Monthly Archives: maio 2007

Escola do Riso

Escola do Riso

Se você for olhar bem, Escola do Riso tem uma das fórmulas mais batidas do cinema: bom e mau se encontram e o mau sai com uma lição de moral depois de ter se revelado não tão mau assim. Uma historinha bonitinha – tá bom, bem lindinha -, mas nada, nada nova. O que garante seu diferencial é o que está em volta. Pra começar, é raro ver um filme que se dedique tanto a celebrar outra arte. No caso, o teatro. O texto, escrito originalmente para o palco – e que deve ter funcionado muito bem em seu habitat – ganhou um fôlego surpreendentemente novo na tela. Mesmo com apenas dois personagens, um cenário que ocupa praticamente 90% das cenas e cheio de marcações teatrais, Escola do Riso é cinema.

A câmera é inteligentíssima e nunca pára quieta. A cada cena, ganhamos novos enquadramentos até que o cenário inteiro seja explorado, numa clara associação à aproximação dos personagens. Além disso, a montagem é ágil o suficiente para dar um movimento incessante ao filme, que é quase sempre orgânico e vivo. Sua maior qualidade, no entanto é o elogio que faz à comédia. Um gênero que raramente é tratado com seriedade pelo cinema – ou mesmo pelo teatro -, principalmente numa época em que a grosseria e o conteúdo sexual são associados cada mais ao humor puro. A meu ver, a pureza da comédia está exatamente no que este filme apresenta.

Desde a influência clownesca, defendida pelo brilhante Goro Inagaki, que ganha reforço com a música felliana, à própria paixão pela manufatura do riso, pela piada calculada e pelo processo de elaborar um texto ou um gesto que cative a platéia. O texto sabe traduzir isso bem nos ‘ensaios’ do espetáculo censurado. Junto com ele, Kôji Yakusho, excelente (antes de Babel), talvez o melhor ator do ano, defende o filme com uma beleza indescritível. A dupla é a pilastra sobre a qual o longa se sustenta. Um texto que é muito mais do que os atores, mas que ganha neles seu melhor espelho, seu maior reflexo.

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[Warai No Daigaku, Mamoru Hosi, 2004]

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Princesas

Um filme menor de Fernando León de Aranoa? Talvez na comparação com o belíssimo Segunda-Feira ao Sol, este Princesas saia perdendo. Ainda assim, o filme promove uma visita carinhosa ao universo das putas. O diretor-roteirista é bem feliz ao compor suas personagens, sabendo dar textura a dramas banais e transformando eventos-clichê em material suficientemente original para promover envolvimento.

A câmera é trêmula, mas parece que agora os operadores souberam usá-la sem exagero, na medida certa, dando forma à inquietação das personagens. O filme é embalado pela canção-tema de Manu Chao (‘Calle’, “rua” em espanhol e também o nome da protagonista). Esta, por sinal, é uma das melhores do ano. O elenco é um capítulo à parte. Se Micaela Nevárez é uma promessa, a interpretação de Candela Peña, grande atriz, conduz a puta triste à liberdade.

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[Princesas, Fernando León de Aranoa, 2005]

 

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O Tigre e a Neve

 

Não é um problema exatamente com o cinema que Roberto Benigni faz, mas O Tigre e a Neve é um filme bem difícil de engolir. Na primeira hora, o cineasta-ator tenta, de novo, – e desta vez literalmente -, nos convencer de que é um poeta. Na segunda metade, resolve mais uma vez reprisar o anti-herói chapliniano – o que faz muito mal – para voltar a se vender como romântico e ainda se mostrar politizado. E Benigni sabe ser bem calculista e maquiavélico para usar, numa clássica historinha de doença, sua ‘simplicidade’ para parecer ‘puro’ e ‘ingênuo’ e, de quebra, tentar se passar por engajado. A meu ver, parece um grito desesperado pelos 15 minutos idos há quase dez anos com A Vida é Bela, do qual este filme parece apenas ser uma cópia. Uma cópia pior.

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[La Tigre e la Neve, Roberto Benigni, 2005]

 

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Quinze anos no cinema

No comecinho do ano que vem vai fazer 15 anos que eu brinco de Oscar. Tô é ficando velho. Jamais imaginei que uma brincadeira pudesse durar tanto. Acho que este blogue, em suas mais variadas versões, contribuiu imensamente para esta longevidade. Uma década e meia brincando de apontar os melhores entre os filmes que eu vi, somente no cinema. A lista obedece única e exclusivamente a minha cronologia de filmes vistos, independendo se eles estrearam ou não em circuito naquele determinado ano.

A idéia deste post é fazer um pequeno histórico destes anos todos do Frankie, como eu batizei meu prêmio de melhores. São várias categorias, mas a que vale mesmo é a de ‘filme do ano’. O melhor de todos. É claro que muita coisa mudou nesse tempo todo. A revisão pode matar ou ressucitar um filme. O gosto muda, pra melhor ou pra pior; a gente fica mais elaborado e, às vezes, mais bobo. Mas como história é história, foi essa a que ficou.

 

1993 – Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood.

Fiquei fascinado com um filme feito à moda antiga. Tão masculino quanto delicado. Seu maior concorrente foi Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino, seguido por O Jogador, de Robert Altman, O Piano, de Jane Campion, e, oram vejam, Como Água para Chocolate, de Alfonso Arau.

 

1994 – Short Cuts – Cenas da Vida, de Robert Altman.

O mosaico de Altman foi o melhor filme do ano, ao lado de A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowki, o melhor da trilogia, e Lua de Fel, de Roman Polanski. Não sei se eu já falei aqui, mas eu adoro Steven Spielberg – e A Lista de Schindler entrou no top 5, assim como Forrest Gump, de Robert Zemeckis.

 

1995 – Tempo de Violência – Pulp Fiction, de Quentin Tarantino.

Imagina só: eu com meus 20 anos recém-completados sendo bombardeado por tudo aquilo. Vi três vezes em uma semana! Não tiveram chance para ele Almas Gêmeas, de Peter Jackson, Ed Wood, de Tim Burton, Comer, Beber Viver, de Ang Lee, e Cova Rasa, de Danny Boyle. Meu nome é pop.

 

1996 – Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica.

O mágico deste diretor nunca foi tão mágico num dos mais belos filmes políticos que eu já vi. Na cola dele, Fargo, de Joel (e por que não Ethan?) Coen, Segredos e Mentiras, de Mike Leigh, Trainspotting (eu avisei que eu era pop), de Danny Boyle, e Operação Xangai, de Zhang Yimou.

 

1997 – A Estrada Perdida, de David Lynch.

O melhor filme que eu nunca fiz questão de entender. Concorreram com ele, o igualmente assustador Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, Gabbeh, a fantasia colorida de Mohsen Makhmalbaf, As Bruxas de Salem, de Nicholas Hytner, e A Outra Face, obra-prima do cinema de ação, de John Woo.

1998 – Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar.

Que pra mim continua sendo o melhor Almodóvar de todos. Do começo ao fim. Seus colegas de top 5 foram o Quentin Tarantino mais maduro, Jackie Brown, o melhor Steven Soderbergh, Irresistível Paixão, o melhor Paul Thomas Anderson, Boogie Nights, e o melhor – isso mesmo – Oliver Stone, o genial Reviravolta.

1999 – Festa de Família, de Thomas Vintenberg.

O único bom filme do Dogma 95 é um filme feliz na forma e no conteúdo. Deu nó. E mais: o lindo Tempestade de Gelo, de Ang Lee, o lindo Nó na Garganta, de Neil Jordan, Desconstruindo Harry, de Woody Allen, e Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick. E eu preciso rever Clube da Luta, de David Fincher, pra saber se eu tava tão errado assim mesmo. Não sei não.

2000 – Fim de Caso, de Neil Jordan.

Absolutamente encantador. Julianne Moore e Ralph Fiennes, ambos, maravilhosos. Ao seu lado, Beleza Americana, de Sam Mendes, Alta Fidelidade, de Stephen Frears, Assédio, de Bernardo Bertloucci, e como eu ainda não tinha crescido, O Gigante de Ferro, de Brad Bird.

2001 – Bem-Vindos, de Lukas Moodysson.

Talvez a maior surpresa de todos estes anos. Um filme do qual não esperava muito e que me arrebatou. Os outros quatro foram: Quase Famosos, de Cameron Crowe, O Novo País, de Geir Hansteen Jörgensen, Infiel, de Liv Ullman, e o primeiro brasileiro finalista, Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, visto no meu primeiro Festival do Rio.

2002 – Os Excêntricos Tenenbaums, de Wes Anderson.

Um filme que mora num universo muito próximo no qual eu me escondo de vez em quando. Em segundo lugar, bem pertinho e muito longe, Cidade dos Sonhos, de David Lynch. Completam a lista: Dolls, de Takeshi Kitano, O Senhor dos Anéis: a Sociedade do Anel, de Peter Jackson, e o filme mais triste do mundo, Agora ou Nunca, de Mike Leigh.

2003 – Gangues de Nova York, de Martin Scorsese.

O último dos grandes cineastas norte-americanos narrando o surgimento do seu país ao lado do maior ator do mundo. Um passo atrás, estavam A Última Noite, de Spike Lee, A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki, As Confissões de Schmidt, de Alexander Payne, e talvez o melhor filme baseado nos heróis Marvel, X-Men 2, de Bryan Singer.

2004 – Elefante, de Gus Van Sant.

O cinema em espiral, o mundo em espiral, e nós no meio de um tratado sem verdades. Bem pertinho dele, O Pântano, de Lucrecia Martel. E mais: Kill Bill: Vol. 1, de Quentin Tarantino, o documentário brasileiro O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, primeiro doc que entra no top 5, e talvez o melhor filme baseado nos heróis Marvel, Homem-Aranha 2, de Sam Raimi.

2005 – Clean, de Olivier Assayas.

No ano mais difícil de todos, um primeiro contato com um diretor disposto a levar sua protagonista para onde ela quiser ir. Outras quatro obras-primas: Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater, o grande sequel, Marcas da Violência, de David Cronenberg, Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira, e um filme tão genial que não tem prêmio a seu alcance, Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin.

2006 – O Céu de Suely, de Karim Aïnouz.

Pela primeira vez, um filme brasileiro leva o prêmio. A volta de Hermila a uma terra natal indesejada me pareceu muito familiar e ganhou uma narrativa única. Seus principais adversários foram o subestimado A Dama na Água, de M. Night Shyamalan, e O Novo Mundo, mais um ótimo Terrence Malick. Completaram a lista O Hospedeiro, de Bong Joon-ho, e Síndromes e um Século, de Apichatpong Weerasethakul.

2007 is still running.

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Baixio das Bestas

Baixio das Bestas

No entendimento de mundo limitado que Cláudio Assis parece ter, Baixio das Bestas deve ocupar um lugar importante. É, feitas as devidas concessões, um filme-denúncia. Diretor e roteirista parecem querer tornar pública a situação de extrema miséria da zona da mata pernambucana, ou nordestina, que, na visão deles, favorece mesquinhezas e maldades de seus moradores. Numa avaliação mais ampla, o filme tem a urgência de expor a capacidade do ser humano de praticar o mal.

Praticamente não há evolução em relação ao primeiro longa do diretor, Amarelo Manga, do qual a diferença máxima que se guarda é a transferência da ação da zona urbana para o campo. Nos filmes de Assis, a maldade se torna inerente ao homem por causa de sua condição de produto do meio. É onde ele vive que determina o que ele vai ser. Essa lógica me parece bastante próxima de filmes abomináveis como Crash, de Paul Haggis, ou Babel, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, que lidam com ela de forma mais simplista porém menos ingênua.

Essa parece ser a principal fraqueza do cinema de Assis, a ingenuidade de sua compreensão do mundo. Ao contrário de seus primos tortos norte-americanos, Baixio das Bestas parece ser muito honesto em relação a sua concepção do homem. Assis e Hilton Lacerda realmente devem acreditar no que mostram, ou seja, defendem um mundo simplista, com relações simplistas entre os homens, com uma visão simplista dos mecanismos que regulam nossas vidas em que tudo é preenchido pela perversidade, seja a falta do que fazer, seja a falta de não ter nada para fazer.

E a forma de comunicação que Assis encontra – e que domina – é a do escândalo. Então, palavrões, nus, masturbação, de maneiras de expressão a princípio genuínas passam para estratégias de venda do filme como produto bruto de crítica social. Entenda-se como bruto, verdadeiro, corajoso, sem concessões. No entanto, o que mais fica desse conceito é a estratégia de venda. É vergonhoso que, num momento iluminado – jamais visto em tamanha quantidade – da produção do cinema nordestino, se tenha que dar de cara como produtos tão primários.

Assis se contrapõe de forma contundente ao cinema elaborado feito por Marcelo Gomes, Sérgio Machado e Karim Aïnouz, e perde feio até para um tipo de filme mais popular executado por Lírio Ferreira. O cinema “sujo” de Assis parece herdeiro de panfletos universitários, da compreensão mais básica das aulas de sociologia e filosofia, do encantamento inicial com Marx e todos os pensadores esquerdistas. Assim, ainda que pareça mais genuíno do que estes, seus filmes se aproximam das lógicas dos longas de Sérgio Bianchi ou Alexandre Stockler.

O curioso é que, embora Assis tenha essas intenções pueris de denúncia, ele parece ter um dominío bastante considerável da forma. Seu filme é bem dirigido, bonito e toda sua concepção técnica é muito eficiente. No entanto, a fotografia de Walter Carvalho, admirável, briga o tempo inteiro com os propósitos do filme, de ser sujo, bruto, cruel.

Ate hoje, a melhor coisa que Cláudio Assis fez, na minha opinião, é sua participação, como ator, num filme elogiado do qual eu não gosto muito: Crime Delicado, de Beto Brant. Sua cena é brilhante. Da mesma maneira, ele tem mão boa para dirigir atores: Caio Blat, Fernando Teixeira, Dira Paes e Mariah Teixeira estão bem no filme, embora às vezes não recebam textos muito favoráveis. Um incômodo é o alter ego que Assis insiste em impor. Matheus Natchergaele, cada vez mais cheio de maneirismos e repetitivo, assume o papel e ganha algumas cenas vergonhosas. Essa falta de equilíbrio é outro grande problema. Cláudio Assis parece ter muito na mão, mas precisa crescer para fazer cinema de adulto.

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[Baixio das Bestas, Cláudio Assis, 2007]

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O Hospedeiro

O Hospedeiro

Foi uma decepção imensa ver que O Hospedeiro só estreou em salas de shopping em São Paulo. O melhor filme que eu vi no Festival do Rio em 2006 é um filme coreano, de monstro, surpreendente. Além de ser um delicioso herdeiro dos filmes orientais de ação e terror, é uma afiadíssima crônica/crítica ao militarismo, às guerras, ao terror biológico e ao imperalismo de qualquer governo. Ao mesmo tempo em que joga o espectador numa ação interminável, apoiado numa trilha sonora maravilhosa, montagem corretíssima e num texto afiado, do humor à crítica, tem atores cativantes que assumem com dedicação a tarefa de fazer um filme-família. O mais empolgante é que o filme não tem a mínima vergonha de ser o que é. No meu prêmio pessoal de melhores do ano passado (vistos por mim no cinema), além de ter sido um dos cinco finalistas a melhor filme e ter ganho como melhor roteiro original, o filme concorreu ao todo em 5 categorias. Espero revê-lo em breve para escrever mais por aqui.

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[Gwoemul, Bong Joon-ho, 2006]

 

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Cenas dos próximos capítulos

ORIXÁS

“Chico, cadê você?”. A pergunta do meu amigo Ailton Monteiro, dono de um dos blogues de cinema mais legais do Brasil, no último comentário do post anterior, tem apenas uma resposta possível: São Paulo. Além da localização espacial, a resposta significa muito mais. Nas últimas semanas, minha vida passou por uma série de reviravoltas. Primeiro, decidi morar sozinho. Em seguida, saí do meu emprego de quatro anos. Por fim, decidi que era a hora de voltar a tentar a vida numa cidade que me persegue há quase uma década. São Paulo.

Era a chance de acionar os amigos e os contatos e me arriscar em mais um dos momentos fênix da minha vida. Começar tudo do zero. Se eu fosse muito religioso, agradeceria a Deus ou ao Bento, mas, como não é o caso, agradeço a meus amigos e a minha família pela força que me deram na minha decisão de trocar de cidade. Em especial ao meu amigo Guilherme Lamenha, irmão escolhido, que me abriga pela enésima vez, e a meus irmãos de verdade, Thomaz e Maria, os mais disponíveis, otimistas e confiáveis que alguém pode ter. Com o apoio do sorriso deles, e de tantos outros que deixo em Salvador, tive a certeza do que fazer.

Então, durante uma semana, me despedi da Bahia. Em meio à correria de rescisões e mudanças, ganhei duas lindas despedidas. Uma, surpresa, de meus amigos da TV em que trabalhei nos últimos quatro carnavais – literalmente -, uma festa com mais gente do que eu poderia imaginar, que me deu a alegria de ter divido meu espaço de trabalho com tanta gente legal durante tanto tempo. A segunda, programada em cima de hora, com meus outros tantos amigos que fiz e reencontrei em Salvador. Amigos de quem vou sentir uma falta imensa por tanta coisa partilhada. Entre eles, Gil, Claudinho e Janzinha, justamente as três pessoas especiais que me levaram para a Bahia, me resgatando de uma fase delicada.

E nem deu tempo de me despedir de tudo e de todos. Menos de duas semanas depois de sair do emprego, outro trabalho surgia na minha frente. Entrevista por telefone, teste pela internet, e lá estava eu em frente a um novo desafio. E com cinco dias para rearrumar minha vida. As decisões, definições, obrigações desses últimos dias me consumiram totalmente. Mal consegui parar. Muito menos escrever por aqui. A lista aí é de filmes que vi nesse hiato e sobre os quais não deu tempo para escrever aqui:

Cartola – Música para os Olhos estrelinhaestrelinhaestrelinha, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda
A Colheita do Mal estrelinhaestrelinha, de Stephen Hopkins
A Família do Futuro estrelinhaestrelinha, de Stephen J. Anderson
Hannibal – a Origem do Mal estrelinha, de Peter Webber
Lady Vingança estrelinha, de Park Chan-Wook
Lua Cambará – Nas Escadarias do Palácio estrelinha, de Rosemberg Cariry
Marcas da Vida estrelinhaestrelinha, de Andrea Arnold
As Tartarugas Ninja – O Retorno estrelinhaestrelinha, de Kevin Munroe

Agora é começar a trabalhar, acertar minha vida e começar a comprar os bonecos da Liga da Justiça que eu vi pra vender. Caríssimos, mas lindões. Que venham os próximos filmes, que venham os reencontros com meus amigos que moram por aqui, que venha o próximo capítulo.

Obrigado a todos por tudo. Obrigado à Bahia por todos.

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Exilados

eXILADOS

De Johnnie To, eu conheço bem pouco. Até então, meu único contato com sua obra tinha sido Eleição, belo longa que evocava os grandes filmes de máfia norte-americanos. Nada que me preparasse para a experiência que viria ser assistir a Exilados. Minha história com o filme é antiga. Eu perdi a chance de vê-lo bem antes – e em película -, quando ele foi incluído de última hora na repescagem do Festival do Rio do ano passado. Com seu lançamento em DVD, pude reparar, ao custo de perder o impacto de um filme destes no cinema, este erro.

Johnnie To trabalha neste filme com um conceito diferente na relação entre os personagens. Em vez de comparsas em que não se pode confiar, seus protagonistas são cinco amigos de infância que se vêem colocados em lados diferentes do jogo. Dessa maneira, há um farto material sobre lealdade, confiança e parceria em questão e To se propõe a celebrá-lo ao longo do filme.

Desde o começo, a influência óbvia é Sergio Leone. Há planos muito abertos que acompanham os movimentos dos atores. A fotografia é, ao mesmo tempo, cheia de virtuoses e graciosa, tratando com carinho cada personagem. Existe também uma impressionante noção do espaço. As cenas da entrada na casa, logo no começo, e o duelo no apartamento do médico brincam justamente com esse domínio exato do cenário.

Os enquadramentos revelam planos diferentes de ação e a montagem trata de coordená-los. A música, assim como em Leone, é fundamental para aplicar a ambientação final que o diretor pretende para cada seqüência. Há ainda uma segunda referência direta: o cinema de Sam Peckinpah. É dele que Exilados herda a habilidade de criar espetáculo a partir da violência em massacres sangrentos filmados como balés coreografados.

Os maneirismos de câmera e de cortes são tratados com tanta inteligência que de incômodos passam a primorosos. O resto é o talento de To para mover os personagens em cena como num calculado jogo de xadrez, com sua disposição quase operística para movimentá-los. Essa maneira de manipular os protagonistas rendeu um show vigoroso e de uma coerência difícil para um produto tão, acredite, pop.

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[Fong Juk/Exiled, Johnnie To, 2006]

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