Monthly Archives: fevereiro 2012

Oscar 2013: primeiro round

O ano mal começou, mas nomes e temas já podem dar uma pista sobre quem iremos ver no ??? Theatre em fevereiro do ano que vem. Então, essas são minhas primeiras apostas para o Oscar 2013.

filme

Argo, Ben Affleck
The Dark Knight Rises, Christopher Nolan
The Great Gatsby, Baz Luhrmman
The Hobbit: An Unexpected Journey, Peter Jackson
Hyde Park on Hudson, Roger Michell
Life of Pi, Ang Lee
Lincoln, Steven Spielberg
The Master, Paul Thomas Anderson
Les Misérables, Tom Hooper
Moonrise Kingdom, Wes Anderson

direção

Ang Lee, Life of Pi
Paul Thomas Anderson, The Master
Peter Jackson, The Hobbit: An Unexpected Journey
Steven Spielberg, Lincoln
Wes Anderson, Moonrise Kingdom

ator

Bill Murray – Hyde Park on Hudson
Clint Eastwood – Trouble With the Curve
Daniel Day-Lewis – Lincoln
Philip Seymour-Hoffman – The Master
Sean Penn – Gangster Squad

atriz

Helen Hunt, The Surrogate
Julianne Moore, What Maisie Knew
Keira Knightley, Anna Karenina
Laura Linney, Hyde Park on Hudson
Viola Davis, Won’t Back Down

ator coadjuvante

Andy Garcia, Hemingway & Fuentes
Joaquin Phoenix, The Master
Jude Law, Anna Karenina
Tom Hardy, The Dark Knight Rises
Tommy Lee Jones, Lincoln

atriz coadjuvante

Carey Mulligan, The Great Gatsby
Helena Bonham Carter, Great Expectations
Kerry Washington, Django Unchained
Sally Field, Lincoln
Tilda Swinton, Moonrise Kingdom

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Oscar 2012: a noite em que o cinema foi o vencedor

Jean Dujardin
 

Jude Law, Martin Scorsese, Asa Butterfield
 

Berenice Bejo, Jean Dujardin, O Artista

Os resultados podem não ter sido aqueles que todos queriam, mas uma coisa é certa: fazia tempo que acompanhar a festa do Oscar não era tão divertido. Existiam duelos nas 4 categorias principais e, por isso, a expectativa estava em alta e as torcidas, acirradas. A vitória de O Artista como melhor filme já parecia anunciada há algum tempo. O filme levou os prêmios dos sindicatos de produtores e diretores, ganhou o BAFTA e o Critics Choice e mais uma pá de láureas. Mas, no último momento, A Invenção de Hugo Cabret, que não tinha tido grandes vitórias na temporada, mas era o filme com o maior número de indicações, cresceu violentamente.

Como a festa começou com a entrega de prêmios técnicos, e Hugo ganhou alguns deles, inclusive quando nem era favorito, o cenário que parecia se desenhar era de uma inversão nos prognósticos. Até metade da cerimônia, O Artista só tinha ganho na categoria de figurinos, e o longa assinado por Martin Scorsese já tinha 4 prêmios. Ainda ganhou mais um, mas estancou nos quesitos técnicos. O filme francês venceu em trilha sonora e, na reta final, emplacou três dos Oscars principais, inclusive melhor diretor e melhor filme. Mas este texto nem é sobre duelos porque, na noite deste domingo, o verdadeiro vencedor foi outro.

Os dois principais candidatos da noite são duas belas homenagens ao cinema. Mais especificamente ao princípio do cinema, à arte de fazer filmes. E, mesmo que se tenha um favorito, contabilizar 10 dos 20 prêmios destinados a longas de ficção para filmes que têm essa proposta é bastante salutar. São, antes de qualquer coisa, prêmios de amor à profissão. O Artista é um filme francês, rodado em Hollywood sobre a história de Hollywood. Hugo é uma fantasia que faz um ajuste de contas com um dos pioneiros do cinema. Os dois, filmes bonitos e imperfeitos, que pecam ou por uma ingenuidade calculada, ou por uma esquematismo industrial. Dois filmes que se declaram apaixonados por tudo o que veio antes deles.

Eu torci pela simplicidade de O Artista, mas eu não ficaria incomodado se a materialização da grande paixão de Martin Scorsese tivesse sido vitoriosa na categoria principal. Com candidatos como estes, quem ganha é o cinema.

Meryl Streep
 

Christopher Plummer
 

Octavia Spencer

OS ATORES

Pela primeira vez na história de minhas apostas ao Oscar, consegui acertar todas as 8 categorias consideradas principais: filme, direção, atores e roteiros. E desta vez os dois quesitos dedicados aos protagonistas tinham brigas boas. Jean Dujardin terminou reconhecido por sua performance inspirada em O Artista, onde emula os atores mudos com uma inteligência corporal digna de nota. Até o momento final, George Clooney parecia ter chances por sua interpretação sóbria em Os Descendentes, que terminou vencendo apenas pelo roteiro adaptado.

O momento mais explosivo da noite foi a vitória de Meryl Streep por sua Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Depois de um jejum de 29 anos, a maior atriz do cinema americano ganhou reconhecimento da Academia, mas precisou seguir algumas regras como viver uma figura histórica e usar quilos de maquiagem. O filme não é dos melhores, mas Meryl, sobretudo quando interpreta uma senhora idosa, está brilhante. Mesmo quando beira a caricatura, nas cenas de Thatcher no poder, é uma grande atriz. Viola Davis de Histórias Cruzadas, sua principal concorrente, não teve forças diante desse “Oscar bait” de Streep. Melhor, Viola é uma boa atriz, mas este filme é bem fraco.

Para que o filme não saísse de mãos vazias, a Academia seguiu as premiações prévias e deu a Octavia Spencer o Oscar de atriz coadjuvante. Talvez tenha sido a estatueta mais óbvia da noite, já que nenhuma de suas adversárias teve apoio do buzz. A performance é correta, mas segue uma fórmula fácil. Era uma das candidatas menos interessantes. Nenhuma surpresa também entre os atores coadjuvantes. Ganhou Christopher Plummer por Toda Forma de Amor, numa clara premiação pelo conjunto da obra, já que Plummer, aos 82 anos, nunca havia sido reconhecido como grande ator que não é. Pelo menos está simpático e faz um personagem corajoso no conceito.

Max Von Sydow, cuja indicação foi no susto já que ele passou despercebido pela temporada de prêmios, mesma idade de Plummer, era o único que tinha chances por Tão Forte e Tão Perto, mas ficou para uma próxima (vida, alguns diriam). Nem seria certo que um grande ator como Von Sydow fosse lembrado por um filme tão medíocre.

Woody Allen, Owen Wilson, Marion Cotillard
 

Rooney Mara
 

George Clooney

PREVIAMENTE ANUNCIADOS

Embora fosse natural que o favorito ao prêmio de melhor filme também fosse o preferido na categoria de roteiro, O Artista, mesmo nunca se esquecendo de suas chances, sempre foi preterido nas apostas por Meia-Noite em Paris, do Woody Allen. O favoritismo de Allen se manteve aqui e ele, pela quarta vez, ganhou um Oscar e não foi buscar. Por sinal, esta foi a primeira vez desde que Menina de Ouro, em 2005, venceu o Oscar que o filme eleito na categoria principal não tem o roteiro premiado.

Outra certeza da noite era a vitória de Rango como longa de animação. Depois que a Academia esnobou As Aventuras de Tintim, o filme de Gore Verbinski ficou sem concorrentes. Mesmo com as estatísticas que não favorecem os favoritos em filme estrangeiro (veja A Fita Branca, por exemplo), A Separação, que ganhou praticamente todos os prêmios do ano nesta categoria, parece nunca ter sentido a presença de adversários. Um prêmio merecidíssimo para o longa iraniano, um dos melhores do ano.

Nas categorias técnicas é que, muitas vezes, o Oscar surpreendeu. A Invenção de Hugo Cabret roubou o Oscar de fotografia que parecia ser de A Árvore da Vida, que merecia muito mais o prêmio, e ganhou também no quesito efeitos visuais, onde o favorito era Planeta dos Macacos: A Origem. O filme de Scorsese ainda levou os dois Oscars de som, onde muita gente apostava em sua vitória, e de direção de arte, em que era uma barbada. Mas nenhuma surpresa foi maior do que em montagem, onde a dupla de editores de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, levou seu segundo Oscar consecutivo. Em 2011, eles já haviam ganho por A Rede Social, do mesmo David Fincher.

O Artista, cotado para este prêmio, terminou reconhecido pelos figurinos, onde a tradição é quem privilegiar roupas de épocas bem mais remotas do que os anos 20 e 30, e pela trilha sonora deliciosa, que era a favorita mesmo, e derrubou por duas vezes o John Williams. A Dama de Ferro ganhou merecidamente em maquiagem, um trabalho delicadíssimo e preciso, o que deixou a série inteira de Harry Potter sem um único Oscar. No mundo, deve ter sido a derrota mais lamentada, mas no Brasil a categoria mais esperada foi outra, melhor canção. Carlinhos Brown e Sergio Mendes perderam para os Muppets. E mereceram perder. “Real in Rio” é um sambista para exportação que não fede nem cheira. “Man or Muppet” era bem melhor. E de importância fundamental para a história do filme. Mas só com um sistema de votação cada vez mais estranho e apenas duas indicadas, talvez já seja a hora de por fim a esta categoria.

OS VENCEDORES

filme: O Artista
direção: Michel Hazanavicius, O Artista
ator: Jean Dujardin, O Artista
atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro
ator coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
atriz coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
roteiro original: Meia-Noite em Paris
roteiro adaptado: Os Descendentes
filme estrangeiro: A Separação
filme de animação: Rango
fotografia: A Invenção de Hugo Cabret
montagem: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
direção de arte: A Invenção de Hugo Cabret
figurinos: O Artista
maquiagem: A Dama de Ferro
trilha sonora: O Artista
canção: “Man or Muppet”, Os Muppets
mixagem de som: A Invenção de Hugo Cabret
edição de som: A Invenção de Hugo Cabret
efeitos visuais: A Invenção de Hugo Cabret
documentário: Undefeated
curta de ação: The Shore
curta de animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
curta documentário: Saving Faces

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Oscar 2012: os vencedores

Jean Dujardin
Jude Law, Martin Scorsese, Asa Butterfield
Berenice Bejo, Jean Dujardin, O Artista

Os resultados podem não ter sido aqueles que todos queriam, mas uma coisa é certa: fazia tempo que acompanhar a festa do Oscar não era tão divertido. Existiam duelos nas 4 categorias principais e, por isso, a expectativa estava em alta e as torcidas, acirradas. A vitória de O Artista como melhor filme já parecia anunciada há algum tempo. O filme levou os prêmios dos sindicatos de produtores e diretores, ganhou o BAFTA e o Critics Choice e mais uma pá de láureas. Mas, no último momento, A Invenção de Hugo Cabret, que não tinha tido grandes vitórias na temporada, mas era o filme com o maior número de indicações, cresceu violentamente.

Como a festa começou com a entrega de prêmios técnicos, e Hugo ganhou alguns deles, inclusive quando nem era favorito, o cenário que parecia se desenhar era de uma inversão nos prognósticos. Até metade da cerimônia, O Artista só tinha ganho na categoria de figurinos, e o longa assinado por Martin Scorsese já tinha 4 prêmios. Ainda ganhou mais um, mas estancou nos quesitos técnicos. O filme francês venceu em trilha sonora e, na reta final, emplacou três dos Oscars principais, inclusive melhor diretor e melhor filme. Mas este texto nem é sobre duelos porque, na noite deste domingo, o verdadeiro vencedor foi outro. Os dois principais candidatos da noite são duas belas homenagens ao cinema. Mais especificamente ao princípio do cinema, à arte de fazer filmes. E, mesmo que se tenha um favorito, contabilizar 10 dos 20 prêmios destinados a longas de ficção para filmes que têm essa proposta é bastante salutar. São, antes de qualquer coisa, prêmios de amor à profissão. O Artista é um filme francês, rodado em Hollywood sobre a história de Hollywood. Hugo é uma fantasia que faz um ajuste de contas com um dos pioneiros do cinema. Os dois, filmes bonitos e imperfeitos, que pecam ou por uma ingenuidade calculada, ou por uma esquematismo industrial. Dois filmes que se declaram apaixonados por tudo o que veio antes deles.

Eu torci pela simplicidade de O Artista, mas eu não ficaria incomodado se a materialização da grande paixão de Martin Scorsese tivesse sido vitoriosa na categoria principal. Com candidatos como estes, quem ganha é o cinema.

Meryl Streep
Christopher Plummer
Octavia Spencer

OS ATORES

Pela primeira vez na história de minhas apostas ao Oscar, consegui acertar todas as 8 categorias consideradas principais: filme, direção, atores e roteiros. E desta vez os dois quesitos dedicados aos protagonistas tinham brigas boas. Jean Dujardin terminou reconhecido por sua performance inspirada em O Artista, onde emula os atores mudos com uma inteligência corporal digna de nota. Até o momento final, George Clooney parecia ter chances por sua interpretação sóbria em Os Descendentes, que terminou vencendo apenas pelo roteiro adaptado.

O momento mais explosivo da noite foi a vitória de Meryl Streep por sua Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Depois de um jejum de 29 anos, a maior atriz do cinema americano ganhou reconhecimento da Academia, mas precisou seguir algumas regras como viver uma figura histórica e usar quilos de maquiagem. O filme não é dos melhores, mas Meryl, sobretudo quando interpreta uma senhora idosa, está brilhante. Mesmo quando beira a caricatura, nas cenas de Thatcher no poder, é uma grande atriz. Viola Davis de Histórias Cruzadas, sua principal concorrente, não teve forças diante desse “Oscar bait” de Streep. Melhor, Viola é uma boa atriz, mas este filme é bem fraco.

Para que o filme não saísse de mãos vazias, a Academia seguiu as premiações prévias e deu a Octavia Spencer o Oscar de atriz coadjuvante. Talvez tenha sido a estatueta mais óbvia da noite, já que nenhuma de suas adversárias teve apoio do buzz. A performance é correta, mas segue uma fórmula fácil. Era uma das candidatas menos interessantes. Nenhuma surpresa também entre os atores coadjuvantes. Ganhou Christopher Plummer por Toda Forma de Amor, numa clara premiação pelo conjunto da obra, já que Plummer, aos 82 anos, nunca havia sido reconhecido como grande ator que não é. Pelo menos está simpático e faz um personagem corajoso no conceito.

Max Von Sydow, cuja indicação foi no susto já que ele passou despercebido pela temporada de prêmios, mesma idade de Plummer, era o único que tinha chances por Tão Forte e Tão Perto, mas ficou para uma próxima (vida, alguns diriam). Nem seria certo que um grande ator como Von Sydow fosse lembrado por um filme tão medíocre.

Woody Allen, Owen Wilson, Marion Cotillard
Rooney Mara
George Clooney

PREVIAMENTE ANUNCIADOS

Embora fosse natural que o favorito ao prêmio de melhor filme também fosse o preferido na categoria de roteiro, O Artista, mesmo nunca se esquecendo de suas chances, sempre foi preterido nas apostas por Meia-Noite em Paris, do Woody Allen. O favoritismo de Allen se manteve aqui e ele, pela quarta vez, ganhou um Oscar e não foi buscar. Por sinal, esta foi a primeira vez desde que Menina de Ouro, em 2005, venceu o Oscar que o filme eleito na categoria principal não tem o roteiro premiado.

Outra certeza da noite era a vitória de Rango como longa de animação. Depois que a Academia esnobou As Aventuras de Tintim, o filme de Gore Verbinski ficou sem concorrentes. Mesmo com as estatísticas que não favorecem os favoritos em filme estrangeiro (veja A Fita Branca, por exemplo), A Separação, que ganhou praticamente todos os prêmios do ano nesta categoria, parece nunca ter sentido a presença de adversários. Um prêmio merecidíssimo para o longa iraniano, um dos melhores do ano.

Nas categorias técnicas é que, muitas vezes, o Oscar surpreendeu. A Invenção de Hugo Cabret roubou o Oscar de fotografia que parecia ser de A Árvore da Vida, que merecia muito mais o prêmio, e ganhou também no quesito efeitos visuais, onde o favorito era Planeta dos Macacos: A Origem. O filme de Scorsese ainda levou os dois Oscars de som, onde muita gente apostava em sua vitória, e de direção de arte, em que era uma barbada. Mas nenhuma surpresa foi maior do que em montagem, onde a dupla de editores de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, levou seu segundo Oscar consecutivo. Em 2011, eles já haviam ganho por A Rede Social, do mesmo David Fincher.

O Artista, cotado para este prêmio, terminou reconhecido pelos figurinos, onde a tradição é quem privilegiar roupas de épocas bem mais remotas do que os anos 20 e 30, e pela trilha sonora deliciosa, que era a favorita mesmo, e derrubou por duas vezes o John Williams. A Dama de Ferro ganhou merecidamente em maquiagem, um trabalho delicadíssimo e preciso, o que deixou a série inteira de Harry Potter sem um único Oscar. No mundo, deve ter sido a derrota mais lamentada, mas no Brasil a categoria mais esperada foi outra, melhor canção. Carlinhos Brown e Sergio Mendes perderam para os Muppets. E mereceram perder. “Real in Rio” é um sambista para exportação que não fede nem cheira. “Man or Muppet” era bem melhor. E de importância fundamental para a história do filme. Mas só com um sistema de votação cada vez mais estranho e apenas duas indicadas, talvez já seja a hora de por fim a esta categoria.

OS VENCEDORES

filme: O Artista
direção: Michel Hazanavicius, O Artista
ator: Jean Dujardin, O Artista
atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro
ator coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
atriz coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
roteiro original: Meia-Noite em Paris
roteiro adaptado: Os Descendentes
filme estrangeiro: A Separação
filme de animação: Rango
fotografia: A Invenção de Hugo Cabret
montagem: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
direção de arte: A Invenção de Hugo Cabret
figurinos: O Artista
maquiagem: A Dama de Ferro
trilha sonora: O Artista
canção: “Man or Muppet”, Os Muppets
mixagem de som: A Invenção de Hugo Cabret
edição de som: A Invenção de Hugo Cabret
efeitos visuais: A Invenção de Hugo Cabret
documentário: Undefeated
curta de ação: The Shore
curta de animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
curta documentário: Saving Faces

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Oscar 2012: apostas finais

Cobertura ao vivo do Oscar 2012 no meu Twitter: @chicofireman.

A noite de entrega do Oscar é amanhã e aqui está minha lista final de apostas para os vencedores nas categorias de longa-metragem. Escrevi um texto, publicado no Uol, sobre as chances de cada candidato nos quatro quesitos mais importantes: filme, direção, ator e atriz. Mas aqui faço previsões para todas as categorias. Dois dos principais prêmios, ator e atriz, na minha opinião, não têm franco-favoritos, então a ideia foi arriscar.

Berenice Bejo, Jean Dujardin, O Artista
filme

Quem ganha: O Artista, de Michel Hazanavicius
Quem ameaça: Histórias Cruzadas, de Tate Taylor
Quem merece: Os Descendentes, de Alexander Payne
Quem faltou: Drive, de Nicolas Winding Refn

O que faria O Artista perder o Oscar? Uma rejeição da Academia pelo fato do filme ser uma produção francesa. Acho que não, já que não existe língua estrangeira no filme. E, sem legendas, eles gostam mais. O fato de ser uma comédia? Difícil, já que o longa é uma homenagem à Hollywood dos anos 20, o que deve ser bem nostálgico para os acadêmicos. O apoio dos críticos foi pesado: Critics Choice e Globo de Ouro, inclusos. A indústria também aprovou: sindicato dos produtores e diretores. E o filme ganhou até o BAFTA do outro lado do Atlântico. Portanto, é favoritíssimo. Mas se ele não ganhar seria a fábula infantil e cinéfila de Martin Scorsese quem levaria ou o drama indie de Alexander Payne. A meu ver, se algum filme roubar o Oscar de O Artista, seria Histórias Cruzadas: uma história de denúncia e superação tipicamente americana.

Michel Hazanavicious
direção

Quem ganha: Michel Hazanavicius, O Artista
Quem ameaça: Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: Alexander Payne, Os Descendentes
Quem faltou: Nicolas Winding Refn, Drive

Pela lógica dos prêmios, a vitória deve ser de Michel Hazanavicius, que ganhou o Critics Choice, o BAFTA e o prêmio do sindicato de diretores. Mas nesta categoria a assinatura conta um pouco e Martin Scorsese ganhou o Globo de Ouro, Hugo é o filme com o maior número de indicações e essa parece ser a única chance do filme levar um Oscar importante. Eu vou com Hazanavicius, mas se tio Marty ganhar não será uma grande surpresa. Muito menos uma surpresa ruim.

Jean Dujardin
ator

Quem ganha: Jean Dujardin, O Artista
Quem ameaça: George Clooney, Os Descendentes
Quem merece: Jean Dujardin, O Artista
Quem faltou: Michael Fassbender, Shame, e Ryan Gosling, Tudo pelo Poder

George Clooney parecia imbatível, mas Jean Dujardin cresceu bastante nos últimos tempos e agora os dois estão empatados. Clooney ganhou o Critics Choice e ambos levaram o Globo de Ouro. Dujardin, vencedor de comédia, parecia menos forte, mas o francês levou o prêmio do sindicato dos atores e o BAFTA. E começou a levar um pouco mais de vantagem. Mas para a surpresa de todos, perdeu o César, o Oscar francês. Ainda acho que ele leva, mas as chances dos dois são quase as mesmas.

Meryl Streep
atriz

Quem ganha: Meryl Streep, A Dama de Ferro
Quem ameaça: Viola Davis, Histórias Cruzadas
Quem merece: Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn
Quem faltou: Kirsten Dunst, Melancolia

Aqui será a disputa mais sangrenta da noite. Viola Davis é a favorita, depois do prêmio do sindicato. Ganhou também o Critics Choice e seu filme tem mais visibilidade. Mas Meryl Streep nunca esteve tão perto da terceira estatueta. Ganhou o BAFTA e o Globo de Ouro por um personagem histórico, que ela interpreta em várias fases da vida, o que eles amam, e que é nada menos do que Margaret Thatcher. A repercussão deve ser bem maior na Academia do que em Dúvida ou Julie e Julia. E mais: faz 29 anos desde que a dama do cinema americano ganhou pela última vez.

Christopher Plummer
ator coadjuvante

Quem ganha: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
Quem ameaça: Max Von Sydow, Tão Longe e Perto
Quem merece: na real, ninguém. Entre os indicados, Jonah Hill, O Homem que Mudou o Jogo
Quem faltou: Shahab Houssein, A Separação

A noite dos velhinhos. Acho meio impossível que alguém tire o Oscar de Christopher Plummer, que nunca foi dos melhores atores, mas foi celebrado por todos os lados numa clara lembrança pelo conjunto da obra. Mas a Academia pode preteri-lo em favor de Max Von Sydow, outro veterano que nunca teve sorte no Oscar e indicado por um filme que concorre na categoria principal (e que só teria essa chance). Os outros não devem incomodar.

Octavia Spencer
atriz coadjuvante

Quem ganha: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
Quem ameaça: Bérénice Bejo, O Artista
Quem merece: Bérénice Bejo, O Artista
Quem faltou: Shailene Woodley, Os Descendentes

A interpretação de Octavia Spencer tem todos os clichês possíveis, mas a personagem simpática conquistou a todos. Ela ganhou o Critics Choice, o Globo de Ouro, o BAFTA e o prêmio do sindicato dos atores. É uma das maiores certezas da festa. Se ela perder o Oscar será uma surpresa. Caso isso aconteça, o que acho impossível, a única que teria chances a meu ver é Bérénice Bejo, personagem adorável que não ganhou quase nada nos precursores, mas que pode se beneficiar num eventual tsunami de prêmios de O Artista.

Woody Allen, Owen Wilson, Marion Cotillard
roteiro original

Quem ganha: Meia-Noite em Paris
Quem ameaça: O Artista
Quem merece: A Separação
Quem faltou: Shame

roteiro adaptado

Quem ganha: Os Descendentes
Quem ameaça: O Homem que Mudou o Jogo
Quem merece: Os Descendentes
Quem faltou: A Pele que Habito

filme estrangeiro

Quem ganha: A Separação
Quem ameaça: In Darkness
Quem merece: A Separação
Quem faltou: O Cavalo de Turim

filme de animação

Quem ganha: Rango
Quem ameaça: ninguém, mas se acontecer seria Chico & Rita
Quem merece: Rango
Quem faltou: As Aventuras de Tintim

Terrence Malick, Jessica Chastain
fotografia

Quem ganha: A Árvore da Vida
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: A Árvore da Vida
Quem faltou: O Espião Que Sabia Demais

montagem

Quem ganha: O Artista
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: O Artista
Quem faltou: Drive

direção de arte

Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: O Artista
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: O Espião Que Sabia Demais

figurinos

Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: W.E.
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: Imortais

maquiagem

Quem ganha: A Dama de Ferro
Quem ameaça: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
Quem merece: A Dama de Ferro
Quem faltou: A Invenção de Hugo Cabret

trilha sonora

Quem ganha: O Artista
Quem ameaça: Cavalo de Guerra
Quem merece: O Artista
Quem faltou: Tudo pelo Poder

canção

Quem ganha: “Real in Rio”, Rio
Quem ameaça: “Man or Muppet”, Os Muppets
Quem merece: “Man or Muppet”, Os Muppets
Quem faltou: “Pictures in my Head”, Os Muppets

mixagem de som

Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: Cavalo de Guerra
Quem merece: Cavalo de Guerra
Quem faltou: Super 8

edição de som

Quem ganha: Cavalo de Guerra
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: Drive
Quem faltou: Super 8

efeitos visuais

Quem ganha: Planeta dos Macacos: A Origem
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: Capitão América

documentário

Quem ganha: Paradise Lost 3
Quem ameaça: Pina
Quem merece: Pina
Quem faltou: pelo que falaram, Projeto Nim.

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A Festa do Oscar 2012

O site Cinemascope divulgou o que pode ser o line-up da cerimônia de entrega do Oscar. Não faço ideia se as informações procedem, nem se, caso sejam reais, a produção da festa manterá esta ordem. Se a relação for verdadeira, a cerimônia será assim (horários atualizados para a hora de Brasília):

22:30: Billy Crystal faz o número de abertura.
22:40: Fotografia.
22:43: Direção de Arte.
22:52: Figurinos.
22:54: Maquiagem.
23:03: Filme Estrangeiro.
23:07: Atriz Coadjuvante.
23:20: Montagem.
23:23: Edição de Som.
23:26: Mixagem de Som.
23:33: Apresentação do Cirque du Soleil.
23:37: Documentário.
23:41: Filme de Animação.
23:49: Efeitos Visuais.
23:53: Ator Coadjuvante.
00:04: Trilha Sonora.
00:08: Canção.
00:17: Roteiro Adaptado.
00:20: Roteiro Original.
00:31: Curta de Ação.
00:34: Curta Documentário.
00:37: Curta de Animação.
00:44: Direcão.
00:58: In Memoriam.
01:07: Ator.
01:15: Atriz.
01:27: Filme.

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O Oscar dos Meus Sonhos – versão 2012

Brincar de membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é um dos exercícios mais legais do ano. Esta é nona edição de “O Oscar dos Meus Sonhos”, em que eu, enquanto votante imaginário do prêmio, respeitando todas regras e número de indicados e me sujeitando às listas de eligibilidade (sim, Tio Boonmee era elegível pro Oscar), mando meu eleitos para a Academia. O asterisco mostra quem realmente foi indicado em cada categoria.

Béla Tarr
Ryan Gosling
Elena Anaya, Pedro Almodóvar, Antonio Banderas
filme
O Artista (*)
Os Descendentes (*)
Drive
Homens e Deuses
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Mistérios de Lisboa
A Pele que Habito
A Separação
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

direção

Apichatpong Weerasethakul, Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Ashgar Fahradi, A Separação
Nicolas Winding Refn, Drive
Pedro Almodóvar, A Pele que Habito
Raoul Ruiz, Mistérios de Lisboa

ator

Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais (*)
Jean Dujardin, O Artista (*)
Michael Fassbender, Shame
Michael Shannon, O Abrigo
Ryan Gosling, Tudo pelo Poder

atriz

Catherine Deneuve, Potiche
Juliette Binoche, Cópia Fiel
Kirsten Dunst, Melancolia
Michelle Williams, Sete Dias Com Marilyn (*)
Rooney Mara, Os Homens que Não Amavam as Mulheres (*)

ator coadjuvante

Brad Pitt, A Árvore da Vida
Chris O’Dowd, Missão Madrinha de Casamento
John Hurt, Melancolia
Olivier Raboudin, Homens e Deuses
Shahab Houssein, A Separação

atriz coadjuvante

Bérénice Bejo, O Artista (*)
Elle Fanning, Super 8
Jessica Chastain, A Árvore da Vida
Pernell Walker, Pariah
Shailene Woodley, Os Descendentes

roteiro original

O Abrigo
O Artista (*)
Drive
Shame
A Separação (*)

roteiro adaptado

Os Descendentes (*)
Mistérios de Lisboa
A Pele que Habito
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Tudo pelo Poder (*)

filme estrangeiro

Beyond, Pernilla August
O Cavalo de Turim, Béla Tarr
Pina, Wim Wenders
Respirar, Karl Markovics
A Separação, Ashgar Farhadi (*)

filme de animação

As Aventuras de Tintim, Steven Spielberg
Chico & Rita, Fernando Trueba e Javier Mariscal (*)
Kung Fu Panda 2, Jennifer Yuh
Rango, Gore Verbinski (*)
Rio, Carlos Saldanha

fotografia

A Árvore da Vida (*)
O Atalho
Drive
O Espião que Sabia Demais
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

montagem

O Artista (*)
Drive
Os Homens que Não Amavam as Mulheres (*)
A Pele que Habito
Tudo pelo Poder

direção de arte

O Artista (*)
Capitão América
O Espião que Sabia Demais
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Super 8

figurinos

O Artista (*)
Imortais
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Mistérios de Lisboa
Potiche

maquiagem

A Dama de Ferro (*)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (*)
A Invenção de Hugo Cabret

trilha sonora

O Artista (*)
As Aventuras de Tintim (*)
Contágio
O Espião que Sabia Demais (*)
Tudo pelo Poder

canção

“Gathering Stories”, Compramos um Zoológico
“Man or Muppet”, Os Muppets (*)
“Pictures in my Head”, Os Muppets
“Shelter”, O Abrigo
“Think You Can Wait”, Win Win

edição de som

As Aventuras de Tintim
Drive (*)
Hanna
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Super 8

mixagem de som

A Árvore da Vida
Drive
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Super 8

efeitos visuais

Capitão América
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Planeta dos Macacos: A Origem (*)
X-Men: Primeira Classe

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Albert Nobbs

Glenn Close, Mia Wasikowska, Janet McTeer

O que pode ser mais contraditório do que um filme sobre travestismo que evita conflitos de todas as maneiras que consegue? Esse é Albert Nobbs, uma chatice só. Um filme que se baseia na pena que devemo sentir de sua protagonista, mas que nunca estabelece enlaces dramáticos substanciais o suficiente para que o espectador se envolva com a história. É lamentável porque se trata de um projeto pessoal de Glenn Close, que interpretou o texto no teatro há 30 anos, e que, além de interpretar a protagonista, produziu, escreveu o roteiro e até assina a canção-tema, na voz de Sinéad O’Connor.

No entanto, o que impera é a burocracia, seja no texto quadrado, que não se furta de recorrer a clichês como o destino final da personagem de Mia Wasikowska, mas cujo principal pecado é não invadir o universo da personagem. O cineasta Rodrigo García parece ligar o piloto automático: não oferece qualquer contribuição com sua direção preguiçosa. É um filme sem autoria, apático, que dá a volta para evitar embates, que nunca assume a discussão de seu tema espinhoso. Parece ter vergonha do que é.

Glenn Close e Janet McTeer, duas boas atrizes, têm um problema sério na composição das personagens: a voz. Não existe um trabalho vocal adequado para convencer o espectador. Isso incomoda bastante. Alguns atores, entre eles Close, nem se esforçam para entregar um sotaque irlandês decente. De longe, a melhor coadjuvante do elenco é Pauline Collins, a dona do hotel, uma velha safada e ligeiramente amoral. A única com espírito, justamente o que falta a Albert Nobbs.

Albert Nobbs EstrelinhaEstrelinha
[Albert Nobbs, 2011, Rodrigo García]

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Tão Forte e Tão Perto

Em janeiro, a campanha de marketing para que Tão Forte e Tão Perto concorresse ao Oscar era tão forte que, nas passagens de bloco da cerimônia do Critics Choice, propagandas convidavam para assistir ao longa, que era chamado de “o melhor filme do ano”. Curiosa essa ‘imparcialidade’ já que a produção de Stephen Daldry era um dos candidatos àquele prêmio. Spots em várias emissoras de TV e cartazes espalhados por Los Angeles pareciam querer recuperar o tempo perdido, já que o filme, cuja produção atrasou, não conseguiu ser visto pela maior parte dos críticos antes de serem fechadas as listas de melhores de 2011.

A candidatura do filme de Daldry parecia com os dias contados. Mesmo porque quase ninguém que havia conseguido vê-lo tinha realmente se empolgado. Mas o diretor inglês se confirmou como um mestre do marketing, emplacando duas indicações para o longa na lista do Oscar. Nada que ele já não tenha feito antes. Daldry é um dínamo: dirigiu somente 4 longas, todos foram candidatos aos Oscar de melhor filme ou direção. Na maioria das vezes, conquistou essas menções com golpes sentimentais, como O Leitor, seu trabalho mais medíocre.

Tão Forte e Tão Perto é um pouco melhor, mas peca justamente pelo fato de tentar cooptar o espectador com tanta força. A certa altura, o garoto vivido por Thomas Horn pergunta para um homem que ele não conhece: “você me perdoa?”. O pedido se referia ao que algo que o protagonista havia feito para uma terceira pessoa. Bem difícil comprar tamanho espírito elevado, que busca expiação num estranho. Difícil comprar a comparação das lágrimas da personagem de Viola Davis com as de um elefante.

Por sinal, todo o encanto de Horn em Tão Forte e Tão Perto” acaba quando seu personagem fica histérico. E são muitas cenas assim. Cenas que deixam o personagem-clichê do veterano Max Von Sydow mais simpático e cenas que revelam uma grande atriz chamada Sandra Bullock. Discreta, sóbria, ela nunca parte para o excesso. É possivelmente seu melhor papel dramático. Mas o que alenta mesmo neste filme é que ele consegue emocionar muito menos do que tenta. Cai rapidamente no esquecimento, destino perfeito para bobagens como esta. Nem sempre o marketing consegue vencer.

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[Extremely Loud & Incredibly Close, Stephen Daldry, 2011]

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Cavalo de Guerra

Steven Spielberg

Steven Spielberg sempre foi um cineasta que soube trafegar com equilíbrio pelo terreno do emocional, mas em Cavalo de Guerra ele errou feio. É, disparadamente, o filme mais maniqueísta do diretor, que parece fazer um esforço hercúleo – e deliberado – para conquistar o espectador. A sequência na fazenda procura caracterizar os personagens como pobres coitados de bom coração e dignos de misericórdia. A cada dez minutos, Spielberg parece levantar uma placa dizendo “aqui você deve chorar”.

Existe a intenção de se criar um épico emocional. Todo sofrimento é catapultado a níveis de dor absoluta. A fotografia exagerada celebra o artificial, o que funciona – e de certa forma metaforiza – perfeitamente o final, sentimentalóide, cujos tons de vermelho evocam …E o Vento Levou. Verdade que boa parte dessa manipulação vem do material original, cujo tom esquemático é inerente, mas o diretor, que sempre soube trabalhar excessos, não nos poupa.

A sequência de desventuras acontece em cascata. A parte “guerra” é mais interessante, explora melhor os cenários, mas continua com suas cenas exageradas e sem ritmo. A única que se salva é aquela em que o cavalo fica preso no arame farpado. Aí Spielberg sai do esconderijo e faz o que sabe melhor: ser um bom garoto.

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[War Horse, Steven Spielberg, 2011]

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J. Edgar

Leonardo Di Caprio, Armie Hammer, Judi Dench

Clint Eastwood tem produzido tanto nos últimos anos que seus filmes às vezes parecem feitos às pressas. Deve soar muito gay reclamar da maquiagem de um filme, mas em J. Edgar ela é fundamental para a história que o cineasta quer contar. Fundamental e de uma incompetência inadmissível. É impossível olhar para Leonardo Di Caprio sob as toneladas de maquiagem e acreditar que ali existe um homem nos últimos anos de sua vida. A caracterização pesada reflete, em certo sentido, a mão de Clint no material.

O diretor parece tentar oferecer todas as faces do ‘dono’ do FBI, J. Edgar Hoover, mas o filme é, em sua essência, um relato de um admirador. Porém, ao contrário do que fez com Nelson Mandela em Invictus, em que não se poupa dos excessos para desfilar sua admiração por Nelson Mandela, aqui Clint tenta não exagerar – e geralmente consegue – no retrato do personagem. Afinal, ser fã de Hoover não deve ser lá muito nobre. No entanto, o resultado dessa tentativa de equilibrar o discurso tem um efeito reverso.

O resultado é um filme morno, mas muito competente tecnicamente. A fotografia, quase sem cor, tenta acompanhar a discrição que Clint impõe, sobretudo no retrato da homossexualidade de Hoover. Ela nunca é ignorada, mas em poucos momentos é protagonista. Há uma cena em que o assunto explode que poderia ser mais forte do que é, mas fica claro que o roteiro de Dustin Lance Black, de Milk, não quis que o filme fosse sobre um Hoover gay.

Leonardo Di Caprio, que é um bom ator e que merecia mais respeito, está bastante correto, esforçado. Há momentos de grande interpretação, mas em algumas cenas ele parece claramente intimidado pelo papel. A maquiagem, muito menos. Os coadjuvantes não tem muito destaque: a mãe forte de Judi Dench beira a caricatura, o amante apaixonado de Armie Hammer é apenas ok (a indicação ao prêmio do Screen Actors Guild é descabida) e Naomi Watts é eclipsada pelo pouco tempo na tela.

Todos, no entanto, parecem traduzir a maneira preocupada com que Clint Eastwood dirige o filme. O relato sombrio de Hoover esbarra nessa timidez em encarar o objeto. Nem a revelação da maneira como o protagonista construía seu personagem, ficcionando suas participações nas capturas de grandes fora-da-lei, ganha a força que merecia. O maior pecado do filme de Eastwood não é ser reverente, mas revelar um diretor com receio de tomar partido.

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[J. Edgar, 2011, Clint Eastwood]

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