Monthly Archives: janeiro 2011

Um Lugar Qualquer

Um Lugar Qualquer

O vazio é parte fundamental do cotidiano de Johnny Marco. Astro do cinema de ação, o ator gasta o restante do seu tempo livre justamente tentando preenchê-lo. Entre mulheres, bebidas e bajulação, Johnny exerce o ato de ser solitário. Sofia Coppola está acostumada a personagens que não se encaixam, seja virgens suicidas, seja um ator americano no Japão, seja uma rainha à frente de seu tempo. Embora Encontros e Desencontros ainda seja seu filme mais bem dirigido, este parece ser o trabalho mais maduro da diretora. E o menos comercial também.

Um Lugar Qualquer é um filme de não-ação. Frustra quem espera começo-meio-e-fim e clímaxes como os de uma história com narrativa convencional. O longa ignora os grandes acontecimentos do dia-a-dia na vida do protagonista, aqueles tópicos de agenda, e se concentra no que se faz entre eles. Stephen Dorff, minimalista, quase apático, traduz bem o personagem.

A cineasta, assumindo uma voz masculina, conduz a clássica história de mudança de comportamento através da insinuação. A personagem de Elle Fanning, encantadora de uma forma completamente espontânea, surge para quebrar a rotina oca do pai, astro do cinema, sem grandes dramas ou encenações. Sua presença basta para caotizar o status quo. A sutileza está neste diferencial. Sofia dribla todos clichês dessa história e adota um tempo morto que desafia o espectador.

O naturalismo está por toda parte em Um Lugar Qualquer, um olhar documental sobre a vida de um ator: na fotografia em cores neutras, em cenas de pura observação, como a das dançarinas ou a da piscina, e nas interpretações simples, sem grandes movimentos performáticos. Embora o final possa parecer amarrado demais, a nostalgia éterea e carinhosa do filme prevalece. Sofia Coppola não oferece cartarses. Cabe ao espectador caçar motivos e identificações. Ou não.

Um Lugar Qualquer EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Somewhere, Sofia Coppola, 2010]

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As Praias de Agnès

As Praias de Agnès

Filmes sobre a memória geralmente são tristes e nostálgicos e dependem exclusivamente do passado. Mas não se a diretora é Agnès Varda. Em seu As Praias de Agnès, César de melhor documentário, a francesa remonta sua vida, sua história no cinema e seu casamento com Jacques Demy numa auto-homenagem singela, original e extremamente bem-humorada. Mesmo num documentário, Varda prima pela invenção visual, presenteando o espectador com imagens preciosas seja no reflexo de um espelho ou num gato desenhado. O filme é, em sua maior parte, brilhante e de um frescor invejável para qualquer pessoa que tenha menos de 80 anos.

As Praias de Agnès EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Las Plages de Agnès, Agnès Varda, 2008]

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O Mágico

Sylvain Chomet

O maior defeito do francês Sylvain Chomet, na minha opinião, talvez seja sua grande qualidade para a maior parte das pessoas: o diretor dedica muito de seu trabalho para criar obras nostálgicas que parecem excessivamente calculadas. O Mágico, assim como seu longa mais conhecido, As Bicicletas de Belleville, parece convocar o espectador a apreciar sua tristeza “nobre” e esquisita na forma de expressão genuína. É como se seus filmes gritassem: “olha, como eu sou lindo”. Isso me incomoda.

Esse novo longa repete os cacoetes de seu cinema até aqui. Mas O Mágico tem grandes qualidades. É um filme bonito mesmo, tanto no traço quanto em sua melancolia. Chomet afirma ter sido bastante ao roteiro que Jacques Tati escreveu pouco tempo antes de morrer, mas não conseguiu realizá-lo. Mas é inegável que transformar esse roteiro para uma animação não deve ter sido uma tarefa tão simples. O timing parece correto e a trilha sonora, que serve como fio condutor da narrativa de solidão, já que o filme é praticamente mudo, é belíssima.

Eu ainda acho que as coisas poderiam ser melhores se Tati estivesse no comando. O cineasta-mímico sempre foi triste, melancólico, nostálgico, mas seus filmes sempre foram espontaneamente graciosos. Mas será justo comparar?

O Mágico EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
L’Illusioniste, Sylvain Chomet, 2010

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Quem vai ganha o Oscar 2011?

Jesse Eisenberg

Eu não sei e você? O fato é que chegamos a um ponto da corrida pelo Oscar em que as coisas de fato se embaralharam na categoria principal. A Rede Social continua como franco-favorito (é o “filme do ano”, o “filme do momento”, saudado pelos críticos, celebrado pelos guilds com muitas indicações), mas a dúvida é: esse filme tem cara de Oscar? Talvez não. Mas a tal “cara do Oscar”, essa tem mudado e muito.

Por uma lógica de tradição, O Discurso do Rei, longa inglês sobre um rei gago em forma de pequeno épico, teria o perfil exato de filme premiado no Oscar. Produção requintada, celebrada pela crítica, vários atores de respeito, história de nobreza (literalmente e indiretamente). Mas já faz algum tempo que esse tipo de filme tem fracassado na reta final do prêmio.

Olhe pra trás. No ano passado, Guerra ao Terror ganhou o Oscar de melhor filme. Um filme pequeno, contemporâneo, de guerra, sobre soldados, em tom documental, dirigido por uma mulher. Esse filme tem o perfil de ganhador do Oscar? Não se levarmos em conta o perfil que entrou no imaginário popular como o de vencedor. Mas o Oscar, de uns anos pra cá, resolveu se modernizar. Aos poucos, mas de uma maneira linear.

Colin Firth Tom Hooper

Em 2008, Quem Quer Ser um Milionário? derrubou O Curioso Caso de Benjamin Button, que atenderia muito mais aos padrões do Oscar, justamente num momento em que os Estados Unidos pareciam querer fazer as pazes com o mundo, pedindo perdão pelo impopular George W. Bush e suas guerras. Venceu Bollywood e o mundo globalizado. “A gente ama vocês também”, gritava a Academia.

Um ano antes, os irmãos Coen ganharam o prêmio em Onde os Fracos Não Têm Vez, um western contemporâneo, anti-climático, esquisito. Bateu Desejo e Reparação, drama de época baseado em autor celebrado e que já tinha ganho o Globo de Ouro. Os Infiltrados e Crash também versavam sobre tempos e temas atuais. Uma tendência? Talvez não de uma forma ostensiva, mas crescente.

É por essas e outras que eu ainda não vejo as coisas tão abaladas para o lado de A Rede Social. Nem por conta das 12 indicações de O Discurso do Rei. Quatro a mais que o filme de David Fincher. Quase todas eram esperadas ou eram possibilidades fortes: filme de época já se valida em várias categorias e com um elenco cheio de nomes respeitados, ganha bastante em corpo de indicações. Resultado: parece que está tudo no lugar certo. Por enquanto, parece que vai aparecer a opção “curtir” ao lado da tela no próximo dia 27.

mais Oscar 2011:

- Indicados em todas as categorias
- Reflexões sobre os indicados

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Oscar 2011: reflexões

Esse será o Oscar dos outsiders. Até pouco tempo atrás, David Fincher, Darren Aronofsky e David O. Russell eram diretores que a Academia sequer considerava em suas listas de melhores do ano. Cineastas jovens, cujas experimentações temáticas e estéticas pareciam brincadeiras para uns e abusos para outros. Todos tiveram que traçar um caminho, que passou por uma amadurecimento de seus cinemas ao mesmo tempo em que seus temas ficaram mais palatáveis para o Oscar. Foi um caminho longo.

Fincher, amado e odiado por Seven e Clube da Luta, bateu na trave com O Curioso Caso de Benjamin Button, que tem um perfil de épico intimista agradabilíssimo à Academia, mas que esbarrou no momento. Aquele era o ano de os Estados Unidos fazerem as pazes com o mundo, pedindo perdão por Bush, dando sua benção para a vinda de Obama, elegendo o globalizado Quem Quer Ser um Milionário?. Já A Rede Social conquista fácil: os moderninhos amam porque fala sobre o Facebook, conversa com nossa época. E os velhinhos vêem um filme careta, formal, gostoso de se assistir.

Darren Aronofsky viu sua atriz, Ellen Burstyn, e apenas ela concorrer ao Oscar de melhor atriz por Réquiem para um Sonho; foi ignorado solene e merecidamente por Fonte da Vida e voltou ao mapa com seu filme menos ousado, pelo menos formalmente: O Lutador. Mas somente com Cisne Negro, finalista em praticamente todos os prêmios da crítica e pelo qual concorre ao Directors Guild of America pela primeira vez, que conseguiu ser aprovado pelo Oscar. O curioso é que o novo filme, um balé de alucinação e horror, não é bem o que a Academia gosta.

David O. Russell ficou famoso com a fotografia cheia de filtros e a montagem acelerada de Três Reis. Depois fez o cultuado indie Huckabees. Precisou de mais de dez anos e de seu filme mais convecional para entrar na lista do Oscar. O Vencedor reúne várias coisas que a Academia ama: é um drama familiar, um filme de boxe, tem vários atores bons e conta uma história real e de superação.

Outro que poderia se enquadrar nessa linhagem é Christopher Nolan. Ele teve uma chance com seu primeiro hit, Amnésia, mas não passou da menção em roteiro. Viu seu adorado Batman – O Cavaleiro das Trevas falhar nas categorias principais e agora, quando parecia um “lock” com A Origem, igualmente excessivamente ovacionado, perde a indicação em direção. Pedido de desculpas extraviado.

Mas o Oscar não está tão diferente assim: O Discurso do Rei prova que uma história de época ainda faz a Academia babar. Os Coen aparecem na lista com um remake de um filme clássico e com o gênero mais norte-americano de todos, o western. Toy Story 3, o filme mais unânime do ano, também aparece, garantindo a vaga na animação no sistema de cotas dos dez indicados, junto com Minhas Mães e Meu Pai, que ocupa o lugar da “prova de que a Academia é moderna”, já reservada a Pequena Miss Sunshine e Juno, indies que não ofendem ninguém. 127 Horas conta uma história real de drama e de dor. Já viu, né?

O único duelo parecia ser mesmo entre Atração Perigosa, de Ben Affleck, e Inverno na Alma, de Debra Granik. O primeiro seria a celebração de um jovem que o Oscar já havia premiado ainda filhote, um fruto da Academia, comandando um filme policial de natureza grande. O segundo, o enlace perfeito entre a Academia e todos os prêmios da crítica, que fizeram dele seu escolhido do ano entre os filmes independentes. E a Academia renegou seu filho e escolheu o corpo estranho.

A última vaga

Entre os diretores, Fincher, Hooper e Aronofsky eram os favoritos, juntamente com Chris Nolan, mas a vaga resolveu acabar com o duelo entre David O. Russell, de O Vencedor, e os irmãos Coen e seu Bravura Indômita, pela vaga final, ignorando Nolan e escolhendo O. Russell e os Coen.

Neste ano, valeu a regra da última vaga para os atores. Em praticamente todas as categorias havia quatro “indicações certas” e uma grande dúvida. Na categoria de melhor ator, Firth, Franco, Eisenberg e Bridges pareciam “locks” desde o começo. A última vaga era uma disputa de gerações: de um lado, Robert Duvall, Oscar na estante, lenda viva do cinema norte-americano, num filme pouco visto, Get Low. Do outro, Ryan Gosling, jovem dínamo já indicado ao Oscar, num filme igualmente pouco visto e muito elogiado, Blue Valentine. No meio, azarões: Paul Giamatti, boa aposta por A Minha Versão do Amor, e Javier Bardem, estrangeiro já premiado com o Oscar, por Biutiful. Venceu o espanhol consagrado.

Entre as atrizes, a mesma lógica: as favoritas Portman e Bening e as celebradas Kidman e Lawrence. Sobrava a vaga final, que tinha em Hailee Steinfeld, de Bravura Indômita, uma grande aposta, mas a campanha como coadjuvante a tirou do páreo. A segunda opção seria apostar no indie Blue Valentine e abraçar sua protagonista Michelle Williams, que já concorreu ao Oscar, ou então reprisar o SAG e investir em Hilary Swank, medíocre no medíocre Conviction. Seria como evitar pensar muito e celebrar uma atriz que já ganhou dois Oscars. E aí deu Williams.

Hailee Steinfeld falhou entre as protagonistas, mas teve votos suficientes para aparecer entre as coadjuvantes. Ela e mais Adams, Leo e Bonham-Carter eram apostas certeiras desde o começo da corrida ao Oscar. A vaga final tinha uma disputa de veteranas: Jackie Weaver, de Reino Animal, que sofria com o fato de ser australiana e não ter sido tão vista, Leslie Manville, de Another Year, que aparece desde semore nas listas e falhou em praticamente todos os precursores, e duas atrizes de Cisne Negro, a veterana Barbara Hershey, pouco citada, e a jovem Mila Kunis, que recebeu bem mais atenção da crítica. E o que o Oscar faz? Aposta no carisma magnético de Weaver.

Na categoria de ator coadjuvante, Christian Bale era o franco favorito desde sempre. Ninguém duvidava que Geoffrey Rush e Mark Ruffalo estariam a seu lado. E pouca gente não apostava em Jeremy Renner. A questão é: quem fecharia a lista? As possibilidades eram John Hawkes, do indie do ano Inverno na Alma, escolhido pelo SAG e com anos de estrada, mas pouco conhecido, e a jovem estrela Andrew Garfield, contraposto do filme do momento, A Rede Social, e o novo Homem-Aranha. E uma saída seria acolher mais uma vez Matt Damon, por Bravura Indômita. Nome forte e de quem todo mundo gosta. A Academia não subiu pelas paredes desta vez e escolheu o veterano que ninguém conhece.

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Oscar 2011: apostas finais

Resolvi arriscar e apostei numas coisas estranhas neste ano. Amanhã saem os indicados ao Oscar 2011. Estas são minhas ideias sobre as coisas deverão ser. As estrelinhas são minhas cotações pessoais para cada indicado.

Ralph Fiennes
efeitos visuais

1 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Tron: O Legado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Além da Vida EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Homem de Ferro 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Scott Pilgrim contra o Mundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Tony Scott
edição de som

1 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Tron: O Legado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 127 Horas
4 Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Incontrolável EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Como Treinar Seu Dragão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Homem de Ferro 2 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Jeff Bridges, Tron: Legacy
mixagem de som

1 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Tron: O Legado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 127 Horas.

Tangled
canção

1 “We Belong Together”, Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 “I See the Light”, Enrolados EstrelinhaEstrelinha
3 “You Haven’t Seen the Last of Me”, Burlesque
4 “Shine”, Waiting for Superman
5 “Coming Home”, Country Strong

alternativas: 1 “If I Rise”, 127 Horas; 2 “Better Days”, Comer, Rezar, Amar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Dean Deblois, Chris Sanders
trilha sonora

1 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Hans Zimmer
2 Como Treinar Seu Dragão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, John Powell
3 A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Trent Reznor, Atticus Ross
4 O Escritor Fantasma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alexandre Desplat
5 Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Danny Elfman.

alternativas: 1 127 Horas, A.R. Rahman; 2 O Discurso do Rei, Alexandre Desplat.

Joe Johnston
maquiagem

1 Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 O Lobisomem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 A Minha Versão do Amor.

alternativas: 1 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 O Vencedor EstrelinhaEstrelinha.

Mia Wasikowska
figurinos

1 Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Colleen Atwood
2 O Discurso do Rei, Jenny Beavan
3 A Tempestade, Sandy Powell
4 Burlesque, Michael Kaplan
5 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Amy Wescott.

alternativas: 1 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Mary Zophres; 2 Tron: O Legado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Wilkinson.

Martin Scorsese
direção de arte

1 Alice no País das Maravilhas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Robert Stromberg; Karen O’Hara, Peter Young
2 O Discurso do Rei, Eve Stewart; Judy Far
3 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Guy Dyas; Lisa Chugg, Paul Healy, Douglas A. Mowat
4 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jess Gonchor; Nancy Haigh
5 Ilha do Medo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Dante Ferretti; Francesca Lo Schiavo

alternativas: 1 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Thérèse DePrez; Tora Peterson; 2 Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Stuart Craig; Stephanie McMillan.

Colin Firth Tom Hooper
montagem

A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Kirk Baxter, Angus Wall
O Discurso do Rei, Tariq Anwar
O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pamela Martin.
127 Horas, Jon Harris
Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andrew Weisblum.

Jeff Bridges, Joel Coen, Ethan Coen
fotografia

1 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Matthew Libatique
2 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Roger Deakins
3 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Wally Pfister
4 Ilha do Medo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Robert Richardson
5 A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jeff Cronenweth.

alternativas: 1 127 Horas, Enrique Chediak, Anthony Dod Mantle; 2 O Discurso do Rei, Danny Cohen.

documentário em longa-metragem

Inside Job, Charles Ferguson
3 Restrepo, Tim Hetherington, Sebastian Junger
4 Lixo Extraordinário, Lucy Walker, Karen Harley, João Jardim
5 The Tillman Story, Amir Bar-Lev.

alternativas: 1 Exit Through the Gift Shop EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Banksy; 2 Gasland, Josh Fox.

Javier Bardem
filme em língua estrangeira

1 Biutiful (México) EstrelinhaEstrelinha, Alejandro Gonzalez Iñarritu
2 Incendies (Canadá), Denis Villeneuve
3 Em um Mundo Melhor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Dinamarca), Susanne Bier
4 Fora da Lei EstrelinhaEstrelinha (Argélia), Rachid Bouchareb
5 Life Above All (África do Sul), Oliver Schmitz.

alternativas: 1 Confessions (Japão); 2 Even the Rain (Espanha).

Sylvain Chomet
animação

1 Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lee Unkrich
2 Como Treinar Seu Dragão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Dean DeBlois, Chris Sanders
3 O Mágico EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Sylvain Chomet

alternativas: 1 Enrolados EstrelinhaEstrelinha, Nathan Greno, Byron Howard; 2 Meu Malvado Favorito EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pierre Coffin, Chris Renaud.

Lee Unkrich Pixar Disney
roteiro adaptado

1 A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Aaron Sorkin
2 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Ethan Coen, Joel Coen
3 Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Michael Arndt
4 3 Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Debra Granik, Anne Rosellini, Daniel Woodrell
5 O Escritor Fantasma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Robert Harris, Roman Polanski.

alternativas: 1 127 Horas, Danny Boyle, Simon Beaufoy; 2 Rabbit Hole, David Lindsay-Abaire.

Annette Bening Julianne Moore
roteiro original

1 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Nolan
2 Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg
3 O Discurso do Rei, David Seidler
4 O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Eric Johnson, Scott Silver, Paul Tamasy
5 Another Year, Mike Leigh

alternativas: 1 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Andres Heinz, Mark Heyman, John J. McLaughlin; 2 Blue Valentine, Derek Cianfrance, Joey Curtis, Cami Delavigne.

Jackie Weaver
atriz coadjuvante

1 Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei
2 Melissa Leo, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Amy Adams, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Hailee Steinfeld, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Jackie Weaver, Animal Kingdom EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Mila Kunis, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Barbara Hershey, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Christian Bale
ator coadjuvante

1 Christian Bale, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
4 John Hawkes, Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Jeremy Renner, Atração Perigosa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Andrew Garfield, A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Matt Damon, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Natalie Portman
atriz

1 Natalie Portman, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Jennifer Lawrence, Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Michelle Williams, Blue Valentine

alternativas: 1 Hailee Steinfeld, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Hilary Swank, Conviction EstrelinhaEstrelinha.

Danny Boyle, James Franco
ator

1 Colin Firth, O Discurso do Rei
2 Jesse Eisenberg, A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 James Franco, 127 Horas
4 Jeff Bridges, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 Ryan Gosling, Blue Valentine

alternativas: 1 Robert Duvall, Get Low; 2 Paul Giamatti, A Minha Versão do Amor.

Leonardo Di Caprio Christopher Nolan
direção

1 David Fincher, A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 Christopher Nolan, A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 Darren Aronofsky, Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
4 Tom Hooper, O Discurso do Rei
5 David O. Russell, O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

alternativas: 1 Joel e Ethan Coen, Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 2 Danny Boyle, 127 Horas.

Jesse Eisenberg
filme

1 A Rede Social EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David Fincher
2 O Discurso do Rei, Tom Hooper
3 A Origem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Christopher Nolan
4 Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Darren Aronofsky
5 O Vencedor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, David O. Russell
6 Bravura Indômita EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joel e Ethan Coen
7 Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lee Unkrich
8 Minhas Mães e Meu Pai EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lisa Cholodenko
9 Inverno da Alma EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Debra Granik
10 127 Horas, Danny Boyle

alternativas: 1 Atração Perigosa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Ben Affleck; 2 Ilha do Medo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Martin Scorsese.

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Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Apichatpong Weerasethakul

O texto que começa aqui não tem a presunção de traduzir nem decifrar o cinema de Apichatpong Weerasethakul. Muito pelo contrário: esse texto reforça que os filmes do diretor tailandês, que finalmente chega ao circuito comercial brasileiro, são lentos, quase sem ação, cheios de cógidos e simbologias, têm estrutura não-linear e às vezes anárquica, e são difíceis de serem compreendidos completamente, mesmo para um espectador assíduo de festivais, acostumado a narrativas e formatos pouco usuais. Mesmo assim, quem nunca assistiu a um filme do diretor, bem que poderia dar uma chance a seu universo, que, ao mesmo tempo, pode ter tanta simplicidade quanto o apelido dele, Joe, com qual ele mesmo se nomeia.

Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas parece ser seu trabalho mais delicado, o mais devotado à memória e ao fantástico, elementos caríssimos ao cinema do tailandês que se misturam de maneira irrevogável e quase imperceptível à trama “principal”. Seu protagonista enfrenta a proximidade da morte, o que traz fantasmas do passado, lendas e mitologia literalmente para a mesa do jantar. Como faz em seus filmes anteriores, Apichatpong mergulha no minúsculo com uma lente de aumento, mas seu olhar, que à primeira vista parece documental, trabalha muito mais com impressões do que registros. O cineasta entende o homem como produto do meio. Sua relação com o ambiente, sua cultura e sua religiosidade, e com a natureza das coisas é fundamental para determinar que caminho seguir. Tudo está contaminado pelos elementos sobre os quais não temos controle.

Filme-irmão de seu longa mais famoso, Mal dos Trópicos, tanto em sua temática de fábula quanto em sua estrutura que nos expulsa da linha narrativa principal para ilustrar seus conceitos, Tio Boonmee é o trabalho mais corajoso do diretor, justamente por assumir seus excessos de maneira quase orgulhosa. Quando chama sua criatura, cuja primeira aparição é horripilante, para a frente das câmeras, o diretor transpõe parâmetros e limites. Abre espaço para tudo. A partir daí, o que vem a seguir faz parte de um universo gigante de possibilidades e, dessa forma, tudo parece muito mais genuíno e tão simples quanto um boi pastando ou uma conversa de pai para filho: “o céu é superestimado; não tem nada lá”. Com uma liberdade quase pueril para modelar sua história (e a estrutura de seu filme a partir dessa modelagem), Tio Boonmee parece estar bem perto da criança que o diretor parece guardar dentro de si. Eu espero estar por aqui durante muito tempo para ver esta criança crescer.

Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Loong Boonmee Raleuk Chat, Apichatpong Weerasethakul, 2010]

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Biutiful

Javier Bardem, Maricel ÁlvarezDez anos depois de tê-lo assistido pela primeira vez, eu ainda não tenho coragem de rever Amores Brutos. O primeiro filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu foi um dos meus favoritos em 2001, mas desconfio que hoje minhas ideias sobre bom cinema mudaram um tanto. O mexicano, nos dois longas que seguiram sua estreia, se debruçou sobre uma fórmula, que, resumindo bem, mostra histórias paralelas que se entrecruzam ou na forma de revelação ou na de coincidência. É um artifício que, à primeira vista, parece engenhoso, mas que prefere celebrar os enlaces das tramas, ou seja celebra a forma “diferente” que os autores encontraram para contar a história do que os personagens em si. Em Babel, isso é radicalizado a ponto do filme parecer uma auto-felação.

Biutiful, o novo filme de Iñarritu, marca uma virada no cinema do homem. O filme, a história de um homem que se vira como pode – com truques e na ilegalidade – para sustentar os dois filhos, marca o fim do romance com o roteirista Guillermo Arriaga, que escreveu seus três filmes anteriores. Arriaga que partiu numa espécie de carreira solo com filmes como Vidas que se Cruzam, parecia ser o responsável (volta pro título que eu acabei de citar) pela tal estrutura que enlaça histórias e se vende exclusivamente por como isso é “genial”. O filme pós-casamento de Iñarritu aposta numa trama só, em linha reta, com um protagonista. Quem aparece em seu caminho serve exclusivamente como coadjuvante da história desse personagem.

Confesso que o fato do diretor renegar a fórmula que o consagrou me empolgou bastante num primeiro momento. Sem a preocupação em desenvolver mais de uma trama, o roteiro dá espaço suficiente para que Javier Bardem componha um personagem complexo, carregado de dor, culpa e uma religiosidade meio fantasmagórica, ao mesmo tempo em que acompanha seu dia-a-dia num esquema documental onde cenas mais longas e com pouca ação ajudam a desenhar o cenário. Maricel Álvarez, com seu rosto almodovariano, interpreta a ex-mulher de Bardem, e é, desde já, minha coadjuvante favorita do ano. Acertadíssima também é a composição visual do filme. O fotógrafo Rodrigo Prieto presta uma homenagem a Barcelona, capturando a cidade da forma mais bonita e assustadora possível. O personagem parece que vai ser devorado por ela em alguns momentos.

No entanto, ao contrário da sucessão de acasos que trunca Babel, um pecado mortal no novo filme é sua – longa – duração. São duas horas e meia que esticam a trama à exaustão e abrem caminho para que Iñarritu revisite sua sina de observador crítico da crueldade da alma humana, no que isso tem de pior. Se Biutiful não se escora nas coincidências dos longas anteriores do mexicano, o diretor encontra uma maneira pouquíssimo sutil de mostrar suas anotações sobre os mecanismos “vis” de nossa sociedade que engole o homem comum. Aqui, o cineasta assume uma postura incômoda de guardião da moralidade e parece mesmo querer parecer importante. Fosse apenas isso, o filme ainda teria muito a oferecer, mas Iñarritu ainda resolve transformar o protagonista num herói anônimo e encerra o longa da maneira mais ordinária possível, remetendo a soluções fáceis com as de seus filmes anteriores. Terá sido coincidência?

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[Biutiful, Alejandro Gonzalez Iñarritu, 2010]

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Enrolados

Disney

O abismo entre o que a Disney produz com a Pixar e o que o estúdio faz em seu setor tradicional de animação ainda é gigante, mesmo com a mão de John Lasseter comandando os dois. Enrolados aposta na fórmula mais velha do estúdio: recicla um grande clássico da literatura infanto-juvenil, mesclando a fábula e o conto moral com aventura e, sobretudo, muito humor, na forma de coadjuvantes engraçadinhos. Geralmente funciona. Funcionou com Branca de NeveAlice no País das Maravilhas e Cinderela.

Talvez seja por isso que esse novo filme tenha gosto de outras épocas. Ora saudoso, ora ultrapassado. As composições de Alan Menken caíram vertiginosamente. Dá saudade da época de Aladdin e A Bela e a Fera. O camaleão e o cavalo, esse sobretudo, são personagens deliciosos, mas o herói malandro e a mocinha sonhadora não têm um décimo do cuidado que os roteiristas da Pixar têm na composição da complexidade de seus personagens. É para crianças, você pode alegar. Mas UpWall-E e Toy Story também são, fizeram rios de dinheiro, e não foram complacentes com a “falta de elaboração” da molecada. Eles, por sinal, adoraram. Já Enrolados deve passar rápido.

Enrolados EstrelinhaEstrelinha
[Tangled, Byron Howard e Nathan Greno, 2010]

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Oscar 2011: reações ao globo de ouro

Estamos a oito dias do anúncio dos indicados ao Oscar e a entrega do Globo de Ouro não adicionou coisa alguma à corrida pela estatueta dourada. Todos os favoritos ganharam. Ou quase todos. Nos globos, muito mais do que no Oscar, A Origem poderia ser uma ameaça à vitória do frontrunner A Rede Social em algumas categorias, mas a Associação dos Corresponentes Estrangeiros preferiu o drama sobre a criação do Facebook nos quatro quesitos em que os dois filmes se bateram: filme, direção, roteiro e até trilha sonora. Nos dois últimos, A Origem era uma ameaça real.

O prêmio de trilha sonora para Trent Reznor do Nine Inch Nails, por sinal, ajuda a melhorar a sorte do filme nesta categoria, que é uma das mais caretas do Oscar. Os compositores raramente indicam, muito menos premiam, astros pop neste quesito, além de costumarem ignorar trilhas que fogem do padrão clássico, principalmente quando elas contêm elementos eletrônicos. Eu não acharia estranho se Reznor sequer fosse indicado antes desse prêmio. Agora suas chances são maiores. Mas ganhar já é demais.

Ainda sobre o filme de Christopher Nolan, ele deverá ter mais espaço no Oscar já que deve ser indicado em várias categorias técnicas, setores que os globos ignoram. No entanto, no prêmio da Academia, o único filme que parece ser um concorrente à altura do longa de David Fincher na categoria principal ainda é O Discurso do Rei, embora sua eventual vitória pareça cada vez mais distante. Colin Firth ganhou o prêmio de melhor ator dramático e é o franco-favorito ao Oscar. Paul Giamatti, mesmo vencendo no quesito comédia por Minha Versão para o Amor, tem chances rarefeitas de aparecer na lista do Oscar porque a relação de atores dramáticos deste ano tem muitos nomes fortes.

A disputa entre as melhores atrizes foi quem menos sofreu impacto com o Globo de Ouro. Annette Bening e Natalie Portman concorriam em categorias separadas e venceram. Só a Academia desempata essa disputa: Natalie tem uma interpretação mais esforçada e chama naturalmente mais atenção pelo tipo do papel em Cisne Negro, mas Annette pode se beneficiar pelo efeito “essa é a minha vez” em Minhas Mães e Meu Pai, que já deu Oscars a Sandra Bullock, James Coburn e tantos outros. Eu chutaria Annette hoje.

O Vencedor, que já tinha garantido o prêmio para Christian Bale, que, confesso, sempre me pareceu medíocre, mas entrega um desempenho extraordinário no filme. Bale tem ganho tudo e este me parece o Oscar mais certo deste ano. Melissa Leo, que faz bem o perfil de vencedora do troféu da Academia de melhor atriz coadjuvante (atriz experiente, interpretação forte, papel de mãe) disparou na categoria em que a corrida ainda estava bastante confusa – ela também ganhou o Critics Choice. Mas Oscar e Globo nem sempre se acertam neste quesito.

Toy Story 3, isolado na categoria de melhor animação, levou o prêmio. E a música cantada por Cher, “You Haven’t Seen the Last of Me”, levou o prêmio de melhor canção por Burlesque, derrubando concorrentes fracas em sua maioria. Chegará ao Oscar na liderança, se for indicada, claro. Numa noite de obviedades, a única coisa que se pode chamar de surpresa foi Alejandro Gonzalez Iñarritu ter perdido com seu Biutiful, mesmo sendo muito mais conhecido do que Susanne Bier, que ganhou por Em um Mundo Melhor. Mas estamos falando de filmes estrangeiros e, como bem disse Ricky Gervais, essa é uma categoria para a qual ninguém liga nos Estados Unidos.

vencedores

Filme dramático: A Rede Social
Ator dramático: Colin Firth, O Discurso do Rei
Atriz dramática: Natalie Portman, Cisne Negro
Filme comédia ou musical: Minhas Mães e Meu Pai
Ator comédia ou musical: Paul Giamatti, Minha Versão para o Amor
Atriz comédia ou musical: Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
Direção: David Fincher, A Rede Social
Roteiro: Aaron Sorkin, A Rede Social
Ator coadjuvante: Christian Bale, O Vencedor
Atriz coadjuvante: Melissa Leo, O Vencedor
Filme estrangeiro: Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Animação: Toy Story 3
Trilha sonora: Trent Reznor e Atticus Ross, A Rede Social
Canção: “You Haven’t Seen The Last of Me” (Diane Warren), Burlesque

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