Monthly Archives: janeiro 2010

7 anos, 100 filmes

Meus últimos sete anos foram agitados. Mudei sete vezes de endereço e quatro vezes de cidade, comecei e terminei dois namoros, tive cinco empregos diferentes e ganhei dois sobrinhos e dois afilhados. No meio desse fluxo de informações, poucas coisas permaneceram intactas e atravessaram perenes esse período. Uma delas foi este blogue que, mesmo tendo passado por três diferentes endereços, continua sendo algo como uma casa pra mim. Ele me dá quarto e sala, comida e roupa lavada, amigos, colegas, parceiros e a oportunidade de escrever por prazer sobre o assunto de que eu mais gosto.

Agradeço a todo mundo que já passou por aqui uma ou muitas vezes e convido para voltar a bater nessa porta e trocar ideias. Por mais que os textos que eu escrevo aqui não tenham o rigor nem a intenção de serem críticas – são apenas opiniões pessoais -, só há sentido em publicá-los quando há alguém para ler. Um obrigado especial para o meu amigo André Catoto, que fez a belíssima ilustração tomando por base 2046, de Wong Kar-Wai, que virou o topo do meu blogue. Voltando a nossa programação normal, fiquem agora com minha lista de 100 filmes favoritos atualizada, e até o próximo capítulo.

Lucio Fulci

100 (-)
Zumbi 2
Zombi
Lucio Fulci, 1979

Antes do Pôr-do-Sol

99 (92)
Antes do Pôr-do-Sol
Before Sunset
Richard Linklater, 2004

John Huston

98 (84)
O Tesouro de Sierra Madre
The Treasure of Sierra Madre
John Huston, 1948

O Hospedeiro

97 (94)
O Hospedeiro
Gwoemul
Bong Joon-ho, 2006

Lucrecia Martel

96 (-)
O Pântano
La Ciénaga
Lucrecia Martel, 2001

Na Idade da Inocência

95 (88)
Na Idade da Inocência
L’Argent de Poche
François Truffaut, 1976

Os Excêntricos Tenenbaums

94 (89)
Os Excêntricos Tenenbaums
The Royal Tenenbaums
Wes Anderson, 2001

Clint Eastwood

93 (-)
Gran Torino
Gran Torino
Clint Eastwood, 2008

A Viagem de Chihiro

92 (76)
A Viagem de Chihiro
Sen to Chihiro no Kamikakushi
Hayao Miyazaki, 2001

Peter Bogdanovich

91 (-)
A Última Sessão de Cinema
The Last Picture Show
Peter Bogdanovich, 1971

Carne Trêmula

90 (67)
Carne Trêmula
Pedro Almodóvar
Carne Tremula, 1997

Christophe Honoré

89 (85)
Em Paris
Dans Paris
Christophe Honoré, 2006

Os Canibais

88 (78)
Os Canibais
Os Canibais
Manoel de Oliveira, 1988

George A. Romero

87 (-)
O Despertar dos Mortos
Dawn of the Dead
George A. Romero, 1978

Os Reis do Iê-Iê-Iê

86 (77)
Os Reis do Iê-Iê-Iê
A Hard Day’s Night
Richard Lester, 1964

Roberto Santos

85 (70)
A Hora e a Vez de Augustro Matraga
A Hora e a Vez de Augustro Matraga
Roberto Santos, 1965

O Pecado de Todos Nós

84 (68)
O Pecado de Todos Nós
Reflections in a Golden Eye
John Huston, 1967

Orson Welles

83 (-)
A Marca da Maldade
Touch of Evil
Orson Welles, 1958

O Terror das Mulheres

82 (69)
O Terror das Mulheres
The Ladies Man
Jerry Lewis, 1961

Invasores de Corpos

81 (87)
Invasores de Corpos
Invasion of the Body Snatchers
Philip Kaufman, 1978

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Top 20 anos 2000: melhores filmes orientais

Retomo aqui os tops dos anos 2000, interrompidos para fazer as listas de melhores do ano e posts sobre o Oscar. Desta vez, o foco é nos filmes orientais. Para fechar essa relação, eu considerei filmes dos seguintes países: Mongólia, China, Coréias, Japão, Filipinas, Taiwan, Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia, Birmânia, Cingapura, Malásia e Indonésia.

EDIÇÃO: tinha esquecido de Shara, da Naomi Kawase. Ele entra aqui na décima terceira posição, arrastando todos os que vêm depois dele. A lista ficou com 21 filmes.

Hou Hsiao-Hsien

21 Three Times
Zui hao de shi Guang
Hou Hsiao-Hsien
Taiwan/França, 2005

 Kyioshi Kurosawa

20 Pulse
Kairo
Kiyoshi Kurosawa
Japão, 2001

Ang Lee

19 O Tigre e o Dragão
Wo Hu Cang Long
Ang Lee
Taiwan/Hong Kong/EUA/China, 2000

Hong Sang-Soo

18 Mulher na Praia
Haebyeonui Yeoin
Hong Sang-Soo
Coréia do Sul, 2006

Rithy Panh

17 Os Artistas do Teatro Queimado
Les Artistes du Théâtre Brûlé
Rithy Panh
Camboja/França, 2005

Wong Kar-Wai

16 2046
2046
Wong Kar-Wai
China/França/Alemanha/Hong Kong, 2004

Kim Ki-Duk

15 A Casa Vazia
Bin-Jip
Kim Ki-Duk
Coréia do Sul/Japão, 2004

Hirokazu Kore-eda

14 Ninguém Pode Saber
Dare mo Shiranai
Hirokazu Kore-eda
Japão, 2004

Naomi Kawase

13 Shara
Sharasojyu
Naomi Kawase
Japão, 2003

Mother

12 Mother
Madeo
Bong Joon-ho
Coréia do Sul, 2009

Jia Zhang-Ke

11 O Mundo
Shjie
Jia Zhang-Ke
China/Japão/França, 2004

Brillante Mendoza

10 Kinatay
Kinatay
Brillante Mendoza
Filipinas/França, 2009

Kyoshi Kurosawa

9 Sonata de Tóquio
Tôkyô Sonata
Kiyoshi Kurosawa
Japão/Holanda/Hong Kong, 2008

Johnnie To

8 Exilados
Fong Juk
Johnnie To
Hong Kong, 2006

Takeshi Kitano

7 Dolls
Dolls
Takeshi Kitano
Japão, 2002

Chan-wook Park

6 Oldboy
Oldboy
Chan-wook Park
Coréia do Sul, 2003

Apichatpong Weerasethakul

5 Síndromes e um Século
Sang Sattawat
Apichatpong Weerasethakul
Tailândia/França/Áustria, 2006

Wong Kar-Wai

4 Amor à Flor da Pele
Fa Yeung Nin Wa
Wong Kar-Wai
Hong Kong/França, 2000

A Viagem de Chihiro

3 A Viagem de Chihiro
Sen to Chihiro no Kamikakushi
Hayao Miyzaki
Japão, 2001

Bong Joon-ho

2 O Hospedeiro
Gwoemul
Bong Joon-ho
Coréia do Sul, 2006

Jia Zhang-Ke

1 Em Busca da Vida
Sanxia Haoren
Jia Zhang-Ke
China/Hong Kong, 2006

menções honrosas

O Castelo Animado (2004), de Hayao Miyazaki, As Coisas Simples da Vida (2000), de Edward Yang, Eleição (2005), de Johnnie To, Escola do Riso (2004), de Mamoru Hoshi, Kung-Fusão (2004), de Stephen Chow, Memórias de um Assassino (2003), Bong Joon-ho, Metropolis (2001), Rintaro, Uma Mulher Coreana (Im Sang-Soo), ?, A Partida (2008), de Yôjirô Takita, Plataforma, de Jia Zhang-Ke, O Sabor da Melancia (2005), de Tsai Ming-Liang, Seguindo em Frente (2008), de Hirokazu Kore-eda, Serbis (2008), de Brillante Mendoza, Sr. Vingança (2002), de Chan-wook Park, Tirador (2007), de Brillante Mendoza, Zatoichi (2004), de Takeshi Kitano.

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Minha cédula para o Alfred 2009

Minha cédula de votação para o Alfred 2009, o prêmio de melhores do ano da Liga dos Blogues Cinematográficos.

FILME DO ANO
Gran Torino
O Lutador
Amantes
Se Nada Mais Der Certo
Bastardos Inglórios

DIREÇÃO
Clint Eastwood, Gran Torino
Darren Aronofsky, O Lutador
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios
Miguel Gomes, Aquele Querido Mês de Agosto
James Gray, Amantes

ATOR
Ryan Gosling, A Garota Ideal
Mickey Rourke, O Lutador
Sean Penn, Milk
Joaquin Phoenix, Amantes
Frank Langella, Frost/Nixon

ATRIZ
Melissa Leo, Rio Congelado
Caroline Abras, Se Nada Mais Der Certo
Sally Hawkins, Simplesmente Feliz
Kristin Scott-Thomas, Há Tanto Tempo que te Amo
Anne Hathaway, O Casamento de Rachel

ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz, Bastardos Inglórios
James Franco, Milk
Eddie Marsan, Simplesmente Feliz
Josh Brolin, Milk
Bill Irwin, O Casamento de Rachel

ATRIZ COADJUVANTE
Marisa Tomei, O Lutador
Imelda Staunton, Aconteceu em Woodstock
Lorna Raver, Arrasta-me para o Inferno
Viola Davis, Dúvida
Blanca Portillo, Abraços Partidos

ELENCO
Dúvida
Milk
No Meu Lugar
Bastardos Inglórios
O Fantástico Sr. Raposo

CENA DO ANO
Conversa no chalé, Bastardos Inglórios
A história de um casal, Up
A piscina, Deixa Ela Entrar
O dicionário, Polícia, Adjetivo
Entrevista de Emprego, Há Tanto Tempo que te Amo

ROTEIRO ORIGINAL
Bastardos Inglórios
Aquele Querido Mês de Agosto
Amantes
O Lutador
Gran Torino

ROTEIRO ADAPTADO
A Bela Junie
Star Trek
Entre os Muros da Escola
Deixa Ela Entrar
Ervas Daninhas

FILME DE ESTRÉIA
A Garota Ideal
No Meu Lugar
Distrito 9
Lóki
(500) Dias com Ela

FILME BRASILEIRO
Se Nada Mais Der Certo
Lóki
No Meu Lugar
Hotel Atlântico
Um Lobisomem na Amazônia

FOTOGRAFIA
Deixa Ela Entrar
A Troca
A Festa da Menina Morta
Inimigos Públicos
Foi Apenas um Sonho

MONTAGEM
Star Trek
Bastardos Inglórios
Frost Nixon
No Meu Lugar
Gran Torino

DIREÇÃO DE ARTE
O Fantástico Sr. Raposo
Foi Apenas um Sonho
Star Trek
A Troca
Bastardos Inglórios

TRILHA SONORA
Up
O Desinformante
Duplicidade
A Partida
A Garota Ideal

CANÇÃO
“The Wrestler”, O Lutador
“Gran Torino”, Gran Torino
“Cordão de Ouro”, Besouro
“Through The Trees”, Garota Infernal
“Possibility”, A Saga Crepúsculo: Lua Nova

SOM
Inimigos Públicos
Avatar
Distrito 9
Up
Star Trek

EFEITOS VISUAIS
Avatar
O Curioso Caso de Benjamin Button
Distrito 9
Arrasta-me para o Inferno
Star Trek

PIOR FILME
Do Começo ao Fim
Milagre em St. Anna
O Leitor
Lua Nova
Transformers: A Vingança dos Derrotados

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Onde Vivem os Monstros

Onde Vivem os Montros

Spike Jonze estreou no cinema há mais de dez anos, mas só assinou três longas nesse período. Os dois primeiros, Quero Ser John Malkovich e Adaptação, lançados entre 1999 e 2002, foram recebidos com entusiasmo. Pelo primeiro, concorreu ao Oscar de melhor direção. No segundo, conseguiu trabalhar com Nicolas Cage e Meryl Streep. Nesses tempos áureos, Jonze era o futuro de Hollywood, o garoto-prodígio que comandava os devaneios do roteirista Charlie Kaufman. A dupla de malucos se completava. Kaufman dava substância a Jonze e Jonze dava direção a Kaufman. Seus dois trabalhos eram, ao mesmo tempo, ousados, irônicos, desmontavam narrativas em forma de grandes brincadeiras.

Mas depois desses dois encontros bem-sucedidos, a dupla seguiu caminhos diferentes. Kaufman voltou a trabalhar com Michel Gondry e estreou como diretor. E Jonze se dedicou aos videoclipes que inauguraram sua carreira, além de curtas e documentários. Somente sete anos depois de seu último longa, Spike Jonze resolve retomar sua carreira como cineasta. E seu terceiro filme é seu trabalho mais corajoso. Sem o conforto de ter um dínamo criativo como Kaufman a seu lado, o diretor, pela primeira vez, se arriscou na assinatura do roteiro de um longa seu, trabalho dividido com Dave Eggers. Como se não bastasse, Jonze resolveu comandar a adaptação de um livro infantil. Detalhe: um livro infantil cujo texto integral tem cerca de quinze frases.

Quem leu o clássico de Maurice Sendak (e isso se faz em três minutos) percebe já nas primeiras cenas que o livro é pouco mais que uma sinopse, ou sendo mais justo, pouco mais do que uma inspiração para o filme. Nas mãos de Jonze e Eggers, cada frase ganha prólogos e epílogos, nuances e sub-tramas, significações e contextos. Pelo menos, 90% do que se vê na tela é material novo, apesar do respeito absoluto à obra de Sendak. Onde Vivem os Monstros, no entanto, guarda duas proximidades com os outros filmes de Spike Jonze: o amor pelo lúdico e a falta de concessões. O primeiro ponto aqui é metabolizado pela própria natureza da literatura infantil. O diretor sabe administrar as passagens entre planos factual e fantástico com uma singeleza que falta a seus outros filmes.

Quanto a falta de concessões, o filme é radical. Jonze não admite que elemento externo algum macule a viagem íntima de seu personagem. O diretor assume por sua conta e risco o conto de fadas e explora todas suas possibilidades. No mundo de hoje, dominado por avatares e experiências visuais, Onde Vivem os Monstros usa os efeitos especiais apenas como suporte para legitimar seus personagens. São tão discretos que podem passar facilmente despercebidos. Jonze ainda dispensa o CGI para criar o visual dos monstros. Figurinos enormes e pesados dão ao filme um caráter retrô que não apenas reafirma a obra de Sendak, como homenageia todo o cinema infantil da era pré-digital, saudado também pela linda trilha de Carter Burwell e Karen O dos Yeah Yeah Yeahs.

Mas o mais radical no novo filme de Spike Jonze não está no formato e sim na sua proposta. Como nas brincadeiras de antigamente, a aventura do garotinho Max (interpretado pelo pestinha Max Records, provavelmente o nome mais cool de um ator em 50 anos) vai até o fim. Ela só acaba quando Max fica cansado (quer uma razão mais justa?) e resolve procurar conforto. Até então ele já nos ajudou a embarcar numa viagem com gosto de uma infância que as gerações de hoje e de amanhã nunca saberão como é. Não porque antes era melhor ou pior, mas porque hoje é de outro jeito.

Onde Vivem os Monstros EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Where The Wild Things Are, Spike Jonze, 2009]

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Resultado da enquete dos melhores de 2009

Resultado da enquete “qual foi o melhor filme de 2009?“, que teve os votos coletados aqui neste blogue ao longo de cerca de 20 dias.

Avatar – 34,68% (643 votos)
Bastardos Inglórios – 16,72% (310 votos)
Gran Torino – 6,09% (113 votos)
Star Trek – 5,99% (111 votos)
Distrito 9 – 5,29% (98 votos)

(500) Dias com Ela – 4,85% (90 votos)
Milk – 4,48% (83 votos)
Inimigos Públicos – 4,26% (79 votos)
Arrasta-me para o Inferno – 2,80% (52 votos)
O Lutador – 2,48% (46 votos)

Amantes – 2,27% (42 votos)
Deixa Ela Entrar – 1,78% (33 votos)
Entre os Muros da Escola – 1,78% (33 votos)
O Casamento de Rachel – 0,97% (18 votos)
O Equilibrista – 0,81% (15 votos)

Aquele Querido Mês de Agosto – 0,70% (13 votos)
A Bela Junie – 0,70% (13 votos)
Desejo e Perigo – 0,54% (10 votos)
Se Nada Mais Der Certo – 1,08% (20 votos)
O Fantástico Sr. Raposo – 0,49% (9 votos)

Horas de Verão – 0,49% (9 votos)
Lóki – Arnaldo Baptista – 0,43% (8 votos)
Polícia, Adjetivo – 0,16% (3 votos)
As Praias de Agnès – 0,11% (2 votos)
No Meu Lugar – 0,05% (1 voto)

Total: 1854 votos

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Vício Frenético

Vício Frenético

Remakes sempre são questionáveis, mas o anúncio de que um filme como este seria produzido parecia ainda mais bizarro: o alemão Werner Herzog assumiria a refilmagem de Vício Frenético, um dos melhores filmes de Abel Ferrara, e o caricato Nicolas Cage, que há séculos não nos apresenta uma interpretação razoável, viveria o papel que um dia foi de Harvey Keitel. O melhor papel de Keitel, diga-se. Mas o que se vê no cinema é de fazer cair o queixo. Além de não ser literalmente um remake (apenas as ideias centrais são reaproveitadas), Herzog encontra caminhos improváveis que transformam este filme numa viagem alucinógena completamente deliciosa.

Assim como no filme de Ferrara, aqui Nicolas Cage também vive um policial para quem o termo “dependente químico” nem faz cócegas na tentativa de adjetivá-lo. Eu, e provavelmente metade dos espectador razoavelmente exigentes de cinema, já havia desistido desse ator que vinha escolhendo papéis que só faziam ressaltar sua caretas. Em Vício Frenético, Cage encontra a interpretação de sua vida. E ele, perdoem-me pelo superlativo, está magistral, equilibrando o humor, que percorre toda a metragem do filme, e a seriedade. E faz isso usando todos seus maneirismos usuais.

Todas as soluções que Herzog encontra para todas as sub-tramas do novo longa são extraordinárias, inclusive as que passam pelas cenas – já antológicas – das viagens alucinógenas do protagonista. O diretor evitar colocar o personagem como herói ou vilão. Sua amoralidade não é celebrada, mas apresentada da maneira menos provável possível. Eva Green, Michael Shannon, Jennifer Coolidge, Fairuza Balk e Val Kilmer, todos em papéis minúsculos, servem como a escada perfeita para os devaneios desta obra-prima do personagem de Cage e do diretor de primeira que Herzog, de vez em quando, insiste em querer nos relembrar que é.

Vício Frenético EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[The Bad Lieutenant: Port of Call, New Orleans, Werner Herzog, 2009]

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Frankies 2009

FRANKIES 2009

filme brasileiro

Noa Bressane, Bruno Safadi
Belair (*), Noa Bressane e Bruno Sáfadi

Paulo Sergio Fontenelle
Lóki – Arnaldo Baptista, Paulo Sergio Fontenelle

Eduardo Valente
No Meu Lugar, Eduardo Valente

José Eduardo Belmonte
Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmonte

Karim Ainouz e Marcelo Gomes
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (*), Karim Aïnouz e Marcelo Gomes

efeitos visuais

Arrasta-me para o Inferno
Avatar
O Curioso Caso de Benjamin Button
Distrito 9
Star Trek

som

Avatar
Inimigos Públicos
Katalin Varga (*)
Kinatay (*)
Um Lago (*)

maquiagem

Arrasta-me para o Inferno
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Exterminador do Futuro: A Salvação
Star Trek
X-Men Origens: Wolverine

animação

Gustavo Cosa
Boogie (*), Gustavo Cosa

Henry Selick
Coraline e o Mundo Secreto, Henry Selick

Wes Anderson
O Fantástico Sr. Raposo, Wes Anderson

Gabor Csupo
Immigrants – L.A. Dolce Vita (*), Gabor Csupo

Pete Docter e Bob Peterson
Up, Pete Docter e Bob Peterson

documentário

Belair (*), Noa Bressane e Bruno Sáfadi
O Equibrista, James Marsh
Lóki – Arnaldo Baptista, Paulo Sergio Fontenelle
Ninguém Sabe dos Gatos Persas (*), Bahman Ghobadi
As Praias de Agnès (*), Agnès Varda

filme de estréia

A Família Wolberg (*), Axelle Ropert
A Garota Ideal, Craig Gillespie
Home (*), Ursula Meier
Lóki – Arnaldo Baptista, Paulo Sergio Fontenelle
No Meu Lugar, Eduardo Valente

elenco

Bastardos Inglórios
Dúvida
O Fantástico Sr. Raposo
A Fita Branca (*)
Milk

ator coadjuvante

A Fita Branca
Burghart Klaußner, A Fita Branca (*)

Bastardos Inglorios
Christoph Waltz, Bastardos Inglórios

Simplesmente Feliz
Eddie Marsan, Simplesmente Feliz

Milk
James Franco, Milk

Philip Seymour Hoffman
Philip Seymour Hoffman, Dúvida (**)

figurinos

Albert Wolsky, Foi Apenas um Sonho
Deborah Hopper, A Troca
Janet Patterson, Brilho de uma Paixão (*)
Jenny Beavan e Melissa Meister, Sherlock Holmes (*)
Karin Lohr, O Guerreiro Gengis Khan

direção de arte

David Wasco, Bastardos Inglórios
Digo Ricio, Independência (*)
Kristi Zea, Foi Apenas um Sonho
Nelson Lowry, O Fantástico Sr. Raposo
Scott Chambliss, Star Trek

montagem

Joe Bini, Vício Frenético (*)
Mariana Rodríguez, Lake Tahoe (*)
Maryann Brandon e Mary Jo Markey, Star Trek
Monika Willi, A Fita Branca (*)
Sally Menke, Bastardos Inglórios

atriz coadjuvante

Distante Nos Vamos
Allison Janney, Distante Nós Vamos (*)

Aconteceu em Woodstock
Imelda Staunton, Aconteceu em Woodstock

Sam Raimi
Lorna Raver, Arrasta-me para o Inferno

O Lutador
Marisa Tomei, O Lutador

A Fita Branca
Susanne Lothar, A Fita Branca (*)

canção

“Cordão de Ouro” (Nação Zumbi), Besouro
“Gran Torino” (Jamie Callum e Clint Eastwood), Gran Torino
“Possibility” (Lykke Li), A Saga Crepúsculo: Lua Nova
“The Wrestler” (Bruce Springsteen), O Lutador
“Through the Trees” (Low Shoulder), Garota Infernal

trilha sonora

Hans Zimmer, Sherlock Holmes (*)
James Newton Howard, Duplicidade
Joe Hisaishi, A Partida
Marvin Hamlisch, O Desinformante
Michael Giacchino, Up

fotografia

Christian Berger, A Fita Branca (*)
Dante Spinotti, Inimigos Públicos
Kyung-Pyo Hong, Mother (*)
Odyssey Flores, Kinatay (*)
Philippe Grandrieux, Um Lago (*)

ator

Frost/Nixon
Frank Langella, Frost/Nixon

James Gray
Joaquin Phoenix, Amantes

O Lutador
Mickey Rourke, O Lutador

Werner Herzog
Nicolas Cage, Vício Frenetico (*)

Gus Van Sant
Sean Penn, Milk

roteiro adaptado

Alex Kutzman e Roberto Orci, Star Trek
Alex Reval e Laurent Herbiet, Ervas Daninhas
Laurent Cantet, Robin Campillo e François Bégaudeau, Entre os Muros da Escola
Peter Morgan, Frost/Nixon
William M. Finkelstein, Vício Frenético (*)

roteiro original

Axelle Ropert, A Família Wolberg (*)
James Gray e Rick Menello, Amantes
Fernando Eimbcke e Paula Markovitch, Lake Tahoe (*)
Nick Schenk, Gran Torino
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios

atriz

José Eduardo Belmonte
Caroline Abras, Se Nada Mais Der Certo

Mother
Kim Hye-ja, Mother (*)

Há Tanto Tempo que te Amo
Kristin Scott-Thomas, Há Tanto Tempo que te Amo

Courtney Hunt
Melissa Leo, Rio Congelado

Mike Leigh
Sally Hawkins, Simplesmente Feliz

cena do ano

“A dança no campo”, Mother (*)
“A história de um casal”, Up
“Conversa de pai para filho”, A Fita Branca (*)
“Conversa no chalé”, Bastardos Inglórios
“Entrevista de emprego”, Há Tanto Tempo que te Amo

direção

Agnés Varda, As Praias de Agnés (*)
Clint Eastwood, Gran Torino
James Gray, Amantes
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios
Werner Herzog, Vício Frenetico (*)

filme do ano

James Gray
Amantes, James Gray

Quentin Tarantino
Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino

Clint Eastwood
Gran Torino, Clint Eastwood

Darren Aronofsky
O Lutador, Darren Aronofsky

Jose Eduardo Belmonte
Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmonte

(*) indica os filmes que não estrearam em circuito no Brasil em 2009.
(**) Philip Seymour Hoffman concorre aqui como coadjuvante, mas para o Alfred, prêmio da Liga dos Blogues Cinematográficos, deve ser considerado protagonista.

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Lula, o Filho do Brasil

Neste ano, meu reveillon foi low profile. Do jeito que eu queria. Um jantar simples e gostoso com amigos. Com um intervalo para ver os fogos na Avenida Paulista, mesmo debaixo de uma chuvinha chata. Essa foi a primeira vez que fui assistir à queima de fogos na Paulista in loco. Multidão nunca foi meu forte. Faço de tudo para evitar. Mas teve um dia em que eu não resisti. Foi em 2002, em novembro, justamente na Paulista. Era o dia em que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil.

Eu estava emocionado de verdade. Lula era algo como um herói da vida real. Um homem que veio do povo, um marco de resistência num país coronelista, que nunca conseguiu se desvencilhar dos ecos de uma ditadura. O herói que, a partir daquele momento, seria o homem que mandaria no meu país. O que veio depois, incluindo denúncias de corrupção, não vem bem ao caso. Entre altos e baixos, Lula se reelegeu e agora chega ao último ano de seu segundo mandato. E é justamente no ano em que ele deixará o poder que sua vida chega ao cinema.

A trajetória parece mesmo film material. Um garoto pobre, que vive com a família nos confins do Nordeste, cruza um país num pau-de-arara, e passa por uma série de transformações. Vira feirante, metalúrgico, sindicalista, deputado, liderança nacional e presidente de uma nação. Mais dia, menos dia, alguém levaria essa história para o cinema. Nao dá pra questionar a validade de um projeto assim. O senão, antes de entrar nos méritos e deméritos do filme, é o momento em que ele está sendo lançado.

A cinebiografia do presidente Lula chegou aos cinemas com o presidente Lula ainda no poder. Isso, por si só – mesmo que o filme já comece explicando que não foi feito com verbas federais -, já é constrangedor o suficiente. Vincula a feitura do filme a um caráter oficialesco do qual dificilmente o longa será apartado. Mais constrangedor ainda é lançar o filme num ano de eleições presidenciais. Mesmo que o presidente não seja candidato. É óbvio que, mesmo que não tenha sido essa a intenção, o filme vira arma na corrida eleitoral.

E é com essa bagagem complicada que Lula – O Filho do Brasil chega aos cinemas. No entanto, apesar do que existe extra filme, a cinebiografia do presidente não é tão ruim quanto poderia se esperar, levando em consideração a carreira de seu diretor. Fábio Barreto, a despeito de suas complicações de saúde, nunca teve muito talento. Mas este longa é seu melhor filme (se bem que, para alguém que fez Bella Donna e A Paixão de Jacobina, isso não chega a ser grande coisa).

As primeiras cenas de seu novo filme são bastante documentais, quase evocando um cinema “vivo” europeu feito nesses últimos anos. Não chega a tanto, mas alguns elementos funcionam bem nesse sentido. O próprio roteiro começa muito apoiado na imagem, com poucos diálogos, um formato interessante. A primeira coisa que chama atenção é a fotografia. Gustavo Habda é bastante feliz na composição visual do filme, ora estourando a luz, ora buscando planos menos óbvios. A música, composta pelos mesmos Antônio Pinto e Jacques Morelenbaum de Central do Brasil, é bastante bonita e é provavelmente o elemento melhor usado no filme.

A interpretação de Glória Pires, como já era de se esperar, ganha destaque imediato. A atriz, embora seja porta-voz de muitas das frases clichê do filme, escorrega às vezes, mas consegue dobrar a barreira do sotaque com uma competência impressionante. A surpresa fica por conta de Milhem Cortaz, um ator para o qual eu nunca dei muita bola, que tem um papel reduzido, mas que está brilhante na maioria de suas cenas (embora esqueça de ser nordestino em muitos momentos).

O problema é que, passados os 25, 30 minutos iniciais, o capricho dá lugar à burocracia. Fabio Barreto, claramente inspirado em 2 Filhos de Francisco e seguindo o já comentado caráter oficialesco do projeto, liga o piloto automático e dirige tudo da maneira menos interessante possível. Nunca chega a fazer um filme ruim, mas não consegue mesmo fazer um bom trabalho. Os momentos constrangedores são poucos e rápidos, mas existem. O pior deles é quando inserem um “tem brahmeiro” no meio de uma cena.

Lula – O Filho do Brasil faz várias alterações históricas para dar uma polida na vida do presidente, mas nem dá para gastar muito tempo falando mal dessas mudanças porque elas mais parecem usadas em favor de fazer um filme “limpinho” do que de manipular o espectador. O diretor que me perdoe, mas não funciona nem pra fazer um filme maniqueísta. A mediocridade amarra o pacote sem ofender nem cooptar ninguém. E, se depender deste filme, o presidente Lula não vai eleger seu sucessor.

Lula – O Filho do Brasil EstrelinhaEstrelinha
[Lula - O Filho do Brasil, Fábio Barreto, 2009]

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Top 20: melhores filmes inéditos de 2009

Em 2009, eu vi um monte de filmes que ainda não estraeram em circuito comercial. Alguns deles têm datas de estreia, mas a maioria ainda não aparece nas previsões de lançamento para este ano. Esta lista aqui, além de ser uma relação dos melhores filmes ainda inéditos em circuito, foi feita para lembnrar às distribuidoras que existem vários bons filmes que precisam de atenção.

Mary and Max

20 Mary and Max
Mary and Max, Adam Elliot

Sem previsão de estreia.

Fatih Akin

19 Soul Kitchen
Soul Kitchen, Fatih Akin

Previsão de estreia: 19 de fevereiro.

Brillante Mendoza

18 Tirador
Slingshot, Brillante Mendoza, 2007

Sem previsão de estreia.

Manoel de Oliveira

17 Singularidades de uma Rapariga Loura
Singularidades de uma Rapariga Loura, Manoel de Oliveira

Sem previsão de estreia.

Alvaro Brechner

16 Mau Dia para Pescar
Mau Dia para Pescar, Alvaro Brechner

Sem previsão de estreia.

Brillante Mendoza

15 Serbis
Serbis, Brillante Mendoza

Sem previsão de estreia.

Philippe Grandrieux

14 Um Lago
Un Lac, Philippe Grandrieux, 2008

Sem previsão de estreia.

Noa Bressane, Bruno Safadi

13 Belair
Belair, Noa Bressane e Bruno Safadi

Sem previsão de estreia.

Elia Suleiman

12 O Que Resta do Tempo
The Time That Remains, Elia Suleiman

Previsão de estreia: 29 de janeiro.

Bahman Ghobadi

11 Ninguém Sabe dos Gatos Persas
Kasi az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh, Bahman Ghobadi

Sem previsão de estreia.

Hirokazu Kore-eda

10 Seguindo em Frente
Aruitemo, Aruitemo, Hirokazu Kore-eda

Sem previsão de estreia.

Marco Bellochio

9 Vencer
Vincere, Marco Bellocchio

Previsão de estreia: 19 de março.

Eugene Green

8 A Religiosa Portuguesa
A Religiosa Portuguesa, Eugène Green

Sem previsão de estreia.

Michael Haneke

7 A Fita Branca
Das weiße Band, Michael Haneke

Previsão de estreia: 12 de março.

Brillante Mendoza

6 Kinatay
Kinatay, Brillante Mendoza, 2009

Sem previsão de estreia.

Bong Joon-ho

5 Mother
Madeo, Bong Joon-ho

Previsão de estreia: 19 de março.

Werner Herzog

4 Vício Frenético
The Bad Lieutenant: Port of Call, New Orleans, Werner Herzog

Previsão de estreia: 15 de janeiro.

Agnes Varda

3 As Praias de Agnès
Las Plages de Agnès, Agnès Varda

Sem previsão de estreia.

Fernando Eimbcke

2 Lake Tahoe
Lake Tahoe, Fernando Eimbcke

Sem previsão de estreia.

A Família Wolberg

1 A Família Wolberg
La Famillie Wolberg, Axelle Ropert

Sem previsão de estreia.

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