Monthly Archives: setembro 2006

[superoutro]

[na TV]

[superoutro ]
direção: Edgard Navarro.

Superoutro, 1989. Entre o rompante alucinado de um brado de guerra contra o status quo e uma voluntária homenagem aos palhaços melancólicos, eu fico com o super-herói. Edgar Navarro em cerca de quarenta minutos cria um filme de múltiplos tons e explora como pode suas potencialidades sem nunca esquecer de que está fazendo cinema. O discurso empostado, caro ao pervertido gênero do filme brasileiro sério, é, em segundos, confrontado, reforçado e desmentido pelo espírito anárquico que se apossou do corpo de Bertrand Duarte. A transgressão é, mais do que exercício socialista, inerente à vocação de brincadeira de criança do filme, do diretor, do ator. É uma mistura estranhíssima que, estranhamente, da sátira à crítica, do lúdico ao real, dá certo quase sempre.

Com Bertrand Duarte, Nilda Spencer.

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[eleição - submundo do poder]

[em cartaz]

[eleição - submundo do poder ]
direção: Johnnie To.

Hak Se Wui, 2005. Caminhava a passos largos para ser um dos melhores filmes da Mostra de Cinema de São Paulo de 2005, como filme de gângster deslocado do seu cenário, com os coadjuvantes comandando a ação, inteligente, bem editado e muito bem dirigido. O cineasta é eficaz ao arquitetar sua radiografia da máfia em Hong Kong, focando nas relações entre as personagem em detrimento de um cinema de mais ação, mas depois de que se resolve a questão central da história, o filme segue um caminho tão mal delineado – com cenas dispensáveis (como a no topo do prédio) e uma tentativa de mostrar a corrupção “da alma” como algo indenfensável – o que faz o longa perder bastante seu impacto. Johnnie To é hábil – há muitos momentos sublimes -, mas não soube resolver seu filme. Nos vinte minutos finais, tem clímaxes demais, ininterruptos. Eles parecem somente querer prolongar uma história que já chegou ao fim.

Com Simon Yam, Tony Leung Ka Fai, Louis Koo, Nick Cheung, Siu-Fai Cheung, Suet Lam, Ka Tung Lam, Tian-lin Wang, Maggie Siu.

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[trilha]

[trilha sonora da sexta-feira]

This time tomorrow
Where will we be?
On a spaceship somewhere?
Sailing across an empty sea?

This time tomorrow
What will we know?
Well we still be here
Watching an in-flight movie show?

I’ll leave the sun behind me
And watch the clouds as they sadly pass me by
Seven miles below me
I can see the world and it ain’t so big at all

This time tomorrow
What will we see?
Field full of houses?
Endless rows of crowded streets?

I don’t where I’m going
I don’t want to see
I feel the world below me
Looking up at me

Leave the sun behind me
And watch the clouds as they sadly pass me by
And I’m in perpetual motion
And the world below doesn’t matter much to me

This time tomorrow
Where will we be?
On a spaceship somewhere?
Sailing across any empty sea?

This time tomorrow, this time tomorrow

Canção: This Time Tomorrow
Autor: Ray Davies
Intérprete: Kinks
Filme: Amantes Constantes (Philippe Garrel, 2005)

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[debate]

[onde está você agora?]

Lula não foi ao debate. Que estupidez!

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[vampiros de almas]

[na TV]

[vampiros de almas ]
direção: Don Siegel.

Invasion of the Body Snatchers, 1956. Eu tenho uma queda natural por filmes de ficção fatalistas, então, como não ser apaixonado por este? A primeira vez que vi, colorizado, há alguns anos, já tinha me encantado. A revisão fez o filme melhorar. Os defeitos, algumas soluções simples de roteiro e a limitação do talento dos atores, ganham status de charme. Don Siegel tem um impressionante domínio em cena. Desde a narração em off ao crescendo de suspense, ele mantém o ritmo uniforme do início ao final, que ganham múltiplas perspectivas em plena Guerra Fria, em meio ao medo do estrangeiro. O processo gradual de isolamento do protagonista é perfeito e embora o final seja mais esperançoso do que o ótimo remake de Philip Kaufman, em 1978, ainda assim é perturbador.

Com Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates, King Donovan, Carolyn Jones, Jean Willes, Ralph Dumke, Virginia Christine, Tom Fadden, Kenneth Patterson, Guy Way.

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[o inventor da mocidade]

[na TV]

[o inventor da mocidade ]
direção: Howard Hawks.

Monkey Business, 1952. Cary Grant, um dos maiores atores do mundo, em momento Jerry Lewis. E Ginger Rogers tentando acompanhá-lo. A química é boa, mas o filme tenta mais ser engraçado do que realmente é. É uma delícia ver Grant despirocado, vestido de índio, com idade mental de oito anos, mas mesmo com gente com Ben Hecht assinando o texto, Hawks, um diretor admirável, não consegue dar liberdade completa à história e aos atores, como Frank Tashlin sabia fazer tão bem. Há momentos hilários, mas há mais momentos que tentam ser hilários. Marilyn tem poucas cenas; ainda não era ninguém.

Com Cary Grant, Ginger Rogers, Charles Coburn, Marilyn Monroe, Hugh Marlowe, Henri Letondal, Robert Cornthwaite, Larry Keating, Douglas Spencer, Esther Dale, George Winslow, Kathleen Freeman.

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[viagem maldita]

[no pc]

[viagem maldita ]
direção: Alexandre Aja.

The Hills Have Eyes, 2006. Para não fugir da comparação, estou baixando a versão original de mr. Craven, mas confesso que fiquei impressionado com este filme. Não tenho nenhum preconceito com refilmagens desde que elas sejam bem feitas. E esta é. Filme de terror que realmente assusta é coisa difícil de se encontrar hoje em dia e, em se tratando de um filme com este subject, a probabilidade de se sair mal-sucedido é tremenda. Alexander Aja, no entanto, tem dois pontos fortes: o primeiro é que ele filma bem; sabe armar as cenas, posicionar atores, mover a câmera, se aproveitar do espaço. É visível, por exemplo, como Aja lida muito melhor com o deserto aqui do que o diretor de Wolf Creek. O segundo ponto é que ele sabe muito bem como manipular o mistério inerente à história como matéria-prima para criar as cenas de suspense. Aqui, na maioria das vezes, é a falta de informação que propicia o susto. Eu estava bastante predisposto a gostar do filme e a defendê-lo de quem achasse o contrário. Em vão. Viagem Maldita faz isso sozinho.

Com Aaron Stanford, Emilie de Ravin, Dan Byrd, Kathleen Quinlan, Ted Levine, Vinessa Shaw, Laura Ortiz, Billy Drago, Tom Bower, Ezra Buzzington, Robert Joy, Michael Bailey Smith.

[rodapé] Já está online no oscarBUZZ minha primeira rodada de apostas para a próxima edição do Oscar. Pretendo atualizá-las mensalmente até janeiro chegar.

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[fúria]

[na TV]

[fúria ]
direção: Fritz Lang.

Fury, 1936. Primeiro filme dirigido por Lang nos Estados Unidos, depois de declinar carinhosamente do convite para ser o cineasta oficial de Hitler, o que fez muito bem. Há herança de teatro e do expressionismo que consagrou o diretor. Spencer Tracy, o coração, e Sylvia Sidney, a razão, estão ótimos. E, mesmo que o final seja demasiadamente hollywoodiano nem que Lang não consiga se libertar de alguns conceitos como redenção, é um filme de grande força, a típica história de crueldade a que Lang se apegou tão indisfarçadamente quando foi morar do outro lado do Atlântico. Não deixa de ser um pequeno estudo sobre violência e vingança – e é curioso que justamente quando chega foragido de um ambiente repressor num espaço de liderdade e oportunidades - tenha sido essa história que o diretor resolveu contar.

Com Spencer Tracy, Sylvia Sidney, Walter Abel, Bruce Cabot, Edward Ellis, Walter Brennan, Edwin Maxwell.

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[o grande motim]

[na TV]

[o grande motim ]
direção: Frank Lloyd.

Mutiny on the Bounty, 1935. Frank Lloyd era um diretor de respeito da early Hollywood. Lloyd tinha ganho o Oscar por Cavalgada (1933) e escalou para sua superprodução, os então dois últimos vencedores do prêmio de melhor ator, Charles Laughton e Clark Gable. Seu épico naval não tinha como dar errado (foi Oscar de melhor filme e teve mais sete indicações). E não deu. O Grande Motim, primeira das três versões da história para o cinema é um filme bastante padrão, mas é sempre eficiente. As cenas da chegada ao Taiti são grandiosas e a arquitetura do conflito, mesmo com os vícios exagerados do cinema norte-americano desta época, é bem boa. Laughton, grande ator, faz um vilão sem afetação.

Com Clark Gable, Charles Laughton, Franchot Tone, Herbert Mundin, Eddie Quillan, Dudley Digges, Donald Crisp, Henry Stephenson, Francis Lister, Spring Byington, Movita, Mamo Clark, Byron Russell.

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[dublê de corpo]

[no sofá]

[dublê de corpo ]
direção: Brian De Palma.

Body Double, Estados Unidos, 1984. É um filme que se mantém delicioso do começo ao fim, com a trilha e a montagem sugerindo o tempo todo uma grande brincadeira/homenagem. As clássicas cenas dos stripteases sob os olhares do fraquinho Craig Wasson revelam uma câmera sempre pronta a mostrar suas referências, mostrar de onde tudo aquilo veio. Nosso Hitchcock moderno rouba até a filha de uma loira do mestre para protagonizar o filme. Mas Dublê de Corpo muda de status perto do final, mais especificamente no meio da cena da cova. É ali que De Palma pausa a trama e busca fora dela, no que pode ser um flashback ou um delírio – não importa, é uma idéia magnífica -, a saída para seu protagonista. Nesse momento, é possível entender que mais do que faz cinema, esse cineasta exercita cinema. Eis um criador.

Com Craig Wasson, Gregg Henry, Melanie Griffith, Deborah Shelton, Guy Boyd, Dennis Franz.

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