Monthly Archives: junho 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado

Eu juro que sou um cara que acredita. Acredito que, no fundo, o bem vence o mal (ou pelo menos é a melhor opção), que vamos vencer o aquecimento global (ou pelo menos minimizá-lo), que vão fazer uma propaganda decente pra revista Piauí (embora eu não a leia e, assim, talvez passe a comprá-la) e que nenhum atleta estrangeiro ou brasileiro vai morrer com uma bala perdida no PAN do Rio (embora as coisas por lá não estejam na esportistas).

Enfim, eu costumo acreditar. E creio que parte desse meu convencimento na possibilidade de que as coisas dêem certo vem da quantidade de quadrinhos que eu li. Quadrinhos de super-heróis, basicamente. Nas páginas de uma HQ, por mais que crises cósmicas ameaçassem o futuro da humanidade e que grandes heróis morressem em sacrifícios grandiosos, tudo dava certo (ou quase) no final.

Foi assim que o trailer de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado me encheu de esperanças de ver um bom filme de quadrinhos. Ou pelo menos um filme melhor do que o vexaminoso longa original, que muitos chamaram de bobo e divertido, mas que quem tem o mínimo contato com a principal ‘família’ da Marvel Comics sabe o quanto é distante do que o grupo representa.

Não que o trailer seja exatamente uma obra-prima, mas tinha tantos elementos instigantes que era impossível não se envolver. Tinha um dos mais filosóficos personagens da editora, o Surfista Prateado, a iminência do surgimento do devorador de mundos Galactus, a reaparição de um aparentemente mais ameaçador Doutor Destino. Tinha tudo para me fazer esquecer a futilidade do primeiro filme.

Imbuído deste espírito, acreditei que o elenco fraco pudesse estar mais à vontade com seus personagens e que pudessem me oferecer contato com algo mais próximo com nomes que fazem parte da minha vida de menino crescido há mais tempo do que eu possa calcular. Imaginei que Ioan Gruffudd poderia ser um Sr. Fantástico mais sério, que Jessica Alba poderia ser uma Mulher-Invisível mais forte, que Michael Chiklis pudesse finalmente impor o magnetismo de seu Coisa e que Chris Evans, o melhor em cena no filme anterior, mantivesse o espírito maloqueiro do Tocha Humana.

Fui cheio de boas intenções ao cinema. E o que eu ganhei? Um casal-protagonista completamente apático, um Coisa inexpressivo e um Tocha Humana reprisado e repetitivo. Um texto medíocre, com piadas estúpidas e timing zero, seja para a comédia (estrutura em que o filme teima em se apoiar), seja para o drama (constrangedor quando o o roteiro tenta criar tensão), seja para a aventura (porque não há absolutamente nenhuma cena que fique na memória por mais de cinco minutos).

A forma que se dá para Galactus até que é uma solução adequada porque materializar o personagem idêntico ao dos quadrinhos poderia fazer o filme afundar no ridículo, missão que os efeitos visuais, sobretudo os ligados aos poderes do Sr. Fantástico cumprem com louvor.

Resta Norrin Radd, um ser que vaga pelas estrelas sacrificando seu amor para poupar sua vida e a de seu planeta. Um homem cheio de conflitos que aceira ser arauto do mal para fazer um bem. A dedicação em criar o Surfista Prateado da forma mais crível possível é até louvável, mas Tim Story sabe como simplificar a complexidade de um personagem tão cheio de nuances. Melhor do que tudo foi a participação de Stan Lee, talvez a melhor do mestre num filme da Marvel.

Quanto a mim, eu me recuso a desistir. E preciso ler minha revista dos Vingadores antes de dormir.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado estrelinha½
[Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, Tim Story, 2007]

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Top 10: ranking Marvel no cinema

1 X-Men 2 estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha (2003), de Bryan Singer
2 Homem-Aranha 2 estrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinhaestrelinha (2004), de Sam Raimi
3 Homem-Aranha estrelinhaestrelinhaestrelinha (2002), de Sam Raimi
4 X-Men estrelinhaestrelinhaestrelinha (2000), de Bryan Singer
5 Homem-Aranha 3 estrelinhaestrelinha (2007), de Sam Raimi
6 Hulk estrelinhaestrelinha (2003), de Ang Lee
7 X-Men: o Confronto Final estrelinhaestrelinha (2006), de Brett Ratner
8 Blade II estrelinhaestrelinha (2002), de Guillermo Del Toro
9 Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado estrelinhaestrelinha (2007), de Tim Story
10 Demolidor estrelinhaestrelinha (2003), de Mark Steven Johnson

O primeiro é quase uma obra-prima. Um filme que consegue transportar para as telas o espírito mais fiel das HQs. O segundo tem a melhor cena da história da Marvel no cinema: os passageiros do trem vêem o Homem-Aranha, sem máscara. Estamos devidamente apresentados ao fascínio que o herói promove. Os dois primeiros filmes das duas franquias são bem legais, mas ainda tímidos. Os dois terceiros já são mais fracos, mas guardam seus acertos. Ambos, melhores do que qualquer um fora das trilogia do Aranha e dos mutantes.

11 Howard, o Superpato estrelinhaestrelinha (1986), de Willard Huyck
12 Blade estrelinhaestrelinha (2004), de Stephen Norrington
13 Quarteto Fantástico estrelinha (2005), de Tim Story
14 Motoqueiro Fantasma estrelinha (2007), de Mark Steven Johnson
15 Blade: Trinity bolinha (1998) , de David S. Goyer
16 O Justiceiro bolinha (1989), de Mark Goldblatt
17 Elektra bolinha (2005), de Rob Bowman
18 Capitão América bolinha (1990), de Albert Pyun

O resto da lista é praticamente vergonhoso. Sendo o filme da ninja assassina um desserviço impressionante e o do Capitão América uma das coisas mais vergonhosas da história da editora.

Não vi: O Justiceiro (2004), de Jonathan Hensleigh, e O Homem-Coisa (2005), de Brett Leonard.

Vem aí: para 2008, dois grandes lançamentos estão agendados: Homem de Ferro, de Jon Favreau, e O Incrível Hulk, de Louis Leterrier.

Para instigar os leitores de HQs, a Marvel já anunciou para a partir de 2009, os filmes do Thor, Homem-Formiga, Nick Fury, Capitão América e Vingadores. Dois destes estreariam em 2009 mesmo. Os outros, na seqüência.

Há projetos para dois filmes derivados da franquia X-Men: Magneto, que seria dirigo por David S. Goyer, e Wolverine. Também se fala em filmes para O Príncipe Submarino, Luke Cage, O Mestre do Kung Fu e Deathlok. O Justiceiro 2 também deve existir e o Surfista Prateado deve ganhar um longa solo.

Melhores escolhas de elenco:

1 Tobey Maguire, como Homem-Aranha (Peter perfeito)
2 Hugh Jackman, como Wolverine (Logan mais controlado)
3 Kirsten Dunst, como Mary Jane Watson (genial)
4 Rosemary Harris, como Tia May (maravilhosa)
5 Jennifer Connelly, como Betty Ross (encantadora)

outros notáveis: Patrick Stewart, como Charles Xavier, Thomas Haden Church, como Homem-Areia, Alan Cumming, como Noturno, Chris Evans, como Tocha Humana e Kelsey Grammer, como Fera.

Piores escolhas de elenco:

1 James Marsden, como Ciclope (virou um imbecil)
2 Jessica Alba, como Mulher Invisível (virou uma imbecil)
3 Ioan Gruffudd, como Sr. Fantástico (apático)
4 Jennifer Garner, como Elektra (estúpida)
5 Nick Nolte, como o pai de Bruce Banner (insuportável)

outros notáveis: Halle Berry, como Tempestade, e Ben Affleck, como Demolidor.

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Totalmente Apaixonados

Quando o filme é tão insípido que nem ofende ao ponto de ganhar uma bola preta, o que dizer? Que mais tarde eu vou abrir uma comunidade no Orkut para pedir para que Julianne Moore troque de agente. Não dá pra entender como uma atriz que já deu interpretações do porte das de A Salvo, Boogie Nights, Magnólia, Fim de Caso, As Horas e Longe do Paraíso possa ter se perdido dessa maneira. O pior de tudo é que ela e o resto do simpatiquinho elenco parecem certos de estar numa comédia fofa que serve como pausa para seus projetos mais sérios. Ainda tem muita gente inocente nesse mundo…

Totalmente Apaixonados Estrelinha
[Trust the Man, Bart Freundlich, 2005]

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Shrek Terceiro

Quando eu vi Shrek Terceiro, saí do cinema satisfeito: parecia mesmo um bom filme. Mas o senhor da razão fez minha memória rapidamente deixar pra lá a mais recente incursão do ogro nas telas. O motivo: a anti-fábula está cada vez mais convencional. Se o que atraía no primeiro e no segundo filmes era a desconstrução dos contos de fada, o último filme abre um espaço maior (ele sempre existiu, mas era bem mais tímido) para a ‘mensagem’. À exceção da bela cena da revolta das princesas, em que determinada peça íntima me fez gargalhar junto com o resto da sala e que culmina com o maravilhoso ataque comandado por Branca de Neve, sobra muito pouco daquela ironia e daquele sarcasmo que revigorou a animação.

Shrek Terceiro EstrelinhaEstrelinha
[Shrek The Third, Chris Miller, 2007]

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Trilha Sonora: Lisbela

Eu quero a cena de um artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
Um beijo imenso, onde eu possa me afogar

Eu quero ser o matador das cinco estrelas
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão

Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar
Pra me danar, por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar

Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho
Moça donzela, mulher, dama, ilusão
Na minha vida tudo vira brincadeira
A matinê verdadeira, domingo e televisão

Eu quero um beijo de cinema americano
Fechar os olhos fugir do perigo
Matar bandido, prender ladrão
A minha vida vai virar novela

Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão
Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão

música: Lisbela
autores: Caetano Veloso e José Almino
intérpretes: Los Hermanos
filme: Lisbela e o Prisioneiro (Guel Arraes, 2003)

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A Vida Secreta das Palavras

A voz da criança-fantasma provocou efeitos devastadores. É tão irritante que me fez querer devastar o que estivesse na minha frente. Seu tom é do encantamento a todo custo, da tentativa de Isabel Coixet cooptar o espectador para sua história de dores e encontros. É um tom estranho para um filme que tenta ser tão pouco permissivo em relação a seus personagens. É tão duro que não parece real. Sarah Polley está muito, demais, excessiva para querer justificar os segredos e as muralhas da protagonista. Falta equilíbrio à textura do melodrama, que era o grande forte de Minha Vida sem Mim, obra anterior da diretora. Incomoda ainda a necessidade de ser um filme mundial: a personagem central passa são muitos países, conhece personagens (e atores) de nacionalidades diferentes, come comidas de vários lugares. É o mundo globalizado? O pior de tudo é quando o filme revela suas motivações políticas e de mensagem. Fica mais forte, mas mais óbvio e excessivamente didático, como na cena com Julie Christie. E, definitivamente, não gosto nada do Tim Robbins.

A Vida Secreta das Palavras Estrelinha
[The Secret Life of Words, Isabel Coixet, 2005]

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Carreiras

Passei nove anos da minha vida trabalhando em emissoras de televisão e posso garantir que Carreiras é um filme estúpido, irresponsável e, com o perdão do trocadilho, carreirista. Para começar, existe uma completa ignorância de como funciona uma redação de TV. Parece que não tiveram dinheiro para contratar alguém para pesquisar melhor – se bem que as informações poderiam sair de uma mesa de bar… se é que não saíram.

Em seguida, há uma visão preconceituosíssima do jornalista de uma maneira geral, condenado à alcunha de figura desumana, vendida, corrupta e drogada – o título ‘espertinho’ faz uma perversa alusão a isso. Se fosse escrito decentemente ou tivesse um diretor inteligente, a visão clichê nem incomodaria tanto, mas o argumento é precário e a realização, medíocre.

Uma saída pra tentar equilibrar essa falta de talento é, acovardadamente, transformar Priscilla Rozenbaum numa versão feminina de Domingos Oliveira – com dicção melhor – efusivazinha, verborragicazinha, inquietazinha. Uma aposta certa numa fórmula batida. Sua personagem ‘cheirada’ é vergonhosa. Mas a apelação não pára por aí.

Sob a desculpa de justificar sua condição, digamos, ‘artesanal’, o filme tenta se vender como produto indie necessário para um “e a luta continua” da ala do cinema brasileiro que acha que tem alguma coisa a dizer. Para um filme que abre com um pedido de desculpas por existir, que se transforma em “me aceitem do jeito que eu sou e me defendam porque eu não tenho dinheiro” logo depois, era pedir demais qualquer coisa diferente. Fazia tempo que um filme não era tão ofensivo.

Carreiras Estrelinha
[Carreiras, Domingos Oliveira, 2005]

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Top 100: American Film Institute

O American Film Institute, um dos mais importantes órgãos na preservação de filmes nos Estados Unidos, lançou, na noite desta quarta-feira, num programa de TV especial com três horas de duração, sua nova lista dos 100 maiores filmes em língua inglesa. A divulgação comemora os dez anos da primeira lista do instituto.

1 (1) Cidadão Kane (1941), de Orson Welles
2 (3) O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola
3 (2) Casablanca (1942), de Michael Curtiz
4 (24) Touro Indomável (1980), de Martin Scorsese
5 (10) Cantando na Chuva (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen
6 (4) …E o Vento Levou (1939), de Victor Feming
7 (5) Lawrence da Arábia (1962), de David Lean
8 (9) A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg
9 (61) Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock
10 (6) O Mágico de Oz (1939), de Victor Fleming

Orson Welles e seu Cidadão Kane continuam imbatíveis em primeiro lugar, mas Francis Ford Coppola, com O Poderoso Chefão, conseguiu tomar a segunda posição de Casablanca, de Michael Curtiz. Entre os dez mais, duas novidades em relação à lista de 1997: entraram Touro Indomável, de Martin Scorsese, e Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock.

11 (76) Luzes da Cidade (1931), de Charles Chaplin
12 (96) Rastros de Ódio (1956), de John Ford
13 (15) Guerra nas Estrelas (1977), de George Lucas
14 (18) Psicose (1960), de Alfred Hitchcock
15 (22) 2001 (1968), de Stanley Kubrick
16 (12) Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder
17 (7) A Primeira Noite de um Homem (1967), de Mike Nichols
18 (–) A General (1927), de Clyde Bruckman e Buster Keaton
19 (8) Sindicato de Ladrões (1954), de Elia Kazan
20 (11) A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra

Os dois filmes que perderam a vaga no top ten foram: A Primeira Noite de um Homem, de Mike Nichols, e Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan, rebaixados para os vinte mais. Em toda a lista, há 23 filmes que não constavam na relação anterior. Desses ‘novatos’, quem conseguiu se dar melhor foi A General, de Clyde Bruckman e Buster Keaton, que estreou em 18º lugar.

21 (19) Chinatown (1974), de Roman Polanski
22 (14) Quanto Mais Quente Melhor (1959), de Billy Wilder
23 (21) As Vinhas da Ira (1940), de John Ford
24 (25) E.T. – O Extraterrestre (1982), de Steven Spielberg
25 (34) O Sol é para Todos (1962), de Robert Mulligan
26 (29) A Mulher faz o Homem (1939), de Frank Capra
27 (33) Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinneman
28 (16) A Malvada (1950), de Joseph L. Mankiewicz
29 (38) Pacto de Sangue (1944), de Billy Wilder
30 (28) Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola

Em toda a lista, o filme que mais perdeu posições foi Uma Aventura na África, de John Huston, que desceu 48 degraus, indo do 17º para o 65º lugar. Na contrapartida, outro John, o Ford, foi o que viu seu Rastros de Ódio mais crescer: nada menos do que 84 posições, passando do 96º para uma surpreendente 12ª colocação.

31 (23) Relíquia Macabra (1941), de John Huston
32 (32) O Poderoso Chefão – 2ª Parte (1974), de Francis Ford Coppola
33 (20) Um Estranho no Ninho (1975), de Milos Forman
34 (49) Branca de Neve e os Sete Anões (1937), de David Hand
35 (31) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), de Woody Allen
36 (13) A Ponte do Rio Kwai (1957), de David Lean
37 (37) Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), de William Wyler
38 (30) O Tesouro de Sierra Madre (1948), de John Huston
39 (26) Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick
40 (55) A Noviça Rebelde (1965), de Robert Wise

Victor Fleming foi o único cineasta que conseguiu emplacar dois filmes entre os dez primeiros colocados. …E O Vento Levou ficou em 6º e O Mágico de Oz, em 10º. No entanto, o diretor que mais apareceu na lista foi Steven Spielberg, com cinco títulos: A Lista de Schindler, E.T. – O Extraterreste, Caçadores da Arca Perdida, Tubarão e O Resgaste do Solado Ryan.

41 (43) King Kong (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
42 (27) Uma Rajada de Balas (1967), de Arthur Penn
43 (36) Perdidos na Noite (1969), de John Schlesinger
44 (51) Núpcias de Escândalo (1940), de George Cukor
45 (69) Os Brutos Também Amam (1953), de George Stevens
46 (35) Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra
47 (45) Uma Rua Chamada Pecado (1951), de Elia Kazan
48 (42) Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hitchcock
49 (–) Intolerância (1916), de D. W. Griffith
50 (–) O Senhor dos Anéis: a Sociedade do Anel (2001), de Peter Jackson

Vários outros diretores tiveram mais de um filme citado na relação: Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Stanley Kubrick (com 4, cada), Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Frank Capra, George Stevens, John Huston e Charles Chaplin (com 3) e Michael Curtiz, David Lean, John Ford, George Lucas, Mike Nichols, Elia kazan, William Wyler, Ribert Wise, Robert Altman, Alan J. Pakula e Sidney Lumet (com 2).

51 (41) Amor, Sublime Amor (1961), de Robert Wise e Jerome Robbins
52 (47) Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese
53 (79) O Franco-Atirador (1978), de Michael Cimino
54 (56) M*A*S*H* (1970), de Robert Altman
55 (40) Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock
56 (48) Tubarão (1975), de Steven Spielberg
57 (78) Rocky, um Lutador (1976), de John G. Avildsen
58 (74) Em Busca do Ouro (1925), de Charles Chaplin
59 (–) Nashville (1975), de Robert Altman
60 (85) Diabo a Quatro (1933), de Leo McCarey

O filme mais antigo que aparece na lista é Intolerância (1916), de D. W. Griffith, o único da década de 10. O mais recente é O Senhor dos Anéis: a Sociedade do Anel (2001), de Peter Jackson, representante solitário dos anos 2000. Na relação, além do filme de Jackson, há apenas mais dois filmes produzidos depois da lista de 1997: O Resgate do Soldado Ryan (1998) e O Sexto Sentido (1999).

61 (–) Contrastes Humanos (1941), de Preston Sturges
62 (77) Loucuras de Verão (1973), de George Lucas
63 (–) Cabaret (1972), de Bob Fosse
64 (76) Rede de Intrigas (1976), de Sidney Lumet
65 (17) Uma Aventura na África (1951), de John Huston
66 (60) Caçadores da Arca Perdida (1981), de Steven Spielberg
67 (–) Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966), de Mike Nichols
68 (98) Os Imperdoáveis (1993), de Clint Eastwood
69 (62) Tootsie (1982), de Sydney Pollack
70 (46) Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick
71 (–) O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg
72 (–) Um Sonho de Liberdade (1994), de Frank Daranbont
73 (50) Butch Cassidy (1969), de George Roy Hill
74 (65) O Silêncio dos Inocentes (1991), de Jonathan Demme
75 (–) No Calor da Noite (1967), de Norman Jewison
76 (71) Forrest Gump (1993), de Robert Zemeckis
77 (–) Todos os Homens do Presidente (1976), de Alan J. Pakula
78 (81) Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin
79 (80) Meu Ódio Será Tua Herança (1969), de Sam Peckinpah
80 (93) Se Meu Apartamento Falasse (1960), de Billy Wilder

Dos 100 filmes, 20 são da década de 70, a mais representiva. Os anos 60 vêm em segundo lugar, com 18 títulos. Pela lista, Intolerância seria o melhor filme da década de 10, A General, o da década de 20, …E O Vento Levou, o dos anos 30, Cidadão Kane, o dos 40, Cantando na Chuva ganharia o título nos anos 50, Lawrence da Arábia nos 60, O Poderoso Chefão nos 70, Touro Indomável venceria nos 80, A Lista de Schindler na década de 90 e A Sociedade do Anel, nos anos 2000.

81 (–) Spartacus (1960), de Stanley Kubrick
82 (–) Aurora (1927), de F. W. Murnau
83 (–) Titanic (1997), de James Cameron
84 (88) Sem Destino (1969), de Dennis Hopper
85 (–) Uma Noite na Ópera (1935), de Sam Wood
86 (83) Platoon (1986), de Oliver Stone
87 (–) Doze Homens e uma Sentença (1957), de Sidney Lumet
88 (97) Levada da Breca (1938), de Howard Hawks
89 (–) O Sexto Sentido (1999), de M. Night Shyamalan
90 (–) Ritmo Louco (1936), de George Stevens
91 (–) A Escolha de Sofia (1982), de Alan J. Pakula
92 (94) Os Bons Companheiros (1990), de Martin Scorsese
93 (70) Operação França (1971), de William Friedkin
94 (95) Pulp Fiction (1994), de Quentin Tarantino
95 (–) A Última Sessão de Cinema (1971), de Peter Bogdanovich
96 (–) Faça a Coisa Certa (1989), de Spike Lee
97 (–) Blade Runner (1982), de Ridley Scott
98 (100) A Canção da Vitória (1942), de Michael Curtiz
99 (–) Toy Story (1995), de John Lasseter
100 (72) Ben-Hur (1959), de William Wyler

Saíram da lista nesses dez anos: Doutor Jivago, O Nascimento de uma Nação, A Um Passo da Eternidade, Amadeus, Sem Novidades no Front, O Terceiro Homem, Fantasia, Juventude Transviada, No Tempo da Diligências, Contatos Imediatos do Terceiro Graus, Sob o Domínio do Mal, Sinfonia em Paris, O Morro dos Ventos Uivantes (1939), Dança com Lobos, Assim Caminha a Humanidade, Fargo, O Grande Motim, Frankenstein, Patton, O Cantor de Jazz, Minha Bela Dama, Um Lugar ao Sol e Adivinhe Quem Vem para Jantar.

E você, qual seria a sua lista? Manda aí.

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Cão Sem Dono

Júlio Andrade, Tainá Müller

À primeira vista, Ciro é um boa-vida. Adulto, mora sozinho, mas recebe ajuda financeira dos pais. ‘Estudado’, inteligente, vive recusando trabalhos como tradutor. Adota um cachorro, mas não o alimenta. Nem um nome dá pro pobre bicho. Conhece uma menina linda, gostosa, encantadora e, depois de uma noite de ‘amor’, não demonstra o mínimo interesse em revê-la.

Ciro não quer compromisso, mas não é um cara sacana. Ele só tem medo. Medo de se separar completamente da família e de ter que se virar no mundo. Medo de se aceitar um trabalho que não o pague satisfatoriamente e que o condene ao sub-emprego. Medo de dar um nome a um cachorro e de transformá-lo em ‘seu cachorro’ e de ter que cuidar de alguém mesmo sem saber tomar conta de si próprio.

Ciro tem medo de ter uma namorada porque ele não saberia lidar com alguém tão de perto. Ele até gosta da idéia de que alguém cuide dele, mas sabe que a contrapartida seria ter que cuidar de alguém. Ele não quer ter que revelar para ninguém como é grande o medo que ele guarda somente pra ele porque dá vergonha se sentir assim. Ciro tem medo de ser adulto.

Poucas coisas acontecem nos 82 minutos de Cão Sem Dono. Poucas coisas mesmo. Os fatos pouco interessam aos diretores Beto Brant e Renato Ciasca. O foco é como o homem lida com suas limitações e com sua inevitável transformação aos moldes do mundo. O processo pelo qual Ciro é forçado a passar é conseqüência das experiências que ele mesmo se permite ter.

Tudo o que segue é uma espécie de transição tardia de um mundo paralelo, de isolamento e solidão, para a vontade de se estabelecer, de celebrar sua existência. É o embate entre a então confortável – e assustadora – escolha pela abstração e o amor, o que mais?, que oferece direção, drama e densidade. Com razão e sentido, a pergunta não é mais sobre quando a vida vai mudar, mas sobre o que ela tem para oferecer.

Cão Sem Dono é sobre vida pulsando. E sobre querer um quadro na parede.

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[Cão Sem Dono, Beto Brant e Renato Ciasca, 2007]

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Confidencial

A comparação entre Confidencial e Capote é injusta, porém impossível de não ser feita. Injusta porque, apesar de ter uma constelação no elenco, não tem o grande (e oscarizado) Philip Seymour Hoffman a sua frente. Impossível de não ser feita porque as duas biografias sobre Truman Capote têm o exato mesmo recorte: seu envolvimento na investigação de um crime que viria a render seu clássico A Sangue Frio, marco da literatura moderna.

No quesito dramático, o Capote de Hoffman é melhor do que o de Toby Jones, igualmente histriônico e afetadíssimo – o que, neste caso, deve significar que ele está muito bem -, porque parece um filme mais rígido com seus personagens, mais articulado e mais sério, embora este longa de Douglas McGrath (diretor de Emma e co-roteirista de Tiros na Broadway, de Woody Allen) tente ser mais elucidativo e revelador a cerca do caso e do protagonista.

Na área das interpretações, embora este tenha uma dezena de atores famosos, a maior parte parece só integrar o elenco para dar ‘peso’ ao filme, como Isabella Rossellini ou o diretor Peter Bogdanovich. No entanto, a interpretação de Sandra Bullock, discreta e segura, é, para minha surpresa, quase tão boa – eu disse quase – a de Catherine Keener como Nelle Harper Lee. E embora Clifton Collins Jr. esteja genial no filme adversário, Daniel Craig não faz feio.

Minha reação em relação à performance de Toby Jones é praticamente a mesma que eu tive sobre a de Hoffman: ele está bem, mas me incomoda muito. Neste caso, o diferencial é que ele não é Philip Seymour Hoffman, um ator maravilhoso.

Sobra, então, a seara da ousadia. Não que Confidencial seja exatamente um exemplo de transgressão narrativa, mas ao menos ele tenta. Com sua história entrecortada pelas entrevistas dos amigos do personagem principal, o filme adquire um tom mais jornalístico e menos formal do que Capote, que parecia uma grande reportagem mais convencional. O problema talvez seja adotar um tom didático demais em certos momentos. Mesmo assim, a intenção de refletir na estrutura do filme uma característica fundamental de seu objeto me parece bastante válida.

Confidencial estrelinhaestrelinhaestrelinha
[Confidential, Douglas McGrath, 2006]

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