Monthly Archives: fevereiro 2011

Oscar 2011: passado ou bem passado?

Steven Spielberg é um sábio. Sou fã do homem. Antes de entregar o Oscar de melhor filme, o cineasta mais famoso do mundo disse que quem ganhasse se juntaria a filmes como O Poderoso Chefão e que quem perdesse estaria ao lado de Touro Indomável. Steven, um homem que tem noção boa de perenidade, provavelmente já previa a vitória de O Discurso do Rei, um filme do qual o mundo se esquecerá em alguns meses, sobre A Rede Social, um filme que representa uma época.

Com a vitória do filme inglês, a Academia perdeu a oportunidade de parecer uma entidade extraterrena, coisa qua havia conseguido nos últimos anos, celebrando filmes que, bem ou mal, estavam de acordo o momento. Não que um filme de época seja necessariamente alienado, mas o recorte biográfico da vida George VI, um rei esquecido pelo tempo, metaboliza uma história de superação forjando a importância de seu protagonista na Segunda Guerra Mundial com uma série de armadilhas de roteiro escondidas por um acabamento técnico apenas correto.

A meu ver, O Discurso do Rei se junta mesmo a títulos como Carruagens de Fogo e Conduzindo Miss Daisy, filmes quadradinhos, totalmente trabalhados no emocional e cheios de fórmulas. Pelo menos, nos dois casos, os diretores, que não fizeram mais do que apertarem os botões, não foram igualmente agraciados. O do primeiro sequer foi indicado. Se o mundo fosse justo, este seria o destino de Tom Hooper. Mas o mundo não é. E David Fincher, que fez um trabalho muito superior, se viu derrotado pelo mais fraco de seus concorrentes. Não precisava.

O prêmio para Colin Firth seria menos óbvio se seu principal adversário não tivesse ganho no ano anterior. Jeff Bridges havia vencido por uma interpretação menos complexa, derrotando por sinal o próprio Firth, que ainda ganhou os pontos da compensação, que ajudou a pesar a balança pro seu lado. Essa regra não funcionou para a veterana Annette Bening que poderia ser a zebra entre as melhores atrizes, mas cujo trânsito entre a categoria e sua própria história, inclusive no Oscar, não foram suficientes para barrar a sempre mediana Natalie Portman, em sua interpretação mais esforçada.

Christian Bale, melhor performance indicada este ano (contando todas as categorias de atuação), ganhou merecidamente o prêmio de coadjuvante, diminuindo o número de troféus do filme inglês. Melissa Leo driblou sua campanha de auto-difamação que repercutiu mal na imprensa e duas boas apostas, Hailee Steinfeld e Helena Bonham-Carter, mas a grande atriz fora das telas vendeu a imagem de uma Suzana Vieira norte-americana, arrogante, histriônica, barraqueira e deselegante. Pena que Kirk Douglas, genial em sua apresentação do prêmio que ela ganharia, teve que ver aquilo de perto.

A cerimônia desta noite foi bem interessante, embora muitos prêmios tenham sido ruins. Mas dois nomes garantiram nossa festa. O primeiro foi Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que ao lado de Atticus Ross assinou a trilha sonora de A Rede Social, que derrotou o conformismo. Foi um dos grandes momentos da noite. O outro nome foi o de Anne Hathaway, a apresentadora, deliciosamente simpática e brincalhona. Seu par, James Franco, estava bem, mas ela dominou a cerimônia, mais curta do que no ano passado.

Numa lista de filmes ruins, Em Um Mundo Melhor, que não é ótimo, mas não envergonha a diretora foi justamente homenageado. Foi a mesma lógica do quesito de canção. Só havia uma boa música. Justamente “We Belong Together”, de Toy Story 3, a que ganhou. O prêmio para a fotografia de A Origem pode não ser o mais justo, mas indica que a Academia pode estar ampliando seus critério desta categoria. Mesmo assim, é imperdoável que Bravura Indômita tenha saído sem prêmios da festa, mesmo diante de suas dez indicações. Interessante foi ver O Discurso do Rei falhar justamente em sua seara, direção de arte e figurinos.

Para compensar, a Academia produziu um clipe risível em que um voice over do filme que seria o vencedor atravessa os dez indicados a melhor filme. Acaso, descuido ou uma edição didática como a do filme de Tom Hooper. É, Steven Spielberg estava certo em seu discurso conciliador. Assim como Rick Baker, mestre numa arte prestes a terminar, a maquiagem, que levou seu sétimo Oscar, a Academia precisa ter cuidado para não se juntar a ele. Não como vencedor, mas no quesito “obsoleto”.

Compartilhe!

17 Comments

Filed under Prêmios

Oscar 2011: apostas finais

Colin Firth Tom Hooper

filme

127 Horas EstrelinhaEstrelinha, Danny Boyle
Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joel e Ethan Coen
Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Darren Aronofsky
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha, Tom Hooper
Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Debra Granik
Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lisa Cholodenko
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Nolan
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David Fincher
Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lee Unkrich
O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell

quem ganha: O Discurso do Rei
quem ameaça: A Rede Social
quem deveria: Toy Story 3
quem faltou: Namorados para Sempre

direção

Darren Aronofsky, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
David Fincher, A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
David O. Russell, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Joel e Ethan Coen, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Tom Hooper, O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha

quem ganha: David Fincher, A Rede Social
quem ameaça: Tom Hooper, O Discurso do Rei
quem deveria: David Fincher, A Rede Social
quem faltou: David Michôd, Reino Animal

Annette Bening Julianne Moore

atriz

Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Michelle Williams, Blue Valentine EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Natalie Portman, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
quem ameaça: Natalie Portman, Cisne Negro
quem deveria: Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
quem faltou: Tilda Swinton, Eu Sou o Amor

ator

Colin Firth, O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jesse Eisenberg, A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
James Franco, 127 Horas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Javier Bardem, Biutiful EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jeff Bridges, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: Colin Firth, O Discurso do Rei
quem ameaça: ninguém
quem deveria: Jesse Eisenberg, A Rede Social
quem faltou: Ryan Gosling, Namorados para Sempre

Christian Bale

ator coadjuvante

Christian Bale, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jeremy Renner, Atração Perigosa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
John Hawkes, Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: Christian Bale, O Vencedor
quem ameaça: Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
quem deveria: Christian Bale, O Vencedor
quem faltou: Kieran Culkin, Scott Pilgrim contra o Mundo

atriz coadjuvante

Amy Adams, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Hailee Steinfeld, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Melissa Leo, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jackie Weaver, Animal Kingdom EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
quem ameaça: Melissa Leo, O Vencedor
quem deveria: Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
quem faltou: Maricel Alvarez, Biutiful

Jesse Eisenberg

roteiro adaptado

Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Ethan Coen, Joel Coen
127 Horas, Danny Boyle, Simon Beaufoy
Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Debra Granik, Anne Rosellini, Daniel Woodrell
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Aaron Sorkin
Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Arndt

quem ganha: A Rede Social
quem ameaça: Toy Story 3
quem deveria: Toy Story 3
quem faltou: Como Treinar Seu Dragão

roteiro original

Another Year, Mike Leigh
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha, David Seidler
Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Nolan
O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eric Johnson, Scott Silver, Paul Tamasy

quem ganha: O Discurso do Rei
quem ameaça: A Origem
quem deveria: O Vencedor
quem faltou: Namorados para Sempre

Lee Unkrich Pixar Disney

animação

Como Treinar Seu Dragão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Dean DeBlois, Chris Sanders
O Mágico EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Sylvain Chomet
Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lee Unkrich

quem ganha: Toy Story 3
quem ameaça: Como Treinar Seu Dragão
quem deveria: Toy Story 3
quem faltou: Meu Malvado Favorito

filme em língua estrangeira

Biutiful (México) EstrelinhaEstrelinha, Alejandro Gonzalez Iñarritu
Dente Canino (Grécia)
Em um Mundo Melhor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Dinamarca), Susanne Bier
Fora da Lei EstrelinhaEstrelinha (Argélia), Rachid Bouchareb
Incendies EstrelinhaEstrelinha (Canadá), Denis Villeneuve

quem ganha: Em um Mundo Melhor
quem ameaça: Biutiful
quem deveria: Em um Mundo Melhor
quem faltou: Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Jeff Bridges, Joel Coen, Ethan Coen

fotografia

Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Matthew Libatique
Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Wally Pfister
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jeff Cronenweth
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha, Danny Cohen

quem ganha: Bravura Indômita
quem ameaça: A Origem
quem deveria: Bravura Indômita
quem faltou: Ilha do Medo

montagem

127 Horas, Estrelinha Jon Harris
Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Weisblum
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha, Tariq Anwar
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Kirk Baxter, Angus Wall
O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pamela Martin.

quem ganha: A Rede Social
quem ameaça: O Discurso do Rei
quem deveria: A Rede Social
quem faltou: Enterrado Vivo

Mia Wasikowska

figurinos

Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Colleen Atwood
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jenny Beavan
Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Mary Zophres
Eu Sou o Amor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Antonella Cannarozzi
A Tempestade, Sandy Powell

quem ganha: Alice no País das Maravilhas
quem ameaça: O Discurso do Rei
quem deveria: Alice no País das Maravilhas
quem faltou: Tron: O Legado

direção de arte

Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Robert Stromberg; Karen O’Hara, Peter Young
Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jess Gonchor; Nancy Haigh
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eve Stewart; Judy Far
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Stuart Craig; Stephanie McMillan
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Guy Dyas; Lisa Chugg, Paul Healy, Douglas A. Mowat

quem ganha: O Discurso do Rei
quem ameaça: Bravura Indômita
quem deveria: Bravura Indômita
quem faltou: Ilha do Medo

Joe Johnston

maquiagem

Caminhos da Liberdade
O Lobisomem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Minha Versão do Amor

quem ganha: O Lobisomem
quem ameaça: A Minha Versão do Amor
quem deveria: O Lobisomem
quem faltou: Alice no País das Maravilhas

documentário em longa-metragem

Inside Job EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Charles Ferguson
Restrepo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Tim Hetherington, Sebastian Junger
Lixo Extraordinário EstrelinhaEstrelinha, Lucy Walker, Karen Harley, João Jardim
Exit Through the Gift Shop EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Banksy
Gasland, Josh Fox

quem ganha: Trabalho Interno
quem ameaça: Lixo Extraordinário
quem deveria: Trabalho Interno
quem faltou: Waiting for ‘Superman’

Tangled

canção

“Coming Home”, Country Strong
“I See the Light”, Enrolados EstrelinhaEstrelinha
“If I Rise”, 127 Horas EstrelinhaEstrelinha
“We Belong Together”, Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: “We Belong Together”, Toy Story 3
quem ameaça: “I See the Light”, Enrolados
quem deveria: “We Belong Together”, Toy Story 3
quem faltou: “Sticks and Stones”, Como Treinar Seu Dragrão

trilha sonora

127 Horas Estrelinha, A.R. Rahman
Como Treinar Seu Dragão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, John Powell
O Discurso do Rei EstrelinhaEstrelinha, Alexandre Desplat
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Hans Zimmer
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Trent Reznor, Atticus Ross

quem ganha: O Discurso do Rei
quem ameaça: Como Treinar Seu Dragão
quem deveria: A Rede Social
quem faltou: O Escritor Fantasma

Jeff Bridges, Tron: Legacy

edição de som

Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Incontrolável EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Tron: O Legado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: A Origem
quem ameaça: Incontrolável
quem deveria: Tron: O Legado
quem faltou: Como Treinar Seu Dragão

mixagem de som

Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
O Discurso do Rei
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Salt EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: Bravura Indômita
quem ameaça: A Origem
quem deveria: A Origem
quem faltou: Tron: O Legado

Ralph Fiennes

efeitos visuais

Além da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Homem de Ferro 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

quem ganha: A Origem
quem ameaça: Alice no País das Maravilhas
quem deveria: A Origem
quem faltou: Scott Pilgrim contra o Mundo

2 Comments

Filed under Prêmios

O Oscar do passo para trás?

A Academia promete dar um passo para trás neste domingo com a provável premiação de O Discurso do Rei com o prêmio de melhor filme do ano. O longa de Tom Hooper, que chega à reta final da disputa como franco-favorito, está longe de ser o filme ruim, demonizado nas redes sociais, mas representa um tipo de produção que o Oscar tinha deixado de lado nos últimos muitos anos. Mesmo quando premiou aberrações como Crash, a Academia parecia estar interessada em modernizar sua premiação, conversar com os espectadores, parecer contemporânea, atual. Parecia um grito de “se a gente não fizer alguma coisa, eles vão abandonar nosso ganhã-pão de vez”.

O Oscar celebrava coisas tão distantes da realidade que ficava difícil para o espectador validar a premiação. O problema não se resolveu, mas melhorou. Em outros tempos, O Curioso Caso de Benjamin Button ganharia facilmente o prêmio, mas a Academia preferiu um comentário pop sobre a globalização, Quem Quer Ser um Milionário?, e, no ano passado, além de eleger um filme sobre a guerra no Iraque, deu a uma mulher o Oscar de melhor direção. Anos antes, era um filme difícil dos eternos “independentes” irmãos Coen quem levava o prêmio. Tempos que mudam.

Pela lógica, ninguém tiraria o Oscar deste ano de A Rede Social. Embora não seja um filme dos mais inovadores, ele preenche vários requisitos: 1) é sobre o Facebook, a rede que tem mais de 500 milhões de usuários no planeta, o ano assunto do momento entre os internautas comuns; 2) é uma história real, sobre a ascenção de um bilionário; 3) é baseado num livro famoso; 4) tem atores competentes, edição ágil que garante a modernidade, mas não agride os tradicionalistas e um diretor com quase 20 ano de estrada, já indicado ao Oscar, que fez um trabalho celebrado por toda a crítica. O filme do ano estaria no forno.

Mas Hollywood parece ter chegado a seu ponto máximo em se tratamento desse empenho em parecer moderna. De repente, numa velocidade galopante, os sindicatos de categoria começaram, em peso, a virar o jogo. O Discurso do Rei, um filme sobre um recorte na vida de um rei de importância nula na história da Grã-Bretanha, ganhou ares de pequeno épico pessoal, aquele tipo de filme que a Academia adorava premiar. O longa que, repito, não é ruim, tem uma estrutura convencional, mofada, que se ergue baseado em armadilhas dramáticas para cooptar o espectador comum, virou favorito.

A produção dos irmãos Weinstein, que tinham feito campanhas de marketing impecáveis para O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado, dois vencedores do principal Oscar, ganhou os prêmios dos sindicatos dos produtores, dos diretores e dos atores. A gagueira do rei parecia filme de antigamente, não ofendia ninguém, tinha tom conciliador, elenco de estirpe, produção elegante. Um filme bem mediano começou a ser entendido como um grande filme.

Como toda a indústria comprou este discurso, é bem difícil acontecer outra coisa. O filme deve ganhar o Oscar principal, deixando A Rede Social, bem mais merecedor com um possível prêmio de consolação para o diretor David Fincher. Coisa que aconteceu em casos semelhantes, como quando Ang Lee ganhou nesta categoria com O Segredo de Brokeback Mountain contra Crash ou, anos antes, Steven Soderbergh fez o mesmo com Traffic, diante de Gladiador. Se Tom Hooper foi o vencedor aqui – e ele pode ser já que o filme foi eleito do Sindicato dos Diretores – realmente temos um grande problema em Hollywood.

3 Comments

Filed under Prêmios

O Oscar dos Meus Sonhos – versão 2011

Se eu decidisse os indicados ao Oscar, a lista seria esta:

filme

Bravura Indômita
Como Treinar Seu Dragão
O Escritor Fantasma
Um Lugar Qualquer
Machete
Namorados para Sempre
Reino Animal
A Rede Social
Toy Story 3
O Vencedor

direção

David Fincher, A Rede Social
David Michôd, Reino Animal
Derek Cianfrance, Namorados para Sempre
Ethan Coen e Joel Coen, Bravura Indômita
Lee Unkrich, Toy Story 3

ator

Colin Firth, O Discurso do Rei
James Franco, 127 Horas
Jeff Bridges, Bravura Indômita
Jesse Eisenberg, A Rede Social
Ryan Gosling, Namorados para Sempre

atriz

Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
Michelle Williams, Namorados para Sempre
Natalie Portman, Cisne Negro
Tilda Swinton, Eu Sou o Amor

ator coadjuvante

Christian Bale, O Vencedor
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Kieran Culkin, Scott Pilgrim contra o Mundo
Matt Damon, Bravura Indômita
Pierce Brosnan, O Escritor Fantasma

atriz coadjuvante

Jackie Weaver, Reino Animal
Kristin Scott-Thomas, O Garoto de Liverpool
Maricel Alvarez, Biutiful
Marion Cottilard, A Origem
Melissa Leo, O Vencedor

roteiro original

Enterrado Vivo
Um Lugar Qualquer
Monstros
Namorados para Sempre
Reino Animal

roteiro adaptado

Bravura Indômita
Como Treinar Seu Dragão
O Escritor Fantasma
A Rede Social
Toy Story 3

filme estrangeiro

Dias Violentos (Geórgia)
Homens e Deuses (França)
Morrer como um Homem (Portugal)
A Primeira Coisa Bela (Itália)
Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Tailândia)

filme de animação

Como Treinar Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

fotografia

Bravura Indômita
Cisne Negro
Enterrado Vivo
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
Ilha do Medo

montagem

Bravura Indômita
Como Treinar Seu Dragão
Enterrado Vivo
Machete
A Rede Social

direção de arte

Alice no País das Maravilhas
Bravura Indômita
Ilha do Medo
A Origem
Tron: O Legado

figurinos

Alice no País das Maravilhas
O Discurso do Rei
Eu Sou o Amor
O Garoto de Liverpool
Tron: O Legado

maquiagem

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
O Lobisomem

trilha sonora

Bravura Indômita
Como Treinar Seu Dragão
O Escritor Fantasma
Eu Sou o Amor
A Rede Social

canção

“Better Days”, Comer Rezar Amar
“Neutron Star Collision (Love is Forever)”, Eclipse
“Ramona”, Scott Pilgrim contra o Mundo
“Sticks and Stones”, Como Treinar Seu Dragão
“We Belong Together”, Toy Story 3

mixagem de som

Ilha do Medo
Incontrolável
A Origem
Toy Story 3
Tron: O Legado

edição de som

Como Treinar Seu Dragão
A Origem
Scott Pilgrim contra o Mundo
Ilha do Medo
Tron: O Legado

efeitos visuais

Além da Vida
Alice no País das Maravilhas
A Origem
Scott Pilgrim contra o Mundo
Tron: O Legado

4 Comments

Filed under Prêmios

Inverno da Alma

Inverno da Alma

Num ano em que boa parte dos filmes de destaque levam seus protagonistas para descidas sem escalas ao inferno, Inverno da Alma é aquele que se dá melhor. Debra Granik faz uma investigação dos acordos escusos que existem no coração da América e termina traçando um perfil da maldade presente no homem comum. Algumas vezes, a história do filme ganha semelhanças com as daquelas seitas secretas que promovem rituais macabros. A diretora faz questão de impregnar seu longa com esse clima de filme de terror. Passa do ponto em alguns momentos, como na sequência do barco, mas no geral consegue retratar bem o isolamento, as regras próprias e as conivências de comunidades fechadas. A quase estreante Jennifer Lawrence, no entanto, é seu maior acerto. A interpretação da garota impressiona por sua pouca experiência e pela complexidade de sua personagem. Ela sabe domar a tendência natural de seu papel ao overacting e humanizá-lo sem perder seu impacto. Talvez seja a melhor atriz na disputa do Oscar neste ano.

Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Winter's Bone, Debra Granik, 2010]

3 Comments

Filed under Resenha

Lixo Extraordinário

A direção e a edição são primárias e refletem o caos que foi o troca-troca no comando. A britânica Lucy Walker começou, largou. João Jardim entrou e fez a melhor parte, as entrevistas. A montadora assumiu o projeto e concluiu o filme, que, para ganhar um toque internacional, aquele que garante indicação ao Oscar, recebeu de volta a diretora original. O resultado final está cheio de momentos vergonhosos.

Se os personagens não fossem tão bons, o filme seria medíocre. A figura de Vik Muniz emana arrogância e o longa é meio subserviente a isso. Só ganha substância quando conta as histórias dos personagens. O trabalho feito com os catadores é incrível, verdade. Mas as intervenções de Vik servem apenas como auto-celebração. ‎Munik é tratado como um grande benfeitor mesmo quando o próprio filme deixa claro que não há nobreza em suas intenções. O que é aquela sequência de visita à casa da infância?

Era realmente muito difícil pensar em colocar um interlocutor estrangeiro para justificar dois (ou três) brasileiros falando em inglês? Programa do Jô para abrir o filme e lançar a questão: “de onde veio tudo isso”? Primário. Plaquinha explicando quem é Vik Muniz? Primário. Por que tudo precisava parecer estar acontecendo naquele exato momento? As pessoas que participaram do projeto (não do filme) são tão interessantes que escondem o ego do artista e a fragilidade do longa.

Lixo Extraordinário Estrelinha½
[Waste Land, 2010, Lucy Walker. Co-direção: João Jardim e Karen Harley]

4 Comments

Filed under Resenha

Bravura Indômita

Matt Damon, Jeff Bridges, Hailee Steinfeld

Bravura Indômita é, em sua essência, o embate entre velho e novo. Em todos os aspectos, sob todos os prismas. Para começar a história é sobre uma adolescente que contrata um policial beberrão para vingar a morte de seu pai. É um choque de mundos, um conflito de gerações. A chegada de Mattie Ross revoluciona o status quo na cidade. É a pequena quem dá as cartas, seja pressionando um velho negociante a pagá-la, seja comandando o velho homem da lei naquela que será a caçada de sua vida. Mas esta transformação não acontece apenas na história que está sendo contada.

O filme é um remake do longa-metragem dirigido por Henry Hathaway há mais de 40 anos, o trabalho que deu a John Wayne o Oscar de melhor ator. O fato de recriá-lo já mexe com as estruturas do gênero mais cinematográfico de todos, ainda mais quando quem assina a nova obra são os irmãos Joel e Ethan Coen, os moderninhos de Hollywood, aqueles que conseguiram levar para o sistema de produção os cacos e trejeitos do cinema independente norte-americano. Mas esse choque é atenuado pela proposta dos diretores: fazer tudo da maneira mais clássica possível.

No entanto, esse classicismo não esbarra em formalidades. Jeff Bridges assume o papel que foi de Wayne radicalizando o caubói alcóolatra de Coração Louco. Está muito melhor, inclusive por causa do trabalho absurdo de dicção, quase inintelível. Hailee Steinfeld é a melhor estreia de um ator em muito tempo: segura, sem maneirismos, uma “natural”. Barry Pepper surpreende num papel curto e explosivo. E Matt Damon, embora quase ninguém comente, está incrível com sua interpretação sutil. Ele faz o ponto de encontro entre o filme e a humor refinado filmografia dos Coen.

Além de ter um elenco bem melhor do que o do original à disposição, os irmãos utilizam impiedosamente seu arsenal de habilidades para compor um filme tecnicamente impecável. A fotografia, além de belíssima, é extremamente funcional em todas as cenas. Um suporte de luxo. A trilha sonora, usada com uma parcimônia invejável, de certa forma, embala a história. Mas o toque de mestre neste pequeno épico pessoal está exatamente no roteiro. Os diálogos são complexos, cheios de nuances, repletos de ironia e delicadeza. Justamente o que se ressente no cinema tradicional que muita gente, inclusive o Oscar, acha que merece premiar.

Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[True Grit, Ethan Coen e Joel Coen, 2010]

3 Comments

Filed under Resenha

127 Horas

127 Horas

Passei a maior parte da sessão de 127 Horas pensando em outro filme, Enterrado Vivo. Os dois partem de premissas parecidas: de uma hora para outra, seus protagonistas se vêem presos, isolados, reféns de situações de angústia física e mental. As semelhanças param por aqui. Enquanto o filme de Rodrigo Cortés tem um roteiro completamente ficcional, a trama do último longa de Danny Boyle é baseada numa história real. E as diferenças não estão apenas na sinopse, mas nas opções, ou mesmo no estilo de cinema que seus diretores escolheram.

Enterrado Vivo, diante de sua invenção, poderia facilmente recorrer a elementos extra-cenário para dar mobilidade a sua trama complicada de se filmar: um homem acorda dentro de um caixão. Mas o roteiro é radical: nunca, em hipótese alguma, abandona sua espremida locação, e, dessa forma, convence na composição da claustrofobia imposta ao protagonista que nunca existiu. 127 Horas, por sua vez, parece nunca acreditar suficientemente na força de sua história verdadeira e usa todos os subterfúgios possíveis para ilustrar a situação extrema pela qual passa seu personagem real.

Dicotomia pura.

A lógica da montagem é a da TV aberta: ilustrar ao máximo cada situação. E Danny Boyle, vocês sabem, ilustra que é uma beleza. Um exemplo simples: se James Franco está com sede aparece um clipe com velocidade acelerada e overdose de filtros com imagens de água, refrigerantes, cervejas e banhos em geral. Resultado: o filme ganha agilidade e não reforça o drama do personagem. Faltam momentos de vazio, largando o som ambiente e o ator à própria sorte. Faltou alimentar essa angústia.

As alucinações materializadas e os flashbacks familiares, aos quilos, parecem alienações que só fazem o foco sair do que realmente interessa. E, convenhamos, a história já é forte o bastante para atrair o espectador. Pior ainda é quando os escapismos são gratuitos, como a câmera subjetiva até o carro (em fast, claro) ou primeira saída da fenda. Essa última é um golpe dos mais baixos, revoltante, uma sequência completamente desnecessária que, inclusive, deixa dúvidas sobre a cena anterior.

Eu deveria dizer que a culpa de 127 Horas não ser uma catástrofe completa é de James Franco, que, nos intervalos comerciais, consegue dar corpo ao desespero de seu personagem numa interpretação cheia de belos momentos, como na cena do talk show (a única em que as artimanhas do diretor realmente funcionam). Mas Boyle resolve bem algumas cenas angustiantes, como a sequência em que Aaron põe fim a seu drama. São cenas que fazem o filme valer. Mesmo assim, Enterrado Vivo ainda é bem melhor. Ficção supera realidade? Nesse caso, sim.

127 Horas EstrelinhaEstrelinha
[127 Hours, Danny Boyle, 2010]

7 Comments

Filed under Resenha

Cisne Negro

Natalie Portman

O fato deste filme ser sobre balé, uma arte conhecida pela rigidez, e de ter sido rodado com câmera na mão já merece aplausos. Mas esta é apenas uma das ousadias do novo trabalho de Darren Aronofsky, um diretor de extremos. Depois de fazer seu longa mais tradicional, O Lutador, onde sua experiência se limitava apenas à figura bizarra de seu protagonista, o cineasta resolveu se arriscar mais uma vez.

As bailarinas de Aronofsky trocaram o conto de fadas pelo de horror. Moram num ambiente de pressão extrema que transforma suas naturezas delicadas em carapaças de guerra. Como um comandante sádico, o diretor leva sua protagonista para a batalha, sempre tratando de investigar fronteiras e reforçar dicotomias. A leveza se confunde com a vilania, a fragilidade bate de frente com a determinação, o perfeccionismo esbarra na sanidade. Natalie Portman leva essa proposta aos limites de seu talento. Está em sua melhor forma.

O cineasta não está disposto a negociar: aposta num narrativa difícil, que assume a alucinação e materializa o invisível. Ele frustra as expectativas de quem só procura uma história porque está bastante interessado em dar corpo a seus excessos seja a que custo for. E esses excessos curiosamente parecem ter a medida certa. São espontaneamente funcionais. Mas só para quem estiver disposto. Se esse é um grande filme ou mais um experimento com prazo de validade, eu ainda não sei. Cabe a revisão. Mas somente o fato de triturar um universo idealizado já faz de Cisne Negro um filme raro.

Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Black Swan, Darren Aronofsky, 2010]

16 Comments

Filed under Resenha

O Vencedor

Christian Bale, Mark Wahlberg, Melissa Leo

O Vencedor é um filme tão quadrado que até agora eu tento entender porque gostei tanto dele. O longa mais convencional de David O. Russell é uma mistura de trama de superação e filme de boxe cuja história reproduz os maiores lugares comuns destes, digamos, gêneros. Parece ser um eco de tudo o que já foi feito antes. E o mais esquisito nesse processo inteiro é que seu diretor sempre foi chegado a experimentações visuais e estruturais que somem completamente nesse novo trabalho.

Seria amadurecimento ou adequação a um modelo clássico de contar histórias? Acho que um pouco dos dois, mas o mais importante é que O. Russell parece ter encontrado o segredo da fórmula. Primeiro, sua história cheia clichês, que ainda responde ao perigoso “baseado em fatos reais”, ganha contornos e densidade no roteiro que assume sua linha documental, onde o doc da HBO que o filme mostra vira auto-referência, e procura trabalhar com o drama no modo reserva para evitar espetacularizar vício e pobreza.

É exatamente o contrário de filmes como Preciosa, que carregam seus personagens com as dores e os males do mundo, e perdem o foco. O Vencedor insere seus protagonistas num contexto de decadência do norte-americano médio e consegue fazer de sua pequena história um retrato de um universo de estupidez e ensimesmamento que reflete o miolo do país. A cena em que o casal de namorados vai ao cinema ver um filme espanhol sintetiza bem isso. Nem mesmo uma vitória no ringue serve para que as coisas mudem de verdade.

E O. Russell aos poucos revela que seu filme não é tão simples assim. Na sequência da grande luta, o filme assume camaleonicamente o formato de uma transmissão esportiva de TV. Uma narrativa que faz concessões mínimas aos momentos de ficção para não desdramatizar completamente a história. Mas o mérito deste filme não está exclusivamente no roteiro e na direção, mas mora muito no elenco impecável, do qual Mark Wahlberg – muito bem, embora seu personagem bobão confunda a avaliação sobre sua interpretação – é o protagonista.

Amy Adams, Melissa Leo e Christian Bale acrescentam tantas camadas a seus personagens que a mocinha altiva, a mãe manipuladora e a promessa que não deu certo se tornam descrições simplórias e genéricas que não conseguem abocanhar nem um décimo suas performances poderosas. E sobre Bale, eu, que sempre falei mal dele e de suas limitações, bato na boca. É a interpretação menos óbvia, mais complexa e surpreendente do ano. A cena em que ele entra no carro e canta “I Started a Joke” esfaqueia corações. Ao contrário de outros filmes sobre voltas por cima, cheios de esperança, O Vencedor parece mais disposto a acreditar no conformismo e na desilusão.

O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Fighter, David O. Russell, 2010]

6 Comments

Filed under Resenha