Monthly Archives: maio 2006

[o tiro certo]

[no sofá]

[o tiro certo ]
direção: Monte Hellman.

O western talvez seja o gênero cinematográfico mais fechado, com regras mais definidas. O Tiro Certo, minha primeira experiência com Monte Hellman, dedica-se, sem alarde, a negar quase todas elas. A primeira quebra é a da narrativa clássica. Não existe preocupação com começo, meio e fim. Tudo o que importa é o que a câmera mostra naquele exato momento. Não há explicações anteriores e os objetivos e as intenções das personagens são tão misteriosas quanto aquele que o grupo persegue. A estranheza da estrutura permanece até o fim do filme, numa linha reta, em tempo corrido, onde os adendos de elenco são os únicos movimento no que poderíamos chamar de trama. Hellman não se interessa por um desfecho propriamente dito, mas pelo caminho até ele, pelo efeito do cenário nas personagens, onde cada plano parece significar muito mais do que mostra. Onde a câmera está tão viva quanto quem ela acompanha.

[réquiem] Shohei Imamura morreu hoje. De todos seus filmes, vi os mais conhecidos, A Balada de Narayama (83) e A Enguia (97), ambos vencedores de Cannes, mais Black Rain, a Coragem de uma Raça, lindo, e Água Quente sob Ponte Vermelha. Ele ainda dirigiu um dos episódios do coletivo 11 de Setembro.

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[ranking anos 70]

[ranking dos anos 70]

Ainda me corroendo, temendo ter esquecido alguma pérola e querendo colocar mais um vinte filmes, no Top 10, aí vai… Barry Lyndon, como eu previa, entrou muito bem na lista.

1 Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 1972)
2 Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
3 Amarcord (Federico Fellini, 1973)
4 Barry Lyndon (Stanley Kubrick, 1975)
5 Interiores (Woody Allen, 1978)
6 Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Steven Spielberg, 1977)
7 O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
8 O Conformista (Bernardo Bertolucci, 1970)
9 Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
10 O Poderoso Chefão – 2ª Parte (Francis Ford Coppola, 1974)

11 Verdades e Mentiras (Orson Welles, 1975)
12 Nós que nos Amávamos Tanto (Ettore Scola, 1974)
13 Encurralado (Steven Spielberg, 1971)
14 Nasce um Monstro (Larry Cohen, 1974)
15 Frenesi (Alfred Hitchcock, 1972)
16 Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen, 1977)
17 Bang Bang (Andrea Tonacci, 1970)
18 Terra de Ninguém (Terrence Malick, 1973)
19 Na Idade da Inocência (François Truffaut, 1976)
20 Superman (Richard Donner, 1978)

21 Lua de Papel (Peter Bogdanovich, 1974)
22 Invasores de Corpos (Philip Kaufman, 1978)
23 Um Dia Muito Especial(Ettore Scola, 1977)
24 Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
25 Quando Explode a Vingança (Sergio Leone, 1971)
26 Os Palhaços (Federico Fellini, 1970)
27 Tubarão (Steven Spielberg, 1975)
28 Manhattan (Woody Allen, 1979)
29 Domicílio Conjugal (François Truffaut, 1970)
30 A Última Sessão de Cinema (Peter Bogdanovich, 1971)

31 Um Dia de Cão (Sidney Lumet, 1975)
32 A Noite Americana (François Truffaut, 1973)
33 Sob o Domínio do Medo (Sam Peckinpah, 1972)
34 A Inocente Face do Terror (Robert Mulligan, 1972)
35 Febre da Juventude (Robert Zemeckis, 1978)
36 Guerra nas Estrelas: uma Nova Esperança (George Lucas, 1977)
37 O Homem que Queria Ser Rei (John Huston, 1975)
38 O Homem que Amava as Mulheres (François Truffaut, 1977)
39 Macbeth (Roman Polanski, 1971)
40 A Vida de Brian (Terry Jones, 1979)

41 Caminhos Perigosos (Martin Scorsese, 1973)
42 Amargo Pesadelo (John Boorman, 1972)
43 A Última Esperança da Terra (Boris Sagal, 1971)
44 O Enigma de Andrômeda (Robert Wise, 1971)
45 Morte em Veneza (Luchino Visconti, 1971)
46 Avanti! Amantes à Italiana (Billy Wilder, 1972)
47 Cinzas do Paraíso (Terrence Malick, 1978)
48 O Inquilino (Roman Polanski, 1976)
49 Feios, Sujos e Malvados (Ettore Scola, 1975)
50 Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972)

Mais? A Comilança (Marco Ferreri, 1973), A Conversação (Francis Ford Coppola, 1974) e Bye, Bye, Brazil (Carlos Diegues, 1979).

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[x-men: o confronto final]

[mutantes no fast foward]


Há uma grande diferença entre boas idéias e boas idéias realizadas. O terceiro – e ao que tudo indica, último – filme dos X-Men para o cinema é repleto de idéias, muitas boas, outras nem tanto, mas tem uma grande dificuldade em concretizá-las. Gostaria muito de evitar o papel de viúva de Bryan Singer, mas sua saída da série foi penosa para os filmes dos mutantes. Seria muito melhor, como o próprio Singer sugeriu, esperar o fim de seus compromissos com Superman, o Retorno.

A questão é simples: Singer é um bom diretor; Brett Ratner, seu sucessor, tem boas intenções. Há um abismo entre a qualidade da direção dos dois primeiros filmes em relação a este. Se Singer se preocupava em desenvolver bem as personagens de seu filme, em Ratner sobra a vontade de mostrar um pouquinho de todos. O resultado é exatamente esse: você vê um pouquinho de todas as personagens que interessam ao roteiro na tela. O problema é que parece que quase ninguém interessa de verdade ao roteiro. E Ratner traduz o roteiro à risca.

X-Men: O Confronto Final parece com tudo o que já sabíamos sobre ele. Primeiro, é um filme feito às pressas. Isto está claro em cada cena; todas parecem durar metade do tempo que deveriam durar. Os conflitos (não apenas os físicos) se resolvem muito rapidamente. Segundo, anunciado como último filme da série para o cinema, parece que os produtores quiseram colocar tudo o que podiam na trama para impulsionar os tais filmes-solo das personagens. Então, o problema: tem personagens demais, tem sub-tramas demais.

A Saga da Fênix Negra, a obra-prima de Chris Claremont e John Byrne, o melhor momento dos mutantes nas HQs, é apenas pincelada na história do filme. Não há espaço para desenvolver a Fênix no meio de tantas resoluções. Há algum acerto na apresentação da Jean Grey possuída, mas não há um aproveitamento satisfatório das inúmeras possibilidades da personagem. A mistura da história com o arco da “cura dos mutantes” diluiu quase tudo, inclusive a participação do Ciclope. A sensação mesmo é de não saber muito bem que caminho adotar e seguir pela solução mais fácil.

Os novatos, como o Fera e o Anjo, ambos com soluções visuais bem boas, têm aparições reduzidas. Kelsey Grammer merecia mais espaço. Suas cenas indicam que poderia vira a ser um dos melhores intérpretes da série caso pudesse desenvolver seu Hank McCoy. Outras personagens, como Calisto, Homem-Múltiplo e Fanático, e mais que eles, as doutoras Kavita Rao e Moira McTaggart, são jogadas na tela, com pouquíssima ou nenhuma função.

Tempestade ganhou mais espaço e Halle Berry, mais feliz, conseguiu dar um upgrade na sua performance. Continua irritante a dependência que os filmes têm de Wolverine, mas Hugh Jackman, mais uma vez, está acertado. Mas não deu para entender o que o diretor quis dizer com a legenda “num futuro bem próximo” numa cena em que nós não estávamos num futuro bem próximo, nem no futuro. A propósito, a aparição de um Sentinela foi preguiçosa e acovardada. Melhor seria deixar para um eventual quarto filme. Ah, é… não vai ter um destes, não é?

O que talvez seja o maior problema de X-Men: O Confronto Final é como ele deixa margens, pontas, perspectivas que precisariam justamente de mais um filme coletivo dos mutantes. Há inúmeras coisas que não teriam como ser acertadas em longas individuais, como o futuro da escola ou as mortes de três – sim, três – X-Men. Aliás, quem mereceria longas individuais? Como se apresentaria personagens como Emma Frost, por exemplo, tão ligada ao todo? O terceiro filme dos meus heróis preferidos é frustrante, mas numa coisa ele acerta em cheio: finalmente valorizar uma personagem excepcional, Kitty Pryde, então, eu perdôo e me envolvo… pelo menos um pouquinho.

P.S.: não esqueça disso! Depois de todos os créditos do filme, tem uma cena final em que é revelado o destino de uma das personagens que mais sofrem no filme, portanto, se segure na cadeira se o cara do cinema quiser colocar você pra fora!

[x-men: o contronto final ]
direção: Brett Ratner.
roteiro: Zak Penn e Simon Kinberg.
elenco: Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Patrick Stewart, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, Shawn Ashmore, Ellen Page, Ben Foster, Ken Leung, Aaron Stanford, James Marsden, Olivia Williams, Daniel Cudmore, Vinnie Jones, Dania Ramirez, Shohreh Aghdashloo, Cameron Bright, Eric Dane, Bill Duke, Bryce Hodgson, Shauna Kain, Mei Melançon, Vince Murdocco, Michael Murphy, Kea Wong, Desiree Zurowski, Josef Sommer, Haley Ramm, Cayden Boyd.
fotografia: James Muro e Philippe Rousselot. montagem: Mark Goldblatt, Mark Helfrich e Julia Wong. música: John Powell. desenho de produção: Ed Verreaux. figurinos: Judianna Makovsky e Lisa Tomczeszyn. produção: Avi Arad, Lauren Schuler Donner e Ralph Winter. site oficial:
x-men: o confronto final. duração: 103 min. x-men: the last stand, estados unidos, 2006.

nas picapes: [Heroes, David Bowie]

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X-Men: O Confronto Final

X-Men: O Confronto Final

Há uma grande diferença entre boas idéias e boas idéias realizadas. O terceiro – e ao que tudo indica, último – filme dos X-Men para o cinema é repleto de idéias, muitas boas, outras nem tanto, mas tem uma grande dificuldade em concretizá-las. Gostaria muito de evitar o papel de viúva de Bryan Singer, mas sua saída da série foi penosa para os filmes dos mutantes. Seria muito melhor, como o próprio Singer sugeriu, esperar o fim de seus compromissos com Superman, o Retorno.

A questão é simples: Singer é um bom diretor; Brett Ratner, seu sucessor, tem boas intenções. Há um abismo entre a qualidade da direção dos dois primeiros filmes em relação a este. Se Singer se preocupava em desenvolver bem as personagens de seu filme, em Ratner sobra a vontade de mostrar um pouquinho de todos. O resultado é exatamente esse: você vê um pouquinho de todas as personagens que interessam ao roteiro na tela. O problema é que parece que quase ninguém interessa de verdade ao roteiro. E Ratner traduz o roteiro à risca.

X-Men: O Confronto Final parece com tudo o que já sabíamos sobre ele. Primeiro, é um filme feito às pressas. Isto está claro em cada cena; todas parecem durar metade do tempo que deveriam durar. Os conflitos (não apenas os físicos) se resolvem muito rapidamente. Segundo, anunciado como último filme da série para o cinema, parece que os produtores quiseram colocar tudo o que podiam na trama para impulsionar os tais filmes-solo das personagens. Então, o problema: tem personagens demais, tem sub-tramas demais.

A Saga da Fênix Negra, a obra-prima de Chris Claremont e John Byrne, o melhor momento dos mutantes nas HQs, é apenas pincelada na história do filme. Não há espaço para desenvolver a Fênix no meio de tantas resoluções. Há algum acerto na apresentação da Jean Grey possuída, mas não há um aproveitamento satisfatório das inúmeras possibilidades da personagem. A mistura da história com o arco da “cura dos mutantes” diluiu quase tudo, inclusive a participação do Ciclope. A sensação mesmo é de não saber muito bem que caminho adotar e seguir pela solução mais fácil.

Os novatos, como o Fera e o Anjo, ambos com soluções visuais bem boas, têm aparições reduzidas. Kelsey Grammer merecia mais espaço. Suas cenas indicam que poderia vira a ser um dos melhores intérpretes da série caso pudesse desenvolver seu Hank McCoy. Outras personagens, como Calisto, Homem-Múltiplo e Fanático, e mais que eles, as doutoras Kavita Rao e Moira McTaggart, são jogadas na tela, com pouquíssima ou nenhuma função.

Tempestade ganhou mais espaço e Halle Berry, mais feliz, conseguiu dar um upgrade na sua performance. Continua irritante a dependência que os filmes têm de Wolverine, mas Hugh Jackman, mais uma vez, está acertado. Mas não deu para entender o que o diretor quis dizer com a legenda “num futuro bem próximo” numa cena em que nós não estávamos num futuro bem próximo, nem no futuro. A propósito, a aparição de um Sentinela foi preguiçosa e acovardada. Melhor seria deixar para um eventual quarto filme. Ah, é… não vai ter um destes, não é?

O que talvez seja o maior problema de X-Men: O Confronto Final é como ele deixa margens, pontas, perspectivas que precisariam justamente de mais um filme coletivo dos mutantes. Há inúmeras coisas que não teriam como ser acertadas em longas individuais, como o futuro da escola ou as mortes de três – sim, três – X-Men. Aliás, quem mereceria longas individuais? Como se apresentaria personagens como Emma Frost, por exemplo, tão ligada ao todo? O terceiro filme dos meus heróis preferidos é frustrante, mas numa coisa ele acerta em cheio: finalmente valorizar uma personagem excepcional, Kitty Pryde, então, eu perdôo e me envolvo… pelo menos um pouquinho.

P.S.: não esqueça disso! Depois de todos os créditos do filme, tem uma cena final em que é revelado o destino de uma das personagens que mais sofrem no filme, portanto, se segure na cadeira se o cara do cinema quiser colocar você pra fora!

X-Men: o Contronto Final EstrelinhaEstrelinha
[X-Men: The Last Stand, Brett Ratner, 2006]

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[say yes]

[trilha sonora da sexta-feira]

I’m in love with the world
Through the eyes of a girl
Who’s still around the morning after

We broke up a month ago
And I grew up I didn’t know
I’d be around the morning after

It’s always been wait and see
A happy day and then you pay
And feel like shit the morning after

But now I feel changed around
And instead falling down
I’m standing up the morning after

Situations get fucked up
And turned around sooner or later
And I could be another fool
Or an exception to the rule
You tell me the morning after

Crooked spin cant come to rest
I’m damaged bad at best
She’ll decide what she wants
Ill probably be the last to know
No one says until it shows
And you see how it is

They want you or they don’t
Say yes

I’m in love with the world
Through the eyes of a girl
Who’s still around the morning after

Canção: Say Yes
Autor: Elliott Smith
Intérprete: Elliott Smith
Filme: Gênio Indomável, 1997.

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[a criança]

[em cartaz]



[a criança ]
direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne.

Os Dardenne têm um talento inegável para filmar o fatalismo, a tragédia, a amoralidade. A questão talvez seja que seu cinema imediato, seu ultra-realismo siga uma fórmula que está cada vez mais desgastada. A Criança, como os outros títulos da carreira da dupla, persegue o confrontamento entre o homem e o inevitável, mas desta vez não há a mesma tristeza pelo conformismo que no belíssimo Rosetta (1999), de longe, o melhor e mais redondo filme da dupla. O drama não parece mais tão urgente, as personagens parecem presas a um modelo cansado de marginalidade (leia-se: para personagens à margem e não, bandidos); as idéias já não são mais tão fortes.

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[brown bunny]

[crime e castigo]

Bud Clay está na estrada. Menos pelas competições de que participa e mais porque ele procura o que perdeu, algo como um coelhinho marrom, aquele mais belo de todos. Em cada parada, Bud busca espelho, reflexo, completude, parceria. Como não acha, ele se dedica a forjá-las, moldá-las, transformá-las, numa tentativa egoísta de por fim a sua aflição, naquilo que lhe faz falta. Mas Bud não se contenta com menos do que tudo. Não há espaço para cópias ou semelhanças; flores diferentes que não sua margarida. E sempre resolve continuar a procurar.

A melancolia seca do filme de Vincent Gallo é uma coleção de tristezas e solidões, que ganham no território desértico dos Estados Unidos sua forma mais visível. Revela que não apenas o protagonista, imerso na desesperada procura por um passado perdido, sofre com a ausência. Todos com que ele esbarra são consumidos pela falta de perspectivas e de, mais do que tudo, de carinho. O homem solitário se apega até ao vento para acalentar o coração. As flores que cruzam o caminho de Bud são como ele, mas não é isso o que ele quer.

Naquele que é possivelmente o road movie mais triste já rodado, Vincent Gallo é talentoso em transferir para o espaço onde filma a essência do longa-metragem, ainda que haja momentos em que o nada incomode. O texto faz falta a quem está dependente de uma narrativa mais convencional, mas o experimento formal do diretor, rigoroso, ousado, recebido com preconceito estúpido, carecia mesmo do mínimo de palavras. Para Gallo, a única maneira de expressar a condição de falta de Bud é o sensorial.

Então, a palavra dá lugar aos outros sentidos. São os olhos que revelam a tristeza de um mundo de plástica exímia, habitado por solitários. É a música que expõe as feridas abertas ainda carentes de cicatriz. É o boquete, que assuntou e acintou tantos, que gerou muito riso descontrolado no cinema de uma platéia que não estava disposta para o filme; é o boquete cheio de violência, cheio de dor, que catalisa as angústias do protagonista, que o devolve a consciência da culpa, motivo de sua busca sem fim pelo coelhinho marrom, aquele mais belo de todos.

[brown bunny ]
direção, roteiro, fotografia, montagem, desenho de produção, figurinos e produção: Vincent Gallo.
elenco: Vincent Gallo, Chloë Sevigny, Cheryl Tiegs, Elizabeth Blake, Anna Vareschi, Mary Morasky.
site oficial:
brown bunny. duração: 90 min. the brown bunny, Estados Unidos/França/Japão, 2003.

nas picapes: [love will come through, travis]

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[ranking dos anos 80]

[ranking dos anos 80]

Depois de quase um mês de votação, a lista de melhores filmes lançados nos anos 80 já está disponível no blogue da Liga dos Blogues Cinematográficos. Cinqüenta e três integrantes da liga participaram da votação.

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[desejo e obsessão]

[carne trêmula]

O que diferencia o homem dos outros animais? O ser humano costuma temer os limites entre o racional e o instintivo. Na ficção, a proximidade com o animalesco é condenada a obras que jamais relativizam o comportamento das personagens, que rapidamente são moldadas em estereótipos simplórios. O novo filme de Claire Denis é um corajoso recorte de um universo delicado, com uma abordagem raramente tão bem-sucedida.

A princípio, Denis se ausenta de grandes explicações e se aventura pelo tema através do retrato, sem julgamentos, e, inclusive, com uma lógica naturalista para o desvio comportamental das personagens. A antropofagia surge como conseqüência natural do desejo sexual, o domínio completo do corpo do outro, uma evolução sensorial quase vampiresca. Mas Denis não faz alarde com o tema, mesmo fazendo um filme que privilegia a imagem, os quadros, como todos os filmes deveriam ser.

O filme acontece em dois planos, díspares, mas que lidam com o mesmo material: a carne e os impulsos irracionais que ela provoca. De um lado, Béatrice Dalle – que tem pelo menos uma cena magistral -, incontrolável, completamente imersa, refém com consciência de seu desejo. Do outro, Vincent Gallo – também muito bem – e seu sofrimento por reprimir seus desejos unicamente por amar.

Eu provavelmente não consegui entender todos os detalhes da história de Desejo e Obsessão. Não consegui entender como surgiu esta compulsão e qual a relação dela com os estudos dos médicos do filme. Mas Claire Denis não fez um filme para se entender exatamente. Seu filme é sobre o incontrolável, o irracional, o ancestral que mora dentro de todos e do qual você e eu temos muito medo.

[desejo e obsessão ]
direção: Claire Denis.
roteiro: Jean-Pol Fargeau e Claire Denis.
elenco: Vincent Gallo, Tricia Vessey, Béatrice Dalle, Alex Descas, Florence Loiret, Nicolas Duvauchelle, Raphaël Neal, José Garcia, Hélène Lapiower, Aurore Clément, Bakary Sangaré.
fotografia: Agnès Godard. montagem: Nelly Quettier. música: Tindersticks. desenho de produção: Arnaud de Moleron. figurinos: Judy Shrewsbury e Caroline Tavernier. produção: Georges Benayoun, Philippe Liégeois e Jean-Michel Rey. . duração: 101 min. desejo e obsessão, França/Alemanha/Japão, 2001.

[rodapé] hoje, a partira das 23h, no blogue da Liga dos Blogues Cinematográficos, vai ser revelada a lista dos melhores filmes dos anos 80 segundo mais de cinqüenta integrantes do grupo.

nas picapes: [trouble every day, tindersticks]

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[le tourbillon de la vie]

[trilha sonora da sexta-feira]

Elle avait des bagues à chaque doigt,
Des tas de bracelets autour des poignets,
Et puis elle chantait avec une voix
Qui, sitôt, m’enjôla.

Elle avait des yeux, des yeux d’opale,
Qui me fascinaient, qui me fascinaient.
Y avait l’ovale de son visage pâle
De femme fatale qui m’fut fatale {2x}.

On s’est connus, on s’est reconnus,
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus d’vue
On s’est retrouvés, on s’est réchauffés,
Puis on s’est séparés.

Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie
Je l’ai revue un soir, hàie, hàie, hàie
Ça fait déjà un fameux bail {2x}.

Au son des banjos je l’ai reconnue.
Ce curieux sourire qui m’avait tant plu.
Sa voix si fatale, son beau visage pâle
M’émurent plus que jamais.

Je me suis soûlé en l’écoutant.
L’alcool fait oublier le temps.
Je me suis réveillé en sentant
Des baisers sur mon front brûlant {2x}.

On s’est connus, on s’est reconnus.
On s’est perdus de vue, on s’est r’perdus de vue
On s’est retrouvés, on s’est séparés.
Dans le tourbillon de la vie.

On a continué à toumer
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.
Puis on s’est réchauffés.

Chacun pour soi est reparti.
Dans l’tourbillon de la vie.
Je l’ai revue un soir ah là là
Elle est retombée dans mes bras.

Quand on s’est connus,
Quand on s’est reconnus,
Pourquoi se perdre de vue,
Se reperdre de vue ?

Quand on s’est retrouvés,
Quand on s’est réchauffés,
Pourquoi se séparer ?

Alors tous deux on est repartis
Dans le tourbillon de la vie
On a continué à tourner
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés

Canção: Le Tourbillon de la Vie
Autor: George Delerue
Intérprete: Jeanne Moreau
Filme: Uma Mulher para Dois, 1961.

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