Monthly Archives: novembro 2011

Oscar 2012: apostas

No próximo dia 29, o New York Film Critics abre oficialmente a temporada de prêmios de cinema nos Estados Unidos. A agremiação, a mais antiga do país, vai apontar os primeiros favoritos na corrida pelo Oscar 2012. E essa concorrida nunca esteve tão bagunçada.

Sem a definição exata de quantos filmes serão indicados na categoria principal, os principais sites que acompanham o “Oscar Buzz” apostam em seis ou sete finalistas. Depois de dois anos, a Academia resolveu que o mundo estava certo – e ela não – e decidiu que o número de indicados ao Oscar de melhor filme pode variar entre 5 e 10.

Agora com o buzz fervendo, vamos dar uma olhada nas categorias principais.

filme
George Clooney
1 Os Descendentes, Alexander Payne
Jean Dujardin
2 O Artista, Michel Hazanavicius
Woody Allen, Owen Wilson, Marion Cotillard
3 Meia-Noite em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Woody Allen
Steven Spielberg
4 Cavalo de Guerra, Steven Spielberg
Octavia Spencer, Viola Davis
5 Histórias Cruzadas EstrelinhaEstrelinha, Tate Taylor
Sandra Bullock
6 Tão Forte e Tão Perto, Stephen Daldry
Jude Law, Martin Scorsese, Asa Butterfield
7 Hugo, Martin Scorsese
Brad Pitt
8 O Homem que Mudou o Jogo, Bennett Miller
George Clooney
9 Tudo pelo Poder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, George Clooney
Terrence Malick, Jessica Chastain
10 A Árvore da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Terrence Malick
alternativas: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David Yates; O Espião que Sabia Demais, Tomas Alfredson; Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, David Fincher; J. Edgar, Clint Eastwood; Young Adult, Jason Reitman.

Muitos favoritos no começo da corrida caíram aqui. J. Edgar dividiu opiniões, A Árvore da Vida começou a ser encostado. Hoje, parecem certeiras as indicações de The Artist, The Descendants, Histórias Cruzadas e Meia-Noite em Paris, que saiu da condição de azarão. O filme de Stephen Daldry é uma boa aposta porque tem Tom Hanks e Sandra Bullock e é baseado num best-seller. A queda de alguns favoritos deu chances a Hugo de Martin Scorsese e até ao último filme de Harry Potter, que pode ser lembrado por sua condição de réquiem. O longa de David Fincher, que ninguém viu, pode ser forte demais para a Academia.

direção
Alexander Payne
1 Alexander Payne, Os Descendeantes
Michel Hazanavicious
2 Michel Hazanavicius, O Artista
Woody Allen, Owen Wilson, Rachel McAdams
3 Woody Allen, Meia-Noite em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Stephen daldry
4 Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto
Steven Spielberg
5 Steven Spielberg, Cavalo de Guerra
alternativas: Terrence Malick, A Árvore da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; Martin Scorsese, Hugo.

Seguindo a lógica de melhor filme, acho que apenas Tate Taylor não tem muitas chances de ser indicado. O filme estourou nas bilheterias, mas o trabalho de diretor não tem sido muito lembrado. Spielberg fazendo drama é chance certa de indicação e Stephen Daldry só depende das críticas porque concorreu nesta categoria por cada um de seus três longas. Michel Hazanavicious e Woody Allen devem ser indicados. Woody quebraria um jejum de 17 anos. Mas hoje o candidato mais fortes é Alexander Payne.

ator
Hean Dujardin
1 Jean Dujardin, O Artista
George Clooney
2 George Clooney, Os Descendentes
Leonardo Di Caprio
3 Leonardo DiCaprio, J. Edgar
Gary Oldman
4 Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais
Michael Fassbender
5 Michael Fassbender, Shame
alternativas: Brad Pitt, O Homem que Mudou o Jogo; Ryan Gosling, Tudo pelo Poder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

A maior lástima aqui vai ser uma não-indicação de Ryan Gosling. Como tem dois filmes, Tudo pelo Poder e Drive, a possibilidade de divisão de votos é grande. J. Edgar não teve críticas muito boas, mas a indicação de Di Caprio me parece garantida, assim como a do elogiado Jean Dujardin e a de George Clooney, que é um querido da Academia. Gary Oldman, que nunca concorreu a um Oscar, tem agora sua maior chance. O mais incerto da lista é Michael Fassbender porque o filme é pequeno e alternativo, mas ele já está na lista dos sonhos da Academia há um tempinho. Quem sabe?

atriz
Meryl Streep
1 Meryl Streep, A Dama de Ferro
Viola Davis
2 Viola Davis, Histórias Cruzadas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Glenn Close
3 Glenn Close, Albert Nobbs
Michelle Williams
4 Michelle Williams, My Week with Marilyn
Charlize Theron
5 Charlize Theron, Young Adult
alternativas: Elizabeth Olsen, Martha Marcy May Marlene; Tilda Swinton, We Need to Talk About Kevin.

Glenn Close interpretando um homem parecia uma certeza, mas ganha cada vez mais adversárias à altura. Meryl Streep e Viola Davis são locks. As duas têm boas chances de ganhar. Charlize Theron faz um filme de Jason Reitman e, nos últimos anos, isso significa indicação. E Michele Williams interpretando Marilyn me parece irresistível para a Academia. Por isso, as chances de Elizabeth Olsen são menores, mas não inexistentes. E Tilda Swinton, embora seu filme possa parecer alternativo demais, não deve ser desprezada.

ator coadjuvante
Christopher Plummer
1 Christopher Plummer, Toda Forma de Amor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Albert Brooks
2 Albert Brooks, Drive
Max Von Sydow
3 Max von Sydow, Tão Forte e Tão Perto
Kenneth Branagh
4 Kenneth Branagh, My Week with Marilyn
Patton Oswalt
5 Patton Oswalt, Young Adult
alternativas: Armie Hammer, J. Edgar; Philip Seymour Hoffman, Tudo pelo Poder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

Dois velhinhos, duas indicações? Parece que sim. Christopher Plummer é tido como favorito. Sua interpretação é boa, embora o papel seja meio forçado. Max Von Sydow é outro veterano de que não se pode esquecer. Albert Brooks parece a coisa mais certa de Drive. E Kenneth Branagh fazendo Laurence Olivier. Quais as chances da Academia ignorar isso? Patton Oswalt tem sido bastante elogiado, mas pode perder a vaga para Armir Hammer, se a Academia abraçar J. Edgar ou para Philip Seymou Hoffman, fazendo o feijão com arroz de sempre, mas sempre muito bem.

atriz coadjuvante
Octavia Spencer
1 Octavia Spencer, Histórias Cruzadas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Vanessa Redgrave
2 Vanessa Redgrave, Coriolanus
Carey Mulligan
3 Carey Mulligan, Shame
Shailene Woodley
4 Shailene Woodley, Os Descendentes
Bérénice Bejo
5 Bérénice Bejo, O Artista
alternativas: Jessica Chastain, Histórias Cruzadas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; Jessica Chastain, A Árvore da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

Octavia Spencer é considerada a favorita sem Viola Davis no páreo. Viola tem sido vendida pelo estúdio como protagonista e virou favorita por lá. Fala-se muito em Vanessa Redgrave por Coriolanus, mas o filme não foi muito bem de crítica. Aí vai depender do amor da Academia por Vanessa, que acabou de receber um prêmio honorário. Será que isso ajuda ou a tira da corrida? Carey Mulligan tem Drive e Shame, mas parece que está mais forte pelo segundo como coadjuvante. Não é certeza, mas pode acontecer. A novata Shailene Woodley pode se beneficiar de uma eventual chuva de votos em The Descendants. O mesmo para Bérénice Bejo e The Artist. Resta saber se eles vão ignorar Jessica Chastain, maravilhosa em A Árvore da Vida e elogiada em Histórias Cruzadas.

roteiro original
1 Michel Hazanavicius, O Artista
2 Woody Allen, Meia-Noite em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Diablo Cody, Young Adult
4 Sean Durkin, Martha Marcy May Marlene
5 Annie Mumolo, Kristen Wiig, Missão Madrinha de Casamento EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
alternativas: Terrence Malick, A Árvore da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; Steve McQueen, Abi Morgan, Shame.
roteiro adaptado
1 Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, Os Descendentes
2 Steve Zaillian, Aaron Sorkin, O Homem que Mudou o Jogo
3 Eric Roth, Tão Forte e Tão Perto
4 Bridget O’Connor, Peter Straughan, O Espião que Sabia Demais
5 Richard Curtis, Lee Hall, Cavalo de Guerra
alternativas: Tate Taylor, Histórias Cruzadas Estrelinha; George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon, Tudo pelo Poder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.
filme estrangeiro
1 A Separação (Irã)
2 In Darkness (Polônia)
3 Beyond EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Suécia)
4 Era Uma Vez na Anatólia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Turquia)
5 Pina (Alemanha)
alternativas: A Guerra Está Declarada (França), Footnote (Israel), Respirar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Áustria), O Porto (Finlândia), Where Do We Go Now?(Líbano).
filme de animação
1 As Aventuras de Tintin
2 Rango EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Arthur Christmas
4 Rio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Carros 2
alternativas: Kung Fu Panda 2, O Gato de Botas.
fotografia
1 Emmanuel Lubezki, A Árvore da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Guillame Schiffman, O Artista
3 Robert Richardson, Hugo
4 Janusz Kaminski, Cavalo de Guerra
5 Eduardo Serra, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
alternativas: Jeff Cronenweth, Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres; Tom Stern, J. Edgar.
montagem
1 Anne-Sophie Bion, O Artista
2 Stephen Mirrione, Tudo pelo Poder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Michael Kahn, Cavalo de Guerra
4 Christopher Tellefsen, O Homem que Mudou o Jogo
5 Thelma Schoonmaker, Hugo
alternativas: Kevin Tent, Os Descendentes; Kirk Baxter, Angus Wall, Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres.
direção de arte
1 Dante Ferretti; Dorothée Baussan, Francesca Lo Schiavo, Hugo
2 Laurence Bennett, O Artista
3 Stuart Craig; Stephenie McMillan, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Rick Carter; Lee Sandales, Cavalo de Guerra
5 Jack Fisk; Jeanette Scott, A Árvore da Vida
EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: James McAteer; Gernot Thöndel, Um Método Perigoso EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; Maria Djurkovic, O Espião que Sabia Demais.
figurinos
1 Sandy Powell, Hugo
2 Michael O’Connor, Jane Eyre
3 Mark Bridges, O Artista
4 Arianne Phillips, W.E.
5 Eiko Ishioska, Simonetta Marian, Imortais
alternativas: Lisy Christi, Anônimo; Sharen Davis, Histórias Cruzadas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.
maquiagem
1 J. Edgar
2 A Dama de Ferro
3 Albert Nobbs
alternativas: Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas; Lanterna Verde EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.
trilha sonora
1 Ludovic Bource, O Artista
2 John Williams, As Aventuras de Tintin
3 John Williams, Cavalo de Guerra
4 Howard Shore, Hugo
5 Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto
alternativas: Alberto Iglesias, O Espião que Sabia Demais; Trent Reznor, Atticus Ross, Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres.
canção
1 “The Living Proof”, Histórias Cruzadas Estrelinha
2 “Star Spangled Man”, Capitão América EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 “Pictures in my Head, Os Muppets
4 “Lay Your Head Down”, Albert Nobbs
5 “Life’s a Happy Song, Os Muppets
alternativas: “Let Me Take You to Rio”, Rio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; “The Keeper”, Machine Gun Preacher; “Hell and Back Again”, Hell and Back Again; “Collision of Worlds”, Carros 2;
“Real in Rio”, Rio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.
mixagem de som
1 Transformers: O Lado Oculto da Lua
2 Cavalo de Guerra
3 Planeta dos Macacos: A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Super 8 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 As Aventuras de Tintin
alternativas: Hugo; O Artista.
edição de som
1 Transformers: O Lado Oculto da Lua
2 Super 8 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 As Aventuras de Tintin
4 Rango EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Cavalo de Guerra
alternativas: Planeta dos Macacos: A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; O Artista.
efeitos visuais
1 Planeta dos Macacos: A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Capitão América
3 Transformers: O Lado Oculto da Lua
4 Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 A Árvore da Vida
EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: Hugo; Super 8 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.
documentário
1 Hell and Back Again
2 Projeto Nim
3 Pina
4 Paradise Lost 3: Purgatory
5 We Are Here
alternativas: If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front; Buck.
 

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Elvis & Madona

Se existe um grande mérito no cinema oferecido por Marcelo Laffitte em seu longa de estreia é, além de alçar um travesti e uma lésbica aos postos de protagonistas, tratar os dois personagens como pessoas comuns. Coisa rara no cinema brasileiro. O diretor de Elvis e Madona parece querer criar um cinema conciliatório, de inclusão, em que personagens geralmente marginais são tratados de forma simples, numa comédia de situações convencional, com humor quase que politicamente correto.

A tentativa parece ter alguma semelhança com a de Aluísio Abranches no comercial de sabonetes Do Começo ao Fim. A diferença é que, enquanto Laffitte busca o cotidiano de personagens reais, Abranches investe numa trama inverossímil e tenta convencer o espectador a comprá-la. Mas nem essa procura autêntica pela naturalidade consegue dar substância ao longa de Laffitte.

O filme nunca passa de uma comedinha simpática e, por causa disso, alguns dos principais conflitos ficam superficiais. O texto falha justamente quando precisa de viradas dramáticas. Igor Cotrim se esforça no retrato do personagem, mas nunca passa do correto. Simone Spoladore absuqa da caricatura. Embora haja cenas que funcionam bem, como a da She-Ra, o conjunto é muito frágil e a traminha de suspense que surge para chacoalhar sua meia hora final não consegue muita coisa.

Elvis & Madona EstrelinhaEstrelinha
[Elvis & Madona, Marcelo Laffitte, 2009]

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Finisterrae

Dois fantasmas cansados de sua condição de fantasmas resolvem voltar à vida mais uma vez e seguem o Caminho de Santiago para encontrar um portal para o mundo dos vivos. Com essa sinopse, o diretor Sergio Caballero já anuncia que seu longa “reflexivo” vai ter um toque de humor. Finisterrae é uma homenagem-piada a filmes existencialistas, sendo Philippe Garrel seu alvo principal. O cineasta batiza o oráculo que encaminha os protagonistas para sua jornada.

Jornada que ganha elementos surreais, anárquicos e até bufos (que remetem a um humor próximo ao dos Trapalhões): há animais falantes, personagens malucos e citações a contos de fadas. O maior mérito do filme é ter culhões para entrar nesta seara e esculhambar tudo sem pudores. O problema é que a piada não se sustenta pelos 80 minutos do longa. No meio desse paradoxo, algumas cenas engraçadas e uma seqüência belíssima, a da rena procurando uma saída do palacete. Talvez ela represente Caballero, tentando encontrar uma direção para sua brincadeira.

Finisterrae EstrelinhaEstrelinha
[Finisterrae, Sergio Caballero, 2010]

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Oscar 2012: pré-candidatos a documentário

A Academia não qualificou Senna, filme do inglês Asif Kapadia sobre o brasileiro tricampeão de Fórmula 1 para o Oscar de melhor documentário. O filme, que aparecia nas principais listas de apostas, não passou pelo crivo da comissão que seleciona os filmes que podem ser indicados nesta categoria. Dos 15 longas que sobraram na disputa por uma das cinco vagas, destaca-se Pina, documentário de Wim Wenders sobre Pina Bausch, que ainda é o candidato alemão ao Oscar de filme estrangeiro e tem chances de ser indicado.

Battle for Brooklyn (RUMER Inc.)
Bill Cunningham New York (First Thought Films)
Buck (Cedar Creek Productions)
Hell and Back Again (Roast Beef Productions Limited)
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front (Marshall Curry Productions, LLC)
Jane’s Journey (NEOS Film GmbH Co. KG)
The Loving Story (Augusta Films)
Paradise Lost 3: Purgatory (@radical.media)
Pina (Neue Road Movies GmbH)
Project Nim (Red Box Films)
Semper Fi: Always Faithful (Tied to the Tracks Films, Inc.)
Sing Your Song (S2BN Belafonte Productions, LLC)
Undefeated (Spitfire Pictures)
Under Fire: Journalists in Combat (JUF Pictures, Inc.)
We Were Here (Weissman Projects, LLC)

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O Céu sobre os Ombros

Sérgio Borges

Um grupo de cineastas mineiros parece ter encontrado uma saída para o marasmo em que se encontrava o recente cinema independente brasileiro. E essa saída passa por um refinamento da fórmula do encontro entre ficção e documentário, com atores amadores, personagens reais e histórias que têm muito desses atores e desses personagens. O melhor filme dessa safra é o ainda inédito Girimunho, mas logo atrás vem o longa de estreia de Sérgio Borges, vencedor do Festival de Brasília em 2010.

O Céu sobre os Ombros trabalha com uma proposta simples: elege três personagens, pessoas reais, e acompanha suas trajetórias. Temos um poeta marginal, um atendente de telemarketing e uma transsexual que se divide entre a vida acadêmica e a prostituição. Mas Borges foge ao esquema de documentário tradicional, em que os depoimentos servem como fios condutores para a história. Ele convida os personagens para a condição de atores, incumbindo-os da função de interpretar a si mesmos.

Uma tarefa delicada, mas que funciona melhor do que encomenda porque os três protagonistas “trabalham” com uma espontaneidade que faz falta a muitos profissionais e porque suas histórias de vida são, naturalmente, atrativas, com destaque para a da transsexual Everlyn, cujo trabalho noturno é registrado como parte de uma reportagem investigativa, mas sem alarde, sem a mordaça do flagrante, seguindo o narturalismo que a que o filme se propõe.

À medida que os limites entre interpretação e vida real ficam nebulosos, o material fica cada vez mais rico, ora parecendo um documento, ora uma ficção sobre a vida na periferia. Sérgio Borges desnuda os personagens, um a um, sem pudores, mas também sem excessos. A coragem do trio se equivale ao frescor das ideias do cineasta, que comanda com precisão uma fotografia nada óbvia, que reflete o olhar diferente sobre o trio, e uma montagem que dá sentido ao emaranhado de histórias. Histórias que passam de perto pelos abismos pessoais dos protagonistas, sem buscar redenções, mas sem condená-los por nada.

O Céu sobre os Ombros EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[O Céu sobre os Ombros, Sérgio Borges, 2010]

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O Garoto de Bicicleta

Cécile de France, Jerémie Rennier

As marcas que costumamos reconhecer no cinema dos irmãos Dardenne aparecem fartamente em O Garoto de Bicicleta: a câmera naturalista, as interpretações econômicas, os personagens amargos e solitários estão presentes no novo filme da dupla, que narra a história de um garoto abandonado pelo pai. A natureza da trama é semelhante às temáticas duras que vimos em filmes como O Filho e A Criança.

Como nesses filmes, a paternidade está no centro da discussão. No entanto, o longa indica uma mudança drástica no tom do cinema dos irmãos belgas. Os protagonistas continuam cercados por um mundo cru e cruel, que em seus outros longas ultrapassa os limites do realismo e namora com um certo fatalismo. Desta vez, embora os diretores não nos poupem de cenas angustiantes, O Garoto de Bicicleta não aposta em personagens frios, enclausurados por planos rigorosos.

A palavra seria alívio. Pela primeira vez, os Dardenne parecem oferecer uma chance para seus espectadores. A chance de torcer pelos protagonistas. A própria escolha da ensolarada Cécile de France para um dos papéis principais pode ser um reflexo disso. Desde as primeiras cenas, o filme deixa espaço para uma possibilidade de transformação – e até redenção. A vida continua dura para os personagens, o ambiente ainda é hostil, mas, apesar de uns sustos pelo meio do caminho, já é possível fazer planos para amanhã.

O Garoto de Bicicleta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Le Gamin au Velo, Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2011]

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Oscar 2012: pré-candidatos a curta de animação

Birdboy

A Academia anunciou os 45 curtas de animação que concorrem a uma vaga no Oscar 2012. Meu favorito é o espanhol Birdboy.

“A Morning Stroll,” Grant Orchard
“A Shadow of Blue,” Carlos Lascano
“Birdboy,” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha Alberto Vasquez
“Chopin’s Drawings,” Dorota Kobiela
“Correspondence,” Zach Hyer
“Daisy Cutter,” Enrique Garcia and Rubin Salazar
“Dimanche (Sunday),” Patrick Doyon
“El Salon Mexico,” Paul Glickman and Tamarind King
“Enrique Wrecks the World,” David Chai
“Ente Tod Und Tulipe (Duck Death and the Tulip),” Matthias Bruhn
“Fat Hamster,” Adam Wyrwas
“Grandpa Looked Like William Powell,” David Levy
“Hamster Heaven,” Paul Bolger
“I Tawt I Taw a Puddy Tat,” Matt O’Callaghan
“I Was the Child of Holocaust Survivors,” Anne Marie Fleming
“Ingrid Pitt: Beyond the Forest,” Kevin Sean Michaels
“Kahanikar,” Nandita Jain
“La Luna,” Enrico Casarosa
“Little Postman,” Dorota Kobiela
“Luminaris,” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha Juan Pablo Zaramella
“Luna,” Donna Brockopp
“Maska,” Timothy and Stephen Quay
“Muybridge’s Strings,” Koji Yamamura
“My Hometown,” Jerry Levitan
“Night Island,” Salvador Maldonado
“Nullarbor,” Alister Lockhart
“Papa’s Boy,” Leevi Lemmetty
“Paths of Hate,” Damien Nenow
“Romance,” George Schwizgebel
“Specky Four-Eyes,” Jean Claude Rozec
“Spirits of the Piano,” Magdalena Osinska
“Thank You,” Thomas Herpich
“The Ballad of Nessie,” Stevie Wermers
“The External World,” David O’ Reilly
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore,” William Joyce and Brandon Oldenburg
“The Gloaming,” Nobrain
“The Lost Town of Switez,” Kamil Polak
“The Magic Piano,” Martin Clapp
“The Monster of Nix,” Rosto
“The Renter,” Jason Carpenter
“The Smurf’s A Christmas Carol,” Troy Quane
“The Tannery,” Iain Gardner
“The Vermeers,” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha Tal S. Shamir
“Vicenta,” EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha Samuel Orti Marti
“Wild Life,” Amanda Forbis and Wendy Tilby

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A Pele que Habito

Elena Anaya, Marisa Paredes, Antonio Banderas

A verdade é que, com Fale com Ela, Pedro Almodóvar e seus espectadores chegaram a uma zona de conforto, um ponto em que o as referências e experiências visuais do diretor amadureceram e puderam ser assimiladas por um público cada vez maior e menos disposto à ousadia presente na maior parte de sua obra. Almodóvar parecia mais sério e tudo o que ele havia feito antes de A Flor do Meu Segredo passou a ser visto com uma espécie de Almodóvar mais cru, mais infantil, imaturo mesmo.

Estando bom para ambas as partes, o acordo passou a ser: cineasta ousa menos e público gosta mais. Má Educação,Volver e Abraços Partidos, os filmes que seguiram essa linha do Almodóvar domado, embora tenham lá suas qualidades, são todos café-com-leite perto da trilogia do Almodóvar perto da perfeição, que inclui ainda Carne Trêmula e Tudo Sobre Minha Mãe. Nenhum desses novos filmes chega ao nível de estilização dos anteriores, além de economizarem na ousadia.

E Almodóvar sem ousadia, convenhamos, é como sexo sem orgasmo. Por isso, é com enorme prazer que eu digo que o cineasta recuperou a velha forma com A Pele que Habito, seu melhor filme desde 2002. Embora visualmente bem comportado, o longa nos remete ao frescor dos filmes mais legítimos do diretor, lançando um olhar novo para um dos temas que Almodóvar mais debateu em seu cinema ao longo dos anos, os limites entre masculino e feminino.

O filme começa remetendo ao cinema de horror europeu dos anos 60, com destaque para Georges Franju e seu Os Olhos sem Rosto. Mas a boa notícia mesmo é que Almodóvar perdeu o medo do ridículo e prova isso logo nos primeiros minutos do filme, com o personagem do Tigre, que recupera o escracho que o diretor tinha perdido há tempos. Uma trama do espanhol não era tão rocambolesca desde os anos 90 e Almodóvar leva a história a sério, assumindo seus excessos das cenas iniciais ao arremate.

O curioso é que a ruptura narrativa do filme, quando a história pára para dar lugar ao imenso flashback, parece, a princípio, um caminho desnecessário, mas aos poucos revela sua finalidade. A maneira como o roteiro constrói o personagem central é um trabalho de um refinamento impressionante, embora, numa visão mais rasa, por sua própria natureza, possa parecer exatamente o contrário. Há tempos que o cinema não acompanhava as transformações de um personagem tão intima e despudoradamente.

Entendo que os excessos, que apareciam diluídos em seus últimos filmes, geram desconforto para quem estava acostumado a um Almodóvar mais comportado, mas para mim a sensação foi exatamente a oposta. Pela primeira vez em muitos, muitos anos, eu saí do cinema dizendo que vi um Almodóvar genuíno, um filme de um cineasta que sabe administrar com muita consistência e um imenso prazer as tramas mais absurdas que a mente humana tem o acinte de criar.

A Pele que Habito EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[La Piel que Habito, Pedro Almodóvar, 2011]

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The Yellow Sea

Hong-jin Na

A coisa mais bonita do cinema coreano é que ele, melhor do que nenhum outro, sabe transitar da tragédia à comédia com grande naturalidade. Tudo vem casado. Não existe preparação para o espectador ocidental, acostumado a mudanças pontuadas. O drama e o humor se misturam e surgem do nada, pegando muita gente de supresa e deixando outros sem entender bem aquilo. E essa característica está presente em todo filme vindo país, inclusive os que, supostamente, deveriam abrir pouco espaço para comédia e tragédia.

É o caso de The Yellow Sea, a princípio um filme de máfia sobre um homem comum contratado para cometer um crime, que logo ganha um prisma mais abrangente e se transforma num policial megalômano, com seqüências de perseguição que deixam Batman: O Cavaleiro das Trevas no chinelo. A verdade é que depois do bom O Caçador, Hong-jin Na dirigiu um dos melhores filmes policiais dos últimos anos.

Filmado com muito talento, o longa tem uma fotografia meticulosa, que funciona mesmo quando a câmera é trêmula demais, mas é mesmo na montagem e no desenho de som que o filme cresce, transformando as cenas de fuga em seqüências onde o espectador perde o fôlego junto com o ótimo protagonista. É verdade que o filme é bem grande e que uma tesoura eliminaria fácil algumas gordurinhas, mas o conjunto é tão forte que alguma distribuidora brasileira bem que poderia tomar a iniciativa de lançar esse filmaço em circuito.

The Yellow Sea EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Hwanghae, Hong-jin Na, 2010]

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Mostra SP 2011: post 15

The Yellow Sea EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Hwanghae, Hong-jin Na, 2010]

O Outro Lado do Sono EstrelinhaEstrelinha
[The Other Side of Sleep, Rebecca Daly, 2011

Rebecca Daly levou a sério o título de seu filme. O Outro Lado do Sono e seu quê de thriller indie-etéreo-irlandês desperta o cochilo interior em qualquer espectador. A trama não oferece respostas fáceis, mas a suposta inteligência da narrativa parece mais uma grande confusão de onde a diretora não soube achar a saída. A protagonista exagera na demência.

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