Monthly Archives: dezembro 2011

Top 20: melhores filmes inéditos nos cinemas em 2011

O circuito de cinema brasileiro ainda é pequeno perto do que se produz no mundo. Muita coisa boa fica de fora. Aqui está a lista dos 20 melhores filmes que eu vi ao longo de 2011 e que não estrearam nos cinemas do país. Alguns deles foram direto para DVD, outros devem chegar aos cinemas em 2012. Muitos ainda não têm perspectiva. Todos muito bons.

Joe Cornish

20 Ataque ao Prédio
Attack the Block, Joe Cornish

Innocent Saturday

19 Sábado Inocente
V subbotu, Aleksandr Mindadze

Hong-jin Na

18 The Yellow Sea
Hwanghae, Hong-jin Na

Juan de los Muertos

17 Juan dos Mortos
Juan de los Muertos, Alejandro Brugués

Kim min-suk

16 O Dominador
Haunters, Min-suk Kim

Ronald Reagan

15 Reagan
Reagan, Eugene Jarecki

Maiwënn, Karin Viard

14 Polisse
Polisse, Maïwenn

Hong Sang-soo

13 The Day He Arrives
Book Chon Bang Hyang, Hong Sang-Soo

Markus Schleinzer

12 Michael
Michael, Markus Schleinzer

Nanni Moretti

11 Habemus Papam
Habemus Papam, Nanni Moretti

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Top 5: os filmes mais superestimados de 2011

Darren Aronofsky
5 Cisne Negro
Black Swan, Darren Aronofsky
Darren Aronofsky tem fãs e detratores, todos devidamente exaltados, mas com O Lutador tinha atingido uma rara unanimidade. Muita gente enxergou em Cisne Negro uma história parecida, mas o filme, apesar de algumas boas ideias, também tem seu lado frágil, sobretudo na composição de Natalie Portman, que não raramente comete seus excessos.

Ricardo Darin, Ignacio Huan
4 Um Conto Chinês
Un Conto Chino, Sebastián Borensztein
Impressionante como o Brasil continua a louvar os filmes argentinos, mesmo que o auge criativo do cinema deles já tenha passado. Qualquer comediazinha dramática com Ricardo Darín fazendo um personagem caricato e abusando do lúdico vira uma “pequena pérola”. Esse Um Conto Chinês é pra ser fofinho e encantador, mas pra mim não passa de um exercício simpático de manipulação dos espectadores.

Colin Firth
3 O Discurso do Rei
The King’s Speech, Tom Hooper
O Oscar adora eleger novos clássicos. Dessa forma, filmes somente bons ou medianos (quando não ruins) ganham status de grandes obras. O Discurso do Rei tem aquela fórmula de filme de superação. Tom Stoppard explora ao máximo essa escalada na vida do rei gago de Colin Firth. Faz isso com alguma sensibilidade, embora pese a mão nas cores do drama mais de uma vez.

James Franco
3 127 Horas
127 Hours, Danny Boyle
O único mérito real em 127 Horas é a bela interpretação de James Franco, que segura o filme literalmente sozinho. Um filme que nunca parece acreditar na força de sua história real, recorrendo a todos os subterfúgios possíveis para “ilustrá-la”. A montagem, televisiva, videoclíptica, é um horror.

Eduardo Coutinho
1 As Canções
As Canções, Eduardo Coutinho
Basta a assinatura de Eduardo Coutinho pra começar a babação. O documentarista mais famoso do país tem uma carreira cheia de marcos, com Jogo de Cena como seu ápice, mas vez por outra recorre a mecanismos piegas e fórmulas batidas para conquistar a plateia. As Canções é assim: uma sucessão de entrevistas em que as pessoas são personagens, mesmo que o filme seja vendido como “sem pesquisa”. E o formato cômodo, de historinha, vai contra a maré da busca pela inovação de linguagem que Coutinho vinha buscando. E as historinhas nem são tão interessantes assim.

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Top 5: guilty pleasures 2011

Guilty pleasure é a expressão mais gostosa da cultura pop. Eu nunca tinha feito uma lista dos meus guilty pleasures do ano, mas, passando os filmes que assisti em 2011 a limpo, cheguei à conclusão que pelo menos uns 12 eram guilty pleasures. Filmes que, em sua essência, são ruins, mas que foram deliciosos de assistir.

Alex Pettyfer

5 Eu Sou o Número 4
I Am Number 4, D.J. Caruso

Um genérico dessas séries de livros sobre adolescentes com superpoderes num mundo cheio de seres fantásticos. Mas, ao contrário de Harry Potter, que leva a sério seu universo, este filme desafia o bom senso, o bom gosto e o bom humor com um caldeirão de citações que, surpresa, é deliciosamente Z, com destaque para os efeitos porcos.

Bradley Cooper

4 Sem Limites
Limitless, Neil Burger

Parece uma cópia de quase tudo – e é – mas a ficção-científica passada nos dias de hoje que celebra a canastrice de Bradley Cooper, conquista pela ironia, pelo sarcasmo e pela cara-de-pau com que defende a própria trama. Robert De Niro entra na brincadeira e faz seu papel mais interessante desde… desde…

Paul Bettany

3 Padre
Priest, Scott Charles Stewart

Um futuro devastado e um orçamento vagabundo. A combinação que já destruiu muitos blockbusters-wannabe deu certo aqui. O filme assume suas limitações e sua origem mundana (HQs alternativas). E nesse tom de pulp fiction, com Paul Bettany recicla Clint Eastwood e vira nosso herói.

Liam Neeson

2 Desconhecido
Unknown, Jaume Collet-Serra

A trama é a mais batida do cinema: o homem que perde sua memória e não se encaixa mais na sua própria vida. Mas o filme estrelado por Liam Neeson, no auge de sua condição de herói de ação da série B, brinca com as reviravoltas, sabe vender seus absurdos e termina inteligente de tão ruim.

Paul Walker, Vin Diesel

1 Velozes e Furiosos 5: Operação Rio
Fast Five, Justin Lin

Eu tinha parado de ver essa franquia no segundo episódio, mas o fato de a história do quinto episódio se passar no Rio me encheu de vontade de dar uma olhada no filme. E, pra minha surpresa, apesar da caricatura do Brasil, dos abusos geográficos e culturais e da quantidade de excessos, o filme é uma diversão impecável. Deliciosa mesmo.

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Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma

Depois de três belos filmes de animação, a estreia de Brad Bird em longas de ação funciona em vários níveis. Primeiro, dá sequência ao bom trabalho que JJ Abrams fez no capítulo anterior, humanizando Ethan Hunt e retomando a espionagem que parecia meio perdida no estrambólico segundo episódio da série. Segundo, tem um roteiro igualmente bem amarrado que faz links com o filme de Abrams e ainda aproveita uma de suas personagens centrais, o Benji de Simon Pegg, bem à vontade. Por fim, tem uma das melhores sequências de ação da série, estrelando o maior prédio do mundo até então, o Burj Khalifa, filmada com uma competência impressionante e uma farta dose de humor. A diferença para o filme anterior está justamente aí: Bird impõe bem mais leveza ao projeto do que Abrams, o que ao mesmo tempo em que diminui um pouco de sua força dramática dá mais ritmo ao novo longa. Tom Cruise parece bem mais seguro do que nos últimos filmes – e melhor ator. Sua parceria com Pegg, Jeremy Renner e Paula Patton é muito boa e esta química ajuda o filme a fluir.

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Mission: Impossible - Ghost Protocol, Brad Bird, 2011]

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Oscar 2012: a corrida para melhor filme

Jude Law, Martin Scorsese, Asa Butterfield

A vitória de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, nas categorias de melhor filme e direção, segundo o National Board of Review, reflete a excelente recepção que o longa teve junto aos críticos e põe a obra e o cineasta definitivamente na lista do Oscar. É muito cedo para se falar em vitória, mas a indicação, num ano em que o consenso geral diz que foi fraco, parece certeira.

O Top 10 do National Board of Review, sempre em ordem alfabética, ainda tem O Artista, Os Descendentes e Cavalo de Guerra, três apostas fortes a melhor filme, Tudo pelo Poder e A Árvore da Vida, que andam cotados, mas com moderação, J. Edgar, já que Clint Eastwood é um habituée dessa lista, além de três escolhas mais ousadas: Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Drive e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

O último, o réquiem da franquia, todo mundo já esperava que aparecesse aqui e ali. Chegou a se falar em indicação ao Oscar, mas isso parece distante. O filme de David Fincher parece mais figurar para chamar atenção, mas também tinha seus defensores. A escolha que realmente impressiona é a de Drive, já que o filme não era aposta de quase ninguém na categoria principal e entrou numa lista onde Histórias Cruzadas, Meia-Noite em Paris e O Homem que Mudou o Jogo, em especial depois dos prêmios de ator e roteiro dos críticos de Nova York, pareciam barbadas.

Não que a lista do NBOR signifique muito. Todo ano, pelo menos um ou dois finalistas ao Oscar não aparecem nesse Top 10. E é importante lembrar que ninguém viu ainda o filme de Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto, que é um cara que fez três longas antes desse e concorreu ao Oscar de direção três vezes.

Mesmo no meio da bagunça, não dá pra negar que Hugo começou bem. O filme ainda foi o terceiro melhor do ano segundo o New York Film Critics Circle, que deixou Scorsese na segunda posição entre os diretores. É bem verdade que os críticos podem seguir uma posição radicalmente oposta à Academia, mas Hugo parece um filme universal, embora sua bilheteria ainda seja modesta, assim como seu lançamento.

O NYFCC preferiu O Artista na categoria principal, outro contender que começou bem a carreira, e também premiou seu diretor. O segundo colocado foi Melancolia, de Lars Von Trier, que, por enquanto, parece bem longe de qualquer indicação, mesmo que tenha aparecido na lista de filme estrangeiro dos Spirits Awards, o Oscar do indie (critérios bem diferentes de todos os demais prêmio que só consideram filmes não falados em inglês).

E foi nos Spirits também que O Artista apareceu. Ele concorre na categoria principal, em direção, ator, roteiro e fotografia. Dos candidatos em potencial ao Oscar, Os Descendentes foi o único que apareceu entre os melhores filmes dos Spirits. Teve indicações pra direção, roteiro e atriz coadjuvante, mas flopou entre os protagonistas. O que é curioso porque George Clooney foi o melhor ator do ano segundo o NBOR. E Drive, além da menção do NBOR, foi indicado aos Spirits de filme, direção, ator e ator coadjuvante.

Resumo da ópera: Hugo e O Artista saem na frente na corrida por uma vaga na categoria de melhor filme, com Os Descendentes logo em seguida. O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra e A Árvore da Vida continuam sendo boas apostas. Tudo pelo Poder cresce na disputa e Histórias Cruzadas e Meia-Noite em Paris ficam mais tímidos. Já Drive começa a parecer uma opção indie. Mas a Academia teria que ser muito legal para que ele fosse indicado…

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O Palhaço

Selton Mello, Paulo José

É difícil falar com propriedade sobre algo que você ama demais, correndo o risco de ser parcial, mas poucos filmes que eu vi em 2011 mexeram tanto comigo como O Palhaço. A história do homem em conflito que tenta buscar direção e sentido para sua vida é filmada com uma melodia melancólica que arrasta os personagens e move a trama. Desde que a trilha sonora de Plínio Profeta se revelou nos minutos iniciais do filme, eu já sabia que meu destino estava selado.

A música estabelece exatamente o que Selton Mello pretende para o longa: o encontro entre o autoral e o popular. Isto está no tema, na trilha e na maneira de filmar. Está na concepção do elenco como um grupo. Está nos movimentos de câmera cuidadosos, na direção de arte caprichada e nas participações carinhosas. Selton enche o filme delas, de Fabiana Karla a Ferrugem, passando pelo irmão do diretor, Danton Mello, mas faz valer cada uma. A cena de Moacyr Franco é a melhor.

Ele tira nosso fôlego como o delegado Justo, que tem que sair de casa para “receber” o grupo de artistas do circo presos numa confusão. O personagem dispara a história trágica de seu gato Lincoln num discurso hilariante e tão veloz, que rouba do espectador a possibilidade de piscar ou respirar. A atuação blasé de Franco e o texto absurdo casam direitinho.  A cena é um respiro na melancolia que impera no filme.

O longa tenta buscar o meio do caminho entre a herança e a missão, entre o ser e o dever. E, nessa jornada, encontra a sensibilidade sem se esforçar muito. O diretor tinha enganado a gente com sua estreia, Feliz Natal, um filme visualmente bonito, rigoroso e afetado. O cineasta que ele escondia é esse aqui que dirigiu ‎O Palhaço, uma pequena obra-prima, o melhor filme do ano. É impossível não parir adjetivos. Selton comanda o filme como quem embala um filho, com amor mesmo. O Palhaço é autêntico, doce, sincero. De uma beleza incrível.

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[O Palhaço, Selton Mello, 2011]

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Microtextos

Selton Mello, Paulo José
O Palhaço
O Palhaço, Selton Mello

É difícil defender algo que você ama demais, mas nenhum filme que eu vi em 2011 mexeu comigo como O Palhaço. A história do homem em conflito que tenta buscar direção e sentido para sua vida é filmada com uma melodia que me contagiou. Desde que a trilha se revelou nos minutos iniciais do filme, eu já sabia que meu destino estava selado. A música estabelece exatamente o que Selton Mello pretende para o filme: o encontro entre o autoral e o popular. Isto está no tema, na trilha e na maneira de filmar. Está na concepção do elenco como um grupo. Está nos movimentos de câmera cuidadosos, na direção de arte caprichada e nas participações carinhosas. Selton enche o filme delas, mas faz valer cada uma. Moacyr Franco, como o delegado, é a melhor delas.

O longa tenta buscar o meio do caminho entre a herança e a missão, entre o ser e o dever. E, nessa jornada, encontra a sensibilidade sem se esforçar muito. O diretor tinha enganado a gente com sua estreia, Feliz Natal, um filme visualmente bonito, rigoroso e afetado. O cineasta que ele escondia é esse aqui que dirigiu ‎O Palhaço, uma pequena obra-prima, o melhor filme do ano. É impossível não parir adjetivos. Selton comanda o filme como quem embala um filho, com amor mesmo. O Palhaço é autêntico, doce, sincero. De uma beleza incrível.

James Momoa

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Conan, the Barbarian, Marcus Nispel

Conan, o Bárbaro é exatamente o que seu diretor imagina de um bom filme de ação: fotografia “documental”, som alto, história simplista. James Momoa tinha mais talento dramático em seus grunhidos em “Game of Thrones”. Mas o novo “Conan” retrata bem o cinema de ação que interessa Hollywood hoje em dia: o filme pasteurizado, que não fede, mas tb não cheira.

Ryan Reynolds

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Green Lantern, Martin Campbell

Este filme não é a tragédia que o trailer anunciava, mas bom mesmo não é, não. Ryan Reynolds não fede nem cheira como Hal Jordan. Mark Strong como Sinestro e Peter Saarsgard como Hector Hemmond são os melhores em cena. A concepção do personagem está certa, mas falta substância em praticamente tudo. Os diálogos sobre medo são para crianças de 5 anos. O visual, embora eu ache que poderia ter sido pior, é questionável. A máscara é deprimente. As “lentes de contato” azuis, mais ainda. No entanto, a concepção visual do Parallax é ótima. Deveriam fazer algo assim num fututo filme sobre “Crise nas Infinitas Terras”. Mas o fim da ameaça é rápido demais. O melhor do filme é como tira onda da própria história: “anel mágico”, “pista de corrida”… O bom humor faz o material ser melhor digerido. Mas falta um roteirista com um texto de gente grande

Rose Byrne, Kristen Wiig

Missão Madrinha de Casamento EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Bridesmaids, Paul Weig

Delicioso o Missão Madrinha de Casamento O filme mais hilário do ano, ganha de todos seus pares masculinos. Há cenas de se contorcer, com destaque para o duelo das damas de honra ao microfone e a tentativa de chamar a atenção do policial comentendo todas as possíveis infrações de trânsito. Elenco afinadíssimo. Kristen Wiig está excelente. Melissa McCarthy e Maya Rudolph, ótimas. E ainda tem o último papel de Jill Clayburgh. E um showzinho comeback do Wilson Philips.

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