Monthly Archives: janeiro 2007

Filmes do Chico, quatro anos

Era o dia 29 de janeiro de 2003. Eu, recém-saído de São José dos Campos, numa época de uma crise pessoal fodida na minha vida, usava o computador do meu amigo Guilherme Lamenha, na casa dele, em São Paulo, para criar o [filmes do chico]. A idéia de ter um espaço onde eu fosse escrever sobre cinema me parecia muito metida à besta. Dois meses antes, eu, depois de muito relutar, tinha aberto um blogue pessoal chamado Universos Paralelos, encerrado há um bom tempo, onde eu já fazia alguns comentários sobre filmes, algo que sempre me interessou, mas ter um bloco de anotações sobre cinema online e acessível a todos era bem assustador. Minha visão foi mudando devagar. Aos poucos, fui descobrindo páginas pessoais que abordavam temas específicos, inclusive o cinema.

Foi assim que eu cheguei aos pioneiros: o Cinema Cuspido e Escarrado, do Marcelo V., uma das primeiras encarnações do antigo The Bridge, do Tobey, an Acer, o hoje desativado Filmes GLS ou Quase, do Egídio La Pasta Jr., e aquele que talvez seja o grande blogue de cinema do Brasil, Diário de um Cinéfilo, do Ailton Monteiro. Freqüentando estes endereços, e mais alguns outros que falavam não somente mas também de cinema, como o The Way Things Are, do Teco Apple, eu tomei coragem e resolvi fazer a minha página, que começou simples, mas com muita empolgação. O ritual de assistir a um filme e escrever sobre ele aqui era delicioso e me animava a atualizá-la cada vez mais. O tempo foi passando e, quando eu vi, já morava em Salvador quando meu blogue fez um ano de vida. A essa altura, aqui mesmo eu propus a criação da Liga dos Blogues Cinematográficos, uma brincadeira que hoje me dá muito orgulho pelo tanto que mobiliza esta blogosfera cinematográfica.

Com a convivência, os comentários me trouxeram parceiros, colegas e – por que não? – amigos. Pessoas que, cada uma a seu modo, fazem parte do meu dia-a-dia, das minhas conversas no MSN, das calorosas discussões na lista da liga, dos debates nos próprios blogues. Do Ceará ao Rio Grande do Sul, gente que gosta de cinema achou aqui no meu blogue um ponto de encontro. Foi aqui que eu conheci o Roger lá do Mato Grosso, a gauchinha Fer Funchal e o goiano Layo, e é por causa desta página que eu me bati com o Milton do Prado de lá de Montreal, no Canadá. Hoje, ele, o Guilherme Martins e o ligado-na-tomada Mateus Nagime são parceiros na organização da Liga, assim como outra grande nova amiga, a Ana Paul. E foi aqui que eu terminei conhecendo também o grande Michel Simões, o Tiago Superoito, melhor texto de cinema na internet, o Diego Maia, amigo desde o começo, Sérgio Alpendre, a simpatia em pessoa, e os meninos-prodígio Rudá Lemos, Ed, Samuel L., o Buzz, Guga Valente e Rodrigo Pierre.

Quem freqüenta esse blogue conhece minha passionalidade e minha psicopatia por listas. Então, segue mais uma só com filmes que entraram para a minha vida durante estes quatro anos:

O Céu de Suely, de Karim Aïnouz.
Quando eu tive certeza de que não era só eu.

Elefante, de Gus Van Sant
Não é a vida e todas suas formas e possibilidades?

O Novo Mundo, de Terrence Malick.
Eu vi meu assustador poder de adaptação.

A Dama na Água, de M. Night Shyamalan.
Quando eu me desprendi da minha (pequena) parte de adulto.

Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater.
Romântico, ainda.

Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin.
Para ter certeza de que se está vivo.

Marcas da Violência, de David Cronenberg.
O conforto de ter para onde voltar.

O Pântano, de Lucrecia Martel.
Ou a dificuldade para emergir.

Clean, de Olivier Assayas.
Para não esquecer que depois da morte vem a ressurreição.

O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee.
O particular que é muito maior.

E, pra reprisar o ano passado, sempre me dá vontade de repetir muitas vezes obrigado pela companhia para o William Wilson, LeoN, Eduardo Miranda, Vebis, Demas, Leo Mecchi, Moacy Cirne, Fabrício K., Peerre, Filipe Furtado, Janzinha, Antonio Saints, Carlos Massari, Daniel Pilon, Christopher, Wallace Guedes, Tata, Chiko, Rodrigo Azevedo, Ronald Perrone, Thomaz, Bruno Reame, Davi & Iris, Felipe Leal, Felipe Sudo, Walrus, Renato Silveira, André de Leones, Camila Vieira, Alexandre Inagaki, Takeo, Marcelo Miranda, Francis Vogner, Gabriel Carneiro, Miura, Paulo Jr., Pips, Tisf, Marvin, Marlonn, Marfil, LFM, Marlos, Harry Maddox, Julio Bezerra, Lucian Chaussard, Wilson, Marcos A. Felipe, Hudson, César Oliveira, Beto Almeida, Tatica, Rafael, Vitor, Lemuel, Ernesto, Carol, quem eu esqueci de citar e quem nunca deixa comentário.

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Meus votos para o Alfred 2006

[minha cédula de votação para o Alfred 2006]

filme do ano

1 O Céu de Suely
2 O Novo Mundo
3 O Segredo de Brokeback Mountain
4 Caché
5 A Dama na Água

direção

1 Michael Haneke (Caché)
2 Terrence Malick (O Novo Mundo)
3 Karim Aïnouz (O Céu de Suely)
4 Philippe Garrel (Amantes Constantes)
5 Spike Lee (O Plano Perfeito)

ator

1 Heath Ledger (O Segredo de Brokeback Mountain)
2 David Strathairn (Boa Noite, e Boa Sorte.)
3 Leonardo Di Caprio (Os Infiltrados)
4 Clive Owen (O Plano Perfeito)
5 Philip Seymour Hoffman (Capote)

atriz

1 Hermila Guedes (O Céu de Suely)
2 Q’Orianka Kilcher (O Novo Mundo)
3 Valeria Bruni-Tedeschi (Amor em 5 Tempos)
4 Felicity Huffman (Transamérica)
5 Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)

ator coadjuvante

1 Owen Kline (A Lula e a Baleia)
2 Selton Mello (Árido Movie)
3 Vincent D’Onofrio (Impulsividade)
4 João Miguel (O Céu de Suely)
5 Jack Nicholson (Os Infiltrados)

atriz coadjuvante

1 Melissa Leo (Três Enterros)
2 Meryl Streep (A Última Noite)
3 Amy Adams (Retratos de Família)
4 Emily Blunt (O Diabo Veste Prada)
5 Mariana Lima (Árido Movie)

elenco

1 Orgulho & Preconceito
2 A Última Noite
3 Árido Movie
4 A Lula e a Baleia
5 O Céu de Suely

roteiro original

1 O Novo Mundo
2 Caché
3 O Plano Perfeito
4 Amantes Constantes
5 O Crocodilo

roteiro adaptado

1 O Céu de Suely
2 Impulsividade
3 A Casa do Lago
4 Orgulho & Preconceito
5 O Segredo de Brokeback Mountain

cena do ano

1 A motocicleta voltando (O Céu de Suely)
2 A navalha (Caché)
3 A discussão às margens do rio (O Segredo de Brokeback Mountain)
4 This Time Tomorrow (Amantes Constantes)
5 Superman observa a casa de Lois (Superman, o Retorno)

filme de estréia

1 Impulsividade
2 Orgulho & Preconceito
3 Estamira
4 Retratos de Família
5 Eu me Lembro

filme brasileiro

1 O Céu de Suely
2 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
3 Estamira
4 Árido Movie
5 A Concepção

fotografia

1 2046
2 Caché
3 Miami Vice
4 Dália Negra
5 Amantes Constantes

montagem

1 Caché
2 2046
3 Miami Vice
4 O Novo Mundo
5 Munique

direção de arte

1 2046
2 Dália Negra
3 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
4 O Labirinto do Fauno
5 O Novo Mundo

trilha sonora

1 O Labirinto do Fauno
2 O Segredo de Brokeback Mountain
3 Orgulho & Preconceito
4 O Plano Perfeito
5 A Dama na Água

canção

1 “Move Away and Shine” (Impulsividade)
2 “La Naissance de l’Amour” (O Sabor da Melancia)
3 “Tell Ol’ Bill” (Terra Fria)
4 “The Maker Makes” (O Segredo de Brokeback Mountain)
5 “A Love that Will Never Grow Old” (O Segredo de Brokeback Mountain)

som

1 2046
2 Miami Vice
3 Munique
4 O Novo Mundo
5 Superman, o Retorno

efeitos visuais

1 O Labirinto do Fauno
2 Piratas do Caribe: o Baú da Morte
3 Superman, o Retorno
4 Terror em Silent Hill
5 X-Men: o Confronto Final

pior filme

1 Fonte da Vida
2 Menina Má.com
3 A Promessa
4 Time
5 O Assassinato de Richard Nixon

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[babel]


[tribunal de um mundo globalizado]

Alejandro Gonzalez Iñarritu ficou irritado quando resolveram comparar seu Babel com Crash, vencedor do Oscar de melhor e do Alfred de pior filme do ano passado. Segundo ele, que afirma odiar o longa de Paul Haggis, seu trabalho não julga suas personagens, coisa que o outro filme faz de sobra. A declaração me tomou de surpresa porque o longa do mexicano não me parece nada mais do que uma versão globalizada das fatalidades do filme de Haggis. Mas, pensando bem, dá até para concordar com ele: ao contrário de Haggis, o mexicano não procura determinar o caráter de seus protagonistas e condená-los à corrupção do espírito. Babel, por determinado prisma, é mais cruel porque, nele, o carrossel de fatalidades é apenas um mecanismo com que o diretor se reserva o direito de brincar.

O modelo labiríntico que Alejandro Gonzalez Iñarritú vem desenvolvendo desde que começou a filmar é, ao que parece, a idéia que se tem de bom cinema hoje em dia. A administração de histórias paralelas e de seus entrelaces e interrelações requer certa arquitetura de roteiro e direção, um trabalho que aparenta ser mais braçal – e é – do que as narrativas lineares. O modelo não é novo. Robert Altman se utiliza dele há cerca de quarenta anos e, mesmo com alguns tropeços, produziu muita coisa boa. Mas o que parece se querer enfatizar nesses novos exemplos é uma disposição sociológica de seus novos maestros.

A proposta de Iñarritú foi lançada com eficácia em Amores Brutos (2001), reprisada, mas enfraquecida, em 21 Gramas (2004), em que os atores são muito melhores do que a história em si, e radicalizada em Babel, que, em muitos momentos parece mesmo uma metástase de Crash. A fórmula de isso-influencia-aquilo ganhou proporções internacionais, com eventos mínimos provocando conseqüências além-mar. Ainda que em menor intensidade, como no filme de Haggis, o longa lança olhares castradores sobre o homem e suas ações, olhares prontos para prender, julgar e executar.

Apesar de ter talento para a direção de atores, Iñarritú não consegue arrendondar as relações entre as histórias muito bem. A facção japonesa é a mais isolada, ligada às outras por um fiapo bem frágil. O drama no Marrocos, quase inerte, parece apenas um apêndice da história que realmente interessa ao diretor, a mexicana, a única que tem vida própria e a que guarda a melhor interpretação do filme, a de Adriana Barraza. No entanto, tal qual Crash, o filme tenta esconder sua fragilidade num tom de denúncia, denúncia de comportamentos, que invade as três histórias.

A linha, necessariamente fatalista em tempos de terror e desconfiança étnica, virou vício do roteirista Guillermo Arriaga, ao mesmo tempo em que se posiciona contra injustiças, ajuda a reforçar diferenças, na estilização das atitudes das personagens, sobretudo as periféricas. O que mais assusta é Arriaga e Iñarritú podem também estar iludidos de que completaram sua missão, missão que a princípio seria tipicamente norte-americana, mas que foi executada por mexicanos, que ganhou prêmio em Cannes, que ganhou o Globo de Ouro, que é apontado como forte candidato ao Oscar – duvido que ganhe – e que possivelmente vai exaurir o cinema deles. Mas com o decreto de que histórias esquartejadas pessimistas são o que há de bom cinema feito hoje, pode ser que eles sejam mais e mais celebrados. E o errado seja quem não está do lado deles.

P.S.: este texto, com algumas adaptações, foi publicado neste blogue em outubro, na época da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

P.S.2: perspectivas para os Oscars de ator coadjuvante e atriz coadjuvante no oscarBUZZ.

[babel ]
direção: Alejandro Gonzalez Iñarritú.
roteiro: Guillermo Arriaga, baseado em idéia de Arriaga e Alejandro González Iñárritu.
elenco: Adriana Barraza, Brad Pitt, Cate Blanchett, Rinko Kikuchi, Gael García Bernal, Jamie McBride, Kôji Yakusho, Lynsey Beauchamp, Nathan Gamble, Elle Fanning, Aaron D. Spears, Clifton Collins Jr..
fotografia: Rodrigo Prieto. montagem: Douglas Crise e Stephen Mirrione. música: Gustavo Santaolalla. desenho de produção: Brigitte Broch. figurinos: Michael Wilkinson produção: Steve Golin, Alejandro González Iñárritu e Jon Kilik. site oficial:
Babel. duração: 142 min. Babel, Estados Unidos, 2006.

nas picapes: [great big world, anne hathaway]

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Babel

Babel

Alejandro Gonzalez Iñarritu ficou irritado quando resolveram comparar seu Babel com Crash, vencedor do Oscar de melhor e do Alfred de pior filme do ano passado. Segundo ele, que afirma odiar o longa de Paul Haggis, seu trabalho não julga suas personagens, coisa que o outro filme faz de sobra. A declaração me tomou de surpresa porque o longa do mexicano não me parece nada mais do que uma versão globalizada das fatalidades do filme de Haggis. Mas, pensando bem, dá até para concordar com ele: ao contrário de Haggis, o mexicano não procura determinar o caráter de seus protagonistas e condená-los à corrupção do espírito. Babel, por determinado prisma, é mais cruel porque, nele, o carrossel de fatalidades é apenas um mecanismo com que o diretor se reserva o direito de brincar.

O modelo labiríntico que Alejandro Gonzalez Iñarritú vem desenvolvendo desde que começou a filmar é, ao que parece, a idéia que se tem de bom cinema hoje em dia. A administração de histórias paralelas e de seus entrelaces e interrelações requer certa arquitetura de roteiro e direção, um trabalho que aparenta ser mais braçal – e é – do que as narrativas lineares. O modelo não é novo. Robert Altman se utiliza dele há cerca de quarenta anos e, mesmo com alguns tropeços, produziu muita coisa boa. Mas o que parece se querer enfatizar nesses novos exemplos é uma disposição sociológica de seus novos maestros.

A proposta de Iñarritú foi lançada com eficácia em Amores Brutos, reprisada, mas enfraquecida, em 21 Gramas, em que os atores são muito melhores do que a história em si, e radicalizada em Babel, que, em muitos momentos parece mesmo uma metástase de Crash. A fórmula de isso-influencia-aquilo ganhou proporções internacionais, com eventos mínimos provocando conseqüências além-mar. Ainda que em menor intensidade, como no filme de Haggis, o longa lança olhares castradores sobre o homem e suas ações, olhares prontos para prender, julgar e executar.

Apesar de ter talento para a direção de atores, Iñarritú não consegue arrendondar as relações entre as histórias muito bem. A facção japonesa é a mais isolada, ligada às outras por um fiapo bem frágil. O drama no Marrocos, quase inerte, parece apenas um apêndice da história que realmente interessa ao diretor, a mexicana, a única que tem vida própria e a que guarda a melhor interpretação do filme, a de Adriana Barraza. No entanto, tal qual Crash, o filme tenta esconder sua fragilidade num tom de denúncia, denúncia de comportamentos, que invade as três histórias.

A linha, necessariamente fatalista em tempos de terror e desconfiança étnica, virou vício do roteirista Guillermo Arriaga, ao mesmo tempo em que se posiciona contra injustiças, ajuda a reforçar diferenças, na estilização das atitudes das personagens, sobretudo as periféricas. O que mais assusta é Arriaga e Iñarritú podem também estar iludidos de que completaram sua missão, missão que a princípio seria tipicamente norte-americana, mas que foi executada por mexicanos, que ganhou prêmio em Cannes, que ganhou o Globo de Ouro, que é apontado como forte candidato ao Oscar – duvido que ganhe – e que possivelmente vai exaurir o cinema deles. Mas com o decreto de que histórias esquartejadas pessimistas são o que há de bom cinema feito hoje, pode ser que eles sejam mais e mais celebrados. E o errado seja quem não está do lado deles.

Babel Estrelinha
[Babel, Alejandro Gonzalez Iñarritú, 2006]

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007 – Cassino Royale

Daniel Craig, Eva Green, Judi Dench, Mads Mikkelsen

Daniel Craig talvez seja o melhor James Bond desde Sean Connery, quem diria? Os gritos dos fãs que condenaram a escolha do inglês para assumir o papel do agente secreto foram abafados pela mistura do carisma bruto do ator com o viés escancaradamente romântico que a personagem ganhou nesta nova adaptação de Cassino Royale.

Para começar, é um filme muito bem escrito e melhor ainda executado. A seqüência de perseguição que abre o longa – além de uma outra lá pelo meio da projeção – é de tirar o fôlego com um aproveitamento certeiro dos efeitos visuais em prol da história. Mas a cena do banheiro, anti-clímax romântico, linda, é melhor ainda.

Eva Green é um belo (literalmente, inclusive) par para Craig, e termina se transformando num contraponto especial para o agente. A seqüência final peca por um excesso de clímaxes para o filme, mas guarda momentos bem particulares na história do herói.

007 – Cassino Royale EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Casino Royale, Martin Campbell, 2006]

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Top 40: melhores filmes de 2006

Para não ficar de fora das discussões sobre os melhores filmes que foram lançados em circuito em 2006, já que o Frankie, dois posts abaixo, considera apenas o que eu vi no cinema no ano, publico aqui minha lista de favoritos entre os filmes que tiveram estréias oficiais em solo brasileiro. Os cinco primeiros serão meus cinco indicados para o Alfred da Liga dos Blogues Cinematográficos, cuja votação começa no dia 21. Pela primeira vez, um filme brasileiro encabeça minha lista.

No oscarBUZZ, ressucitado, as repercussões dos indicados dos guilds e minhas expectativas para a corrida ao Oscar.

1 O Céu de Suely, de Karim Aïnouz
2 O Novo Mundo, de Terrence Malick
3 A Dama na Água, de M. Night Shyamalan
4 Caché, de Michael Haneke
5 O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

6 O Plano Perfeito, de Spike Lee
7 2046, de Wong Kar-Wai
8 O Crocodilo, de Nanni Moretti
9 Os Infiltrados, de Martin Scorsese
10 Amantes Constantes, de Philippe Garrel

11 Miami Vice, de Michael Mann
12 Munique, de Steven Spielberg
13 Impulsividade, de Mike Mills
14 A Casa do Lago, de Alejandro Agresti
15 Orgulho e Preconceito, de Joe Wright

16 Amor em 5 Tempos, de François Ozon
17 Ponto Final, de Woody Allen
18 A Última Noite, de Robert Altman
19 A Lula e a Baleia, de Noah Baumbach
20 O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro

21 Vôo United 93, de Paul Greengrass
22 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hambuger
23 007 – Cassino Royale, de Martin Campbell
24 As Chaves de Casa, de Gianni Amelio
25 Dália Negra, de Brian De Palma

26 Estamira, de Marcos Prado
27 Superman – O Retorno, de Bryan Singer
28 Abismo do Medo, de Neil Marshall
29 Viagem Maldita, de Alexandre Aja
30 O Tempo que Resta, de François Ozon

31 O Diabo Veste Prada, de Scott Frankel
32 Espelho Mágico, de Manoel de Oliveira
33 Boa Noite, e Boa Sorte., de George Clooney
34 Árido Movie, de Lírio Ferreira
35 A Criança, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

36 A Concepção, de José Eduardo Belmonte
37 Eleição – Submundo do Poder, de Johnnie To
38 Eu me Lembro, de Edgard Navarro
39 O Homem-Urso, de Werner Herzog
40 Volver, de Pedro Almodóvar

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Frankies 2006

[frankie 2006 - vencedores]

[filme do ano]

O Céu de Suely, de Karim Aïnouz
O Céu de Suely é o melhor filme de um ano em que eu me enganei algumas vezes sobre os meus melhores filmes do ano. O Novo Mundo, de Terrence Malick, e depois A Dama na Água, de M. Night Shyamalan, ocuparam este posto, mas o filme de Karim Aïnouz, que eu já tinha considerado uma obra-prima quando eu o vi na Mostra de Cinema de São Paulo, foi crescendo devagar a cada dia na minha memória e do meu coração. A saga de Hermila em busca do algo mais me toca profundamente. Eu entendo o que significa não caber mais num lugar e querer descobrir qual é o seu lugar.

outros candidatos:

A Dama na Água, de M. Night Shyamalan
O Novo Mundo, de Terrence Malick
The Host, de Bong Joon-ho [*]
Síndromes e um Século, de Apichatpong Weerasethakul [*]

[direção]

Karim Aïnouz, por O Céu de Suely
Um prêmio para o Terrence Malick seria bastante justo, mas não foi mesmo o Karim Aïnouz quem mais me abalou neste ano? Não foi ele que fez o filme mais perturbador, mais redondo e mais perfeito. Eu também considero O Novo Mundo uma obra-prima e ele tem até certas semelhanças com O Céu de Suely, mas não foi o brasileiro o filme mais impecável do ano? É, foi.

outros candidatos:

2º Terrence Malick, por O Novo Mundo
3º Apichatpong Weerasethakul, por Síndromes e um Século [*]
4º Bong Jon-ho, por The Host [*]
5º M. Night Shyamalan, por A Dama na Água

[ator]

Ryan Gosling, por Half Nelson [*]
Ainda que Hoffman e Whitaker estejam majestosos em suas performances, a interpretação de Ryan Gosling para o professor de Half Nelson, igualmente perfeita, tem o adendo do efeito surpresa. Um ator que saiu de romances menores construiu uma personagem dificílima, com nuances múltiplas num equilíbrio preciso. Gosling driblou as muitas possibilidades de cair na caricatura, na limitação, nos maneirismos fáceis e virou um ator para o futuro.

outros candidatos:

2º Philip Seymour Hoffman, por Capote
3º Forest Whitaker, por Mary [*]
4º Matthew Macfayden, por Orgulho e Preconceito
5º Leonardo Di Caprio, por Os Infiltrados

[atriz]

Hermila Guedes, por O Céu de Suely
A ordem no set de O Céu de Suely provavelmente foi deixar no mínimo o volume de interpretação. Tudo é muito naturalista no filme e foi isso que foi exigido dos atores, que ganharam personagens batizadas com seus próprios nomes para intensificar esse compromisso. A meu ver, todos cumpriram bem seus papéis, mas a mocinha chamada Hermila Guedes não. Essa foi perfeita em assumir a forma do filme para si. Hermila, mais do que integrada ao que pretendia o diretor, é o que Karim Aïnouz queria. Sem ela, talvez esta obra não fosse não prima.

outras candidatas:

2º Helen Mirren, por A Rainha [*]
3º Q’Orianka Kilcher, por O Novo Mundo
4º Isabelle Huppert, por A Comédia do Poder [*]
5º Estamira, por Estamira

[ator coadjuvante]

Jack Nicholson, por Os Infiltrados
Eu tenho uma certa birra com essa ovação excessiva em torno de Jack Nicholson. Fazia tempos que estava cansado de seus cacoetes, de suas interpretações repetitivas, de sua cara de maluco. No entanto, em Os Infiltrados, Nicholson, reprisando todo seu inventário de maneirismos, é um ator perfeitamente funcional. Sua performance, dou minha cara a tapa, é genial.

outros candidatos:

2º João Miguel, por O Céu de Suely
3º Robert Downey, Jr., por O Homem-Duplo [*]
4º Donald Sutherland, por Orgulho & Preconceito
5º Nanni Moretti, por O Crocodilo

[atriz coadjuvante]

Melissa Leo, por Três Enterros
Nem mesmo duas atuações excepcionais de Meryl Streep conseguiram tirar a vitória de magnífica performance de Melissa Leo, que infelizmente é abandonada lá pela metade do filme de Tommy Lee Jones. A moça com poucas frases e muitos olhares deixa para trás seus colegas de elenco e mostra que a pequena participação em 21 Gramas era apenas um ensaio de uma grande atriz.

outras candidatas:

2º Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada
3º Meryl Streep, por A Última Noite
4º Emily Blunt, por O Diabo Veste Prada
5º Beatrice Dalle, por Desejo e Obsessão [*]

[elenco]

Orgulho & Preconceito
Difícil não dar esse prêmio para Orgulho & Preconceito, dono de um elenco afinadíssimo. Nesta categoria, mais do que quantidade, gosto de premiar grupos que funcionem como grupos realmente. Neste ano, Keira Knightley, Matthew Macfayden, Brenda Blathyn e Donald Sutherland comandaram o melhor deles.

outros candidatos:

A Última Noite
O Céu de Suely
O Homem-Duplo [*]
Pequena Miss Sunshine

[roteiro original]

Bong Joon-ho, Chul-hyun Baek & Jun-won Ha, por The Host [*]
Quando eu me deparei com The Host, no Festival do Rio do ano passado, fiquei boquiaberto. Estava diante do filme mais politizado do ano e ele era um delicioso filme de monstro, cheio de ação e vindo do outro lado do planeta. Rapidamente ocupou um espaço generoso entre meus filmes favoritos do festival e, com o tempo, ganhou vaga definitiva entre os melhores do ano.

outros candidatos:

2º Nanni Moretti, por O Crocodilo
3º M. Night Shyamalan, por A Dama na Água
4º Philippe Garrel, com Arlette Langmann & Mark Cholodenko, por Amantes Constantes
5º Anna Boden & Ryan Fleck, por Half Nelson [*]

[roteiro adaptado]

Felipe Bragança, Karim Aïnouz & Mauricio Zacharias,
baseado no roteiro de Karim Aïnouz, por O Céu de Suely
Eu nunca vi o curta Rifa-me, de onde a idéia de O Céu de Suely foi estendida, mas se ele for um esboço mal feito deste filme já vai ser uma grande obra. O filme de Karim Aïnouz está em sintonia com um cinema contemporâneo que tenta fazer suas personagens encontrarem seu lugar no mundo. O roteiro deste filme é milimétrico, calculadíssimo e, por isso mesmo pode parecer artificial, mas grande parte do frescor e da inteligência do longa vem dessa esquematização.

outros candidatos:

2º Deborah Moggach, baseado no livro de Jane Austen, por Orgulho & Preconceito
3º David Auburn, baseado no roteiro de Eun-Jeong Kim & Ji-na Yeo, por A Casa do Lago
4º William Monahan, baseado no roteiro de Siu Fai Mak & Felix Chong, por Os Infiltrados
5º Garrison Keillor, baseado em seu programa de rádio, por A Última Noite

[cena do ano]

João volta de moto, em O Céu de Suely
Antes de mais nada, procurei muito a foto para ilustrar esta cena, mas foi impossível encontrá-la. Os últimos planos do filme de Karim Aïnouz são bárbaros: cristalizam a essência do longa que é a busca pela felicidade. A ênfase não está em João Miguel ou Hermila Guedes, nem mesmo na câmera, no som, na montagem, mas na angústia de uma imagem que demora, que você queria diferente, mas que você entende perfeitamente.

outras candidatas:

2º Médica encara a câmera, em Síndromes e um Século [*]
3º Superman observa a casa de Lois, em Superman, o Retorno
4º O boquete, em The Brown Bunny [*]
5º Kinks na festa, em Amantes Constantes

[filme de estréia]

Half Nelson, de Ryan Fleck [*]
Ainda que as estréias de Joe Wright, Kim Rossi Stuart e Marcos Prado sejam extremamente premiáveis, o que Ryan Fleck faz com Half Nelson tem muito
mais mérito. O clássico gênero de filme mestre e aluno é virado pelo avesso sem perder a simplicidade e o carinho com as personagens. E como Ryan Gosling e Shareeka Epps são uma dupla de atores em perfeita sintonia, a receita dá mais do que certo.

outros candidatos:

Orgulho & Preconceito, de Joe Wright
Anche Libero Va Bene, de Kim Rossi Stuart [*]
Estamira, de Marcos Prado
Sonhos de Peixe, de Kirill Mikhanovsky [*]

[filme brasileiro]

O Céu de Suely, de Karim Aïnouz
Primeiro, é bom lembrar de que este ano foi excepcional para o cinema brasileiro, assim como foi o ano anterior. Os cineastas do Brasil deixaram a arrogância de lado e tentaram buscar paralelos pelo mundo afora ao mesmo tempo em que nunca deixaram de fazer filmes essencialmente brasileiros. O Céu de Suely é a coroa deste ano. Um filme invejável técnica e dramaticamente. Uma obra-prima para o cinema nacional.

outros candidatos:

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger
Estamira, de Marcos Prado
Eu me Lembro, de Edgard Navarro
Sonhos de Peixe, de Kirill Mikhanovsky [*]

[fotografia]

 

Dion Beebe, por Miami Vice
Miami Vice talvez seja a transposição mais radical de uma obra para o cinema. Michael Mann desconstruiu o material original e criou um filme denso, feito para paladares mais apurados. Sua reconfiguração não seria possível sem o trabalho de Dion Beebe, que, com sua fotografia espacial, que incorpora todos os elementos em cena, os redimensiona para, só então, devolvê-los para o espectador.

outros candidatos:

2º Vilmos Zsigmond, por Dália Negra
3º Walter Carvalho, por O Céu de Suely
4º William Lubtchansky, por Amantes Constantes
5º Emmanuel Lubezcki, por Filhos da Esperança

[montagem]

Pedro Marques, por Juventude em Marcha [*]
O espiral que é a espinha dorsal do filme de Pedro Costa é o próprio espiral da vida, em que os fatos se repetem à exaustão, trazendo, a cada volta, um nova informação, um novo elemento, uma nova forma de se contar uma história. Num ano de trabalhos tão distintos quanto radicais, o filme português teve a ousadia de despistar a herança da narrativa literária em prol de uma essencialmente cinematográfica.

outros candidatos:

2º José Eduardo Belmonte & Paulo Sacramento, por A Concepção
3º Lee Chatametikool, por Síndromes e um Século [*]
4º Esmeralda Calabria, por O Crocodilo
5º Michael Kahn, por Munique

[direção de arte]

 

Dante Ferretti, por Dália Negra
Seria Dante Ferretti o melhor do mundo? É provável. Elegância e refinamento, sofisticação e uma preocupação com a funcionalidade. Nada está à tôa nos sets do italiano que sabe mais do que ninguém como recriar uma época. Foi assim no ano passado em O Aviador e é assim, mais uma vez, em Dália Negra, um filme exuberante por causa da vocação de Ferretti para o belo.

outros candidatos:

2º Cássio Amarante, por O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
3º Eugenio Caballero, por O Labirinto do Fauno
4º Jack Fisk, por O Novo Mundo
5º Rick Carter, por Munique

[figurinos]

Jenny Beavan, por Dália Negra
Os figurinos do filme de Brian De Palma acompanham os acertos na direção de arte. Ao mesmo tempo em que são extremamente simples, mesmo não deixando que essa simplicidade seja adversária da exuberância, são funcionais e sofisticadíssimos. Num ano de trabalhos apurados e, às vezes, mais chamativos, o de Jenny Beavan ganha pela uniformidade de sua competência.

outros candidatos:

2º Jacqueline West, por O Novo Mundo
3º Jacqueline Durran, por Orgulho & Preconceito
4º Colleen Atwood, por Memórias de uma Gueixa
5º Mariano Tufano, por Mundo Novo

[maquiagem]

Piratas do Caribe: o Baú da Morte
A cada ano que passa, os efeitos visuais invadem mais e mais o terreno da maquiagem. Entre material sólido e correções – e criações – da tecnologia virtual, um filme ruim ganha destaque por sua competência inegável nessa área. O trabalho da equipe de maquiagem de O Baú da Morte é perfeito.

outros candidatos:

O Labirinto do Fauno
X-Men: o Confronto Final
Abismo do Medo
Terror em Silent Hill

[trilha sonora]

 

Javier Navarrete, por O Labirinto do Fauno
Uma das categorias mais difíceis, com pelo menos um número igual ao de indicados de belas trilhas que sequer foram finalistas. Colocar a ordem entre estes cinco também foi complicado, mas o tema carinhoso que Javier Navarrete compôs para a fábula de Guillermo del Toro, que não saiu da memória depois que o filme acabou e que, vez por outra, reaparece em forma de lá-lá-lá, ganhou o posto de melhor do ano.

outros candidatos:

2º Byung-woo Lee, por The Host [*]
3º Terence Blanchard, por O Plano Perfeito
4º Dario Marianelli, por Orgulho & Preconceito
5º James Newton Howard, por A Dama na Água

[canção]

 

“Tell Ol’ Bill”
autor: Bob Dylan
intérprete: Bob Dylan
Terra Fria
A única coisa que me faria pensar em não premiar a ótima música de Bob Dylan seria a concorrência com as canções de Brokeback Mountain, Impulsividade e O Sabor da Melancia. Como eu vi estes filmes em 2005, Dylan reinou absoluto, destaque máximo de um filme injustamente massacrado, mas apenas corretinho.

outros candidatos:

2º “Trouble Every Day”
autores: Dave Boulter, Dickon Hinchliffe, Alasdair Macaulay & Stuart Staples
intérprete: Tindersticks
Desejo e Obsessão [*]

3º “‘Til the End of Time”
autor: DeVptchka & Nick Urata
intérprete: DeVotchka
Pequena Miss Sunshine

4º “Me Llaman Calle”
autor: Manu Chao
intérprete: Manu Chao
Princesas [*]

5º “Song of the Heart”
autor: Prince
intérprete: Prince
Happy Feet, o Pingüim

[som]

 

Carros

Carros, na verdade, só disputou o prêmio de melhor animação por seus muitos méritos técnicos. Nos quesitos sonoros, o filme de John Lasseter é exemplar. Edição, mixagem e efeitos sonoros são, além de competentíssimos, usados com muita inteligência. Seria injusto premiar qualquer filme, quando foi esse quem mais explorou – e bem – essa área.

Superman, o Retorno
Miami Vice
Munique
Os Infiltrados

[efeitos visuais]

 

O Labirinto do Fauno
Muito mais do que a competência latina para uma área tão hegemonicamante norte-americana, os efeitos visuais de O Labirinto do Fauno representam um resgate da fábula num filme que não tem medo de mesclar lúdico e grotesco da mesma maneira que costura conto de fadas e obra política. O fauno, o sapo e o reino escondido são brilhantes, mas a criatura da mesa é uma das mais assustadoras que o cinema criou nos últimos tempos.

outros candidatos:

Piratas do Caribe: o Baú da Morte
Terror em Silent Hill
X-Men: o Confronto Final
Superman, o Retorno

[animação]

 

O Homem Duplo, de Richard Linklater [*]
A mesma técnica de Waking Life, que era lindo nas imagens e pecava pelo excesso de texto, garantiu uma versão especial de uma obra de Philip K. Dick. Richard Linklater encontrou a razão para usar seus desenhos e cores e entregou para Robert Downey Jr. um de seus melhores papéis. Uma animação fora do eixo infanto-juvenil que domina o gênero e uma ficção-científica de primeira linha. O filme – há pessoas corretas no mundo – deve entrar em circuito nos primeiros meses do ano.

outros candidatos:

Happy Feet, o Pingüim, de George Miller
Carros, de John Lasseter, co-dir: Joe Ranft

[documentário]

 

O Homem-Urso, de Werner Herzog
Num ano de muitos documentários, poucos foram realmente bons. A transformação do gênero, num misto de narrativa dramática e exercício denuncista, deu uma vitalidade controversa aos novos filmes. O material mais interessante, ainda que meio irregular por um certo julgamento antecipado do protagonista, veio das mãos do veterano Werner Herzog, que praticamente invade a tela para interpretar e tentar desvendar a personagem que retrata.

outros candidatos:

Os EUA contra John Lennon, de David Leaf & John Scheinfeld [*]
Soy Cuba, o Mamute Siberiano, de Vicente Ferr

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