Monthly Archives: janeiro 2008

5 anos, 100 filmes

Nossas histórias podem ser contadas de várias maneiras. Pelas coisas que nós vivemos. Pelas pessoas com quem estivemos. Pelos lugares em que passamos. Eu, no entanto, costumo me interessar mais por histórias contadas através dos livros que lemos, das músicas que ouvimos, dos filmes que vemos. Fazer uma lista de melhores é algo extremamente petulante. Ninguém parece ter autoridade para decretar que uma obra é mais importante do que outra.

Essa relação que segue não tem a intenção de apontar quais são os melhores filmes de todos os tempos. Meu objetivo era listar os filmes que fizeram parte da minha história, que, de uma forma ou de outra, me traduzem. Alguns eu vi ainda criança e marcaram momentos especiais da minha vida. Outros ajudaram a definir meu romance com o cinema. Apenas alguns são importantes para a História, todos são fundamentais na minha história.

Nunca imaginei que o Filmes do Chico, essa minha brincadeira, fosse chegar tão longe. Agradeço a todos que em acompanharam por essa eternidade de 5 anos. Aos que estiveram sempre por perto, aos que olharam de longe. Gosto muito deste lugar.

Aurora
1
Aurora
Sunrise: a Song of Two Humans
F. W. Murnau, 1927
Onde Começa o Inferno
2
Onde Começa o Inferno
Rio Bravo
Howard Hawks, 1959
Gritos e Sussurros
3
Gritos e Sussurros
Viskiningar och Rop
Ingmar Bergman, 1973
Intriga Internacional
4
Intriga Internacional
North by Northwest
Alfred Hitchcock, 1959
Um Tiro na Noite
5
Um Tiro na Noite
Blow Out
Brian De Palma, 1981
Este Mundo é um Hospício
6
Este Mundo é um Hospício
Arsenic and Old Lace
Frank Capra, 1944
Elefante
7
Elefante
Elephant
Gus Van Sant, 2003
Era uma Vez no Oeste
8
Era uma Vez no Oeste
C’era una Volta il West
Sergio Leone, 1968
Cantando na Chuva
9
Cantando na Chuva
Singin’ in the Rain
Stanley Donen e Gene Kelly, 1952
O Caso dos Irmãos Naves
10
O Caso dos Irmãos Naves
O Caso dos Irmãos Naves
Luis Sergio Person, 1967
A Paixão de Joana D'Arc
11
A Paixão de Joana D’Arc
La Passion de Jeanne d’Arc
Carl Theodor Dreyer, 1928
Janela Indiscreta
12
Janela Indiscreta
Rear Window
Alfred Hitchcock, 1954
Crepúsculo dos Deuses
13
Crepúsculo dos Deuses
Sunset Blvd.
Billy Wilder, 1950
Apocalypse Now
14
Apocalypse Now
Apocalypse Now
Francis Ford Coppola, 1979
Um Homem com uma Câmera
15
Um Homem com uma Câmera
Chelovek s Kino-apparatom
Dziga Vertov, 1929
2001
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2001 – Uma Odisséia no Espaço
2001: A Space Odissey
Stanley Kubrick, 1968
Cidadão Kane
17
Cidadão Kane
Citizen Kane
Orson Welles, 1941
As Vinhas da Ira
18
As Vinhas da Ira
The Grapes of Wrath
John Ford, 1940
Um Corpo que Cai
19
Um Corpo que Cai
Vertigo
Alfred Hitchcock, 1958
Amarcord
20
Amarcord
Amarcord
Federico Fellini, 1973

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Heath Ledger: um adeus precoce

Há alguns meses, Batman, o Cavaleiro das Trevas, novo filme do homem-morcego, não sai da boca de fãs de quadrinhos e cinéfilos. Mas o astro Christian Bale não tem nada a ver com isso. O vilão do filme, interpretado pelo ator Heath Ledger, que foi encontrado morto nesta terça-feira (22) em Nova York, é quem atraiu a atenção do público.

Primeiro, foram os boatos. Depois as fotos e os trailers de divulgação do longa, que tem direção de Christopher Nolan e previsão de estréia para julho. Tudo indica que a interpretação de Ledger como o arqui-rival do herói, o Coringa, vai ser antológica.

Nada dava conta de que ele seria tão ovacionado. O começo da carreira do ator foi insólito. Seu primeiro papel importante foi na comédia adolescente 10 Coisas que eu Odeio em Você, uma adaptação teen para Shakespeare. Mas sua performance foi tão elogiada que oportunidades apareceram por toda parte. A atenção deu a Ledger papéis em filmes mais importantes, como o de filho de Mel Gibson em O Patriota. Mas o talento do ator não cabia em longas ruins e ele foi ganhando cada vez mais destaque.

Depois de A Última Ceia, com Halle Berry, do skatista de Os Reis de Dogtown e de trabalhar com Terry Gilliam em Os Irmãos Grimm, um diretor chinês resolveu dar a Ledger o papel de uma carreira. Foi em O Segredo de Brokeback Mountain que o ator arriscou suas fichas. A decisão de interpretar um caubói gay foi corajosa para um astro jovem, galã promissor. Se o filme desse errado, Ledger estaria condenado. Mas as primeiras cenas do trabalho de Ang Lee mostram um ator devastador, que terminou indicado ao Oscar e foi comparado imediatamente a Marlon Brando e James Dean.

Pode ser exagero, mas talvez não. Num mundo de estrelas jovens cada vez mais caretas, Ledger era algo como o último rebelde do cinema norte-americano, uma das sete faces de Bob Dylan em Não Estou Lá. Hoje, diante da notícia de sua morte, o único bálsamo é saber que sua despedida nas telas tem tudo para ser lembrada para sempre. Num dia triste, o cinema não perde um astro, mas algo cada vez mais raro em Hollywood, um ator maiúsculo.

*Texto escrito originalmente para o G1

O Segredo de Brokeback Mountain
Filmografia vista:

10 Coisas que Eu Odeio em Você 3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Gil Junger, 1999)
O Patriota 1 estrelas
(Roland Emmerich, 2000)
Coração de Cavaleiro 3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Brian Helgeland, 2001)
A Última Ceia 3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Marc Foster, 2001)
Os Irmãos Grimm 3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Terry Gilliam, 2005)
O Segredo de Brokeback Mountain 4 estrelas3 estrelas3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Ang Lee, 2005)
Candy 2 estrelas3 estrelas
(Neil Armfield, 2006)
Não Estou Lá 4 Estrelas3 estrelas3 estrelas3 estrelas
(Todd Haynes, 2007)

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Indicados ao DGA

Saíram os indicados ao prêmio anual do Directors Guilds of America. O DGA, tradicionalmente, consegue eleger no mínimo quatro dos indicados ao Oscar de melhor filme. Não raramente, cinco.

Paul Thomas Anderson, Sangue Negro
Joel and Ethan Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez
Tony Gilroy, Conduta de Risco
Sean Penn, Na Natureza Selvagem
Julian Schnabel, O Escafandro e a Borboleta

O que esta lista significa?

1 O filme dos irmãos Coen desponta como favorito mesmo apesar da “pouca cara de Oscar”. A eleição no Critics Choice, o mais Oscar dos prêmios dos críticos, confirma isso.

2 Confirma que, ao contrário do que muita gente previa, Paul Thomas Anderson está forte, sim, na disputa. Ainda mais depois do prêmio do National Society of Film Critics.

3 Sean Penn, comendo pelas beiradas, é a terceira via, o terceiro favorito. E, cá entre nós, dos indicados ao DGA é o que tem mais cara de Oscar. Mas este ano promete não ter cara.

4 Conduta de Risco deve ser o candidato mais com cara de indie no Oscar. Como eu já vinha dizendo, Juno não emplacou.

5 O filme de Julian Schnabel ganhou uma força impressionante. Já estava cotado, mas ainda não havia recebido um reforço tão importante quanto agora. É o único filme em que eu não aposto totalmente hoje, mas tem todas as chances agora.

6 Sweeney Todd despencou. Ninguém mais lembra dele.

7 Desejo e Reparação, o filme sério mais oscarizável do ano, também é o mais ignorado. Nenhum nod no SAG; esnobado aqui.

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Em Paris

Louis Garrel, Romain Duris, Guy Marchand, Alice Butaud

O último fim de semana do ano trouxe aos cinemas um dos melhores filmes de 2007. Em Paris, terceiro longa-metragem do francês Christophe Honoré, é uma declaração de amor. Ou várias. Não se deixe enganar pelos primeiros minutos do filme, que mostram o fim de um relacionamento. A abertura incômoda é apenas a justificativa para o que vem a seguir: uma linda homenagem à Nouvelle Vague de François Truffaut, na forma da história de dois irmãos.

Paul (o ótimo Romain Duris) acabou de sair de um casamento. Romântico, não sabe lidar com a perda e a saudade e termina voltando para a casa do pai (um Guy Marchand adorável), o chefe de família tão amoroso quanto desajeitado em demonstrar seu amor. Lá, Paul passa a dividir o teto com seu irmão Jonathan (o inspirado Louis Garrel), a melhor tradução para a expressão ‘alma livre’: estudante relaxado, filho desleixado, amante insaciável.

A tristeza de Paul contrasta com a alegria de Jonathan. No entanto, do meio de sua aparente superficialidade, este último resolve fazer de tudo para resgatar o irmão de seu incômodo sentimental. É aí que o diretor estabelece o amor incondicional entre os dois, o que move todo o filme. Mas não há nada de convencional nesta história. Jonathan resolve convidar Paul a sair pelas ruas de Paris, mas vai sozinho. Apesar disso, o diretor sabe mostrar, nesta distância, a forte relação entre os irmãos.

Christophe Honoré fez um filme extremamente delicado, mas completamente masculino, modalidades difíceis de se conciliar. Em Paris é sobre as relações do homem (ou dos homens) entre si e com as curvas da vida. Sobre as formas de se demonstrar carinho em família. Sobre parceria e cumplicidade. Ao longo de toda sua duração, as mulheres, sem que isso nunca seja depreciativo, são meras coadjuvantes. O que importa ao filme são os personagens masculinos.

Para inspirar sua jornada pela família, Honoré bebeu claramente da fonte das deliciosas comédias de François Truffaut, como Beijos Proibidos. O Jonathan de Louis Garrel, por sinal, parece uma homenagem a Antoine Doinel, personagem que protagoniza este longa e mais outros quatro do mestre francês. A cena em que os dois irmãos lêem um livro da época em que eram crianças está entre as cenas mais bonitas do ano. Nem o inusitado dueto musical ao telefone consegue ser melhor.

Em Paris é o encontro mais perfeito entre a leveza da forma e a profundidade da palavra.

Em Paris EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Dans Paris, Christophe Honoré, 2006]

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Frankie 2007 – filme do ano

Em Paris

Em Paris – Christophe Honoré

O último fim de semana do ano trouxe aos cinemas um dos melhores filmes de 2007. Em Paris, terceiro longa-metragem do francês Christophe Honoré, é uma declaração de amor. Ou várias. Não se deixe enganar pelos primeiros minutos do filme, que mostram o fim de um relacionamento. A abertura incômoda é apenas a justificativa para o que vem a seguir: uma linda homenagem à Nouvelle Vague de François Truffaut, na forma da história de dois irmãos.

Paul (o ótimo Romain Duris) acabou de sair de um casamento. Romântico, não sabe lidar com a perda e a saudade e termina voltando para a casa do pai (um Guy Marchand adorável), o chefe de família tão amoroso quanto desajeitado em demonstrar seu amor. Lá, Paul passa a dividir o teto com seu irmão Jonathan (o inspirado Louis Garrel), a melhor tradução para a expressão ‘alma livre’: estudante relaxado, filho desleixado, amante insaciável.

A tristeza de Paul contrasta com a alegria de Jonathan. No entanto, do meio de sua aparente superficialidade, este último resolve fazer de tudo para resgatar o irmão de seu incômodo sentimental. É aí que o diretor estabelece o amor incondicional entre os dois, o que move todo o filme. Mas não há nada de convencional nesta história. Jonathan resolve convidar Paul a sair pelas ruas de Paris, mas vai sozinho. Apesar disso, o diretor sabe mostrar, nesta distância, a forte relação entre os irmãos.

Em Paris

Christophe Honoré fez um filme extremamente delicado, mas completamente masculino, modalidades difíceis de se conciliar. Em Paris é sobre as relações do homem (ou dos homens) entre si e com as curvas da vida. Sobre as formas de se demonstrar carinho em família. Sobre parceria e cumplicidade. Ao longo de toda sua duração, as mulheres, sem que isso nunca seja depreciativo, são meras coadjuvantes. O que importa ao filme são os personagens masculinos.

Para inspirar sua jornada pela família, Honoré bebeu claramente da fonte das deliciosas comédias de François Truffaut, como Beijos Proibidos. O Jonathan de Louis Garrel, por sinal, parece uma homenagem a Antoine Doinel, personagem que protagoniza este longa e mais outros quatro do mestre francês. A cena em que os dois irmãos lêem um livro da época em que eram crianças está entre as cenas mais bonitas do ano. Nem o inusitado dueto musical ao telefone consegue ser melhor.

Em Paris é o encontro mais perfeito entre a leveza da forma e a profundidade da palavra.

Zodíaco – David Fincher
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto – Sidney Lumet
Cão Sem Dono – Beto Brant e Renato Ciasca
Santiago – João Moreira Salles

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Frankie 2007 – direção

Zodíaco

David Fincher – Zodíaco

Uma mudança radical. Dos excessos visuais à sobriedade mais absurda. David Fincher me deixou boquiaberto com a transformação de seu cinema. O que ele fazia antes não me incomodava, mas o que ele fez aqui é grande cinema. É amadurecimento. Sua orquestra quase jornalística para este filme é de primeira linha.

2º Sidney Lumet – Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
3º João Moreira Salles – Santiago
4º Christophe Honoré – Em Paris
5º Nicolas Klotz – A Questão Humana

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Frankie 2007 – atriz

Maria Antonieta

Kirsten Dunst – Maria Antonieta

Não era pra todo mundo comprar a idéia mesmo. Sofia Coppola se arrisca e nos apresenta a sua visão/versão de Maria Antonieta sem se preocupar muito com a parcialidade do material. Kirsten Dunst entendeu tudo e se entrega à personagem despudoradamente, adolescentemente, adoravelmente.

2° Marion Cotillard – Piaf
3° Ashley Judd – Possuídos
4° Cate Blanchett – I’m Not There
5° Julie Christie – Longe Dela

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Frankie 2007 – ator coadjuvante

Robert Downey Jr.

Robert Downey Jr. – Zodíaco

O elenco deste filme é um de seus acertos. Absolutamente todos que entram em cena estão bem. Muito bem. Além de Jake Gyllenhaal e Mark Ruffalo, ótimos, o filme parece ser de Robert Downey Jr., em grande fase, que cada vez parece aprender mais como usar sua afetação em prol de seu trabalho.

2º Guy Marchand – Em Paris
3° Michael Lonsdale – A Questão Humana
4º Chris Cooper – Quebra de Sigilo
5º Thomas Haden Church – Homem-Aranha 3

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Frankie 2007 – atriz coadjuvante

Desejo e Reparação

Saoirse Ronan – Desejo e Reparação

Ela já tinha me chamado a atenção em Nunca é Tarde para Amar, mas aqui, no papel mais importante do filme de Joe Wright, esta garotinha apresenta um brilho especial. Segura como uma veterana, com expressões certeiras, mínimas e densas, esta mocinha parece ter estampado na testa: “eu sou o futuro”.

2º Imelda Staunton, por Harry Potter e a Ordem da Fênix
3º Susan Sarandon, por No Vale das Sombras
4º Julia Stiles, por O Ultimato Bourne
5º Sharon Stone, por Alpha Dog

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Frankie 2007 – cena do ano

Pro Dia Nascer Feliz

As lágrimas de Cissa, em Pro Dia Nascer Feliz

Nada parecia mais forte do que a história de Valeria, pernambucana do interior cuja vontade de estudar e o talento para escrever superam as dificuldades de chegar à escola e a falta de aulas. Mas João Jardim sabe colocar essa história no mesmo patamar da de Ciça, estudante de um colégio caríssimo que se dedica tanto aos estudos – para justificar o investimento de seus pais – que enche os olhos de água ao lembrar que faz tempo que não consegue um namorado.

2º O livro infantil, em Em Paris
3º Briga de família, em Homem-Aranha 3
4º A carta, em Cartas de Iwo Jima
5º Neve, em Medos Privados em Lugares Públicos

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