Monthly Archives: outubro 2006

[mostra de cinema de são paulo - boletim um]

[mostra de cinema de são paulo - boletim um]

[antes da revolução ]
direção: Bernardo Bertolucci.

Prima Della Rivoluzione, 1964. Se Amantes Constantes fazia oposição direta a Os Sonhadores, o filme de Philippe Garrel, mais do herdeiro, é homenagem a este longa de Bertolucci. Além da forma, há uma semelhança espetacular com motivações, anseios e desilusões das personagens, que, em ambos os casos, buscam a revolução, mas não sabem como se livrar de sua herança burguesa. Influenciado pela Nouvelle Vague, Bertolucci ainda quebra eixos, pratica uma montagem descontinuada e, assim como Garrel faria depois, opta pelo preto-e-branco, com apenas uma cena-concessão. Fica provado de vez que a citação a este filme no longa do francês é realmente uma homenagem.

Com Francesco Barilli, Adriana Asti, Allen Midgette, Morando Morandini Jr..

[a última noite ]
direção: Robert Altman.

A Prairie Home Companion, 2006. Um filme que tem uma curiosa relação com o tempo. Altman, em boa forma, prega peças durante o filme inteiro sobre a localização temporal de sua história, uma história simples sobre querer recuperar uma época, se agarrar nos fiapos de memória, o que às vezes resulta em momentos emocionantes de verdade. O quê mágico que a personagem de Virginia Madsen empresta à trama é estranho, mas consegue ser bem assimilado pelo filme. O longa revela ainda talentos-cantantes de primeira, como Woody Harrelson e John C. Reilly, Linsay Lohan e, mais do que todos, uma excepcional Meryl Streep, com direito a agudos e falsetes.

Com Woody Harrelson, Tommy Lee Jones, Garrison Keillor, Kevin Kline, Lindsay Lohan, John C. Reilly, Maya Rudolph, Meryl Streep, Lily Tomlin, Virginia Madsen.

[climates ]
direção: Nuri Bilge Ceylan.

Climates, 2006. Filme turco sobre os espaços vazios dentro de um relacionamento e sobre como o tempo afeta a vida a dois. O diretor tem um sensibilidade especial para filmar a solidão. A câmera estática pode nos mostrar supercloses ou quadros abertos, mas sempre nos apresentará uma personagem solitária, mesmo que acompanhada. Curioso que a estética crua também ganhe brincadeiras oníricas. Há soluções de montagem sensacionais como a da cena na praia. O final já é quase um clichê de filmes não-clichê, mas é muito bom.

Com Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, Nazan Kesal, Mehmet Eryilmaz, Arif Asci.

[flandres ]
direção: Bruno Dumont.

Flandres, 2006. Se eu contar um segredo, vocês não contam pra ninguém? Eu acho esse Bruno Dumont uma farsa, uma daquelas armadilhas que o cinema europeu vez por outra nos apronta. Alguém que aparentemente tem muito sobre o mundo a dizer com seu pessimismo calculado, suas personagens perturbadas sempre pontas para surpreender o espectador. Aqui, as cenas de impacto parecem tão… sem impacto e tudo parece arquitetado para a exibição (e prêmios, claro) em festivais.

Com Adelaïde Leroux, Samuel Boidin, Henri Cretel, Jean-Marie Bruveart.

[como festejei o fim do mundo ]
direção: Catalin Mitulescu.

Cum Mi-am Petrecut Sfarsitul Lumii, 2006. Filme acadêmico, mas bem bonitinho com pano-de-fundo político-histórico bem desenhado. Curioso que, ao mesmo tempo, é sobre uma adolescente tentando se estabelecer e sobre a infância em épocas de ditadura. Provavelmente vai ser vendido como muito mais do que isso, mas é exatamente o que ele é. As personagens são bem construídas, mas meio padronizadas. É o indicado oficial da Romênia para o Oscar de melhor filme estrangeiro e tem muitas chances de ser finalista.

Com Doroteea Petre, Timotei Duma, Marius Stan, Marian Stoica.

[el laberinto del fauno ]
direção: Guillermo del Toro.

El Laberinto del Fauno, 2006. Confesso que gostaria de ter gostado mais, já que esperava uma pequena obra-prima à disposição do lúdico, tal qual A Dama na Água, mas, apesar da dedicação de Del Toro, um dos defensores da fábula no cinema atual, o filme não é pleno, embora eu não saiba muito bem explicar o porquê. Assim como no longa de Shyamalan, é admirável a capacidade do cineasta de fundir contexto histórico e conto de fadas. E é ainda mais admirável que este seja uma filme cruel, não um produto padrão para crianças (norte-americanas). Além de uma trilha linda, que fica na memória, o trabalho de direção de arte, maquiagem e efeitos visuais é impressionante. Indicado oficial do México para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Com Sergi López, Maribel Verdú, Ivana Baquero, Doug Jones, Alex Ângulo.

3 Comments

Filed under Uncategorized

[wood & stock - sexo, orégano e rock n'roll]

[em cartaz]

[wood & stock - sexo, orégano e rock n'roll ]
direção: Otto Guerra.

Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock N’Roll, 2006. Enquanto tradução das personagens de Angeli, é um trabalho fidelíssimo, com momentos deliciosos, humor ora inteligente, ora bobo. A ambientação é bem eficiente, sobretudo na trilha sonora, que tem várias músicas do Júpiter Maçã e uma balada linda do Mopho, e o filme é inegavelmente sempre simpático. No entanto, funciona mais para um público com histórias que se misturam com as da dupla na tela, que, por sinal, era maioria na sessão no Espaço Unibanco 1 desta sexta-feira. Ainda que quem não viveu na plenitude os anos 60/70 provavelmente vá se divertir muito com o filme, ele vai ter um caráter muito mais nostálgico, importante e de identificação com uma faixa etária mais específica.

Com Sepé Tiaraju, Zé Vítor Castiel, Júlio Andrade, Felipe Monaco, Georgia Rech, Rita Lee, Tom Zé.

Leave a Comment

Filed under Uncategorized

[a comédia do poder]

[as estratégias do autor]


Como em quase todos os filmes de Claude Chabrol, este aqui parece que vai desmoronar em seus primeiros minutos. A direção do francês geralmente nos apresenta uma história com tantas espaços vazios que o risco de não dar certo é freqüente. No entanto, basta passar mais algum tempo para lembrar que é justamente desta marca de Chabrol que eu gosto tanto. E as arestas são amarradas com precisão.

O caráter de investigação que o filme, a princípio, deveria ter é rapidamente substituído pelos ares da grande crônica social que o cineasta parece estar desenvolvendo nos últimos tempos. E, grande encenador que é, deixa logo claro que não está nem aí para o caso de corrupção que inspirou o filme. Seu objetivo está na manipulação dos atores em cena, na direção de diálogos, no confronto. Isabelle Huppert, sempre em forma, encarna com uma graça de metralhadora a juíza que desmonta seus oponentes-alvos. Chabrol tem um humor incomparável.

[a comédia do poder ]
direção: Claude Chabrol.
roteiro: Odile Barski e Claude Chabrol.
elenco: Isabelle Huppert, François Berléand, Patrick Bruel, Marilyne Canto, Robin Renucci, Thomas Chabrol, Jean-François Balmer, Pierre Vernier, Jacques Boudet, Philippe Duclos, Roger Dumas.
fotografia: Eduardo Serra. montagem: Monique Fardoulis. música: Matthieu Chabrol. desenho de produção: Françoise Benoît-Fresco. figurinos: Sandrine Bernard e Mic Cheminal. produção: Patrick Godeau. site oficial:
A Comédia do Poder. duração: 110 min. L’Ivresse du Pouvoir, França, 2006.

nas picapes: [rebel, rebel, david bowie]

Leave a Comment

Filed under Uncategorized

Ventos da Liberdade

Ventos da Liberdade

Os cineastas sociais me cansam um pouco. Esta mania, que ganha ares de marca e engajamento, fica cada vez mais redundante e esvaziada a cada novo filme. É a guerra civil espanhola, a guerra da Nicarágua, são os assalariados e desempregados ingleses. Será que Ken Loach se importa mesmo com todas estas questões ou aproveita para faturar em cima? Ventos da Liberdade é sobre como é justo se montar um exército assassino para impedir os invasores de cometer barbáries. 

Poderia ser um belo registro histórico – há um cuidado com fotografia e direção de arte maiores do que na maioria dos últimos filmes de Loach – mas o que predomina é a aquele clima de reunião de sindicato, com a estereotipação dos ingleses e a discussão do processo de revolução por parte de irlandeses desunidos. O prêmio de Cannes parece um prêmio tão cansado (tão conjunto da obra, ou melhor, tão medalha de honra ao mérito) quanto o cinema cansativo, esquemático e calculado que o diretor pratica.

Ventos da Liberdade EstrelinhaEstrelinha
[The Wind that Shakes the Barkley, Ken Loach, 2006]

6 Comments

Filed under Resenha

[as torres gêmeas]

[tempo de guerra]


Engraçado. Esse filme foi massacrado sem razão; antipatia gratuita com seu diretor. Apesar de ser um melodrama convencional, tem méritos bastante incomuns para uma filme com seu contexto histórico. O primeiro é praticamente não ter ação: depois de pouco mais de 20 minutos, se percebe que As Torres Gêmeas é um filme sobre o resgate de policiais feridos no desabamento do World Trade Center. Ele – olha que interessante – deveriam ser heróis, mas não tiveram tempo para isso. Num filme que “deveria lavar a honra da América”, essa premissa é bem particular. Provavelmente foi isso que levou Oliver Stone para o projeto.

Ele não é bem o tipo de cineasta pronto para defender seu país. Seus filmes, geralmente equivocados e paranóicos, são feitos em boa parte para criticar os mecanismos estranhos da política norte-americana. Nas entrevistas, Stone fala que cansou de ser atacado pelos filmes que faz e, por isso, adotou uma linha apolítica. Eu diria que ele está menos explícito, mas a crítica está por toda parte: na falta de equipamentos dos policiais, na demora da circulação de informações e nas citações ao governo, mesmo que brandas. A política só não é o foco.

E, ainda que não tenha importância histórica, que não seja sobre o contexto do 11 de setembro de 2001, ainda que seja a história de duas famílias, ainda que recorra a uma espiritualidade de gosto duvidoso, que reprise frases feitas, esse filme me parece bastante honesto. E se Maggie Gyllenhaal, perfeita como a esposa que espera a volta do marido, seja a única que se destaca no elenco, todos estão eficientes. E quando Michael Peña cita um mandamento militar de Até o Limite da Honra para buscar forças, você percebe que não há apatia. Num país de vencedores, é lindo que esse filme mediano seja sobre quem não conseguiu vencer.

[as torres gêmeas ]
direção: Oliver Stone.
roteiro: Andrea Berloff.
elenco: Nicolas Cage, Michael Peña, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Connor Paolo, Stephen Dorff, Frank Whaley, Stoney Westmoreland, Armando Riesco, Jay Hernandez, Jon Bernthal, Nick Damici, Jude Ciccolella, Nicholas Turturro, Danny Nucci.
fotografia: Seamus McGarvey. montagem: David Brenner e Julie Monroe. música: Craig Armstrong. desenho de produção: Jan Roefls. figurinos: Michael Dennison. produção: Moritz Borman, Debra Hill, Michael Shamberg, Stacey Sher e Oliver Stone. site oficial:
As Torres Gêmeas. duração: 129 min. World Trade Center, Estados Unidos, 2006.

nas picapes: [angie, rolling stones]

14 Comments

Filed under Uncategorized

[o caso dos irmãos naves]

[na TV]

[o caso dos irmãos naves ]
direção: Luís Sérgio Person.

O Caso dos Irmãos Naves, 1967. A cena em que uma genial Lélia Abramo sai da cadeia é filmada magnificamente: sua fuga desesperada nas ruas, a chegada à casa onde busca abrigo, com a menininha pulando corda, o pedido de socorro para a dona da casa, acompanhada numa montagem exemplar pelo marido advogado e pela filha por quem acabou de passar. E essa é apenas um exemplo do genial trabalho de câmera de Oswaldo de Oliveira para o filme de Person. Gostariam os cineastas de hoje terem tamanho talento para filmar a violência, nos espancamentos de Raul Cortez e Juca de Oliveira, ambos impressionantes. A própria estrutura do filme é uma maravilha. Raramente vi uma narração em off tão integrada e a serviço da imagem. Um filme impecável, uma declaração de amor à justiça, no sentido mais puro e ingênuo que essa frase possa ter.

Com Anselmo Duarte, Raul Cortez, Juca de Oliveira, Sérgio Hingst, John Herbert, Lélia Abramo, Cacilda Lanuza, Julia Miranda, Hiltrud Holz.

1 Comment

Filed under Uncategorized

[pequena miss sunshine]

[viagem interior]


É muito chato ter que escrever aqui que Pequena Miss Sunshine é um filme bonitinho, mas ordinário, porque eu realmente estava disposto a ser convencido pela viagem de auto-conhecimento que o filme quer ser. É mais um daquele clã de obras que, ao mesmo tempo, reforçam e criticam elementos tão fortes na cultura norte-americana quanto o loser e a família desfuncional, apostando num humor sutil, na nostalgia constante, no privilégio do contexto em relação à ação. Mas que ninguém entenda mal: não é um filme malvado, que tenta se aproveitar de uma fórmula,;acredito que os diretores e o roteirista acreditavam no potencial dele. O fato é que eles não sabem por onde ir.

A todo custo, em praticamente todas as cenas, na utilização da trilha sonora, no perfil das personagens, o filme tenta ser parente da pequena obra-prima Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001), mas nunca passa de um rascunho. Sem conseguir mergulhar na melancolia que dita regras no cinema indie, o filme aposta num tom cômico mais fácil, que não deixa que o texto passe do simpático e que não dá mais substância aos protagonistas e a suas relações. Todos funcionam bem como sinopse, mas não ganham desenvolvimento à altura e acabam na promessa.

Por isso, um elenco que poderia estar brilhante não vai além do bonitinho. Isso serve para a fofíssima Abigail Breslin, para Toni Collette, Alan Arkin ou para o melhor projeto de personagem, o de Steve Carrell. Todos atiram para o lado certo, mas resvalam na incapacidade do roteiro de dar crebilidade para seus textos. O filme até ensaia ser uma crítica (ou uma crônica) ao culto do vencedor, à beleza como padrão não apenas estético (de sucesso, também), mas falta fundamentação e as reflexões não duram mais do que o tempo de uma ou duas frases isoladas. Como elas não ganham consistência, as piadas engraçadinhas em cima dos esquisitinhos do filme têm mais espaço e o filme é apenas bonitinho.

[pequena miss sunshine ]
direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris.
roteiro: Michael Arndt.
elenco: Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carrell, Alan Arkin, Paul Dano e Abigail Breslin, Bryan Cranston, Beth Grant, Jill Talley, Justin Shilton, Gordon Thomson, Paula Newsome, Wallace Langham, Lauren Shiohama, Julio Oscar Mechoso.
fotografia: Tim Suhrstedt. montagem: Pamela Martin. música: Mychael Danna e Devotchka. desenho de produção: Kalina Ivanov. figurinos: Nancy Steiner. produção: Albert Berger, David T. Friendly, Peter Saraf, Marc Turtletaub e Ron Yerxa. site oficial:
Pequena Miss Sunshine
. duração: 101 min. Little Miss Sunshine, Estados Unidos, 2006.

nas picapes: [song for jerry, the whiles]

4 Comments

Filed under Uncategorized

[murderball - paixão e glória]

[em cartaz]

[murderball - paixão e glória ]
direção: Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro.

Murderball, 2006. Enquanto documentário, não há nada de novo, mas o filme, embora muitas vezes seja óbvio e vire reforço para a cultura norte-americana da vitória, é bastante curioso e, por mais que se esforce para ser politicamente correto, traz momentos emocionantezinhos para aqueles que, como eu, ainda se ligam em emoçõezinhas básicas. Uma coisa um tanto incômoda é que é um filme para mostrar o deficiente como pessoa normal, algo meio redudante, mas qual é a visão completamente lúcida sobre isso? Olho limpo? Duvido muito. Então, embora tenha a Guerra do Iraque, embora tenha Bush, embora seja um filme sobre heróis, Murderball tem um encanto bruto de reportagem-mosaico. Sem ser muito profunda, sabe prender a atenção.

Com Mark Zupan, Keith Cavill, Andy Cohn, Scott Hogsett, Bob Lujano, Joe Soares.

9 Comments

Filed under Uncategorized

Amantes Constantes

Amantes Constantes

Philippe Garrel sempre foi um mito pra mim. Na época da faculdade, eu e uma amiga, os dois apaixonados e apaixonados por cinema, líamos um monte de coisa sobre seus hermetismos, sobre as sinopses absurdas de alguns de seus filmes e sempre ficamos na expectativa de ter acesso a algum filme dele. Virou lenda, chiste, brincadeira das nossas conversas sobre cinema, arte, vida em geral. Conversas que, de certa forma, parecem com as conversas que os jovens de Amantes Constantes, minha primeira visita a seu cinema, têm ao longo do filme. Ao mesmo tempo em que fazem política, falam sobre nada, sobre a vida.

Uma bela resposta ao estilizado Os Sonhadores (2003), com Bernardo Bertolucci recebendo a citação mais jocosa de sua vida numa cena hilária, e cooptando o protagonista do filme do italiano para si. Protagonista que o destino quis pregar a peça de ser o próprio filho de Garrel. Curioso como o filme trabalha duas idéias do maio de 68 ao mesmo tempo mescladas e divergentes: a vontade de mudança, a busca pela liberdade e a inércia pós-conflitos de rua, a vontade de transformar a expressão artística em modo de vida, sem saber muito como fazer isso. Uma coisa não anula ou minimiza a outra. Tudo é sincero. Tudo foi sincero.

Em meio a isso, surge o amor, que é não é mais aquele amor romântico para ela, mas é aquele amor romântico para ele. Ou não.

As incongruências das atitudes, o desacerto do passo das personagens dá uma consistência insólita ao filme de Garrel, uma aproximação com um estado de pureza de quem busca por caminhos que podem simplesmente não chegar, mas que continua tentando descobri-los, sem abdicar dos prazeres mais imediatos. Talvez para eles, assim para como para quem é tocado pelo filme de Garrel, a melhor resposta seja uma pergunta de um verso da música dos Kinks que embala uma das melhores cenas do filme:

This time tomorrow
What will we know?
Well we still be here
Watching an in-flight movie show?

Amantes Constantes EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Les Amants Réguliers, Philippe Garrel, 2005]

19 Comments

Filed under Resenha