Monthly Archives: outubro 2008

Mostra SP 2008: boletim 10

Steven Soderbergh

Che: O Argentino EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Steven Soderbergh
Che: A Guerrilha EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Steven Soderbergh

Steven Soderbergh é um dos cineastas mais insólitos do mainstream norte-americano. Estreou alternativo, com sexo, mentiras e videotape, Palma de Ouro em Cannes; pareceu mais respeitável para ganhar o Oscar de melhor diretor por Traffic e fazer Erin Brockovich. No meio disso tudo, fez coisas estranhas como Kafka e Bubble e comédias divertidas com a série Onze Homens e um Segredo. Soderbergh vai do grande ao pequeno, do ousado ao despretensioso, com facilidade. Erra e acerta com freqüência. Quando anunciou que faria uma cinebiografia de Che Guevara, seria lógico pensar que este seria um de seus filmes sérios e convencionais. Sério, o projeto é. Convencional, nem tanto, principalmente para os padrões norte-americanos.

O projeto Che foi dividido em dois: O Argentino, que acompanha Guevara na Revolução Cubana, e A Guerrilha, retrato de seus últimos anos, treinando militantes na Bolívia. Ambos são obras com forte cunho documental, baseadas nos diários escritos pelo próprio Che, onde Soderbergh surpreende fazendo um retrato apaixonado do revolucionário. São quase filmes-panfleto, que transportam o personagem para aquele plano onde estão as criaturas inquestionáveis. Mas o diretor adota esta postura sem os exageros dramáticos comums a obras dessa natureza. Soderbergh vira advogado de defesa de Che Guevara em pequenas cenas que retratam, sobretudo, o código de ética e o senso de moral do personagem em meio à batalha.

Steven Soderbergh

Esta opção parece, a princípio, esconder a interpretação de Benicio Del Toro, já que não existem arroubos narrativos ou dramáticos comuns para se exaltar uma performance, convencer a platéia e ganhar prêmios. Não há nada parecido com um “eu estou grávida de Luís Carlos Prestes”, por exemplo. Do começo ao fim, o ator está discreto, sutil e silencioso. E, por isso mesmo, constrói aos poucos um personagem de primeira grandeza, de certa forma respeitando o Guevara vivido por um simpático Gael García Bernal em Diários de Motocicleta, mas o lançando num outro patamar de interpretação. A performance de Del Toro reflete o tom adotado por Soderbergh e vice-versa.

Em O Argentino, a opção por duas linhas narrativas paralelas causa um certo estranhamento. A primeira, em p&b com Guevara ministro, remonta o cinema norte-americano dos anos 70, factual, articulado e político. A segunda, com o cotidiano da guerrilha se alinha a um modelo narrativo mais atual, que explora detalhes em excesso, muitas vezes deixando o foco principal do filme para se ater a minúcias. As duas linhas temporais parecem competir (uma mais ágil; outra mais contemplativa, justamente a da guerra), mas terminam como complemento exato uma da outra. Este primeiro filme é um trabalho mais sóbrio do que o segundo, com uma câmera mais simples e uma trilha mais discreta.

Já o segundo longa, A Guerrilha, que adota uma narrativa única, mais simples, mas igualmente documental, permite que Soderbergh estetize mais a fotografia e que Alberto Iglesias mostre sua música. Curioso já que o filme se passa praticamente inteiro no campo de batalha. O longa funciona como contraponto para seu irmão gêmeo porque de certa forma mostra o ocaso da ideologia da Revolução Cubana. Del Toro mantém a mesma interpretação naturalista, mas agora com um quê mais melancólico diante de uma luta que não foi comprada pela população. Soderbergh, no entanto, encerra o longa com a mesma paixão juvenil que demonstrou, ainda que sem reverência, por aqueles devaneios ideológicos. Soderbergh é mesmo um dos cineastas mais insólitos do mainstream norte-americano.

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Mostra SP 2008: boletim 9

Matheus Nachtergaele

A Festa da Menina Morta EstrelinhaEstrelinha, de Matheus Nachtergaele

O filme de estréia de Matheus Nachtergaele como diretor tem acertos e erros. A história nos leva para uma pequena comunidade amazônica que vive em torno de um rapaz que ganhou fama por falar com o espírito de uma menina morta na região. A partir daí, o roteiro se divide entre tentar captar a lógica do ambiente, acertando na caracterização da vila, do cotidiano e de boa parte dos personagens, e ao mesmo tempo fazer o espectador comprar o quanto de underground tem o lugar, comandado por um cara afetado, descontrolado e que vive de vestido e faz sexo com o pai. Nesse aspecto, o filme chega bem perto do cinema ‘a vida é dura’, de Cláudio Assis, com uma série de momentos que parecem estar ali apenas para garantir a cota de autor alternativo de Nachtergaele: 1) galinha é degolada (esta já virou chavão); 2) porco é afogado (esta é nova para mim); além da tal cena de incesto, que chegou a gerar polêmica, mas é filmada de maneira bem discreta, quase escondida. O maior problema dela é que ela não se justifica no contexto, não acrescenta grande coisa à narrativa. Ou seja, parece gratuita.

Mas Nachtergaele acerta em muita coisa. A fotografia de Lula Carvalho é belíssima e, mesmo que a princípio pareça exibicionista, funciona bastante em favor do filme, que tem uma equipe técnica bem competente, ao mesmo tempo em que o coloca em sintonia com um cinema que sabe explorar a imagem no tom certo (como O Céu de Suely ou Clean). O desenho de alguns personagens é muito bom, como o das senhoras que circulam pela casa do santinho, boas atrizes, donas de cenas fortes. Jackson Antunes também ganha um personagem correto, embora pouco explorado. Já Juliano Cazarré é o melhor em cena, assumindo o papel do homem comum que traz o filme para a realidade e para uma postura mais ética em relação ao mundo. Dira Paes parece perdida, com um personagem sem função, e a aparição de Paulo José é pura perfumaria. Não serve para nada.

No entanto, é Daniel de Oliveira quem sofre com a inexperiência do diretor. Seu santinho é um personagem naturalmente afetado, mas Oliveira é dirigido para dar espetáculos em cada cena que aparece, o que o manda para o terreno do overacting muitas vezes ao longo do filme. É como se o diretor, um ator competente porém exagerado, se jogasse sobre o protagonista. Esse carma teatral atrapalha um pouco os êxitos de Nachtergaele, que, vez por outra, parece estar comandando atores num palco, com cenas muito marcadas, empostação excessiva da voz, excesso nos gestos. O clima over incomoda mais ainda nos momentos místicos do filme, como o encontro do personagem central com a mãe (Cássia Kiss meio deslocada) ou na cena final, que, apesar de uma imagem bonita, parece entregar um autor que não soube como encerrar seu filme.

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Mostra SP 2008: boletim 8

Albertina Carri

La Rabia EstrelinhaEstrelinha, de Albertina Carri

Parece que virou moda na América Latina fazer filmes conceituais, que mais parecem exercícios de escola de cinema. La Rabia parecia seguir um caminho bastante interessante até que o espectador percebe o quanto de fórmula o filme tem: um protagonista solitário (no caso, uma menininha muda); personagens que vivem em lugares ermos e que são brutalecidos, animalizados; uma câmera bonita, mas pouco preocupada em servir à narrativa, preferindo a plástica. As inserções de animação, que dão um diferencial ao filme, não funcionam em favor da história, parecem devaneios pictóricos que se resolvem em si mesmos. O projeto parecia bom, mas a execução deixou a desejar.

Kihachi Okamoto

Rufião do Inferno EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Kihachi Okamoto

O único trabalho de Kihachi Okamoto que devo ver (caso a repescagem não o ressucite) começa como um delicioso filme de ladrão simpático, completamente coerente com o cinema de ação/comédia que era feito ao redor do planeta na virada dos 50 para os 60. A montagem é genial, com as cenas conversando entre si. O uso da música e o timing dos atores revelam Okamoto como um maestro pop de primeira grandeza. Embora o ritmo caia bastante no final, o filme funciona tanto como diversão quanto como pontapé inicial na obra de um cineasta que tem bastante a oferecer.

Emily Atef

O Estranho em Mim EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Emily Atef

Seria o português Ruas da Amargura, mas cerca de dois minutos e meio de projeção (digital barato, documentário bem intencionado) me fizeram desejar o meu bem e correr do Espaço Unibanco para o Arteplex. Foi aí que peguei, por acaso, a sessão deste filme que, até então, estava na minha lista de filme para não ver. Diretora novata, alemã (tenho preguiça de alemães), com um filme sobre depressão pós-parto. Menos interessante, impossível. Mas Emily Atef, que apresentou a sessão, me surpreendeu. O Estranho em Mim é um filme com um tema muito específico, mas que tenta tratá-lo da maneira menos óbvia possível. Os clichês de história aparecem, mas a diretora rapidamente os transforma em cenas mais complexas. O elenco é bastante bom, com destaque para a protagonista.

Tomas Alfredson

Deixa Ela Entrar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Tomas Alfredson

Raríssimo exemplar de cinema que sabe inserir o fantástico nos modelos clássicos de gênero. Deixa Ela Entrar é a típica história do garoto perseguido na escola cuja vida ganha uma reviravolta com a chegada de uma menina à vizinhança. A diferença é quem é a mocinha e que segredos ela guarda. O desenrolar do filme segue uma estrutura igualmente clássica, com a aproximação dos dois, a revelação do drama e o confronto com os rivais, mas sempre inserindo a isso o elemento extra. Fazer isso na intensidade correta, deixando cada cena deliciosa, sem recorrer a mecanismos fáceis como trilha e câmera frenéticas, levando a sério o que poderia ser tratado como festa é o maior acerto de Tomas Alfredson.

José Luis Torres Leiva

O Céu, a Terra e a Chuva EstrelinhaEstrelinha, de José Luis Torres Leiva

Mais um exemplar da safra recente do cinema latino-americano que deixa a desejar. Na tentativa de conceituar seu projeto, o chileno José Luis Torres Leiva apela para a reprise dos clichês. Como em La Rabia ou Liverpool, o melhor dos três, o cotidiano é celebrado com uma câmera sempre disposta a exaltar a paisagem em detrimento de qualquer funcionalidade. As imagens são lindas, verdade, mas parecem puro exibicionismo. Leiva decide contar sua história com o mínimo de palavras possível, aparentemente se ancorando à imagem, mas essa opção termina revelando uma fragilidade incômoda de um projeto em que nada parece consistente.

Arnaud Desplechin

Um Conto de Natal EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Arnaud Desplechin

O pouco que eu vi do cinema de Arnaud Desplechin me faz afirmar sem pensar duas vezes que ele está entre os meus diretores favoritos nos dias de hoje. Um de seus maiores acertos é a complexidade extrema que emprega na composição de seus personagens, que nunca podem ser definidos como bons ou maus, mas exatamente como o encontro entre estes dois, ambíguos e adoráveis. A obra-prima Reis e Rainha, lançado quatro anos atrás, já revelava a habilidade de Desplechin para costurar sua história a partir do desequilíbrio das relações familiares. O descontrole e a dificuldade em lidar com o próximo são transformados numa forma de afeto. Em Um Conto de Natal, em vez de um casal, temos uma família inteira na mira do diretor. Pais, filhos, irmãos, netos reunidos para uma atípica ceia de Natal, motivada pela doença da mãe, que colocará os históricos conflitos familiares em ebulição. Parece telefilme norte-americano, mas Desplechin desenvolve as tramas das maneiras mais improváveis, tornando assim suas ‘pessoas’ muito mais possíveis.

Uma diferença essencial a dois filmes que, de certa forma, celebram a mesma maneira de filmar é como os personagens de ambos vivem situações diversas. No primeiro, há uma família construída pelo afeto, uma família escolhida, em que as relações se esfacelaram mas se mantêm pelo amor. Neste último, há uma família separada pela falta de afeto, uma família recebida, onde as relações se mantêm por conveniência ou comodidade. Nos dois filmes, Desplechin dispensa soluções fáceis para os dilemas dos personagens. Em Um Conto de Natal, o clima conciliatório só ameaça aparecer na história de Laurent Capelluto e Chiara Mastroianni, mas a entrega da atriz à personagem, talvez a melhor de sua carreira, impede qualquer interpretação depreciatória.

No entanto, é o caminho mais à parte do filme. Apesar dos momentos de leveza garantidos pelos gêmeos e pelo pai, Jean-Paul Roussilon, que curiosamente tem os mesmos nome e sobrenome em ambos os longas, Um Conto de Natal é um filme pesado. Catherine Deneuve, que há tempos não aparecia tão bem na tela, surge com uma rainha dura ou o que restou dela, mas o roteiro nunca a trata como uma vilã ou ex-vilã que poderia justificar comportamentos. A personagem de Emmanuelle Devos, soberba, é um relâmpago de sobriedade e ceticismo no ambiente familiar. Serve como um ponto de equilíbrio meio cínico para a reunião de família. A atriz só não ganha em cena para Mathieu Amalric, o melhor ator do cinema atualmente. Ele sintetiza, resume, traduz sua família e o cinema de Arnaud Desplechin. É a ovelha negra num mundo de lugares comuns.

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Mostra SP 2008: boletim 6

Nuri Bilge Ceylan

Three Monkeys EstrelinhaEstrelinha, de Nuri Bilge Ceylan

Nuri Bilge Ceylan é um daqueles diretores de filmes de festival. Cannes já levou vários de seus filmes para a riviera. Climas, que deve estrear em circuito em breve, não ganhou nada, mas Three Monkeys saiu com um estranho prêmio de direção. Estranho porque não há nada no filme que diferencie ou exalte o trabalho de seu diretor. O roteiro trata de um dilema moral que gera pelo menos dois outros e coloca os três membros de uma família em choque. Até aí, o trivial era bem feito, embora as imagens de cartão postal (com filtro de plástico) que o filme oferece em abundância encham um pouco a paciência. No entanto, o que mais incomoda é um golpe final rasteiro de roteiro, a la Guillermo Arriaga, em que o filme parece amarradinho e inteligente.

Guy Maddin

Meu Winnipeg EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Guy Maddin

Um Amarcord circense e quase caótico de Guy Maddin? A coleção de pequenas experiências pessoais do diretor com sua cidade ganha relevo maior quando Maddin transcende os fatos para jogar com a construção da memória. Nesse tour, homenageia o local onde nasceu, celebra a história e a fantasia e, de quebra, ainda permite ao espectador invadir seus traumas e ressentimentos. O ritmo irregular, que vai do bem-humorado ao melancólico, pode assustar quem não estiver muito disponível para uma narrativa menos clássica, mas o filme nunca deixa de ser bastante corajoso.

Seis curtas intitulados Pornô Verde, co-dirigidos por Jody Shapiro e Isabella Rossellini, abriram a sessão levando o sexo dos animais com muito escracho e escatologia para a criançada. Complemento interessante.

Jia Zhang-Ke

24 City EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Jia Zhang-Ke

Pelo menos umas trinta pessoas deixaram a sessão lotada antes da projeção terminar. 24 City, de certa forma, simboliza uma nova fase da carreira de Zhang-Ke, que parece apaixonado pela tecnologia digital e pela possibilidade de misturar documento e ficção, como fez (mais) com Em Busca da Vida e (menos) com Inútil. O filme, que procura construir o passado de uma fábrica prestes a ser demolida, é bastante simples e bonito, se apoiando nos depoimentos dos ex-trabalhadores. A tática de inserir atores em meio aos personagens consegue momentos comoventes como a cena de Joan Chen, que chega a fazer uma auto referência, mas parece pouco diante de um Jogo de Cena, por exemplo, em que Eduardo Coutinho radicaliza a discussão sobre a representação.

O curta Cry Me a River, de Zhang-Ke, que abriu a sessão, é bonitinho e tem uma bela cena num barco, mas parece um filme inacabado.

Domingos Oliveira

Todo Mundo Tem Problemas Sexuais EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Domingos Oliveira

Nem tanto, nem tão pouco. Fico pensando se a polêmica causada pelo manifesto anti-nudez de Pedro Cardoso não teria sido um golpe para vender o filme, o primeiro em algum tempo em que Oliveira trabalha com atores globais (Cláudia Abreu também integra o elenco). O texto, engraçado e bem interpretado, é fácil de se gostar e assume, inteligentemente, uma certa liberdade de expressão que choca a princípio, mas depois parece bastante integrada à proposta do projeto. A opção de Oliveira de ressaltar a origem teatral do filme é óbvia no conceito, mas a forma como foi executada, com apresentações em palco completando boa parte das cenas, é perfeita. E Pedro Cardoso, o polêmico, nunca esteve tão hilário.

Ari Folman

Waltz with Bashir EstrelinhaEstrelinha, de Ari Folman

Animações com temas sérios, adultos ou confessionais geralmente, já de partida, garantem o respeito por onde passam. Esse é o caso de Waltz with Bashir, através de qual o diretor Ari Folman faz um acerto de contas com seu tempo como soldado no Líbano. Há que se dizer que existem belas cenas, sim. No entanto, Folman, como outros diretores de animações sérias, adultas ou confessionais, peca por dois motivos principais. O primeiro é contar em animação, sem explorar as possibilidades do suporte, uma história que poderia ser narrada de qualquer outra maneira, que não justifica a escolha do formato. O segundo é escolher um modelo narrativo ordinário para contar sua história. A interpretação do sonho do soldado, mola mestra para o longa, ganha uma incômoda explicação di-dá-ti-ca no fim do filme. Folman parece querer deixar bem claro, em palavras, seu recado, como se sua animação não fosse capaz de explicar a que veio. Para completar a negação a seu suporte, o diretor se utiliza se imagens “reais” para encerrar o longa. É como se ele dissesse ao espectador: ‘olha, você viu um desenho, mas eu estava falando sério’. Decepcionante.

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Mostra SP 2008: boletim 5

Marília Rocha

Acácio EstrelinhaEstrelinha, de Marília Rocha

Eu sigo um princípio sobre filmes documentais. Toda e qualquer construção formal ou licença poética é permitida caso se cumpra a função primordial de um exemplar do gênero: coletar informações sobre o que está sendo documentado. No caso de Acácio, o alvo é um velhinho português que viveu em Angola por cerca de trinta anos. A diretora Marília Rocha tem boas idéias, sempre evitando cair na fórmula mais básica de documentários, jogando a câmera nos lugares menos esperados. Mas, depois de algum tempo de filme, esse mecanismo deixa de ser criativo e passa a parecer puro exibicionismo. Se o objetivo deste filme era documentar a vida de seu Acácio, ele não foi cumprido. Há pinceladas de história, mas a preocupação maior parece ser dar uma embalagem poética/intelectual ao material. É um filme para o umbigo, que oferece um cardápio ao espectador, mas não entrega a refeição completa. Eu saí do filme sem saber direito quem foi e o que fez o seu Acácio.

Antonio Campos

Depois da Escola EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Antonio Campos

Parece que dar forma a angústia adolescente virou uma obsessão no cinema norte-americano recente. Poucos filmes conseguem dar alguma contribuição para o estabelcimento de um olhar mais aprofundado sobre o jovem atual. Um deles é Depois da Escola, do estreante Antonio Campos, nova-iorquino filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes. O cineasta novato surpreende com uma visão madura e nada determinista da condição teen, centrando foco na imobilidade e na fúria silenciosa do protagonista (o ótimo Ezra Miller). O personagem, ainda que de uma forma específica, representa uma geração empacada (seja no culto ao fútil e aos músculos, seja pelas drogas ou pela internet, seja na busca cada vez mais fácil pelo sexo). Campos acerta em não tentar desenvolver todos estes temas, elegendo alguns que valem pelo conjunto e acerta de novo no uso da câmera e na montagem, ambas passíveis de comparações, mas ambas muito bem executadas. A harmonia só é abalada em um ou outro momento, justamente quando ele tenta ser mais explícito sobre sua preocupação com o jovem de hoje. Não precisava. Tudo o que o filme nos tinha apresentado até ali era não uma visão exatamente original, mas um olhar sério, inteligente e até mesmo carinhoso sobre um momento-chave na vida do homem.

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Mostra SP 2008: boletim 4

Wim Wenders

Palermo Shooting EstrelinhaEstrelinha, de Wim Wenders

O novo filme de Wim Wenders explica um pouco do corte de cabelo do alemão, que estava atrás de mim outro dia quando eu comprava uma empanada. Brincadeiras à parte, em Palermo Shooting, Wenders se arrisca num campo quase onírico, emulando de certa forma David Lynch, com personagens macabros aparecendo de relance e até com o fantasma de Lou Reed passando um recado. Como Wenders não domina muito bem esse campo, o filme chega a ser constrangedor em alguns momentos, embora não seja totalmente de se jogar fora. A perturbação do protagonista, que deveria abalizar o mergulho no fantástico/místico que domina o filme, nunca encontra uma boa justificativa, o que enfraquece ainda mais o conjunto. E tem músicas demais. Umas 30.

Miguel Gomes

Aquele Querido Mês de Agosto EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Miguel Gomes

Duvido que apareça um filme mais original na Mostra. O misto de documentário e ficção apresenta uma vila em Portugal com seqüências que lembram um filme de Eduardo Coutinho, inclusive ao se revelar o processo por trás seja do documentário, seja do filme de ficção. A primeira parte, com ênfase na coleta de personagens, é genial. A transição para o que deveria ser o filme em si, a historinha, mantém a graça, mas perde um pouco em ritmo (como no Wenders há um excesso no uso de músicas embora o filme retrate uma banda). Mas a resolução recupera o frescor original e o filme fecha com um inteligente e bem humorado momento de DR entre a equipe de filmagem. Realmente, um filme único.

Woody Allen

Vicky Cristina Barcelona EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Woody Allen

Dá para falar muitas coisas deste filme, mas a sensação geral é de que se trata de um trabalho simpático, feliz e menor de um diretor grande. Woody Allen parece que ficou meio embasbacado com a Espanha e faz meio que uma reverência ao país, ensolarando seu filme, uma comédia dramática simples e gostosinha de se assistir. Vicky Cristina Barcelona mora entre a seriedade de Ponto Final e o escracho de Scoop. Allen peca um pouco na elaboração dos personagens, arquetípicos (o artista, a rebelde, a patricinha, a insana), e termina se escorando nos atores, com destaque para Penélope Cruz, ainda que não seja uma performance brilhante. De resto, a sensãção é de que o clima de “tudo se acerta” prevalece e que Allen só quis ser feliz durante as filmagens. Alguém o culpa?

Olivier Assayas

Horas de Verão EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Olivier Assayas

Quando Demonlover e Clean pareciam definir o cinema de Olivier Assayas, ele chega com Horas de Verão, que o faz passear por outras searas. A divisão de uma herança serve para o diretor nos privar de sua câmera que buscava a imensidão em troca de uma imagem mais convencional. Seu novo filme é exatamente isso: um um trabalho mais clássico, onde a forma e o desenvolvimento dos personagens parecem muito próximos do cinema francês dos últimos vinte anos do que dos outros filmes do cineasta. Se a mudança na embalagem parece brusca, a direção de Assayas continua precisa. Charles Berling, num elenco que conta com Juliette Binoche e Jérémie Renier, ganha destaque ao personificar a nostalgia de tempos que não voltam mais.

Matt Oggens

Confissões de Super-Heróis EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Matt Ogens

Um ingresso comprado pelo título que revelou um filme precioso. Enquanto documentário, o filme não se arrisca muito, nos apresentando em goles pequenos cada um de seus quatro personagens. A questão é que esses personagens são verdadeiros achados, pessoas que se vestem de heróis de quadrinhos nas ruas de Hollywood para tirar fotos com turistas em troca de alguns trocados. Um Superman que inventa uma mãe famosa, um Hulk que foi sem-teto, uma Mulher-Maravilha ex-cheerleader e um Batman que diz que “deixou um rastro de corpos por aí”. Matt Ogens nos oferece essas histórias aos poucos, tornando os personagens cada vez mais falhos e deliciosos. Uma bela surpresa.

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Sonata de Tóquio

Sonata de Tóquio

Embora eu tenha duvidado dele no início da meia-hora final, em que as catarses dos personagens vêem à tona com certo destempero, é um dos melhores filmes da Mostra até agora. Talvez seja o melhor. Kurosawa se afasta um pouco de seu foco habitual para voltar a atenção para um Japão pouco explorado no cinema, um país impiedoso com quem fica de lado. Nesse Japão mostrado pelo diretor, os personagens são obrigados a conviver com seus próprios abismos enquanto buscam um rumo a seguir. Kurosawa é um cineasta de uma habilidade impressionante na criação de cada cena. Os elementos parecem conversar entre si e a imagem mais comum sempre parece valorizada ao máximo. Aqui, esse talento ajuda a desenvolver o vazio de cada personagem, sempre se apropriando de um timing preciso para contar a história. Mal comparando, é como se Babel fosse bem escrito e bem filmado.

Sonata de Tóquio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Tôkyô Sonata, Kyoshi Kurosawa, 2008]

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Mostra SP 2008: boletim 3

Matteo Garrone

Gomorra EstrelinhaEstrelinha, de Matteo Garrone

Gomorra se esforça para fazer um raio-x aprofundado do modus operandi da máfia siciliana e, convenhamos, nada mais chato do que olhar uma radiografia. O diretor abre mão de protagonistas, o que ajuda a não desenvolver a contento nenhuma das histórias paralelas, e não estabelece conflitos, o que deve frustar bastante quem espera alguma ação. Um documentário funcionaria melhor. Enquanto a renovação do cinema italiano não chega, melhor se aventurar pelo que eles ainda fazem melhor do que ninguém: os melodramas familiares.

Wong Kar-Wai

Cinzas do Tempo Redux EstrelinhaEstrelinha, de Wong Kar-Wai

Não vi o corte original para poder fazer a comparação, mas Cinzas do Tempo em sua versão redux é decepcionante. A sensação é de se estar vendo um diretor sem a mínima intimidade com o material filmado se esforçando para tornar este material num filme “seu”. Num longa de artes marciais, as artes marciais se resumem a uma ou outra cena, geralmente filmadas com pressa para passar logo para os momentos de divagação, típicos de Kar-Wai. O uso dos filtros chega a ser irritante.

Joel e Ethan Coen

Queime Depois de Ler EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Joel e Ethan Coen

Eu geralmente recebo com pouco entusiasmo essas obras menores dos Coen. Eles parecem funcionar bem melhor quando são mais ousados, mas Queime Depois de Ler é uma pérola. Talvez seja a comédia mais bem acabada da dupla em se tratando de roteiro – um dos melhores timings para piadas em muito tempo. O humor convive com momentos de extrema sensibilidade, como as cenas da mais uma vez ótima Frances McDormand no parque ou de Richard Jenkins na Academia. O restante do elenco garante uma comédia de primeira, com destaque para George Clooney, JK Simmons e o geralmente subestimado Brad Pitt numa das melhores interpretações de sua carreira.

Leonel Vieira

Julgamento EstrelinhaEstrelinha, de Leonel Vieira

“O melhor filme da Mostra”, gritou o velhinho. Errr… não concordo muito não. Leonel Vieira deve ter visto muito filme brasileiro porque esse Julgamento bebe em fontes bastante reconhecíveis. O diretor tenta dar uma de moderno, adotando a mesma fotografia azulada usada hoje em dia para dar credibilidade a filmes supostamente sérios, mas isso não o salva de dar murro em ponta de faca, sendo mais um exercício de como remoer uma ditadura. O final, com reviravolta e tudo, é bem pobre. E há uma cena constrangedora no epílogo que parece punir um personagem por ele ter lavado as mãos. Portugal já fez coisa bem melhor.

Atom Egoyan

Adoração Estrelinha, de Atom Egoyan

A premissa é interessante: se apropriar de uma história para si, como se ela fosse a sua. O problema é que tudo o que vem depois é muito ruim, muitas vezes beirando o ridículo. Egoyan parece bater na mesma tecla de sempre, intolerância, e com o mesmo formato de sempre, reinvenção inserida à narrativa, mas cada vez com resultados mais pobres. Adoração tem cenas que colocam em cheque tudo o que o diretor tenta levar a sério, como os chats com adolescentes fazendo profundas análises sociológicas e políticas ou as intervenções da burca metálica. Essas cenas, somadas à verdadeira história da professora de teatro, tiram qualquer mérito deste filme.

Kyoshi Kurosawa

Sonata de Tóquio EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Kyoshi Kurosawa

Embora eu tenha duvidado dele no início da meia-hora final, em que as catarses dos personagens vêem à tona com certo destempero, é um dos melhores filmes da Mostra até agora. Talvez seja o melhor. Kurosawa se afasta um pouco de seu foco habitual para voltar a atenção para um Japão pouco explorado no cinema, um país impiedoso com quem fica de lado. Nesse Japão mostrado pelo diretor, os personagens são obrigados a conviver com seus próprios abismos enquanto buscam um rumo a seguir. Kurosawa é um cineasta de uma habilidade impressionante na criação de cada cena. Os elementos parecem conversar entre si e a imagem mais comum sempre parece valorizada ao máximo. Aqui, esse talento ajuda a desenvolver o vazio de cada personagem, sempre se apropriando de um timing preciso para contar a história. Mal comparando, é como se Babel fosse bem escrito e bem filmado.

Kanji Nakajima

O Clone Volta para Casa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Kanji Nakajima

Pouco antes de entrar o Tiago Superoito me informou: “sabe quem estava atrás de você?”. Pensei na Marta, no Kassab, em alguém da Liga, mas era o Wim Wenders mesmo. Ele tinha esquecido o pente, mas foi bem legal. Foi ele que escolheu este filme para a Mostra. Eu tenho certa condescendência para filmes japas, ainda mais quando eles têm um quê etéreo e de ficção-científica. Esse tinha. A idéia não é tão nova (debater a clonagem e seus efeitos), mas uma certa inocência/imaturidade inerente ao filme me agradou muito. O embaralhamento da memória traz algumas seqüências bem bonitas, como a do irmão carregando o outro que acabou de desmaiar.

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Mostra SP 2008: boletim 2

Lisandro Alonso

Liverpool EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Lisandro Alonso

Lisandro Alonso tem um grande mérito: tentar criar uma narrativa essencialmente cinematográfica, praticamente abolindo a palavra. Desta forma, cria uma série de imagens imponentes, explorando a rota de busca sem explicações do protagonista. Acompanhar a solidão do personagem é uma experiência bastante interessante, mas Alonso guarda alguns maneirismos, como se perder em detalhes sem importância, ora parecendo estar apenas enchendo lingüiça. No entanto, o conjunto funciona bem. A cena final é bem bonita.

Mark Herman

O Menino do Pijama Listrado Bolinha azul, de Mark Herman

Se eu soubesse que seria O Caçador de Pipas II certamente não teria jogado meu dinheiro fora. O filme é de uma pobreza lastimável, se aproveitando de todos os clichês possíveis e imagináveis da literatura chinfrim que espera produzir lágrimas a esmo explorando criancinhas em situações “inaceitáveis”. Tudo é arredondado para o lado mais fácil, burro e choroso – desde o roteiro tatibitate ao visual que parece de propaganda de sabonete (de época, claro). Nem a presença de atores respeitáveis como Vera Farmiga e David Thewlis salva o pacote.

Albert Serra

O Canto dos Pássaros EstrelinhaEstrelinha, de Albert Serra

Honor de Cavalleria, filme anterior do diretor, tinha o mesmo esboço (personagens sem direção, imagem explorada à exaustão), mas, apesar de sua tendência ao hermetismo, conseguia ter mais conceito e se justificar na relação de dependência entre os protagonistas. Este aqui parece muito mais um experimento formal que não sabe muito bem o que fazer com os personagens, bêbados na imensidão do cenário. A fotografia tem momentos brilhantes, mas o filme parece oco.

Jeff McGary

Alvorada em Sunset Bolinha azul, de Jeff McGary

Típico filmequinho que serve para completar a programação de festivais. Rodado num digital horrendo – parece VHS – joga uma série de casais em quartos de um hotel e tenta discutir amor, sexo, desejo e putaria, saindo virgem de qualquer tentativa de ser bem-sucedido. O elenco, bem fraco, ajuda a enterrar as pretensões do diretor. Só a bitch que não pára de falar garante alguma graça. Pouca.

Domingos Oliveira

Juventude EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Domingos Oliveira

Acho que é o primeiro filme da fase digital de Oliveira que consegue ter uma plástica mais inventiva, com muitos momentos bem bonitos. No mais, bebe do velho tema da reunião de amigos para repassar a vida, mas faz isso com humor e inteligência. Paulo José, Aderbal Freire Filho e o próprio cineasta, todos atores e diretores, entregam interpretações bem sólidas. A inserção do teatro à narrativa funciona para reiventar o filme e garante alguns momentos comoventes. Talvez seja o melhor filme de Oliveira desde a obra-prima Todas as Mulheres do Mundo.

Dardenne

O Silêncio de Lorna EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Apesar de ter um roteiro mais explicadinho do que seus outros trabalhos, O Silêncio de Lorna é um dos melhores filmes dos Dardenne. Desde Rosetta que eu não me envolvia tanto com um longa dos belgas, que souberam transformar seus personagens geralmente gelados em figuras cheias de camadas. A protagonista se revela aos poucos, seja no roteiro que entrega em pequenas doses o que está se passando na tela quanto na atriz que serve a uma transformação silenciosa de sua personagem. É um Dardenne mais acessível e redondinho. Será que foi por causa disso que eu gostei tanto?

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Mostra SP 2008: boletim 1

Começam hoje meus boletins diários da Mostra de Cinema de São Paulo:

Philippe Garrel

A Fronteira da Alvorada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Philippe Garrel

Parece um filme sobre a sucessividade dos afetos, mas o diretor lança um olhar fantástico (e numa cena chave até macabro) sobre as sobras de um amor. Sofre e fatura com os ecos de Amantes Constantes, do qual é um equivalente formal e estético sem o contexto histórico. A imagem em p&b, como no longa anterior, parece jogar o filme no passado, mas esta opção retrô perpassa tudo, desde objetos de cena até o modo de se vestir e a maneira como os personagens agem. O próprio Louis Garrel parece orientado a reprisar seu personagem.

Marco Becchis

Terra Vermelha EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Marco Becchis

Estranhamente terminei gostando de Terra Vermelha. Estranhamente porque, apesar de ter um perfil de cinema globalizado (diretor italiano filmando índios brasileiros, corais em latim no meio da floresta, sotaques a rodo, perfil maniqueísta do homem branco, câmera cloverfield para momentos tensos), Bechis consegue, de uma forma ou de outra, apresentar bem mais questões acerca dos índios do que se poderia esperar. A forma como ele trata o conflito dos índios com sua própria cultura deixa as obviedades bem menores.

Jonathan Demme

O Casamento de Rachel EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Jonathan Demme

Surpreendente retorno de Demme, que invade a seara familiar promovendo a melhor DR que o cinema viu nos últimos anos. Anne Hathaway, cotadinha para o Oscar, faz o diabo com sua personagem que deu uma pausa no rehab para ir ao casório da irmã. O ótimo roteiro da filha de Sidney Lumet trata de inúmeras questões de família sem se render a lugares comuns, com uma velocidade totalmente própria e com soluções simples e inesperadas. Demme escolhe a câmera na mão, o que poderia estragar tudo, mas a fotografia se justifica sempre, como em Half Nelson (a personagem de Anne tem um quê de Ryan Gosling naquele filme). Rosemary DeWitt, a Rachel, também é ótima (e também pode ser lembrada no Oscar, assim como a mãe vivida por Debra Winger – mas aí já seria uma indicação mais pelo comeback do que outra coisa).

Michel Gondry

Rebobine, Por Favor EstrelinhaEstrelinha, de Michel Gondry

Com uma ajuda, Michel Gondry faz um belo filme (como é o caso de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, co-escrito por Charlie Kaufman). Sozinho, ele se mostra bastante limitado (basta ver Sonhando Acordado). Por isso, Rebobine, Por Favor é um alívio. Ele é quase tão oco quanto o longa anterior do diretor, mas consegue ser muito simpático sem medo de ser ridículo, transformando a experiência de assistir ao filme em diversão. Mos Def e Jack Black, ambos no timing perfeito, catapultam a brincadeira. Algumas das cenas de suecagem dos clássicos (Os Caça-Fantasmas, por exemplo) são deliciosas.

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