Monthly Archives: junho 2010

Há quanto tempo você viu aquele filme?

Os bons tempos não voltam mais, mas dá pra guardar boas lembranças do que a gente viveu e dos filmes que a gente viu. Mas você já parou pra pensar há quanto tempo você viu aquele clássico que você ama tanto? Pois é, eu fiz isso esta noite e, confesso, fiquei chocado com o resultado. Você acha que você está velho? Sim, você está.


35 anos
Steven Spielberg

Tubarão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Jaws, Steven Spielberg, 1975

34 anos
Sylvester Stallone

Rocky, um Lutador EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rocky, John G. Avildsen, 1976

33 anos
George Lucas

Guerra nas Estrelas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Star Wars, George Lucas, 1977

32 anos
John Travolta

Nos Tempos da Brilhantina EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Grease, Randal Kleiser, 1978

31 anos
Ridley Scott

Alien, o Oitavo Passageiro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Alien, Ridley Scott, 1979

30 anos
Tony Bill

Cuidado com Meu Guarda-Costas EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
My Bodyguard, Tony Bill, 1980

29 anos
Delmer Daves

Fúria de Titãs EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Clash of the Titans, Delmer Daves, 1981

28 anos
Sean Penn

Picardias Estudantis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Fast Times at Ridgemont High, Amy Heckerling, 1982

27 anos
Irene Cara

Flashdance EstrelinhaEstrelinha
Flashdance, Adrian Lyne, 1983

26 anos
Linda Hamilton

O Exterminador do Futuro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
The Terminator, James Cameron, 1984

25 anos
Robert Zemeckis

De Volta para o Futuro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Back to the Future, Robert Zemeckis, 1985

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Top 11: filmes sobre futebol

Mesmo em clima de Copa do Mundo, foi difícil fechar um top 10 de filmes sobre futebol. Mas eu resolvi ir além e eleger uma seleção inteira de filmes que tocam no assunto. Tanto que alguns dos títulos desta lista não são exatamente sobre o esporte, mas o futebol surge como elemento importante em todos eles. Meus onze jogadores já estão em campo. Divirtam-se e façam suas listinhas nos comentários.

Sonke Wortmann

11 O Milagre de Berna
Das wunder von Bern, Sonke Wörtmann, 2003

Bem bonitinho apesar de não ir muito além disso. Uma cena muito boa é a que uma pelada jogada por meninos é mostrada com o áudio de uma partida oficial da seleção alemã durante a copa do mundo. Não sei o que há de real na história do filme, mas ela funciona bem apesar do clima de redenção do final.

John Huston Pelé

10 Fuga para a Vitória
Victory/Escape to Victory, John Huston, 1981

Na verdade, esse filme de John Huston não é tão bom assim, mas é bem divertido. Durante a Segunda Guerra, um grupo de prisioneiros enfrenta um time de oficiais alemães numa partida de futebol enquanto planeja sua fugA. É tão inusitado ver Pelé num filme que não foi feito como veículo para ele que sua vaga aqui já seria obrigatória.

Murillo Salles

9 Todos os Corações do Mundo
Todos os Corações do Mundo, Murillo Salles, 1995

O brasileiro Murillo Salles dirigiu o documentário oficial da Fifa sobre a Copa do Mundo de 1994, em que o Brasil conseguiu o tetracampeonato. O filme, apesar de convencional, vale muito a pena por tentar imprimir a sua narrativa um clima festivo tipicamente brasileiro ao doc, o que minimiza o caráter oficialesco.

Ken Loach

8 À Procura de Eric
Looking for Eric, Ken Loach, 2009

Não é exatamente um filme sobre futebol, mas ele está presente em todos os momentos. Ken Loach assumiu o projeto por conta de Eric Cantona, que interpreta ele mesmo, numa versão guia espiritual, para o protagonista. Os velhos temas do diretor ganham um molho especial.

Walter Salles Daniela Thomas

7 Linha de Passe
Linha de Passe, Walter Salles e Daniela Thomas, 2008

O sonho do personagem de Vinícius de Oliveira de virar astro do futebol é apenas uma das cinco histórias deste belo e esquemático filme de Walter Salles e Daniela Thomas. Mas é o esporte que batiza o longa, que desdramatiza a paixão pela bola com seu tratamento realista e documental.

Emir Kusturica

6 Maradona by Kusturica
Maradona by Kusturica, Emir Kusturica, 1998

Emir Kusturica explora o “personagem” Maradona para tentar entender e explicar quem é esse homem. O resultado é, no mínimo, curioso, com os discursos políticos do argentino divindindo espaço com suas performances mais memoráveis e cenas de seus cotodidiano. Maradona, assina Kusturica, é bem mais que um jogador de futebol.

Cao Hamburger

5 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Cao Hamburger, 2006

Taí um filme que não é sobre futebol, mas que conversa lindamente com a época em que vivemos. Cao Hamburger demonstra uma habilidade rara ao usar a Copa do Mundo como cenário para uma investigação delicada sobre a ditadura, os anos setenta e o comportamento do brasileiro durante o período.

Khyentse Norbu

4 A Copa
Phörpa, Khyentse Norbu, 1999

Este filme parece ter sido feito para conquistar pelo exótico e pela história bonitinha – monges do Butão fazem de tudo para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 1998. E o pior é que a fórmula arriscada dessa vez deu certo. O roteiro é conduzido com tanta leveza que é quase impossível não torcer pelos personagens.

Stepen Chow

3 Kung Fu Futebol Clube
Siu Lam Juk Kau, Stephen Chow, 2001

Muita gente já comparou Stephen Chow a Jerry Lewis, influência realmente muito forte, mas ele tem muito da inocência de Chaplin, com suas gags visuais e seu sentimentalismo que funcionam muito bem no universo do futebol. Seu grande trunfo é unir um humor simples a efeitos visuais muito eficientes, e quase cartunescos, como um desenho animado das antigas. Os personagens caricatos acertam o tom.

Jafar Panahi

2 Fora de Jogo
Jafar Panahi, 2007

Quando foi lançado, este filme deu um novo vigor ao cinema iraniano, que andava meio acomodado. O diretor Jafar Panahi, preso recentemente, explorando as peculiaridades cotidianas étnicas e migrou para um cinema mais urbano, nova fase que continua aqui, num exercício inteligente, onde se faz um filme sobre futebol – ou melhor, sobre o amor ao futebol – sem mostrar futebol. Um filme dentro de um estádio sem mostrar o campo. O fascínio está no texto, na expectativa das garotas barradas quando tentavam entrar disfarçadas. A partir disso, o diretor se dedica a questionar costumes e ainda fazer um pequeno ensaio político e sociológico sobre seu país. Mas o que importa mesmo é que o Irã foi para a Copa do Mundo!

Ugo Giorgetti

1 Boleiros – Era uma Vez o Futebol
Boleiro – Era Uma Vez o Futebol, Ugo Giorgetti, 1998

O brasileiro discute futebol em casa, no trabalho, no twitter, mas não há lugar mais perfeito para isso do que uma mesa de bar. Este filme de Ugo Giorgetti entendeu isso como ninguém e, na forma de bate papo entre amigos, traduziu a paixão pelo futebol como nunca outro filme conseguiu.

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Maradona by Kusturica

 

O sérvio Emir Kusturica talvez seja o diretor mais improvável para comandar um documentário sobre Diego Armando Maradona e exatamente por causa disso que seu filme seja tão particular. O cineasta enxerga Maradona como um personagem de seus filmes, com algo de folclórico, algo de mágico, e – embora force a barra em algumas comparações – o trata assim, como um personagem, evitando a comodidade conciliatória em que muitos documentários caem para com seu objeto.

Kusturica não que busca o conflito; seu filme é bastante pacífico, mas nunca está a serviço de seu homenageado. Há vários momentos deliciosos, como a sequência em que o jogador canta com as filhas no karaokê ou todas as aparições dos fiéis da Igreja Maradoniana. O diretor, cuja obra sempre teve uma conotação política, abre bastante espaço ainda para os “discursos” de Maradona sobre o futebol, a Argentina, os Estados Unidos e o mundo. É neles que dá pra perceber o quão o argentino é mais interessante do que o rei Pelé. Pelo menos fora do campo.

Maradona EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Maradona by Kusturica, Emir Kusturica, 2008]

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Bate-papo com o Chico

Na semana passada, a Ariane Freitas me escreveu perguntando se eu responderia algumas perguntas para um trabalho de faculdade que ela estava fazendo. Topei, mesmo achando que talvez não fosse bem o que ela queria. Ela mandou as perguntas, bem legais, e eu respondi. Gostei tanto do bate-papo que pedi autorização a ela para publicá-lo aqui.

Vimos que você é alagoano… O que fez com que se mudasse para São Paulo?

Basicamente, foram as possibilidades de trabalho. Sou jornalista e o mercado lá é empacado. Você fica numa função para sempre se não resolver sair. Mas não tem como negar que minha paixão por cinema deu um empurrãozinho. Desde que vim pela primeira vez para a Mostra de Cinema de São Paulo, decidi que queria morar aqui.

De onde veio a paixão pelo cinema?

Sempre gostei de cinema, mas até minha adolescência era apenas um consumidor voraz de filmes de Sessão da Tarde e filmes que levam adolescentes para o cinema. Comecei a me interessar em ver filmes sérios no cinema no começo dos anos 90 (filmes como O Poderoso Chefão – 3ª Parte, do Francis Ford Coppola). Mas considero que meu marco zero cinéfilo foi em dezembro de 92, quando fiquei embasbacado com as imagens de Drácula de Bram Stoker, coincidentemente também do Coppola. Ali eu decidi que prestaria mais atenção naquilo.

Sua formação em jornalismo tem algo a ver com essa paixão?

Minha formação em jornalismo tem a ver com a pergunta que eu fiz quase na fila de inscrição do vestibular: “o que eu quero fazer pro resto da vida?”. A resposta foi “ler, escrever e contar as novidades”. Uma lampadinha acendeu.

Qual seu gênero preferido? Por que?

Não confio muito em quem gosta deste ou daquele gênero no cinema porque acho impossível alguém gostar de verdade de cinema e não reconhecer que há filmes bons em todos os gêneros, do western ao musical. Mas eu amo filmes noir, pra ficar com um.

Quais são as características do cinema que mais lhe chamam a atenção?

Eu seria injusto se dissesse que é a fotografia, apesar de eu adorar observar como as imagens são usadas por um diretor. Ou se dissesse que são os atores, que vez por outra transformam filmes pequenos em clássicos instantâneos. Talvez eu seja menos injusto se disser que é a montagem, a característica mais cinematográfica, que é o cria a narrativa.

Você acha que a crítica ajuda a estimular a cultura?

A crítica quando é feita com o intuito de informar, sim. Quando ela peca pelo excesso de rebuscamento, essa função fica comprometida.

Acredita que a crítica possua papel didático? Mais: o que acha que é preciso para ser um crítico?

Acho que minha resposta anterior atende a essa primeira pergunta. Quanto à segunda, quero deixar claro que não me considero um crítico justamente por não exercer essa função como profissão e, dessa forma, sempre utilizar uma primeira pessoa (ainda que embutida) nos meus textos. Críticas precisam, a meu ver, ter mais embasamento teórico e pesquisa.

É possível separar gosto pessoal de técnica numa crítica?

Acho que é impossível e que críticas onde o autor ignora suas formação e referências nem deveriam ser escritas.

Qual o processo de criação das suas listas de melhores e piores? Quais os critério de seleção?

O critério é a memória. Quando recorto um tema, listo todos os filmes que poderiam entrar na relação. Para isso, além de recorrer a minha lembrança, consulto outras listas e, às vezes, até amigos. Geralmente minhas pré-listas ficam 4 ou 5 vezes maiores do que as listas finais. Então, o critério é a memória (seja a afetiva, sejam as revisões de filmes que faço constantemente).

Quais suas maiores referências no cinema?

A primeira pergunta é bem difícil para mim porque, nos últimos quase 18 anos de cinefilia, eu passei por várias paixões. Federico Fellini, François Truffaut, Orson Welles e Ingmar Bergman foram alguns dos que me iniciaram, mas fui conhecendo as obras de muitos outros ao longo desse tempo todo, como Yasujiro Ozu, Robert Bresson, Brian De Palma, Fritz Lang, F. W. Murnau, Gus Van Sant e mais um batalhão. Acho que quem atravessou todas essas eras foi Alfred Hitchcock, a quem sempre retorno. Afinal de contas, ele é o maior.

Quantas vezes você vê um filme para falar sobre ele?

Normalmente apenas uma. É raro, mas às vezes revejo para escrever.

Qual é o seu cinema preferido? Qual a sala que mais frequenta?

Em São Paulo, é o CineSesc, sem dúvida, porque ele é confortável, charmoso, icônico, eu diria, mas tenho ido pouco lá. As salas que freqüento mais são as do Unibanco Arteplex no Shopping Frei Caneca porque são perto de onde moro e geralmente trazem uma programação variada e que me interessa. Frequento também o Espaço Unibanco, o Bristol e a Reserva Cultural.

Quantos filmes costuma assistir por ano?

Geralmente, só conto os filmes que vejo no cinema. Esse número fica entre 120 e 150 filmes, mas no ano passado persegui quase todos os festivais de cinema de São Paulo (só na Mostra vi mais de 60) e ainda fui ao Festival do Rio, de férias, onde vi mais uns 50 ou 60. Fechei com mais de 250 filmes entre festivais e circuito. Nunca mais faço isso.

Você faz algum “ritual” pré festivais e premiações? Tem algum festival favorito?

A Mostra de SP é meu festival favorito por ser o primeiro grande festival a que fui. Amo com fogo e paixão. Quando sai a programação, mergulho nos títulos, pesquiso e fico dias montando minha “grade”.

Como você arruma tempo para ver tantos filmes?

Nem eu sei. Acho que priorizo isso na minha vida. É o que me interessa, é o que me diverte, então, nunca acho que esteja perdendo tempo numa sala de cinema.

Você coleciona filmes? Tem alguma posição a respeito da pirataria e do download ilegal de obras?

Coleciono. Tenho muitos DVDs, nem eu sei quantos. Minhas estantes são a prova. E odeio emprestar. Só quando é para alguém muito próximo. Sobre baixar filmes, eu acho que a maneira como essa prática é vista hoje deve mudar em breve porque disponibilizar obras de arte na internet é a apenas uma nova maneira de se relacionar com quem busca a obra. Não tem como não ser contra a pirataria quando se ama cinema porque a pirataria pode fazer com que o cinema se torne uma arte inviável financeiramente. Então, eu não gosto de baixar filmes novos, que estão ou entrarão em cartaz. Nem filmes que receberam versões decentes em DVD ou Blu-Ray porque quando eu gosto do filme, gosto de tê-lo.

No entanto, é impossível ignorar como a cinefilia foi estimulada pelos downloads. Eu mesmo só tive acesso a filmes antigos, ou inéditos ou raríssimos no mercado, baixando-os. Principalmente clássicos antigos (muita coisa européia, oriental, ou filmes mudos) ou filmes recentes pouco comerciais que não encontram espaço no nosso mercado. Eu acho que a) as distribuidoras que lançam filmes em DVD sem um único extra estão sendo burras (porque isso é o que diferencia o produto delas do baixado e, cada vez mais, só quem vai comprar filmes é quem gosta de colecionar); b) a indústria vai começar a explorar mais e melhor o mercado online; c) quem baixa filmes gravados por câmeras dentro das salas de cinema merece o fuzilamento.

Como você faz suas “apostas” para o Oscar, sempre tão precisas?

Sempre me perguntam porque eu dou “tanta importância” ao Oscar. Não é nada disso. O Oscar é importante para a indústria, mas o que me interessa nele é a brincadeira. Desde 1988 eu assisto a todas as cerimônias e do início dos anos 90 para cá eu comecei a me interessar em descobrir como eles chegam aos finalistas. Então, comecei a acompanhar festivais e premiações de críticos, observar as regras e lógicas internas da Academia, e isso me ajuda a apostar. Simplesmente adoro fazer isso.

Você acha que já viu o “filme ideal”, “perfeito”?

Imagino que se achasse isso já teria diminuído meu interesse pelo cinema.

Qual a sua opinião sobre o cinema atual – mainstream?

Eu adoro um blockbuster, viu? Acho que quando fazem filmaços como O Ultimato Bourne com fins completamente comerciais, não há porque reclamar. Mas tem muita porcaria e é normal que seja assim.

O que você acha do cinema 3D?

Acho que, em boas mãos, é uma delícia. O 3D é mais um passo evolutivo do cinema, não vejo mal nisso. Mas converter por converter é uma bobagem.

O que você acha do cinema brasileiro?

Sinceramente? Cada vez melhor. O cinema brasileiro sempre teve grandes filmes no meio de muita besteira. Qualquer cinematografia é assim. Só para citar belos exemplos dos últimos cinco anos, tivemos Cinema, Aspirina e Urubus, O Céu de Suely, Jogo de Cena, Santiago, Cão Sem Dono, Se Nada Mais Der Certo. Todos grandes filmes, todos filmes diferentes. Eles não levam o grande público para o cinema, mas isso é completamente natural porque não são comédias com atores globais, nem cinebiografias de cantores sertanejos ou médiuns. No entanto, deixam nossa filmografia mais rica.

Vimos que também é fã de quadrinhos…. O que acha, em geral, da adaptação de quadrinhos e obras literárias para o cinema?

Sobre obras literárias, temos dezenas de bons e maus exemplos. E nem sempre há um padrão para que dê certo, acho que passa prioritariamente pelo bom senso. Orgulho e Preconceito, do Joe Wright, por exemplo, eu acho brilhante mesmo sendo um “filme de menina”. E é uma adaptação bem próxima do original. Hitchcock transformava os livros “série B” que originaram suas obras em filmes geniais.

Quanto aos quadrinhos, eu sou um megafã das HQs de super-heróis, sobretudo da DC Comics e da Marvel. Acho que há grandes adaptações, com o primeiro filme do Superman, os segundos do Homem-Aranha e dos X-Men, ou os dois filmes do Homem de Ferro, mas há desastres absolutos como The Spirit, embora ele tenha sido capitaneado por um dos maiores mestres dos quadrinhos. Acho que uma boa adaptação tem que saber respeitar o original sem pecar pelo excesso de reverência.

Um clichê, para terminar: Quem você escolheria para interpretá-lo em uma cinebiografia?

Acho que o Mark Ruffalo me faria direitinho. E ainda seria indicado ao Oscar, hehe.

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Toy Story 3

Toy Story 3

Eu, que adoro uma nostalgia, confesso que não sinto muitas saudades da minha infância. Mas acho que isso tem uma explicação: provavelmente eu nunca saí dela. As provas são as HQs espalhadas pela casa e minha estante cheia de action figures. Os meus ídolos ainda são os mesmos: os X-Men e os Titãs. E vez por outra eu me pego imaginando onde foram parar todos os meus brinquedos. O Aquaplay, o Pogobol e o Cubo Mágico, tudo bem, não dá pra guardar pra sempre, mas eu colecionava carrinhos de ferro, tinha um monte de Comandos em Ação e praticamente uma civilização de Playmobiles. Em algum momento, eu parei de brincar e eles saíram de cena. Hoje, lembrando disso tudo, dá um aperto no coração, mas no fundo eu sei despedidas fazem parte da vida.

Toy Story 3 é um filme sobre despedidas. É o adeus de Andy a sua infância e o adeus da Pixar aos personagens que escreveram a história do estúdio que mudou a animação para sempre. E a trupe de Woody e Buzz Lightyear ganhou de Andy e da Pixar a despedida mais bonita que alguém pode receber, uma despedida que deixa a certeza do amor embora a vida sempre teime em nos afastar para lados diferentes. Os minutos finais do filme, dessa vez dirigido apenas por Lee Unkrich, são uma das sequências mais simples, sinceras e lindas da história do cinema feito para crianças. Eu, aquele que nunca abandonou a infância, morri um pouquinho mesmo sabendo que o que conta a gente guarda escondido para visitar sempre que pode, sempre que dá, sempre que precisa.

O mais bonito nesse Toy Story 3 talvez seja o fato de que ele nunca pareça ser uma daquelas continuações oportunistas para fazer dinheiro. Do começo a fim, ele parece ser um filme feito exclusivamente para encontrar um lugar bom para seus personagens. E isso é feito em forma de uma comédia de ação tradicional que muitas vezes encontra a pureza do melodrama e aí cresce, se espalha e fica gigante. Essa série, que completa 15 anos, não tem apenas o pioneirismo da animação digital. O primeiro longa também foi revolucionário por trocar contos de fadas pela vida real porque não existe nada mais real do que ver uma criança sentar no chão e imaginar aventuras para seus brinquedos.

E no novo filme, a Pixar convida o espectador a, mais uma vez, brincar junto, delirando nas sequências de ação perfeitas e gargalhando dos personagens divertidíssimos, como a caracterização de Michael Keaton para o Ken, o namorado da Barbie, que finalmente encontrou sua mais exata tradução. Mas esse modo feliz se transforma várias vezes ao longo do filme, quase sempre sem avisar. Algumas cenas chegam a ser cruéis, como o final da sequência do lixão, mas valem cada segundo quando percebemos detalhes tão pequenos quanto o momento em que Buzz olha demoradamente para Jessie. Não segurei as lágrimas ali. E passei o resto do filme prendendo tão forte o choro que saí com a garganta doendo. Mas feliz. É bem fácil fazer um filme nostálgico. O difícil é fazer um filme para se ter saudade. E mesmo completamente satisfeito, eu, que ainda não saí da infância, não me incomodaria se esse adeus que eu vi hoje se transformasse num até logo.

Toy Story 3 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Toy Story 3, Lee Unkrich, 2010]

P.S.: Bonnie, você é uma gracinha, mas meu Totoro é muito mais bonito do que o seu.

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A Centopeia Humana

A Centopeia Humana

Tá vendo a primeira imagem que ilustra este texto? Pois é, ela descreve o principal tema de A Centopeia Humana, o experimento macabro de um cientista maluco que tinha como sonho unir três pessoas numa só criatura, costurando suas bocas com o que você já deve imaginar. Confesso que nunca havia lido uma linha sobre a existência deste filme até que, cinco dias atrás, um amigo me falou sobre ele. Resolvi procurar o longa do holandês do Tom Six na internet porque imaginei que vê-lo seria uma experiência minimamente curiosa.

No entanto, me deparei com um longa que não se resolve, o que me convence que o cineasta resolveu fazer o filme para faturar em cima do grotesco sem sujar as mãos. Para um projeto com uma proposta tão bizarra, esperava-se que o tom dessa proposta fosse incorporado ao filme, mas não. O longa é, guardando as devidas proporções, quase asséptico visualmente. As grosserias não surgem em imagens fortes, mas em palavras. Pode-se dizer que A Centopeia Humana é quase que um filme de ideias. Ideias toscas, grotescas, mas executadas numa espécie de escatologia oral.

Tom Six parece mesmo ter se acovardado diante da “radicalidade” de seu projeto, inserindo cenas de um humor rasteiro em meio à narrativa de filme de tortura, talvez para amenizar o tom. Deu até saudade de filmes que eu detesto, como Jogos Mortais. O resultado é que seu longa é apenas ridículo e gratuito, já que não chega realmente a chamar a atenção. Enoja, sim, mas só um pouquinho. É uma bobagem feita para ser vendida pelo efeito de choque e a prova de que nós chegamos ao fundo do poço: não se faz mais nem filme ruim como antigamente.

A Centopeia Humana Estrelinha
[The Human Centipede (First Sequence), Tom Six, 2009]

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