Monthly Archives: junho 2011

Meia-noite em Paris

Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Corey Stoll

Dizem que Meia-Noite em Paris seria um plágio de um filme francês dos anos 50. Pesquisei. Encontrei o filme. A trama é parecida, mas não exatamente igual. Mas, para mim, isso na verdade pouco importa. Eu gostei tanto de como Woody amarra sua trama, de como ele parece tão encantado em visitar pontos turísticos de Paris, de como ele soa tão espontâneo em seu desfile de referências artísticas, de como ele parece se divertir tanto com sua brincadeira que o que soa meio bobo para mim é cobrar originalidade com um resultado tão gostoso.

Dizem também que Meia-Noite em Paris é um filme menor de Woody Allen, que é meio bobo em sua viagem fantástica pelo tempo. Até concordo. Mas o que é um “filme maior” de Woody Allen? Quando ele não cai no bobo, mesmo tratando de assuntos mais sérios? Num filme sobre uma crise de casamento, ele encontra espaço para uma aparição surpresa de Marshall McLuhan. Uma mulher que entra e sai de uma tela de cinema é um filme menor porque, na prática, não se entra e sai de uma tela de cinema? Não me convence.

E olha que Meia-Noite em Paris está longe dos meus filmes favoritos de Woody Allen, que está longe de estar entre meus diretores favoritos. Mas eu gostei muito de como, mesmo depois dos 70, esse cineasta ainda dá a cara a tapa e faz um filme de fantasia facilmente identificável como um filme bobo. Gostei de como ele cria, sustenta e defende sua brincadeira. De como essa brincadeira lança uma discussão interessante sobre como nossa resposta para nossas frustações sempre está no que já passou. Em como Owen Wilson copia descaradamente o Woody ator e está maravilhoso assim mesmo.

Que bobagem, meninada! Esse filme é uma delícia.

Meia-Noite em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Midnight in Paris, Woody Allen, 2011]

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Mutirão: Douglas

O Douglas, que é leitor do blogue, me escreveu pedindo ajuda para identificar um filme de que ele só viu uma parte. Quem pode nos dar uma ajudinha? Repriso aqui o texto do Douglas.

“Ola a todos!!então estou a +ou- uns 3 anos tentando compra,alugar,baixar e etc um filme que eu vi apenas um pedaço pois a luz acabou eu fui dormi e de la pra ca tento muito ver o filme mas não sei o nome,tenho poucas informações sobre o msm mas p/ quem ja assisitiu podem fazer a diferencia.
Então trata-se de um terror religioso, tem um padre que investiga sobre a maria madalena,tem uma outra parte que uma mulher da a luz a um bebe e esse padre ve o parto,uma freira protege o bebe no convento. Tem um demonio que é preso em uma delegacia,e tem uns seguidores ele corta um pedaço do dedo e eu acho que ele faz uma outra pessoa com o dedo cortado. Bom espero estar ajudando, ele no filme é mencionado uma ilha acho que é a de pascoa.bom e oq lembro…tem tb uma garota e um garoto com um laptop,,,putz tenho pouquissimas informações. Mas espero msm que sejam suficientes pois pelo o que eu vi neste site é só os expert no assunto
Agradeço pela sua atenção dedicada a este texto”.

Quem tiver alguma informação, por favor, se manifeste.

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A Casa

O simples fato deste ser um filme de terror vindo do Uruguai já desperta o interesse. Interesse que aumenta quando se conhece a natureza do projeto: o filme é todo feito como um único plano-seqüência, sem cortes aparentes. E o longa começa bastante interessante, criando tensão basicamente com um jogo de luz e sombras – e quilos de efeitos sonoros. Os sustos da primeira metade do longa são bons e o diretor consegue criar algumas imagens bem macabras, como o estranho iluminado numa encruzilhada. Mas infelizmente o diretor Gustavo Hernández não se contentou com o terror mais básico e resolveu buscar explicações psicológicas no que vende como uma suposta história real. Aí o jogo vira e o filme perde a espontaneidade quando o velho e bom desconhecido dá lugar à “sordidez da mente humana”.

A Casa EstrelinhaEstrelinha
[La Casa Muda, Gustavo Hernández, 2010]

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Top 100: filmes gays

De uns anos pra cá, a homossexualidade no cinema ganha mais espaço e é tratada com mais complexidade. Mas os filmes sempre deram um jeito de tocar na questão, seja pela comédia, seja pelas insinuações ou, quando as insinuações eram crime, pela falta delas. A lista abaixo tem 100 dos melhores filmes que tratam do tema no centro de suas tramas (ou bem perto do centro). Alguns deixam margens para discussões: são filmes gays ou não? Mas todos têm um namoro com o assunto. A lista é para se discordar. Deixem as suas nos comentários.

Antes da lista principal, eu indico o pior filme gay de todos os tempos. Um filme incompetente que se abstrai da busca por verossimilhança na história de amor entre dois irmãos e é dirigido como comercial de sabão em pó:

Aluisio Abranches

Do Começo ao Fim
Do Começo ao Fim, Aluisio Abranches, 2009

top 100 + 1

101 Aimée & Jaguar
Aimée & Jaguar, Max Färberböck, 1999

100 Três Formas de Amar
Threesome, Andrew Fleming, 1993

99 Ligadas pelo Desejo
Bound, Larry e Andy Wachowski, 1996

98 Saindo do Armário
Get Real, Simon Shore, 1998

97 Meninos Não Choram
Boys Don’t Cry, Kimberly Peirce, 1999

96 C.R.A.Z.Y.
C.R.A.Z.Y., Jean-Marc Vallée, 2005

95 Moulin Rouge
Moulin Rouge, Baz Luhrmann, 2001

94 Café da Manhã em Plutão
Breakfast on Pluto, Neil Jordan, 2005

93 Ninguém é Perfeito
Flawless, Joel Schumacher, 1999

92 Fome de Viver
The Hunger, Tony Scott, 1983

91 Vitor ou Vitória
Victor/Victoria, Blake Edwards, 1982

90 De Repente, no Último Verão
Suddenly, Last Summer, Joseph L. Mankiewicz, 1959

89 Um Amor Quase Perfeito
Le Fate Ignoranti, Ferzan Ozpetek, 2001

88 Geração Maldita
The Doom Generation, Gregg Araki, 1995

87 The Bubble
Ha-Buah, Eytan Fox, 2006

86 Para o Resto de Nossas Vidas
Pete’s Friends, Kenneth Branagh, 1992

85 Caravaggio
Caravaggio, Derek Jarman, 1986

84 Cabaret
Cabaret, Bob Fosse, 1972

83 Rainha Christina
Queen Christina, Rouben Mamoulian, 1933

82 Filadélfia
Philladelphia, Jonathan Demme, 1993

81 A Cor da Púrpura
The Color Purple, Steven Spielberg, 1985

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X-Men: Primeira Classe

Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, January Jones, James McAvoy

A relação entre X-Men: Primeira Classe e o restante dos filmes sobre os mutantes da Marvel ainda é um mistério. Ao mesmo tempo em que parece criar uma nova linha temporal para a cronologia X nos cinemas, o filme faz referência aos outros longas, inclusive com duas participações especiais que podem indicar que a cronologia será a mesma. Independentemente de sua natureza, o filme é a melhor coisa que poderia ter acontecido à série depois de dois desastres.

O longa apresenta a origem do grupo de mutantes, tomando total liberdade em onde, como e com quem tudo começou nos quadrinhos. Mas todas as transformações, inclusive no perfil dos personagens, parecem bastante seguras e funcionais. O objetivo é nobre: revitalizar os X-Men no cinema, costurando sua história à própria história do mundo. Matthew Vaughn acertou no alvo mesmo com tantas máculas à database tão bem guardada na memória pelos fanboys.

Isso me remete ao 2000. Enquanto metade do planeta se desmanchava em elogios ao primeiro filme dos X-Men, eu só fazia reclamar. O longa de Bryan Singer era cinema de aventura bom, o texto estava acima da média e Hugh Jackman, Anna Paquin, Ian McKellen e Patrick Stewart defenderam muito bem seus personagens. Mas, putz, eu tinha esperado tanto tempo para ver as origens de meus heróis favoritos transformadas?

Pois bem, enquanto todo mundo amava X-Men, eu era um fã decepcionado.

As coisas mudaram radicalmente quando X-Men 2 estreou. Além de aumentar o leque de personagens, o filme, uma versão não-oficial da graphic novel Deus Ama, o Homem Mata, era impecável. O texto dava tratava de preconceito e aceitação com uma inteligência até então inédita num longa com super-heróis. O filme foi um dos meus favoritos me 2003. E, graças a ele, resolvi reconsiderar o que pensava sobre o primeiro.

Seria impossível estrear a série respeitando a cronologia. Eram quase 40 anos de HQs e, para ficar num só exemplo, como começar a história dos X-Men no cinema abrindo mão de Wolverine, um dos heróis mais populares de todos os tempos? Hoje, dois filmes ruins depois (O Confronto Final e Wolverine), X-Men: Primeira Classe vem refundar a franquia. Mudando tudo. Mas, desta vez, eu deixo.

Matthew Vaughn, que deveria ter dirigido o terceiro filme, mas desistiu por causa do pouco tempo que teria para entregá-lo, assumiu essa retomada da série e conseguiu entregar um longa que, mesmo com alguns tropeços, consegue revitalizar a história dos heróis com a consistência que faltou aos dois filmes anteriores. A reintrodução dos personagens fere a cronologia, mas funciona perfeitamente para a história. A costura com a Guerra Fria, muito bem resolvida, catapulta discussões.

O roteiro cria cenas belíssimas, como o primeiro encontro entre Charles Xavier e Mística, e acerta em cheio em toda a sequência da praia, que reafirma o dilema dos mutantes e serve de prólogo para uma nova série longeva, cheia de possibilidades. Há momentos tolos, como a conversa entre Mística e o Fera, antes da cena do soro, onde o texto didático carece do refinamento que vimos em X-Men 2, mas nada chega a comprometer a harmonia do filme.

O elenco é acertadíssimo. Michael Fassbender está excepcional como Magneto. Finalmente um grande papel para ele em Hollywood. James McAvoy está tão bom quanto como o Professor X, mas como faz o bonzinho vai sempre ficar à sombra. Jennifer Lawrence e Kevin Bacon também se destacam e a falta de expressão de January Jones, quem diria?, funciona perfeitamente para o papel de Emma Frost.

Agora resta esperar o próximo passo na história dos mutantes no cinema. Matthew Vaughn diz que aceitaria dirigir uma continuação. Eu, mesmo que este filme esteja longe de ser perfeito, voto nele.

X-Men: Primeira Classe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[X-Men: First Class, 2011, Matthew Vaughn]

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Estamos Juntos

Estamos Juntos é um filme que carece. De habilidade, em sua tentativa de retratar o isolamento típico do morador de São Paulo. De substância, em dar corpo ao drama de sua protagonista. De consistência, em incorporar a questão social à trama que propõe. O novo longa de Toni Venturi quer dar conta de mais coisas do que consegue. Joga em muitas frentes e termina é mais ou menos em todas.

Leandra Leal, que é uma grande atriz, aproveita todas as brechas para partir para o contra-ataque. É sua interpretação que garante os momentos em que o filme parece mais coeso, mas mesmo assim seus esforços não são recompensados pela direção, frouxa, que deixa escapar o peso de cenas importantes, como aquelas em que a protagonista tenta contar seu problema. Tudo parece batido no liquidificador.

Cauã Reymond é um adorno ao filme. Ele acerta e erra na composição do amigo gay. Sai no saldo, mas o roteiro não desenvolve o personagem , mesmo que o objetivo fosse retratar como ele é raso. O argentino Nazareno Casero entrega uma participação irritante que vira comédia (ruim) quanto tenta fazer drama. Débora Duboc é mal aproveitada e é difícil se decidir sobre se o personagem de Lee Taylor. Na maioria das vezes, parece uma ideia espertinha. Só isso.

O argumento parece ter mais culpa na história do que a direção. O maior pecado do roteiro de Hilton Lacerda, que já assinou os “engajados” Amarelo Manga e Baixio das Bestas, é o “núcleo de gente diferenciada”, que parece colado à trama principal com fita crepe velha. A tentativa de encontro dessas linhas narrativas é forçado, didático, sem liga.

Apesar disso tudo, dá pra perceber uma tentativa sincera de Toni Venturi de contar uma história mergulhando na cidade grande. Pena que ficou na intenção.

Estamos Juntos EstrelinhaEstrelinha
[Estamos Juntos, 2011, Toni Venturi]

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