Monthly Archives: março 2011

Sucker Punch – Mundo Surreal

Zack Snyder pode não ter inventado a câmera lenta, mas seus filmes usaram uns 10% de todo o slow motion da história. Sucker Punch – Mundo Surreal honra esse estilo clássico do diretor. Começa com um cover de “Sweet Dreams (Are Made of This)”, dos Eurythmics, e, de cara, já desacelera as imagens. As músicas pop, muitas vezes regravadas pela protagonista Emily Browning, e a fotografia estilizada, como de praxe, fecham o pacote estético do longa, que é uma trama de mistério/ação sobre uma jovem que é internada num manicômio e mistura realidades.

Dessa maneira, o primeiro literalmente filme feminino de Snyder pode ser definido como um encontro de Burlesque com Mortal Kombat (with lasers). Sucker Punch é um 300 de saias. Quer dizer… A ideia poderia até resultar num filme interessante se o diretor não estivesse tão interessado em explorar tecnologia (de uma forma pouco inovadora), que reprisa a experiência de filmes que trabalharam nesta seara, como Capitão Sky e o Mundo do Amanhã, por exemplo. O resultado, além de chato, parece genérico e reciclado.

Até a maneira como as mocinhas aterrissam no chão é clichê.

Fazia tempo que não se via um blockbusters de ação abusar tanto da trilha sonora, cheia de hits do indie pop, como mandam as regras dos… anos 90! Além de Eurythmics, há um cover de “Where is My Mind”, dos Pixies, também na voz da protagonista, e, entre outras, “Army of Me” com a Bjork mesmo. Elas servem para embalar as cenas de ação, que acontecem no terceiro nível de realidade apresentado pelo filme. No melhor estilo O Último Mestre do Ar, com efeitos visuais bons, mas infantilizados, mesmo que o filme use uma embalagem de filme de guerra moderno para esses momentos de batalha.

Essa infantilização é levada a cabo inclusive na narrativa, que se pretende inteligente, mas cujas camadas de realidade parecem brincadeira repetida. Se alguém se impressionou, posso fazer uma lista com filmes que trabalham melhor esta premissa. No fim das contas, a melhor coisa de Sucker Punch foi perceber como Abbie Cornish, a atriz de Brilho de uma Paixão, tem um corpão que funciona direitinho para filmes de ação. Mesmo que eles sejam mais do mesmo.

Sucker Punch – Mundo Surreal EstrelinhaEstrelinha
[Sucker Punch, Zack Snyder, 2011]

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Cópia Fiel

Cópia Fiel

Sair de seu Irã ajudou a manter o gênio de Abbas Kiarostami trabalhando a pleno vapor. Embora, há anos, seus trabalhos sejam financiados por países ocidentais, sobretudo a França, esta é a primeira vez que o cineasta iraniano escolhe uma trama que o afasta de sua terra natal. Cópia Fiel mantém as principais regras e temáticas do cinema do diretor. A observação do cotidiano e a busca da identidade estão em primeiro plano mais uma vez, mas agora com rostos ocidentais como o de Juliette Binoche, premiada em Cannes por uma performance que exige muito de seu talento.

O filme é um enigma que o cineasta oferece ao espectador. O ponto de partida está na discussão sobre a originalidade de uma obra de arte. O protagonista, vivido por William Shimell, defende que as cópias são tão originais quanto a obra inicial. Como costuma fazer, Kiarostami costura seus objetos à própria estrutura de seu filme. Aqui, a discussão rapidamente passa do diálogo para a própria história do longa e Cópia Fiel vira um jogo de simulacros sob o disfarce de melodrama matrimonial.

Os personagens de Binoche e Shimell são confundidos com um casal e resolvem assumir a fantasia para si, literalmente “vivendo” o discurso do cineasta de que a originalidade está nos olhos de quem vê. A história dentro da história ganha proporções cada vez maiores até que, sem aviso prévio ou grandes rupturas, os protagonistas se transformam definitivamente nas pessoas que fingiam ser. A virada da trama legitima a discussão iniciada por Kiarostami e coloca o espectador numa situação única: se quem manda nessa história é ele, o espectador, a pessoa que olha para a obra, quem está certo nesse debate é ele, o diretor, que deixou todo mundo encurralado e condenado a concordar com ele.

Cópia Fiel EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Copie Conforme, Abbas Kiarostami, 2010]

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Poesia

Poesia

Os poemas que a protagonista deste filme compôs com tanta espontaneidade e inocência provavelmente nunca serão lidos. Essa provocação de Chang-dong Lee, um dos diretores mais badalados da atual safra do cinema coreano, deixa ainda seu longa ainda mais melancólico. À primeira vista, este filme parecia mais um daqueles orientais dedicados a investigar a beleza da pureza e coisa e tal, mas Poesia vai além do que o título sugere. Embora haja bastante gordura em seus 140 minutos, o filme consegue fazer uma ponte eficiente entre as duas linhas narrativas percorridas pela personagem – vivida por uma tocante Jeong-hie Yun – seu curso para escrever poemas e seu movimento para encobrir os pecados do neto. Somos levados a acompanhar Mija em sua rotina cíclica e desinteressante, passando por seu grupo de poesia até sua inesperada cantoria num karaokê. O ritual da personagem parece ser o da transição: ela, mesmo que inconscientemente, nos prepara para a mudança de tom no final, uma bela surpresa num filme pequeno diante da obra do diretor.

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[Shi, Chang-dong Lee, 2010]

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Lope

Convencional do começo ao fim, Lope é um dos filmes mais redondos de Andrucha Waddington. O brasileiro teve que ir para a Espanha para encaretar seu cinema (no melhor sentido), aprendeu as regras de uma cinebio hollywoodiana e, para a minha surpresa, fez tudo direitinho. O filme conta, da maneira mais clássica possível, a história do poeta Lope de Vega, que no final do século XVI chacoalhou a cena teatral de Madrid com sua reinvenção da comédia. Waddington põe tudo no lugar certo: personagem que não se enquadra, historinha de amor, interpretações, fotografia, trilha épica. É mais do mesmo, mas só não convence quando Selton Mello aparece sem ter um porquê. De resto, o filme funciona que é uma beleza como o novelão que é.

Lope EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Lope, Andrucha Waddington, 2010]

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Não Me Abandone Jamais

Entrei na sessão de Não Me Abandone Jamais completamente virgem de informações sobre o filme e dou de cara com um romance a la anos 70 inserido numa história de ficção-científica, baseada num livro escrito pelo autor de Vestígios do Dia, o japonês Kazuo Ishiguro. Esta mistura curiosa deixa o filme tão esquisitinho que mesmo quando ele passa pelos lugares comuns fica interessante. Esse ar retrô é o maior acerto do filme de Mark Romanek, que já tinha dirigido aquela bobagem chamada Retratos de uma Obsessão, e aqui se recupera e acerta na atmosfera ao mesmo tempo estranha e etérea e simples e melancólica. Diante de um elenco de jovens revelações em momento apagadinho, é a veterana Charlotte Rampling quem rouba a cena. A trilha da Rachel Portman é bonita, mas talvez excessiva.

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[Never Let Me Go, Mark Romanek, 2010]

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Em um Mundo Melhor

Poucos diretores têm uma obra consistente construída por melodramas. A nomes como Alejandro Agresti e Nick Cassavetes, é possível juntar o de Susanne Bier. A dinamarquesa de Depois do Casamento aqui aposta no encontro de duas famílias para mostrar os efeitos devastadores da solidão. Os dois jovens protagonistas têm motivos diferentes para se sentirem isolados e é isso que os aproxima. Bier constrói essa relação muitas vezes abusando de constrastes e didatismos, mas consegue compor cenas fortes que transcedem o lugar comum. As sequências da África, no entanto, parecem dispensáveis. Têm o pretexto de delinear um personagem cujo perfil já parecer estar suficientemente claro em suas cenas fora de lá. Embora nunca seja um filme excepcional, Em um Mundo Melhor dá conta de seu projeto com folga.

Em um Mundo Melhor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Hævnen, Susanne Bier, 2010]

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Top 100 Sessão da Tarde

A lista que você vai encontrar neste post é para ser discordada. Porque não dá pra cobrar opiniões iguais quando se trata de coisas tão próximas ao coração. E os mais novos que me perdoem, mas apenas quem tem mais de 30 anos conheceu a fase de ouro da Sessão da Tarde. O cantinho mais mitológico da TV brasileira começou em 1975 e, durante minha infância e minha adolescência, foi meu dever de casa todas as tardes. Então, nada mais justo do que remexer no baú da memória e refazer (e ampliar) a relação com os meus clássicos favoritos que foram exibidos na sessão.

A lista traz apenas filmes dos quais eu realmente gosto (ou gostei – porque o tempo passa e as coisas mudam, né?). Mas tem um filme que eu adoro, mesmo sabendo que é ruim de doer, e resolvi citá-lo como um guilty pleasure do coração. É este aqui:

Battle Beyond the Stars
Mercenários das Galáxias
Battle Beyond the Stars
Jimmy T. Murakami, 1980

Curiosamente, o filme é dirigido pelo mesmo cineasta que fez a animação A Menina e o Porquinho, outro obrigatório nesta lista. A presença de alguns filmes que eu incluí aqui talvez só faça sentido para mim. Não importa. Cada um escolhe o que guardar na memória. Só considerei longas exibidos até o fim dos anos 80, época em que eu morava em frente à televisão. Agora, sim, segue o Top 100 da Sessão da Tarde.

Lee Montgomery
100 Ben, o Rato Assassino
Ben
Phil Karlson, 1972
Peter Yates
99 Krull
Krull
Peter Yates, 1983
Elvis Presley
98 Feitiço Havaiano
Blue Hawaii
Norman Taurog, 1961
Steve Reeves
97 As Aventuras do Ladrão de Bagdá
Il Ladro di Bagdad
Arthur Lubin e Bruno Vailati, 1961
The Monster Squad
96 Deu a Louca nos Monstros
The Monster Squad
Fred Dekker, 1987
Elvira, Mistress of the Darkness
95 Elvira, a Rainha das Trevas
Elvira, Mistress of the Dark
James Signorelli, 1988
Michael Paré, Diane Lane
94 Ruas de Fogo
Streets of Fire
Walter Hill, 1984
George Pal
93 O Pequeno Polegar
tom thumb
George Pal, 1958
Sidney Poitier
92 Ao Mestre com Carinho
To Sir, With Love
James Clavell, 1967
Dan O'Bannon
91 A Volta dos Mortos Vivos
The Return of the Living Dead
Dan O’Bannon, 1985
The Black Stallion
90 O Corcel Negro
The Black Stallion
Carroll Ballard, 1979
James Cameron
89 Piranha II – As Assassinas Voadoras
Piranha – Part Two: The Spawning
James Cameron, 1981
Ronald F. Maxwell
88 Kidco
Kidco
Ronald F. Maxwell, 1984
The Land that Time Forgot
87 A Terra que o Mundo Esqueceu
The Land That Time Forgot
Kevin Connor, 1975
Pat Morita
86 Karatê Kid – A Hora da Verdade
The Karate Kid
John G. Avildsen, 1984
Clint Eastwood, Sondra Locke
85 Bronco Billy
Bronco Billy
Clint Eastwood, 1980
Ricky Schroeder, Jon Voight
84 O Campeão
The Champ
Franco Zeffirelli, 1979
Jeff Bridges
83 Tron – Uma Odisseia Eletrônica
Tron
Steven Lisberger, 1982
River Phoenix
82 Viagem ao Mundo dos Sonhos
Explorers
Joe Dante, 1985
Elvis Presley
81 O Seresteiro de Acapulco
Fun in Acapulco
Richard Thorpe, 1963
Chevy Chase
80 Assassinato por Encomenda
Fletch
Michael Ritchie, 1985
Stewart Granger
79 Scaramouche
Scaramouche
George Sidney, 1952
Jane Seymour
78 Sinbad e o Olho do Tigre
Sinbad and the Eye of the Tiger
Sam Wanamaker, 1977
Val Kilmer
77 Top Secret – Superconfidencial
Top Secret!
Jim Abrahams, Jerry Zucker e David Zucker, 1984
Leslie Caron
76 Lili
Lili
Charles Walters, 1953
Clint Eastwood
75 Doido para Brigar… Louco para Amar
Every Which Way But Loose
James Fargo, 1978
Hedy Lamarr, Victor Mature
74 Sansão e Dalila
Samson and Delilah
Cecil B. De Mille, 1949
O Último Guerreiro das Estrelas
73 O Último Guerreiro das Estrelas
The Last Starfighter
Nick Castle, 1984
Shirley Temple
 

Elizabeth Taylor
72 O Pássaro Azul
The Blue Bird
Walter Lang, 1940
72 O Pássaro Azul
The Blue Bird
George Cukor, 1976
The Swarm
71 O Enxame
The Swarm
Irwin Allen, 1978
Dennis Quaid, Louis Gossett Jr.
70 Inimigo Meu
Enemy Mine
Wolfgang Petersen, 1985
Wilford Brimley, Don Ameche, Hume Cronyn
69 Cocoon
Cocoon
Ron Howard, 1985
Anthony Quinn, James Coburn
68 Vendaval em Jamaica
A High Wind in Jamaica
Alexander Mackendrick, 1965
Renato Aragão, Zacarias, Mussum, Dedé Santana, Louise Cardoso
67 Os Vagabundos Trapalhões
Os Vagabundos Trapalhões
J. B. Tanko, 1982
O Manto Sagrado
66 O Manto Sagrado
The Robe
Henry Koster, 1953
Erroll Flynn
65 O Gavião do Mar
The Sea Hawk
Michael Curtiz, 1940
Elisabeth Shue
64 Uma Noite de Aventuras
Adventures in Babysitting
Chris Columbus, 1987
Elizabeth Taylor, Lsssie
63 Lassie e a Força do Coração
Lassie Come Home
Fred M. Wilcox, 1943
Nicholas Ray
62 O Rei dos Reis
King of Kings
Nicholas Ray, 1961
John Wayne, Lee Marvin
61 O Aventureiro do Pacífico
Donovan’s Reef
John Ford, 1963
Os Saltimbancos Trapalhões
60 Os Saltimbancos Trapalhões
Os Saltimbancos Trapalhões
J. B. Tanko, 1981
The Sounf of Music
59 A Noviça Rebelde
The Sound of Music
Robert Wise, 1965
Stanley Donen, Howard Keel
58 Sete Noivas para Sete Irmãos
Seven Brides for Seven Brothers
Stanley Donen, 1954
Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsem
57 Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu!
Airplane!
Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker, 1980
A Menina e o Porquinho
56 A Menina e o Porquinho
Charlotte’s Web
Charles A. Nichols e Iwao Takamoto, 1973
Harold Ramis, Dan Aykroyd, Bill Murray, Ernie Hudson
55 Os Caça-Fantasmas
Ghostbusters
Ivan Reitman, 1984
Cecil B. De Mille
54 Os Dez Mandamentos
The Ten Comandments
Cecil B. De Mille, 1956
Arlene Dahl, Henry Levin
53 Viagem ao Centro da Terra
Journey to the Center of the Earth
Henry Levin, 1959
Kristen Swanson
52 A Maldição de Samantha
Deadly Friend
Wes Craven, 1986
Olivia Hussey, Leonard Whiting
51 Romeu e Julieta
Romeo and Juliet
Franco Zeffirelli, 1968
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