Monthly Archives: setembro 2010

Festival do Rio 2010

Lista recebida por email que traz os primeiros filmes confirmados para o Festival do Rio 2010.

MOSTRA PANORAMA

- Je Suis Heureux que Ma Mère Soit Vivante , de Claude Miller, Nathan Miller
- À L’Origine, de Xavier Giannoli
- A Esperança está onde menos se espera, de Joaquim Leitão
- O Sequestro de um Herói, de Lucas Belvaux
- A Somewhat Gentle Man, de Hans Petter Moland
- Lebanon, de Samuel Maoz
- Minhas Mães, Meu Pai (The Kids are all Right), de Lisa Cholodenko
- A Woman, a Gun and a Noodle Shop, de Zhang Yimou
- Loose Cannons, de Ferzan Ozpetek
- The Housemaid, de Im Sang-Soo
- Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, de Woody Allen
- Tournee, de Mathieu Amalric
- I Wish I knew, de Jia Zhang Ke
- Room in Rome, de Julio Medem
- Nostalgie de la Lumiere, de Patricio Guzman
- Copie Conforme, de Abbas Kiarostami
- Les Amours imaginaires (Heartbeats), de Xavier Dolan
- Route Irish, de Ken Loach
- Carlos, de Olivier Assayas
- Atração Perigosa, de Ben Affleck
- The House of Branching Love, de Mika Kaurismäki
- Rio Sex Comedy, de Jonathan Nossiter
- The Solitude of Prime Numbers, de Save rio Constanzo
- Nowhere Boy, de Sam Taylor Wood
- O Refúgio, François Ozon
- Cyrus, de Mark Duplass, Jay Duplass

BRASIL DO OUTRO

- Rio Sonata, de Georges Gachot
- Complexo : Universo Paralelo, de Mário Patrocinio
- Estrada, de Aude Chevalier-Beaumel
- Slaves of the Saints, de Kelly E. Hayes
- Tom Zé Astronauta Libertado, de Ígor Iglesias González

FOCO ARGENTINA

- Rompecabezas, de Natalia Smirnoff
- Andrés no Quiere Dormir la Siesta, de Daniel Bustamante
- Te Extraño, de Fabián Hofman
- Por tu Culpa, de Anahí Berneri
- La Invéncion de la Carne, de Santiago Loza
- Carancho, de Pablo Trapero
- La Mirada Invisible, de Diego Lerman
- Los Labios, de Santiago Loza, Ivan Fund
- Francia, de Adrian Caetano
- Las Viudas de los Jueves, de Marcelo Piñeyro
- Lo Que Mas Quiero, de Delfina Castagnino
- Cerro Bayo, de Victoria Galardi

MOSTRA MIDNIGHT

- We Live in Public, de Ondi Timoner
- In the Woods, de Angelos Frantzis
- Bibliotheque Pascal, de Szabolcs Hajdu
- Keep Surfing, de Bjorn Richie Lob
- The Silent House, de Gustavo Hernández
- Rubber, de Quentin Dupieux
- Machete, de Robert Rodriguez, Ethan Maniquis
- Cortina de Fumaça (Smokescreen), de Rodrigo Mac Niven

MOSTRA DOX

- William Kunstler: Disturbing the Universe, de Sarah Kunstler, Emily Kunstler
- We’ll get Used to It, de Mohsen Ostad Ali Makhmalbaf
- Budrus, de Julia Bacha
- L’autobiographie de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica
- Freedom Riders, de Stanley Nelson
- Cultures of Resistance, de Iara Lee

MOSTRA EXPECTATIVA 2010

- Embargo, de Antonio Ferreira
- The Robber, de Benjam in Heisenberg
- Last Train Home, de Lixin Fan
- R U There, de David Verbeek
- Adrienn Pál, de Ágnes Kocsis
- Between Two Worlds, de Vimukthi Jayasundara
- Letters from the Desert, de Michela Occhipinti
- The Crossing , de Selim Demirdelen
- Operation Casablanca, de Laurent Nègre
- José & Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
- América, de João Nuno Pinto
- The Good Heart, de Dagur Kári
- Copacabana, de Marc Fitoussi
- At West of Pluto, de Henry Bernadet, Myriam Verreault
- Mama África, de Alê Braga

MOSTRA GAY

- Le Fil, de Mehdi Ben Attia
- BearCity, de Doug Langway
- Amphetamine (Amphetamine), de Scud
- Plano B (Plan B), de Marco Berger

MOSTRA GERAÇÃO

- Era uma Vez …. O Rei no da Confusão (Hell with Princess), de Miloslav Smidmajer
- Crocodilos (The Crocodiles), de Christian Ditter
- Harun Arun (Harun Arun), de Vinod Ganatra
- Contos da Selva Cuentos de la Selva, de Liliana Romero, Norman Ruiz
- A Substituta (The Substitute), de Ole Bornedal
- Beijos (Kisses), de Lance Daly
- Pimenta (Pepper), de Eduardo Mattos
- Retrovisor (Rear View Mirror), de Eliane Coster
- Na Casa ao Lado (At the next door), de Naiara Rímoli
- Memória de Elefante, de Denise Moraes
- Infância, de Andre Emidio, Diego da Silva Esteves, Ingrid Rocha Paiva; Pamella Magno Braga da Conceição; Samel de Souza Ridan
- A Garrafa do Diabo, de Fernando Coimbra
- A Língua das Coisas, de Alan Minas

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Nosso Lar

Nosso Lar

Num mundo democrático feito o nosso estava faltando um filme como Nosso Lar. O longa-metragem de Wagner de Assis é uma corajosa adaptação de um livro de ficção-científica de Chico Xavier que tem a função clara e objetiva de divulgar uma doutrina. E, com uma proposta tão honesta assim, o cineasta merece respeito por dar a cara a tapa e tentar reproduzir, além do cenário da megalópole celeste que batiza o filme, os conceitos, preceitos e regras de uma religião comumente perseguida por defender a existência de, entre outras coisas, “fantasmas”, “zumbis”, “viagens espaciais” e “superpoderes”.

Enquanto filme-propaganda, Nosso Lar cumpre sua função: dissemina sua doutrina de forma didática e até engraçadinha – tirando um sarro leve, mas sem ofensas – de incrédulos e da Ciência – e procura apostar na emoção simples, quase rasteira e imediata, para conquistar com facilidade seu público, completamente disposto a enxergar o filme como um belo testemunho de fé. Ora, e quem é alguém para questionar a fé dos outros? Vai, o Espiritismo pode parecer bem simpático para leitores de HQs e fãs do George A. Romero.

O que talvez seja o maior problema do filme é que ele não funciona para quem não está disposto a comprar seu discurso e somente assim seria possível perdoar a dramaturgia raquítica. Mesmo em filmes com mensagem dá pra ser menos óbvio no texto e na interpretação. Praticamente todos os diálogos ganham um tom professoral incômodo, sobretudo quando o protagonista, que tenta parecer sério o tempo inteiro, está envolvido. Desencarnei de vergonha alheia.

É preciso ainda ter bastante disposição para digerir o desenho de produção do filme, farta de paisagens coloridas, tranqüilas e serenas, com aves-do-paraíso e cometas humanos que cruzam os céus. No entanto, essa afirmação pode ser totalmente ignorada caso o leitor seja fã do banco de imagens do Windows Vista. Não lembro de ter visto um filme que se arriscasse tanto neste pacote visual. O Purgatório é cenografado como no clássico Super Xuxa contra o Baixo Astral, com bastante gelo seco – opção, né? Ou será que contou o fato de o diretor ter escrito quatro filmes da Xuxa? – e tem arruaceiros maltrapilhos como em qualquer clássico kitsch que se preze, desta vez encarnados com uma trupe teatral interiorana com preparação corporal intensa.

O que deve gerar mais comentários – contrários ou favoráveis -, no entanto é a concepção visual da cidade flutuante, que transforma o filme numa ficção-científica B setentista sem tirar nem por. Tem muito de Fuga do Século 23 ali, inclusive o uso e abuso de conceitos plásticos e de tecnologia, que celebram o futuro e a harmonia, e que perderam o sentido algumas décadas depois da publicação do livro em que o filme se baseou, em 1944. No entanto, está claro que o cineasta usou todos os recursos possíveis para reproduzir as ideias para a tela. Mesmo que não tenham sido tantos assim.

Mas tudo bem. Esses detalhes passarão batidos para os espectadores de Nosso Lar, muito mais interessados em ver suas crenças reproduzidas com tanta fidelidade no cinema. E eles serão milhões, está escrito. Ops, psicografado. Pena que este filme, embora genuinamente corajoso, seja tão diferente da cinebiografia de Chico Xavier dirigida por Daniel Filho, um retrato mais sóbrio da vida do personagem, um trabalho eficaz e sem segundas intenções.

Nosso Lar Estrelinha
[Nosso Lar, Wagner de Assis, 2010]

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