Monthly Archives: abril 2012

O Mágico de Oz

The Wizard of Oz, Larry Semon, 1925

Foi uma imensa surpresa descobrir essa adaptação de O Mágico de Oz, de 1925. Não fazia ideia de que o filme existia. Apesar de baseado na mesma série de livros que inspirou o clássico de Victor Fleming, este longa, assinado pelo comediante Larry Semon, segue um caminho completamente diferente: o da comédia de gags. A fantasia nunca é assumida completamente pelo roteiro, transformando o Leão, o Espantalho e o Homem de Lata em disfarces para os personagens do filme. Dorothy é a princesa perdida da Terra de Oz. Mora no Kansas, como do longa de Fleming, mas as semelhanças param por aí.

O resto é um veículo para Semon desfilar seu talento pelo humor que ganhou notoriedade com Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd. E ele é bom. Tem cenas simples e engraçadíssimas. Os efeitos especiais, de um enxame de abelhas à tempestade que leva os personagens a Oz, são impressionantes, mas parece que o filme levou a produtora à falência. O que mais entristece é que se trata de um trabalho bem bonito. Merecia não ficar à sombra do clássico feito 14 anos depois. Muito menos ter sido esquecido com o tempo. Oliver Hardy, da dupla O Gordo e o Magro, tem um dos principais papéis.

O Mágico de Oz EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Wizard of Oz, Larry Semon, 1925]

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Uma Página de Loucuras

Teinosuke Kinugasa

Uma Página de Loucuras passou meio século perdido. O próprio diretor, que assinou 104 títulos num período de 40 anos, o encontrou num galpão, esquecido. Imagino que tenha sido uma das maiores descobertas da história do cinema. Numa época em que os olhos do mundo ainda ignoravam o cinema japonês, Teinosuke Kinugasa fez o que parece ser o filme definitivo sobre a insanidade, dotado de uma modernidade de linguagem que impressiona até hoje. Não por causa de um personagem ou de uma história, mas da forma que o diretor encontrou para traduzir a loucura.

A história acompanha um homem que entra disfarçado num hospício para tentar tirar a esposa, que está internada no local. A fotografia e a montagem alucinantes desmontam os sentidos do espectador e introduzem um estado de permissividade completa, de liberdade espiritual, algo que só se pode chegar quando se abstrai a consciência. A seqüência de dança que abre o filme é deslumbrante. O longa tem apenas uma hora, mas é devastador. Eu nunca canso de me impressionar com o cinema. Acabei de ver uma obra-prima.

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[Kurutta ippêji, Teinosuke Kinugasa, 1926]

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