve chance de dizer adeus à esposa. Quando ele volta para para se despedir descobre que a vida esconde segredos e que a morte não é necessariamente um fim.

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Anima Mundi 2012: Think Oscar

Le Maison en Petit Cubes, The Danish Poet, Father and Daughter, Frank Film, Bob's Birthday, The Lost Thing

O Anima Mundi deste ano trouxe em sua programação uma novidade, a seleção Think Oscar, que apresentou filmes que ganharam, foram indicados ou “deveriam ter sido indicados” ao prêmio da Academia. A sessão com títulos premiados com a estatueta apresentou seis destas pérolas.

O Aniversário de Bob EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Bob's Birthday, David Fine e Alison Snowden, 1993]

O traço é o mais simples que poderia existir, mas o texto é de uma inteligência que poucos conseguiriam reprisar. O aniversário de Bob se transforma numa pensata sobre casamento, filhos, vida. Seus questionamentos surgem mergulhados num humor e num jeito tipicamente britânico de encarar o mundo.

Frank Film EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Frank Film, Frank Mouris e Caroline Mouris, 1973]

Esta é uma experiência com recortes e colagens que certamente influenciou muitos dos trabalhos feitos nesta área desde então, inclusive as brincadeiras visuais nos filmes de Jorge Furtado. Apesar de ter sido feito há quase 40 anos, é mais ousado e bem resolvido do que muitos de seus “filhotes”. O diretor Frank Mouris também dá voz ao longa, num refinado trabalho de som, em duas narrações paralelas e simultâneas, cheias de ruídos, que contam sua autobiografia ao mesmo tempo em que explicam e justificam este trabalho.

Pai e Filha EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Father and Daughter, Michael Dudok de Wit, 2000]

O lirismo de Pai e Filha nasce de sua simplicidade. O traço ingênuo é refinado, mas econômico. A história, como tantas outras, se revela na forma de um looping crescente, mas sem pressa, explorando a delicadeza dos detalhes. O belo desfecho transita entre explicações mágicas e soluções simples, mas resolve a saudade de uma vida inteira.

O Poeta Dinamarquês EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Danish Poet, Torill Kove, 2006]

Se de um lado há uma melancolia digna de um filme de Wes Anderson, do outro sobram sarcasmo e ironia nos detalhes desta animação de traços simples cujo estilo lembra as aventuras de Doug Funny. Torill Kove parte do particular para ser universal, transformando uma história de família num conto que envolve uma dezena de personagens. Como as tranças no cabelo da personagem, o roteiro entrelaça todas as pontas num final surpreedente.

A Coisa Perdida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Lost Thing, Andrew Ruhemann, Shaun Tan, 2010]

A liberdade que os filmes de animação têm de apresentar ideias que não precisam explicar tem um bom exemplo aqui. A “coisa perdida” está sem rumo e tudo o que o protagonista precisa é devolvê-la para seu lugar. Os diretores criam um ambiente retrô-futurista que casa com a melancolia da trilha sonora e com a falta de perspectivas da história.

A Casa em Pequenos Cubos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[La Maison en Petit Cubes/Tsumiki no ie, Kunio Katô, 2008]

Este filme desmonta qualquer ser humano. O protagonista é um personagem solitário que visitas as memórias que o tempo afogou. Sem palavras, o japonês Kunio Katô usa direção de arte e trilha, ambas belíssimas, para promover sua viagem triste, mas afetuosa na vida do homem, transformando cada “cubo” da casa num flashback. Um roteiro brilhante, um filme lindo.

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Trailer: Cloud, Atlas

Os irmãos Wachowski, da trilogia Matrix, saíram do limbo e se juntaram a Tom Tykwer, de Corra, Lola, Corra para a superprodução com toques esotéricos e futuristas Cloud Atlas. O primeiro trailer tem quase 6 minutos e lembra, cruzes, Fonte da Vida, do Darren Aronofsky.

O filme tem no elenco Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Sturgees, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Susan Sarandon, James D’Arcy e Ben Whishaw, entre muitos outros. A estreia está prometida para 26 de outubro nos EUA. No Brasil, 21 de dezembro.

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Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Christian Bale, Tom Hardy

A tela é enorme. Mesmo assim, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge mal cabe nela. O filme que supostamente encerra a trilogia dirigida por Christopher Nolan sobre o herói mascarado metaboliza a grandiosidade do capítulo anterior da saga. Tudo o que já era grande no longa de 2008 agora parece imenso. Um gigantismo que se estende pelo trabalho de câmera, segue pelos cenários e efeitos visuais e do qual não escapa nem a barulhenta trilha sonora ou a edição de som. Tudo milimetricamente planejado para criar o filme mais importante de todos os tempos.

Nolan sabe que Batman é um personagem trágico e se utiliza dessa natureza para narrar sua história em tom operístico. Nada tão monumental quanto uma ópera para dar conta de toda a violência visual de uma jornada como a de Bruce Wayne. O novo filme se passa oito anos depois dos eventos do filme anterior, mas rouba dele o tom hiperbólico e a fórmula utilizada para iniciar os trabalhos: o grande vilão da vez se revela ao final de uma longa e imponente seqüência de abertura, realizada com uma competência do tamanho de sua megalomania visual.

Impacto inicial garantido, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge vai resolver sua vida, reapresentando personagens em novas situações e introduzindo novos rostos à história, que rapidamente toma forma, colocando Bane como o principal oponente do herói. O vilão, que aparece reduzido a um brutamontes em Batman & Robin, de Joel Schumacher, retoma o caráter filosófico dos quadrinhos, embora tenha sua origem bastante transformada como enxerto para a espinha dorsal do filme. Tom Hardy, mesmo sem revelar o rosto por trás de uma máscara, está excelente. E com o corpo transfigurado. O trabalho de câmera o transforma num gigante.

Assim como Hardy, Marion Cotillard e Joseph Gordon-Levitt são acréscimos valorosos ao elenco. Ambos vieram de A Origem, mutação secundária de filme de super-heróis que Nolan dirigiu entre os dois Batmans, e entregam personagens discretos, mas com participações fundamentais à trama, que muitas vezes se assume como novelão com direito a reviravoltas e revelações tratadas com a mesma intensidade que Nolan aplica do resto do filme. Contrariando os prognósticos, quem se sai melhor é Anne Hathaway, que administra com proeza o caráter dúbio de Selina Kyle, nunca nomeada de Mulher-Gato no filme, e que ganha do roteiro um tratamento privilegiado.

E Christian Bale, quem diria?, cresceu como ator. A experiência em O Vencedor, seu melhor papel, fez a canastrice dar lugar a um intérprete correto, que agora já não faz feio ao lado de Gary Oldman, Morgan Freeman ou Michael Caine, cujo Alfred perde um pouco pela necessidade do roteiro de criar cenas sentimentais o envolvendo, ao contrário da delicadeza e discrição que envolviam o personagens nos dois primeiros filmes da série.

Há pelo menos dois momentos muito incômodos no roteiro: a cena em que o vilão revela seus planos e consegue adeptos, um clássico das HQs que poderia ter sido preterido aqui em prol da verossimilhança que Nolan tanto busca, e toda a seqüência da prisão, que apesar de servir à história do filme, parte de um pressuposto tão mal-amanhado e que dá ao herói uma “lição” tão ingênua quanto seu didatismo. Com direito a fantasminha e tudo. No entanto, o filme mais acerta do que erra. O exagero que vem em doses cavalares e domina o conjunto ganha uma execução mais do que satisfatória.

A seqüência da tomada de Gotham City, que começa com a impressionante cena de explosão já revelada no trailer e instala o caos na cidade, é exemplar, ripando boas ideias de filmes B sobre futuros pós-apocalípticos. O filme amarra as pontas da história do Batman, faz as pazes com os fãs que sentiam falta de alguns personagens, cria um desfecho que, para o bem ou para o mal, resolve a vida de todo mundo, deixando pontas que podem ou não ser aproveitadas em eventuais novos capítulos. A saga termina coerente. E Christopher Nolan pode ficar certo de que fez o filme mais importante de todos os tempos. Pelo menos na quantidade de barulho que ele deve causar.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Dark Knight Rises, Christopher Nolan, 2012]

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Margaret

Anna Paquin, Mark Ruffalo, J. Smith-Cameron, Matt Damon, Jennie Berlin

Margaret quase morreu na ilha de edição. Depois que foi rodado, o filme empacou em disputas judiciais entre financiadores, estúdio, produtores e o diretor. O processo de edição se estendeu por dois anos. A versão que chegou aos cinemas, com 150 minutos, nem é a planejada por Kenneth Lonergan. Tem 36 minutos a menos. Um imbroglio que quase nos privou de um filme raro, em que nenhum personagem ou situação se resolve na primeira camada.

A estrutura do longa-metragem, embora não se revele tão claramente assim, é cíclica. A cada rodada, descobrimos uma nova característica da protagonista e a imagem que temos dela vai se transformando à medida em que surgem novos elementos em seu cotidiano. Lisa Cohen nos surge como uma adolescente típica que mora em Nova York com o irmão pequeno e a mãe, uma atriz de teatro, para depois revelar um comportamento obsessivo.

É uma das mais elaboradas construções de personagem que apareceram nos últimos tempos. Anna Paquin, na melhor performance de sua carreira, consegue transitar por todos os humores e facetas da protagonista. O que move Lisa – e a trama do filme – é um acidente de trânsito, no qual ela teve uma participação involuntária e que se torna uma ferida da qual ela não consegue se livrar e, mais tarde, uma desculpa para muitas  de suas ações.

A cena do acidente é brilhante, de um impacto devastador, sobretudo graças à interpretação dificílima de Allison Janney. O elenco de apoio, por sinal, tem vários atores em momentos inspirados, como Mark Ruffalo, Jeannie Berlin e, principalmente, J. Smith-Cameron, que vive a mãe – e uma das questões mais abertas – da personagem principal.

Lonergan relativiza os objetivos e motivações de Lisa, cujo papel de heroína ganha contextos tão complexos quanto sua personalidade, que só vem à tona explicitamente nos debates em sala de aula que servem de metáfora para todo o filme. A busca de Lisa por “justiça” tem um caráter tão ou mais interno do que externo.

Nada é fechado em Margaret. Nenhuma leitura é fácil ou se resolve no objeto inicial. Todas os diálogos têm ruídos. Muitas frases nem se completam, com um personagem falando por cima do outro, o que torna as conversas muito mais verossímeis em vez da marcação usual.  Talvez essa “poluição” talvez reflita a tumultuada história do filme. Certamente reverbera a personagem mais complexa que o cinema norte-americano pariu recentemente.

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[Margaret, Kenneth Lonergan, 2011]

 

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Armadilha

Brian Geraghty, Alice Eve, Josh Peck

Uma grande ideia nem sempre resulta num grande filme. Chris Sparling teve uma das boas há dois anos, quando imaginou um longa totalmente passado dentro de um caixão. Enterrado Vivo, dirigido por Rodrigo Cortés, é um belo exemplo de como um ponto de partida forte pode ter fôlego para se estender por 95 minutos de filme, sem recorrer a elementos externos e, ainda assim, manter a forma ágil e inteligente. O roteiro recebeu elogios e os elogios se converteram em indicações e prêmios. Sparling, em estado de graça, elegeu esse modelo de filme como seu.

Dois anos depois, o roteirista assina Armadilha, longa dirigido pelo estreante David Brooks. A fórmula é a mesma de seu texto mais conhecido, com algumas pequenas modificações que fazem uma monstruosa diferença. O caixão foi substituído por um caixa eletrônico, mas ao contrário do filme anterior, mais conceitual, a ação aqui não se limita a uma só locação. Existe uma grande seqüência de abertura que leva os personagens até seu destino. Por sinal, é a parte mais bem resolvida do filme, já que permite que explorar perfis e iniciar conflitos.

O efeito do surgimento do vilão, que desta vez aparece em carne e osso, não dura muito. Se Enterrado Vivo explorava ao máximo o cenário, criando nuances diferentes para cada mudança de iluminação, fazendo da montagem, linguagem, o novo filme abre o foco para dar conta de todos os personagens e enfraquece a proposta. Com a obrigação de seguir tanta gente, o caixa eletrônico, que deveria ser começo, meio e fim da história, fica invisível na trama. O excesso de pontas minimiza a claustrofobia do cenário “único” e o roteiro passa a recorrer a soluções manjadas demais – ou ruins mesmo – para os destinos dos personagens. Uma ideia reprisada nem sempre reprisa um bom filme.

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[ATM, David Brooks, 2012]

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Valente

Brenda Chapman, Mark Andrews

O diferencial das animações da Pixar diante dos filmes de outros estúdios sempre foi além da computação gráfica: estava no acabamento dos roteiros, no tratamento mais tridimensional dos personagens, na profundidade dos contextos e diálogos. Sem deméritos às animações tradicionais, mas quando a Pixar lançou seu primeiro longa-metragem, Toy Story, em 1995, inaugurou uma maneira mais elaborada de se fazer filmes animados, com inteligência, sem subestimar a capacidade de interpretação da criança, alvo principal do gênero.

Ainda que os resultados tenham tido altos e baixos ao longo dos anos, o resultado sempre esteve acima da média e as incursões do estúdio – até agora – sempre mantiveram uma linha, a de renovar a tradição. Por isso, Valente inaugura um novo capítulo para a Pixar, que segue os caminhos da matriarca Disney,  utilizando uma de suas fórmulas de maior sucesso, a do filme de princesa. Merida, como tantas outras herdeiras do estúdio do Mickey, tem um quê de rebelde, mas a história que vemos na tela é, em sua maior parte, bem tradicional.

A escolha dos diretores parece indicar aonde se pretende chegar com o filme. Mark Andrews é um estreante em longas e Brenda Chapman só assinou a animação religiosa O Príncipe do Egito. Isso há 14 anos. Não era Disney, mas seguia o mesmo formulário. A história da princesa Merida reprisa muitas das regras do sub-gênero, com uma história simples, uma penca de coadjuvantes engraçadinhos, com destaque para os trigêmeos, e um vilão poderoso, o urso Mudru. À primeira vista, nada muito fora do padrão.

Mas, se a Disney dá as cartas com seus momentos-canção e seu humor inocente, a Pixar aparece nas entrelinhas, mantendo uma tradição que é sua, a de trazer algo de novo. O água-com-açúcar sempre esconde elementos interessantes, como o próprio perfil da protagonista. Merida, ao contrário de outras heroínas da Disney, não está à espera de seu príncipe encantado. Ela é muito bem resolvida em seu desleixo adolescente que pode ter ou não indicações de uma orientação sexual diferente da de praxe, com uma princesa que adora arco-e-flecha, cavalga com destreza e se importa bem pouco com sua aparência.

Os cabelos desgrenhados não são os únicos indícios de que esta é uma história diferente. O feitiço que determina a transformação de sua relação com a mãe embora materialize um perfil maternal bastante clássico, o que pode parecer uma metáfora óbvia, também é de uma ousadia notável. A figura da rainha boa é  quase imaculada nas animações, mas aqui existe uma permissividade para se brincar com esse papel – e muitas vezes o tom é de balbúrdia. É quase incômodo. Essa “falta de respeito” dá ao filme uma  conotação de releitura diante do clássico. A trama se resolve, mas muito fica em aberto, sem se resolver pela menos da maneira mais tradicional. Para um filme da Pixar, um passo tímido. Para um filme da Disney, uma pequena revolução.

Valente EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Brave, Brenda Chapman e Mark Andrews, 2012]

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Trailer: Superman, o Homem de Aço

Superman – O Homem de Aço só estreia em 2013, mas os primeiros teaser já indicam o tom do filme. São dois, que foram vistos pela primeira vez, neste mês, na Comic Con. Este aqui é narrado por Kevin Costner, que viverá Jonathan Kent, o pai de Clark na Terra. A direção é de Zack Snyder.

O filme está programado para estrear no Brasil no dia 14 de junho. O elenco trará ainda Henry Cavill (Superman), Amy Adams (Lois Lane), Russell Crowe (Jor-El), Diane Lane (Martha Kent), Michael Shannon (General Zod), Christopher Meloni (Colonel Hardy), Laurence Fishburne (Perry White), Jadin Gould (Lana Lang) e Ayelet Zurer (Lara Lor-Van).

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