Monthly Archives: abril 2008

O Nevoeiro

Thomas Jane, Laurie Holden, Frances Sternhagen

Os minutos finais do último filme de Frank Darabont são de um efeito avassalador. Fazia tempo que Stephen King não chegava tão forte ao cinema. O Nevoeiro é o terceiro longa (há um curta também) em que Daranbont vasculha o universo perturbado do escritor. O orçamento barato – o filme não parece ter vergonha disso – garantiu efeitos visuais de segundo escalão, mas mesmo que estejamos diante de um filme de ficção científica ou de terror, não é o visual o que mais importa. O Nevoeiro é um daqueles estudos do comportamento humano num ambiente de desespero.

Parece meio óbvio porque a gente já viu filmes – ou livros ou que quer que seja – com esta temática aos montes, mas Daranbont soube desenhar com destreza o precipício interno de cada uma das pessoas que Stephen King deixou presas num supermercado cercado por uma névoa que guarda o desconhecido. É neste ambiente onde se volta a um estado primário, onde surgem a política, a organização social e Deus. E ao momento em que se estabelece papéis. Quase que como em Lost, surgem, entre outros, um líder inesperado (Thomas Jane, bastante crível), uma primeira-dama forte (Laurie Holden, correta) e um oráculo (Marcia Gay Harden, deslumbrante, um de seus grandes papéis).

Todos submersos naquela que é a soma de todos os nossos medos: o que se pode fazer diante da ameaça do desconhecido? Quando o máximo que você consegue é eleger seu parceiro um inimigo num movimento de auto-defesa, não se pode cobrar um final muito feliz.

O Nevoeiro Uma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela
[The Mist, Frank Daranbont, 2007]

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Os filmes da marvel

Maio vem aí e com ele chega em breve às telas o longa-metragem do Homem de Ferro. O filme promete por três razões: é a primeira incursão solo da Marvel no cinema, escolheram um ótimo ator (Robert Downey Jr.) e Jon Favreau parece um diretor que conhece o tema. Que tal, então, lembrar dos filmes da nova fase da Marvel nos cinemas, de 98 até hoje? Do melhor ao pior.

1 X-Men 2 (2003), de Bryan Singer

É o caso mais bem resolvido de mutação secundária da Marvel nos cinemas. Personagens bem desenvolvidos, roteiro inteligente, cheio de nuances, e o aproveitamento de todo o conteúdo político das aventuras dos heróis mutantes. Bryan Singer acertou a mão em tudo. Chorei em algumas cenas.

2 Homem-Aranha 2 (2004), de Sam Raimi

Absolutamente fantástico. Tobey Maguire ainda melhor do que no primeiro episódio e interpretações belíssima de Kirsten Dunst e Rosemary Harris. O visual do vilão, Dr. Octopus, compensou o quesito mais fraco do primeiro filme. Melhor trabalho de Sam Raimi. A cena do Aranha desmascarado dentro do trem é uma das melhores da história.

3 X-Men (2000), de Bryan Singer

Bastante correto, embora as adaptações cronológicas tenham me incomodado um tanto. Hugh Jackman é uma surpresa estrondosa. Seu Wolverine é o maior êxito do filme, com Bryan Singer começando a tatear o universo mutante com respeito.

4 Homem-Aranha (2002), de Sam Raimi

Belo filme, mas a solução visual para o Duende Verde foi um erro. Tobey Maguire se revelou a encarnação de Peter Parker e Kirsten Dunst não fica muito atrás com sua Mary Jane. As cenas do herói cruzando a cidade em suas teias são tudo o que os fãs esperavam.

5 Blade II (2002), de Guillermo del Toro

Del Toro deu um novo fôlego para o personagem-vampiro, embora Wesney Snipes seja muito chato. O roteiro é bem amarrado e traz novos horizontes para o universo do anti-herói.

6 Hulk (2003), de Ang Lee

Sou um grande fã do Ang Lee, mas não acho que ele era o diretor certo aqui. Há um belo trabalho na montagem que homenageia as HQs e na direção de atores – principalmente Jennifer Connelly, – mas a entrada em cena do pai de Bruce Banner, papel destetável de Nick Nolte, fez o filme caminhar por uma trilha psicológica nada a ver. Eu adoro o monstro.

7 Homem-Aranha 3 (2007), de Sam Raimi

Vilões demais atrapalharam um pouco e o texto realmente caiu. Nossos eternos protagonistas já estavam meio cansados. Quem rouba a cena é Thomas Haden Church, que brilha na cena com a família.

8 X-Men: o Confronto Final (2006), de Brett Ratner

A mudança de comando foi fatal. Caiu a qualidade do texto, das leituras. A Saga da Fênix Negra, espinha dorsal do filme, reduzida a pó. Quem se salva é a Ellen Page, pré-Juno, como a adorável Kitty Pryde.

9 Blade (1998), de Steve Norrington

Não é grande coisa, mas é correto. E foi quem fomentou o terreno, então já ganha pontos…

10 Demolidor (2003), de Mark Steven Johnson

Dá pra notar que Johnson queria fazer um filme carinhoso, mas tudo é muito fraco, a começar pelo protagonista Ben Affleck. O que sobra é um rascunho do que este filme poderia ter sido.

11 Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007), de Tim Story

Melhor um pouco do que o primeiro porque a gente já havia se acostumado com as limitações. O Surfista é legal, mas não tanto quanto queriam. Que diretor é esse, pelamordedeus?

12 Quarteto Fantástico (2005), de Tim Story

Todo mundo falou que é legalzinho porque os personagens são simpáticos, mas é fraquíssimo. a única escalação certa foi a de Chris Evans, que faz bem o playboyzinho Johnny Storm. O resto do elenco deixa muito a desejar, assim como os efeitos e o texto bobo. Reed Richards virou um imbecil.

13 Blade Trinity (2004), de David Goyer

O visual é lamentável, de comercial de sabonete. Muita câmera lenta, muita imagem rapidinha. E uma trilha eletrônica que não é ruim. Ruim mesmo é o que o diretor escreveu para o personagem de Ryan Reynolds. Como o ator não ajuda…

14 Motoqueiro Fantasma (2007), de Mark Steven Johnson

Outra cagada de Johnson, que tem muito boa vontade, mas talento que é bom falta. Parece filme vagabundo feito para TV.

15 Elektra (2005), de Rob Bowman

Risível. Conseguiram sepultar uma personagem riquíssima num modelo ‘patricinha-de-colete-manda-ver’. Mais teen, impossível.

Não vi:

O Justiceiro (2004), de Jonathan Heinsleigh
Homem-Coisa (2005), de Brett Leonard

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