Monthly Archives: junho 2006

[xanadu]

[trilha sonora da sexta-feira]

A place where nobody dared to go
The love that we came to know
They call it Xanadu

And now
Open your eyes and see
What we have made is real
We are in Xanadu

A million lights are dancing
And there you are
A shooting star
An everlasting world
And you’re here with me
Eternally

Xanadu, Xanadu,
(now we are here)
In Xanadu
Xanadu, Xanadu,
(now we are here)
In Xanadu

Xanadu, your neon lights will shine
For you, Xanadu

The love
The echoes of long ago
You needed the world to know
They are in Xanadu

The dream
That came through a million years
That lived on through all the tears
It came to Xanadu

A million lights are dancing
And there you are
A shooting star
An everlasting world
And you’re here with me
Eternally

Xanadu, Xanadu,
(now we are here)
In Xanadu
Xanadu, Xanadu,
(now we are here)
In Xanadu

Now that I’m here
Now that you’re near in Xanadu
Now that I’m here
Now that you’re near in Xanadu
Xanadu

Canção: Xanadu
Autores: Jeff Lynne
Intérprete: Olivia Newton-John e Eletric Light Orchestra
Filme: Xanadu, 1980

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[lua de papel]

[do acervo]

[lua de papel ]
direção: Peter Bogdanovich.

Paper Moon, 1973. Peter Bogdanovich nunca foi um diretor espetacular, mas seu amor pelo cinema é comovente, seja em seus livros e entrevistas, seja em seus filmes. Lua de Papel é um acerto sob todos os pontos de vista. É um filme de 1973 cuja história se passa em 1935, rodado como se tivesse sido feito nos anos 30. Desde a sensata decisão de rodar o filme em preto-e-branco, o que possibilitou ao diretor de fotografia Laszlo Kóvacs, um de seus trabalhos mais cuidadosos. Muitos planos longos, movimentos de câmera excepcionais, como a curva do carro na fuga da polícia. Bogdanovich, no entanto, não conseguiria um filme tão bonito caso a protagonista fosse outra que não a pequena Tatum O’Neal. Muito mais que uma natural, a menina é impressionante; domina todas as cenas do filme, ou com sua figura angelical ou com sua prosa diaboliquinha. Se o pai Ryan está muito bem, Tatum é a alma do filme.

Com Tatum O’Neal, Ryan O’Neal, Madeline Kahn, John Hillerman, P.J. Johnson, Jesse Lee Fulton, James N. Harrell, Lila Waters, Noble Willingham.

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[com a maldade na alma]

[do acervo]

[com a maldade na alma ]
direção: Robert Aldrich.

Hush… Hush Sweet Charlotte, 1964. A fotografia é a grande estrela deste filme de terror de Robert Aldrich. Mesmo quando é exagerado e grandioso, o trabalho de Joseph F. Biroc é genial, nos enquadramentos, na movimentação da câmera e dos atores e, sobretudo, na iluminação. Aldrich, que dois antes antes tinha dirigido outro terror psicológico com Bette Davis, O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, mais uma vez acerta no clima claustrofóbico e insano, cheio de momentos lúdicos e de horror explícito, quase gore. A montagem e a trilha incômoda ajudam a reforçar o tom. Desta vez, no lugar de da irmã Joan Crawford, uma elegantíssima Olivia De Havilland, perfeita como a prima distante, diante de Bette Davis quase exagerada (mas ela é espetacular mesmo quando é over).

Com Bette Davis, Olivia De Havilland, Joseph Cotten, Agnes Moorehead, Mary Astor, Victor Buno, Cecil Kellaway, Bruce Dern e George Kennedy.

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[wig in a box]

[trilha sonora da sexta-feira]

On nights like this
when the world’s a bit amiss
and the lights go down
across the trailer park
I get down
I feel had
I feel on the verge of going mad
and then it’s time to punch the clock

I put on some make-up
and turn up the tape deck
and pull the wig down on my head
suddenly I’m Miss Midwest
Midnight Checkout Queen
until I head home
and put myself to bed

I look back on where I’m from
look at the woman I’ve become
and the strangest things
seem suddenly routine
I look up from my Vermouth on the rocks
a gift-wrapped wig still in the box
of towering velveteen.

I put on some make-up
and some LaVern Baker
and pull the wig down from the shelf
Suddenly I’m Miss Beehive 1963
Until I wake up
And turn back to myself

Some girls they have natural ease
they wear it any way they please
with their French flip curls
and perfumed magazines
Wear it up
Let it down
This is the best way that I’ve found
to be the best you’ve ever seen

I put on some make-up
and turn up the eight-track
I’m pulling the wig down from the shelf
Suddenly I’m Miss Farrah Fawcett
from TV
until I wake up
and turn back to myself

Shag, bi-level, bob
Dorothy Hammil do,
Sausage curls, chicken wings
It’s all because of you
With your blow dried, feather back,
Toni home wave, too
flip, fro, frizz, flop,
It’s all because of you
It’s all because of you
It’s all because of you

I put on some make-up
turn up the eight-track
I’m pulling the wig down from the shelf
Suddenly I’m this punk rock star
of stage and screen
and I ain’t never
I’m never turning back

Canção: Wig in a Box
Autor: Stephen Trask
Intérprete: John Cameron Mitchell e banda
Filme: Hedwig – Rock, Amor e Traição, 2001

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A Concepção

O filme-manifesto é uma tendência inegável no recente cinema brasileiro. Os novos cineastas parecem estar muito dispostos a ir de encontro aos status quo. Mas os meios que utilizam para seus intentos geralmente combinam discursos fatalistas e imagens e textos supostamente radicais e chocantes. Talvez o mais bem sucedido desta linhagem pretensamente nobre da filmografia nacional é o medíocre Amarelo Manga, de Cláudio Assis, dono de uma metodologia tão primária quanto as frases de efeito que o próprio diretor não se envergonha de recitar numa dasa cenas.

As sucessivas visitas a este campo, comumente um espaço panfletário onde a estética de choque dos filmes mais chama atenção para os próprios do que para as questões que eles levantam, geram ou obras medianas como Contra Todos, do professor universitário Roberto Moreira, uma reciclagem mal filmada do que o longa de Assis, ou a barbárie total que é Cama de Gato, de Alexandre Stockler, sem dúvida o pior filme que o Brasil já produziu.

Nesse contexto, um filme cuja sinopse é a criação de uma comunidade alternativa por pessoas à margem, regada a golpes e sexo muito livre, qual seria a expectativa? Algo como – que medo! – Os Idiotas, do Lars Von Trier? Bem, não é o caso. O longa de José Eduardo Belmonte está alguns muitos passos à frente de todos os filmes citados. Para começar, é um filme que não tem um foco tão claro (Brasília seria este foco, mas o filme não entende Brasília como uma cidade, mas como uma condição, o que deixa o alcance muito mais amplo e muito menos direto). Além disso, não existe o tom de revolução ou revelação. As personagens ali não têm missões de denúncia, tanto que a comunidade nunca se é realmente levada a sério.

Se não oferece respostas, sequer perguntas, A Concepção se apresenta muito mais como experiência, rito de passagem, do que como ato de transgressão. Belmonte não parece disposto a dar muito discurso a seu movimento. Há outros interesses prioritários. Um deles, bem básico, é priorizar uma linguagem cinematográfica. A câmera, por exemplo, assume a condição trôpega de quem mostra. O roteiro se preocupa muito mais em acompanhar as personagens nos espaços libertários que elas desenham para si mesmas. A organização dessa coleção de histórias cabe à melhor montagem do ano, que funciona mais a favor do processo em si do que da construção de uma historinha.

O filme de Belmonte dilui a necessidade do concreto. Curioso num trabalho que parece tão físico, mas na verdade está em outro plano. O longa é muito feliz na representação da libertação que o grupo tanto busca, do tal “morrer a cada dia”. O filme assume essa idéia em sua própria forma, se liberta de prisões narrativas, explicações e regrinhas espaço-temporais. Anacrônico e anti-espacial, A Concepção parece fazer parte de um cinema brasileiro em evolução, que alcançou um patamar à parte. Tão particular que muita gente parece não tê-lo entendido e resolveu escrever sobre outro filme. Provavelmente vão passar vergonha – e se forem espertos talvez mudem de opinião – daqui a algum tempo quando este filme for chamado de marco. Não é sempre assim?

A Concepção
direção: José Eduardo Belmonte.
roteiro: Luís Carlos Pacca e Breno Álex.
elenco: Milhem Cortaz, Rosanne Holland, Juliano Cazarré, Matheus Nachtergaele, Murilo Grossi, Gabrielle Lopez.
fotografia: André Luís da Cunha. montagem: Paulo Sacramento e José Eduardo Belmonte. música: Zepedro Gollo. desenho de produção: Akira Goto. figurinos: Fabrícia Mancuso. produção: Paulo Sacramento e Lili Bandeira. site oficial:
a concepção. duração: 96 min. a concepção, brasil, 2006.

 

nas picapes: [Rosemary's Baby, Fantomas]

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[bussunda]

[luto]

Estou realmente chocado com a morte do Bussunda, um gênio do humor brasileiro. Mortes repentinas me abalam bastante. Ainda mais quando se trata de alguém faz parte de um imaginário tão próximo. Guardando as devidas proporções históricas e sentimentais, foi um baque do tipo quando o Zacarias morreu, que foi quando minha infância oficialmente acabou.

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[as cariocas]

[na TV]

[as cariocas ]
direção: Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos.

As Cariocas, 1966. Curioso longa em episódios, com diretores bem diferentes entre si. Caso raro em filmes deste tipo, todos os curtas são bons, cada qual a sua maneira. Fernando de Barros, o mais antigo em atividade até então, refilma aquelas comédias malucas hollywoodianas com um diferencial: assume uma sacanagem tipicamente brasileira, numa espécie de celebração nada politicamente correta da figura do golpista. Norma Bengell está melhor do que a média do que ela consegue ser. Walter Hugo Khouri segue numa direção oposta. Conta uma história de traição com um olhar completamente diferente. O diretor aposta no silêncio, com a câmera apaixonada que segue a protagonista dentro de casa e pelas ruas da cidade. É o episódio mais bem filmado. Roberto Santos, no entanto, faz o mais ousado dos pequenos filmes. Íris Bruzzi, a ex-vedete da novela das oito, surpreende com uma interpretação muito boa de uma espécie de musa de verões passados. Num programa de TV (na Globo!), sua trajetória é colocada em cheque, com flashbacks em forma de pequenos curtas que mostram seus devaneios escandalosos. Santos mexe com a linguagem e faz bonito.

Cada episódio, isoladamente, ganharia três estrelas.

com Norma Bengell, John Herbert, Walter Forster, Lilian Lemmertz, Célia Biar (episódio um); Jacqueline Myrna, Sérgio Hingst, Vera Barreto Leite, Mário Benvenutti, Francisco Di Franco (episódio 2); Íris Bruzzi, Ivan De Souza, Esmeralda Barros, Ruth de Souza, Zezé Macedo, José Lewgoy, Carlos Heitor Cony e Ankito ´(episódio 3).

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[trouble every day]

[trilha sonora da sexta-feira]

Look into my eyes
You see trouble every day
It’s on the inside of me
So don’t try to understand
I get on the inside fo you
You can blow all away

Such a slightest breath
And I know who I am

Look into my eyes
Hear the words I can?t say
Words that defy
And they scream it out loud

I get on the inside of you
You can wave it all away
Such a slightest thing
It’s just the rise of your hand

And there’s trouble every day
There’s trouble every day
There’s trouble every day
There’s trouble every day

If I want you back
I could get away
Before the sunshine leaves your eye
But I need to know
How to find a place
Before the days become nights
Before the years become lies
And there’s trouble every day

You know that I love again
Please make it start again
There’s trouble every day

You know that I’ll always hear
The words that you never say

There’s trouble every day

This time it’s startling me
The words I can never say

There’s trouble every day

You know that I’ll always hear
The words that you never say

Look into my eyes
Hear the words I can’t say

You know that I’ll always hear
The words that you never say

Canção: Trouble Every Day
Autor: Tindersticks
Intérprete: Tindersticks
Filme: Desejo e Obsessão, 2001

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Guerra dos Mundos

[do acervo]

[guerra dos mundos ]
direção: Byron Haskin.

The War of the Worlds, 1953. No ano passado, Steven Spielberg cometeu um de seus filmes mais deliciosos ao reimaginar Guerra dos Mundos, de H. G. Welles. Mais de cinqüenta anos antes, Byron Haskin havia dirigido, com produção do mestre George Pal, a primeira adaptação do livro para o cinema. Os focos e resultados das duas releituras são bastante diferentes, mas ambas têm imensos méritos. Enquanto Spielberg, humaniza a trama com uma família no centro da história, a visão de Pal era de um filme mais militar, focado na ação, na tensão e na tecnologia. Tanto que ele decidiu não usar atores famosos. Embora hoje os efeitos visuais possam ser considerados ultrapassados, o design é moderníssimo, excelente.

Com Gene Barry, Ann Robinson, Les Tremayne, Robert Cornthwaite, Sandro Giglio, Lewis Martin, William Phipps, Vernon Rich. Narrado por Sir Cedric Hardwicke.

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[elas são do baralho]

[na TV]

[elas são do baralho ]
direção: Sílvio de Abreu.

Elas São do Baralho, 1977. Queria muito saber o que Sílvio de Abreu acha deste filme, que dirigiu há quase trinta anos. A pornochanchada, que tem roteiro de, entre outros, Rubens Ewald Filho, é um, digamos, clásssico do que se fazia à época: um tom apatetado, atores (sem graça, sejamos sinceros) reféns das armadilhas esquemáticas do texto e todas as brincadeiras, trocadilhos e baixarias possíveis. Sex rules. Neste universo limitado, Sonia Mamede, a verdadeira Ofélia, salva o filme da bola preta: “que situação, seu Rafael”!

com Cláudio Corrêa e Castro, Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia, Sonia Mamede, Cristina Pereira, Esmeralda Barros, Adoniran Barbosa, Hugo Bidet, Sérgio Ropperto, Yolanda Cardoso e João Acaiabe.

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