Monthly Archives: dezembro 2009

Top 20: melhores filmes de 2009

A lista abaixo é um resumo do melhor eu vi em 2009 no cinema. Valem apenas os filmes que estrearam em circuito. Reduzi o número de filmes para 20 porque, por mais que haja outros bons títulos, eles não chegaram a me envolver, emocionar ou me representar tanto quanto os que eu cito a partir de agora. Minha lista só faz sentido para mim mesmo porque há milhares de possibilidade de interpretar, entender e sentir um filme. O chato seria se todo mundo pensasse igual. Portanto, convido-os para listar seus filmes favoritos de 2009 nos comentários. E vamos ao que interessa.

Henry Selick

20 Coraline e o Mundo Secreto
Coraline, Henry Selick

Henry Selick abandona de vez o traço que se repete nos filmes do mestre dele, Tim Burton: a Alice de Neil Gaiman, um autor cuja obra o cinema engatinha ao tentar adaptar, ganha um visual menos dark e mais próximo das ilustrações de livros infantis. Na coleção de coadjuvantes esquisitos, é o melhor é o mais normal de todos. Wybie quer ser um bad boy, mas isso só até sua vó o chamar de volta para casa. De, de certa forma, traduz o filme. Burton está sempre presente, mas Selick abre a palheta de cores para fazer uma obra à parte, doce, lúdica.

Jonathan Demme

19 O Casamento de Rachel
Rachel Getting Married, Jonathan Demme

Anne Hathaway deixa de lado as mocinhas inocentes que fizeram dela uma estrela e se revela uma atriz de primeira linha com uma personagem que deu uma pausa no rehab para ir ao casório da irmã. O ótimo roteiro foi escrito pela filha do veterano diretor Sidney Lumet, Jenny, que debuta nesta profissão. O texto trata de inúmeras questões de família, mas sabe não se render a lugares comuns, com uma velocidade totalmente própria e soluções simples e inesperadas mesmo para temas explorados à exaustão.

James Marsh

18 O Equilibrista
Man on Wire, James Marsh

O Equilibrista é um documentário à moda antiga, sem o ranço atual de fazer o narrador interferir na narrativa. É essa simplicidade que faz o espectador se envolver com sua história, naturalmente atraente. O grande trunfo do diretor foi limitar as entrevistas do personagem principal porque sua tendência a se considerar um astro poderia comprometer o filme.

Eduardo Valente

17 No Meu Lugar
No Meu Lugar, Eduardo Valente

A fórmula parece gasta (histórias que se entrelaçam e personagens que promovem mudanças nas vidas uns dos outros), mas este filme não faz uso de maneirismos e maniqueísmos como tantos outros. Pelo contrário, Valente constroi com imensa delicadeza cada um de seus personagens e evita fazer juízo de valor sobre suas ações. O resultado é um filme que revigora uma estrutura que parecia viciada e condenada ao denuncismo.

Sam Raimi

16 Arrasta-me para o Inferno
Drag Me To Hell, Sam Raimi

Raimi é o rei do susto. E, convenhamos, isso é básico para esse gênero. O filme recicla (e manipula) zilhões de clichês do cinema de terror, mas tudo é tão bem amarrado, tem uma embalagem tão perfeita, que nada parece velho e, sim, nostálgico. Ao mesmo tempo, não abre mão de soluções trash e não poupa Allison Lohman da melequeira. Esse resgate das raízes, a maneira como Raimi converte os lugares comuns e o final truqueiro – e saboroso – que reproduz a lógica dos filmes de terror fazem desta uma das melhores maldições do ano.

Alain Resnais

15 Ervas Daninhas
Les Herbes Folles, Alain Resnais

O texto do novo filme de Resnais é de uma fluidez de fazer inveja a muitos realizadores novatos. Resnais conduz tudo com uma leveza impressionante até mesmo quando ganha contornos mais dramáticos mais arriscados. O diretor se alimenta de cada palavra para construir o perfil do personagem de André Dussolier, numa interpretação excelente. Um personagem que se transforma incessantemente. Transformações ousadas, mas que nunca fazem o personagem perder sua humanidade.

Laurent Cantet

14 Entre os Muros da Escola
Entre les Murs, Laurent Cantet

É justamente por se afastar dos modelos tradicionais de narrativa (seja no gênero ou fora dele) que o filme se torna tão interessante. À medida em que quem assiste percebe essa liberdade (mesmo que vigiada de longe), ver o filme se torna uma experiência muito mais próxima da realidade, onde o imprevisto dita as regras.

Wes Anderson

13 O Fantástico Sr. Raposo
Fantastic Mr. Fox, Wes Anderson

Parecia uma experiência mais leve, mas todos os temas de apreço do cineasta estão aqui. Antes de tudo, o filme é um delicioso conto moral com uma animação impecável e assumidamente retrô. Ao mesmo tempo, revigora as ideias de Anderson sobre os laços familiares e de amizade. De história para crianças, o conto se transforma em reflexão universal sobre a vida em comunidade. E o cineasta retoma uma questão fundamental a sua obra: a vida em grupo pode ser suficiente quando se macula a própria natureza?

Craig Gillespie

12 A Garota Ideal
Lars and the Real Girl, Craig Gillespie

Primeiro: mesmo com um tema arriscado, este filme não trata o espectador de maneira simplista, fugindo da decisão fácil de partir para a comédia idiota, que anda na moda, e evitando ao mesmo tempo outro lugar comum do cinema indie, um certo namoro com o grotesco, tentando vender o filme pelo esquisito, como faz boa parte da produção independente. Ryan Gosling está soberbo no papel principal.

Paulo Sergio Fontenelle

11 Loki – Arnaldo Baptista
Loki – Arnaldo Baptista, Paulo Sérgio Fontenelle

No meio da produção que mais se destaca na atual cinematografia brasileira, o documentário biográfico musical, este filme é um bálsamo. Paulo Henrique Fontenelle impõe ao filme um ritmo doce e é hábil em construir cenas que abusam da sensibilidade, mas sem excessos. O diretor ainda supre a falta de uma personagem central, Rita Lee, da forma mais digna possível: apresentando seu papel e seu lado da história com respeito.

Corneliu Porumbouiu

10 Polícia, Adjetivo
Politist, Adj., Corneliu Porumboiu

O segundo longa do diretor vai mais além em sua análise da sociedade romena, tratando da burocracia policial. Porumboiu contraria as expectativas, deixando a investigação feita pelo protagonista sempre num plano secundário em relação ao cotidiano do personagem. O diretor abusa dos planos fixos, do ritmo lento e do humor esquisito na composição deste cotidiano, buscando estranhamento. O resultado é um filme interessantíssimo, com uma sequência (a que batiza o longa) nonsense e, ao mesmo tempo, fundamental para os propósitos do diretor.

J J Abrams

9 Star Trek
Star Trek, JJ Abrams

A estética nunca está em primeiro plano. Sempre é coadjuvante de intérpretes e do roteiro, o grande interesse de Abrams. O diretor nunca está interessado em desfilar referências nem nunca se escora na mitologia da série. Para ele, foi muito mais importante estabelecer uma história independente, redonda, mas que saiba ser fiel ao universo que audaciosamente resolveu invadir.

Tomas Alfredson

8 Deixa Ela Entrar
Låt den Rätte Komma in, Tomas Alfredson

Raríssimo exemplar de cinema que sabe inserir o fantástico nos modelos clássicos de gênero. É a típica história do garoto perseguido na escola cuja vida ganha uma reviravolta com a chegada de uma menina à vizinhança. A diferença é quem é a mocinha e que segredos ela guarda. O desenrolar do filme segue uma estrutura igualmente clássica, com a aproximação, a revelação do drama e o confronto com os rivais, mas sempre inserindo a isso o elemento extra. Fazer isso na intensidade correta é o maior acerto de Tomas Alfredson.

Christophe Honoré

7 A Bela Junie
La Belle Personne, Christophe Honoré

Parece menos ambicioso do que os anteriores, embora seja uma adaptação atualizada do livro de Madame de La Fayette, mas é apenas um reflexo da coerência com seu universo principal, o de um grupo de jovens estudantes. Christophe Honoré desenha neles os futuros personagens de seus longas adultos. Seus dilemas e paixões surgem mais ingênuos e instintivos, mas não menos insinuantes.

Miguel Gomes

6 Aquele Querido Mês de Agosto
Aquele Querido Mês de Agosto, Miguel Gomes

Sem dúvida, o filme mais original a chegar nos cinemas neste ano. Miguel Gomes aposta na indefinição de formato para fazer uma mistura que estuda os limites entre documentário e ficção. A primeira parte, com ênfase na coleta de personagens, é genial, principalmente no equilíbrio entre o humor e o drama. A transição para o que deveria ser o filme em si, a historinha, perde um pouco, embora ganhe com as deliciosas canções. A resolução recupera o frescor original e o filme fecha com um inteligente e bem humorado momento de “discussão de relação” entre a equipe de filmagem. Realmente, um filme único.

Quentin Tarantino

5 Bastardos Inglórios
Inglourious Basterds, Quentin Tarantino

A conversa entre o fazendeiro e o coronel interpretado por um majestoso e impecável Christoph Waltz é uma daquelas clássicas sequências dos filmes de Tarantino. O texto, ultra-preconceituoso, é tão articulado (e bem interpretado pelos dois atores) que a teoria do nazista desce fácil. A sequência se encerra com mais um dos espetáculos tarantinescos de violência e uma fuga perfeita. O resto do filme é tão adorável quanto. Não deixa de ser curioso que seu filme mais formal seja, por razões outras, seu filme mais ousado.

Jose Eduardo Belmonte

4 Se Nada Mais Der Certo
Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmonte

Os protagonistas mergulham num mundo marginal, criminoso mesmo, mas suas integridades nunca são questionadas. Ao diretor, interessa como os protagonistas irão se aproximar, interagir e como seu mundo será representado e redefinido a partir disso. Unidos, eles redescobrem afetos e inventam para si uma nova “família”. É ela em que eles apostam e usam como plataforma e porto seguro. Esta “família” que se forma é a maior atitude política de Belmonte. É quando o cineasta dá um novo sentido ao “todos juntos somos fortes, não há nada a temer”.

Darren Aronofsky

3 O Lutador
The Wrestler, Darren Aronofsky

Não há uma só palavra no filme sobre a aparência de Randy. Mas é justamente este visual, o de um homem que abriu mão de todo o resto para investir na expansão de sua massa muscular, que motiva e justifica O Lutador. O filme só existe porque seu corpo decadente é reflexo de suas escolhas. E o personagem sabe muito bem disso. Randy é um homem consciente da exaustão de seu corpo, de sua decadência como atleta, que decide tentar preservar o que resta de sua carcaça.

James Gray

2 Amantes
Two Lovers, James Gray

Quando Leonard diz que ama Michelle, ele está provavelmente sendo tão sincero como quando beija Sandra pela primeira vez porque nada é tão simples assim nos filmes de Gray. Leonard, de certa forma, catalisa a complexidade de como o diretor enxerga o mundo. Embora nunca se afaste das vizinhanças, o personagem vaga pelo mundo após ser tirado do prumo e se dedica agora a buscar trilhos mais uma vez. Joaquin Phoenix é o maior suporte de Gray. Sem ele, Leonard provavelmente não seria tão complexo, tão bipolar no melhor sentido do termo. É a interpretação Phoenix que faz este ser o filme gigante que é.

Clint Eastwood

1 Gran Torino
Gran Torino, Clint Eastwood

Walt Kowalski representa a Velha América, mas não em tom saudosista ou celebratório. Pelo contrário. O personagem de Clint Eastwood é o de um homem que não tem o menor pudor de ser racista, que se alimenta do próprio rancor, um cara agressivo que vive do (e no) passado. É a Velha América, mas a Velha América falida, de orgulho ferido e refém do resto do mundo e do próprio passar do tempo, que a fez desmoronar. Gran Torino é o melhor presente que o velho Clint nos deu nesta década. Um presente simples, mas tão cheio de nuances escondidas que para percebê-las é preciso olhar com atenção.

P.S.: espero as listas de vocês.

P.S. 2: no dia 5, postarei os indicados para o Frankie, meu prêmio de melhores do ano (onde valem os filmes exibidos em circuito, em festivais e mostras).

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Top 10: filmes mais superestimados de 2009

Que fique bem claro. Os filmes citados abaixos não são necessariamente ruins, mas estão bem aquém do que se anunciou sobre eles. Alguns já vêm com as marcas de seus diretores (e os fãs que os seguem cegamente). Outros funcionam melhor em suas propostas do que em sua execução. E, por fim, há aqueles que simplesmente não são tão legais assim. Bem, esses são os dez filmes mais superestimados do ano, na minha opinião. Alguém tem algum adendo?

Charlie Kaufman

10 Sinédoque, Nova York
Synécdoche, New York, Charlie Kaufman

Chegaram a dizer que este filme, o primeiro que Kaufman escreve e dirige, era seu trabalho mais verdadeiro já que não havia outros autores na jogada. Eu até concordo com isso, mas a falta de amarras foi um grande pecado aqui. Faltou quem segurasse os devaneios de Kaufman e seu filme mais “autoral” virou um exercício de maneirismos esquisitos e uma experiência bem chatinha.

Pedro Almodóvar

9 Abraços Partidos
Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar

Toda vez que Pedro Almodóvar lança um filme novo, surge uma legião para saudar o trabalho como um dos melhores do diretor, em alguns casos, uma obra-prima. O filme noir do diretor começa perto do brilhante, cheio de nuances, que respeita e subverte as regras do gênero, sem deixar o universo típico do cineasta. No entanto, no terço final do filme, o cineasta liberto de outrora se prendeu a uma obrigatoriedade narrativa boba que não está à altura do restante do longa. Embora o epílogo mostre um Almodóvar revigorado, retrô, auto-referente, o desenlace da trama policial é frustrante e excessivamente explicadinho.

Clint Eastwwod

8 A Troca
Changeling, Clint Eastwood

A Troca não é um filme ruim, mas tem umas falhas imperdoáveis. A primeira é a montagem. As duas linhas narrativas funcionam bem, mas separadamente. Quando se juntam, enfraquecem. A cena mais importante do filme, em que um garoto revela a existência de um crime, simplesmente não funciona porque o menino é mal dirigido e não consegue dar credibilidade à sequência. Em outro momento, quando John Malkovich fala para Angelina Jolie, em boa performance, sobre a corrupção da polícia, o diálogo é ilustrado por uma “reconstituição” da ação dos policiais. Tipo assim, “Linha Direta”.

O Curioso Caso de Benjamin Button

7 O Curioso Caso de Benjamin Button
The Curious Case of Benjamin Button, David Fincher

Este filme seria a prova dos nove na carreira de Fincher, um diretor polêmico. Ele passou no teste: sua adaptação do conto fantástico de F. Scott Fitzgerald foi reconhecida no Oscar (11 indicações) e terminou elogiada por quase todo mundo. Mas não é bem tudo isso. O diretor adota um tom que, se não cai no melodrama fácil, chega a ser apático em muitos momentos. O filme dura mais do que deveria e Brad Pitt nem fede, nem cheira.

Pete Docter, Bob Peterson

6 Up
Up, Pete Docter e Bob Peterson

Houve quem decretasse que essa seria a melhor animação da Pixar. Outros que se os diretores tivessee parado aqui ou ali, o filme seria uma obra-prima, mas a verdade é que Up tem sequências belíssimas em seus primeiros minutos, outras em seus momentos finais, mas em cerca de uma hora é uma aventura simples e básica que não tem metade da sofisticação de um Wall-E.

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Avatar

Avatar

Segundo o Houaiss, o primeiro significado para a palavra revolução é “ato ou efeito de revolucionar(-se), de realizar ou sofrer uma mudança sensível”. Nesse sentido, o novo filme de James Cameron, o primeiro longa de ficção que o diretor lança depois de Titanic, é um exemplo perfeito para esse substantivo. Avatar, inegavelmente, é um marco não apenas na ficção-científica, mas na utilização da tecnologia no cinema. Daqui a alguns anos, o filme vai ser considerado um divisor de águas, algo como uma ovelha Dolly para a clonagem.

O longa de Cameron demorou quase uma década e meia para ser feito simplesmente porque não havia tecnologia disponível para materializar o que o cineasta havia imaginado. A concepção visual de Avatar tem um tanto de megalomaníaca, mas é extremamente fiel ao “tamanho” do filme. Ou mais exatamente ao tamanho do pacote que Cameron encomendou: além de um planeta selvagem e uma civilização completamente nova, o homem inventou uma simbiose místico-orgânica entre os habitantes deste novo mundo e o lugar onde vivem que é o maior diferencial do filme. Não dá para chamar Avatar por um adjetivo menor do que gigantesco.

A ousadia do diretor é sempre bem-vinda. Desde o guilty pleasure Piranhas 2 – As Assassinas Voadoras, todos os longas do diretor são deliciosos, incluindo os dois primeiros Exterminador do Futuro, Aliens e True Lies. Pouquíssimos diretores conseguem trabalhar no mesmo plano de Cameron e realizar filmes inteligentes e extremamente pop. Avatar tem a mesma sofisticação visual do restante da filmografia do diretor. No modo “giga” desta vez.

Cameron nos entrega um planeta elaboradíssimo visualmente, que mistura elementos de florestas tropicais com pura imaginação, inventa uma nova linguagem de animação que os personagens criados por computador, cria batalhas épicas, explorando ao máximo seus cenários e seus personagens revolucionários e faz mais uma aventura que nos joga num carrossel em alta velocidade, nos faz esquecer da vida e torcer pelos mocinhos no embate final. Avatar, do alto de toda sua tecnologia, nos remete ao primórdios do cinema de aventura, onde ver seu favorito ganhar era a maior das recompensas.

Minha única questão é: a premissa do filme precisava mesmo ser tão simples, ou melhor, tão ingênua? Porque, por mais que haja elaboração nos conceitos relacionados aos Na’vi e a Pandora, Avatar é um filme de mensagem como há muito tempo não se via. James Cameron nos convida a preservar o meio-ambiente, respeitar as diferenças étnicas e religiosas e as tradições, lutar pelos mais fracos. O mesmo homem que inventou esse arsenal todo de novidades também nos ensina que os bons são bons e os maus são maus, que existe um certo e um errado, que se a gente continuar agindo contra a Mãe Natureza, ela vai se voltar contra nós.

São premissas cruas demais que quase entram em conflito com a embalagem que o diretor deu ao filme. Cameron, no entanto, está protagido pelo Houaiss. Um dos significados secundários para a palavra revolução no dicionário é “movimento circular ou elíptico no qual um móvel volta à sua posição inicial”. Avatar faz exatamente isso. Sua tecnologia é apenas suporte. Ela realmente deve mudar nossa relação com a imagem e com o cinema. Mas no fundo, no fundo, este filme é apenas uma grande aventura. Daquelas de antigamente.

Avatar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Avatar, James Cameron, 2009]

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Distrito 9

Distrito 9

Distrito 9 é o caso clássico do filme cuja expectativa antecipa avaliações. O longa de estreia de Neill Bloomkamp, um até então desconhecido, ganhou o status que tem por ser uma alegoria sobre segregação racial, preconceito étnico e atacar a indústria bélica. Essas características, somadas a um caprichado trabalho de concepção visual, seja na direção de arte, sejam nos efeitos, realmente concedem um grande diferencial ao filme, produzido com dinheiro neo-zelandês e sul-africano, mas que terminam deixando escondidos dois de seus principais feitos.

O fato é que, além de sua potente crítica a nossa sociedade, o filme nunca nega sua natureza de deliciosa aventura de ficção-científica com um punhado de momentos memoráveis e um humor nigérrimo, especialmente em seu primeiro terço. O trabalho de fotografia, documental, evoca Cloverfield e outros “filmes-verdade”. Mas seu maior diferencial talvez seja apresentar um personagem de comportamento completamente questionável e, depois do espectador criar repulsa por ele, dizer: “este aqui é o herói que você tem; é pegar ou largar”. Sharlto Copley, muito à vontade no papel, consegue dar a textura necessária ao protagonista.

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[District 9, Neill Blomkamp, 2009]

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500 Dias com Ela

500 Dias com Ela

“And if the the ton truck/ kills the both of us/ to die by your side/ is such a heavenly way to die”. Pois é, a cena em que a Zooey Deschanel canta Smiths no elevador concorre fortemente a uma vaga nas minhas melhores do ano. 500 Dias com Ela pode ter altos e baixos, mas é difícil achar um concorrente para o prêmio de filme pop de 2009 (Apenas o Fim tentou, mas peca pelo excesso). Marc Webb, em sua estreia na direção, mirou no público indie, que gosta desde Morrissey até Nick Hornby, a quem o filme deve muito, e acertou em cheio.

Um dos maiores trunfos do filme é o casal de protagonistas: Zooey Deschanel está apaixonante como a garota espírito-libre e Joseph Gordon-Levitt aparece na melhor interpretação de sua carreira, doce e nerd. Eles fazem as engrenagens funcionarem muito bem, valorizam as referências e ressaltam a trilha sonora, my guilty pleasure. Mas o mais interessante do filme talvez seja que ele trata tanto com leveza quanto com profundidade o desenrolar de uma história de amor. Essa história funciona quase sempre, embora se perceba mecanismos e engrenagens aqui e ali, mas o conjunto é adorável quase todo o tempo. 500 Dias com Ela é um filme para moderninhos e, embora esteja cheio de armadilhas para capturar indies, geralmente os cooptados ficam bem felizes de cair nelas.

500 Dias com Ela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[(500) Days of Summer, Marc Webb, 2009]

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Top 10: piores filmes de 2009

De um lado espetáculos de vulgaridade, incompetência e mau gosto. Do outro, filmes que desafiam nossa inteligência, nosso bom senso ou que querem faturar em cima da polêmica. Motivos não faltam para essa lista existir – e provavelmente não faltam motivos para você discordar dela. Os piores filmes de 2009, na minha opinião, são estes aqui:

José Padilha

10 Garapa
José Padilha

O propósito desse documentário não parece ser outro senão ganhar em cima da miséria alheia. José Padilha aborda um tema que já rendeu muito à cinematografia brasileira e, além de não apresentar uma visão diferenciada sobre o assunto, explora, constrange e fatura em cima do personagens de uma maneira covarde como poucas vezes se viu.

Scott Derickson

9 O Dia em que a Terra Parou
Scott Derrickson

Pra quê fazer um remake como este de um filme que é um dos maiores clássicos da ficção-científica? Se a proposta era contemporaneizar a visão sobre uma invasão alienígena, a ideia foi por água abaixo porque nada é relativizado. Se a ideia é fazer algo cafona (como os efeitos especiais querem nos fazer crer), aí, sim, ele foi bem-sucedido.

Emily Young

8 Veronika Decide Morrer
Emily Young

A culpa nem é muito da diretora, que até tenta fazer as coisas da melhor forma possível. O problema é como dar substância a uma história essencialmente de auto-ajuda que parece um daqueles emails em power point com lições de vida e imagens paradisíacas? A própria trama implode o filme, que tem um dos morais da história mais ridículos dos últimos tempos.

Chris Weitz

7 Lua Nova
Chris Weitz

O que é pior? A transformação de Edward num fantasminha camarada, a utilização quase criminosa da câmera lenta, a deturpação ainda maior das mitologias relacionadas a vampiros e lobismonens ou a incrível canastrice dos três atores principais, péssimos em cada uma das cenas deste que é um dos filmes mais bregas dos últimos tempos.

O Fim da Picada

6 O Fim da Picada
Christian Saghaard

Não deixa de ser meio esquizofrênico um filme tentar ser místico, fazer crônica social e emular opções narrativas cinemanovistas. As participações especiais são pura perfumaria. Tudo é meio maneirista. Há pelo menos meia dúzia de personagens que riem diabolicamente para a câmera e mais outra meia dúzia vezes em que a câmera roda em círculo.

Neil Marshall

5 Juízo Final
Neil Marshall

O Cirque du Soleil bizarro que surge no meio do filme é, apenas, a pior sequência do cinema nesse ano. Difícil entender como o diretor de Abismo do Medo, comandou um sub-Mad Max, sub-Fuga de Nova York, sub-qualquer coisa como este filme aqui. Neil Marshall bate no liquidificador as referências apocalípticas mais conhecidas e atira pra todos os lados. Não acertou nenhum alvo.

Michael bay

4 Transformers: A Vingança dos Derrotados
Michael Bay

Michael Bay sempre comete dos seus desatinos, mas nunca tinha chegado a esse grau. Este filme impressiona: é um complexo tão monstruoso de equívocos, clichês e decisões estúpidas que fica difícil acreditar que não se esteja sonhando – ou tendo um pesadelo – no cinema.

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O Fantástico Sr. Raposo

O Fantástico Sr. Raposo

As relações familiares são o assunto principal do cinema de Wes Anderson. Três é Demais e A Vida Marinha de Steve Zissou falam de famílias construídas. Os Excêntricos Tenenbaums e Viagem a Darjeeling, de famílias que tentam se reconstituir. Todos têm em comum a habilidade de Anderson em administrar as diferenças entre os personagens, mergulhados numa melancolia que sustenta as relações e a narrativa. O Fantástico Sr. Raposo, baseado no mesmo Roald Dahl de A Fantástica Fábrica de Chocolate, parecia uma concessão a uma experiência mais leve, mas as aparências realmente enganam.

Todos os temas de apreço do cineasta estão incrustrados ali. Antes de tudo, o filme é um delicioso conto moral com uma animação impecável e assumidamente retrô, cujo interesse é reforçado pelas interpretações de George Clooney e Meryl Streep. O casal mais improvável do ano adota um ritmo lento e cuidadoso para seus personagens que termina ecoando por todo o longa. Desta forma, o filme serve aos propósitos de Anderson, revigorando as ideias do cineasta sobre os laços que unem pais e filhos, maridos e esposas, amigos. É aí que, de história para crianças, o conto do Sr. Raposo se transforma em reflexão universal sobre a vida em comunidade e sobre parcerias e diferenças. E o cineasta também retoma uma questão fundamental a sua obra: a vida em grupo pode ser suficiente quando se macula a própria natureza?

O Fantástico Sr. Raposo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Fantastic Mr. Fox, Wes Anderson, 2009]

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Top 20 anos 2000: músicas feitas para filmes

A terceira lista da série que faz uma retrospectiva dos anos 2000 faz uma homenagem às canções compostas originalmente para os filmes desta década. A relação traz desde músicas bem melhores do que os filmes até trilhas responsáveis por tornarem os longas para os quais foram escritas notáveis. Há cantores-atores, astros da música pop e ilustres desconhecidos.

Cameron Crowe

20 “Fever Dog”
Autor: Russell Hammond
Intérprete: Stillwater
Quase Famosos (2000)

Hugh Grant

19 “PoP! Goes My Heart”
Autores: A. Blakemore e Alanna Vicente
Intérprete: Hugh Grant
Letra e Música (2006)

Peter Jackson

18 “May It Be”
Autor: Enya
Intérprete: Enya
O Senhor dos Anéis: a Sociedade do Anel (2001)

Terra Fria

17 “Tell Ol’ Bill”
Autor: Bob Dylan
Intérprete: Bob Dylan
Terra Fria (2005)

Ang Lee

16 “A Love That Will Never Grow Old”
Autores: Gustavo Santaolalla e Bernie Taupin
Intérprete: Emmylou Harris
O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

Richard Linklater

15 “A Waltz For A Night”
Autor: Julie Delpy
Intérprete: Julie Delpy
Antes do Pôr-do-Sol (2004)

Christophe Honore

14 “Je N’Aime que Toi”
Autor: Alex Beaupain
Intérpretes: Ludivine Sagnier, Louis Garrel e Clotilde Hesme
Canções de Amor (2007)

Guel Arraes

13 “Lisbela”
Autor: Caetano Veloso e José Almino
Intérprete: Los Hermanos
Lisbela e o Prisioneiro (2003)

Hayao Miyzaki

12 “Sekai no Yakusoku”
Autor: Youmi Kimura
Intérprete: Chieko Baisho
O Castelo Animado (2004)

Benoit Charest

11 “Belleville Rendezvous”
Autor: Benoît Charest
Intérprete: Sylvain Chomet
As Bicicletas de Belleville (2003)

Christophe Honore

10 “Au Parc”
Autor: Alex Beaupin
Intérprete: Chiara Mastroianni
Canções de Amor (2007)

Olivier Assayas

9 “Down in the Light”
Autor: David Roback
Intérprete: Maggie Cheung
Clean (2004)

A Viagem de Chihiro

8 “Itsumo Nando-Demo”
Autor: Wakako Kaku
Intérprete: Youmi Kimura
A Viagem de Chihiro (2001)

Clint Eastwood

7 “Gran Torino”
Autores: Clint Eastwood, Jamie Cullum, Kyle Eastwood e Michael Stevens
Intérpretes: Jamie Callum, Don Runner e Clint Eastwood
Gran Torino (2008)

Richard Linklater

6 “School of Rock”
Autor: Mike White & Sammy James Jr.
Intérprete: School of Rock
Escola de Rock (2004)

Chris Weitz

5 “Something to Talk About”
Autor: Badly Drawn Boy
Intérprete: Badly Drawn Boy
Um Grande Garoto (2002)

Lars Von Trier

4 “I’ve Seen It All”
Autor: Björk, Sjón Sigurdsson & Lars von Trier
Intérpretes: Björk e Thom Yorke
Dançando no Escuro (2000)

O Lutador

3 “The Wrestler”
Autor: Bruce Springsteen
Intérprete: Bruce Springsteen
O Lutador (2008)

Christophe Honore

2 “As-Tu Déjà Aimé?”
Autor: Alex Beaupain
Intérpretes: Grégoire Leprince-Ringuet e Louis Garrel
Canções de Amor (2007)

Mike Mills

1 “Move Away and Shine (In a Dream Version)”
Autor: Tim DeLaughter
Intérprete: The Polyphonic Spree
Impulsividade (2005)

Go, it’s time
Embrace all that you know
And be, be on the ride
That keeps you on the go

I hope you’ll be fine
I hope you’ll be right in line

Hey, it’s time to move away and shine
You can be all you ever want in a dream
You can take time along the way
Let this music in your head
You can be all you ever want inside a dream

Where are you now?
Under the sign
What did you find?
I hope you let go

I know you’ll be fine
I know you’ll be right in line

Hey, it’s time to move away and shine
You can be all you ever want in a dream
You can take time along the way
Let this music in your head
You can see all you ever want inside of me

And if you take this time
If you remove their eyes, you’ll find
It’s all been a dream
‘Cause it’s the only way
For you to be

Hey, it’s time, to move away and shine
You can be all you ever want in a dream
You can take time along the way
Let this music in your head
You can be all you ever want inside a dream

And if you take this time
If you remove their eyes, you’ll find
It’s all been a dream
‘Cause it’s the only way
For you to be

menções honrosas

“Another Way to Die”, 007 – Quantum of Solace; “Dedos de Deus”, Falsa Loura; “Tears to Shed”, A Noiva-Cadáver; “The Maker Makes”, O Segredo de Brokeback Mountain; “Come So Far”, Hairspray; “Man of the Hour”, Peixe Grande; “Guaranteed”, Na Natureza Selvagem; “Til the End of the World”, Pequena Miss Sunshine; “Khwaja Mere Khwaja”, Jodhaa Akbar; “She Can’t Tell You”, Clean.

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Top 20 anos 2000: filmes de terror

Definir o que é um filme de terror é bastante difícil. A capacidade de assustar pode ser o fator mais considerado, mas num gênero tão diverso (vampiros, zumbis, assombrações, horror psicológico, crianças estranhas, sociedades secretas, comunidades perversas), não dá para se limitar na escolha. Muitos dos filmes desta lista não são exatamente filmes assustadores, mas, nos moldes do cinema de terror, eles não apenas cumprem sua função mais imediata como vão além. Ou até o além. Não concordou? Deixe sua própria lista nos comentários.

Oren Peli

20 Atividade Paranormal
Paranormal Activity, 2009, Oren Peli

A verdade é que fazia tempo que um filme de fantasmas não nos dava bons sustos.

Pascal Laugier

19 Mártires
Martyrs, 2008, Pascal Laugier

Na década dos filmes de tortura, este aqui é o mais inteligente e o que mais se justifica.

Zack Snyder

18 Madrugada dos Mortos
Dawn of the Dead, 2004, Zack Snyder

O remake de Zack Snyder para o clássico de Romero ainda é o melhor filme do diretor.

Jaume Balaguero

17 A Sétima Vítima
Darkness, 2002, Jaume Balagueró

O melhor filme sobre sociedades secretas e ocultismo tem gosto de cinema de antigamente.

Neil Marshall

16 Abismo do Medo
The Descent, 2005, Neil Marshall

O medo do desconhecido levado a sério num filme improvável, protagonizado só por mulheres.

Matt Reeves

15 Cloverfield – Monstro
Cloverfield, 2008, Matt Reeves

O segundo melhor filme de monstro da década é uma alegoria à nossa obsessão pela imagem.

Sam Raimi

14 Arrasta-me para o Inferno
Drag me to Hell, 2009, Sam Raimi

Sam Raimi, agora um grande diretor, volta às origens num filme de terror oitentista.

Alexandre Aja

13 Viagem Maldita
The Hills Have Eyes, 2006, Alexandre Aja

A segunda refilmagem da lista é tão brutal quanto o clássico de Wes Craven.

David Twohy

12 Eclipse Mortal
Pitch Black, 2000, David Twohy

O medo do escuro levado a sério, numa das ficções mais claustrofóbicas da década.

Gore Verbinski

11 O Chamado
The Ring, 2003, Gore Verbinski

O remake norte-americano, mais pé-no-chão, ficou ainda melhor do que o oiginal japonês.

Alejandro Amenabar

10 Os Outros
The Others, 2001, Alenadro Amenábar

O filme mais refinado da lista, que remete ao clássico Os Inocentes. Grande Nicole.

 Kyioshi Kurosawa

9 Pulse
Kairo, 2001, Kyioshi Kurosawa

O filme de Kurosawa simplesmente tem a sequência final mais poderosa da década passada.

M Night Shymalan

8 A Vila
The Village, 2004, M. Night Shyamalan

Ainda que eu desgoste do final, a cena do alpendre é um exemplo de terror puro e sem artifícios.

Danny Boyle

7 Extermínio
28 Days Later, 2003, Danny Boyle

O filme que fez os zumbis voltarem das covas é um delicioso exercício de cinema pop.

Guillermo del Toro

6 A Espinha do Diabo
El Espinazo del Diablo, 2001, Guillermo del Toro

Del Toro remonta um cinema clássico numa pérola triste, sombria e de cunho político.

Alexandre Bustillo, Julien Maury

5 A Invasora
Inside, 2007, Alexandre Bustillo, Julien Maury

Um filme em que todos os excessos e todo o sangue se justificam com o roteiro poderoso.

Tomas Alfredson

4 Deixa Ela Entrar
Låt den Rätte Komma in, 2008, Tomas Alfredson

O filme definitivo sobre vampiros é um filme sobre solidão e a busca do parceiro ideal.

Bong Joon-ho

3 O Hospedeiro
Gwomul, 2006, Bong Joon-ho

O melhor filme político dos anos 2000 também um assustador e delicioso filme de monstro.

George A Romero

2 Terra dos Mortos
Land of the Dead, 2004, George A. Romero

Um poderoso testemunho sobre nossa sociedade, nossos excluídos e necessidade de sobreviver.

Frank Daranbont

1 O Nevoeiro
The Mist, 2007, Frank Daranbont

Stephen King, depois de anos, numa adaptação poderosíssima que pergunta: “o que fazer quando os parâmetros que norteiam nossa organização social se foram?”. A resposta, além de recriar a civilização, veio na forma de um filme assustador. E a cena final? Obra-prima.

menções honrosas

Desejo e Obsessão (Trouble Every Day, 2001), de Claire Denis; Possuídos (Bug, 2006), de William Friedkin; Premonição (Final Destination, 2000), de James Wong; O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006), de Guillermo del Toro; 30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007), de David Slade; Medo (Janghwa, Hongryeon, 2003), de Ji-woon Kim; Uma Chamada Perdida (Chakushin ari, 2003), de Takashi Miike; Calvário (Calvaire, 2004), de Fabrice Du Welz; O Clube do Suicídio (Jisatsu sâkuru, 2001), de Shion Sono; Quando um Estranho Chama (When a Stranger Calls, 2006), de Simon West; A Nona Sessão (Session 9, 2001), de Brad Anderson.

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Oscar 2010 – Apostas, round 2

Lee Daniels
 

Rob Marshall
 

Kathryn Bigelow

As especulações em torno dos indicados ao Oscar começam muito tempo antes da maioria dos filmes ter sido vista por uma pessoa sequer. Com isso, nada como as primeiras críticas para indicar o que havia de certo e de errado nas apostas. No último mês, dois filmes que já estrearam em festivais ou em circuito há muito tempo passaram incólumes nos rankings: Guerra ao Terror deve estar entre os finalistas e Kathryn Bigelow pode se tornar a quarta mulher indicada em direção. O outro certeiro é Preciosa, de Lee Daniels, o indie do ano.

Agora os altos e baixos: as primeiras resenhas derrubaram Invictus, de Clint Eastwood, da condição de indicação sólida. Um Olhar do Paraíso está um pouco melhor consolidado, mas sem empolgação, e Nine parece ser uma certeza. Com isso, Amor Sem Escalas e Sedução, que já vinham bem, ganharam pontos. O primeiro, junto com os filmes de Daniels e o musical de Rob Marshall seriam os atuais favoritos a uma vitória. O problema é que, com dez indicados na categoria principal, o conjunto fica desequilibrado e algumas vagas para este quesito podem ir para filmes improváveis.

Aqui seguem minhas apostas para as dez categorias principais. Em cada quesito, apontei os que eu acho que serão os finalistas e mais outras possibilidades. As estrelinhas são minha avaliação pessoal para cada indicado (e não uma nota para o filme). Entre parênteses a posição na rodada de apostas anterior.

filme

1 (4) Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Kathryn Bigelow
2 (2) Preciosa, Lee Daniels
3 (3) Nine, Rob Marshall
4 (7) Amor Sem Escalas, Jason Reitman
5 (5) Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Lone Scherfig
6 (1) Invictus, Clint Eastwood
7 (6) Um Olhar do Paraíso, Peter Jackson
8 (9) Um Homem Sério, Joel e Ethan Coen
9 (8) Up – Altas Aventuras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pete Docter e Bob Peterson
10 (N) The Last Station, Michael Hoffman

no páreo: 11 (19) Bastardos Inglórios EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Quentin Tarantino; 12 (N) A Single Man, Tom Ford; 13 Avatar, James Cameron; 14 (17) Brilho de uma Paixão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jane Campion; 15 (16) A Estrada, John Hilcoat; 16 (N) Julie & Julia, Nora Ephron; 17 (10) Distrito 9 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Neil Bloomkamp; 18 (N) Star Trek EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, JJ Abrams; 19 (14) Onde Vivem os Monstros, Spike Jonze; 20 (N) Crazy Heart, Scott Cooper.

direção

1 (2) Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 (3) Rob Marshall, Nine
3 (5) Lee Daniels, Precious
4 (6) Jason Reitman, Amor Sem Escalas
5 (4) Peter Jackson, Um Olhar do Paraíso

no páreo: 6 (1) Clint Eastwood, Invictus; 7 (9) James Cameron, Avatar; 8 (7) Lone Scherfig, Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 9 (10) Joel e Ethan Coen, Um Homem Sério; 10 (N) Tom Ford, A Single Man.

Clint Eastwood
 

Jason Reitman
 

Peter Jackson
ator

1 (N) Jeff Bridges, Crazy Heart
2 (N) Colin Firth, A Single Man
3 (1) Morgan Freeman, Invictus
4 (3) George Clooney, Amor Sem Escalas
5 (4) Jeremy Renner, Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

no páreo: 6 (2) Daniel Day-Lewis, Nine; 7 (5) Matt Damon, O Desinformante EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 8 (N) Nicolas Cage, Vício Frenético
EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 9 (N) Ben Foster, The Messenger EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 10 (N) James McAvoy, The Last Station.

atriz

1 (4) Carey Mulligan, Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 (1) Meryl Streep, Julie & Julia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
3 (6) Gabourey Sidibe, Preciosa
4 (2) Saoirse Ronan, Um Olhar do Paraíso
5 (5) Abbie Cornish, Brilho de uma Paixão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha

no páreo: 6 (7) Helen Mirren, The Last Station; 7 (N) Sandra Bullock, The Blind Side; 8 (N) Marion Cotillard, Nine; 9 (10) Michelle Pfeiffer, Chéri; 10 (N) Maggie Gyllenhaal, Crazy Heart.

ator coadjuvante

1 (1) Christoph Waltz, Bastardos Inglórios EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
2 (4) Stanley Tucci, Um Olhar do Paraíso
3 (3) Alfred Molina, Educação EstrelinhaEstrelinha
4 (N) Woody Harrelson, The Messenger EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
5 (N) Christopher Plummer, The Last Station

no páreo: 6 (N) Alec Baldwin, It’s Complicated; 7 (5) Anthony Mackie, Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 8 (N) Peter Sarsgaard, Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 9 (2) Matt Damon, Invictus; 10 (N) Christian McKay, Me and Orson Welles.

atriz coadjuvante

1 (N) Julianne Moore, A Single Man
2 (1) Mo’nique, Preciosa
3 (4) Anna Kendrick, Amor Sem Escalas
4 (N) Vera Farmiga, Amor Sem Escalas
5 (2) Susan Sarandon, Um Olhar do Paraíso

no páreo: 6 (3) Penélope Cruz, Nine; 7 (N) Samantha Morton, The Messenger EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 8 (7) Judi Dench, Nine; 9 (8) Marion Cotillard, Inimigos Públicos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha; 10 (N) Rosamund Pike, Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha.

Lone Scherfig
 

Pete Docter e Bob Peterson
 

James Cameron
roteiro original

1 (2) Up – Altas Aventuras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Bob Peterson
2 (1) (500) Dias com Ela EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Scott Neustadter, Michael H. Weber
3 (4) Guerra ao Terror EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Mark Boal
4 (3) Um Homem Sério, Ethan Coen, Joel Coen
5 (9) Bastardos Inglórios EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Quentin Tarantino

no páreo: 6 (8) Brilho de uma Paixão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jane Campion; 7 (N) Se Beber Não Case EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jon Lucas, Scott Moore; 8 (N) A Fita Branca EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Jean-Claude Carriere, Michael Haneke; 9 (N) The Messenger EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Alessandro Camon, Oren Moverman; 10 (6) Abraços Partidos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pedro Almodóvar.

roteiro adaptado

1 (1) Preciosa, Damien Paul
2 (2) Educação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Nick Hornby
3 (4) Amor Sem Escalas, Jason Reitman
4 (3) Um Olhar do Paraíso, Phillipa Boyens, Peter Jackson, Fran Walsh
5 (N) A Single Man, Tom Ford, David Scearce

no páreo: 6 (5) Invictus, Anthony Peckham; 7 (5) Distrito 9
EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Neill Blomkamp, Terri Tatchell; 8 (N) The Last Station, Michael Hoffman; 9 (6) Nine, Michael Tolkin, Anthony Minghella; 10 (N) Julie & Julia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Nora Ephron.

animação

1 (1) Up – Altas Aventuras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Pete Docter e Bob Peterson
2 (5) A Princesa e o Sapo, Ron Clements e John Musker
3 (4) Coraline e o Mundo Secreto EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Henry Selick
4 (6) Fantástico Sr. Raposo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Wes Anderson
5 (2) Ponyo on The Cliff By the Sea, Hayao Miyazaki

no páreo: 6 (7) Os Fantasmas de Scrooge EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Robert Zemeckis; 7 (9) Tá Chovendo Hamburger EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Phil Lord e Chris Miller; 8 (8) Monstros vs. Aliens EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Rob Letterman e Conrad Vernon; 9 (N) Mary and Max, Adam Elliot; 10 (3) 9 – A Salvação EstrelinhaEstrelinha, Shane Acker.

filme estrangeiro

1 (N) Um Profeta (França)
2 (N) A Fita Branca EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Alemanha)
3 (N) Mau Dia para Pescar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Uruguai)
4 (N) Baaria (Itália)
5 (N) Mother EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Coréia do Sul)

no páreo: 6 (N) O Segredo dos Seus Olhos (Argentina); 7 (N) Ajami (Israel); 8 (N) Letters to Father Jacob (Finlândia); 9 (N) Home EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Suíça); 10 (N) Samson and Delilah EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha (Austrália).

Minhas apostas para as demais categorias serão atualizadas ainda nesta semana.

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