Monthly Archives: julho 2006

[super-escola de heróis]

[no DVD]

[super-escola de heróis ]
direção: Mike Mitchell.

Sky High, 2005. Taí o exemplo perfeito de brincadeira que deu certo. O filme abusa da mitologia dos heróis para tirar sarro de conceitos como identidade secreta, superpoderes, planos maquiávelicos, entre outros, mas, ao mesmo tempo, faz isso de uma forma absolutamente respeitosa com o material inspirador. A ironia toda é que tudo isso vai parar num típico filme de escola norte-americano, com direito a bons e maus, naquele esquema que a gente conhece mais no cinema do que na vida real (pelo menos nas minhas escolas não tinha ninguém humilhando os outros…). Os efeitos são pobres, mas muito bem feitinhos. Num filme que se levasse mais a sério e com mais dinheiro para gastar, teríamos um trabalho visual riquíssimo. O texto é inteligente o tempo todo, mesmo quando abusa dos clichês. De sacanear os clichês, na verdade. As referências estão por toda parte. A mulher-maravilha Lynda Carter, que faz até piada citando sua personagem mais famosa, poderia parecer mais. O garoto Angarano, que foi o pequeno protagonista do belíssimo Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000), é muito bom, mas foi Kurt Russell quem entendeu exatamente o que era o filme e faz um herói canastrão hilário.

Com Michael Angarano, Kurt Russell, Kelly Preston, Danielle Panabaker, Mary Elizabeth Winstead, Lynda Carter, Bruce Campbell, Steven Strait, Cloris Leachman, Kevin McDonald.

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[beijos proibidos]

[na TV]



[beijos proibidos ]
direção: François Truffaut.

Les Baiseurs Volés, 1968. Sem querer polemizar, sabe por que François Truffaut me é muito mais interessante do que Jean-Luc Godard? Porque, mesmo com toda a capacidade de invenção do suíço, é Truffaut quem consegue fazer de um filme sobre nada uma brincadeira deliciosa como esta. A terceira incursão de Antoine Doinel no cinema deixa longe a atmosfera séria de Os Incompreendidos (1959) e abraça com força a comédia, tom já delineado no curta Antoine et Collette (1962). O que mais me interessa é a construção de uma narrativa livre, que não depende nem defende interrelações e seqüenciamento de situações. Há ecos de Jerry Lewis e, pelo menos eu enxergo, daqueles filme e animações malucas, tipo Mr. Magoo. Tudo em favor de uma maneira despojada de se apresentar e acompanhar as personagens.

Com Jean-Pierre Léaud, Delphine Seyrig, Claude Jade, Michel Lonsdale, Daniel Ceccaldi, André Falcon.

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[frankenstein de mary shelley]

[na TV]

[frankenstein de mary shelley ]
direção: Kenneth Branagh.

Mary Shelley’s Frankenstein, 1994. Minha primeira avaliação, à época do lançamento nos cinemas, foi completamente injusta. A adaptação de Branagh para o clássico de Mary Shelley é uma declaração de amor à história. Filmado como épico romântico intimista, o longa só peca quando a câmera fica vertiginosa, acompanhada pela música. Quando isso não acontece, Branagh consegue traduzir bem a inocência de uma época e de um estilo literário. Chega a ser comovente a construção – cheia de clichês, sim – da personagem de Robert De Niro, ou a obsessão quase infantil do doutor, ou a relação encantada com Helena Bonham-Carter, que está ótima. Os pecados do filme são os pecados do livro, que é bobo, mas acredita nesta bobagem. Há clímaxes demais, sendo o melhor deles a criação da noiva e a disputa pela posse dela entre criador e criatura.

Com Kenneth Branagh, Robert De Niro, Helena Bonham-Carter, Ian Holm, Tom Hulce, Richard Briers.

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[tubarão]

[do acervo]

[tubarão ]
direção: Steven Spielberg.

Jaws, 1975. Não é à tôa que este filme tenha inventado o conceito do filme de verão, do blockbuster. O segundo longa de Steven Spielberg feito para o cinema é perfeito, em todos os sentidos: no casamento entre fotografia e montagem, na criação do suspense, na invenção e na comunicação com o espectador. Os planos de Bill Butler são magníficos e assitir ao filme em widescreen é uma experiência insuperável. Spielberg usa sua câmera para reinventar uma direção hitchcockiana. A cena em que Roy Scheider tenta enxergar o mar e é impedido por todo tipo de obstáculos é fabulosa; me parece uma homenagem à seqüência inicial de Janela Indiscreta (1954). É a montagem eficientíssima. O trio de protagonistas está muito bem. Roy Scheider tem uma cena maravilhosa à mesa, quando pede um beijo a seu filho. E, bem, existe a trilha. John Williams em um de seus trabalhos mais experimentais e, por isso mesmo, mais clássicos. Spielberg é um dos poucos que conseguem, aliás, que sabem fazer uma obra-prima pop.

Com Roy Scheider, Richard Dreyfuss, Robert Shaw, Lorraine Gray, Murray Hamilton e Carl Gottlieb.

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[move away and shine]

[trilha sonora da sexta-feira]

Go, it’s time
Embrace all that you know
and be, be on the ride that keeps you on the go
I know you’ll be fine
I know you’ll be mine this time

Hey, it’s time to move away and shine,
You can be all you ever want in a dream.
You can take time along the way let this music in your head
You can see all you ever want inside a dream

Where are you now?
Under the sun
What did you find?
Hope you let go
I Hope you’ll be fine.
I know you’ll be mine yeah mine

Hey, it’s time to move away and shine,
You can be all you ever want in a dream.
You can take time along the way let this music in your head
You can see all you ever want inside a dream,
and if you take this time, if you will move their eyes:
You’ll find it’s all been a dream
cos It’s the only way,
For you to be

Hey, it’s time to move away and shine,
You can be all you ever want in a dream.
You can take time along the way let this music in your head
You can see all you ever want inside a dream,
and if you take this time, if you will move their eyes:
You’ll find it’s all been a dream
cos It’s the only way,
For you to be

Canção: Move Away and Shine
Autor: Tim De Laughter
Intérprete: The Polyphonic Spree
Filme: Impulsividade, 2005

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[top secret! superconfidencial]

[na TV]

[top secret! superconfidencial ]
direção: David Abrahams, David Zucker & Jerry Zucker.

Top Secret!, 1984. Uma surpresa a revisão deste filme, um belo exemplar do pastelão/pastiche dos anos 80. A primeira metade do filme é bem melhor do que a segunda, mas ainda assim o conjunto deixa as comédias babacas de hoje a ver navios. Há seqüências hilárias; algumas provavelmente foram cortadas nas exibições do longa na Sessão da Tarde. As piadas originais são o foco. As referências a outros filmes estavam sempre em segundo plano, ao contrário do que acontece hoje, mas o flashback na Lagoa Azul é delicioso. Val Kilmer está perfeito no papel, como um clone de Elvis Presley, uma de suas melhores interpretações. A participação especial de Peter Cushing na seqüência da loja é um presente à parte, com direito a uma cena toda ao contrário, perfeita.

Com Val Kilmer, Lucy Gutteridge, Christopher Villiers, Omar Sharif, Warren Clarke, Michael Gough e Peter Cushing.

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[em pauta]

[saqueando a bilheteria]


Sparrow bem na frente dos concorrentes

Num ano em que heróis dos quadrinhos que viraram ícones de quatro, cinco gerações, voltam às telas, em que o maior astro do mundo faz mais um filme de uma série de ação de sucesso, em que animações destinadas a um público cada vez mais amplo com assinaturas famosas chegam às telas, em que o maior best-seller dos último tempos vira filme, por que diabos o campeão de bilheteria do ano é Piratas do Caribe: o Baú da Morte? E, com mil caracóis, como é que ele consegue este título em pouco mais de dez dias?

É um mistério para mim. Johnny Depp não tem um décimo da popularidade de Tom Cruise. Jack Sparrow tem uma história muito menor do que Ethan Hunt. E ele, apenas ele, consegue bater um mito universal como o Superman, que ainda levava consigo os quase vinte anos de expectativa de um novo filme protagonizado pelo maior herói dos quadrinhos? E ele, apenas ele, consegue bater todos os X-Men, um grupo cujo alcance parece cada vez maior? Tá, é um filme com uma platéia bem abrangente, destinado principalmente às crianças e adolescentes, mas A Era do Gelo 2 e Carros não são filmes igualmente direcionados a um público enorme e o último ainda tem a assinatura da Pixar, que leva muito mais gente para os cinemas?

Nenhuma razão parece suficiente para explicar o que aconteceu. O filme estreou batendo recordes. É a maior bilheteria de um fim de semana de estréia na história e também é o “maior” filme de um mês de julho. Rapidamente, deve entrar para o séquito de apenas 21 filmes com bilheterias maiores do que US$ 300 milhões (já tem US$ 258 milhões), que começa a ficar cada vez mais musculoso e do qual o número 21 é justamente o primeiro exemplar de Piratas do Caribe. Uma carreira realmente admirável que muita gente acredita que possa refletir até no Oscar. Uma segunda indicação de Johnny Depp pelo mesmo papel, que não é um papel de Oscar? Acho que não. Mas quem é que vai saber?

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[o destino do poseidon]

[do acervo]

[o destino do poseidon ]
direção: Ronald Neame.

The Poseidon Adventure, 1972. Apesar da releitura feita por Wolfgang Petersen ser um filme bastante correto, a primeira viagem no Poseidon é uma experiência muito mais pessoal. Basicamente, Ronald Neame era um diretor muito caro às personagens e suas histórias enquanto Petersen é um diretor mais técnico, com domínio muito maior de cenas de ação. Isso é flagrante porque, mesmo mais bem feitas, todas são reprises fora de ordem do material original, assim como muitos perfis foram reaproveitados em personagens diferentes.

Há trinta e quatro anos, apesar dos cenários perfeitos, a tensão estava um degrau abaixo da preocupação com as tramas de cada um. Nenhum dos protagonistas da nova versão tem o charme de qualquer um dos heróis do longa original, com destaque para uma Shelley Winters atlética, que ganha uma impressionante seqüência submersa, Stella Stevens, no delicioso papel da ex-prostituta, e Red Buttons, antecipando o metrossexual. Mesmo o embate de machos entre Gene Hackman (cujos diálogos, mesmo os mais bobos, são todos gritados) e Ernest Bornigne, com todas suas limitações de interpretação, dá de dez a zero no duelo de Kurt Russell e Josh Lucas. Ah, e ainda tem aquela baladinha setenta kitsch saborosa, “The Morning After”.

Com Gene Hackman, Ernest Bornigne, Shelley Winters, Jack Albertson, Red Buttons, Carol Lynley, Roddy McDowall, Pamela Sue Martin, Arthur O’Connell, Eric Shea e Leslie Nielsen.

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[destino insólito]

[do acervo]

[destino insólito ]
direção: Guy Ritchie.

Swept Away, 2002. Há coisas realmente inexplicáveis, mas poucas ganham deste filme. Até vê-lo, achava que não deveria ser tão ruim assim, que as pessoas estavam apenas dispostas a atacar a Madonna, praxe toda vez que a moça resolve ser atriz, mas eu fui injusto com todos: Destino Insólito é um filme assustador. De tão ruim. O que mais perturba é a resposta para a seguinte pergunta: o que quiseram fazer aqui? Uma daquelas comédias malucas italianas já que o longa é inspirado em uma? Um misto de pastelão com filme de sexo, já que se tenta fazer o primeiro e se queria mesmo fazer o segundo? E o que significa aquele final que vai de encontro a qualquer expectativa que o tom do filme possa gerar? Realmente é muito estranho porque é muito fácil perceber que o resultado da mistura do material que se tinha, feito nos moldes que se fez, com as pessoas que se tinha à mão, teria efeitos atômicos, nucleares. Então, prefiro acreditar na bomba consciente. Destino Insólito não foi feito como uma despudorada visita às ilhas do Mediterrâneo ou uma comédia maluca, foi feito para ser o pior filme que muita gente viu na vida.

Com Madonna, Adriano Giannini, Jeanne Tripplehorn, Michael Beattie, Elizabeth Banks, Bruce Greenwood, David Thornton e Yorgo Voyagis.

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[transamérica]

[em cartaz]

[transamérica ]
direção: Duncan Tucker.

Transamerica, 2005. A questão aqui é velha: uma interpretação muito melhor do que o filme. Quando assisti a esse filme, nunca tinha visto um só episódio de Desperate Housewifes; não conhecia Felicity Huffman. Hoje, posso dizer que a série é bem legal e que Felicity se revelou uma boa atriz. Em Transamérica, convence completamente no papel de um transsexual que descobre ter um filho às vésperas de mudar de sexo. O filme é bem fraco, segue uma fórmula de reencontro familiar que não acrescenta muita coisa ao que já se viu, mas a atriz é, sem dúvida, um atrativo à parte.

Com Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Elisabeth Peña, Graham Greene e Burt Young.

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