Monthly Archives: fevereiro 2010

O Oscar dos Meus Sonhos – versão 2010

A lista abaixo é a do Oscar 2010. Isso caso eu tivesse o poder de escolher os indicados em todas as categorias. Para que eu não ficasse tão onipotente assim, resolvi seguir as regras da Academia. Valem apenas os filmes da lista de elegíveis, estão mantidos os números de indicados em cada quesito e respetei também a elegibilidade nas categorias específicas (filme estrangeiro, trilha, canção, maquiagem e animação). Como nada é perfeito, ainda não pude ver Coração Louco e Direito de Amar que poderiam provocar alterações nessa lista.

A lista real de indicados está aqui. Este aqui é o Oscar 2010 dos meus sonhos.

James Gray
 

Michael Haneke
 

Werner Herzog
filme

Amantes, de James Gray
Arrasta-me para o Inferno, de Sam Raimi
Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
A Fita Branca, de Michael Haneke
Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow
Um Homem Sério, de Joel e Ethan Coen
Onde Vivem os Monstros, de Spike Jonze
Sonata de Tóquio, de Kiyoshi Kurosawa
Star Trek, de JJ Abrams
Vício Frenético, de Werner Herzog

Kyoshi Kurosawa
direção

Ethan Coen e Joel Coen, Um Homem Sério
James Gray, Amantes
Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror
Kiyoshi Kurosawa, Sonata de Tóquio
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios

Clint Eastwood
ator

Joaquin Phoenix, Amantes
Michael Stuhlbarg, Um Homem Sério
Morgan Freeman, Invictus
Nicolas Cage, Vício Frenético
Sam Rockwell, Lunar

Brillante Mendoza
atriz

Carey Mulligan, Educação
Jaclyn Jose, Serbis
Kyôko Koizumi, Sonata de Tóquio
Nisreen Faour, Amreeka
Saoirse Ronan, Um Olhar do Paraíso

Quentin Tarantino
roteiro original

Amantes
Bastardos Inglórios
A Fita Branca
Um Homem Sério
Sonata de Tóquio

Spike Jonze
roteiro adaptado

Distrito 9
O Fantástico Sr. Raposo
Onde Vivem os Monstros
Star Trek
Vício Frenético

A Fita Branca
ator coadjuvante

Burghart Klaußner, A Fita Branca
Bill Murray, Zumbilândia
Christoph Waltz, Bastardos Inglórios
Leonard Proux, A Fita Branca
Paul Schneider, Brilho de uma Paixão

Distante Nos Vamos
atriz coadjuvante

Allison Janney, Distante Nós Vamos
Imelda Staunton, Aconteceu em Woodstock
Marion Cotillard, Inimigos Públicos
Mo’Nique, Preciosa
Susanne Lothar, A Fita Branca

Mary and Max
filme de animação

Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Sr. Raposo
Mary and Max
A Princesa e o Sapo
Up

Corneliu Porumbouiu
filme estrangeiro

A Fita Branca (Alemanha)
Mau Dia para Pescar (Uruguai)
Mother (Coréia do Sul)
Polícia, Adjetivo (Romênia)
Procurando Elly (Irã)

Coen Brothers
fotografia

A Fita Branca
Guerra ao Terror
Um Homem Sério
Inimigos Públicos
Onde Vivem os Monstros

Michael Mann
montagem

Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
Um Homem Sério
Inimigos Públicos
Star Trek

Wes Anderson
direção de arte

O Fantástico Sr. Raposo
Um Homem Sério
Inimigos Públicos
Sherlock Holmes
Star Trek

Jane Campion
figurinos

Chéri
Brilho de uma Paixão
Onde Vivem os Monstros
Sherlock Holmes
The Young Victoria

Steven Soderbergh
trilha

Arrasta-me para o Inferno
O Desinformante
Um Homem Sério
Sherlock Holmes
Up

Henry Selick
canção

“All is Love”, Onde Vivem os Monstros
“Dreaming”, Coraline e o Mundo Secreto
“Petey’s Song or Fantastic Mr. Fox”, O Fantástico Sr. Raposo
“Through the Trees”, A Garota Infernal
“The Weary Kind”, Coração Louco

Sam Raimi
maquiagem

Arrasta-me para o Inferno
Distrito 9
Star Trek

Neill Bloomkamp
mixagem de som

Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Inimigos Públicos
Star Trek

Kathryn Bigelow
edição de som

Avatar
Arrasta-me para o Inferno
Guerra ao Terror
Um Homem Sério
Star Trek

JJ Abrams
efeitos visuais

Avatar
Distrito 9
Star Trek

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Um Homem Sério

Um Homem Sério

Um Homem Sério pode não ser o melhor filme dos irmãos Coen, mas é o mais bem dirigido trabalho deles. O novo filme da dupla, com sua proposta simples de história de humor negro, praticamente some se for comparado a projetos mais ambiciosos como Onde os Fracos Não Têm Vez, mas indica um refinamento absurdo na direção deles. Por isso, é bem curioso que seja justamente o roteiro o que tem chamado mais a atenção dos críticos na premiações de cinema.

O texto do filme, uma sucessão de situações bizarras que acontecem com o protagonista azarado, é ótimo, mas foi o que menos me chamou a atenção em Um Homem Sério. Talvez porque eu não tenha achado que os Coen foram simplesmnete cruéis com seu personagem principal. Acho que se trata muito mais de uma grande piada de humor negro. De cara, há uma fotografia escandalosa de tão linda, com a câmera sempre procurando os lugares mais inusitados, ao mesmo tempo em que pinta quadros belíssimos.

Há duas cenas fantásticas: a primeira é quando Michael Stuhlbarg, um dos melhores atores do ano, imperdoavelmente fora da lista do Oscar, sobe no telhado e observa sua vizinhança. A segunda é minha cena do ano até agora: o Bar Mitzvah do garoto sob efeito de maconha. Uma “viagem” traduzida com uma câmera linda, um ator-mirim inspirado e um humor delicioso. O filme inteiro é muito bem encenado. Chega a parecer calculado demais em alguns momentos, mas a impressão que fica que os Coen resolveram um problema de ritmo que sempre deixava seus filmes arrastados.

O filme flui tão bem que a interminável maré de azar do protagonista ganha consistência e passa de brincadeira a observação melancólica sobre o mundo que nos cerca. A música de Carter Burwell, discretíssima, traduz o filme, que termina com um golpe final (ou dois) de doer o coração. No melhor sentido.

Um Homem Sério EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[A Serious Man, Joel Coen e Ethan Coen, 2009]

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A Fita Branca

A Fita Branca

A Fita Branca talvez seja o mais solene dos filmes de Michael Haneke. O trabalho mais clássico de um diretor que não abandona seu tema favorito: a capacidade do homem de ser cruel. Muitas vezes, suas aventuras por este terreno me pareceram gratuitas, forçadas, pouco naturais, mas neste novo filme elas ganham um acabamento refinado, principalmente por causa de seu modelo modelo retrô. Haneke fez um filme num preto-e-branco quase glacial, que nem a projeção digital consegue estragar, e assume um narrador – num voice over que se justifica como há muito tempo não acontecia num filme.

Titubeante, o narrador alerta no começo do filme sobre sua falta de certezas sobre o que é ou não verdade no que vai contar para o espectador. A Fita Branca começa assim, duvidando de si mesmo. O diretor costura seu filme, não apenas como uma investigação do que era a Europa pré-Nazista, como fizeram questão de alardear, mas como uma alegoria do que os sistemas patriarcais, os regimes autoritários e o fanatismo religioso podem provocar na formação do indivíduo.

A essência do filme poderia ser sintetizada em uma única cena, em que o pai pastor, interpretado pelo ótimo Burghart Klaußner, “esmaga” a educação sexual de seu filho, o surpreendente Leonard Proxauf, com um discurso castrador que se transformou num dos momentos mais aterrorizantes do ano. O austríaco foi felicíssimo na escolha do elenco, sobretudo as crianças, quase todas excelentes. Ele usa sua habilidade para gerenciar climas e tensões, construindo o filme como um thriller de terror psicológico que oferece mais perguntas do que respostas.

A Fita Branca EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Das Weiße Band, Michael Haneke, 2009]

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Últimos Dias

Últimos Dias

O som, de uma maneira geral, é um aspecto secundário na obra de maioria dos cineastas. Serve muitas vezes apenas para dar voz aos personagens ou fazer barulho em cenas de ação. Pouquíssimos entendem a sonoplastia como signo, como plataforma de linguagem. Gus Van Sant é um dos raros diretores que elevam o som à condição de ator principal e não figurante perdido na multidão. Em Elefante, o desenho sonoro é essencial para que Van Sant explique sua visão de mundo: para ele, somos a intersecção de interferências que surgem de todos os lados. Elas nos definem, nos confudem, nos confinam e nos libertam.

Já em Últimos Dias, um filme a que eu resisti inexplicavelmente durante anos, Van Sant usa o som com um objetivo diferente, mas igualmente importante para a trama. O filme, inspirado no momentos finais da vida de Kurt Cobain, líder do Nirvana, retrata um protagonista confuso, que vaga em busca de um propósito. Para isso, o cineasta trabalha em dois planos. O primeiro é a imagem, com a câmera de Harris Savides como reflexo da falta de foco e dos movimentos circulares do personagem. O segundo e talvez mais importante é a sonoplastia.

Blake, o Kurt de Van Sant, é um homem engolido pelo mundo que o cerca. Um artista de enorme potencial criativo que se vê podado por obrigações com sua banda, seus contratos, sua família. Sua voz sumiu diante de tudo isso. E Van Sant traduz isso literalmente. O protagonista de Últimos Dias raramente fala – e quando o faz nós mal o ouvimos, mesmo que ele esteja num diálogo direto com a executiva de estúdio interpretada pela Kim Gordon do Sonic Youth. Muitas vezes só sabemos que Blake está falando porque há legendas para nos informar disso.

A experiência, confesso, não é fácil. Em sua tentativa de naturalismo, Van Sant constrói uma narrativa lenta, que exige bastante atenção e disposição do espectador. A voz do protagonista desaparece diante das vozes dos outros, de ruídos cotidianos e, sobretudo, diante da música. Essa última situação é o único momento em que Blake ainda se mantém intacto. Quando ele canta, informa para o mundo que ainda está vivo. O que resta, então, quando ele só consegue cantar quando está só? Para Gus Van Sant, numa das cenas mais lindas do cinema feito na década passada, talvez seja a hora de ele subir as escadas e se recolher.

Últimos Dias EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Last Days, Gus Van Sant, 2005]

P.S.: o clipe da música “Happy Song”, do Pagoda, extra do DVD de Últimos Dias, está no novo canal do Filmes do Chico, no YouTube.

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O Lobisomem

O Lobisomem

Pode anotar: O Lobisomem, de Joe Johnston, é o filme mais corajoso do ano. O motivo é a ousadia do diretor que, numa época em que os efeitos digitais tomam cada vez mais espaço nas produções e são apontados como o futuro no fazer cinema, resolveu bancar um filme de gênero absolutamente retrô. Ele recicla fórmulas e sobretudo técnicas que remetem ao cinema de terror dos anos 30 e 40, época em que os monstros da Universal deram prestígio ao ramo. O Lobisomem parte para cima de Avatar, sem chances de ganhar, mas com uma fúria impressionante.

Fúria mesmo porque este filme é violentíssimo. Um espetáculo gore sem pudores, com sangue e partes de corpos para todos os lados. Mas nunca em tom gratuito. Johnston se inspira claramente em Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola, que já flertava com o terror clássico 18 anos atrás. O visual de seu filme é assumidamente envelhecido, desde a direção de arte suja, sobretudo na mansão da família Talbot, até a fotografia escura, que reforça o clima de suspense e é uma das maiores referências oldschool do filme, com movimentos de câmera classudos praticamente copiados de longas antigos.

Apesar da pouca cor, o diretor de fotografia Shelly Johnson consegue uma coleção de imagens belíssimas, seja apostando na simplicidade dos jogos de luzes ou inserindo elementos como na cena em que o protagonista, no meio de um delírio, olha para a cunhada. Benicio Del Toro, por sinal, nos presenteia com uma de suas interpretações mais complexas e sutis, sobretudo quando seu personagem está atordoado. A maquiagem pesada que ele carrega não nos priva dos detalhes de sua composição. Joe Johnston dispensou 90% dos efeitos visuais que poderia usar para criar seu monstro e chamou o gênio Rick Baker para criar os lobisomens da história.

E Baker trabalha com precisão, mas seu minucioso trabalho é assumidamente antigo e com resultados provavelmente muito diferentes do que a geração avatariana deve entender como um bom resultado. O CGI é usado apenas como acabamento para a transformação e movimentação do personagem. Um trabalho impecável, mas que pode parecer datado para muita gente. Esse deve ter sido justamente o motivo pelo qual o estúdio adiou a estreia do longa. Na temporada de filmes literalmente fantásticos do fim do ano passado, O Lobisomem seria engolido sem dó por Avatar, tanto na bilheteria quanto no “controle de qualidade” dos adolescentes. A decisão em manter a proposta de filme à moda antiga, quase artesanal, pode custar dólares e prestígio para Johnston, mas indica um diretor preocupado em assumir riscos para seguir um conceito. E, no meio disso tudo, fazer um filme delicioso como não se via há muito tempo.

O Lobisomem EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Wolfman, Joe Johnston, 2010]

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Mother

Mother

A primeira cena de Mother já indica o que virá pela frente. Num momento antológico para o cinema recente, a personagem-título dança num campo aberto. Estes minutos iniciais já valem o ingresso dxa sessão, mesmo que as imagens, de uma melancolia irresistível, só façam sentido perto do fim o filme, quando se integram definitivamente à narrativa. Mas quando engrena sua trama, Bong Joon-ho não abandona o cuidado com suas imagens. Há pelo menos outros dez momentos, todos discretos, em que ângulos, iluminação ou movimentos de câmera transformam Mother numa pintura.

Mas este é o novo filme do diretor da obra-prima O Hospedeiro e, como aquele, é um filme extremamente pop e, apesar de esconder nuances e detalhes, é bastante simples: conta a história de uma mãe que tenta provar a inocência do filho deficiente, acusado de um assassinato. Bong aposta no drama policial, terreno em que já havia pisado no ótimo Memórias de um Assassino. Bong se apropria de elementos do suspense clássico, que servem para compor uma mistura de história de amor incondicional, retratada com pequenas delicadezas, e thriller de primeira grandeza, com roteiro inteligente e cenas assustadoras.

Mesmo com todo o domínio de cena que o diretor exibe, Mother não seria a metade do que é sem sua protagonista. A atriz Kim Hye-Ja, genial, equilibra a força e as fragilidades de sua personagem com imensa desenvoltura numa das performances mais sensíveis dos últimos tempos. Ela valoriza a cena final do filme, quando a protagonista faz uma escolha definitiva e celebra o que está por vir.

Mother EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Madeo, Bong Joon-ho, 2009]

P.S.: alguém me explica porque um filme coreano é lançado com o título em inglês e um subtítulo em português?

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Guerra ao Terror

Guerra ao Terror

Não há heróis em Guerra ao Terror. Os três atores principais do filme interpretam homens comuns, ou homens militares comuns, num cenário hostil a eles. São absolutamente ordinários. Seu senso de dever é o mesmo que eu, você ou o padeiro da esquina temos. Os três acreditam e defendem sua missão e fazem o que podem para cumpri-la, mas não protagonizam espetáculos de altruísmo nem escondem suas fragilidades. O efeito da guerra sobre o homem está em foco neste filme.

Filmes de guerra, até algum tempo atrás, respiravam grandiosidade e padronizavam comportamentos. Esqueciam do individual, que ficava perdido nos imensos campos de batalha. Havia um objetivo maior. O particular era detalhe. As coisas mudaram, mas poucas vezes essa transformação de perfil foi tão radical quanto em Guerra ao Terror. Como invade os bastidores de um conflito ainda em curso, o filme sequer cogita o gran finale tão caro aos representantes do gênero. Não se trabalha com uma meta, mas com o meio do caminho, a experiência, e como os personagens lidam com ela.

É um trabalho raro já que filmes que tentaram fazer coisas parecidas, como Platoon, de Oliver Stone, celebram tanto a experiência que terminam reféns dela e de suas sequelas. Guerra ao Terror faz o inverso: não filosofa, interpreta ou analisa os efeitos da vivência dos soldados. Assume a forma de documento que invade o microverso dos protagonistas e se põe a registrar suas ações e suas angústias. Essas angústias, por sinal, surgem discretamente, como extensões naturais do registro. O tom é discreto o tempo inteiro, embora o filme nunca se furte de abordar qualquer assunto.

O que talvez seja o maior mérito de sua realização é justamente um fator externo ao que se vê na tela, o fato de ser uma mulher quem comanda esse retrato íntimo de um habitat tão notadamente masculino. Kathryn Bigelow, que já deu várias provas de talento em filmes menos ambiciosos, invade a clausura dos homens da guerra com imensa propriedade mesmo (e especialmente) quando os personagens, longe do campo de batalha, vivem momentos de lazer, numa típica celebração de virilidade. Bigelow dá a cena um quê de pausa intimista, de bálsamo merecido, como provavelmente apenas uma mulher faria, enxergando a sensibilidade e a importância daquele momento.

Cenas assim garantem a esse filme uma vaga entre os melhores do gênero facilmente. Bigelow, além de demonstrar sua competência técnica num trabalho com imagens impressionantes, é fiel a sua proposta de investigar o homem comum. Não é à toa que os atores mais conhecidos do público saem logo de cena. O que interessa é Guerra ao Terror não atende pelo nome ou pelo que eu, você e o padeiro da esquina entendemos como heróis.

Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008]

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